Decode escrita por Nina Webster


Capítulo 2
2º Capítulo: O primeiro dia.




Lisa Cuddy sempre foi uma mulher responsável então apesar de ter descido de cargo, iria passar a ganhar menos, mas poderia continuar com seu estilo de vida por um tempo por conta de uma gorda poupança que mantinha. Mesmo com esse pensamento em mente, Dra. Cuddy foi trabalhar tensa.

Pensava em como as outras pessoas a tratariam agora que eram iguais, , ela sentiria na pele o reflexo dos seus anos de reitora.

Entrou no saguão e quase entrou na porta de vidro a direita, porém recuperou-se sem que ninguém percebesse o gesto gerado pela força do hábito. Foi ao elevador e apertou o botão para o segundo andar onde se localizava sua nova sala.

Parou quando viu que ainda arrumava o nome na porta, Stuart virava Cuddy. Respirou fundo. “Esse vai ser um dia difícil”, falou consigo mesma.

 

Tinha acabado de atender uma pacien... um paciente, que tinha excesso de hormônio feminino, balançava a caneta entre os dedos da mão esquerda quando seu bip tocou: Emergência, ir para o PS.

Ela desceu as escadas correndo.

- O que aconteceu? – perguntou ofegante com a mão no peito, estava preocupada.

- Uma menina, 7 anos, não pára de vomitar. Passou por dez médicos nos últimos meses e a única coisa que todos afirmaram é que ela tem deficiência de GH. – Brenda falou e entregou uma pasta para ela.

- E por que isso seria uma emergência? – lendo o prontuário.

- O novo diretor mandou avisar os médicos-chefes a que os casos mais sérios interessassem. Ela está com uma desidratação séria.

- Porque não consegue parar de vomitar! Peraí...- voltou algumas folhas.- Ninguém reparou no nível de cortisol dela? Apliquem cortisona nela, por favor. E quando ela melhorar a levem para fazer uma tomografia. Entregue pra mim mesma, me interessei pelo caso afinal. – devolveu a pasta e foi voltando em direção ao elevador.

- Dra. Cuddy?  - chamou uma enfermeira.

- Mais uma “emergência”? – disse com um claro tom de sarcasmo. – a enfermeira apenas concordou com a cabeça, envergonhada. – Obrigada por me chamar, não é sua culpa. – pegou a pasta que lhe era estendida.- Esse será um longo dia não?

 

Era próximo das quatro da tarde quando Lisa Cuddy adentrou o escritório do novo reitor. Na porta agora se lia “Abraham Capelli, M.D.”.

- Você deve ser Lisa Cuddy.

- Sou sim. – disse parando enfrente à sua antiga mesa. – Vim primeiramente perguntar por que minha mesa não foi posta na minha nova sala.

- Ela não é propriedade do hospital?

- Não. Ela é minha desde a faculdade, estava em um depósito e na última reforma...

- Depois que um psicopata invadiu o hospital...

- E na última reforma, ela foi trazida pra cá.

- Desculpe o engano, amanhã de manhã ela estará na sua sala.

Abraham era um homem alto, acima do peso – mas ainda não obeso – e o pouco cabelo que lhe restava estavam só nas laterais e encontravam-se completamente brancos.

- E segundo, gostaria de questionar a nova posição do hospital de avisar os médicos-chefes por quaisquer motivos triviais. Existem coisas mais importantes nos departamentos, coisas mais sérias e de mais urgência.

- Quem é você para me dizer o que é mais importante se sua administração foi um desastre?

- Na verdade o hospital arrecadou durante esses anos mais que...

- Então vamos lá... – pegou uma pasta. – Enfermeiras entraram em greve, Dr. Robert Chase matou uma paciente por negligência... Não só ele não é mesmo? Dr. Eric Foreman matou com radiação sendo que ela só tinha uma infecção... Segurança péssima, um médico levou um tiro, este mesmo médico aceitou suborno de mafiosos, foi preso por narcóticos... Uma adolescente morreu porque você, o caso era seu afinal, demorou tempo demais para o diagnóstico... 100 milhões de dólares de doações foram perdidos pra salvar o emprego do House...

- Você me deve ao menos respeito! NÃO SOU CRIANÇA! Fui a segunda reitora mais nova e a primeira mulher! Não venha me dizendo quem eu sou, como eu trabalho...

- Dra. Cuddy, você está em observação. – falou assinando os papéis – Não sei como depois de um escândalo desses, você não foi demitida, o Conselho parece gostar de você.

- Porque eu sempre tratei bem as pessoas, elas me consideram alguma coisa mais humana do que você.

- O que você e o House tem afinal? Preciso colocar no relatório.

- Não temos nada, ele faz esse tipo de brincadeira de mau gosto há anos.

- Parece que só você vê brincadeira nisso. Pode se retirar, por favor. Sua mesa estará na sala da endocrinologia amanhã.

Ela saiu da sala batendo a porta e subiu as escadas correndo. Entrou na sala de House sem bater.

- Você vai INFERNIZAR a vida daquele cara, é uma ordem. Mas não seja demitido. – e saiu como entrou.

Remy (13), Foreman e Taub olharam para House que olhava para a porta com um sorriso satisfeito no rosto.

- Vocês ouviram the old boss, o novo chefe é inimigo de estado. – House, ainda sorrindo.

- O que isso quer dizer, exatamente? – Taub.

- Que vamos todos voltar ao colegial. – Foreman rindo pra si e olhando para uma pasta à sua frente.