Dilemas escrita por Paige Sullivan


Capítulo 4
Capítulo 4


Notas iniciais do capítulo

Acabei adiantando o capítulo e acho que já vou postar o 5 também porque esse final de semana eu não estarei em casa...
Além de amanha e sexta feira também estar atarefada por conta da pós.
Como dito antes, estou tendo certas dificuldades de colocar os links das locações. Mas... Se eu conseguir me resolver com o blogger, eu coloco na capa da história para poderem ver melhor.... Locações adicionais, vou colocando ao longo da história....



Capitulo 4

No outro dia todos já estavam se aprontando para descer para o café da manha do hotel. Diana desceu primeiro e encontrou com Charles logo na entrada do restaurante, o que deixou a situação um pouco tensa. Ele lhe deu bom dia e ela respondeu apenas com um sorriso. Depois de procurarem por algum lugar para sentarem, o garçom os acompanhou a duas mesas vazias perto da vista da floresta atrás do hotel.

Enquanto isso Tiago estava à espera na porta do restaurante, já tinha vasculhado todas as mesas com o olhar e nada dela. Depois de esperar quase vinte minutos em pé e estar se achando um perfeito palhaço, resolveu ir atrás do primo para comer alguma coisa. Logo quando chegou, Stolt já estava sentado na mesa de Diana e chamado Charles para sentar com eles. Chegou perto e foi convidado a tomar café junto com eles.

Aline, já percebendo que estava super atrasada, desceu praticamente correndo para o restaurante, quando foi chamada por um atendente na porta do elevador.

- Ah sim, já ia ao quarto da senhorita. Liguei e ninguém havia atendido. – ela estranhou.

- Desculpa a grosseria, mas quando os hospedes não atendem geralmente é porque não querem ser incomodados. Ou porque não estão no quarto.

- Sim, eu sei senhorita, mas é que há uma pessoa esperando na recepção. Por isso resolvi ir direto ao seu quarto, ligamos e a senhorita não atendeu. – Aline imaginou que Tiago pudesse ter descoberto em que quarto ela estava, afinal a recepcionista tinha falado seu sobrenome. Mas seria muita loucura ele fazer isso... Ou não?

- Me esperando? – agora Aline estranhava ainda mais – Como é essa pessoa?

- Homem, caucasiano, cabelo raspado, alto e forte. Parecia que tinha muita intimidade com a senhorita, porque pediu para falar com sua “mulher”. – o atendente estava visivelmente constrangido, e Aline rapidamente notou de quem se referia. Respirou fundo e apontou para que ele fosse para a recepção.

Logo quando chegaram, ela sentiu uma sensação estranha. Não era ruim de fato, mas ela não se agradou muito. E lá estava quem ela menos queria ver na sua vida, seu ex-namorado, Caio.

- Oi meu amor, sabia que está linda? – ele tentou chegar perto dela, mas num movimento brusco, ela o puxou pelo braço.

- O que pensa que está fazendo?

- Vim te visitar. – Aline percebia aquele jeito sacana que ele dava com o sorriso, antes a deixava louca, mas agora estava a deixando com náuseas.

- Estou trabalhando Caio... – ela respirou fundo e ele ficou sério – Não era para você estar aqui. Que saco!

- Olha, eu vim com a melhor das intenções. Queria conversar com você.

- E pra isso precisa explanar pra todo mundo que eu sou sua mulher? – Aline estava visivelmente irritada – Me poupe de suas decências, você não é assim.

- Eu mudei Aline, sério, eu... – Caio não sabia o que dizer com o olhar de indiferença que Aline agora lhe dava – Olha, vamos conversar, sério. Se daí você não me quiser mais, tudo bem, eu desisto.

- Você deveria ter desistido desde aquele dia no meu prédio. Eu não te quero mais.

- E quem garante? – ele chegou perto dela, deixando-a desconcertada no hotel.

- Não chega assim perto, por favor. Eu não quero que ninguém pense coisas aqui. Já disse que estou a trabalho.

- Se você não me der a chance de conversar, com certeza eu não saio daqui. Até me hospedo se for necessário.

Aline o olhava e percebia que ele estava falando a verdade. Se não havia alternativa, ela teria que lhe dar atenção pelo menos um tempo. E nem tinha tomado café ainda, pelo visto o dia seria longo. Caio era um tipo de homem que quando queria uma coisa, iria até o fim para conseguir. Ele não iria desistir tão fácil de ter uma chance de falar e conversar com ela.

- Tudo bem Caio, eu converso com você, mas não vai ser no hotel. Vamos a um restaurante próximo daqui.

- Não pode ser no seu quarto? – ele não acreditou que ela estava praticamente o expulsando do hotel.

- Mas é claro que não. – ela se alterou – Eu não vou dar mole pra você dessa vez.

No restaurante Diana já estava preocupada com o não aparecimento de sua assessora. Ficava olhando o relógio insistentemente, até que o próprio Stolt percebeu sua inquietação.

- Diana, está acontecendo alguma coisa?

- Não, é que já está quase na hora de terminar o café da manhã e Aline ainda não apareceu.

- Ela pode estar dormindo Diana, você não falou que ficou conversando com ela até mais tarde? – Charles a lembrou.

- Mesmo assim, Aline não é de se atrasar.

- Então faz o seguinte, estamos aqui conversando apenas como conhecidos e amigos, não há obrigação de ficar na mesa. Vai lá procurar por ela e saber se ela ainda vai tomar café que eu fico aqui e temos uma conversa de homens não é? – Stolt, educado como sempre, olhou para Charles e riu. O mesmo retribuiu e assentiu olhando para Diana, enquanto Tiago também aproveitou a oportunidade para conhecer mais seu cliente.

- Então, nos vemos no jantar Stolt. – ela sorriu para ele e o mesmo assentiu.

Aline já tinha ido a seu quarto e pego sua bolsa. Ao chegar à recepção, viu sua chefe falando com a recepcionista e tomou coragem para falar com ela.

- Diana.

- Mas menina o que aconteceu com você? Pensei que tivesse tido algum problema. – Diana parecia preocupada e Aline respirou fundo.

- Na verdade Diana eu estou com um problema sim. Não sei como, mas o chato do meu ex-namorado descobriu que eu estava aqui e pediu para conversarmos.

- Aline, simples, ignore todas as ligações dele. E depois descubra se alguém contou a ele na empresa. Isso é inadmissível. – Aline percebeu que ela não estava irritada com ela e sim com o incompetente que deu ao Caio aquela informação.

- O problema Diana é que ele não está me enchendo por telefone. Ele está me esperando ali. – ela apontou para as poltronas da recepção – Ele veio até aqui para me procurar.

- Não acredito! Cretino! – Diana se compadecia do que aconteceu com ela – Desculpa. – ela percebeu que se exaltou e até as recepcionistas se assustaram.

- Sem problemas. – Aline já gargalhava – Concordo com você.

- Então vai se resolver com esse maltrapilha, porque senão quem vai lá resolver sou eu. – Diana deu aquele sorriso que Aline sempre temia. Era o que ela dava quando estava com raiva de algum concorrente e tinha idéias maquiavélicas na cabeça para no final ficar com o projeto para ela. Sinistro.

- Você vai precisar de mim que horas?

- Minha querida eu preciso de você o dia todo, mas... Como ele vai atrapalhar, resolva primeiro com ele e tente voltar até umas quatro horas da tarde. Assim teremos tempo de nos arrumar no salão de beleza, conversaremos por lá mesmo e te dou as coordenadas para o jantar. Antes, eu vou almoçar com o Charles e ver o que vamos falar primeiro.

- Tudo bem. – ela já ia saindo – Diana. Aqui está a chave do meu quarto. Têm algumas anotações minhas em cima do criado mudo.

- Ah sim, então vou logo pegá-las e deixar a chave na recepção.

- Ok.

Aline saiu e Diana foi logo para o quarto da assessora. Pegou o que precisava, foi para o seu quarto e se afundou em trabalho. Precisava estar com tudo em ordem para conversar com Charles e logo em seguida passar tudo para Aline e para o Stolt no jantar.

Aline voltou rapidamente para a recepção e pediu total privacidade para ela. Também que qualquer pessoa que não fossem Diana, Charles e suas amigas, que não contassem que ela estava no hotel.

No restaurante os homens continuavam conversando até que Tiago se deu conta de que sua nova obsessão não tinha aparecido para tomar café da manha. Mesmo interessado na conversa que rolava na mesa, ele parecia ansioso e não parava de olhar para os lados procurando por ela.

- Por acaso alguma pessoa lhe interessou aqui no hotel Tiago? – Stolt olhou para ele curioso e divertido.

- Está tão na cara assim? – ele quase se encolheu na mesa enquanto Charles rolava os olhos.

- Não ligue para ele Stolt, ficou louco por uma mulher no aeroporto, estivemos no mesmo vôo, e ela se hospedou no mesmo hotel que nós. E o esperto ai nem sequer conseguiu descobrir o nome dela.

- Interessante. – ele olhou de novo para Tiago – Mulher difícil... – Tiago concordou com Stolt – São as melhores. – eles riram na mesa – Na próxima vez que a ver, não perde a oportunidade não... Se a vida já lhe deu três e mesmo não querendo você desperdiçou, na ultima não tem mais volta, escuta o que eu to te falando.

- E é por isso mesmo que vou procurá-la. Com licença. – Tiago já ia saindo quando Charles o chamou.

- Tiago, procura na recepção. A recepcionista disse o sobrenome dela não foi? Custa nada tentar.

Ele entendeu o recado e partiu correndo para a recepção. Enquanto isso Aline estava discutindo com Caio na porta do hotel sobre qual seria o meio de locomoção deles para o restaurante que ela indicou na quadra seguinte ao prédio.

- Perdeu o juízo? Estamos a uma quadra, podemos muito bem ir andando.

- Eu estou com meu carro Aline, qual o problema? – ele já estava revoltado na porta do hotel.

- Meu problema é você que sempre vem com suas quintas intenções. Sei muito bem porque quer me levar de carro. Somos jovens e temos pernas saudáveis, vamos andando e pronto.

- Olha...

Enquanto isso na recepção.

- Desculpa, mas eu poderia pedir uma informação? – Tiago chegou e foi atendido justamente pela recepcionista que recebeu ordens diretas de Aline.

- Sim senhor.

- Eu queria saber se uma Srta. Resende ainda está hospedada no hotel. Eu estava procurando por ela e não achei em lugar nenhum.

- Não há ninguém com esse sobrenome no hotel senhor. – a recepcionista parecia olhar pelo computador, mas na verdade nem estava na parte das fichas dos clientes.

- Acho meio difícil. Ontem mesmo ela estava sentada naquela cadeira ali e alguém aqui a chamou para uma sala particular... – ele apontou para a cadeira e a recepcionista se lembrou da cena do dia anterior.

- Continuo dizendo senhor, não há ninguém aqui com esse nome. – ela sorria, mas já temendo que ele fosse ficar ali na recepção tempo o suficiente para conseguir o que queria.

- Pois bem, já estou vendo que tem algo estranho. E já que você não vai me ajudar... – ele se virou e viu a Srta. Resende saindo pela porta do hotel – Eu mesmo a acho. – ele saiu correndo atrás dela, mas tentando se manter o mais são possível e não fazer nenhuma besteira.

Aline estava esperando que Caio guardasse seu carro num estacionamento ali perto. Assim que ele apareceu na porta do hotel, ela desceu as escadas. Eles foram andando um ao lado do outro e Tiago viu que poderia perder a oportunidade. Mas quando chegou na porta do hotel e desceu as escadas também a viu andando ao lado de um homem. Ele a abraçou e a puxou para ir andando com ele para outro ponto da rua.

“Não acredito. Ela tem companhia...” – Tiago praticamente chutou o chão, revoltado por aquilo estar acontecendo com ele. Entrou no hotel novamente e resolveu tomar um banho quente para espairecer.

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Aline já tinha tirado os braços de Caio dela, mas não foi a tempo de que Tiago visse. Caio estranhou a atitude dela, até que chegaram na esquina da rua e ela apontou para o restaurante. Foram andando e dez minutos depois já estavam instalados e já tinham pedido o que comer.

- Nunca pensei que você fosse comer tanto.

- Não tomei café da manha e você já me estressou bastante. Nada que uma comida reforçada para agüentar a batalha que virá hoje.

- Olha, não vim para brigar. – Aline se revoltava cada vez que ele lhe dava aquele sorriso sedutor – Eu só preciso que você saiba a verdade.

- Qual delas? Porque desde quando começamos a namorar você me enche de verdades. – um silêncio imperou na mesa. Aline percebeu que as mulheres olhavam para Caio quase o comendo com os olhos e que ele resistia a vontade de sorrir como uma forma de retribuição para elas.

Caio, por sua vez, realmente tentava ignorar a maneira como estava sendo secado naquele local. Queria se focar totalmente no seu objetivo, mas mulherengo como era, estava se sentindo numa situação complicada ali.

Aline percebeu o desconforto dele e soltou um sorriso de canto de boca. Assim que chegou o pedido, ela começou a comer o ignorando totalmente. Mas ele não conseguia parar de olhá-la.

- Já que você resolveu prestar atenção em mim, fala logo o que você quer.

- Como assim?

- Acha que sou estúpida? – Aline soltou um sorriso de escárnio – Pensa que não sei que você esta se coçando para não abrir um sorriso para as mulheres desse lugar que estão te olhando? – Caio se sentiu encurralado. Ela o conhecia muito bem.

- Eu vim aqui por você. Para falar com você. – ele levou sua cadeira para ficar quase ao lado da dela e a fez encará-lo – Eu cometi erros Aline, muitos. Mas eu estou tentando mudar. Não consigo te esquecer e sei que você é a mulher da minha vida...

- Eu não acredito em nada do que você me diz Caio. – ela respirou fundo e se virou para ficar de frente para ele – Você não me ama. Isso eu tenho certeza, a questão é que fui a única que por muito tempo conseguiu aturar suas mentiras.

- E isso aqui não importa? – Caio tirou do bolso do casaco, o par de alianças que os dois chegaram a usar logo quando ele a pediu em casamento. Aline encarava aquele par de anéis nas mãos dele e se sentiu um pouco balançada. Em todos os seus relacionamentos, Caio foi o único que a pediu em casamento e ela achou que poderia mesmo ter uma vida normal como todas as outras pessoas.

- Importou apenas no primeiro mês que eu não sabia de nada. Mas ai tudo desmoronou quando você ficou se agarrando com a irmã do seu amigo. – Caio engoliu em seco. Ele sabia que aquilo não sairia da cabeça dela rapidamente – Quer saber Caio? Eu to me sentindo uma idiota por estar aqui.

- Não, por favor. – ela fez menção de levantar, mas ele a segurou – Eu te amo Aline.

E aquilo novamente a balançou. A troca de olhares intensa entre os dois a deixou hipnotizada e lembrando de todos os momentos bons que tiveram. Mas logo ela teve um lapso de realidade e percebeu que se deixar levar só lhe traria mais sofrimento.

- Você pode até me amar, e eu respeito isso. Mas eu não te amo mais, por conta de todas as suas burradas e mentiras o sentimento que eu tinha por você morreu. Agora, me faz um grande favor... Esquece que eu existo. E não me atrapalha aqui em São Paulo porque estou a trabalho e da próxima vez eu mando os seguranças te escoltarem para fora, entendeu?

Caio pensou até que Aline fosse falar alto e chamar a atenção de todos os que estavam no restaurante, mas ela foi bem educada e falou baixo. Porém o tom da voz era tão ameaçador que ele engoliu em seco e sentiu que não tinha nada o que fazer mesmo. Mas não desistiria fácil, mesmo tendo dito a ela no hotel que depois daquela conversa o faria.

Aline se levantou de vez, pegou sua bolsa e saiu do restaurante mais revoltada do que antes. Não era bom para a sanidade dela continuar ali, senão ela seria capaz de cometer um crime. Partiu de volta para o hotel e resolveu afogar suas frustrações no trabalho. Seria melhor assim.

****

De tarde, ela e Diana foram ao salão de beleza para se arrumarem. Tiago e Charles estavam no quarto dele conversando sobre o jantar que se sucederia e Tiago contando o que aconteceu na porta do hotel.

- E por acaso você acha que ela tem namorado?

- Charles, prestou atenção ao que eu disse a você há segundos atrás? Ela estava abraçada ao cara.

- E? – Charles o olhava com um ar debochado e divertido – Só por causa disso quer dizer que ela é comprometida? Não pode ser um amigo ou sei lá um irmão, primo?

- Tá brincando não é Charles?

- Sabe qual o seu problema Tiago? Você nem a conhece. E tem a mania de criar ilusões em cima de coisas que você nem sabe. Pré julgar as coisas. Acho que é por isso que nunca teve um relacionamento de verdade.

- Agora vai me dar sermão? – Tiago se enfezou e sentou na cama do primo – O que deu em você?

- Nada. Só estou te falando a verdade. Ela está hospedada no hotel e por algum motivo pessoal não quer que as pessoas saibam. Vai que esse homem ai é o problema dela? Deixa de colocar minhocas na sua cabeça e tenta ver todos os ângulos da situação.

- Mas e se ela sair do hotel antes de eu sequer ter a oportunidade de conversar com ela?

- Ai será como o Stolt falou. Por mais que você não quisesse, acabou desperdiçando as oportunidades que a vida te deu. Então parta pra frente. Ok?

No salão de beleza...

Enquanto faziam as unhas lado a lado, Aline reclamava do ex-namorado para Diana e contava da conversa mais cedo que tiveram.

- Você acredita que ele teve a audácia de trazer nossas alianças e jogar na minha cara? Depois que recobrei o meu juízo, quase que o fiz engolir.

- Eu teria feito muito pior Aline. Provavelmente nem teria parado para conversar com ele, mas pelo que eu entendi, ele não te daria sossego. Mas mesmo assim, ele é muito cara de pau. Cretino! – Diana repetiu a mesma coisa e as manicures olharam assustadas para ela e depois riram.

- Enfim, espero que depois disso ela não venha me atrapalhar, porque senão ele vai ver só. Estou com uma vontade louca de tacar algo na cabeça dele mesmo. Ainda estou me acostumando com a idéia de que ele apareceu aqui em São Paulo.

- É mesmo. Já descobriu quem disse a ele?

- Não. Mas não será muito difícil de descobrir. Se bem sei como ele é, deve ter seduzido alguma recepcionista da empresa e agora quer pagar de santo. Mas depois eu resolvo isso.

*****

Uma hora depois elas já estavam prontas e foram para seus quartos se arrumarem para o jantar. Aline estava terminando de colocar seu vestido, quando recebeu uma ligação no celular.

- Desculpa ligar a essa hora Aline, mas estamos com um grande problema. – Letícia estava ao telefone com uma voz um tanto desesperada.

- Aconteceu alguma coisa no apartamento ou com vocês?

- Não. – Leticia percebeu que se antecipou com o pedido – É na empresa mesmo. Houve um problema com o setor de contabilidade e a Nique precisava daquele relatório para entregar na segunda para Diana...

- Deu problema de novo no servidor? Mas o Fábio garantiu que estava tudo nos conformes.

- Estava até hoje de manha. Ela foi lá trabalhar e tentar terminar mais rápido e deu problema de novo. Enfim, para encurtar, ela disse que você tem esse documento com você e pediu para ligar pra ela.

- Ela está no escritório?

- Sim.

- Mas isso não pode ser deixado pra quando eu voltar amanhã?

- Olha Aline, até poderia, mas sabe como a Diana é com esse negócio de prazo. Ela só alivia pro teu lado, porque é a queridinha dela. – Aline revirou os olhos e soltou um sorriso de canto de boca – E pelo visto é o relatório financeiro para entregar para um cliente ai que tem reunião na segunda.

- Já entendi. Vou ligar para ela. Beijo.

- Beijo.

Aline já estava bufando sucessivamente. A vontade dela era de ir para o Rio e chutar o servidor, porque ela sabia que a culpa não era de Dominique.

- Pode entrar. – alguém batia a sua porta no quarto. Ela olhou e sua chefe estava entrando – Diana, temos problemas.

- Ai meu Deus, com essa sua cara pelo visto a coisa não é nada boa.

- E não é mesmo. Dominique precisa entregar um relatório financeiro para você na segunda para a reunião com os sócios da Sam’s Images. E o servidor deu problema de novo.

- Ainda não entendi.

- Ela precisa que eu ligue para ela e repasse alguns relatórios que estão no meu laptop, e isso vai levar um tempo.

- Não me diga que você está me dizendo que não vai pro jantar?

- Eu até queria, é uma oportunidade única pra mim, mas se eu não resolver isso com ela hoje, e parece que a pobre vai virar a noite terminando o relatório, provavelmente teremos que cancelar a reunião.

- Isso nunca Aline, só cancelo reunião com cliente em casos extremos, sabe muito bem disso. Eles são nossos clientes há anos. Se meu pai estivesse vivo, provavelmente nem de relatórios precisaríamos, ele parecia um HD ambulante. – elas riram do comentário.

- Sabe muito bem também que Dominique não me ligaria se não fosse tão serio.

- Verdade. – Diana parou para pensar um minuto – Pode ficar sim. Qualquer coisa eu te chamo. Se precisar de alguma ajuda pode me falar e me interromper também. Eu digo ao Stolt o que aconteceu, ele vai entender. Contanto que o Charles e eu estejamos lá...

- Acredito que é o que mais importa. – Aline correu para perto do criado mudo e pegou suas anotações – Sabe que tudo que precisa está aqui. Se precisar de uma cola... – elas riram novamente e Diana pegou de sua mão.

- Claro. Agora vai resolver logo isso com a Dominique. Sabe como o Isaque da Sam’s é chato.

****

Enquanto isso no outro quarto...

- Mas Dennis o que aconteceu de tão ruim?

- O que aconteceu é que você deixou tudo para que eu terminasse né lindão? O que deu em você? É a primeira vez que me deixa com o abacaxi pra descascar.

- Eu não entendo, tinha deixado tudo pronto e estava em cima da mesa. Será que... – Tiago coçou a cabeça.

- Provavelmente tua secretaria guardou em algum lugar já que o lindão não avisou nada a ela.

- Olha eu sei que sou lindão, mas não precisa ficar repetindo isso. – Tiago mordeu a língua enquanto Dennis gritava impropérios para ele no telefone.

- O que eu faço? Eu preciso terminar essa porcaria porque o cliente pediu uma reunião para amanha.

- O que deu no Rafael? Reunião num domingo?

- É que vai ter um churrasco. O pai dele nos convidou e eu contei que vocês estavam em São Paulo. Precisamos fechar a campanha essa semana, mas parece que o pai dele vai viajar para Cancun e só volta depois de uns quinze dias.

- Já sei. Ele vai tirar as tão sonhadas férias com a mulher dele?

- Acredito que sim. Será que o imbecil poderia me ajudar?

- Gostava mais quando me chamava de lindão. – Dennis reclamou de novo e ele riu – Brincadeira. Vou falar para o Charles o que aconteceu e avisar que vou te ajudar. Acho que tenho algo no meu laptop.

Tiago correu para o quarto do primo e ele já estava praticamente pronto.

- E ai já terminou de se arrumar?

- Então, tenho uma parada pra te contar. – Tiago parecia desconcertado com o primo que já desconfiou.

- Não vai deixar de ir pro jantar por conta de mulher nenhuma Tiago.

- Ei! – ele se fez de ofendido – Tenho responsabilidade com o meu trabalho tá? – Charles arqueou a sobrancelha e Tiago engoliu em seco – Pelo menos na maior parte do tempo.

- Conta logo qual a novidade.

- Então...

****

Meia hora depois, Charles já estava na mesa reservada no restaurante do hotel esperando por Stolt, Diana e Aline. Diana chegou primeiro e percebeu que ele estava sozinho.

- E o Tiago?

- Ele não pode vir, teve um problema com o Dennis. Coisa do escritório. E Aline?

- Nem me fala, também tivemos um problema lá no escritório. Não quero nem pensar. – Diana parecia um pouco irritada.

- Problemas sempre surgem Diana. – Charles estava quase se divertindo com a cara dela.

- Sim eu sei, mas o servidor que temos é novo. Não entendo porque está dando tanto problema.

- Depois te indico o pessoal da informática. Eles fazem a primeira analise de graça e dizem qual o problema. Qualquer coisa...

- Sim, sim, depois dá o nome deles pra Aline. Não agüento mais.

- Boa noite. – Stolt chegou, sentou e perguntou pelos dois sumidos.

Charles e Diana explicaram os problemas e Stolt riu da coincidência. Os dois garantiram que isso não prejudicaria em nada o jantar e assim que o maitré apareceu, eles fizeram seu pedido e os dois rezaram mentalmente para que isso tudo desse certo. 



Notas finais do capítulo

Parece que Tiago e Aline não estão conseguindo se encontrar não é? E Charles? Parece estar dando graças a Deus por ficar tão perto de Diana e por tanto tempo.... Mas... Ainda vem muita coisa por ai....



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