Daisuki escrita por AC3


Capítulo 4
Perguntas para um Irmão Gêmeo





Estava deitado em minha cama quando ouvi passos. Passos apressados vindos do outro lado da porta.

Poucos segundos depois, a porta é aberta violentamente por uma menina loira. Ela corre em minha direção e se joga em minha cama. Achando que eu dormia, ela começa a me chacoalhar.

— Acorda! Vamos!

Abro os olhos – eu disse que eles estavam fechados? – e a encaro com um sorriso no rosto.

— Como foi com o Shion-kun?

Oi! Eu sou Len Kagamine, tenho catorze anos e voltei, agora pouco, do meu primeiro encontro.

Ah, essa louca aí é minha irmã: Rin Kagamine.

— Normal...

Ela não pareceu gostar de minha resposta.

— Normal?! Como... normal?! – ela apontava o indicador direito para meu rosto. – Deixa esse negócio de “rostinho corado” e “jeitinho envergonhado” para o seu namorado! Sou sua irmã, poxa!

— Bem... – eu cocei atrás da cabeça. – foi meio cômico até...

— Cômico?! Como assim?! – ela gesticulava exageradamente e chegava a gritar. – Explica!

— Rin, fala um pouco mais baixo...

— Relaxa, papai e mamãe saíram. – acho que ela nem se importaria se eles a escutassem. – Fala mais do Shion-kun...

É! Meus pais não sabiam que eu estava gostando de um cara. Ninguém sabia. Na verdade, só tinha contado para a Rin.

E que estardalhaço ela fez! O problema não foi ela ficar decepcionada, com raiva ou com nojo – sei lá... – de mim, é que ela se empolgou demais... Traduzindo, ela é uma yaoi fangirl, daquelas extremamente encantadas por casais gays...

Lembro-me que ela ficou pulando na minha cama depois de ter falado sobre o que ocorrera na minha declaração. Os olhos dela pareciam soltar purpurina.

— Len, – disse ela, balançando meus ombros. – acorda! Eu quero saber os detalhes!

— Detalhes?! O que você tá querendo dizer?!

— Já disse para parar com essa cara vermelha. – ela dá um peteleco em minha testa. – E não adianta esconder... seu pervertido. – ela pisca um olho com aquele sorriso malicioso.

— Não teve nada demais! Eu só fiquei andando com o Shion-kun até a Hatsune aparecer. – depois acrescentei baixinho. – E eu não sou pervertido.

— A Hatsune-san?! Ela tava lá?!

— Acabamos encontrando ela por acidente, – eu sorria um pouco. – aí eu tive que ficar me escondendo para que ela não descobrisse...

— Que azar! – ela gritou. – É, Len, como eu já disse, sua vida é um mangá...

— Até parece.

— Espero que seja um lemon... – ela olhava através da janela, como se fizesse, realmente, um pedido. – daqueles bem fofinhos!

— Vira sua boca pra lá! – dessa vez, fui eu que gritei.

Rin volta a olhar para mim, fazendo um sorrisinho enquanto falava:

— Você pode querer negar – ela aproximava seu rosto do meu. – mas pelo rosto “coradinho”, você parece concordar com meu pedido.

Ela posiciona a cabeça ao lado da minha e sussurra em meu ouvido:

— Seu pervertido.

Tendo certeza que estava mais vermelho ainda, fiquei quieto. No fundo, ela tinha um pouquinho de razão. Ia ser muito legal se o Shion-kun gostasse de mim...

— Ah, acho que você vai gostar disso. – falei, atraindo a atenção de minha irmã. – Vendo que tava muito complicado para ele me esconder, eu comprei um sorvete pra ele e dei-o na despedida, junto com um... – fechei os olhos, não queria ver a reação dela ao que estava prestes a dizer. – beijo no rosto.

Apenas escutei os gritinhos dela.

— Que kawaii!

Só quando esses cessaram que eu abri, receosamente, os olhos: Rin me fitava com uma cara meio emburrada.

— Mas é bom você não deixar a Hatsune-san ganhar espaço! – ela estava brava comigo... – Eu não quero ver meu casal yaoi particular se desfazer.

— Por que essa raiva repentina? – perguntei.

Ela me espantou ao demorar mais de trinta segundos para responder:

— É que, em grau de fofura, você e a Hatsune-san estão empatados.

— Pelo amor de deus! – eu apoiei minha cabeça na mão esquerda. – Você não pode estar falando sério!

— Claro que estou! Pra combinar com o Shion-kun, só você ou a Hatsune...

Até quando é “séria”, minha irmã é estranha.

— E qual foi a reação dele?

— Hã? – eu já havia me perdido.

— O que o Shion-kun fez depois que você deu o beijo nele?

— Não sei... – eu abaixei a cabeça. – Saí correndo antes que pudesse ter alguma resposta.

Ela acaricia meu cabelo.

— É... você tem muito que aprender. – eu levantei a cabeça e a encontrei sorrindo para mim. – Nada que uma boa dose de shonen-ai para melhorar você...

— Nem pense nisso! Eu... shonen-ai?

— É! Um romancinho bem leve entre homens. Você não conhece porque eu leio mais os mais fortes.

Não sabia o que dizer, então não disse nada.

Rin saiu do quarto logo depois, dizendo que não demoraria para voltar.

Isso me deu tempo para pensar no encontro. Por que eu não conversei com ele? Era uma grande chance... e eu – e a Miku – estragamos tudo! Droga!

Esses negócios de vergonha e frio na barriga só atrapalham!

Rin voltou com uma pilha de mangás. Sete no mínimo.

— É bom você ler todos eles!

Eu a ajudei a coloca-los na minha mesa e ambos voltamos a sentar na cama.

— Por que não me dá logo os yaois e lemons que você tanto fala?

— Eu quero te ajudar, não traumatizar...

Neste momento, nossa mãe abre a porta do meu quarto.

— Rin, Len, vocês já estão em casa. Que bom! – ela se preocupa muito comigo e com a Rin. – E como foi a aula de canto?

— Maravilhosa. – respondeu minha irmã. – Não achou Len?

— Claro.

Nossa mãe fez uma última pergunta antes de deixar o quarto:

— Sobre o que vocês estavam falando? Dava para ouvir sua voz lá da calçada, Rin.

— Escola. – ela respondeu, sorrindo.

Eu já disse que minha irmã é, também, extremamente cara-de-pau?



Notas finais do capítulo

Eu teria postado esse capítulo antes, mas a internet tinha que parar de funcionar...
Ah, e esse foi o primeiro capítulo que consegui escrever sem ter interrupções (milagre).
E aí? Gostaram da surpresa?
Pensei em mudar o foco da estória de vez em quando, afinal o Len também tem direito de narrar um pouquinho, né?