Consequências - Fred E Hermione escrita por penelope_bloom


Capítulo 15
Reunião de Rapazes


Notas iniciais do capítulo

Não vou fazer a saudação da Penny por que é muito comprida.
*Lumus*
Bem mais fácil. Então galerinha macanuda, o Cap saiu com uma horinha de atraso, mas saiu. Mal gente tava jogando perdi a Hora x___________x
Enfim, e culpem também a Frappuccina Da Emma, fiquei lendo Ignorance is your new Best Friend e me perdi. MERLIN QUE FIC BOA, SUPER RECOMENDO. Pra quem curte Dramione he he he
De qualquer modo qualquer dúvida sobre a fic vocês podem falar com a Pen aqui: http://ask.fm/PandaMKS
Aproveitem




QUINZE:


Ela não lembrava sequer que era uma bruxa! Diga-me senhor, o que diabos eu fiz para merecer isso hein?

Seja homem, desça aqui e me quebre o nariz, me arranque um braço, mas pare de me torturar me fazendo assistir enquanto minha noiva se derrete por esse loiro aguado. As vezes eu acho que você é uma mulher sabe, daquelas bem rancorosas e vingativas, que não perdoam um errinho do sexo masculino!

[N/A: Calúnia, não sou assim!]

– Isso é impossível. – ela dizia tremendo com uma toalha na frente do peito.

Ela tinha caído na nossa fonte. E adivinhem: a fonte realmente estava cheia de sanguessugas.

Ela caiu na fonte e apagou, ficou ali boiando, e o tempo que eu demorei a tirá-la de lá algumas coisinhas asquerosas tinham se grudado nela. Eu e Nick a trouxemos para dentro. Quando acordou tentou fugir de novo, até que Nick finalmente conseguiu acalmá-la.

E agora, aqui está ela, sem blusa, apenas coberta com uma toalha enquanto eu tiro as sanguessugas de suas costas e Nick segura as suas mão enquanto tenta convencê-la de que realmente é uma bruxa.

Na minha opinião aquela mão ali é BEM desnecessária.

– Pronto. – eu disse removendo a última sanguessuga.

Nicolas jogou um cobertor ao redor dela.

– Obrigada Nick. – ela disse simplesmente me ignorando.

Eu sei que ela estava mal das ideias, tinha passado por muita coisa, mas eu simplesmente não conseguia ficar calmo e ser paciente. Não aceitava que ela simplesmente tivesse acordado e me esquecido e agora estivesse ai, babando por um pirralho de 12 anos.


“14”

“Tanto faz! Ela tem idade para ser mãe dele!”

“Ah sim, ela engravidou com quatro anos!”

“Você é minha consciência, devia estar do meu lado não?!”

“HAHAHAHAHA ah querido, até parece. Estou aqui para dizer a verdade.”

“Nesse caso, por favor, vá pro inferno e não me incomode.”

“Me obrigue.”

“Filha da...”


– Obrigada também... Fred. – Hermione disse interrompendo minha discussão ligeiramente esquizofrênica.

Aquilo me desconcertou um pouco. Eu tinha sido horrível, o pior noivo que se pode imaginar, mas eu simplesmente perco o controle perto dela. Quer dizer, não tem justificativa, mas eu senti que a estava perdendo e perdi o controle.

Eu me senti tão mal por ser tratado friamente por ela. Me machucou tanto, quando estava naquela maldita biblioteca eu só queria que ela sentisse na pele o que eu estava sentindo. Sentir que estava me perdendo e que não podia fazer nada.


“Mas que grande babaca. Sua lógica é horrível! Faça um favor para todos e não pense mais, deixe que Hermione tome as decisões daqui pra frente”

“Fácil julgar, você está de fora”

“Dane-se! Você continua ridiculamente errado.”

“Ora vá se fud...”


– Como vamos fazer com as camas hoje? – Nicolas indagou coçando o nariz.

– Eu durmo com você. – Hermione grudou no braço do loiro.


“Conte até três... Não mate esse loiro pirralho”

“Perdeu a garota pra um pirralho de 12 anooos!” minha consciência veio me azucrinar.

“14!”


– Olha Hermione, eu realmente ia adorar, mas... – o loiro disse desviando o olhar. – Eu acho que você devia dormir com o Fred.

– Quê? – eu e Hermione indagamos.

Filho da puta! Rouba minha namorada e ainda vem bancar o legal! Como eu detesto esse loiro babaca.

– Sem maldade – ele disse me encarando como se lesse meus pensamentos – durma com ela hoje, a cama dela, o quarto dela, quem sabe ela se lembra de algo.

– Mas... – Hermione começou a indagar.

– Colocarei um colchão para você do lado da cama, Nick. Ela tem pesadelos, pode precisar de você de noite. – eu disse abaixando o rosto.

Sem deixar que eles questionassem, dei as costas e fui arrumar o quarto. Não suportava aquilo, queria minha Hermione de volta, pela primeira vez em muito tempo me senti... Sozinho.

***

– Você vai dormir assim?! – eu senti meu rosto ficar roxo.

Entrei no quarto. Tinha tomado um longo banho quente pelo menos a dor de cabeça tinha diminuído, vinha toda inocente secando meu cabelo pelo corredor e quando entro no quarto eis que está um ruivo semi-nu na cama de casal.

– Sempre durmo assim... – ele deu um minúsculo sorrisinho – você nunca reclamou.

– Mentira... – eu disse espremendo os olhos – eu sempre reclamo.

Não sabia como eu sabia. Mas eu sabia.

O ruivo deu uma risada curta.

– Me pegou. – ele ergueu os braços.

Nicolas estava esfregando os olhos de sono, estava de pijama e sorria para mim, estava deitado em um colchão do lado da cama, ao meu lado. Larguei a toalha sobre a escrivaninha e fui me deitar ao lado do ruivo, mas me virei de frente para o loiro.

Eles apagaram a luz, não sei como. Mágica?

Eu não acredito que sou uma bruxa. Quer dizer, isso tudo realmente existe! É impossível, mas existe. Ou então eu devo ter batido a cabeça com mais força do que pensei.

Eu realmente era comprometida com o ruivo. E ele tinha me magoado. Eu não sabia como, nem por que, mas eu tinha até terminado com ele. E pelo que eu tinha lembrado ele tinha feito algo ruim, realmente ruim e eu estava muito decepcionada com ele. Mas por outro lado, eu estava com raiva, e a intensidade da lembrança fez com que eu balançasse. O que eu sentia pelo ruivo era muito forte. Já tinha sido muito forte. A princípio pensei em jogar na cara dele e acabar com aquela farsa, mas então pensei melhor. Coitado. Perdeu a mulher e o filho. Eu nunca mais vou ficar com ele novamente, vou me afastar dele aos poucos. Quem sabe possamos ser amigos.

Eu não sei, sinto como se quisesse esquecer que terminei com ele. Machuca-me de um jeito que eu não entendo... Mas também não quero voltar com ele ou algo do gênero.

Vou entregar esse filho para ela criar, não quero nada com esse bebê. Eu não sei como eu costumava ser, mas eu sei que eu definitivamente não quero um filho.

Estava deitada de bruços, observava o loiro deitado logo abaixo de mim. Estiquei minha mão e enlacei nossos dedos. Gostava do Nick. Era estranho, mas eu gostava muito dele.

Com minha cabeça dando um nó, aos poucos o banho foi surtindo efeito e eu em poucos minutos adormeci.

Mãos dadas ao loiro. O mais longe possível do ruivo.

***


O ar voltava a se movimentar daquele jeito estranho, ofídico, frio, viscoso, enrolava-se pelo meu corpo, e aquela textura familiar de arame se agravou, era real estava ali, se enrolando pelo meu corpo, queimando meu sangue, matando quem eu era. Palavras em latim, sussurradas chegavam até mim, e a ardência crescia, até que ele estava sussurrando no meu ouvido:


Eu vou te achar. Vamos nos encontrar e você vai ser minha.

Não fuja.

Não se esconda.

Você é minha.

Seu filho é meu.

Minha Hermione...


– ... Hermione! – um grito sussurrado chegou até mim acompanhado de um chacoalhar de ombros. – foi só um pesadelo.

Abri os olhos confusa, perdida, assustada.

– Nicolas?

– Fred. – o ruivo disse rouco, sequer se irritou por eu ter chamado pelo loiro. – você estava tendo um pesadelo.

– Sim. Desculpe te acordar. – eu pisquei algumas vezes, tentando evitar o escuro do quarto.

– Tudo bem. – ele sorriu no escuro. – já estou acostumado.

O escuro começou a me irritar, um medo insano se apoderava de mim, e quando dei por mim eu estava quase me enterrando nas cobertas.

– Você tem medo de escuro. – o ruivo deitou-se de frente para mim. – Finjo que não sei, pois você é muito orgulhosa, mas já vi você sair correndo depois de apagar a luz várias vezes. Pula na cama e se esconde.

– Que patético. – eu disse revirando os olhos. Eu era tão ridícula?

– Não é patético. – ele disse irritado, como se eu estivesse falando mal de algum amigo dele – você foi torturada por um bruxo terrível, o pior já conhecido! Ele forçava visões em você, você quase ficou louca. Eu diria que medo de escuro é uma sequela razoável.

– Por que eu fui torturada? – eu disse ainda escondida entre as cobertas.

– Te contarei tudo com calma um dia. – ele disse se aproximando de mim.

– Hey...

– Calma, isso costumava acalmar você. – ele disse sonolento.

Sem falar muito mais se aproximou e levantou minha cabeça, fazendo com que eu usasse seu ombro de travesseiro.

Aquilo foi terrivelmente familiar, e sem que ele fizesse mais nada eu me encaixei nele. Braços encolhidos e pernas enroladas enquanto ele passava o dedo pelo meu braço. Aquilo me parecia certo. Pela primeira vez algo fazia sentido, era completamente natural, completamente confortável.

– Boa Noite Analista.

Não entendi a piada. Acho que eu devia responder algo, mas no momento eu estava muito concentrada em sentir como se estivesse me desintoxicando, me senti protegida.

– É, ia ser bom demais se você se lembrasse disso também, mas uma coisa de cada vez. – ele disse ainda rouco.

– Lembrar-me do que? – indaguei.

– Tínhamos uma brincadeira. Eu te chamava de analista, e você me chamava de físico. Nós não temos isso no mundo bruxo, e quando indaguei o que significava, você me disse que eram pessoas que trocavam serviços sexuais por dinheiro.

– E era assim que nos chamávamos?

– Era uma piada interna nossa. – ele deu de ombros.

Achei aquilo fofo. Obviamente não disse nada. Não queria dar muita trela para o ruivo, eu já estava em uma posição deveras vulnerável. E estuprável.

– Então boa noite Analista. – eu disse me aconchegando mais nele, e mentalmente me odiando por me derreter tão fácil perto dele.

– Não. – ele sorriu. – eu sou o Físico.

– Ok ok. – eu revirei os olhos. Muito complicado aquilo tudo. – Boa noite Físico.

– Boa noite Analista. – ele disse e eu pude sentir que ele estava sorrindo.

Um impulso lá dentro gritou por um beijo no alto da cabeça. Reprimi-o. Não queria contato com o ruivo. Não queria nada com ele.


“Eu sei que você quer um beijo dele.”

“Não enche.”


***

– Por que só semana que vem?!

– Por que não podemos simplesmente arrastar seus pais de volta da Austrália.

– O que eles estão fazendo lá mesmo? - eu disse irritada.

– Hermione, quando você saiu comigo e com Rony para caçar Horcruxes – Harry explicava pacientemente – Você não queria que seus pais ficassem vulneráveis então você alterou as memórias deles, tirou você e todo mundo bruxo da mente deles...

O que diabos era uma Horcrux? Nevermind, depois eu pergunto pra alguém.

– E mandei-os para a Austrália para ficarem em segurança... – eu disse sentindo uma coçeirinha no fundo da minha mente. Acho que me lembrava vagamente daquilo.

– Certo. – Minerva disse abrindo a porta de sua sala. – Harry, leve a senhorita Granger para o dormitório e peça para que Gina ajude-a com suas malas. Qualquer coisa que precisar senhorita, este é meu escritório, não hesite em vir me procurar.

– Obrigada diretora.

Hoje de manha eu acordei e estava embolada com o ruivo na cama, quase tive um surto e foi mais um escândalo. Tomamos café e logo depois viemos para Hog... Hogwad... Enfim, essa que costumava ser minha escola.

Cara, eu estudava em um castelo!

Quando eu passo, as pessoas me reverenciam como se eu fosse uma figura importante, algumas vem falar comigo, outras ajeitam os uniformes e outras me lançam olhares odiosos.

Fred teve que ir sei lá onde, Nicolas foi conversar com a irmã – e depois de muito esforço eu consegui desgrudar de seu braço – e me deixou aqui com Minerva, que chamou Harry para me ajudar a me adaptar. Re-adaptar.

Era tudo muito surreal para mim. Minha memória continuava horrível, mas durante a noite eu me lembrei de todos os filmes que já vi na vida – pelo menos eu acho.

– Hein?! – o moreno me cutucou.

– O que?

– Você nem se lembra do salão da grifinória?

– Não... Não me lembro de nada. Já disse Harry! – aquilo me irritava. De cinco em cinco minutos: lembra disso? E disso? Nem disso? Como você lembra do Nick mas não lembra disso?

NÃO SEI!

Eu só quero meus pais. Nada mais.

– Hermione! – Harry disse irritado novamente.

– Hã?

– Dá pra você prestar atenção no que eu digo? – ele bufou. Abriu um sorrisinho e deu um peteleco na minha testa. – A senha é Trasgo.

– Senha do quê? – eu indaguei.

Estávamos agora no final de uma escada em frente a inúmeros quadros que se mexiam. Uma tela de televisão provavelmente... Criativo.

– Para a entrada do nosso salão comunal. Você não pode dizer para ninguém que não seja da Grifinória ok?

– Como vou saber quem é da Grifinólia, quem não é?

– As pessoas da GrifinóRia – ele enfatizou bem o R – usam uniformes como esse. – ele abriu os braços. Todos os uniformes são iguais, mas a nossa cor é vermelha.

– Certo. Eu sou uma vermelha... Mas eu não posso mudar?

– O que... Claro que não! O chapéu seletor te escolheu. Você é uma Grifinória orgulhosa... Mudar... Que absurdo, não repita mais isso. – ele realmente ficou aborrecido com meu comentário.

– Hermione, bem vinda de volta querida, ah eu estava com saudades, você abandonou a reforma, os elfos ficaram perdidos sem você.

Eu olhei para o quadro em minha frente.

– Como... O que... – eu gaguejei.

– Ah, esqueci de falar. Os quadros são quase como pessoas vivas...

– Quase?! – a gorducha reclamou.

– Os quadros... São... O que...?

– Magia. – Harry esclareceu.

– Isso tudo não tem a menor lógica. – reclamei.

– Magia. – ele reforçou.

– ... E como você se sentira se eu disse, este é Harry Potter ele é quase gente! – A mulher dentro do quadro continuava tagarelando, brava com o comentário do moreno.

– Desculpe, não foi minha intenção... – Harry tentava se desculpar. – É que... – ele olhou para mim – Ora... Trasgo!

– Mas que falta de educação... – ela se interrompeu e olhou para mim – por que você está explicando uma coisa dessas para a Hermione?

– P-por que... Trasgo! Vamos logo, estamos atrasados.


Por onde andávamos cabeças se viravam em nossa direção. Até que encontrei finalmente o rosto que estivera procurando o dia inteiro.

– Mione! – seus olhos azuis sorriram.

– Nick! – abracei-o sentindo aquela segurança me acolher.

– Como foi seu dia? – ele disse sorrindo.

– Confuso. São muitas coisas para assimilar. Mas Harry me ajudou.

– Ela ainda sabe muito. A maioria dos feitiços está salvo nela, como se ela tivesse feito um beck up ou algo assim.

– É mecânico, não sei como consegui fazer tudo isso. – dei de ombros. – eu só sei o que tenho que fazer...

– Nem com a memória de um peixinho dourado você deixa de ser uma sabe-tudo hein? – Nicolas tocou a ponta do meu nariz.

Apertei mais a sua cintura e sorri.

– Não tenho memória de peixinho dourado!

– Meu peixinho dourado... – Nicolas disse beijando minha testa.

Eu e Harry rimos. Embora o sorriso de Harry fosse um pouco mais amarelo e sem graça.

***

– Meu peixinho dourado. – o loiro disse beijando a testa dela.

– É. É isso aí. Jorge, Lino, foi um prazer, me visitem em Azkaban, eu vou matar esse moleque! – dei um passo em direção a eles. Harry me viu de lance de olho e estava mais verde que sei lá o que.

Jorge segurou meu braço. Lino segurou o outro.

– Tudo bem peixinho dourado foi horrível. – meu gêmeo concordou.

– Mas esse tempo longe de nós te deixou afetado não é mesmo, Freboboca? – Lino sorriu afrouxando o aperto em meu braço e escorregando-o sua mão pelo meu ombro dando-me tapinhas no braço.

– Sim, ele está indo longe demais. Ela é a sua Mina mano... Não podemos deixar isso do jeito que está... – Jorge compartilhou o sorriso de Lino.

– Está mais do que na hora... – Lino continuou.

– ...De uma reunião de rapazes. – concluí.


***

Meu sorriso diminuiu assim que eu vi aqueles dois gêmeos e o professor de esportes – que nem de longe parecia professor – vindo em nossa direção.

Apertei a barra da camisa do loiro.

– Calma. – ele disse segurando minha mão me tranquilizando.

Os três então sincronizadamente olharam para mim. De um jeito... Familiar...

– “Em caso de sorriso Weasley, mascaras de oxigênio cairão automaticamente, reze para dar tempo de fugir pelas saídas de emergência, localizadas nas partes dianteiras e traseiras desta aeronave. Seu acento é flutuante.” – falei baixinho tirando aquilo de algum lugar da memória.

– O que? – Harry e Nick me olharam confusos.

– Não sei. – eu dei risada. Por algum motivo aquilo era muito divertido para mim. O trio calafrio já tinha ido embora, mas eu ainda ria dos seus sorrisos. – Eles vão aprontar Harry!

– Diga algo que eu não saiba. – Harry riu dando de ombros.

– É a fama deles. – Nick deu de ombros.

– Sério?

Os dois fizeram que sim, com vontade até demais.

Dei de ombros, tudo que eu tinha que fazer era me manter longe de encrenca, com Nick ao meu lado. Tudo acabaria bem...

Não é mesmo?

“Sonhe querida, sonhe...”

***

Juramos solenemente que não vamos fazer nada bom. – as vozes em uníssono ecoaram para a parede.

Não, não era a sala precisa, era apenas uma sala esquecida perto das masmorras onde Jorge, eu e Lino costumávamos aperfeiçoar os brinquedos da loja.

A porta se revelou entre as teias de aranha e se abriu soltando aquele velho sussurro assustador. Era uma sala sentimental, que eu e Jorge descobrimos por acaso no quarto ano.

Era dessas casas que muitos filmes trouxas falam. São chamadas de mal-assombradas erroneamente. Dengosa era a sala mais... Dengosa de todas.

– Desculpe Dengosa. – eu acariciei as paredes enquanto entrava. – Muito aconteceu, fiquei feliz por você não ter sido destruída.

– Sentimos sua falta. – Lino disse abrindo as janelas.

– Desculpe por termos te abandonado. – Jorge disse sacudindo os mantos empoeirados das poltronas.

Um outro suspiro orgulhoso ecoou das paredes.

– Vamos, não seja assim Dengosa... –Lino disse colocando as mãos na cintura.

– Para recompensar nossa falha... – Jorge começou.

– ... Que tal uma pintura nova? – Eu disse sorrindo. – Aquele roxo que você sempre quis hein?

A sala começou a se estralar inteira, animada com um uma pintura nova.

– Eu disse que era uma sala fêmea. – Lino revirou os olhos.

– Sala fêmea? Isso lá existe?! – Jorge bufou.

A sala rangeu como se pigarreasse.

– Por que uma sala com sentimentos é mesmo muito comum. Para ela ser fêmea está a uma camisa de força... – ri abraçando a parede.

– Certo. Vamos ao que interessa! Dengosa, se quiser opinar sinta-se livre, esse caso precisa de toda ajuda que conseguirmos... – Lino sentou-se na ponta da mesa retangular de mogno.

Eu me sentei em meu lugar habitual enquanto Jorge pigarreava.

– Lino... Esse é o meu lugar. – Jorge cruzou os braços.

Lino resmungou e se levantou emburrado.

– Nunca me deixa sentar na ponta... Ditador... – ele xingou enquanto se sentava a direita de Jorge.

– Certo, esta reunião está oficialmente iniciada, o que for falado nesta sala, permanece aqui. – Jorge fez sua abertura costumeira.

– O que aqui for concordado sacramentado está. – Lino completou.

– Amém? – eu olhei com estranheza aquela cena. Há meses não nos reuníamos aqui...

– Precisamos arrumar uma fala para você Fred. – Jorge estreitou os olhos.

– Urgente. – Lino concordou.

A sala rangeu novamente, nos chamando atenção.

– Sim, a Dengosa tem razão. Isso é coisa para uma próxima reunião. – Jorge se aprumou.

– Obrigado Dengosa. – concordei.

– A questão em pauta é: Como lidar com a falta de memória da Noiva do Fred? – Jorge trocou um olhar com Lino.

– E como lidar com o Loiro oportunista... – eu disse me lembrando do loiro beijando a testa da minha garota.

– Antes que suas dores de cabeça se tornem frequente... – Lino deu uma risadinha massageando a própria testa.

A ideia do loiro encostando aquela boca nojenta na boca da minha namorada me fez ficar ligeiramente febril. Um instinto assassino se revelou e eu me peguei imaginando umas trinta maneiras diferentes de matar o pirralho. Quando dei por mim estava segurando Lino pelo colarinho, os nós dos dedos brancos e o maxilar trincado.

– Não faça piada com isso Lino. – eu rosnei entre dentes.

– Woa, calma... – Jorge colocou a mão no meu ombro – Lino, cala a boca...

Sentei-me novamente, sentindo uma tristeza substituir a raiva.

– Mas tecnicamente ela não é mais minha noiva. Ela terminou comigo logo antes de ser atingida pelo feitiço. – eu disse sentindo meu peito se contorcer em desespero.

– Ela sabe disso? – Lino perguntou.

– Não...

– Então ótimo – Jorge disse cruzando os dedos. – A questão é Fred, você e a Hermione começaram do zero...

– E não começaram lá muito bem... – Lino completou.

Lancei-lhe um olhar de: É MESMO? NÃO ME DIGA! GÊNIO! ALGUÉM DÊ UM NOBEL PARA ESSE RAPAZ!

– Você vai ter que começar do Zero. Da nossa aposta lembra? – Jorge sorriu.

– Você tem que reconquistar ela. – Lino sorriu.

– Mas... Ela me odeia, ela não me conhece, me acha um tarado irresponsável.

– Como se ela não achasse isso antes de vocês começassem a namorar. – Lino revirou os olhos.

Eu queria dar um soco no Lino, mas percebi que ele estava certo.

– Mas como eu vou fazer isso? Tem o Nick... E ela está grávida... E acha que eu a estuprei...

– Detalhes, detalhes... – Lino disse como se tudo não passasse de um cadarço desamarrado.

– Dessa vez você vai ter o melhor par de cupidos da Europa! – Jorge se empolgou.

– Do mundo! – Lino e Jorge ficaram de pé e se abraçaram.

– To Fudi...

TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM

O sinal tocou. Eu e Jorge tínhamos vindo ajudar nesse primeiro mês em Hogwarts, éramos os monitores gerais de todas as casas. Mas infelizmente tínhamos que assistir algumas aulas para ficar de olho na galera.

– Poções? – Olhei pesaroso para Jorge.

– Poções.

– Ah, eu vou tomar um cafezinho na sala dos professores. – Lino se espreguiçou sorridente.

Eu apenas estreitei o olhar para Jorge.

Ele contou em silêncio: 1, 2, 3!

Eu e ele pulamos em Lino enquanto o torturávamos com cotonete molhado, esfregando-lhe couro cabeludo e apertando suas bochechas.

Dengosa tinha certo ataque de riso fazendo com que as janelas batessem e um barulho agudo rangesse nas paredes.



Notas finais do capítulo

L:Pronto, aproveitem que agr só no fim de semana x_x e nada de sair me entregando pra Pen que eu postei capítulo mais cedo do que devia D:
Aguardem o próximo capítulo com os ventiladores ligados senhoritas, terá um pouco de fremione he he he
de novo: qualquer coisa é só perguntar: http://ask.fm/PandaMKS
*nox*