Dilemas escrita por Paige Sullivan


Capítulo 19
Capitulo 19


Notas iniciais do capítulo

Heeei.... Tem bastante tempo que não posto a história! Peço mil desculpas, mas estava estudando pra concurso, trabalhando muito... Tem sido difícil conciliar com a escrita....
Mas espero que consiga tempo para terminar de postar a história aqui.
Mil beijos para vocês.

Enjoy it!



RESTAURANTE CIPRIANI – COPACABANA PALACE

A conversa entre Diana e Stolt estava deixando Charles ainda mais incomodado. Mas como ele disfarçava muito bem, conseguia seguir o rumo da conversa despercebido. Olhava para Diana e lembrava de Ricardo. O jantar deles chegou e se pegaram em um pequeno silêncio durante o inicio. Logo em seguida, estavam conversando sobre trabalho, e Charles agradeceu mentalmente por isso. Porém, no meio do jantar, ao ver um rapaz sentado com os amigos em uma mesa próxima, fumando charuto e bebendo, rindo e conversando animadamente, lembrou-se de seus amigos.

– Não é chato ter que lidar com tanta burocracia? – Stolt comentou com Diana que assentiu – E como você está lidando com os impostos, Charles? – olhou para ele que estava com o olhar preso na outra mesa. Diana parou de comer e olhou para ele também – Charles?

– Charles. – Diana o cutucou e ele voltou a atenção a mesa – Está tudo bem?

– Mais ou menos. – foi sincero.

– Aconteceu algo na PP?

– Queria tanto que tivesse sido na empresa. – Stolt riu.

– Quando eu digo isso, é porque algo na minha vida pessoal está péssima. – Diana o olhou preocupada.

– Senhor Stolt, ligação. Pode atender na sala adjacente, todos os telefones móveis estão sendo usados.

– Claro. – ele sorriu, limpou sua boa com o guardanapo e o jogou na mesa – Já volto.

Charles e Diana assentiram e assim que ele saiu de suas vistas, ele voltou a atenção a outra mesa. Foi bem mais discreto do que da primeira vez e Diana já estava mais preocupada do que antes.

– Por favor, não me diga que....

– Acha que eu seria capaz disso? – olhou pra ela furioso. Ela se assustou com o olhar, já que há anos que não o via e se arrependeu de ter dito isso.

– Desculpa, eu...

– Não precisa se desculpar. – cortou-a – Não tenho créditos mesmo com você para acreditar que vá confiar em mim.

– Charles... – ela virou-se de frente para ele e de lado para a mesa – Não queria dizer isso, mas você está muito estranho, geralmente é bem mais centrado e presta atenção nesses tipos de reuniões.

– Seu vestido não ajudou muito em minha concentração. – reclamou e ela tentou conter o riso.

– Quer dizer que está alienado porque vim com um vestido justo?

– Se eu não conhecesse seu corpo tão bem, não acharia isso. Mas sei exatamente o tipo de lingerie que você está usando. – chegou perto de seu rosto e sorriu maldoso – Posso até descrever.

– Chega. – ela se irritou – Está mudando o foco da conversa tentando me deixar envergonhada.

– E eu consegui não é? – ele riu em deboche e Diana se irritou ainda mais.

– Acha que estamos na faculdade de novo? – ela se virou novamente pra ele – Que suas atitudes machistas e provocativas vão me atrair a você novamente?

– Não sei. Mas que da primeira vez funcionou... – ele riu novamente e ela se irritou ainda mais.

– Aconteceu alguma coisa... – massageou as têmporas e o olhou – Só age assim quando quer fugir do assunto. E geralmente quando é muito sério.

– Conhece-me tão bem, querida! – sorveu um pouco do vinho e a olhou de soslaio – Já que não quer se irritar ainda mais com minha atitude machista e provocativa, porque não para de encher o meu saco? – novamente ela se assustou. Ele não era daquele jeito com ninguém e estava realmente transtornado. E sim, todo aquele jeito dele só fazia ela se sentir ainda mais atraída. O que a deixava ainda mais irritada.

Stolt voltou a mesa e continuaram a conversa. Charles já tinha se concentrado mais no assunto em pauta e desconversou para não dizer o que tinha na cabeça. Na verdade, nem ele conseguia listar quantas coisas sua mente estava processando naquele momento.

Depois do jantar, foram ao bar tomar um drinque e ele já estava alienado novamente. Diana foi ao banheiro e deixou-os conversando sozinhos.

– Sabe o que eu faço quando me sinto assim? – Stolt o olhou e sorriu.

– Assim...

– Charles, não tenta agarrar o mundo com as mãos. – ele ficou sério – Problemas sempre vão existir.

– Eu sei. – encostou-se ao balcão – Mas essa semana pra mim está o inferno na terra. Queria muito, mas muito poder largar tudo e fugir.

– Por que não faz?

– Porque se deixar a empresa na mão dos meus primos, terei até medo de voltar. – os dois gargalharam – Não que eles sejam incompetentes. Longe disso... Mas ainda não estão preparados para chefiar aquilo tudo sozinhos.

– Você aprendeu bem rápido pelo que sei.

– Eu tinha outro foco. Eles ainda não têm total empenho pela empresa, mesmo sendo deles.

– Entendi. – Stolt pediu outro drinque – Também já fui muito alienado, e demorei um pouco para aprender a lição.

– Mas conseguiu correr atrás do tempo perdido.

– Sim, e me orgulho disso. Mas nem todos tem a mesma sorte que nós dois.

– Isso é verdade.

– Só que mesmo assim. É justo dar a nossa mente um pouco de descanso. Nem que seja por dois dias. Sem estresse, sem celular e muito menos e-mail.

– Vou pensar nisso. Quem sabe esse final de semana eu não me dou esse luxo? – sorriu ainda um pouco desanimado e Stolt o olhou rindo.

– Tenho uma ideia. Um amigo meu tem uma casa em Florianópolis. Um sitio melhor dizendo. Podemos ir pra lá e pescarmos. Sempre me relaxa.

– É uma ideia.

– Aproveito e chamo mais dois amigos meus e você pode levar a Diana. – piscou e Charles enrubesceu.

– Se conseguir levá-la, eu te dou um premio.

– Pode deixar. – Stolt piscou e eles brindaram.

Diana voltou do banheiro e continuaram conversando. Tomaram mais dois drinques e se despediram. Stolt disse que tinha um encontro, então não poderia levar Diana em casa. Ela entendeu e disse que pegaria um táxi.

– Eu te levo em casa. – Charles olhou pra ela que apenas o olhou séria. Estava nervosa ao lado dele e não queria continuar sentindo aquilo.

– Ok.

Três minutos depois, os dois estavam na porta do restaurante e o manobrista foi pegar o carro dele. Antes que ela pudesse pegar, o garçom entregou o casaco a Charles, que fez questão de ajudá-la a se vestir. Ela apenas agradeceu e assim que o carro chegou, o manobrista saiu e abriu a porta do carona para que ela entrasse. O silencio dentro do carro foi constante por um tempo, até que Diana o quebrou.

– Sabe onde moro por acaso?

– Sei. – ele foi taxativo – Por que? Mudou-se?

– Não. – ela continuava o encarando e o calor dentro do carro aumentou. Assim que Charles viu seus movimentos, o cheiro de seu perfume entrou pelas suas narinas como duas balas de canhão, e ele ficou tenso. Diana percebeu seu apertar de volante e a acelerada que deu com o carro – E desde quando sabe onde moro?

– Eu ter persigo todo dia quando vai pra casa. – tentou ser engraçado e ela não gostou.

– Espero que isso não seja verdade.

– Qual o seu problema? – ele freou o carro bruscamente e a olhou irritado.

– Como assim?

– Primeiro, acha que me droguei, depois acha que eu estou te irritando e de ciúmes de propósito e agora acredita que eu sou um maníaco psicopata?

– Charles, você não está bem. Claro que não acho metade dessas coisas...

– Achou que eu tinha me drogado.

– Ok, errei. – ela se virou de lado no banco e olhou pra ele – O que custa me contar o que está acontecendo?

– Pra que? – ele encostou-se ao banco tentando relaxar – Você não quer saber de mim. – e parecia realmente sentido com tudo. Diana engoliu em seco e tentou tocar sua mão e ele a afastou – Vou te levar em casa.

– Não. – ela tirou a chave da ignição – Ou você fala por que está assim, ou eu vou ficar com essa chave na mão pra sempre.

– Eu posso muito bem tirar das suas mãos e você sabe disso. – o olhar dele a fez tremer. Mas não se abalaria com isso.

– Tenta a sorte! – quando ele ia avançar, ela saiu do carro e correu alguns metros. Charles estava cansado. Teria até achado engraçado se estivesse com seu humor diário e teria dado um jeito de pegar aquela chave, nem que tivesse que prendê-la em seus braços. Mas só a ideia de fazer aquilo já o cansou. Encostou-se ao banco do carro novamente e colocou a cabeça apoiada ao volante.

Diana estava do lado de fora olhando aquela cena nenhum pouco comum. Depois percebeu alguns movimentos de subida e descida dos ombros dele acreditando que ele poderia estar rindo, mas assim que chegou perto e ouviu os fungados, desesperou-se. Entrou rapidamente no carro e fechou a porta. Estava um frio tremendo e ela dando uma de adolescente saindo sem casaco.

– Charles. – chegou perto dele e esfregou suas costas – Está me deixando preocupada, o que aconteceu?

– Ricardo morreu. – ela estacou e tirou suas mãos dele. Ele percebeu alguns segundos de silencio e a olhou de canto de olho – Mas você não se importa, nunca gostou dele.

– Nunca disse isso. Só não era a favor das atitudes dele na época da faculdade.

– Resumindo, você sempre o culpava achando que eu só me afundava porque ele incentivava.

– Também. – ela falou séria – Mas nunca que ia desejar a morte dele nem nada disso. Afinal de contas, voces dois eram amigos.

– A culpa é minha. – mexeu nos cabelos deixando-os ainda mais revoltos.

– O fato dele não ter se livrado do vício não é culpa sua. – ela se indignou – Será que durante todos esses anos, esse seu lado auto destrutivo não morreu?

– Como é?

– Isso que te ajudava a se drogar, sabe disso não é? – ele assentiu revoltado – E o que você aprendeu na merda da terapia? – e depois se assustou com a revolta dela.

– Que eu não posso agarrar o mundo com as mãos.

– E agora vai ficar se culpando porque nem todos foram fortes como você e se livraram do vício?

– Se você tivesse o visto, Diana... – ele olhou para as mãos e algumas lágrimas rolaram de seus olhos – Ele estava horrível, e eu tentei mesmo ajudá-lo, mas...

– Olha pra mim. – ela puxou seu rosto pra ela – Por isso que ficou daquele jeito no jantar não é? – ele assentiu – Agora faz sentido. – passou as mãos pelo seu rosto – Aprende uma coisa: ele procurou aquilo...

– Eu também...

– Me deixa terminar de falar sim? – foi meiga, porque sabia que ser rígida não adiantaria de muita coisa – Nem todos têm a mesma determinação. Você foi forte, passou por tudo aquilo sozinho, e chegou aqui. Você comanda a PP. Isso é um grande feito pra alguém que passou tantos anos se destruindo.

– Eu sei. – ele sorriu desanimado – Tive minha inspiração. Meu foco.

– Como assim? – ela não entendeu o que ele quis dizer – Inspiração?

– Quando fazemos um tratamento como aquele, temos que ter uma motivação, algo que nos faça querer sair do vício. O Ricardo não tinha, foi se afundando cada vez mais, e se isolou do mundo.

– Você teve. – ela afirmou e ficou curiosa em saber qual, mas sentiu que não era momento para entrar no assunto dele. Na verdade, no fundo ficou com medo de que ele tivesse sido motivado por uma pessoa que não fosse ela. O mundo pareceu rodar na sua cabeça e tirou as mãos dele e ajeitou-se ao banco.

– Sim. – ele sorriu novamente – Agradeço todo dia por isso.

– Pensa pelo lado positivo. – ela mudou de assunto tentando ser otimista – Ele descansou. Se estava ficando cada vez pior, agora ele não vai mais sofrer.

– Ok. Mas isso não me impede de sentir uma tristeza por perde meu melhor amigo. E muito menos por chorar por ele.

– Não. – ela sorriu – Esse é um direito seu.

Alguns segundos em silêncio. Olharam-se e ficaram presos naquela sensação de conforto.

– Vamos logo, já está ficando tarde e amanha eu preciso acordar bem cedo. – estendeu as mãos e ela lhe deu as chaves do carro.

Mais dez minutos dirigindo e já estavam na porta do apartamento dela. Pareciam dois adolescentes dentro do carro. Charles queria muito abraçá-la e beijá-la para se sentir um pouco mais confortável. Ela tinha o direito de saber que tinha sido sua motivação, mas naquele momento ele não sentia que valeria a pena contar.

Diana já era outra história. Sua luta interna era sobre o fato de se decidir se o pedia pra subir ou não. por mais que ele já tentasse mostrar-se forte, ela sabia que ele estava um caco por dentro. E ficar sozinho não era uma opção viável. O medo lhe tomou. Será que ele realmente conseguia durante tantos anos se manter limpo? Afugentou esse pensamento. Claro que ele estava recuperado, claro que ele não fazia mais essas besteiras.

– Boa noite. – ele disse e ela acordou pra realidade.

– Obrigada por me trazer aqui.

– É sempre uma honra ter um pouco da sua companhia. – sorriu simples, mas pra ela foi encantador. Trocaram um olhar intenso, até que ela decidiu deixar as coisas como estavam.

– Diana. – ela já estava saindo do carro, quando parou e o olhou – Posso te pedir um favor?

– Sim. – respondeu receosa. Que ele não pedisse para passar a noite com ela.

– Acompanha-me no enterro amanha?

– Claro. – sorriu para ele – Que horas?

– Vou sair de casa às oito horas. Eu passo aqui e te pego. Pode ser?

– Pode ser sim. Boa noite.

– Boa noite.

Diana saiu do carro e entrou em seu prédio. Assim que colocou os pés dentro do elevador, encostou a cabeça na parede e soltou o ar que não sabia que estava prendendo. Respirou ofegante várias vezes, e assim acabou deixando algumas lágrimas escorrerem pelo rosto. Teria que ser forte em todos os sentidos. Ricardo nunca foi uma má pessoa, e ela só passou a desgostar de sua companhia, quando descobriu sobre o envolvimento dele com as drogas.

Mas eram até bons amigos. Conversavam muito e ele sempre procurou ajudar no relacionamento dela com Charles.

E agora, ele estava morto. Tinha sofrido todas as penalidades por ter entrado naquela vida, mas finalmente estava em paz. Pensou se Charles teria tomado esse mesmo caminho se não tivesse sido forte e se tratado e só o pensamento a fez praticamente perder o controle das pernas.

Não estava mais com ele, mas também não era por isso que desejava um final daqueles para ele. Infelizmente, não podia negar, ainda o amava. O sentimento permanecia escondido e intacto dentro dela. Se ele tivesse morrido, com certeza entraria em depressão.

Entrou em seu apartamento e resolveu tomar um banho quente e relaxante. Tinha que descansar e estar forte para o outro dia. Com certeza iria rever algumas pessoas conhecidas e mesmo que Charles estivesse lembrando-a do passando deles constantemente, ver as pessoas daquela época tornaria tudo muito mais real e ela não estava preparada para retomar todas aquelas lembranças de uma vez.

Charles entrou em seu apartamento sentindo-se cansado tanto física como emocionalmente. Na verdade, a palavra “desolado”, seria a referencia perfeita para seu estado de espírito naquele momento. Pegou seu celular, falou com Douglas sobre como se sucederiam as coisas no dia seguinte, e foi para o banheiro praticamente morgado. Depois de um banho que em nada relaxou seus músculos, jogou-se em sua cama desejando que Diana estivesse com ele apenas o abraçando. Sem conotação sexual ou nenhuma maldade. Apenas uma amiga para que ele pudesse chorar um pouco e desabafar as angustias que tinha dentro do peito.

Mais um pouco e seu corpo foi relaxando e tudo se apagou.

AEROPORTO DO GALEÃO

Aline já estava há uns vinte minutos esperando por Dennis. Tinha impresso tudo o que precisava para a viagem e estava no terminal 2 esperando por ele no mezanino. A viagem seria as duas da manha e já eram uma. Olhava para o relógio impaciente, até que recebeu uma mensagem de texto.

“Já estou chegando. Tive um atraso com meu irmão. Fiz o check-in on line, então não se preocupa. Dennis.”

“Sem problemas. Vou aproveitar e comprar um café. Aline.”

Aproveitou para dar uma passada no terminal 1 e comprar alguns doces na bomboniere de sempre. Perdeu-se na hora,quando sentiu uma presença perto de si. Era um cheiro de perfume ate conhecido, mas não foi isso que lhe tirou a atenção. Levantou o olhar e logo na bancada a frente, Dennis sorria como uma criança. Ela sorriu também e se encontraram no final do corredor.

– Como me achou?

– Na verdade, Tiago me deixou aqui no terminal 1 porque eu queria comprar uns doces. – olhou para a bandeja dela e apontou rindo – Mas acho que você me superou.

– Odeio ficar sem comer alguma coisa.

– Sim, mas tudo isso pra três horas e pouquinha de viagem? Eu estou praticamente dormindo em pé. – eles riram e ela negou.

– Nem tanto. Mas não nego que amo comprar doces aqui.

– Entendi.

Foram para a área de embarque do terminal 2 e sentaram pra conversar. No alto falante foi anunciado o embarque e eles entraram logo para não se atrasarem. Depois que se acomodaram no avião, esperaram apenas a decolagem. Conversaram mais uns dez minutos, até que Dennis acabou dormindo ao lado dela. Sorriu ao perceber que ele estava praticamente desmaiado. Comeu alguns doces e meia hora depois o sono bateu. Acabou dormindo também.

HORA: 05h15min

Chegaram ao aeroporto de Fortaleza com o anuncio pelo comandante e Dennis acordou primeiro. Sentiu algo em cima do seu ombro e quando percebeu, Aline estava encostada com o travesseiro e dormindo com o cobertor em cima dela. Tentou se conter para não rir, já que pelo pouco que a conhecia, sabia que ela ficaria roxa de vergonha se descobrisse que dormiu em cima dele. Passou as mãos pelo seu cabelo e delicadamente a colocou encostada a janela. Enquanto muitos ali já se preparavam para descer, ele continuou contemplando-a. valeria o esforço ficar com ela. E essa viagem tinha caído como uma luva em sua mão.

– Acorda dorminhoca.

– Hum. – ela se remexeu e ele riu um pouco.

– Hum nada. Avião não é hotel. – e riu mais um pouco – Já chegamos.

– Já? – ela olhou e viu o avião já pousado.

– E eu que durmo hein? – sorriram e ela se ajeitou. Arrumou o cabelo e eles se levantaram para irem embora.

Vinte minutos depois, conseguiram sair do aeroporto e pegar um taxi. Aline olhava para o céu estrelado de Fortaleza e os dois riram quando viram os casacos enormes que carregavam. Continuaram olhando para a janela até que o taxista chegou ao destino.

Quando Aline viu o resort, ficou maravilhada. Era tudo muito bem feito e arrumado. Entraram e Dennis foi direto a recepção.

– Boa noite. Reserva para Palmas e Resende.

– Um minuto. – a recepcionista olhou para o quadro e viu que o quarto deles só estaria disponível depois de duas horas da tarde. Engoliu em seco, porque sabia que eles eram os possíveis investidores e sorriu amarelo. Só ai Dennis sabia que tinha algo errado.

– Diga, qual o problema? – Aline que até então estava concentrada em não dormir sentada, viu quando Dennis abaixou a cabeça e encostou-se ao balcão. O mensageiro já estava colocando suas malas no carrinho e ela levantou pra ver o que estava acontecendo.

– Algum problema?

– Nossos quartos só ficarão disponíveis depois das duas da tarde. Aparentemente, o gerente esqueceu que nossa viagem estava marcada para esse horário e achou que iríamos chegar as seis horas... Da noite.

– Não há nenhum quarto disponível para agora?

– Eu só tenho um quarto com cama de casal e não tenho como mudar agora. As pessoas responsáveis pela mudança de cama só trabalham até as duas da manha.

– Sim, e se ficássemos nesse quarto... – Dennis olhou pra ela já estranhando – Seríamos cobrados de alguma coisa?

– Olha, senhorita... – ela sorriu já mais feliz por ver que eles dois eram tranquilos – Disseram-me que não estão juntos. Desculpa a intromissão, mas não quero causar transtorno já que o quarto possui cama de casal.

– Segura ai. – Aline puxou Dennis para um canto – Tem algum problema ficarmos nesse quarto até o horário do almoço? – claro que para ele não tinha problema algum, mas ele não podia dar tanta bandeira. Agiu casualmente e sorriu.

– Bom, eu não ligo. Fico preocupado com você... Do que as pessoas podem falar.

– Não conheço ninguém aqui e não me importo com a opinião dos outros. – os dois riram – Alem do mais estou com um sono que você não entende.

– Entendo sim. – ele assentiu rindo ainda mais – Odeio dormir em avião.

– Eu também.

Foram de encontro a recepcionista que agradeceu novamente por não terem tido problemas maiores e pediu desculpas pelo erro do gerente. Foram encaminhados para o quarto e assim que chegaram e as malas foram colocadas perto da porta, Aline se jogou na cama. Dennis acabou se jogando ao lado dela e ficaram encarando o teto por um tempo.

– Pode ir tomar banho. – falaram juntos e viraram os rostos de lado.

– Pode ir. – Dennis disse primeiro.

– Vou mesmo, senão não levanto mais dessa cama.

Aline puxou sua mala toda pra dentro do banheiro. Dennis viu um roupão pendurado perto da janela e resolveu logo se despir e jogar aquela roupa em qualquer lugar. Um tempo depois, jogou-se na cama novamente e praticamente dormiu. Vinte minutos depois, Aline saiu e se deparou com uma cena sexy e hilária ao mesmo tempo. Dennis estava dormindo de barriga pra cima, apenas com sua cueca boxer e ali ela pode perceber que aquela família tinha um DNA muito bom. Todos eles eram lindos e os irmãos com certeza empatariam no quesito beleza. Afastou os pensamentos já maldosos e chegou mais perto da cama.

– Dennis... – mexeu um pouco com ele – Acorda. Vai tomar banho.

– Não. – resmungou um pouco e ela tentou se conter para não gargalhar. Até que ele era bonitinho dormindo.

– Hei. – sentou na cama e chegou mais perto dele – Você não vai dormir sem tomar banho. Não comigo nesse quarto. – ele acordou e olhou o rosto dela um pouco próximo. Ficou admirando-a por um tempo e sentindo aquele olor de banho proveniente dela – Que foi?

– Você é linda sabia? – e assim que viu o rosto dela ruborizar, riu – Principalmente quando fica com vergonha. – alguns segundos de silencio – E ainda por cima muito cheirosa.

– Ok. Obrigada. – sorriu e levantou da cama primeiro. Evitou maior contato visual, porque ele era atraente até demais. Foi para perto de sua bolsa e pegou o laptop.

– Já volto.

Vinte minutos depois, Aline já estava dormindo na cama com o laptop em cima dela. Dennis chegou perto já arrumado pra dormir e ajeitou-a na cama. O ar condicionado do quarto estava um pouco forte, então puxou o cobertor devagar para ela não ficar com frio. Depois desligou as luzes do quarto e olhou o relógio da cabeceira. Já eram quase sete horas da manha e ele estava indo dormir aquela hora. Só depois de uma noitada que isso acontecia com ele e tinha que ir trabalhar logo quando acordasse.

(10:00h)

Diana e Charles estavam esperando pelo enterro. Chegaram cedo e acabaram sendo os primeiros. Ele a levou para tomar um café perto dali e conversaram amenidades e até de trabalho. Ela não queria que a mente dele focasse muito no dia que iria transcorrer, já que percebia nitidamente que ele não estava bem.

Depois foram para o cemitério. Encontraram Douglas e Charles foi levado por ele para resolver as ultimas pendências de documentação.

Diana estava sentada em um banco e sentia que estava sendo observada demais. Imaginou que fossem suas roupas, já que estava muito arrumada em comparação as pessoas simples do local. Já estava se levantando para arrumar outro lugar pra sentar, quando uma pessoa a parou.

– Como você está linda! – ela olhou e se assustou. Era a mãe do Ricardo – O que faz aqui? – elas se abraçaram e Diana ainda não acreditava no que via. Rita realmente tinha aparecido para o enterro do filho?

– Charles e eu viemos para o enterro.

– Quer dizer que finalmente ficaram juntos? – Diana negou veemente.

– Estamos trabalhando juntos em um projeto e acabei sabendo do Ricardo. – Rita queria segurar o choro para poder conversar, mas algumas lágrimas já caiam pelo seu rosto – Ele me pediu pra vir e não tive como negar.

– Oh! – ela parecia ainda mais emocionada e tentou secar as lágrimas – Eu tenho que agradecer a ele, fez tudo que podia para ajudá-lo e olha no que deu.

– Por que não o ajudaram Rita? – ela foi logo direta – Ele parecia totalmente abandonado pela descrição do Charles.

– Tentei Diana. Eu realmente tentei. – ela a olhou como se arrependesse do que ia dizer – Mas assim como você não aguentou mais a pressão, eu também sucumbi. Ele não fazia os tratamentos, não corria atrás do próprio prejuízo...

– Eu entendo Rita. – ela tentou ser amorosa no que ia dizer – Posso estar sendo rude no que vou dizer, mas amor de mãe é diferente do que amor de mulher. Ele era seu filho.

– Eu sei. Quando recebi a noticia pelo Douglas, tudo isso veio a minha mente. Mas fiquei tão desorientada... Minha saúde também não está boa...

– Entendo. – ela sorriu – Pelo menos agora ele está em paz.

– Isso é verdade.

Dez minutos depois, Rita foi falar com Charles. Diana viu sua surpresa ao vê-la ali, mas tentou passar tranquilidade, já que Douglas chegou perto deles e avisou que o velório já estava liberado na sala adjacente. Ela então sentiu realmente o peso da situação e se banhou em lágrimas.

Os dois ficaram um ao lado do outro e Charles tentou ser forte. Ela segurou sua mão e depois de toda a situação ali, pediram para que saíssem da sala para fecharem o caixão para ser enterrado.

Depois,ela o puxou para um canto. Aquilo ali ainda demoraria cerca de dez minutos até que tudo estivesse arrumado para o sepultamento. Assim que achou um banco, o fez sentar e logo em seguida, sentou ao lado dele. Pegou sua mão e ele a encarou.

– Conter as lágrimas é muito pior. – passou as mãos pelo seu rosto e Charles não aguentou mais. Abraçou-a com força e por quase dez minutos, chorou tudo que estava entalado dentro de si. Ela apenas o confortou. Quando estava mais calmo. Afastou-se dela e sorriu um pouco.

– Não sei como seria se você não estivesse aqui. – pegou suas mãos e as beijou – Obrigado.

Colocaram seus óculos escuros e assim que Douglas os chamou, foram para perto da mãe de Ricardo. Partiram para onde o corpo seria enterrado e depois de umas ultimas palavras, e choros constantes de pessoas que Diana não tinha nem noção de que estariam ali, desceram o corpo no buraco feito para o tamanho exato do caixão.

Charles já estava em estado quase catatônico. Tinha desabafado sua dor, mas ao ver o caixão descendo aos poucos, imaginou-se sendo ele ali naquele caixão. Lembrou-se de seu pai, de sua tia, mulher do Manoel, lembrou-se do pai de Diana... Ela estava sozinha quando ele morreu, e ele nem esteve perto para confortá-la.

E mais uma vez, mesmo que tentando repeli-lo de todas as maneiras possíveis, ela estava ali com ele, ajudando-o, confortando-o. como seria se fosse ele dentro daquele caixão? E se tivesse sido ele a desgraça para sua família, a ovelha negra, que conseguisse repelir a todos a ponto de não ter mais ninguém por perto para ajudar?

Apertou mais a mão de Diana e quando a terra estava sendo jogada para tapar o buraco, o coração dele se apertou. Parecia que ele estava sendo arrancado dentro do seu peito e sendo jogado dentro daquele buraco junto com seu amigo.

Diana pegou as chaves do carro do bolso dele. Puxou-o pelo braço para que ele saísse de perto do túmulo. Já estava se preparando uma chuva bem forte no céu, e foi só abrir o carro e os dois entrarem, que uma chuva torrencial caiu em cima de suas cabeças.

Dirigiu devagar de volta para o Leblon. Iria levá-lo para seu apartamento, já que ele não tinha condições nenhuma de ficar sozinho. O silencio foi grande até chegarem e ele notar que ela o tinha levado pra lá.

– Pode deixar, eu vou pra casa.

– Negativo. Você vai ficar no meu apartamento hoje. Arruma um jeito de alguém pegar suas roupas. – ela já entrava em sua garagem e estacionava o carro na vaga extra.

– Diana...

– Diana nada. Bora, levanta daí. Está frio, estou com fome e quero tomar um banho.

Saíram do carro e ele tentou se animar com esse seu jeito autoritário. Se fossem em outras circunstâncias, ele ficaria muito contente em ser levado ao apartamento dela. Nunca o conheceu por dentro, mas sabia que iria gostar. Ela sempre teve bom gosto.

Assim que entraram, ela largou o sapato no canto e partiu para a cozinha. Bem típico dela, tentar ficar um pouco mais a vontade. Se estivesse de bom animo, ele até iria fuçar o apartamento, mas assim que viu o sofá, se jogou nele sentindo-se exausto.



Notas finais do capítulo

Para não ficar tão perdido o assunto, vou ver se consigo postar mais uns três ou quatro capítulo hoje. Kisses!



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