Decode escrita por Nina Webster


Capítulo 3
3º Capítulo: Juntando forças.




 

House nunca foi muito querido no hospital, muito pelo contrário, então sua primeira atitude no dia seguinte já passado das dez da manhã foi ir até Wilson, o queridinho das enfermeiras.

- Jimmy Boy, eu preciso dos seus serviços de Stripper...

- Como? – Wilson não sabia se ficava mais confuso com a repentina visita ou com o que o amigo disse, talvez com os dois.

- Cuddy me pediu com muita educação para eu infernizar o novo reitor sem ser demitido...

- E desde quando você resolveu ouvi-la?

- Ela é completamente insana, adora burocracia, tem opiniões que por diversas vezes são extremamente desnecessárias, mas sem ela esse hospital pega fogo e não é do jeito bom, infelizmente.

- Ok, o que você quer mesmo?

- Consiga convencer as enfermeiras a sabotarem ele. O Chase está trabalhando com os cirurgiões e a Cameron com os Kamikazes.

- O Pessoal que trabalha no PS.

- Dá na mesma.

- O que exatamente elas vão ter que fazer?

- Só diga que se elas preferiam a Cuddy está na hora de fazer algo, elas vão saber o que fazer, acho que existe algum tipo de código de honra entre essa raça, não sei. – e saiu da sala.

 

- Alguém entregou os relatórios? – perguntou Cameron.

- Só os realmente importantes; transplantes, cirurgias... Não vamos prejudicar ninguém com o nosso boicote. – disse Brenda.

- Tá certo... E nada que custe muito caro depois, quando a Sra. House voltar...

- Blythe está na cidade? – Cuddy chegou no balcão da enfermaria e ninguém havia percebido.

- Não, só nós sabemos como não precisamos de outra família House, mas apareceu uma paciente chamada Susan House, foi uma confusão no PS, mas a histeria já passou. – mentiu Cameron, Cuddy que não havia percebido a incerteza na fala soltou uma gostosa gargalhada e falou:

- Faz um tempo que não rio de verdade, obrigada Cameron... Brenda, algum paciente de “emergência”?

- Nada ainda, Cuddy.

- Obrigada, vou para minha sala então. – deu tchau e subiu para seu consultório.

- Essa foi por pouco. – Cameron.

- Graças ao House, você aprendeu a mentir. – Brenda falou desgostosa e orgulhosa ao mesmo tempo. – A resposta foi ótima.

 

- Alguém pode me dizer por que o chefe dos cirurgiões não foi alertado desse transplante? – Abraham Capelli adentrando a sala de descanso dos médicos.

- Não precisava. Todos somos formados da mesma forma que ele, acho que o Chase até freqüentou a mesma faculdade...

- Você tem plena consciência que sou seu chefe, não sabe?

- Sim senhor. – bateu continência.

- Algum problema? – perguntou Chase aproximando-se.

- Por que você não entregou os relatórios da biópsia?

- Não fui eu que fiz... Nem ninguém aqui, mas a pessoa que fez é bastante capaz, eu acho. Vocês checaram o diploma?

A secretária de Abraham, Sra. Pomers (que o acompanhava há vinte anos), aproximou-se e falou baixinho em seu ouvido:

- Os médicos estão atendendo na clínica e fazendo exames caros apesar das pessoas não terem convênio.

- Tire isso do salário deles!

- Todos estão fazendo isso!

- Uma reunião com os chefes de departamento, pra ontem! – Sra. Pomers saiu e ele voltou sua atenção para os cirurgiões – Nós vamos conversar depois sobre nosso probleminha.

 

Quando Abraham chegou perto de sua sala passou pelo balcão das enfermeiras, onde estava uma correria.

- O que aconteceu? – perguntou segurando o braço de Wendy.

- Aparentemente um surto de meningite ou algo do tipo.

- Onde começou?

- Não sabemos, mas tá uma loucura aqui. Até agora ninguém foi confirmado.

- Oi? Cadê o House?

- Não veio hoje, ele está de folga pra exames do tratamento pra perna, se não me engano. – soltou-se dele e foi correndo em direção à clínica.

 

As enfermeiras fazendo coisas inúteis, ele inclusive achou seis delas jogando buraco dentro de um dos consultórios, os cirurgiões não mandavam nenhum relatório, NADA. Os departamentos estavam um caos completo, papeladas atrasadas, pacientes repassados sem nenhuma lógica, explicação... Claro que pessoas estavam sendo curadas, mas se algo acontecesse ia sobrar para ele, ia ser culpa de sua má administração.

- Vocês podem me dizer por que do dia para a noite todos resolveram desobedecer minhas ordens? – falou tentando manter-se calmo, mas apoiando o pulso fechado na mesa da sala de reuniões.

- Algum paciente morreu por negligência nesse período? – falou Sanders da Pediatria.

- Morreram alguns pacientes na oncologia e dois que estavam na UTI... – Sra. Pomers respondeu prontamente sendo interrompida por Wilson.

- Tanto os pacientes da oncologia quando os da UTI estavam em estado grave, a pergunta foi se alguém morreu por negligência não por conseqüência de doenças já diagnosticadas e feito o possível por eles.

Um silêncio instraurou-se na sala, Dr. Capelli tinha as narinas dilatadas, estava puto. Tremia.

- Quem é o responsável por essa rebelião?

- Não vejo ninguém carregando cartazes ou gritando palavras de ordem. – falou Brenda de braços cruzados e voz de deboche.

- E você é uma enfermeira quanto menos falar melhor. – Abraham. Stevens da Imunologia teve que segura-la na cadeira para não perder a razão. – Repito a pergunta, quem é o responsável por essa rebelião?

Todos os presentes na mesa levantaram, inclusive Cuddy que não estava entendendo completamente o que acontecia, mas percebia um dedo de Gregory House na coisa toda.

- Então todos estão em observação, de hoje em diante qualquer vacilo...

House entrou na sala, chupando pirulito, óculos escuros e boina, como se nada tivesse acontecido.

- Perdi alguma coisa? Sorry, meu relógio demorou dez horas além do certo para despertar, dá pra acreditar numa coisa dessas? – sentou-se no lugar onde Cuddy sentava-se antes de levantar para se responsabilizar como os outros.

- Dr. House! Por que será que eu sinto que isso tudo é culpa sua?

- Isso o quê? Nem vim trabalhar hoje... – Cuddy olhou para ele guardando em si a real reação, ele passou o dia inteiro sentado em uma cadeira na sala dos médicos da Endocrinologia.

- Então...Até amanhã, mas aviso que quero os relatórios atrasados amanhã na minha mesa, bem cedo. Dispensados.

Todos saíram antes de ele dissesse algum “mas”...