Dilemas escrita por Paige Sullivan


Capítulo 20
Capitulo 20


Notas iniciais do capítulo

Enjoy it!



VILA GALE RESORT – FORTALEZA – CE

12:00h

Dennis sentiu um corpo perto do seu. Tentou se mexer, mas ainda estava um pouco complicado. Abriu os olhos devagar e quando percebeu, os dois estavam abraçados, ele muito mais a ela do que deveria. Conteve a vontade de dar uma risada, e aos poucos foi se soltando dela.

Andou pelo quarto, abriu a cortinas e viu o dia lindo que estava fora. Mesmo o vento ainda estando um pouco gelado, sorriu. O sol estava dando sinais de que o dia seria perfeito. Olhou novamente para Aline dormindo e teve uma grande ideia.

Ele sabia que ela não iria querer ficar com ele em tão pouco tempo, e nem sabia se ela sentia algo pelo seu irmão, mas no mínimo faria algo que o deixaria em seus pensamentos. E quem sabe um dia os dois não ficassem juntos...

Ligou para o serviço de quarto e pediu o que eles tinham de melhor no café da manha. A recepcionista que ainda não tinha terminado seu turno, chegou a perguntar se estava tudo bem e ele disse que sim. Ela anotou os pedidos e disse que seriam por conta do hotel.

Aline acordou sentindo-se renovada. Até estranhou ter dormido tão bem depois daquela viagem cansativa. Olhou para o lado e viu Dennis sentado na cama olhando para ela com um copo de suco na mão.

– Bom dia, dorminhoca. – ela sorriu ainda desengonçada e sentou na cama.

– Que horas tem? – pegou o suco da mão dele – Obrigada.

– Acho que é quase uma hora. – e quase engasgou – Relaxa. Nossa reunião com os donos é só na segunda. Recebi um recado deles para aproveitarmos o resort hoje, irmos ao coquetel...

– Aproveitar o resort? – estendeu a mão para a pasta entregue a ele. Terminou o suco e ele pegou o copo. Começou a ler o que estava lá e riu – Se todo trabalho fosse assim, ficaria feliz de trabalhar pro resto da minha vida.

– Não gosta de trabalhar com Diana?

– Voce entendeu. – deu a língua pra ele e levantou – Então, o que vamos fazer?

– Então, primeiro... – puxou-a pela mão e ela já estranhou a maneira como até ela estava se comportando – Vamos tomar café. Depois, vamos dar uma volta pela cidade e conhecer os lugares.

– Ok. – sentou-se a mesa já pronta e olhou desconfiada pra ele – Você que arrumou assim?

– Por que? – sentou e já saiu pegando um pão pra comer – Gostaria que eu tivesse feito isso?

– Oi?

– Come Aline. – riu – Ainda temos o coquetel à noite pra ir. E bom, nunca vim a Fortaleza, quero conhecer. E outra... – chegou perto dela e sussurrou – Vamos aproveitar que é de graça.

– Vamos. – pegou outro copo de suco e estendeu a ele para um brinde. Riram e continuaram tomando seu café.

UMA HORA DEPOIS

Dennis estava conversando com a recepcionista quando Aline chegou e o encontrou.

– Então vocês podem levar nossas malas para o quarto?

– Sim, dessa vez colocaram os senhores em uma suíte dupla. Tem uma sala e acesso aos dois quartos.

– Que bom. – Aline sorriu – As malas estão perto da porta só esperando pra serem retiradas.

– Ok. – a recepcionista sorriu – O senhor Ramos agradece a compreensão dos senhores. – ela puxou um envelope e entregou a Dennis – Esses são os convites do coquetel e hoje a noite. Infelizmente tivemos que mudar do hotel para um salão de festas. Houve um problema com o ar condicionado e só amanhã que será consertado.

– Deve ter causado um transtorno... – Aline comentou e Dennis puxou os convites – Pode reservar um táxi ás... – olhou o convite e viu que a festa começaria às dez horas – nove horas pra nós?

– Que isso! – ela sorriu envergonhada – Temos motorista e já está agendado para levar os senhores. Podem ficar tranquilos quanto a isso.

– Obrigado! – ele sorriu para ela que se derreteu e Aline percebeu – Vamos? – olhou pra ela que apenas assentiu e saíram.

Ao chegarem a porta do resort e mesmo com o sol em pino, o vento ainda batia um pouco frio. Aline viu a piscina cheia com os hospedes e pensou que depois poderia também tomar um banho de piscina. Ou no outro dia, já que eles pelo visto só voltariam na segunda a noite.

Estavam dentro do taxi e viram uns encartes de locais para visitarem. Enquanto Dennis conversava com o motorista sobre um restaurante bom para fazerem uma parada depois de irem a uns locais turísticos, Aline pensava no que estava fazendo.

Desde quando ela e Dennis, que mal se conheciam, fato esse que não poderia se deixar de mencionar, estavam agindo como se fossem amigos de décadas? Reprimiu esse pensamento quando ele lhe chamou a atenção para a escolha de um restaurante e pediu ao taxista para ficar a disposição dos dois durante o dia.

– Que isso Dennis, eu não tenho como pagar isso tudo. A não ser que passemos em um banco por perto.

– Aline, não se preocupa. O táxi fica por minha conta.

– Então o restaurante fica por minha. – ele gargalhou – Sério. Vou me sentir mal se não deixar-me pagar nada. – o taxista também sorriu.

– Essas mulheres modernas não é Souza? – ele assentiu – Não aceitam uma oferta como essa quando aparecem. Depois reclamam que não fazem mais homens como antigamente.

– Não é isso. – ela franziu o cenho – Se namorássemos tudo bem, mas somos amigos. Não acho justo.

– Ok. – ele continuou sorrindo – Quer dizer que se fôssemos namorados eu pagaria tudo?

– Tá de brincadeira não é Dennis? – cruzou os braços e o tal Souza riu ainda mais – Você entendeu o que eu quis dizer.

– Eu entendi exatamente o que você quis dizer. – brincou um pouco mais e assim que viu a feição séria dela conteve a risada – Tudo bem. Entendi sim. – fez uma postura séria que nem Aline acreditou. Acabou caindo na gargalhada também e continuaram assim até chegarem ao primeiro local da cidade.

– Então, vou explicar vocês, porque tem muita gente que não o faz. – todos saíram do carro e ele ficou parado na porta – Infelizmente aqui de dia é tranquilo, mas têm locais aqui onde há assaltos constantes. Por isso aconselho a conhecerem e logo depois virem para o carro. Levo vocês para almoçarem nas barracas de praia que são muito famosas, e levo de volta para o hotel.

– Acha que vai dar tempo?

– Eu pretendo aproveitar o coquetel, então é melhor estar de estomago cheio. – Dennis comentou rindo e Souza concordou – Mas entendo o que ele está me falando. O dono do hotel alertou o Stolt em algumas coisas com relação aos trombadinhas.

– Souza... – Aline começou – Aqui é pior do que na Bahia?

– Depende. Salvador, um pouco. – ele continuou – Falo com relação as pessoas tentando assaltar os turistas.

– Porque infelizmente todo local que recebe muito turista tende a ter esses problemas.

– Sim, mas aqui não tem patrulhamento. – ele a alertou – Por isso é um pouco perigoso. Tanto que muitas pessoas quando vêm já sabendo disso, andam sem muitas coisas para não chamarem a atenção.

– Entendi.

– Vamos logo lá conhecer as lojinhas e depois vamos almoçar. To começando a ficar com fome.

– Mas a gente acabou de tomar café da manha. – ela se surpreendeu – Tem um buraco negro no estomago? – foram andando para as lojinhas e Souza entrou no carro e ficou esperando pelos dois.

Vinte minutos depois, e os dois já tinham visto várias lojinhas. Aline acabou comprando algumas coisas animada por alem de estar trabalhando, estar tendo a oportunidade de conhecer um lugar tão bom como aquele. Dennis só a olhava de longe e cada vez mais se encantava com ela.

– Já comprou as lembrancinhas que precisava? – ele chegou perto dela e ela apenas sorriu constrangida quando ele percebeu a quantidade de bolsa que ela carregava – Não vai me dizer que trouxe lembrança pra empresa toda?

– Não. Comprei coisas pra mim também. Mas é que eu vi um conjunto artesanal ali lindo. E minha mãe ama essas coisas, e se ela souber que eu vim aqui e não comprei nada pra ela, acho que nunca mais fala comigo.

– Entendi. – ele riu – Seus pais moram aqui?

– Sim e não. – ele a olhou confuso – Meus pais são voluntários, meu pai é biólogo e minha mãe geóloga. Eles têm uma casa em Penedo, mas estão morando no momento na África, fazendo alguma pesquisa por lá.

– Interessante. – ele realmente parecia querer saber – Sabe o que estão estudando?

– Não tenho a mínima ideia. Tem um tempo que não falo com eles direito. E olha que eu aprendi desde pequena sobre isso.

– E nunca quis seguir carreira que nem eles? – os dois já estavam se encaminhando pra dentro do táxi – Digo, pelo que parece viveu a vida toda assim.

– Sempre fiquei com meus tios quando eles viajavam. Vez por outra acompanhava e até prestei vestibular pra geologia, mas não adianta, depois que fiz um workshop pra faculdade, acabei me apaixonando por Publicidade.

– E leva jeito. – ela corou – To falando a verdade. Mas você é o tipo de pessoa que tudo o que faz sai direito, então acho que seria uma boa geóloga.

– Se eu tivesse paciência pra lidar com rochas e afins. Saber cada nome daquele me dá até calafrio. – entraram no carro e Souza olhava pra eles e sorria – E você? Sempre soube que queria ser publicitário, ou só seguiu carreira porque seu pai é o dono da empresa?

– Direta você hein? – ela corou – Não tem problema me perguntar isso não. – ele se redimiu – Confesso que no inicio, achei que fosse mais por obrigação de manter o legado da família, mas eu e meu irmão levamos jeito pra isso sim. Está no sangue.

– Sei como é.

Chegaram a uma das barracas mais conhecidas das redondezas e Aline foi na frente enquanto Dennis colocava as coisas no porta malas para guardar. Souza chegou perto dele e o ajudou. Assim que fechou o porta malas, ele ainda estava ali olhando pra ela enquanto ela pedia uma mesa para os dois ao longe para o recepcionista.

– Se eu fosse você meu filho, não perderia essa chance. Ela parece ser uma menina de ouro.

– E é. – ele suspirou – Mas é tão complicado, ela já ficou com meu irmão...

– E por acaso está com ele agora?

– Não. – Dennis arqueou as sobrancelhas – Aonde quer chegar?

– Bom... Eu sei que pareço ser intrometido, mas tem coisas que não dá pra ver e ficar calado. Por acaso ainda tem alguma chance deles dois ficarem juntos?

– Isso é o que estou tentando descobrir. – ele encostou-se ao carro – Ele fez besteira com ela, e acho que um gosta do outro. E conheço-o muito bem pra saber que ainda vai se arrepender de não ter ficado com ela.

– Acha que se ele for atrás dela, ela o aceita?

– Outra coisa que estou tentando descobrir.

– Então, meu querido, conselho que te dou... Você parece bem interessado nela, corre atrás das respostas, porque se todas forem negativas... Agarra a oportunidade. Não é todo dia que a vida dá isso pra gente.

– E está me aconselhando porque....?

– Sei lá, fui com a cara de vocês dois. – os dois gargalharam – Os dois estão sozinhos em um paraíso que nem esse. Você não vai ter segunda chance.

– Do que os moços estão rindo? – Aline chegou perto deles e Dennis ajeitou a postura.

– Estamos falando de futebol. Fazer o que, brasileiro fala de futebol em qualquer parte do país.

– Verdade.

– O rapaz já conseguiu arrumar a mesa pra gente, vamos? Não era você que estava com fome?

– Claro, vamos sim.

Dez minutos depois, os dois já estavam fazendo seus pedidos e olhando a vista da praia que dava da barraca. Conversaram e Aline anotou em seu caderno para lembrar-se de tirar umas fotos depois do local. Seria bom mostrar para Diana por visualização como o bairro era bonito e relaxante.

APARTAMENTO DIANA

Até aquele momento a situação não tinha se tornado nenhuma surpresa. Os dois estavam sentados no sofá conversando, vendo filmes antigos e comendo a sopa de legumes que Diana tinha feito.

Diana ora olhava para o prato, ora pra Charles. Mesmo estando mais confortável, ele ainda parecia abalado com tudo o que tinha acontecido nesses poucos dias. Assim que ele terminou, colocou o prato na mesinha ao lado e encostou a cabeça para terminar de ver o filme.

– O que foi? – ela se assustou ao ouvir aquela voz de trovão dele e virou de frente.

– Nada. – não tinha percebido que estava tão presa olhando pra ele, que ficou sem graça ao ter sido pega de surpresa.

– Estava me observando. – ele virou de lado – Fica tranquila que não vou tentar nada drástico. – riu sem humor.

– Por que insiste nessa ideia absurda de que não confio em você?

– Não sei, talvez pelo olhar assustado, o jeito protetor, o medo estampado na sua cara.

– Não é... – bufou irritada – Está me pré-julgando.

– Somos dois então.

– Que saco viu? – levantou rápido e partiu pra cozinha com os pratos nas mãos.

Charles deu um tempo pra ela. Conheci-a muito bem para saber que todos os pensamentos dela se referiam ao fato de ter sido ele a partir. Não importa se a pessoa não faz mais parte da sua vida no presente. Se ela foi importante em algum momento na sua vida, principalmente do jeito que um foi para o outro, a morte é tão sentida como se essa pessoa estivesse ao seu lado o tempo todo.

Levantou e foi até a cozinha. Ao chegar, ouviu um fungado e antes de tomar conclusões de que ela poderia estar chorando, foi chegando perto para ter certeza. Ao ver que algumas lágrimas solitárias escorriam pela sua face, engoliu em seco. Não queria que ela sofresse, afinal ele estava ali não é?

Come Wake me Up –Rascal Flatts

Chegou perto e a fez parar de lavar a louça. Ela se virou para ele e assim que os olhares se encontraram, o choro que antes estava contido, não foi mais segurado. Charles a abraçou e ela soltou tudo que estava preso desde cedo.

– Diana, não fica assim.

– Poderia ter sido você. – ela desabou em choro e o apertou ainda mais. Por mais que fosse um momento ainda que errado, ele sorriu. Depois chutou-se mentalmente com a ideia de estar feliz por ela estar triste por uma possibilidade mórbida. Ele era um idiota.

– Mas eu estou aqui, meu amor. – Diana ouviu aquela frase tão encantadora saindo dele, com aquela voz que tanto a reconfortava, que o choque de realidade a tomou. Charles estava em seu apartamento, abraçado a ela, praticamente seminu. Levantou o rosto e assim que seus olhos se encontraram, ela respirou fundo. Charles secou as lágrimas que ainda restavam perto de seus olhos e beijou sua testa – Vamos parar de pensar em coisas negativas, não vale a pena imaginar o “se”.

– Como você está? – ela se soltou rapidamente e ele percebeu que ela tinha ficado desconcertada com aquele momento intimo até demais para as barreiras que ela tinha imposto sobre os dois. Voltou a lavar a louça, e não o olhou mais.

– Eu sobrevivo. Aprendi a não ficar remoendo coisas negativas na cabeça. Isso não me faz bem.

– Ele era seu melhor amigo.

– Sim. – encostou-se ao balcão perto da pia e cruzou os braços – Mas... – engoliu o choro. Já tinha chorado tanto que não achava certo ficar fazendo Diana ouvir suas lamurias. Ela já secava as mãos depois de ter terminado ali e olhou para ele que estava de cabeça baixa. Será que seria isso o dia inteiro? Um consolando o outro por lembranças e fatos passados?

– Hei. – ela ficou de frente pra ele e esfregou suas mãos em seus braços para dar certo conforto – O importante é pensar que você fez tudo que podia não é? – ele assentiu ainda de cabeça baixa. Ela percebeu que ele se segurava ao máximo e levantou o rosto dele para encará-la. Assim que viu os olhares se encontrarem novamente, seu coração parou uma batida. O olhar compadecido deles antes, foi automaticamente mudado para um ainda mais pessoal e conhecido dos dois.

Era impressionante como os dois tinham um imã poderoso entre eles. Diana ainda tinha em mente que toda aquela aproximação era totalmente inapropriada, mas assim que secou os olhos dele com os dedos, passou as mãos em seus cabelos, os jogou pra trás e teve aquela sensação tão familiar daqueles cabelos sempre bem cuidados e sedosos, toda a sua razão se dissipou como fumaça. Charles ainda estava hipnotizado por aquele olhar tão indeciso e incerto dela. Tudo o que ele queria era poder agarrá-la ali mesmo. Ele sabia que ainda exercia um poder sobre ela, e que poderia usar isso a seu favor, mas deixou se levar pelas atitudes dela. Tudo o que ela quisesse que ele fizesse, ele faria. De bom grado.

Diana se sentia como voltando a época da faculdade quando eles ficaram a primeira vez juntos. Tinha sido calmo, romântico e vagaroso. Os dois puderam conhecer cada detalhe um do outro da maneira mais cúmplice e profunda possível.

Charles entendeu aquele olhar dela de desbravadora. O mesmo que teve naquele dia. Abriu os braços e afastou mais as pernas para que ela ficasse mais próxima dele. Apoiou os braços no balcão e assim que ela passou as mãos por eles e viu que muita coisa tinha permanecido intacta ao longo do tempo, segurou a respiração e fez o que não pensou que faria em anos de sua vida. Fez com que as mãos dele delicadamente fossem para sua cintura. Por dentro, Charles gritava de satisfação porque finalmente ele não teria que se sentir mal por tomar a iniciativa. Mas claro que não deixaria tudo por conta dela. Apertou sua cintura com uma força controlada, já que aquilo era o que ele queria há séculos, e a puxou delicadamente para encostar-se ao corpo dele.

O calor entre os dois era inevitável. Diana ainda estava com o cardigã e assim que ele foi subindo aquelas mãos quentes e firmes por suas costas, não tinha mais como resistir. O que restava de razão foi para o espaço. Ele retirou seu casaco e deixou cair ao chão e ao ver que ela ainda estava muito coberta, resmungou baixinho. Ela apenas riu. Os olhares ainda conectados, presos como que por hipnose, já eram suficientes para levar os dois a loucura. Ela passou as mãos quentes por suas costas, e assim que chegou a cintura, brincou com o elástico da calça de moleton que ele usava.

Daí em diante ele não aguentou mais. Agarrou-a com força, inverteu as posições e a colocou sentada no balcão. Puxou seu rosto para um beijo que há anos ele sonhava em ser finalmente correspondido como devia. Diana não podia negar mais nada aquele homem. Algo dentro dela ainda resistia a qualquer ação dele, mas o amor sempre falaria mais alto. E depois de sentir um buraco no coração por saber que ele não estaria mais com ela, talvez por culpa dele apenas, por culpa dela, ou pelos dois, queria sim sentir um pouco do que por muito tempo quando era jovem, era sua felicidade.

Assim que ela tirou sua blusa e Charles pode ter novamente aquela visão tão privilegiada, sorriu em satisfação, pegou-a pelo colo, com as pernas cruzando sua cintura, e a levou para dentro do quarto. Assim que a deitou na cama, quis aproveitar cada detalhe como se fosse o ultimo. Não sabia qual seria a reação dela depois daquele momento entre os dois. Ela poderia se arrepender de todas as decisões daquele dia, poderia estar ali com ele apenas por pena, ou por medo de tê-lo perdido, mas para ele, ela era sua droga agora. Ele podia estar sofrendo de abstinência durante anos, mas iria aproveitar seu vicio por aquele pequeno espaço de tempo, nem que depois tivesse que entrar na recuperação.

Diana já estava em êxtase. Não adiantava negar. Nenhum homem seria capaz de ser como ele. E isso a deixava impressionada, já que só o toque dele a deixava em ebulição. Os beijos em seu pescoço, cada toque delicado e forte ao mesmo tempo, todo o jeito dele de saber os momentos certos de tocá-la, do que fazer e como fazer. Por um breve instante, ela não quis ser a Diana que se tornou, cautelosa até ao extremo em suas decisões pessoais. Seria a Diana da faculdade, a que era impulsiva, determinada e destemida. Ela tinha 19 anos novamente.

FORTALEZA

Aline e Dennis chegaram ao hotel cansados. Não sabiam mais se queriam ir realmente para o tal coquetel, mas era quase que uma obrigação, então resolveram se arrumar. Dennis já estava em seu quarto e andava de um lado para o outro apenas de roupão tentando colocar as ideias na cabeça. Queria deixar um gosto de algo a mais nessa noite especial, queria aproveitar a oportunidade que estava tendo em suas mãos, mas tinha medo de que tudo desse errado. Eles dois não tinham intimidade o suficiente, mesmo parecendo aos olhos dos outros, já que se davam muito bem.

E depois de parar pra pensar muito no que conversou com o taxista, imaginou se estava furando o olho do irmão. ‘Não, ele não a quis!’, colocou isso em sua cabeça, para depois não se arrepender. O serviço de quarto chegou com seu terno passado e engomado e antes que se afundasse na banheira de nervoso, resolveu se arrumar.

Aline era outra que estava nervosa. E não sabia o porque disso. Vagamente lembrou da noite em que dormiu com Dennis e teve a sensação de que o abraçou no meio da noite. E só de imaginar que isso poderia ser verdade, seu rosto esquentou e provavelmente tomou a forma de todos os vermelhos possíveis. Será que ele a achava uma aproveitadora? Uma oferecida que não tinha mais o irmão e que agora ia dar em cima dele para ser uma das herdeiras da fortuna Palmas?

Balançou a cabeça e tomou um gole de vinho branco deixado como presente pelo dono do hotel. Olhou o relógio e viu que ainda tinha tempo. Já tinha tomado banho, pelas suas contas daria muito tempo para se arrumar. Catou seu telefone na bolsa e correu para a cama.

– Alô. – Dominique atendeu.

– Está muito ocupada?

– Se vai me perguntar alguma coisa idiota, estou sim.

– Precisa ser grossa? – Aline revirou os olhos.

– Fui sincera. – riu do outro lado – Diga, pra me ligar do paraíso ou é pra me deixar com inveja ou pra me preocupar com alguma merda que fez.

– Não fiz nada. – bufou – Pelo menos não por enquanto.

– Epa! – Dominique chega se ajeitou mais na cadeira – Quer dizer que temos uma merda a frente?

– Se você parar de enrolar, eu vou conseguir falar. – silencio do outro lado – Dominique?

– To esperando ué. Depois reclama que eu te atrapalho e...

– Tá.... – Aline levantou e ficou andando pelo quarto – Acho que o Dennis está afim de mim.

– Você acha? – ela gargalhou e Aline estranhou – Eu tenho certeza.

– Como é?

– Não foi ele que deu em cima de você e você revidou? Ele que foi todo prestativo com relação a essa viagem e você não teve que se preocupar com nada?

– Isso não tem nada a ver. E ele deu em cima de mim pra deixar o Tiago com ciúmes.

– Qual é Aline, pode não ter sido verdade antes porque o Tiago tava na frente, mas ele tem cara de esperto. Vocês dois estão sozinhos nesse lugar lindo...

– Ah parou! – ela já tremia – Eles acham que eu sou qualquer uma que vai sair dando mole?

– Não disse isso! O fato é que você está sozinha de novo, e sim eu acho que ele se interessou por você. E já que o irmão não está mais no caminho...

– Mas não tem nem quinze dias que terminei com Tiago.

– E por acaso vocês estavam namorando? – ela riu de novo – Mais uma nova que eu não sabia.

– Da pra parar de me sacanear? – Aline já estava irritada – Você entendeu o que eu quis dizer. Não era namoro, mas sei lá, complicado.

– A gente sempre fala isso de um relacionamento. Agora acho melhor deixar claro pra ele que mesmo estando sozinha você ainda gosta da anta do irmão dele, porque sabe como é ne? Ele vai querer ficar com você e vai ficar chato pro seu lado...

– Eu não vou ficar com o Dennis.

– Mas se me ligou é porque pensou nessa possibilidade.

– Não é isso. É que ele me deu umas indiretas durante o dia, e a gente se deu tão bem que eu imaginei que era só brincadeira...

– Toda brincadeira tem um fundo de verdade. – ela interrompeu – Sinceramente? Acho que você deveria ficar com o Dennis sim. Aproveita. Ele não tem muita cara de relacionamento sério, mas parece ser mais ajuizado que o Tiago. Vai que...

– Vai que nada Dominique. Eu querendo desabafar e você me enchendo a cabeça com mais duvidas. Eu não vou ficar com Dennis ponto e acabou.

– Eu só estou falando a verdade. E nem reclama, que eu sei que você gosta de me perguntar pra eu dizer na sua cara o que você não tem coragem de dizer pra si mesma quando está de frente para o espelho. – Aline engoliu em seco – Agora levanta essa bunda, vai se arrumar e aproveita. Tiago foi um imbecil e você supera. Depois do Caio, acho que você supera qualquer uma.

– Muito obrigada. Estou me sentindo muito melhor.

– Quer que eu repita?

– Não. – ela foi categórica – Vou me arrumar. – ouviu uns barulhos de beijos do outro lado da linha – Ah vai a merda Dominique! – e antes de desligar ouviu uma risada estrondosa.

Aline jogou o telefone longe e só não o tacou na parede ou pisou nele porque ainda estava para terminar a ultima prestação no mês seguinte. Foi se arrumar. Era o menos pior a fazer e ter que ficar pensando no que poderia acontecer nesse coquetel estava deixando-a enjoada e com dor de cabeça.

Um tempo depois...

Dennis estava na recepção do hotel esperando por Aline. Já tinha deixado tudo certo com a recepcionista e o carro já esperava pelos dois na portaria. O salão de festas não era muito longe e Aline tinha a fama de não se atrasar. Algumas pessoas hospedadas também tinham sido convidadas para o tal lugar e ele via a movimentação deles indo para o tal local, pedindo informação, táxis... Sentou-se em um banco próximo para esperar e nem se deu conta depois de um tempo que já estava perdido olhando para as pessoas. E muito menos que uma mulher morena, com um perfume chamativo e avassalador estava em sua frente tentando chamar sua atenção.

Aline percebeu que ele estava desligado e curvou-se um pouco para chamá-lo. Assim que ele sentiu de vez o cheiro do perfume invadindo suas narinas, se deu conta de que não estava sozinho. Virou e deu de cara com aquele mar de olhos azuis, que alem de doces e divertidos, imediatamente invadiram sua alma. Sim, porque só aquele olhar dela já era o suficiente para deixá-lo derretido. E ele nunca tinha sentido isso por nenhuma mulher. Ela percebeu que agora ele prestava mais atenção do que devia a sua pessoa. Olhou-a de cima a baixo, mas não se demorou muito para prender os olhares novamente. Ela engoliu em seco, e assim que ele levantou e ficou bem mais perto do que devia, ruborizou.

– Nem tenho palavras pra expressar em como você está linda essa noite. – pegou sua mão e beijou as costas dela, deixando propositalmente o hálito quente. Aline tremeu nas bases naquele momento. Já tinha percebido que ele começou a provocar. E isso não levaria a consequências boas se ela deixasse continuar.

– Você também está muito bonito. – respondeu sem graça e assim que olhou para os lados, os funcionários do hotel olhavam encantados para os dois. Principalmente as recepcionistas que faltavam suspirar com o que viam. – Vamos? – ela indicou a porta, e ele estendeu o braço. E claro que como forma de educação, ela não poderia recusar.

Ao entrarem no carro, Dennis percebeu que ela estava tensa. Para descontrair, contou de sua desilusão no banheiro e o tempo que perdeu com rapaz do hotel tentando consertar um cano que tinha dado problema e que por pouco não foi para outro quarto. Mas como ele não tinha essas neuras como outros hospedes, não ligou pelo tempo que demorou.

Mesmo rindo do que ele contava, dos papos com o encanador, Aline ainda se sentia um pouco desconfortável. Sabia que era uma mulher bonita, mas os olhares de relance tanto dele quanto do motorista, estavam deixando-a nervosa. Parecia que seu cérebro as vezes desligava e ela não conseguia ser como antes, quando nem ligava e queria mais era que os homens olhassem mesmo para ela. Em pensamento, começava a maldizer cada namorado canalha que a tinha deixado traumatizada daquela maneira. Precisava de terapia.

Chegaram ao salão de festas e logo na entrada havia um fotografo que tirava fotos de cada casal que entrava. Pararam um ao lado do outro e tentaram parecer calmos. Ela, porque estava super envergonhada, ele, por estar nervoso em não saber como agir diante dela durante a noite.

Foram indicados pelos seguranças para entrarem, e assim que deram as caras dentro do salão foram recepcionados por uma menina que perguntou os seus nomes, e os levou direto para uma mesa separada. Havia mais dois casais sentados ali e sorriram e se cumprimentaram antes deles sentarem.

Aline não entendia nada. Não parecia ser uma festa corporativa normal, algo a mais de especial tinha ali.

– Parece que estamos numa festa de casamento ou algo do tipo. – falou perto do ouvido de Dennis que mantinha o sorriso para os outros na mesa.

– Eu acho que vou procurar o tal Ramos para conversar.

– E entao meu jovem... – falou o senhor ao lado dele – Há quanto tempo estão juntos? – assustaram-se com a pergunta e o tal senhor olhou para a esposa – Eu e minha linda aqui estamos casados há 30 anos não é amor?

– Sim. – ela sorriu – Estávamos conversando com os outros casais aqui na mesa, e éramos o casal há mais tempo juntos.

– Ah sim. Não somos um casal. – Aline se adiantou e sorriu calmamente, rezando por dentro para não estar vermelha que nem um pimentão – Apenas trabalhamos juntos.

– Começamos assim não é amor? – outro senhor comentou, assim que olhou para a esposa que meneou a cabeça negativamente.

– Sim, mas não é por isso que eles também vão. – ela sorriu e esticou as mãos – Ana Salvador. E o seu querida?

– Aline Resende. – ela aceitou o cumprimento.

– Não ligue para eles. É sempre assim ,quando não estão disputando corridas de cavalos, estão procurando um motivo qualquer para ver quem ganha de quem.

– Precisamos de alguma diversão. – o primeiro senhor, sentado ao lado de Dennis comentou novamente – Desculpa, não perguntei por mal.

– Mas que fariam um casal muito bonito, fariam. – a mulher ao lado dele comentou – Não é Malvina?

– Claro. – a única senhora sozinha disse – E o seu nome meu jovem?

– Dennis Palmas.

– Ah claro, agora está explicado porque colocaram vocês dois aqui na mesa. São os interessados em comprar o hotel não é?

– Sim. – assentiram já se sentido mais à vontade.

– Sou Malvina Ramos, mulher de Alberto. Dono do hotel. – ela levantou para cumprimentá-los e os dois fizeram o mesmo – Eu já ia reclamar com o Buffet que colocaram solteiros em nossa mesa de casados.

– Não tem problema. A gente não liga pra isso. – Dennis comentou sorrindo e assim que viraram, um homem dos seus quarenta e poucos anos, chegou perto de Malvina e sorriu para os dois.

– Querido, esses são Denis Palmas e Aline Resende. Os que vieram fazer a oferta pelo hotel.

– Sim, imaginei que viessem. Desculpa colocá-los nessa mesa, é que se quisessem conversar, aqui seria melhor, meus amigos e sócios estão aqui.

– Tirando a indiscrição dos homens da mesa que saíram perguntando se os dois eram namorados não é Alberto? – Ana comentou.

– Ai meu Deus! – ele já esticava a mão para cumprimentá-los educadamente e sorriu sem graça – Me desculpa por eles, são sempre assim, são piores do que mulher.

– Como é Alberto? – Malvina cruzou os braços e todos gargalharam.

– Não deixa de ser verdade. Mulher geralmente é mais curiosa com esse tipo de coisa. – Dennis comentou já se sentindo em casa e Alberto concordou.

– É isso mesmo não é Dennis? – Aline também cruzou os braços e olhou de relance. Malvina sorriu e puxou-a para sentar perto dela.

– Eu sei que você também tem que resolver as coisas com eles, mas senta aqui perto de mim. Queria te elogiar, menina, você é linda.

– Ah, obrigada.

– Já que fui expulso do meu lugar... – Alberto apontou – Posso sentar aqui?

– Claro. – Dennis saiu do caminho e sentou ao lado dele – Posso ser indiscreto? – Alberto olhou para ele e assentiu – Desculpa, não é nada pessoal, mas essa festa por acaso é um casamento?

– Ah sim, porque eu nem vim arrumada para um. – Aline comentou e riu.

– Querida. – Ana olhou para ela e sorriu – Você fica linda de qualquer jeito.

– Eu também acho. – Dennis comentou e todos sorriram cúmplices.

– Então... – Alberto viu que Aline ficou sem graça e olhou para ele – Meu filho vai noivar. Fizemos essa festa para ele oficializar o noivado, mas como eu sei que não vão ficar muito tempo, queria que a gente se conhecesse antes. Alem do mais, amanha eu viajo a negócios e só estarei de volta na segunda, pra reunião que planejamos.

– Ah sim, entendi.

– Depois eu apresento meu filho e a noiva a vocês.

A conversa na mesa continuou animada, até que Aline perguntou onde poderia pegar algo para comer. Dennis continuava no papo animado com Alberto e quem olhasse para os homens da mesa, diria que se conheciam há anos. Isso estava deixando Aline encantada. Como poderia os homens daquela família ter tanta facilidade assim para fazer amizade? Quando voltassem para o Rio, Dennis teria mais amigos do que ela poderia contar nos dedos.

Levantou e foi em direção a mesa de Buffet. Perto dali tinha um bar e ela não resistiu a tentação. Correu para lá ver as bebidas servidas, já que a apresentação do bar estava impecável.

– A senhorita tem alguma bebida em especial? – o bartender olhava encantado para ela. Na verdade praticamente todos os homens do local a olhavam desse jeito. Essa mistura exótica que ela tinha de ao mesmo tempo ser tão meiga como mulher fatal. Era tão natural como respirar.

– Não. Estou pensando.

– Que tal Furacão? – ouviu uma voz ao longe e ainda olhando para o cardápio nem se deu conta do rapaz ao seu lado.

– É boa?

– Combina com você. – a respiração mais eufórica perto dela foi o plim para que ela levantasse a cabeça e sentisse aquele cheiro de um perfume tão bom quanto o homem que olhava pra ela de maneira sedenta. Consertou a postura e colocou o cardápio no balcão.

– E por que ela combina comigo?

– Essa bebida tem um jeito de chegar não muito sutil. Assim que você bebe, ela deixa uma sensação de devastação por todo o seu corpo, ai você não sabe se continua bebendo, ou se larga ela de lado. Mas mesmo assim, a visão é tão linda ao longe que você quer chegar perto, mesmo sabendo que é perigoso e você pode ser enlaçado. – Aline não sabia se ria daquilo ou se sentia ofendida. Olhou séria pra ele e o bartender também ficou sem entender nada.

– Devo considerar isso um elogio?

– Em nenhum momento eu quis te ofender, isso você pode ter certeza.

– Mas é bem abusado em falar isso pra mim já que não me conhece.

– Abusado, não. Sincero. – sorriu e esticou a mão para cumprimentá-la – Matias. Qual seu nome?

– Aline. – ela o cumprimentou por educação e olhou para o bartender – Quero um Whisky Sour.

– Que isso, vai rejeitar minha ideia?

– Não estou com pretensão de sentir nada invadindo meu ser e me deixando com a sensação de... – ela olhou de lado pra ele e sorriu debochada – Devastada.

– Que pena. – chegou perto do seu ouvido – Eu adoraria sentir essa sensação. – Aline ficou vermelha. Isso ela tinha certeza. Sentiu as maças do rosto quentes e respirou fundo. O cara era bonito. Até demais por sinal. Alem de atrevido e muito abusado.

– Algo errado? – ouviu a voz de Dennis e assim que ele chegou perto, ela abriu um sorriso de orelha a orelha.

– Nada. – ela pegou a bebida com o bartender e o beijou na bochecha – Eles estavam me indicando uma bebida porque eu estava perdida. Assim que ela parou ao seu lado, ele entendeu o que estava acontecendo.

– Dennis Palmas. – esticou a mão para cumprimentar – Prazer. – falou sério, mas tentando se conter para não dar na cara dele.

– Matias Ramos. – ele aceitou o cumprimento e tentou se segurar para não olhar irritado para ela.

– Ah, o filho do Alberto. – Dennis sorriu – Soube que é seu noivado hoje.

– Isso mesmo. – respondeu a contragosto e olhou para Aline – São namorados?

– Amor! – uma loira, de cabelos longos e ondulados, chegou já puxando-o pelo braço e sorriu encantadora – A festa está linda.

– Oi minha linda! – ele a abraçou e deu um beijo de leve nos lábios – Esses aqui são nossos novos amigos. – ele olhou sacana para o casal a frente – Aline e Dennis.

Daniele Moura. Desculpa, mas nunca os vi na vida. Ou estou errada? – ela os cumprimentou educadamente e muito sorridente.

– Na verdade, foi o Alberto que nos convidou. Estamos interessados em comprar o hotel.

– Ah sim. – ela sorriu – Olha, amei o seu vestido. – apontou para Aline.

– Obrigada. Você também está muito bonita.

– Ah claro, eu tenho que estar não é? Afinal é o nosso noivado não é amor?

– Claro. – ele sorriu. Quem olhasse de fora acharia que era muito sincero da parte dele, mas Aline e Dennis já não caíam naquele sorriso falso.

– Com licença. – Dennis puxou Aline pela cintura e a rebocou de lá antes que alguma coisa de ruim acontecesse.

Depois de que se acomodaram na parte de fora do local, Aline sentou num banco ali perto e Dennis parecia muito sério olhando pra ela.

– Que foi?

– Ele estava dando em cima de você não é? – ela continuou bebendo seu drink e apenas assentiu – Canalha mesmo. No próprio noivado.

– Tem homem que é assim ué. – ela deu de ombros e ele não acreditou.

– E pra você isso é muito normal?

– Não disse isso. Só que a grande maioria dos homens não presta. Ele é um exemplo.

– Você estava dando trela para ele não é? – Aline olhou bem nos olhos dele. Realmente ele não tinha gostado nenhum pouco do que viu. Ia perguntar se estava com ciúmes, mas se ateve ao fato de que isso poderia aprofundar ainda mais algo que ela não queria que fosse pra frente. Não naquele momento pelo menos.

– Olha Dennis, agradeço a preocupação. Mas não estava dando trela não, antes que você surte. Não sabia que ele era o filho do dono. Não sou adivinha. E não precisa ficar zelando por mim. Não estou com seu irmão nem nada disso.

– E quem disse que estou fazendo isso por meu irmão? – ele a olhou sério e cruzou os braços. Não gostou nenhum pouco de ser taxado de segurança. Não estava meio óbvio que era ele que queria ela?

– Desculpa. Então está fazendo isso porque?

Ele ia responder, mas Alberto apareceu com a esposa para chamá-los novamente para a mesa. O jantar seria servido e logo depois a pista de dança estaria livre para os pronunciamentos e a continuação da festa.

– Depois conversamos. – partiram para dentro do salão novamente e sentaram-se a mesa. Enquanto comiam, Aline se chutava mentalmente por ter cutucado onça com vara curta. Não tinha realmente a intenção de dar trela para o tal Matias, mas também nunca imaginou que Dennis reagiria daquela maneira.

Ela se sentia na corda bamba. A noite ainda estava começando, e ainda tinha muito tempo para eles voltarem para o Rio de Janeiro.



Notas finais do capítulo

Já Já, mais um!



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