Charlie escrita por Reet


Capítulo 9
08 - Farinha de trigo


Notas iniciais do capítulo

Hey pessoas!
Fiquei muito feliz com os comentários passados! Obrigada vocês. Charlie é minha primeira fanfic onde minha intenção é fazer graça a cada capítulo sem perder a fanfic
Esse capítulo começa como um sonho e vocês vão ver mais no futuro que Charlie é uma comédia, mas também tem seus problemas como uma história qualquer. Não tenham medo do que vou descrever, ok? Essa fanfic não é para ser terror.
Espero que gostem, nos vemos lá embaixo.



Andei pelo corredor mal iluminado, frio que me fazia arrepiar de medo. Andava em direção à uma sala, de onde vinha a luz. Era uma sala muito familiar, grande, com um bonito lustre, carpete rosa claro, um berço branco e enfeitado de algum bebê e o som musical de um abajur de unicórnios girando, deixando sombras de unicórnios pelas paredes brancas.

No meio da sala, uma mulher estava de costas com um vestido branco de renda folgado que deixava seus ombros nus, estava descalço e tinha os cabelos loiros até o meio das costas, brilhosos, com algumas madeixas castanhas. Ela se parecia bem comigo, mas era mais velha e parecia ninar um neném em seus braços. O bebê começou a chorar baixinho e ela balançou mais forte.

Por um segundo, reconheci a mulher de costas para mim, mas o que Caillet estaria fazendo naquela sala tão familiar? Me dei conta de que era um sonho, Caillet não existia mais e aquele era o meu antigo quarto, na minha antiga casa. Caillet Hagen se virou. Eu notei o bebê em seu colo, devia ter por volta de seis meses, cabelos loirinhos e lisos, olhos verdes cheios de lágrimas que olhavam a mulher que o carregava.

A mulher tinha os mesmo olhos verdes, o bebê era sua cópia. O mesmo nariz angelical, mas sua boca estava coberta de um liquido vermelho e as mãos que seguravam o pano envolto ao bebê estavam também cheias do mesmo liquido, o pano estava um pouco sujo. Era sangue, eu logo vi que seus pés também estavam sujos. Era aterrorizante aquela visão, eu só queria que o sonho acabasse logo.

- Mamãe... – Eu sussurrei para Caillet que esboçou um sorriso psicótico para o bebê, eu, no caso, anos e anos mais nova em seu colo.

Passos fortes invadiram o corredor, Caillet se virou assustada e apertou o bebê contra seu corpo mais forte. Atrás de mim, Joseph apareceu, bem mais novo, usando pijamas.

- Solte a menina, Caillet, estou lhe avisando! – Joseph gritou.

- Ela é minha.

A voz ameaçadora e louca de Caillet foi a última coisa que ouvi, antes de acordar desesperada daquela cama improvisa e muito ruim, ofegante, com uma das mãos no peito onde meu coração batia descompassadamente e a outra eu puxei com força demais até me lembrar que estava algemada a Danny.

Ou um gemer enjoado atrás de mim, Danny se sentou ao meu lado na cama, massageando o pulso que eu tinha puxado com força. Não olhei para ele.

- Ah, Charlie, que droga! Esqueceu-se que estamos algemados?! – Ele murmurou.

Eu não respondi agora, estava só recuperando meu senso irônico e antipático contra ele.

- Volte a dormir, está escuro! – Disse.

- E se eu não quiser, imbecil? Se eu quiser levantar você levanta junto comigo. – Revirei os olhos, mas voltei a me jogar na cama improvisada esperando acertar a cabeça no travesseiro.

O problema é que o travesseiro não estava lá... Outra coisa estava, uma coisa dura que machucou minha cabeça e soltou um grito muito agudo logo em seguida, era a costela de Andrews!

- AI! QUE PORRA FOI ESSA QUE ME ACERTOU BEM NA COSTELA? – Ele gritou massageando a costela e mirou em mim.

- Minha cabeça! Por que você estava dormindo embaixo da minha cabeça?! – Eu gritei de volta para Andrews.

- Sei lá, mano! Eu estava dormindo!

- Que barulho é esse? Nem de manhã vocês conseguem calar a boca! – Gerard disse enquanto esfregava os olhos e tentava pentear o cabelo ruivo tingido.

- Pelo menos de manhã você fala coisa com coisa. – Lucas murmurou, ainda de olhos fechados lá do outro lado da sala.

Espera, ele estava dormindo sozinho em um único colchão com cinco travesseiros em volta e enrolado em um fofo edredom, que eu deveria estar usando – aí eu senti um friozinho nas pernas.

- Você não estava dormindo? – Danny retrucou.

- Com esse grito gay que o Andy soltou, não mesmo – Lucas respondeu.

- BICHO DO MATO! – Eu gritei para Lucas – VOCÊ está com meu travesseiro, e o de todo mundo! Você expulsou todo mundo do seu colchão!

- É! – Disseram os outros de volta, desconfiados.

Lucas virou o rosto com um sorriso vencedor muito grande.

- Olha, tem como vocês calarem a boca e voltarmos a dormir? Está escuro ainda. – Danny esfregou os olhos da mesma forma que Gerard estava fazendo.

O castanho puxou um travesseiro de Lucas e enfiou o rosto nele com o braço atrás das costas para facilitar meus movimentos com o braço algemado.

- Não quero dormir, Danny! – Eu disse. 

Ele virou o rosto para mim, sonso.

- O que você quer, Charlie?

- Levantar! Eu tive um pesadelo e não consigo voltar a dormir.

Eu estava com medo de dar de cara com minha mãe com a boca cheia de sangue novamente. Não me era surpresa, mas aquela imagem era horrível.

- Charlie, eu não quero levantar!

- Calem a boca vocês pombinhos aí. – Andrews murmurou de forma rouca. Ele agora estava deitado com a cara no travesseiro que também tinha raptado de Lucas, com o bumbum para cima e o edredom em cima do rosto. Eu gargalhei dele e Danny também, mas baixinho.

Levantei, puxando Danny e sua parte da algema junto, xingando. Eu fui na direção do meu quarto enquanto ele ia para a escada, mas o puxei com mais força, fazendo-o me seguir. Penteei o cabelo com um pouco de dificuldade e fui até o banheiro do corredor. Nos encaramos por alguns segundos.

- Sabia que essa hora chegaria... – Danny revirou os olhos – Você entra e fecha a porta na corrente da algema, então você se vira e eu fico aqui segurando a porta.

- Isso é constrangedor, Moritz.

- Você prefere que eu entre?

Eu neguei rapidamente e entrei no banheiro, fechando a porta na correte da algema. Agradeci mentalmente pelo sanitário ficar perto da porta e não foi tão complicado como eu imaginei. Ele entrou no banheiro quando eu fui lavar as mãos e já estava mais confortável.

- Minha vez. – Ele me empurrou para fora do banheiro e fechou a porta na algema.

- Mas você não precisa das duas mãos? – Eu perguntei.

- Eu me viro.

Aquele momento era muito constrangedor. Eu poderia estar zoando com ele, batendo nele, jogando batatinhas em cima dele ou até mesmo ganhando no videogame dele, mas eu estava ali, algemada à ele, esperando ele terminar de ir ao banheiro... Que tenso.

Ele saiu do banheiro e tivemos uma pequena briga baixinha discutindo o que fazer. Danny queria comer ovos com bacon novamente e eu queria comer um sanduíche, feito por ele. Sendo assim, ele ganhou e eu o segui enquanto pegava as panelas e fritava o ovo.

Acontece que para fritar um ovo, se usa as duas mãos. Resultado, o óleo espirrava em mim e eu soltava gritinhos quando batiam na minha mão.

- Cala boca, isso não dói, Charlie! – Danny murmurou depois que eu deixei um grito alto escapar.

- Claro, você está usando luvas...! AI!

Os ovos com bacon ficaram prontos em pouco tempo, ele fez dois pratos e colocou suco de laranja de caixa nos copos. Eu ficava olhando para seu rosto meio contorcido como se aquilo fosse uma péssima obrigação de babá, não senti pena, obviamente, eu desejava mesmo que ele me odiasse a ponto de me entregar de volta ao meu pai e a gazela da sua mãe.

Nos sentamos lado a lado para tomar café da manhã na bancada com as cadeiras altas. Três garotos entraram na cozinha dez minutos depois. Andrews tinha o cabelo negro bem penteado agora e tinha trocado de roupa; Lucas tinha uma boa disposição – dormiu como um príncipe, o infeliz – e também já tinha trocado de roupas; Gerard ainda esfregava os olhos, mas seu cabelo estava arrumado e agora usava um moletom de dias frios como estava de madrugada.

- Não consegui mais dormir com essa nanica gritando como se Danny estivesse estrupando-a. – Andrews falou enquanto olhava a geladeira. Ele pegou um vidro de coca-cola com o meu nome e eu atirei meu garfo na sua mão – Ai! Charlie!

- Solta essa coca-cola, é minha. Aproveita e pega outro garfo para mim. – Eu disse.

Andrews fez o que eu pedi por educação e terminamos de tomar café da manhã todos juntos.

Mais tarde, quando já estava claro, eu estava sentada em paz no sofá com meu netbook nas mãos enquanto Danny puxava meu braço para ganhar de Lucas no videogame. Eles começaram a jogar tênis, no momento em que Danny puxou meu braço para trás com o controle para bater na boa imaginária do wii.

- Porra, Daniel Moritz! Tem como sossegar um pouco? – Eu quase gritei, ele me olhou feio.

- Eu quero jogar!

- Eu quero mexer no computador!

- Contente-se como hoje de manhã eu levantei por sua culpa!

- Você também estava com fome, engraçadinho.

- Fique quieta aí, pirralha, me deixa jogar em paz – Ele virou o rosto para a tela novamente e isso me deixou com raiva por ele ter desviado assim sem acabar de falar comigo. Eu arremessei uma almofada no seu rosto e isso fez com que ele largasse o controle de wii e subisse em cima do sofá como se viesse lutar comigo.

Eu acertei um tapa em seu ombro e ele segurou minha mão, eu tentei usar a outra para fazer o mesmo movimento e ele também a segurou, precisei usar minha perna para chutá-lo, mas ele sempre desviava. Fez força enquanto segurava minhas mãos e me jogou no sofá deitada.

Os três meninos assistiam: Gerard murmurava com a boca cheia de bolinhos “Briga! Briga!” e eu acho que vi pelo canto do olho, Lucas e Andrews apostarem dinheiro naquilo.

Deitada, tentei chutar as partes de baixo de Danny, que gargalhou e colocou o pé descalço em cima da minha barriga – eu gritei.

- Aaaah! Que nojento, tira esse pé de cima de mim, Danny idiota!

- Pare de tentar me acertar, nanica!

- Você quem começou!

- E você lançou uma almofada no papai Noel, gracinha. – Danny revirou os olhos.

Enquanto ele não prestava atenção, eu chutei sua canela e isso o fez escorregar no sofá, caindo de frente em cima de mim. Antes de pousar, soltou meus braços para tentar se apoiar antes de me esmagar. Com o braço direito, ele colocou rente a minha cintura para não cair do sofá e o outro apoiou no meu pulso, pois estávamos algemados e isso me machucou pelo peso dele, além de seu corpo voltar a se encostar ao meu.

Com meu braço direito livre, eu tentei empurrá-lo de cima de mim, e ele caiu do sofá, me levando junto. Resultado, eu caí sentada na sua barriga no chão, fazendo ele gemer de dor.

- MEU PULSO, DESGRAÇADO! – Eu gritei, e usei minha mão para dar um tapa no seu rosto, Danny gritou.

- Foi sem querer! Você me chutou, capeta!

- Porque você segurava meu braço, ué.

- Então não reclama!

A platéia, digo, os meninos trocaram notas de dez dólares e depois Gerard se manifestou.

- Vou ligar para o chaveiro, vocês dois não param de implicar nem grudados.

- Claro que, se eles estão grudados, vão brigar ainda mais, inteligência rara. – Andrews murmurou.

- A intenção era fazê-los mais amigos... Mas já que não funcionou por um dia, é melhor soltá-los logo.

Com essa frase, Lucas se aproximou com um sorriso gigante, tirou do bolso uma chave e puxou o trinco de cada algema. Eu o observei quase incrédula e todos da sala, inclusive Danny, fitamos Lucas. Ele colocou a chave na algema e abriu. Eu juntei meu pulso para perto do meu corpo e o massageei.

- Cara... – Andrews começou lentamente.

- Você está tão morto. – Danny sibilou com raiva.

- Mesmo eu que nem acredito na existência dessa força da nanica concordo supremamente. – Andrews balançou a cabeça e Gerard começou a rir.

Eu me virei para o sofá e subi em cima dele.

- Olha gente, ela nem vai me bater...

Quando voltei a me virar, pulei em cima do pescoço de Lucas e puxei seus cabelos castanhos, arranhando seu rosto com raiva – não corto minhas unhas tem quase duas semanas -, quando me cansei de arranhá-lo, estapeei seu rosto com toda minha força. O melhor de tudo foi que nenhum daqueles garotos na sala tentaram me tirar dali, e Lucas só gritava horrorizado e cheio de dor. Seu rosto já estava ficando vermelho.

Prove do veneno da cascavel, se desespere e morra.

Eu desci do pescoço de Lucas e me afastei com um olhar assassino para o garoto.

- Ela é um... Bicho! Ela é selvagem! – Lucas gritou.

- É o que eu venho tentando te contar desde ontem... – Gerard revirou os olhos rindo.

Eu dei falta de Danny na sala, e quando notei, ele voltava da cozinha com uma frigideira grande e com uma cara carrancuda para Lucas.

- Danny, ficar horas com a diabinha te fez assassino também? – Andrews brincou.

- Tá brincando? ELE ME ALGEMOU À ELA!

Danny apontou para mim, e os próximos segundoss em que ele acertou a frigideira no bumbum de Lucas eu nem prestei muita atenção. Me senti um tanto ofendida quando ele disse a última frase, como se ficar algemado á mim fosse tão horrível e eu nem fui tão mal com ele. Balancei a cabeça para desviar esse pensamento e me dirigi ao meu quarto em silêncio.

- Vai pra onde, pirralha? – Danny perguntou.

- Não interessa você. – Eu respondi curta e grossa.

- Interessa, eu sou sua babá. – Danny deu de ombros.

Eu me virei por segundos e ergui o dedo médio para ele, fazendo também uma careta. Peguei minha nécessaire e uma muda de roupas, adentrei o banheiro do corredor e tomei um banho bem demorado e quente.

Contente por ter me livrado dos restos genéticos de Danny, coloquei um short preto com algumas flores no tecido, uma blusa da cor vinho de alcinhas e calcei as sapatilhas douradas que estavam bem próximas de perder o brilho. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto e coloquei o boné azul encaixado no rabo.

Quando saí do banheiro, ouvi as vozes dos meninos na cozinha. Deixei minhas coisas no quarto e tive a brilhante idéia de fazer biscoitos, eu tinha uma velha receita na minha cabeça e iria fazer agora para finalizar minha tarde de extremo ócio e total solidão.

Na cozinha, Danny também já havia trocado de roupas e tomado banho, pois seus cabelos castanhos estavam bagunçados e molhados caindo delicadamente no rosto de porcelana e realçando os olhos azuis – eu balancei a cabeça depois dessa descrição FORA DO COMUM de um menino que eu odeio, odeio muito.

Os quatro jogavam cartas. Uno para ser mais precisa e eu iria adorar jogar, mas depois dos biscoitos. Agarrei uma cadeira e coloquei na frente da dispensa. Subi e puxei o saco de farinha de trigo, intocável. Estava pesado e eu não sabia se estava aberto mesmo parecendo intocável. Puxei por cima do ombro, caso caísse, cairia em cima da bancada que os meninos estão.

- Charlie, não é uma boa idéia. – Andrews observou.

- Pode estar aberto e cair... – Lucas completou.

- Posse te ajudar, quer que eu te ajude? – Ouvi a voz de Danny atrás de mim.

- Não, seu babaca. – Eu revirei os olhos – Se quiser apostar, eu aceito mais vinte dólares seus.

- Não dessa vez.

E deu as costas, dando de ombros para mim. Nesse momento, eu puxei com toda minha força o saco, que acabou caindo por cima do meu ombro e – ele estava aberto – derramou em cima da cabeça dos meninos e de Danny principalmente. Eles xingaram segundos depois de começarem a tossir pelo pó em cima deles.

Acontece que não foi só isso, o peso também me fez desequilibrar, além de cair, o pior de tudo foi que alguém me segurou daquele jeitinho que os príncipes seguram as princesas, sabe? Caí no colo de Danny, cheio de farinha.

- CHARLIE! – Gritaram os quatro juntos.

- Ops.

Eu deixei escapar um risinho.



Notas finais do capítulo

Ah sei lá, adoro quando ela caí no colo dele, ou ela a segura de algo *o* Tá começando o romance, tá começando a fanfic ofshogfs
No próximo capítulo tem surpresas para esse casal! Espero que tenham gostado, deixem seus reviews para eu saber quem tá acompanhando, leitores fantasmas e leitores fiéis ^^
Até mais vocês, bjs.