Os Cinco Marotos escrita por Cassandra_Liars


Capítulo 21
Capítulo 6 - O Segredo Revelado


Notas iniciais do capítulo

Eu só ia postar essa capítulo amanhã, mas saiu hoje, então aí está.



O Dias das Bruxas passou rápido. O aniversário de Pam também, no qual os cinco se divertiram muito entrando na Floresta Proibida e a sobrevoando de vassoura. Pam e Sirius em uma; James, Remus e Peter na outra.

Mas, novamente naquele mês, Remus saiu da escola e foi em direção a Floresta Proibida.

Peter, Sirius e James entraram embaixo da capa e correram atrás dele pela Floresta, até perderem-no de vista. Mas Pam (que ficara do lado de fora da floresta, esperando pelos amigos, já que de acordo com eles, ela falava demais e era por isso que não conseguiam seguir Remus) ficou, com seu binóculo mágico, vigiando quem entrava e saia da floresta.

Não demorou muito para ela encontrar um pontinho preto, ao longe, deixando a floresta e colocar o binóculo para ver quem era.

Enquanto ela aproximava cada vez mais a imagem com o binóculo, ela ouviu vozes atrás dela. James, Sirius e Peter. Ela fez um sinal com as mãos, pedindo para eles se abaixarem perto dela, que estava escondida atrás de um arbusto.

_O que você está vendo? – perguntou Sirius.

_Cala a boca. – ela sussurrou.

O garoto levantou as mãos, em sinal de rendimento.

_Ok, ok! Calma!

Pam bufou.

_Deixe de ser idiota. – ela rolou os olhos.

Agora, que a imagem já estava bem aproximada ela pôde ver quem estava saindo da floresta.

Era…

Remus?

Pam deixou o binóculo cair no chão, sem acreditar.

_O que você viu? – perguntou James, agora um pouco irritado.

_Remus… ele… - ela disse um pouco irracional. – Ele acabou de sair da Floresta e está indo para lá! – ela apontou a direção para a qual o amigo estava indo. – Para…

_… o Salgueiro Lutador! – James completou a frase da amiga.

_Isso mesmo!

Os quatro amigos correram em direção ao salgueiro, indo pelo meio da floresta enquanto podiam e tentando passar despercebidos.

Eles ainda não estavam tão perto, mas, o bastante para ver o Salgueiro parando completamente e Remus passando por um túnel subterrâneo.

_É isso! – cochichou Sirius.

Todos eles tinham entendido. Remus entrava no túnel do Salgueiro Lutador. Aí tudo bem. Mas, que motivos insanos levavam uma pessoa a entrar em um túnel subterrâneo para sei lá onde uma vez por mês e ficar lá por uma semana?

Talvez Remus fosse louco e eles simplesmente não soubessem.

Se ele fosse estava escondendo muito bem.

Talvez tivesse enlouquecido de tanto estudar…

Finalmente os quatro chegaram ao salgueiro lutador e entraram pelo túnel. Peter excitou um pouco, mas acabou sendo vencido (ou seja, puxado) por James, entrando também.

A passagem continuava e era impossível ver o final do túnel, assim Pam, Peter, James e Sirius avançaram devagar, em passos cautelosos.

_Aqui dá medo, não dá? – disse Peter, se encolhendo.

James riu, mas foi uma risada forçada que quase soou como um riso nervoso.

_Deixe de ser bobo! Aqui não assusta nem bebê!

Era óbvio que ele também estava assustado.

Pam, como era de costume, se agarrou ao braço de Sirius, apertando tanto o garoto, que chegava a machucar.

_Ahãm… Pam? – ele arriscou sem querer magoar a amiga e também um pouco constrangido.

Ela o soltou apressadamente.

_Me desculpe. – disse a morena, ficando estranhamente interessada nos próprios pés de repente.

A garota cruzou os braços, segurando com força nos antebraços.

_Para onde vocês acham que essa passagem vai levar? – perguntou James, puxando a varinha e murmurando “Lumus”.

_Para fora de Hogwarts? – arriscou Peter.

_Para Hogsmeade talvez. – disse Pam com uma voz fraca.

James franziu a testa.

_Pode ser… Mas, porque ele não nós contaria?

_Era exatamente o que eu estava me perguntando. – disse Sirius.

Eles continuaram em silêncio pelo resto do caminho. Avançando cada vez mais, a cada passo mais próximos de descobrir aonde Remus ia todo o mês…

Apesar de empolgante, isso era assustador. Onde aquele túnel ia dar? Para onde será que os levaria?

De repente o túnel começou a sumir. Aquela era a saída. Haviam chegado.

E então a surpresa. Não encontraram o lugar legal e interessante que acham que encontrariam.

Era o interior de uma casa. Uma casa mal iluminada. Uma espécie de quarto, muito desarrumado e poeirento. O papel descascava das paredes; havia manchas por todo o chão; cada móvel estava quebrado como se alguém o tivesse atacado. As janelas estavam vedadas com tábuas.

Pam olhou para trás, considerando voltar pela pequena passagem, que só tinha espaço o suficiente para uma pessoa passar por vez, mas, não o fez. Não queria ser chamada de covarde. O mesmo acontecia com seus amigos.

Porém, ela manteve um pé na frente e o outro atrás o tempo todo.

_Onde estamos? – perguntou Sirius, em um cochicho. Qualquer som teria sido alto de mais ali. A voz do garoto ecoou por todos os lados.

James deu de ombros.

_Vamos investigar.

Os quatro deram alguns passos cuidadosos para frente. Então, um barulho foi ouvido do andar de cima. Todos olharam para o local da origem do barulho.

James, que estava um pouco à frente dos demais, olhou para trás disse, apenas mexendo os lábios, sem emitir som algum:

_Vamos lá ver.

Os outros três assentiram.

Os quatro amigos subiram as escadas o mais cautelosamente que podiam, fazendo o mínimo de barulho possível.

Todas as portas do segundo andar estavam fechadas, exceto uma.

Os quatro andaram até ela.

Havia uma imponente cama de colunas, e tudo parecia estar coberto por uma grosa camada de sujeira, exceto por alguns pontos que estão marcadas de sangue e lugar em que pareciam ter sido atacados. Mas, o que mais chamou a atenção dos meninos foi a figura dobrada sobre o próprio corpo, aparentemente em sofrimento. No começo nenhum deles o reconheceu, mas, no momento em que o garoto se virou para eles, olhando-os com seus tristes e sofridos olhos âmbar, o choque desestruturou os quatro. Aquele era…

…era Remus.

Eles ficaram se encarando pelo que pareceu uma eternidade, os cinco surpresos e chocados em se encontrarem ali, mas não se passaram mais do que poucos segundos.

Os lábios de Remus formaram uma única palavra, em um tom de suplico:

_Fujam…

E então a transformação começou tão rapidamente que eles não tiveram tempo de ter mais nenhum pensamento, a não ser que eles deviam sair dali o mais rápido possível e os quatro amigos correram, correram como nunca tinham corrido antes, correram tão rápido quanto as pernas permitiram, correram como se suas vidas dependessem disso. E dependiam.

De algum modo eles sabiam que estariam seguros se passarem pela passagem apertada e voltassem para o túnel, que o monstro em que tinha se transformado Remus não poderia os seguir se passarem por ali.

Eles desceram as escadas pulando de dois em dois degraus.

Só mais um pouco e estariam seguros. Só mais um pouco…

Em ordem, desceram pelo túnel, Peter, Pam, Sirius e James. E eles continuaram correndo, apesar de saberem estar seguros. Saber que o ser que os estavam seguindo era grande demais para passar pelo reduzido buraco.

Os quatro correram para fora do túnel, para longe do Salgueiro Lutador, sem parar por um segundo sequer. Quando, finalmente estavam longe o bastante, seus pulmões implorando por ar e as pernas parecendo feitas de gelatina, eles caíram deitados no chão, ofegantes. Mas, nenhum deles disse nada. Estavam perturbados demais com o que viram para serem capaz de emitir qualquer som que não seja de suas respirações prejudicadas pela correria.

O tempo que eles passaram nessa posição é incerto. Mas, a lua-cheia já brilhava no alto quando James se sentou e os outros o acompanharam.

_O Remus. Ele é um… um… - disse James.

_… um lobisomem? É, eu percebi. – disse uma ainda atordoada Pam.

*~~*~~*~~*~~*~~*

O tempo passou. Em algum momento entre os três dias que se seguiram eles concordaram que, acontecesse o que acontecesse, Remus era, em primeiro lugar, amigo deles e depois um lobisomem. Não, não iriam abandonar o amigo. Depois, também decidiram que não iriam contar para ninguém. Que guardariam o segredo do amigo. Como eles sabiam que Remus faria por eles. Só ainda não tinham decidido o que fariam quando Remus voltasse para o dormitório. Mas, ainda tinham quatro dias para pensar.

Nos dias que se seguiram a licantropia foi quase uma obsessão para Pam, Peter, Sirius e James. Sempre que tinham algo tempo livre iam para a biblioteca, pesquisar sobre lua-cheia, lobisomens e a tabela lunar.

Como consequência, aprenderam muitas coisas sobre lobisomens. Coisas que apenas os alunos que já estavam no quarto ano sabiam. Como que um lobisomem pode viver como uma pessoa normal durante o período em que não existe lua-cheia, mas, que quando a lua-cheia aparece, ele se transforma em um perfeito monstro, poderia matar seu melhor amigo, se o encontrasse.

E fora o que quase tinha feito com eles. Remus quase os matara. Não, nenhum deles jamais seria capaz de esquecer aquele momento de pânico, em que seus corações martelaram com tanta intensidade que quase saíram pelas suas bocas, a correria frenética pela vida, o instinto de sobrevivência no auge. O momento em que eles provaram que até mesmo grifinórios podem sentir medo. Afinal, medo é algo completamente normal, algo que todos nós sentimos ou vamos sentir em nossa vida, ora ou outra.

E, também tinha descoberto que, apesar de apenas uma mordida ser o suficiente para transformar alguém, o lobisomem não apresentava perigo para animais. Não sentia nenhuma vontade de mata-los enquanto transformados e mesmo que os mordesse, não poderia os transformar.

Mas, James, Peter, Pam e Sirius eram humanos, obrigado. Bruxos, mas humanos. O que queria dizer que Remus, quando transformado, apresentava tanto perigo para eles quando para os outros. Eles não podiam simplesmente se transformar em animais. Gostariam de poder. Mas, não podiam.

Pam consultava regularmente a tabela lunar, esperando que, talvez, ela mudasse e indicasse que já chegara o dia em que Remus voltaria e ela poderia o ninar novamente, sendo ele lobisomem, vampiro ou o que quer que fosse. Ela ainda queria o seu “filhinho”.

James pesquisava incansavelmente sobre lobisomens. Procurando uma brecha, por menor que fosse, indicando que não havia perigo em ficar com Remus durante seu “período perigoso”. Tinha visto a cara do amigo e sabia que a sensação de seu corpo se transformando contra sua vontade não era nada boa. Gostaria de ter podido ficar ali com ele. Ele sentia falta do amigo.

Sirius havia se encarregado de ficar perto das portas e janelas, entreouvindo as conversas dos professores e atento a tudo o que eles falavam sobre lobisomens. Havia, afinal, descoberto que a casa onde eles tinham ido parar era a Casa dos Gritos, e que os gritos não eram de fantasmas, e sim, de Remus. Ele também sentia a falta do amigo.

E Peter, apesar de extremamente assustado, tentava parecer forte. Cada mínimo ruído era o bastante para ele pular. Afinal, havia descoberto que tinha um lobisomem dentro do castelo. Ou melhor, um lobisomem que dormia ao seu lado, no mesmo dormitório, e que estivera sempre perto dele. Que era seu melhor amigo! Mas, ele gosta de Remus, que o ajudava com as matérias, que o protegia. Ele queria o outro de volta.

Os quatro haviam descoberto o segredo de Remus. Um segredo que talvez desejassem não ter conhecido. Mas, que iria mudar a suas vidas de tal jeito que poderia parecer loucura. Superam todas as aventuras que eles já tinham vivido até então. Nada era mais emocionando ou assustador do que saber que o melhor amigo era um lobisomem! Um lobisomem de verdade!

*~~*~~*~~*~~*~~*

Ele estava caminhando em direção ao castelo. Não fazia ideia de como os amigos tinham o achado ali. O fato era que agora eles sabiam. Ou talvez não. Talvez ele estivesse apenas em mais um delírio antes da transformação e tinha apenas fantasiado tudo aquilo. Ele torcia por isso. Mesmo sabendo, no fundo, que não era verdade.

Remus sabia que Peter, Pam, Sirius e James iriam o abandonar. Iriam sim. Com certeza iriam. Nada que ele pudesse fazer ou dizer mudaria isso. Eles se afastariam, com medo. Dumbledore podia ser um gênio. O maior bruxo que existia. Mas, aparentemente se enganara a seu respeito. Ele era um lobisomem. Não podia estudar em Hogwarts. A brincadeira acabara. Iria fazer as malas e partiria na manhã seguinte.

Ele olhou com pesar para Hogwarts, parando um pouco para admirar suas instalações. Aquilo era um sonho. Bom de mais para ser verdade. E isso era verdade. Hogwarts era um sonho. Algo inalcançável para ele.

Remus passou pela enfermaria e a Madame Pomfrey cuidou de seus machucados. Ele não percebeu direito o que ela estava fazendo, continuava preocupado com o que diria para os amigos.

Então ele subiu para a Sala Comunal da Grifinória. Sem ter muita certeza do que encontraria quando chegasse lá. Talvez os amigos tivessem contado para todos o que ele realmente era e todos estavam assustados e perturbados com a possibilidade de ter um lobisomem entre eles.

Porém, quando ele chegou na Sala Comunal ninguém o olhou de modo assustado ou minimamente diferente, como se ele não pertencesse aquele lugar. Na verdade, todos continuaram a fazer exatamente o que estavam fazendo, sem se deixa abalar.

Então ele subiu para o dormitório. Os amigos não tinham contado para ninguém afinal. Isso já era um consolo. Mas, agora eles sabiam, deviam estar com medo de Remus.

Ele abriu a porta do dormitório devagar e encontrou os quatro amigos ali, como já era de se esperar. E, como ele também já esperava, os quatro pararam de conversar no momento em que ele entrou e o encaram fixamente. Não exatamente com medo, mas o recriminando, o que, no final das contas, era imensamente pior.

Remus se sentou na própria cama, de costas para eles, incapaz de olhá-los nos olhos.

_Vocês sabem. – o garoto começou. Não era uma pergunta.

_Sim, Remus. Nós sabemos. – disse a voz cortante de Pam. Nada de “Remmy”, “filhinho” ou “querido”. Ela tinha mudado. Já não era mais sua “mamãe”.

Remus suspirou.

_Eu vou arrumar minhas coisas. – ele disse, com pesar, e se levantou, procurando a varinha para lhe ajudar na tarefa de juntar tudo o que lhe pertencia.

_O que você disse? – era a voz de James, desta vez.

_Vou arrumar minhas coisas. Vou embora. Não preocupem.

_Do que você está falando, seu grande idiota? – disse Sirius.

_Vocês estão bravos comigo. – Remus suspirou mais uma vez. – Estão bravos por saberem o que eu sou e não querem mais que eu ande com vocês. Provavelmente vão contar para toda escola. Eu vou para casa. Não se preocupem. Não vou mais atormentar vocês.

_Remus, você é um estúpido, sabia? – disse Sirius, irritado. – Mas, é claro que estamos bravos com você!

Ele sabia. Sabia que os amigos ficariam zangados.

_Mas, não é pelo motivo que você pensa. – agora era Pam falando, e, em sua voz, Remus achou ter identificado uma mescla de irritação e diversão. – Estamos bravos porque você não contou nada para a gente!

Remus virou-se para encará-los. O que Pam tinha dito?



Notas finais do capítulo

Deixei vocês muito curiosos? Minha beta quase me estapeou quando terminou de ler o capítulo. Disse que eu parei na melhor parte. kk
BBK,
Cassie