Santuário escrita por Mallagueta Pepper


Capítulo 22
A queda de um arrogante





Cebola sorria satisfeito enquanto Mônica lhe enchia de beijos, feliz por ele ter conseguido recuperar os documentos.

- Ai, Cê! Você é demais, viu? Arrasou!

Os outros membros da turma também o parabenizavam, felizes pela reviravolta que aquilo acabou tendo. Apenas DC olhava de longe mal disfarçando sua contrariedade. Ele teve tanto trabalho ficando ao lado da Mônica e no fim aquele careca infeliz acabou saindo como herói? Uma grande injustiça! Se não fosse pelo chato do seu irmão, ele teria conseguido invadir aquela casa junto com a Mônica e conseguido aqueles documentos do mesmo jeito. E o afeto dela seria seu em definitivo.

Franja conferia os documentos da pasta, também feliz por terem conseguido recuperá-los embora estivesse preocupado.

- Aquele sujeito já deve ter percebido que foi roubado. É bem capaz de ele estar esperando a gente lá na prefeitura.

(Mônica) – Ele que espere! Eu tô é doida pra dar umas bifas nele!

(Franja) – Vou chamar o Eduardo e ver com ele como vamos entregar esses documentos. Se aquele cara foi capaz de arrumar capangas para nos assustar lá no Recanto do Paraíso, pode ser capaz de muitas coisas.

Cebola coçou o queixo, ficou pensativo por alguns instantes e teve uma idéia.

- Vamos reunir o pessoal. O maior número que pudermos e vamos fazer bastante barulho em frente a prefeitura. Isso deve nos ajudar. Com tantas testemunhas, eles não vão ter peito pra fazer alguma coisa.

A idéia foi bem recebida e cada um foi fazer ligações para amigos, colegas de escola e conhecidos. O plano era juntar um grande número de pessoas e se possível, chamar também a imprensa.

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Voando sobre a prefeitura, Ângelo observava o movimento atentamente, pronto para entrar em ação caso alguém tentasse machucar algum amigo seu. Antes, mais cedo, ele tinha ido visitar Nina para lhe dizer que os documentos tinham sido recuperados.

- Não acredito! É sério?

- Sim. Cebola e Cascão deram um jeito e ainda hoje vão entregar ao prefeito. Assim o Santuário estará salvo!

Os outros elementais e ninfas comemoraram e ela pulou no pescoço dele, lhe dando um beijo apaixonado sob os aplausos de todo mundo.

- Agora eu preciso ir pra garantir que nada de ruim vai acontecer.

- Eu também vou.

- Não, Nina. Você tem seu trabalho.

- Proteger o Santuário é meu trabalho também e eu quero ajudar. As outras ninfas irão combater os monstros, só eu ficarei.

- Está certo, então vamos e por favor, tome cuidado!

De onde estava, ele via Nina também voando e vigiando outra rua. Foi combinado que se ela visse algo suspeito, deveria apenas avisá-lo e nada mais. Ângelo não queria que ela corresse nenhum risco.

Aos poucos, vários jovens e manifestantes foram chegando levando faixas, cartazes e fazendo barulho. Os capangas contratados por Vladmir ficaram confusos em meio a tanta gente e não sabiam o que fazer. Se fosse uma ou outra pessoa, eles poderiam dar um jeito, mas com tanta gente ao redor estava difícil agir.

Mônica e Cebola seguiam liderando a pequena multidão, gritando e fazendo barulho protestando contra a construção do parque aquático. Vladmir tinha chegado junto com eles e ficou preocupado com toda aquela movimentação. No meio daquela bagunça, seus capangas não teriam como encontrar a pessoa que estava com os documentos. O prefeito chegou depois e também ficou surpreso com toda aquela gritaria logo de manhã.

Quando entrou em seu escritório, a secretária lhe deu um recado.

- O líder do movimento ligou agora pouco, falando que virá lhe entregar os documentos sobre o Recanto do Paraíso.

- Acho bom mesmo, senão vou mandar prender todo mundo por perturbar a ordem!

Um carro chegou, abrindo caminho pela multidão e dele desceram Franja, Eduardo e outros organizadores do movimento. Alguns capangas de Vladmir viram a pasta debaixo do braço de Franja e tentaram atacar.

- Pode ir passando isso aqui agora! – Um deles falou tentando avançar contra Franja. Os manifestantes tentaram segurar os homens e foram repelidos com violência. Eles eram muito grandes e fortes.

Ao ver aquilo, Mônica não perdeu tempo e avançou contra eles distribuindo socos, chutes e sopapos, jogando-os para longe dali como se fossem bolas de papel. Quando os homens foram colocados fora de ação, Franja e os outros entraram rapidamente na prefeitura enquanto os manifestantes aguardavam do lado de fora.

- Eu espero que isso tenha uma boa justificativa! – o prefeito bradou quando o grupo entrou em seu gabinete, junto com Vladmir que estava vermelho de raiva.

(Eduardo) – Sim, prefeito! Nós já temos todos os documentos e provas que mostram que o Recanto do Paraíso abriga várias espécies ameaçadas, incluindo um tipo de besouro que ainda não foi catalogado e por enquanto não se encontra em lugar nenhum. Está tudo aqui!

O prefeito pegou a pasta e viu que ali tinha, além dos documentos, vários CDs com fotos e vídeos retratando as espécies animais e vegetais que estavam ameaçadas.

- Meus especialistas irão examinar isso e dentro de alguns dias darei minha decisão.

- Isso é um absurdo! Você não pode mais adiar as obras! O combinado foi...

- Foi esperar até segunda de manhã. – o prefeito cortou. – já é segunda de manhã e eles trouxeram toda a documentação.

- Documentos que foram roubados do meu cofre! – Ele gritou, sem se dar conta de que tinha falado uma grande besteira.

- E o que esses documentos estavam fazendo no seu cofre? – O prefeito perguntou olhando-o por cima dos óculos.

Os outros também olharam para ele, esperando para saber como aquele arrogante ia sair daquela encrenca. Vendo que estava cercado, Vladmir decidiu que a melhor defesa seria o ataque.

- Sr. prefeito, pense bem no que está fazendo! Se não autorizar essa obra, o senhor terá sérios problemas.

O prefeito levantou-se da mesa, com o rosto também vermelho de indignação.

- O senhor está me ameaçando? Como se atreve?

- Eu sou influente, conheço pessoas importantes e sei que posso fazer muitas coisas para prejudicar sua reeleição! Posso fazer com que perca patrocínio, verbas e vários aliados!

Vendo que o prefeito estava hesitando, Eduardo resolveu agir.

- Cópias desses documentos foram enviados para a imprensa e serão amplamente divulgados! Até o Greenpeace tomará conhecimento disso! Todos saberão que o Recanto do Paraíso abriga espécies ameaçadas e se o senhor permitir que essas obras aconteçam, sua imagem ficará muito prejudicada!

Aquilo podia ser pior e o prefeito sabia muito bem. Com a divulgação do conteúdo daqueles documentos, a opinião publica ia mudar e ficar contra a construção do parque. Com isso, além de perder verbas e aliados, ele também ia perder os eleitores. Duas vezes pior.

- Sinto muito, sr. Vladmir, mas eu não tenho outra alternativa a não ser vetar a construção do parque aquático.

- O quê? Você não pode fazer isso! Essa cidade será muito prejudicada, vamos perder milhões em turismo!

- O parque pode ser construído em outro local.

- Aquele local é o melhor que existe, é o mais perto da cidade! O senhor não pode fazer essa arbitrariedade só por causa de umas plantas e animais inúteis! Eu exijo que essa obra seja autorizada nesse momento!

- O senhor quer sair do meu gabinete agora mesmo? – ele falou ao ver que aquele homem estava visivelmente alterado. Vladmir pareceu não ter escutado.

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Enquanto observava a manifestação do lado de fora, Ângelo viu D. Morte entrando na prefeitura, passando tranquilamente entre os manifestantes sem ser vista por eles.

- Nina, espere aqui que eu vou olhar o que tá acontecendo lá dentro.

- Pode ir, depois você me conta, viu?

- Claro, linda.

Ele também ficou invisível e foi atrás de D. Morte sentindo algo ruim dentro do seu peito. Algo lhe dizia que daquela vez seria para valer.

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Ignorando as ordens do prefeito para ele deixar a sala, Vladmir continuou esbravejando e distribuindo ameaças contra tudo e todos.

- Todos vocês pagarão caro por isso, podem esperar! Eu sou muito rico e poderoso, tenho dinheiro, amigos influentes! Esse parque será construído de qualquer jeito, quer vocês queiram ou não e... ohhh! – uma dor aguda fez com que ele levasse a mão ao peito, gemendo de dor e caindo de joelhos.

Ninguém ali viu que D. Morte estava atrás dele e tinha atravessado-lhe o peito com sua foice. Ângelo também observava, penalizado com a ignorância daquele homem. Daquela vez era para valer e não havia mais volta.

Como nunca tinha presenciado cena parecida, ele ficou olhando com olhos arregalados enquanto D. Morte atravessava o peito dele com sua foice, ignorando totalmente seus gritos de dor.

Quando viram que o caso era grave, Franja decidiu chamar uma ambulância enquanto algumas pessoas tentavam socorrer o homem que gritava de dor.

- D. Morte, precisa disso?

- No caso dele, precisa. Melhor você ir, Ângelo. Fique com seus amigos e com Nina. Agora tudo ficará bem. Deixe que eu cuido dele.

- Beleza então. A gente se vê.

O anjo saiu da sala, para alivio dela que não queria que o rapaz presenciasse certas coisas. Ela forçou ainda mais sua foice no peito do homem até sua ponta aparecer no outro lado, fazendo com que ele se debatesse até cair morto, deixando todos horrorizados. Não havia mais nada a ser feito por ele.

Quando os olhos dele se fecharam, ela atravessou sua mão no corpo dele, fazendo com que seu espírito saísse de forma brusca.

- Muito bem, seu tempo na terra acabou.

Vladmir olhava ao redor, tonto e confuso com tudo aquilo.

- Quem é você? Me solta, eu tenho negócios importantes a tratar!

- Seus negócios acabaram. Agora você tem que vir comigo.

Ele olhou para trás e viu o próprio corpo estirado no chão e entendeu tudo.

- Como é? Aquele ali sou eu?

- Era você, o seu corpo. Seu tempo na terra acabou e você bateu as botas.

- Não! Eu não posso morrer! Por favor, não!!! Eu tenho mulher e filha.

Ela olhou para ele com um sorriso sarcástico.

- Engraçado... agora você lembra que tem família? Um pouco tarde. Agora vamos logo que eu ainda tenho muito o que fazer hoje. – sem esperar resposta, ela o agarrou pelo colarinho e foi arrastando o homem que gritava e se debatia sem conseguir se libertar do aperto férreo da sua mão. Aquele caminho não tinha mais volta.

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Mônica e o resto da turma observava enquanto os paramédicos colocavam a maca com um corpo coberto dentro da ambulância. Quando Franja lhes falou o que tinha acontecido, eles nem acreditaram.

- Eu nem tinha terminado de chamar a ambulância e o cara já tava morto, dá pra acreditar? Parece que ele teve um enfarte fulminante e caiu durinho! Nunca vi nada assim antes!

(Cascão) – Sinistro, cara! Tomara que ele não venha puxar o nosso pé de noite!

(Cebola) – E o prefeito, o que decidiu?

(Franja) – Ele vai mandar os técnicos analisarem o material, mas é certo que ele vai proibir a construção do parque. E com esse cara fora da jogada, tá tudo garantido.

Um repórter tentou se aproximar de Franja e logo foi afugentado pela Denise.

- Sai pra lá que o bofe aqui me deve uma entrevista exclusiva!

- Quê?

- Pensa que vai escapar fácil assim? Você vai me contar tudinho, em todos os detalhes e... GSUIS ME ABANA! – Denise deu um grito olhando para o alto e o resto da turma acabou entendendo seu espanto. Era Ângelo chegando de mãos dadas com Nina e um sorriso abobalhado no rosto.

- Oi, gente... eu... er, nós temos uma coisa pra contar. – ele começou ainda sem jeito e Mônica se adiantou.

- Ô, demorou heim? Pensei que você não fosse se decidir nunca!

Ele teve um sobressalto e Nina se esforçou para segurar uma risadinha.

- Quê? Vocês tinham percebido?

(Marina) – Não é de hoje que você fica olhando para ela com esse olho de peixe morto e babando que nem um são Bernardo. Como é que a gente não ia perceber?

O pessoal deu uma risada enquanto ele esfregava a nuca meio envergonhado. Ele pensava que estava sendo discreto e no entanto o resto da turma já tinha percebido tudo?

(Magali) – Oun, que fofo vocês dois! Ficam lindos juntos!

(Denise) – E não é? Chega mais pra perto do bofe angelical, gatz. Assim! – ela foi tirando fotos com o celular apesar dos protestos de Ângelo. – Hahahaha, hoje é o dia mais feliz da minha vida! Nunca tive tanto babado quente de uma vez só!

Cebola chegou perto deles, um tanto envergonhado e falou com Nina.

- Aí, foi mal tá? Agora eu entendo que você ajudou minha irmã no fim das contas.

- Que bom!

- Sem ressentimentos?

- Claro!

- Ufa!

(Mônica) – E parabéns pela coragem, viu Ângelo? Bom que você, diferente de CERTAS pessoas, foi capaz de tomar uma decisão.

Cebola virou o rosto para o lado, fingindo não saber do que a Mônica estava falando.

- Então é isso, pessoal. A gente vai nessa. – gritinhos e risos ecoaram pelo ar, deixando o casal com o rosto vermelho como pimentão. Será que eles só pensavam em besteira? Se bem que os pensamentos dele também não estavam nem um pouco angelicais...

Depois de se despedirem e de Nina agradecer várias vezes a ajuda deles, os dois foram embora, deixando todos ali com aquela gostosa sensação de dever cumprido. A batalha tinha sido difícil, mas valeu a pena e eles sabiam que daquela vez a vitória era certa.

Antes que Franja pudesse fugir dali, Denise pegou seu braço e foi arrastando o rapaz pela rua enquanto tagarelava sem parar, fazendo várias perguntas e gravando tudo para publicar depois. Com as imagens, gravações e entrevistas que ela tinha conseguido naquele dia, havia grande probabilidade de o servidor acabar não suportando a quantidade de acessos que seu blog ia ter com tantas novidades.

O resto da turma também foi se dispersando e Mônica foi embora junto com Cebola, Magali e Cascão, todos comentando alegremente sobre aquele dia. Apesar de não estarem felizes com a morte daquele sujeito, eles ficaram aliviados ao saberem que a casa da Nina e das outras ninfas estava salva.



Notas finais do capítulo

E aí, o que acharam? Ficou meio longo, mas achei meio sem jeito dividir em dois.



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