Dilemas escrita por Paige Sullivan


Capítulo 38
Capitulo 38




— Mas você é sutil que nem uma bazuca hein?! – levantou e começou a andar pelo quarto nervosa – Você tem noção do que tá me pedindo? – alterou a voz.

— É um pedido simples.

— Mas não é mesmo. – ela se irritou – Sabe muito bem...

— Sei muito bem o que? – se irritou também – Olha só Nique... Entenda que um dia isso vai acontecer.

— Mas não precisa ser agora. – ela colocou a mão em sua barriga – Você não entende como tenho medo de descobrir isso. Imagina saber se ela é mesmo filha daquele crápula? É muita emoção e eu ainda estou grávida. Imagina minha mãe sabendo? Como a Ana vai ficar?

— Calma, calma. – ele via que ela estava ainda mais alterada – Para e respira. – abraçou-a. Sentiu sua camisa sendo molhada por suas lágrimas e ela o apertou ainda mais contra ela.

— Você está me pedindo muita coisa.

— Um dos motivos para ficarmos assim é exatamente esse. Esse seu medo de descobrir a verdade.

— Porque é doloroso demais.

— Mas entenda de uma vez por todas... – tentou se manter calmo e acariciava seus cabelos – Uma hora isso vai ter que acontecer. Nem que seja contra a vontade dos dois.

— E como acha que ele vai reagir quando eu pedir isso a ele?

— Ele não precisa saber que vamos fazer exame de DNA.

— Como assim? – se afastou rapidamente dele – Está pensando em tirar o sangue dele sem ele perceber?

— Por que não? – sorriu e ela ficou apavorada – Nique, só precisa de duas gotas do sangue dele para saber alguma coisa. Ou qualquer outra parte do corpo dele que tenha DNA.

— O que você está insinuando com isso? – ele ria sacana – Ficou maluco? – ela já ria – Como acha que vai conseguir isso?

— Simples... – falou calmo, colocou as mãos nos bolsos da calça – Provavelmente sua mãe vai querer te visitar.

— Sim.

— Posso dar meu jeito de me infiltrar nas linhas inimigas e pegar o que eu quero. – ele riu de novo – E eu já pretendia fazer isso sem sua autorização. – ela o olhou chocada – Mas como eu sou bonzinho, estou pedindo sua ajuda para você não ficar de fora.

— Você é louco.

— Nique... Pensei que já soubesse disso. – piscou – Vamos voltar pra sala que estão nos esperando.

Aline e Caio continuavam conversando na sala. Aparentemente estava tudo tranquilo, já que ele não entrava no assunto deles dois desde quando se reencontraram. Contou de sua mãe mais um pouco e quando viram, já era quase onze da noite. Dominique e Bruno saíram do quarto e sentaram todos para conversar. Aparentemente o assunto e o jeito com que ela ficou tinha ficado por debaixo dos panos. E como o assunto do momento era o bebe, o não-casal falava sem parar de como estavam felizes com a chegada da criança.

— E já sabem qual o nome?

— Ainda não temos certeza. – Nique respondeu incerta – Bruno acha melhor pesquisar os nomes melhor.

— Não tem nenhum em mente? – Aline perguntou curiosa – Pensei que fosse dar o nome da sua avó.

— Na verdade, eu pensei em dar o nome da mãe do Bruno. – ele se assustou ao ouvir isso dela – O que foi?

— Como assim?

— Eu sei que você ainda sente falta dos seus pais. E achei justo homenagear nosso filho com o nome ou do seu pai, se for menino, ou da sua mãe se for menina.

— Sério mesmo? – os olhos dele brilharam – Eu pensei...

— Então, como eu tinha dito... – ela se virou para eles antes que chorasse com aquele olhar dele emocionado – Ainda não temos certeza. Porque é a primeira vez que comento isso com ele. Ate então tínhamos uns nomes comuns para dar.

— Calma ai. – ele a virou delicadamente para ele – Quer dizer que você quer homenagear meus pais?

— Por que não? – ela sorriu emocionada – Poxa, você sempre falou deles e eu sei que não teve oportunidade de ser criado melhor. E eles pelo visto eram pessoas maravilhosas.

— Eram sim. – ele responde com a voz embargada – Ficaria muito feliz também.

— Quem vai chorar daqui a pouco sou eu. – Aline se continha e riu. Caio a acompanhou na risada e Bruno já olhava para ela com um jeito mais carinhoso.

Continuaram comendo até que o telefone de Aline tocou e ela viu que era Dennis.

— Um minuto pessoal. – levantou e foi até a área para atender – Oi amor.

— Oi. – sorria do outro lado de uma orelha a outra – Posso te ligar mais vezes para ouvir isso vindo de você?

— O que? – ela sorria sem graça – Amor? Posso repetir quantas vezes quiser.

— Tenho altas ideias de como quero que você repita isso pra mim. – agora o sorriso já era safado. Aline ficou vermelha que nem um pimentão e deu graças por ele estar do outro lado da linha e não na frente dela — Ficou sem graça que eu sei.

— Fui pega se surpresa. – ria – Mas está tudo bem? Pensei que estivessem trabalhando.

— Vou te falar, se toda vez que viermos aqui e isso ser considerado trabalho, eu vou me mudar pra cá.— riram de novo.

Caio, que até então estava sentindo que estava sobrando na conversa de Bruno e Dominique sobre o bebe, o nome e etc, decidiu se levantar e perambular pela sala – leia-se fofocar – para ver o que Aline fazia na varanda.

— Eu também sinto saudades sua. – ele a ouvia falar ao telefone – Volta só na quinta? É uma pena amor, eu vou trabalhar até tarde para entregar um projeto do comercial com o Stolt.

— Tudo bem, mas na sexta também vai trabalhar até mais tarde?

— Se até lá ele não estiver pronto, bem provável.

— Quiser, eu te ajudo, afinal eu sou sua dupla.

— Aham, bem sei no que você quer me ajudar. – gargalharam.

Caio não gostou nada do que estava ouvindo, mas sabia que tudo tinha seu tempo. E ele ia ter o dele. Voltou para a mesa e continuou comendo e conversando com Bruno e Dominique.

— Sério Aline, você não pode fazer tudo sozinha. Eu ate entendo que a Leticia esteja te ajudando, mas ela ainda não tem a experiência que nós temos.

— Não tem problema Dennis, e mesmo assim ele precisa seguir para aprovação. Ainda vamos ter uma reunião ou duas com todo mundo para acertar os detalhes finais.

— Espero que não. Você é competente, não vai precisar refazer nada. – Aline automaticamente lembrou de Tiago depositando a mesma confiança nela. E por que diabos ela tinha que lembrar logo dele?

— Obrigada amor. Pelo menos você vai ter tempo de descansar e fazemos alguma coisa no final de semana.

— Tudo bem. Mas eu ainda não disse o motivo da minha ligação.

— Ah é. Pensei no final das contas que era apenas para ouvir o som da minha linda voz. – riram novamente.

— Também. Mas é que me sinto na necessidade de te contar isso. – ela estranhou – Estou indo para um happy hour com o pessoal daqui do hotel.— estranhou mais ainda — Inaugurou uma boate por aqui, e me convidaram. Vou com o Matias e com a Daniele.

— Essa eu queria estar presente para ver. – parecia surpresa – Você e o Matias bancando de amigos?

— É. – ele coçou a cabeça — As coisas precisam se acertar não acha?

— E vocês dois vão se acertar indo para uma boate? – soou um pouco ciumenta e talvez desconfiada e tratou logo de se retratar – Desculpa, é que depois da briga de vocês, um jantar até poderia ser, mas happy hour?

— Complicado de entender, eu sei.— Dennis já andava pelo hall de entrada do hotel. Daniele o esperava ali mesmo e sorriu ao vê-lo — Mas não vamos fazer nada demais.

— Não estou preocupada com isso. Eu confio em você. – Aline estava prestes a se arrepender de ter dito aquilo, não estava há tanto tempo assim com ele, mas no fundo sabia que era verdade. Por que esconder?

— Que bom que confia em mim. Eu também confio em você.

— Vai lá se divertir, vai. Depois conversamos mais. Beijo.

— Beijo amor, te amo.

Desligou e ficou encarando um pouco o celular. Seria certo não ficar preocupada com o fato de seu namorado, que estão juntos há pouco tempo, estar indo para uma boate em outro estado sem ela? Ainda mais por que os irmãos Palmas não tinham uma fama muito boa. Tentou tirar isso da cabeça, ela não era tão neurótica, e Dennis não era Caio. Isso já valia por si só.

Voltou a mesa e continuou conversando com todos. Caio confirmou a festa para sua mãe, e adiou para o sábado. Já que ela ia sair com o namorado no sábado, que fosse para a casa dele. Queria mesmo saber como estava a situação.

— Eu te levo em casa. – já estavam na porta de Bruno.

— Eu vim de carro Caio.

— Ah é mesmo. – sorriu sem graça – Mas te acompanho até a garagem.

— Até mesmo porque ela vai ser assaltada e tomar um tiro daqui até lá. – Bruno comentou debochado e todos o encararam – Não, claro. Tem um assassino bem aqui do lado pronto para matar.

— Muito engraçado Bruno. – Caio já estava sério. 

— Não fala assim com ele Bruno. – Dominique o encarou – Ele só está querendo ser educado.

— Aham. – sorriu, deu um beijo em Aline e olhou para o amigo – Como se eu já não conhecesse essa peça há anos.

— Mas eu to quieto cara.

— Tudo bem. – abraçou o amigo – To de olho em você.

Some Boys – Katharine Mcphee

Aline e Caio foram para a garagem e antes mesmo que ela conseguisse sair de perto, ele a puxou delicadamente pelas mãos.

— Posso te perguntar uma coisa?

— Pode. – ela soltou sua mão da dele e ficaram de frente alguns minutos – Vai ficar só me olhando? – esboçou um sorriso, que o deixou sem graça.

— Você gosta mesmo desse cara?

— Que raio de pergunta é essa? – pegou sua bolsa e foi procurando pela chave do carro – Não já me perguntou isso mais cedo? – parecia indiferente.

— Sim. Mas é que estamos sozinhos, um de frente para o outro. E eu te amo Aline. – falou logo para tentar ver até onde conseguia chegar.

— Não vem com essa de novo Caio. – foi se afastando – Sabe muito bem que entre nós não tem mais nada.

— Eu sei que não tem. Mas isso não tem nada a ver com o que sinto por você. E por mais que eu tente ser educado, seguir com minha vida... – ela ia andando em direção ao seu carro e ele falava indo atrás dela – Me escuta. – a encostou ao lado do carro e chegou perto.

— Não faz isso Caio. – respirou fundo, abriu a porta do carro e jogou sua bolsa – Por um minuto achei que você não tinha intenção nenhuma pra cima de mim.

— Eu não te encontrei no shopping de propósito se é isso que está pensando. – ela realmente pensou aquilo – Viu? Pelo seu olhar eu já percebo o que pensa. Eu estou sendo sincero aqui. Nós já temos uma historia, tivemos aquele encontro naquele dia... Temos química, nos conhecemos muito bem...

— Por te conhecer tão bem que não quero nada com você. – ela o encarou – Eu tinha deixado isso claro quando nos vimos.

— Sim, mas é que você está mais madura, independente, mais mulher.

— E isso não se deve a você, sem dúvidas. – ele amuou – Isso se deve ao fato do meu namorado, o cara que eu amo por sinal, ter me feito lembrar que essa mulher aqui... – apontou para si mesma – É a Aline que deveria ter permanecido desde sempre. Por sua causa e por conta de tantos outros que me perdi no meio do caminho.

— Me perdoa. – tentou amenizar – Mas você sabe mesmo que eu te amo não é?

— Prestou atenção em alguma coisa do que eu disse? – já ia entrar de novo, quando ele fechou a porta do carro.

— Prestei. – prensou-a contra o carro – E por isso que estou suplicando de novo que me de uma chance. Não é possível que não tenha restado nada. Você ficou com tanto ódio de mim, me tratou mal em São Paulo e apareceu naquele dia no meu apartamento... – tentava passar as mãos pelo seu pescoço para que ela o encarasse – Por favor, me diz que eu posso ainda ter uma chance...

— Para Caio. – ele já estava próximo o suficiente para que ela não raciocinasse direito. Ele passou os lábios pelos dela sem beijá-la logo. Queria que ela respondesse a algum sinal dele.

Aline estava quase se rendendo. Não era porque o amava, mas sim porque ele tinha certeza em uma coisa. Eles tinham tido uma historia, tinham química, e seus corpos conseguiam se conectar fácil até demais. E isso a incomodava. Foi durante todo o relacionamento deles, que ele usava isso como uma de suas armas para mantê-la sempre por perto, acuada, necessitada de mais, como uma drogada que precisava sustentar seu vício.

— Eu te amo. – repetiu novamente. Olhos nos olhos e ela viu ali alguma coisa diferente. De fato, ele poderia ter se arrependido de tudo que fez, poderia amá-la mesmo como dizia, como poderia estar mentindo como antes. Mas o toque não era o mesmo. Suas mãos já estavam em sua cintura... O rosto afundado em seu pescoço... – Você é tão cheirosa... Esse cheiro me extasia.

Por uma fração de segundos, ela pensou em se deixar levar. Era apenas uma necessidade carnal para saciar. Sexo, mesmo que pelas palavras dele não fosse assim. Maldita hora em que dormiu com ele. Aquele arrependimento de séculos atrás apareceu como um vento forte e um tapa na cara. Não podia se deixar levar pelas caricias, mesmo eu boas. Lembrou imediatamente de outras mãos passeando pelo seu corpo, de uma noite em frente a uma lareira, de barreiras totalmente quebradas.... Dennis. Era ele que deveria estar naquela situação com ela. Não Caio.

— Não. – afastou-o com mais força – Pelo amor de Deus, não! – se sentia invadida – Como você tem coragem de fazer isso comigo?

— Será que eu preciso repetir? – agora ele se sentia ofendido – Eu te amo.

— Ama mesmo? – ele assentiu – De verdade? – ele assentiu novamente – Então entenda que eu não te amo mais. – foi um tapa na cara – Eu amo o Dennis. É ele que eu quero pra minha vida. Se gosta mesmo de mim, me deixa ser feliz com quem de fato me faz feliz.

— Mas é que...

— 'Mas que' nada. – ela se revoltou – Você só está com medo porque me perdeu. Porque não sabe onde vai achar outra otária que vai cair na sua lábia.

— Isso é mentira. Eu disse que mudei.

— Então, por favor, me deixa em paz. – pediu chateada – Sério, por um instante eu fui inocente achando que você iria permanecer na amizade, ou então que já estava preparada para todas as suas ideias... Mas não. Não perde tempo em tentar me dissuadir. Me quer de qualquer jeito.

— Porque você não sabe como é difícil ver a pessoa que você mais ama longe de você. – agora ele parecia chateado – Eu fui um imbecil, e sei que preciso ainda melhorar em muita coisa, mas eu estou tentando fazer tudo isso por você. Acha mesmo que minha mãe acreditou em tudo isso? Ela é a primeira a querer me ver, para saber se isso é verdade.

— E você já queria me levar para a festa dela como se tivéssemos voltado? – ela cruzou os braços – Você é impagável.

— Não. – a impediu de entrar no carro pela terceira vez – Mas que pelo menos estamos mantendo uma relação harmoniosa, que você me perdoou...

— E quem disse que eu te perdoei? – ela arqueou as sobrancelhas e ele se encolheu – Olha Caio. Eu prometi e vou a festa dela. Com o meu namorado. – frisou – E tudo bem se quiser manter uma amizade, sei lá... Afinal fui eu que te procurei depois... Mas não vamos passar disso tá?

— Não posso prometer que não vou tentar nada com você.

— Vai perder seu tempo. – suspirou cansada, refletiu por um momento – Acho melhor mesmo ficarmos distantes.

— Não! – ele se apavorou com a ideia – Olha... – tentou parecer mais calmo – Prometo que não vou tentar nada.

— Mas tinha dito...

— Esquece o que eu disse. – ele a cortou – Vamos começar do zero. Apenas como amigos mesmo.

— Não acho uma boa ideia, sinceramente. Não depois do que aconteceu aqui.

— Você acabou de dizer que...

— Eu sei o que eu disse. – agora ela o cortou – Você me confunde. Que inferno! – chiou – Para não perdemos mais tempo. Estou cansada, quero dormir. Depois da festa da sua mãe, a gente conversa e acerta isso. Mas não fica animado. Não vou desistir do meu namorado por sua causa.

— Ok. – ele a viu entrar no carro e ir embora – É isso que vamos ver.

DOMINGO

FORTALEZA

Dennis revirava-se em pensamentos. Sabia que estava sonhando, ou qualquer outra coisa, mas acordado que não podia estar. Seu corpo não o respondia, e ele estava parado em frente uma vitrine de loja. Olhou com mais perspectiva e várias mulheres serpenteavam pelo lugar, com vestidos brancos e sorrindo por estarem experimentando o que ele poderia chutar serem vestidos de noiva.

 

De repente, o reflexo do vidro encharcava-se por uma chuva torrencial e do outro lado da rua, Aline de maquiagem borrada, cabelos desgrenhados, roupa colada ao corpo, o encarava sofrida.

Ela virou pelo meio da rua e continuou andando sem olhar para trás e finalmente ele conseguiu se mover. Correu atrás dela, e quando seus braços chegaram a tocar seus cabelos, ela virou bruscamente. Encararam-se por um tempo e antes que ele conseguisse tocá-la, ela se afastou novamente.

 

— O que quer?

— Vem aqui, está chovendo muito, vamos para outro lugar.

— Eu não quero nada de você. Vocês homens são todos iguais... – saiu correndo de novo e chorando calorosamente.

— ALINE! – ia correr, mas ouviu um barulho de buzina de carro, e não conseguiu se mover de novo até que o carro chegou bem perto.

— AAAAAH! – gritou e seu corpo foi todo de encontro ao chão. Respirou fundo várias vezes, até conseguir se situar no espaço tempo. Suava em bicas e sua respiração ainda demorava para compassar. Mas que diabo de sonho tinha sido aquele?

Levantou com uma baita dor de cabeça. Não sabia se pela queda da cama ou se pela noite anterior. Percebeu que estava pelado e já ia andando para o banheiro tomar um banho e tentar esquecer aquele sonho horrível. Só não esperava ver a cena seguinte. Paralisou instantaneamente.

SEGUNDA FEIRA – 16 de Novembro de 2009

MP— MANHA

Aline tinha ido para empresa. Precisava começar logo arrumar sua agenda para ter total exclusividade com o comercial. Amanda logo apareceu e a cumprimentou.

— Bom dia Aline. – ela assentiu – Olha, to desde a hora que cheguei tentando arrumar essa agenda de vocês da melhor maneira possível, mas está difícil.

— Vem aqui, deixa eu dar uma olhada. – Leticia chegou também correndo – Bom dia Leticia.

— Desculpa. – olhou para o relógio – Ufa. Achei que não fosse chegar nunca. – a mala estava ao lado – Tivemos o maior problema. O tempo fechou, parou o aeroporto, quase não chegamos hoje.

— Aqui Amanda. – Aline marcou as mudanças – Liga para esses clientes e checa com a Helena se esses dois aqui podem se ajustar com a da Diana. Se não, me passa, eu tento dar o meu jeito de ir nessas reuniões sem a Diana. – Leticia olhou para Aline – Senão a gente não faz o comercial.

— Sim, mas você vai ficar muito cansada.

— Eu já estou cansada Leticia. – ela riu – Mas é por uma boa causa. – Amanda saiu e foi atrás da outra assistente – Mas e ai, como foi a viagem?

Letícia se virou tentando entender se a pergunta tinha algum fundo de interesse. Depois ela percebeu que daria na mesma se ela tivesse perguntado se ela pegou engarrafamento para chegar.

Pensou se contava mesmo a Aline. Se conseguiria esquecer a situação toda... Ficou ainda um tempo pensando naquilo, até que percebeu Aline estalando os dedos na sua cara.

— Ai foi mal, me perdi em pensamentos.

— Percebi. – sorriu – Depois me conta como foi. Preciso ir à produção para checar a agenda deles também.

— Aline... – levantou antes dela sair – Não notou nada de diferente em mim não?

Essa pergunta sempre era difícil. Aline olhava detalhadamente a amiga para entender o que ela quis dizer com aquilo. O cabelo parecia o mesmo, só escovado, mas isso já era normal. As roupas eram a mesma de sempre... Olhou para as mãos imaginando algo muito pior, mas que não seria muita surpresa vindo de Leticia.

— Tá demorando muito. – cruzou os braços – Tiago me deu um colar novo com a minha inicial. – respondeu toda feliz – Não sabe como fiquei feliz quando ele me deu.

Aline percebeu depois de muito tempo que tinha prendido a respiração. Pelo visto o relacionamento deles tinha ido mesmo a um ponto mais profundo do que parecia. Letícia se mostrava feliz, principalmente com o presente que ele deu. Tiago já tinha partido para outra assim como ela tinha ido com o Dennis. Sorriu em resposta.

— Tão bonito quanto o antigo. – Amanda chegou e Aline a segurou para não sentar – Mas depois conversamos mais. Deixa eu só resolver isso antes de ter uma crise nervosa. Esse comercial não pode atrasar.

— Ok.

Assim que saiu da sala e partiu para produção tentou tirar todos os pensamentos ruins da cabeça. Lembrou-se imediatamente que ainda não tinha falado com Dennis, pior, tinha fugido dele praticamente o domingo todo e isso virou mais um ponto na sua cabeça que não poderia esquecer. Ao chegar ao seu ponto final, convidou todos da produção para uma reunião rápida, ali mesmo no meio da sala. Amanda anotava a maior parte das informações importantes e o chefe do setor procurava dar todos os detalhes que ela precisava. Passou todas suas ideias para ele, e assim que a equipe toda ficou inteirada de como se seguiria o comercial, partiram para outro ponto principal. Como se daria a imagem principal. O foco. O chamativo para o cliente.

— Englobar o império do Stolt em apenas um comercial fica difícil.

— Mas essa não é a ideia. – todos estavam atentos – Precisamos deixar um gosto de quero mais. O Stolt se envolve em tudo praticamente. Ele é uma multinacional diversificada por si só. Construiu tudo sozinho e foi comprando aquilo que lhe deu na telha.

— Entendo.

— Precisamos dar o boom do que ele é. Do que a empresa dele se trata, o produto que ele vende como um todo. Quero isso no comercial, a apresentação dele num todo. Estamos tratando aqui de algo expansivo. Seus produtos se propagam sozinhos.

— Como a Unilever.

— Por ai. – sorriu ao ver que ele entendia aonde ela queria chegar.

PP – TARDE

Tiago estava ao telefone com o irmão. Ele contava como iam os negócios em Fortaleza e ele passava algumas informações sobre outros clientes e situações que estavam acontecendo.

— Pois bem. – Dennis falava – Foi isso mesmo que ficou acertado. Os Ramos vão continuar administrando o hotel, parece que o Stolt já está interessado em mais um aqui por perto, e ele quer transformar em uma rede de hotéis.

— Mas isso a gente imaginava que ia acontecer.

— Claro. – ele sorriu – Melhor pra gente. Principalmente depois desse comercial. Se ele propagar o que estamos pensando...

— Não vai ser muito difícil do nome do Stolt ficar conhecido... Já é. – Tiago olhava os e-mails e viu alguns que Aline mandava em cópia para ele e para Dennis – Aline está encaminhando uns e-mails para gente. Provavelmente com relação ao comercial.

— Falando nela... Falou com ela ou a viu ontem?

— Não. Cheguei hoje mais cedo de Floripa. Fui viajar e espairecer as ideias com a Leticia.

— Hum. – Dennis olhava o computador e procurava pela namorada pelo menos on line on MSN.

— Hum o que?

— Nada não.

Uma hora depois, Tiago estava saindo de uma reunião com outros clientes, quando Leticia chegou a PP. Sorriram, se abraçaram, mas não se beijaram, já que era para pelo menos dar o exemplo para os outros funcionários. Foram novamente para a sala de reuniões, e começaram a trabalhar.

— Sabe quando vão voltar? – Leticia comentava de Dennis, Diana e Charles.

— Parece que só na quinta feira. Estão terminando de resolver outras coisas com os Ramos e finalmente voltam. Estão fazendo falta e olha que ainda é segunda, imagina até quinta.

— Imagino. Vamos só terminar essas peças aqui, porque depois preciso entregar a Aline para terminar o comercial.

— Ok.

MP – Ao mesmo tempo

Aline sentava em sua sala exausta. Olhava para a tela de computador e todos os mil e-mails que tinha para responder e se desanimou. Sentiu falta de uma das meninas para conversar.

— Aline. – Amanda entrou na sala – Vou almoçar com a Helena. Parece que está tudo mais calmo.

— Ok. Mariana deixou as informações que pedi?

— Deixou sim. Estão na sua mesa mesmo. Só que coloquei embaixo desses relatórios aqui... – chegou perto e a mostrou – E desses documentos que você precisa assinar.

— Ah sim. Tinha me esquecido dessas liberações. Vai lá almoçar que eu termino e deixo na sua mesa.

— Não vai comer nada não?

— Vou sim. Na verdade acho que vou sair mais cedo se tudo tiver tranquilo e dormir um pouco.

— Ok. – sorriu e saiu a deixando sozinha.

Olhou para o celular umas mil vezes. Não sabia se ligava e contava logo o que estava entalado, ou se deixava isso passar. Afinal, não tinha acontecido nada demais. Eles nem tinham se beijado... Ela quase cedeu, isso era fato, mas não por gostar dele. Dúvida cruel.

FORTALEZA

Dennis estava na sala de reuniões sozinho. Assim que todos foram embora, arrumou a desculpa de que ainda iria revisar alguns documentos e que mandaria para Tiago no Rio. Era tudo balela. Não conseguia tirar o dia anterior da cabeça. Não se lembrava de absolutamente nada. E não acreditava que tinha sido tão covarde e cafajeste a esse ponto. Só podia ser mentira.

— Dennis? – Daniele entrou na sala – O que está fazendo ai sozinho?

— Eu já disse. Estou trabalhando. – tentou não encará-la. Ainda estava muito perdido com toda aquela situação.

— Ninguém precisa saber.

— Do que? – mudou o tom de voz – Nem eu sei o que aconteceu.

— Não lembra de nada mesmo? – sentou de frente para ele – Eu juro que não vou contar a ninguém.

— O que aconteceu Daniele? – ela ruborizou. Sentiu a garganta travar e não sabia se devia contar logo a verdade – Perpetuar o sofrimento vai ser muito pior.

Dez minutos depois a expressão de choque passou para fúria. Dele mesmo. Ou dela. Nem sabia mais do que estava sentindo raiva.

— Eu não sou esse tipo de pessoa.

— Olha... – ela parecia envergonhada também – Não esquenta. Ninguém vai saber disso.

— Você não entende Daniele. – ele falava baixo – Eu. Não. Faço. Isso.

— Mas fez. – ela concluiu se jogando na cadeira de vez – Eu sei que não foi intencional Dennis, não se...

— Cadê? – ele a cortou – Eu quero ver.

— Não precisa. – encolheu na cadeira – Esquece isso.

— Eu disse que quero ver e você vai me mostrar. Não acredito que eu seja esse monstro todo que você me disse.

— Ok. – engoliu em seco.

Daniele o levou para seu quarto. Depois de um tempo Dennis não acreditava no que estava vendo. Não era verdade. Ele estava ainda dentro daquele sonho maluco.

— Vamos fazer um teste, qualquer coisa assim.

— Não vamos fazer nada, ficou louco? – ela sentou na cama – Isso vai arruinar minha vida.

— E se não fui eu que fiz isso? – estava indignado.

— Como sabe? – Matias entrou no quarto sorrindo triunfante.

Dennis sabia que não se lembrar de nada já era uma merda. Que só a entrada dele naquele quarto era o suficiente para saber que ele tinha armado alguma para cima dele. E pior...

Que ele estava ferrado de vez.





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