Dilemas escrita por Paige Sullivan


Capítulo 39
Capitulo 39




FORTALEZA

Matias continuava encarando Dennis, sentindo que aquela batalha, talvez guerra, ele tinha ganhado. Daniele estava sentada ainda na cama se sentindo a pior das pessoas no mundo por estar sendo cúmplice daquilo tudo.

— O que podemos fazer com relação a isso? – ele apontava para a noiva – Afinal, você a machucou.

— Nós dois sabemos muito bem que não fui eu. – ele queria matá-lo – E que eu tenho coragem suficiente para enfiar a mão na sua cara.

— Isso bem é verdade. – ele coçou o queixo – ­Mas isso só provaria ainda mais que você é uma pessoa violenta e desequilibrada.

— Ficou louco? – Dennis se enfurecia ainda mais.

— Não meu querido, o louco aqui é você.

— Seu... – ia partir para cima dele quando Daniele parou na frente dele.

— Não piora as coisas. – sussurrou.

— E você? – olhou-a indignado – Como consegue ser conivente com uma coisa dessas?

— Eu não tenho escolha. – quase chorou – Me perdoa.

— Muito lindos vocês dois, mas vamos ao que interessa. – Matias sentou em uma poltrona próxima – Eu quero que você saia do projeto. Além de claro terminar com a Aline.

— MAS O QUE?

— Isso mesmo. – riu – Eu disse que aquela história não ficaria daquele jeito. Perdi muito dinheiro com relação a venda desse hotel para o Stolt. Você sabia dos meus problemas e usou contra mim. E eu... – riu novamente, mas dessa vez com escárnio – Não esqueço dessas coisas.

— Percebe-se. – debochou – E acha que se eu desistir da Aline, você vai conseguir alguma coisa com ela?

— Não tenho interesse nenhum pela sua namoradinha. – levantou e chegou perto de Dennis de novo – E acho melhor você começar a ficar calmo e parar de bufar.

— Você não manda em mim.

— Na verdade eu mando sim. – puxou a noiva – E você vai me obedecer.

— E se eu não quiser? – cruzou os braços – Vai fazer o que?

— Bom... Primeiro vou acabar com sua reputação. Stolt vai ficar tão furioso com vocês, que vai acabar com o contrato. Imagina se aparece na mídia que você é um canalha que bate em mulheres e ainda as estupra? Se ele está querendo ter uma credibilidade aqui, claro que vou usar isso a meu favor. Segundo... Você vai preso. E isso por si só já vai te impossibilitar de fazer muita coisa. E por último... Peço a uns amiguinhos para fazerem uma visitinha a Aline.

— Você não seria capaz de fazer isso. – Dennis pressionava tanto os punhos que só não estourou um vaso por falta de sorte.

— Me provoca. Você me chantageou, lembra? Chantagem se paga com chantagem.

— Seu filho da p....

Dennis queria socar o mundo depois daquilo. A pior chantagem do mundo. Socou a parede várias vezes até que viu sua mão sangrando.

— Você não pode provar que dormi com ela. – respirou fundo – Minhas digitais é uma coisa. Agora meu...

— Nós transamos. – Daniele sentenciou.

— E como isso aconteceu?

— Boa noite Cinderela. – ela respondeu com a voz já falha – Você não confia no Matias, mas nunca desconfiou de mim. Não foi muito difícil conseguir deixar você na minha mão. – engoliu em seco e abaixou a cabeça.

— E alguém do hotel nos viu entrando no mesmo quarto?

— Sou bem esperto. Tenho meus meios de manter tudo no mais completo breu. – Matias olhou as unhas – Sendo gerente e claro dono desse lugar, facilmente consigo manipular minhas câmeras. Tenho gravações completas da chegada de vocês, e da ida para o quarto. A única diferença é que estão guardadas. Substitui por outras que não mostram absolutamente nada. Coisa que posso mudar a qualquer momento.

— Meu Deus. – sentou na cama, apoiou os cotovelos no joelho e afundou o rosto entre as mãos. Estava arruinado – E tudo o que você quer é que eu saia do projeto e da vida da Aline?

— Claro. – chegou mais perto – E para garantir que nada saia fora do acordo, você vai arrumar algo para Daniele fazer no Rio. E depois eu vou me mudar para lá. Tenho uns negócios que quero supervisionar.

— Muito fácil arrumar um emprego para ela na empresa. – já sabia que esse algo era bem perto dele por sinal.

— Se for preciso, arruma no da Aline. Ela precisa ficar perto de vocês o quanto der. E como sua namorada confia nela, vão virar mais que amigas, e óbvio... Vou estar a par de tudo.

— Preciso de tempo. – viu que não tinha saída – Não posso terminar de uma hora para outra. Não funciona assim.

— Te dou um mês. – ele olhou para Daniele – Assim também vai ter tempo de arrumar algo para ela e de nos mudarmos para o Rio.

Matias saiu do quarto e os deixou sozinhos. Dennis afundou novamente as mãos no rosto e Daniele chegou perto para tentar minimizar a situação. Como se isso fosse possível.

— Você vai dar um jeito Dennis. – tentou pegar nas suas mãos, mas ele a afastou bruscamente.

— Não toca em mim.

— Sério, vai dar tudo certo.

— É mesmo? – os olhos dele eram puro ódio, as pupilas dilatadas – Como acha que devo me sentir com essa historia toda? Ele só está destruindo minha vida porque é um infeliz ignorante, mesquinho e egocêntrico, que ficou revoltado porque foi contrariado. Tem noção da repercussão dessa historia?

— Eu...

— Porque esta se envolvendo nisso?

— Tenho os meus motivos.

— O que quer que seja podemos nos ajudar.

— Não é assim tão fácil Dennis. – ela foi se afastando – Faz o que ele está falando, por favor.

— Daniele... Não cede.

— Já cedi. – pegou uns papeis na sua bolsa – Está vendo esses documentos? Provam tudo e mais um pouco. São apenas copias, mas só para você saber o que já está preparado. Ele não vai deixar isso tudo passar. Ele vai até o final.

— E agora... – ele a olhou furioso e decidido – Ele sabe muito que bem que eu sou capaz de enfrentá-lo. Vou até ceder no inicio, mas eu sei dar uma reviravolta. E se você no final não ficar do meu lado, eu vou sair atropelando tudo até fazê-lo engolir cada palavra que disse nesse quarto.

— Não sabe com quem está brincando.

— Não Daniele. – estava já na porta do quarto – Ele que não sabe com quem se meteu.

Assim que chegou em seu quarto, quase teve um surto. Não sabia se chorava, se gritava, se destruía o quarto todo, mas sabia de uma coisa. Aquilo teria volta. Ele seria o ultimo a rir daquela situação e Matias ia pagar por tudo.

Foi tomar um banho para espairecer as ideias. Viu sua mão toda inchada e destruída e resolveu dar um jeito naquilo para ninguém perceber o dano que causou.  O que seria bem difícil, mas inventaria qualquer coisa. Assim que saiu, viu o telefone vibrando em cima da mesa. Três chamadas não atendidas de Aline. Seu coração apertou por um tempo. Ele poderia contar a história para ela. Os dois juntos achariam uma solução. Mas se ele saísse do projeto não teria mais tanto contato com ela. Pior, se Daniele estivesse colada com ela direto, ai que ele não teria mais nenhum contato.

Resolveu ligar para ela. A pobre não tinha culpa de nada do que estava acontecendo e ia pagar um preço alto. Maldita hora que essa família entrou na vida deles.

— Alô.— atendeu rapidamente.

— Estava colada ao telefone? – riu sem humor.

— Mais ou menos. Estava preocupada, não nos falamos mais depois de sábado.

— Verdade. Acho que os dois andaram um pouco ocupados. – ela concordou – Como você está? – ia falar que sentia falta de ouvir sua voz, mas preferiu se frear. Teria que começar em algum momento a pô-la de lado até que tudo tivesse resolvido.

— Bem. E sentindo sua falta. – respirou fundo e olhou para todos os lados do quarto. Um silencio se formou e Aline estranhou — Dennis?

— Eu também. Eu também. – colocou a mão na cabeça – Olha, preciso procurar o Charles. Ele está me procurando desde a reunião para assinarmos alguns documentos.

— Ok.

Desligou rapidamente sem nem dizer mais nada. Queria se controlar, mas todas as suas emoções entraram em um estado de embaralhamento dentro dele que não sabia o que sentia de fato.

Não podia mais ficar um minuto em Fortaleza. Tinha que voltar o Rio e acertar as coisas.

(...)

Meia hora depois soube que estavam todos em um jantar no restaurante do hotel. Menos Matias e Daniele e isso por si só já era muito bom. Não queria encarar nenhum dos dois naquele momento. Assim que chegou e avistou Charles, o chamou.

— Não vai jantar conosco?

— Eu preciso ir para o Rio. – toda a sua postura era séria e preocupada. Isso era algo que naquele momento ele não conseguia disfarçar.

— Qual o problema? Aline está bem? – Charles logo se preocupou também.

— Ela está bem. – respondeu rapidamente para não causar nenhum mal entendido – É que um cliente ligou e precisa de uma reunião urgente amanha de tarde. Parece que finalmente eu consegui aquela campanha grande de tênis.

— Serio? – isso para Charles era ótimo – Há quanto tempo você tentava isso?

— Nem lembro. Mas antes de perder de novo ele de vista, quero apresentar aquelas ideias que tinha te mostrado e fechar logo negócio.

— Então vai. – ele sorria – Eu e Diana cuidamos de tudo. – Que horas?

— Já comprei as passagens. Vou por volta das seis.

— Sem problemas. Corre então por causa da hora.

— Pede desculpas a todo mundo por mim. – Charles e ele se abraçaram quando ele viu a sua mão enfaixada.

— O que é isso?

— Então... – tentou pensar em algo rápido, quando Daniele chegou no mesmo lugar que eles.

— Boa noite. – sorria sonsamente. Quem olhasse de fora nunca desconfiaria que ela seria tão imprestável quanto o noivo – Onde vocês estão?

— Por que não conta porque fiquei com a mão desse jeito? – Dennis nem sequer respondeu. Charles não entendeu o tom um pouco rude dele ao perguntar diretamente a ela, que se envergonhou instantaneamente.

— Eu... – olhou para Dennis suplicante – Eu...

— Pois bem Charles. – ele olhou para o primo – Estávamos conversando na boate. Ela se desentendeu com o noivo e deu em cima de outro cara. – Daniele parecia perplexa, não poderia ter inventado algo menos pior – O cara forçou a barra e eu como sou idiota fui ajudar. Ele me bateu, eu bati nele e assim até minha  mão ficar desse jeito.

— Mas o que vocês tem na cabeça? – olhou para os dois com postura de pai – Isso poderia ter resultado em algo muito pior. E se ele tem uma arma?

— Eu já me desculpei com ele Charles. – ela olhava para Dennis – Ele que parece não me perdoar.

— Não é por nada não Daniele, mas perdão é algo que não cabe nesse contexto.

Todos ficaram calados. Os dois sabiam do que se tratava e Charles achava um absurdo Dennis ficar alarmado e afrontando com algo considerado pequeno. Tudo bem, ele também ficaria, se enfiar em uma briga por causa da noiva dos outros e não receber nenhum pedido de obrigado em troca.

— Você devia era me agradecer. – Dennis tentou reverter a situação – Eu fiz algo que ninguém, nem seu noivinho faria por você.

— Eu pedi aquilo mesmo. Me desculpa. – tentou amenizar a situação. Sabia muito bem que tinha muita coisa embutida naquela situação fictícia, principalmente nas insinuações – Não sou de fazer isso. Algo me impulsionou, foi mais forte do que eu. Não queria ter te envolvido naquilo.

— Mas envolveu. – olhou para a mão – Mas também não posso dizer que eu também não pedi. Meti o bico no lugar errado.

— Dennis. Ela pediu desculpas. – Charles não entendia a atitude relutante de Dennis. Ela parecia arrependida da situação – Infelizmente têm coisas que fogem ao nosso controle.

— E você nem sabe o quanto. Com licença.

Dennis simplesmente não aceitava nada daquilo. Ele não era hipócrita, cínico e muito menos mentiroso.

Charles ficou meio perdido com toda aquela situação. Dennis geralmente era mais compreensivo. Ela tinha pedido desculpas, por que ficar tão alarmado com aquilo?

Daniele apenas apontou para a mesa, se desculpou com o olhar e Charles a fez esquecer aquele assuntou. Claro que era impossível, mas ela precisava manter as aparências. Como sempre.

RIO DE JANEIRO

(21:00)

Aline chegou em casa exausta. Parecia que todo o mundo tinha caído em suas costas e não tinha ninguém que a ajudasse a segurar. Falar com Dennis foi pior ainda. Ele não parecia ser o mesmo de sempre ao telefone. Mas preferiu não se preocupar com aquilo, senão surtaria. Ele tinha o direito de ficar cansado também. O trabalho consumia a todos.

Tomou um banho e assim que saiu do quarto se deparou com Leticia e Dominique arrumando a mesa de jantar. Elas sorriram e Dominique foi até o encontro dela. Abraçaram-se, comentaram algo banal e Aline foi a cozinha para ajudar.

— Mais alguém vem?

— Tiago vem direto da empresa. Parece que teve um problema com um fornecedor e ele está tentando resolver. E Bruno também vem. – Leticia respondia terminando de arrumar os pratos – Só espero que não demorem.

— Com certeza. – Dominique passava a mão na barriga e sentava no banco ali perto – Eu estou grávida e preciso comer. Já estou com fome. – levantou e foi catando algo nos armários – Deve ter alguma besteira pra comer não é?

— Meu irmão sabe que você sai assaltando a casa dos outros?

— Essa casa ainda é minha. Eu ainda ajudo no aluguel e não, ele não sabe. Mas ele ainda não está aqui... – pegou um pacote de biscoitos parecendo uma criança – E quem falar algo vai sofrer alguma coisa por ter negado algo a grávida. – o olhar assassino acabou se tornando divertido. Riram.

— Por mim. Pode se entupir com os biscoitinhos ai. – Aline comentou pegando os pratos – Leticia.

— Sim...

— O Tiago falou com o Dennis?

— Parece que sim. Mas não sei do assunto.

— Ele não achou nada estranho não? – ela ainda estava encucada.

— E por que acharia? – as duas viraram para Aline – Vocês brigaram?

— Não. – ela foi enfática – Mas é que ele estava estranho ao telefone.

— Vai que estava preocupado com alguma coisa da PP. – Dominique comentou.

— É... – deu de ombros – Pode ser.

Um tempo depois, os rapazes chegaram. Todos sentaram à mesa, conversaram, comeram e já estavam partindo para beber algo. Dominique reclamava que isso era preconceito e que só estavam fazendo isso porque ela estava impossibilitada de colocar álcool no organismo. Riram, continuaram conversando, até que não perceberam que eram altas horas. Onze horas em ponto.

— Nossa. – Tiago olhou o relógio – Já está ficando tarde.

— Mas estávamos precisando disso. – Aline comentou colocando as mãos no pescoço – Esse projeto está acabando com a gente.

— Nem fala. – Dominique comentou e todos olharam para ela – Porque eu não faço nada em casa né? – ela riu – Não olho meus e-mails e só fico de perna pro ar vendo filme na TV e engordando.

— Mas isso você já está. – Leticia comentou – Afinal a gravidez faz a pessoa aumentar de peso.

— O ponto não é esse. – ela olhou enviesado para a amiga – Eu sei muita coisa que se passa na empresa, porque eu preciso. Além do mais, Mariana não tem como dar conta de todos os e-mails.

— Isso é verdade. – Aline voltou ao assunto – Eu já fiquei com ela lá e o teu setor é uma loucura.

— Nem fala.

— Mas ela não para de falar que quer voltar a empresa. – Bruno disse.

— Ah eu não aguento mais ficar em casa.

A campainha tocou e todos se entreolharam. Quem seria aquela hora? E principalmente, porque o porteiro não avisou nada? Aline levantou e foi atender a porta. De repente era algum vizinho querendo ajuda. Assim que a abriu, Dennis estava ali parado e sério. Estranhou a chegada tão repentina dele, mas não teve tempo para falar nada. Ele apenas entrou efusivamente e lhe tascou um beijo digno de cinema.

Os outros ficaram apenas de meros espectadores. Tiago se sentiu um pouco incomodado, mas nada podia fazer. Ele já estava muito bem com Leticia e gostava mesmo dela. Letícia, por outro lado, se sentiu um pouco incomodada. Felicidade e saudade não era algo que necessitava de expressões tão extravagantes.

— Hum. Hum. – Dominique interrompeu. Porque mesmo Aline tomando um susto, respondia fervorosamente a cada toque – Por que vocês dois não arrumam um quarto?

Dennis se deu conta de que não estavam sozinhos. Rapidamente terminou o beijo, mas ainda manteve-a em seus braços pela cintura.

— Desculpa. – ficou vermelho – Eu...

— Pelo visto sentiu falta mesmo dela. – Dominique ria.

— Se quiserem nós damos privacidade para vocês. – Bruno comentou e Aline afundou o rosto no ombro dele.

— Ô vergonha! – riu também.

Depois do impacto de chegada, e de todos fazerem alguma piada indiscreta, sentaram-se a mesa com todos. Aline perguntou se ele tinha comido alguma coisa, e ele disse que não.

— Nós ficamos aqui mesmo. – Bruno comentou – Não vamos ser mal educados e deixá-lo comer sozinho. 

— Só me conta porque voltou cedo. – Tiago olhou para o irmão – Não comentou nada do tipo ao telefone.

— É... Mas depois um cliente ligou. Preciso encontrar com ele amanha e fechar um projeto.

— O do tênis? – ele assentiu – Cara, parabéns!

— Oi? Perdi alguma coisa? – Dominique comentou.

— Deixa de ser fofoqueira mulher. – Bruno a olhou e ela o olhou irritada – O assunto é deles.

— Estou à mesa, começaram o assunto e se fosse algo super secreto não teriam comentado. – deu a língua para ele – Vai me dizer que não quer saber também não?

— Não.

— Aham.

— Tá dizendo que eu to mentindo? – cruzou os braços.

— Você que disse isso.

— Ih! Parou! – Leticia se meteu – Duas crianças.

— Ele(a) que começou. – falaram ao mesmo tempo e todos riram.

Assim que Dennis terminou de comer, todos ajudaram a recolher a mesa. Dominique pediu licença e foi ao seu quarto pegar mais algumas coisas que faltavam. Bruno foi atrás para ajudá-la. Letícia olhou para Tiago não acreditando muito nessa história. Ele apenas riu e pediu para ela deixar os dois. Aline terminava de pegar o ultimo prato da mesa e Dennis chegou perto dela.

— Podemos falar um minuto?

— Vai me pedir desculpas por me fazer passar vergonha na frente das minhas amigas? – comentava divertida – Te perdoo. – deu um selinho nele, mas a inquietação dele era evidente pelo olhar – Já vi que não é isso.

— Não. – ele a olhou – Tudo bem que foi engraçado, mas eu não sabia que tinha esse povo todo aqui. Mas é sobre outro assunto.

— Ok.

Foram para o quarto dela. Letícia novamente olhou para Tiago, que olhou para ela e riram.

— isso daqui a pouco vai virar bordel.

— Que horror! – ele a puxava para o sofá – Mas podemos aproveitar o ensejo....

— Podemos nada. – ela sentou em seu colo – O senhor precisa dormir, porque amanha temos aquelas entrevistas na MP.

— Ah é. Mas poxa, só uns beijinhos...  – comentou moleca.

— Sei bem onde vão dar seus beijinhos...

Dominique saiu do quarto e chegou a sala. Pediu a Tiago ajuda também, porque eram duas malas para carregar.

— Mas que tanta coisa é essa que vai levar? – Leticia a acompanhou até a porta – Vai se mudar de vez né? – o ar já era mais maldoso.

— Muda nada. Talvez. – Leticia travou – Ainda não pensei nisso. O apartamento do seu irmão tem mais espaço que o nosso. E meu quarto precisaria de uma reforma para colocar as coisas do bebe. Estamos estudando a situação.

— Se vocês dois não estão juntos... Eu brinco, mas sei qual é a verdade. Como pretendem manter uma relação saudável?

— Ela já disse... – Bruno se interpôs – Estamos estudando a situação dona curiosa mor. – olhou para Tiago – Vamos ver se você consegue conter essa curiosidade dela. Porque eu não consegui. – ele riu.

— E você ri? – deu um tapa no namorado – Ele fala mal de mim e você ri?

— Ele é seu irmão, e maior do que eu. Não vou discutir com ele não. – gargalharam menos Leticia – Ah deixa de graça Lê. – Tiago a abraçou – Quando eles decidirem o que querem, você vai ser uma das primeiras a saber.

— Sei. – fez doce.

— Bom, estamos indo, porque eu trabalho cedo amanha e ainda tenho que levar a dona "quero dormir o dia inteiro" para o médico.

— Se aproveita mesmo porque eu não posso bater em você. – Dominique cruzou os braços – Meu sono se deve apenas a gravidez. Não sou assim normalmente.

Foram embora e Tiago foi arrumando suas coisas para ir também. Não sabia se o irmão ia embora, ou se ficaria a noite com ela. Levou novamente Leticia ao sofá. Ficaram ali um pouco esperando por alguma resposta do quarto de Aline.

Momentos antes...

Jonathan Rhys Meyers - This Time

Assim que adentraram o quarto, Dennis trancou a porta e partiu para cima de Aline com um desejo maior do que da primeira vez que se dormiram juntos. Ela respondia avidamente a cada movimento dele, e tentava ao mesmo tempo manter tudo o mais calmo possível.

— To me sentindo na época da escola. – foi jogada na cama já quase sem roupa – Fazendo tudo no maior silencio para os meus pais não ouvirem.

— Quer dizer que a senhorita já fazia essas coisas desde cedo é? – Aline já tirava a blusa dele descoordenadamente como se tivesse uma pressa ilógica de terminar logo com aquilo – Vamos tirar proveito dessa experiência.

(...)

Tiago olhava para o relógio, e percebia que tinha sido deixado na mão pelo irmão. Leticia acabou concordando que Dennis passaria a noite por ali mesmo, e o levou na garagem do prédio.

— Amanha eu falo com ele. Já está bem tarde mesmo.

— Você poderia dormir aqui também não é?

— Mas eu não trouxe nenhuma roupa.

— Isso não te impediu antes. – eles riram.

— Eu sei. De qualquer forma, você mesma me lembrou que temos aquelas entrevistas amanha.

— É. – suspirou – Amanha a gente se vê então.

Deram um beijo e despediram-se.

(...)

Dennis e Aline estavam abraçados na cama. Ainda tentavam recuperar a respiração depois de tanto esforço da parte dos dois. Ele encarava o teto imaginando como começaria aquela conversa. Aline ainda passava os dedos pelo seu tórax agradecendo por ter alguém como ele na vida dela.

— E eu achando que tinha algo estranho quando me ligou. – comentou e ele se virou para ela sem entender – Eu disse ao telefone que sentia sua falta e você não me respondeu.

— Desculpa. – beijou sua testa – Eu não só sentia sua falta... – fe-la olhá-lo – Eu estava morrendo de saudades de você.

— Para bom entendedor... – riu – Percebi por aquele beijo... Por tudo isso. – apontou para a cama.

— Nunca duvide disso tá? – sentou na cama e a fez sentar também – Eu te amo. E faria de tudo para que você se sentisse feliz.

— Então deveria estar usando essa palavra no presente. – riu, mas ele não. Viu a inquietação novamente – Tem algo que não está me contando. – ele esfregou as mãos na cabeça tentando conciliar as ideias na cabeça – É sério assim? – apenas assentiu – Eu já estou ficando nervosa, por favor, me conta logo.

— Só vou repetir uma coisa... – pegou-a pelo rosto e lhe deu um selinho – Eu te amo mais do que tudo, e é tudo para nosso bem. – ela sentiu a intensidade do olhar e engoliu em seco – O que eu disser a partir de agora é mentira em grande parte e acabei sendo envolvido.

— Dennis... – afastou suas mãos.

O momento era tenso. Ele andava de um lado para o outro no quarto contando tudo para ela e quase se atropelando nas palavras. Estava mais do que nervoso, estava furioso. O corpo todo tenso a cada palavra pronunciada. Aline ainda tentava assimilar a situação como um todo. E a única coisa, por mais que a colocação dos acontecimentos estivesse clara, que não saia da sua cabeça, era que ele tinha dormido com Daniele. Ele a traiu.

— Você dormiu mesmo com ela?

— Eu não sei. – abriu os braços em desespero e riu de nervoso – Aline, eu não teria feito nada disso em sã consciência.

— Mas... – ela se enrolou nos lençóis e procurou por uma roupa.

— Agora vai ficar com vergonha de mim?

— Por mais que tudo isso seja absurdo e talvez verdade... – chegou perto dele apontando o dedo – Precisava transar comigo primeiro? Saciar sua necessidade para depois contar isso?

— Eu estava morrendo de saudade de você.

— Mas olha a situação que você está metido. Não se pensa em sexo nessas horas merda. – pegou uma roupa no armário e se virou de costas para ele e se arrumou.

Dennis sentou na beira da cama e sentiu uma necessidade muito grande de chorar. Ele era um cafajeste mesmo. Aline se virou e viu que sua situação não era das melhores.

— E por acaso eu deveria saber dessa historia? – sentou ao lado dele que apenas deitou a cabeça em suas pernas. Abraçou-a ali mesmo como se fosse perdê-la. Ela ainda pensou em passar a mão em seus cabelos, afagá-lo. Mas quando suas mãos foram chegando perto hesitou – Dennis...

— Não. – abraçou-a com mais força – Eu precisava contar mesmo assim.

— Eu disse que sair com ele não era uma boa ideia. – disse seca.

— Não imaginei que Daniele fosse fazer isso comigo... Com você.... Com todo mundo.

— Agora já sabe. – afastou-o e levantou.

Ia sair do quarto, mas não o fez. Encostou a cabeça na porta e começou a chorar. Dennis automaticamente correu para a porta e a segurou assim que ela fez menção de escorregar da parede ao chão. Carregou-a até a cama e ela se encolheu abraçada aos travesseiros.

— Você não acredita em mim. – ela virou de costas para ele. Mesmo sentado ao lado dela, tentou acariciar seus cabelos, mas não sabia qual seria sua reação. Sentiu um nó na garganta – Eu entendo. Vou para casa. Se ainda quiser conversar comigo, ou até mesmo me perdoar... Sabe onde me encontrar. – ela virou novamente e o puxou para ela. Automaticamente ele deitou e ela o abraçou afundando o rosto em seu peito.

— Fica aqui.

— Mas eu não quero que você sofra Aline. É melhor eu ir embora.

— Só me diz que isso tudo é um pesadelo. – chorava copiosamente. O som era abafado porque seu rosto estava afundado, mas não o impedia de ouvi-la.

— Bem que eu queria. – beijou seus cabelos – Bem que eu queria...

Depois que seu choro cessou, ficaram ainda abraçados na cama. O silencio imperava. Aline, porque não queria assimilar nada daquilo. Dennis, por querer respeitar o espaço dela. Ela acabou dormindo e ele olhava para o teto sem saber o que fazer exatamente. Nada vinha a sua mente para não tornar aquilo pior do que já estava. Não conseguiu dormir no avião e muito menos ali.

— Pelo visto não vou conseguir dormir mais. – o sol já apontava pela janela, soltou-se dela e resolveu tomar um banho para esfriar a cabeça.

Assim que chegou ao quarto, Aline já estava em pé. Olhava para uns papeis em cima da mesa e colocava-os dentro da bolsa.

— Tranca a porta. – falou sem nem olhar para ele. Ele apenas o fez – Digamos que isso tudo seja verdade. Que ele se irritou porque foi contrariado e está tentando se vingar. – ele ia falar – Não. Agora quem vai falar aqui sou eu. – olhava para o rosto inchado no espelho e ignorou – Que por alguma ocasionalidade o que eles dizem que você fez é invenção. – ele ia falar de novo – Não terminei... – ela racionalizava, mas sua voz além de seca era irritada – Por que não foi a policia? Você poderia muito bem ter dito que tinha sido vitima de abuso, ou sei lá, qualquer coisa... Esse tipo de droga é detectável na urina.

— Eu sei. Mas ele ameaçou vir atrás de você. Não sabemos com quem estamos lidando.

— E se você ficar igual um panaca olhando para minha cara e não obtendo provas concretas, ai que você vai ficar com as mãos atadas. – colocou a mão na cintura – Você é um homem inteligente. Pelo amor de Deus.

— Ah me desculpa. – se irritou também – Se eu não consigo ser igual a você e raciocinar quando a pessoa aponta um monte de provas contra mim, e ainda ameaça a pessoa que eu amo. – ela se desestabilizou um pouco. Engoliu o choro que estava por vir.

— Não altera a voz. Ninguém precisa saber disso, pelo menos não agora.

— Acha que não sei disso? – sussurrou – Fiquei horas naquele voo pensando em como você reagiria a isso tudo. Eu preciso que você acredite em mim.

— Eu... – olhou para baixo – Eu vou tomar um banho. A gente se arruma e vai a um laboratório ou a delegacia para resolver isso – passou por ele, mas ele não a deixou sair.

— Digamos que eu faça o exame. E que não aponte nada. Vai acreditar em mim? – ela encarava a maçaneta – Aline?

— Não me pressiona. Vou tomar um banho, vamos sair e resolver logo isso.

— E como eu explico para o delegado o que aconteceu? Isso vai ser reportado, e se  cair na mídia, tudo acaba.

— Não vamos ao delegado. Confia em mim.

— Vamos onde então?

— Só confia em mim.





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