Harry Potter e o Estigma da Serpente escrita por JMFlamel


Capítulo 27
O PALÁCio DE Gelo


Notas iniciais do capítulo

Dos confins do Ártico, "Escuridão" traça novos planos. Em Hogwarts, Albert Pettigrew tem uma estarrecedora revelação.



CAPÍTULO 26

 

O PALÁCIO DE GELO

A branca planície, varrida por ventos congelantes, estendia-se a perder de vista, silenciosa e brilhante à luz do sol. De repente, através de uma abertura um focinho cheirou o ar, logo seguido por uma cabeça, que olhou em todas as direções. Sentindo-se segura, a foca emergiu inteiramente do buraco e afastou-se alguns metros. Foram os seus últimos.

A patada atingiu sua cabeça, imediatamente quebrando seu pescoço e deixando-a caída sobre a neve e o gelo.

O urso polar, uma fêmea que estivera ali todo o tempo e se aproximara silenciosamente, escondendo com as patas dianteiras seu focinho, única parte preta em seu grande corpo branco, aproximou-se e abocanhou a foca morta, levando-a dali em direção a um lugar protegido onde seus dois filhotes esperavam. Quando a mãe chegou com a refeição, os dois ursinhos grunhiram alegremente, pois estavam com fome.

A família de ursos ocupava-se de devorar a foca, quando um ruído a pouca distância dali fez com que interrompessem o que faziam e voltassem as cabeças para a direção de onde o ruído vinha.

O gelo rachou e permitiu que emergisse um enorme charuto de aço negro, com uma torre na qual um quadrado branco com um círculo negro estava pintado. Uma escotilha se abriu e deu passagem a três pessoas, pesadamente agasalhadas. Uma delas retirou os óculos de neve por um momento, piscando seus olhos verdes devido à reverberação da luz do sol sobre o gelo e recolocando-os, logo em seguida.

Escuridão”.

—Mas tu és cheio de surpresas, meu querido. _ Quem poderia imaginar que viríamos para cá, próximo ao Pólo Norte, ora pois. _ disse uma das outras duas, com seu sotaque lusitano.

Mariana Lugoma.

—Sem contar que o nosso transporte está sendo algo de bastante incomum. Como foi que conseguiu um submarino nuclear russo classe Typhoon? _ perguntou a terceira pessoa, que não era ninguém memos do que “Sombra”.

—Não foi lá muito fácil. Após o fim da União Soviética, três foram retirados de serviço e desmantelados, um teve sua construção cancelada e dois foram colocados em reserva, permanecendo apenas um em atividade, para testes. Só que, na verdade, um deles não foi desmantelado. Uma generosa soma nas mãos certas, na época em que o Círculo Sombrio ainda era liderado pelo “Planejador”, fez com que um deles, mais especificamente o TK12 “Simbirsk”, misteriosamente “desaparecesse”, constando nos registros o seu desmonte. Desde então ele tem sido utilizado para transporte de contrabando, principalmente drogas, ao redor do mundo. Porém, graças ao maldito “Testa Rachada”, o tráfico de drogas do Círculo foi reduzido a praticamente zero e o submarino ficou parado por um bom tempo até agora, pois estou a pensar em uma boa utilidade para ele, um plano em nível mundial que aproveitará suas capacidades.

—Chantagem atômica, “Escuridão”? _ perguntou “Sombra”.

—Mais ou menos, minha cara. _ respondeu o bruxo.

—Como assim, “mais ou menos”, ó pá? _ perguntou Mariana _ Este submarino não está carregado de mísseis SS-N-16 “Stallion”/RPK-6/7 e SS-N-20 “Sturgeon” /3M20?

—Sim, está. _ respondeu “Escuridão”, com tranqüilidade.

—Mas, então?

—E quem disse que as ogivas precisam ser nucleares?

—Como assim? _ perguntou “Sombra”.

—Gosto deste mundo bem assim como está, muito obrigado. _ disse o bruxo, com um sorriso maligno _ Além disso, uma chantagem atômica sempre tem o risco de alguma potência ter um maluco que queira reagir, apertando o botão e mandando tudo pelos ares. De que vale dominar sobre uma terra devastada? E no caso de um holocausto nuclear, sobre quem dominaríamos, caso sobrevivêssemos? Sobre baratas? Escorpiões? Mutantes radioativos que por acaso sobrevivessem? Não, não mesmo. Mandei que todas as ogivas nucleares fossem desativadas e recolocadas nos mísseis, depois do material físsil haver sido removido. Elas servirão a outros propósitos.

—Para alguém que foi um Death Eater da velha guarda, você está bem à vontade com a tecnologia trouxa. _ disse “Sombra”.

—A gente tem de evoluir com os tempos, minha cara. _ disse “Escuridão”, novamente sorrindo _ Prova disso é que mantivemos as atividades dos laboratórios, mesmo depois daquele maldito Harry Potter estragar os nossos planos em Xangai e em Londres, obtendo o antídoto para o vírus “Inferno 300” (*VER A FIC “HARRY POTTER E O CÍRCULO SOMBRIO”, CAPÍTULOS “CHANTAGEM BIOLÓGICA” E “O COLAR MUDA DE MÃOS”). E pensando nisso, transferi a central de comando do Círculo Sombrio para um lugar bem protegido e distante.

—Onde? _ perguntou Mariana.

—Aqui mesmo, ora. _ respondeu “Escuridão”.

—Mas estamos bem no meio do Círculo Polar Ártico! _ espantou-se “Sombra”.

—Quer um lugar melhor? _ redarguiu “Escuridão”, sacando a varinha e fazendo um gesto.

O espaço aparentemente vazio da planície de gelo à frente do submarino se modificou, deixando ver um lago parcialmente congelado que terminava em um rochedo, no alto do qual havia um castelo.

—Mas que lugar é esse, querido? _ perguntou Mariana.

—Vamos descer e submergir. Quando chegarmos, eu lhes contarei tudo.

Entraram e fecharam a escotilha, descendo a escada até a ponte de comando. Uma sirene soou e o enorme submarino nuclear submergiu. Os três bruxos retiraram os agasalhos e assumiram seus postos. Todos da tripulação vestiam uniformes de submarinistas, botas de couro, calças pretas com uma faixa branca nas pernas e jaquetas de cor branca, com uma faixa preta vertical do lado esquerdo, a qual abria-se na altura do peito em um escudo redondo de fundo branco, com um círculo negro. A diferenciação hierárquica era feita pelas faixas pretas no ombro direito e nos punhos das mangas. “Escuridão, Mariana e “Sombra” tinham quatro cheias. Os demais tinham de três para menos, conforme o posto ou graduação, baseando-se na hierarquia da Marinha Americana.

O submarino deslocou-se abaixo da superfície do lago, até uma porta de aço na rocha, que se abriu e permitiu que navegassem por um túnel submerso, até chegarem ao seu final, quando emergiram em uma gigantesca doca, perfeitamente oculta no interior do rochedo. A tripulação desembarcou e os três entraram em um elevador privativo, que dava acesso ao setor de comando e aposentos.

—Mas como pode um lugar como este existir sem ser detectado? É maior até mesmo do que Azkaban. _ disse Mariana.

—É verdade. _ concordou “Escuridão” _ Uma estrutura deste tamanho demandaria um Feitiço de Ocultamento bem mais forte do que o utilizado na ilha-prisão de Azkaban, mas eu encontrei a solução, em um dos volumes do Necronomicon.

—E qual foi? _ perguntou “Sombra”.

—A base de operações fica em uma dimensão diferente, semelhante à ilha sagrada de Avalon. Sem o feitiço para expor a passagem, uma pessoa pode vagar por todo o Círculo Polar Ártico sem encontrar o menor sinal do lago, do rochedo ou do castelo. Com o feitiço, a passagem se abre e passamos para este lugar.

—Como se fossem as sacerdotisas de Avalon, afastando as brumas.

—Exato, Mariana. De forma lenta e contínua, transferi para cá o centro nervoso do Círculo Sombrio. É um lugar de quase total segurança, de onde podemos controlar todas as atividades, deixando lá fora as bases de média e baixa importância. Esta era a surpresa que eu tinha, nem para vocês eu disse o que estava fazendo e agora nós podemos dirigir a organização com calma e fortalecê-la, sem medo de Aurores, Serviços de Segurança trouxas ou de quem quer que seja.

—Assim eu me sinto como se fizesse parte de um grupo de vilões de um filme de 007. Uma base secreta, uniformes e um plano. _ comentou “Sombra”.

—Na verdade estes uniformes são para quando utilizarmos o submarino. E creio que, em um futuro próximo, ele será bem utilizado. _ disse “Escuridão” _ E eu realmente me inspirei nos filmes.

—Que nome foi dado a este lugar, querido? _ perguntou Mariana.

—Pensei em vários nomes. “Palácio de Gelo” foi um deles. Também pensei em “Fortaleza da Solidão”, já que tanto o refúgio do Superman quanto o de Doc Savage ficavam no Ártico e tinham esse nome. Pensei também em “Nova Asgard”, mas o que mais me seduziu e pelo qual me decidi foi “Cidadela de Bóreas”. O que vocês acharam?

—Tudo a ver. Bóreas, o Vento Norte. _ comentou “Sombra”.

—Está excelente, querido. _ disse Mariana.

—E o laboratório de Toxicologia, Bioquímica e Virologia também foi transferido para cá. Venham ver o nosso novo projeto. _ disse “Escuridão”, conduzindo Mariana e “Sombra” até uma câmara onde vestiram roupas de proteção com vedação total e colocaram respiradores de circuito fechado.

Adentrando o laboratório, “Escuridão” dirigiu-se ao chefe da equipe, um toxicologista armênio, chamado Vladek Ardonian, cujas pesquisas com aplicação bélica de gases tóxicos haviam acabado por torná-lo alguém com a cabeça a prêmio em cerca de uma dúzia de países.

—E então, Dr. Ardonian? _ perguntou “Escuridão” _ Como vão os preparativos para a “Operação Peixes-No-Barril”?

—Tudo corre de acordo com o planejado, “Escuridão”. _ disse o cientista proscrito, com uma pequena reverência _ O composto está pronto para ser testado, bem como o antídoto.

—Alguma dificuldade? _ perguntou “Escuridão”.

—Mais ou menos. O mais interessante é o fato de ter sido preciso utilizar métodos antigos para que o composto e o antídoto funcionassem. Mas as instruções eram bastante precisas e não tivemos problemas. Vamos assistir ao teste?

—Vamos. _ disse “Escuridão” _ Estou curioso para ver o resultado dos métodos clássicos, aliados ao seu já conhecido talento, Dr. Ardonian.

No laboratório, duas caixas de vidro tinham vários ratos dentro. Ambas estavam ligadas a dutos de ventilação que se comunicavam com uma câmara na qual dois cilindros continham pequenas esferas, um deles com esferas verdes e o outro com esferas vermelhas.

—Bem, deixemos que o processo fale por si. Obedecendo às instruções, até mesmo o acionamento do dispositivo deve obedecer aos métodos e utilizando os materiais especificados. Graças ao último dispositivo que encontrava-se na Miskatonic e foi trazido pelo Sr. Jansen, o processo foi finalizado e poderemos proceder ao teste. Ambas as caixas comunicam-se com a câmara na qual o composto encontra-se inerte nos cilindros. Na caixa Nº 1, nenhum dos ratos recebeu o antídoto, enquanto que na caixa Nº 2 três ratos o receberam. Agora vamos acionar remotamente o dispositivo.

Ardonian pegou uma caixinha metálica e apertou um botão. No dispositivo da câmara, o objeto que Jansen havia trazido de Arkham emitiu uma faísca e duas antenas passaram a trocar centelhas entre si, como uma bobina Tesla. Um duto conduzia água até os cilindros e, à medida que a água molhava as esferas, elas começavam a se dissolver e liberar um gás com a sua cor que subia por outro tubo, até que os dois se uniram em um só. Os gases em vermelho e verde tornaram-se um só, incolor, que prosseguiu até que o tubo se bifurcou, unindo-se aos dutos de ventilação de cada caixa de vidro.

—O resultado demora? _ perguntou Mariana.

—Quase nada, Srta. Lugoma. Vejam só.

Assim que o gás incolor penetrou nas caixas, os resultados puderam ser vistos. Na caixa Nº 1, todos os dez ratos caíram duros após alguns segundos. Na caixa Nº 2 três permaneceram sem apresentar nenhum tipo de problema, enquanto os outros sete morreram, iguais aos da outra caixa.

—Fantástico, Dr. Ardonian. _ disse “Escuridão” _ O efeito será o mesmo em humanos?

—Certamente, “Escuridão”. _ respondeu Ardonian _ E não adiantará nada o alvo prender a respiração, pois o gás também é absorvido pela pele.

—Sabia que estes trajes herméticos e os respiradores de circuito fechado não eram para enfeite. _ disse “Sombra”, preocupada _ E qual é o mecanismo de ação do gás, Dr. Ardonian?

—Os dois componentes separados são inertes. Quando molhados, evaporam e, ao se combinarem, formam um gás incolor e inodoro, extremamente letal. Seu mecanismo de ação é o de ocupar os receptores de oxigênio da hemoglobina, matando por asfixia. Mata em dez segundos e se decompõe no ar em vinte, tornando-se totalmente inócuo a seguir. A absorção cutânea aumenta a letalidade e a única coisa capaz de evitar a morte é tomar o antídoto cerca de uma hora antes da exposição. A arma perfeita para a “Operação Peixes-No-Barril”.

—Excelente, Dr. Ardonian. _ disse “Escuridão” _ Agora é só esperar pela data certa para utilizar o equipamento.

—Como ele será contrabandeado para Londres? Métodos mágicos poderão ser detectados.

—Eu sei, Dr. Ardonian. Por isso mesmo é que ele será levado em partes, para ser montado no local definitivo. Teremos tempo mais do que suficiente até a data de utilização. Até lá, poderemos continuar a desenvolver a nova droga sintética, o “Gelo Lilás”. Com isso, vamos retomar o tráfico e, o que é melhor, com um produto exclusivo. Nada mais de depender dos campos de Myanmar, Turquia, Colômbia, Bolívia e Brasil que o maldito Harry Potter inutilizou. Também não ficaremos mais atrelados a favores de terceiros tipo Choo-Pak, na Tailândia.

—Sem contar que o fim de Choo-Pak foi dos piores. _ comentou Mariana.

—Nem me fale. _ disse “Sombra” _ Ser executado pelo Cartel de Roanapur e depois ter a cabeça conservada em resina e exposta, ao lado do laço da forca na ponte de acesso à cidade.

—Brrr! Só de pensar me dá arrepios, ora pois. Soube que aquela loira russa maluca de cara queimada tomou parte na execução, pessoalmente. _ disse Mariana _ E dizem que ela tem grande estima por Harry Potter.

—O garoto mudou. _ disse “Escuridão” _ Em outros tempos ele nem pensaria em qualquer tipo de parceria com a Czarina, por mais que fosse necessário. Bem, vamos ver como está o desenvolvimento do “Gelo Lilás”.

Os três saíram do laboratório de armas químicas e tiraram os trajes, colocando-os em um incinerador. Outros poderiam ser conjurados mais tarde. No laboratório de desenvolvimento de drogas, colocaram outros trajes, mais leves e com máscaras mais simples. Lá dentro, o manômetro de um tonel de metal indicava que a pressão no seu interior estava adequada e que o material já poderia ser extravasado.

A pressão foi aliviada e o tonel foi aberto. Uma fumegante substância de cor lilás, com a consistência de um gel, escorreu pela abertura e à medida que ia esfriando, partia-se espontaneamente e secava sob a forma de pequenos cristais cúbicos, com cerca de dois centímetros.

—Senhoras e senhores, aí está o “Gelo Lilás”. Uma droga psicoestimulante e excitante, totalmente sintética. Cada um desses cristais possui a potência de dez comprimidos de “Ecstasy”, graças a uma potencialização com magia. _ disse o cientista responsável pela produção da nova droga, Maximilian Van Leer. Era um farmacêutico bioquímico holandês, cujas descobertas de drogas sintéticas de fabricação baratíssima colocaram-no na lista negra de vários cartéis produtores de cocaína, que viam nele uma concorrência desleal e perigosa.

—Mas então o produto é perigoso demais. _ ponderou “Escuridão” _ Eu quero fregueses vivos, não cobaias mortas.

—É aí que entra mais um milagre da fusão de magia e da física trouxa. Os cristais são totalmente solúveis em água pura e, um dissolvido em um litro, resulta em um coquetel com o qual dez pessoas podem se inebriar. Um copo de 100 ml é o bastante para deixar uma pessoa animada e com a sensualidade à flor da pele.

—Exatamente como as metanfetaminas, o “Ecstasy”. _ comentou “Sombra”.

—Sim. _ disse Van Leer _ Um substituto à altura para o “X”.

—Como fazer para evitar que algum maluco resolva ingerir um cristal puro, tendo uma Overdose? _ perguntou “Escuridão”.

—A magia se encarregou disso. _ respondeu Van Leer _ Os cristais tornam-se ativos quando e somente se dissolvidos em, no mínimo, um litro de água. Volumes menores não os dissolvem e volumes maiores vão atenuando seus efeitos, tornando-os uma droga “recreativa”. Além disso, se alguém tentar ingerir o cristal, irá vomitá-lo, pois ficará com um gosto horrível e permanecerá inerte.

—Interessante. Será o sucesso das Raves. _ comentou Mariana.

—Exato. _ disse Van Leer _ O risco de Overdose sempre existe, mas seria necessário tomar litros da solução e a droga é eliminada na urina e no suor ou seja, dificilmente haverá uma concentração sanguínea capaz de provocar efeitos letais. O nível de dependência é similar ao de outras anfetaminas, constituindo-se na droga ideal.

—Ótimo, Dr. Van Leer. _ disse “Escuridão” _ Em quanto tempo poderão começar a distribuir?

—Assim que o senhor ordenar, poderemos carregar o submarino e, no máximo, em 24 horas a primeira remessa será entregue em Cádiz, seguindo de lá para toda a Europa, em um primeiro momento. Depois, conforme a aceitação, poderemos instalar pontos de produção nos próprios continentes, distribuindo o “Gelo Lilás” para todo o mundo, o que será bem interessante, devido a um outro efeito da droga.

—E qual é ele? _ perguntou “Sombra”.

—Depois de algum tempo, o usuário torna-se bastante receptivo a certos comandos mentais, tipo sugestão pós-hipnótica. O Círculo ganharia elementos que poderiam ser utilizados na condução de pequenas operações específicas, tipo um assalto, a eliminação de um alvo, etc.

—Fantástico, Dr. Van Leer. _ disse “Escuridão” esfregando as mãos, satisfeito com o relato do cientista _ Um exército anônimo de soldados teleguiados, apenas aguardando por uma ordem para agirem. Nem mesmo Lord Voldemort pensaria em algo assim. E já temos os possíveis pontos de distribuição nos continentes?

—Sim, “Escuridão”. Locais totalmente insuspeitos, que serão centros de produção e distribuição do “Gelo Lilás” e que apenas aguardam ordens para serem ativados.

—Depois do sucesso que essa droga fará na Europa, não dou uma semana para ela estar espalhada pelo mundo inteiro. _ disse Mariana _ E como será uma droga barata, poderá desbancar o Crack.

—Melhor assim. _ disse “Sombra” _ Vai detonar menos com o usuário.

—Pode dar início à distribuição, Dr. Van Leer. _ disse “Escuridão” _ Primeiro a Europa e depois o resto do mundo.

Alguns dias depois, bem longe dali em Gramado, Draco Malfoy passeava pelo centro da cidade, com a tia de Luna, Cassiopéia, proprietária do Spa no qual ele se internara a fim de obter mais controle sobre seus sonhos e impedir a invasão deles por parte de “Escuridão”. O frio ainda estava pegando, naquele início de setembro, tornando a tarde bastante convidativa para um chocolate quente e era isso que os dois estavam fazendo, na “Casa da Velha Bruxa”.

—Então os pesadelos pararam de incomodá-lo, Draco?

—Sim, Cassie. Pelo menos por enquanto. As sessões de meditação e projeção astral estão reforçando a Oclumência e me permitindo blindar a mente e impedir que aquele bandido invada meus sonhos. Deverá bastar, pelo menos até descobrirmos como reverter o feitiço que ele me lançou, quando fomos seqüestrados e levados para Teotihuacan. _ respondeu Draco, tomando um gole do excelente chocolate da Serra Gaúcha _ Aqui é muito bom, mas não vejo a hora de retornar para a Inglaterra, rever a família e ajudar a destruir aqueles criminosos.

—Eles já prejudicaram muita gente. _ disse Cassiopéia _ Certa vez tentaram pressionar Luiz e eu para que vendêssemos o Spa. Sei lá para que finalidade o queriam, mas nunca permitiríamos que aqueles sujos o usassem. Tivemos de recorrer aos Aurores e agora está tudo bem.

—Mais pessoas deveriam resistir a eles. _ disse Draco _ Deixaria claro que eles não são os todo-poderosos.

—Mas vocês já provaram isso por várias vezes, desde que eram alunos.

—Sim, primeiro contra Voldemort e depois contra o Círculo Sombrio. Foi difícil, vários bruxos de bem perderam suas vidas para que eles pudessem ser detidos, mas estamos prosseguindo nessa guerra que parece não ter mais fim.

Terminaram o chocolate e saíram, passando pela Rua Madre Verônica, também conhecida como “Rua Coberta”, devido à abóbada que possuía e que permitia a realização de diversos eventos.

—Pena que já passou o Festival de Cinema. _ disse Cassiopéia _ Estou certa de que Jan iria gostar bastante, se viesse. E no final do ano temos o Natal Luz.

—Será uma boa oportunidade para vir, com Jan e as crianças. _ disse Draco, olhando para o local onde o Festival de Cinema de Gramado era realizado, na Avenida Borges de Medeiros, enquanto seguiam de volta para o Spa _ Sim, creio que poderemos aproveitar as férias de inverno de Hogwarts.

De volta ao Spa, Draco estava em seu chalé, preparando-se para uma sessão de meditação e reforço de Oclumência, quando uma camareira pediu licença e entrou.

—Não se importe, já estou saindo. _ disse Draco.

—Sem problemas, Sr. Malfoy. _ respondeu a camareira _ Não levarei mais do que uns 3,14 minutos para arrumar o chalé.

Ouvindo aquilo, Draco olhou para a camareira que sorria, com a aparência da atriz Isabelle Drummond.

—Eu deveria ter imaginado. _ disse ele, sorrindo _ Já não a vejo há um bom tempo, “p”. Para você me procurar e em estilo “empreguete”, a coisa deve ser importante.

—Draco, algumas coisas vão acontecer e, oportunamente, Gramado está no centro dos fatos. Será bom aproveitarmos a coincidência de você estar aqui, para agirmos.

—Mais uma do Círculo? _ perguntou o loiro.

—Sim. Desta vez será coisa grande e parece que “Escuridão” tem novos planos para você.

—Ou aquele falso chinês me odeia muito ou está apaixonado por mim. Bem, considerando que ele tem Mariana Lugoma ao lado dele, é mais provável que seja a primeira possibilidade. _ comentou Draco, com um suspiro _ Quais os horrores que ele me reserva, “p”?

—Não sei ao certo, Draco. Assim que tiver algo de concreto, eu te comunico, imediatamente. Mas ele ainda não sabe com certeza se você está aqui ou não.

—Logo ele descobrirá. _ disse Draco _ Aquele demônio tem espiões por toda parte e aqui não seria exceção. Algo mais?

—Um outro plano, coisa grande, que ele está inclusive mantendo sob Feitiço Fidelius Conditio, para que ninguém saiba até que seja o momento.

—Entendo, ainda que ele diga, ninguém poderá revelar diretamente o que é.

—Exatamente, Draco. Assim que eu conseguir, passarei as informações para Harry. Preciso retornar, para que não desconfiem. Até mais.

“π” saiu do chalé e, em seguida, já não era mais a “empreguete” e sim uma velhinha que, ao virar em uma curva do caminho, já havia mudado de aparência e saía do Spa, indo para o centro da cidade (“Como ela é habilidosa em Transfiguração Pessoal Completa”, pensou Draco).

Para não dar na vista, “π” entrou em um restaurante e, no banheiro, desaparatou. Seu destino? Somente a ela interessava.

As aulas já haviam começado em Hogwarts e os professores não estavam dando moleza. As semanas se passavam e as atividades não paravam, inclusive o Quadribol. Já havia ocorrido a primeira partida e a Grifinória vencera facilmente seu primeiro adversário que lhe coubera por sorteio, a Lufa-Lufa. Depois de uma curta perseguição ao pomo de ouro, o filho de Harry Potter fechara os dedos sobre a esfera alada, contabilizando mais uma captura.

—Logo o olheiro de algum time acabará por fazer uma proposta pelo passe do seu filho, Harry. _ comentou Shacklebolt, que havia ido assistir ao jogo.

—Se for o desejo dele seguir carreira no Quadribol, não vou me opor. Ele gosta bastante e leva jeito. _ disse Harry.

—Não só jeito, Harry. _ disse Hermione _ Esse meu sobrinho nos enche de orgulho.

—Mafalda também não fica atrás, Mione. _ disse Janine _ Ela é uma excelente Artilheira... ora, vejam só o Tiago! As torcidas entraram no campo e ele está recebendo o prêmio da vitória!

Com efeito, Tiago desceu e saltou da vassoura, recebendo um apaixonado beijo de Narcisa. De lá, para a Sala Comunal da Grifinória e para a festa da vitória.

Pettigrew agradecia em silêncio por ter começado a estudar com Tiago e os Novos Marotos. Sem o apoio do estudo em grupo, suas notas seriam prejudicadas.

Mas outra coisa ocupava a atenção do jovem sonserino, a busca de um meio para libertar o espírito de Voldemort do “Avatar das Trevas”, antes que a Transmigração Compartilhada Forçada matasse ou enlouquecesse o hospedeiro. E era por aquela razão que Albert Pettigrew estava espiando a instrução de Artes das Trevas que o misterioso personagem ministrava aos alunos simpatizantes do lado negro.

E era por isso que, naquela noite, Albert estava escondido nas sombras da Câmara Secreta de Slytherin, enquanto o “Avatar” instruía novamente os jovens.

—Muito bem, meus jovens. _ dizia o “Avatar das Trevas” _ Chegou o monento de vocês começarem a treinar a Maldição Cruciatus em animais maiores. Temos aqui alguns cães e gatos sem dono, trazidos especialmente para essa finalidade. Se ela for eficaz neles, significa que vocês estão capacitados a lançá-la em pessoas, com potência adequada. Então, creio que estarão habilitados para a Avada Kedavra.

Um a um os jovens treinavam a Maldição Cruciatus nos animais, que se contorciam em dores horrendas e que só terminavam quando a maldição era suspensa. Satisfeito com o resultado, o “Avatar” deu por encerrada a instrução daquela noite e liberou os alunos.

—Pode sair das sombras, jovem Pettigrew. _ disse ele _ Todos os outros já se foram.

—Certo, “Avatar”. Os alunos estão cada vez melhores.

—Sim, estão. _ concordou o “Avatar das Trevas” _ Em breve, deverão estar prontos para a missão que tenho para eles.

—Estabelecer uma cabeça-de-ponte em Hogwarts, para uma tomada da escola por parte do Círculo Sombrio? _ perguntou Albert.

—Pode ser que sim, pode ser que não. _ respondeu o “Avatar”, de forma meio enigmática para o garoto _ Bem, está na hora de você retornar à Sala Comunal, jovem Pettigrew. Boa noite.

—Boa noite, “Avatar”. _ Albert Pettigrew despediu-se e tomou o rumo da saída, mas fez uma volta e tornou a se esconder. Esperava que o “Avatar” tornasse a se comunicar com “Escuridão”, para tentar descobrir meios de libertar o espírito de Voldemort do domínio daquele bandido.

O “Avatar” conjurou um Pentagrama, daquela vez na posição correta, com a ponta isolada para cima e transportou através dele as gaiolas dos animais. Logo em seguida, a abertura pentagonal do centro diminuiu e deixou ver o rosto cruel de “Escuridão”.

—Os jovens estão cada vez melhores, “Escuridão”. _ disse o “Avatar”.

—Excelente, meu caro. A hora está cada vez mais próxima e precisamos dos jovens em seu potencial máximo.

—O levante dos alunos? A cabeça-de-ponte em Hogwarts? Mas não é muito cedo?

—Não me questione. Sabe muito bem o que pode lhe acontecer.

—Não estou questionando. É somente... segurança. Sabe muito bem que não podemos dar um passo em falso, principalmente agora que estamos tão perto.

—Deixe isso comigo e apenas treine os alunos simpatizantes. Não se meta nas decisões, lembre-se de que você será o elemento agregador da Nova Ordem das Trevas.

—Maldito! Você ainda vai se arrepender de estar brincando com coisas que nem mesmo eu ousaria, quando estava vivo.

—Já lhe disse que está tudo sob controle, enquanto eu tiver os volumes do Necronomicon poderei controlar essas forças ocultas. Inclusive, não se esqueça de que EU ainda te controlo.

—Graças à sua manobra de subverter o “Contrato de Seth e Anúbis”. Essa modificação ainda não vai ficar assim. Você acabará por sofrer as consequências.

—Novamente querendo se insubordinar? Uma pequena lembrança de quem está no controle. _ uma dor excruciante percorreu o corpo do “Avatar das Trevas”, enquanto “Escuridão” gargalhava do outro lado _ Acredite, há anos eu sonho em poder fazer isso.

O pentagrama apagou-se, enquanto o “Avatar” ofegava, transpirando profusamente e segurando a náusea que sentia depois daquela Cruciatus.

—Desgraçado! É apenas questão de tempo para que eu consiga os MEUS objetivos e não os seus. E vai demorar menos do que você imagina. _ e o “Avatar das Trevas” parou o que fazia, por um instante, logo retomando seus movimentos, o pentagrama no cordão de ouro brilhando no escuro da Câmara Secreta _ Não, seu sujo. Não desta vez, pois ainda tenho o que fazer e você mesmo me proporcionou os meios para resistir ao seu domínio, ainda que temporariamente.

O “Avatar das Trevas” saiu da Câmara Secreta de Slytherin, de onde Pettigrew já havia saído. Percorreu os corredores, oculto nas sombras, com o jovem sonserino a segui-lo, também se escondendo. Por fim, chegou ao Corujal e entrou, logo encontrando o que procurava. Argonauta estava em seu poleiro, após ter retornado da caçada noturna. Ao perceber a aproximação da figura mascarada e encapuzada, a coruja agitou-se, mas logo ficou mais calma quando notou que ele não ia lhe fazer mal.

—Boa coruja, boa coruja. _ disse suavemente o “Avatar”, afagando a cabeça da ave, enquanto tirava um bilhete das vestes, prendendo-o à perna de Argonauta _ Entregue isso a seu dono o mais breve possível, Argonauta. Harry precisa saber de algumas coisas.

A coruja abriu as asas e saiu voando e o “Avatar” saiu do Corujal, tomando seu rumo. Escondido nas sombras, Pettigrew seguia o “Avatar”, tentando descobrir como ele entrava e saía do castelo. Em um ponto do acesso às masmorras, perto da entrada da Sonserina, ele pressionou uma pedra na parede, fazendo com que um segmento dela deslizasse para o lado e permitindo ver uma pequena câmara, com as dimensões de um armário de vassouras, onde ele baixou o capuz e tirou a máscara, colocando-a em um nicho da estante.

Pettigrew estava escondido atrás de uma estátua, de onde tinha visão completa do “Avatar”, ainda que ele estivesse de costas. Então, ocorreu uma coisa que fez com que o garoto arregalasse os olhos.

O corpo adulto do “Avatar” começou a diminuir de tamanho, enquanto ele gemia de dor. Aquilo não era Transfiguração Pessoal Completa, tampouco o término do efeito da Poção Polissuco. Era como se um adulto estivesse ocupando o corpo de uma criança, expandindo-o fisicamente e, agora, abandonando-o e fazendo-o voltar ao normal, de forma abrupta e dolorosa. Por fim, o corpo pré-adolescente ajoelhou-se e permaneceu por alguns instantes transpirando e ofegando, até que se acalmou e levantou, saindo da câmara e fechando-a.

Quando o “Avatar”, agora não mais com um corpo adulto, saiu da câmara, a luz de uma das tochas do corredor iluminou o rosto semi-encoberto pelo capuz de sua capa, permitindo a Pettigrew ver qual era a verdadeira identidade do “Avatar das Trevas”, cujos olhos vidrados sugeriam que ele estava em uma espécie de transe, que sucedia o seu retorno ao normal. O sonserino relutava em acreditar no que via, questionando-se se era o momento ou não de contar ou não ao Prof. Potter o que vira. Pettigrew retornou à Sala Comunal da Sonserina e não viu o que aconteceu depois.

Naquele exato momento, Draco Malfoy desaparecia do Spa de Cassiopéia, em Gramado.





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