Ps: Dont Write escrita por KILL JOYS


Capítulo 2
We Gonna Dance all Night, because We Say So


Notas iniciais do capítulo

Bom, aí esta mais um capítulo. Demorei um pouco para postar, mas prometo não demorar muito mais. (:
Agradeço a @effinway, novamente, por ter betado a fic.
Bom, agora as coisas começam a ficar interessantes, hihih n
Contato: @FoolFuckerDream // nikamuramadoka@hotmail.comEnjoy it ♥



PS: Don't Write.

Chapter Two: We Gonna Dance all Night, because We Say So.

E eu preferia estar em qualquer lugar que não fosse ali. Talvez Ino tenha razão e eu esteja precisando visitar um cemitério. Quero dizer, lá ninguém iria me incomodar. O silêncio iria abranger o espaço do cemitério e de minha alma, e estaria tudo calado o suficiente para ensurdecer meus pensamentos errôneos. O que mais me diverte a ponto de preferir aquele lugar era o fato de eu poder conversar o quanto eu quiser. Eu poderia falar, apesar de ninguém me responder.

Mas minhas visitas aos cemitérios acabaram há anos. Eu já não tenho mais 16 anos, e estava velha demais para qualquer coisa do tipo. Aliás, também estava velha de mais para ir a boates – e digo o mesmo para Ino e Tenten.

O som da música estraçalhava minha vontade de continuar naquele lugar desconfortável. Ino havia acabado de levantar do pequeno bar, e direcionou-se para a grande pista de dança com Tenten. E eu continuei debruçada no balcão, como se debruçasse em cima de meu desânimo irreversível. Enlacei o copo de vidro em meus dedos finos, e bebi com calma o álcool misturado na coca-cola. Suspirei. Era o primeiro copo da noite, e eu já estava a fim de parar por ali, e beber um pouco de água. Talvez um copo de leite quente, para dormir.

Olhei para a pista de dança, procurando as meninas. Meus olhos correram pelas pessoas, e a música se misturou ao som dos meus pensamentos desolados.

“Quer dançar?” Uma voz pegou-me de surpresa, e eu pulei de susto. O som era alto, mas a impressão era que a voz saiu perto de meu ouvido. Agarrei o suspiro. Virei para trás e encarei um belo par de olhos negros.

O amor se parece incondicionalmente com o desespero. Porque de todos aqueles sentimentos e emoções que o ser humano pode sentir, o mais difícil de se explicar, é o desespero.

O desespero é o vazio. Por isso é desesperador.

O desespero corta o peito e descasca a alma. O desespero são todos os sentimentos juntos, rápidos, indistinguíveis, inigualáveis, mas sempre presentes. E é por isso, que no momento em que eu encarei aqueles olhos tão escuros, eu tive certeza de ser apenas mais um de meus diversos momentos desesperadores. Não era amor. Já não existia amor em meu frágil peito.

“O quê?” Eu perguntei e ele sorriu. Talvez, aquela fosse a pessoa mais estridente que já vi em toda minha vida. Sua pele extremamente pálida, seus cabelos intensamente pretos. Sua boca fina desenhava um sorriso promíscuo, e eu me perguntei por alguns segundos o que estava fazendo observando-o. “Você quer dançar?” Eu perguntei diferente.

“Sim” ele respondeu, breve. Eu não ouvi, mas pude ler seus lábios no meio das batidas da música eletrônica.

“Então vai ali, ó” Eu disse, apontando para as dezenas de pessoas que pulavam na pista de dança. “Tem um monte de gente dançando lá.” Sorri sacana.

Ele me olhou descontente e contorceu os lábios, desmanchando o sorriso. Decepcionei-me por uma fração de segundos – o seu sorriso era incrivelmente belo, apesar de indecente. Apenas no desdenhar dos olhos ao sorrir eu já pude ver o que ele realmente queria, e com certeza não era dançar. Não importa quão bonito ele fosse, eu não seria só mais uma, eu não sou só mais uma. Eu iria me fazer de indiferente, e como pregnado em minha índole, iria ignorar a promiscuidade das pessoas em fazer sexo sem certo grau de intimidade.

“Quer que eu lhe pague uma bebida, então?” Insistiu.

“Uma água seria bom.” Pensei alto. Quase consegui ouvir sua gargalhada baixa no meio da música. Era como se ele gritasse sussurrando. Olhei com uma cara de dúvida, e ele percebeu.

“Iria mesmo beber água? Estamos em uma boate, com centenas de pessoas dançando e se pegando, e você iria beber água?” Seus olhos tentavam acreditar no que eu dizia, e eu tentei acreditar na sua insistência. Eu não iria levantar daquela cadeira, e se levantasse, seria em direção para a porta de saída. Fechei minha boca e voltei a atenção para a pista de dança. Onde mesmo estava Ino e Tenten?

Senti seu hálito quente bater no meu pescoço nu, e novamente prendi minha respiração. Céus, eu sou casada. Meu coração acelerou descompassado, e minha voz não saiu. Senti sua mão apoiar na minha cintura fina, e seus lábios subirem para meu ouvido:

“Você parece tão interessada na pista, tem certeza que não quer dançar?” Ele perguntou, atrevido. Eu reuni o pouco de força que me restava, e levantei-me da cadeira, nervosa. Olhei mais uma vez para seus olhos escuros e me perdi na imensidão de suas circunferências. Pareciam levemente com fragmentos da noite tão bela que estávamos tendo hoje e que eu estava desperdiçando naquele lugar indescritível.

“Não quero dançar.” Repeti, breve. Franzi minha sobrancelha, e desejei nunca ter sequer olhado para aquela criança. Porque era uma criança.

Perguntei-me se ele tinha mais que 20 anos. E bom, eu tinha 28. Oito anos de diferença era algo que deveríamos relevar. E principalmente o fato que vocês provavelmente já estão fartos de ler – eu sou indiscutivelmente casada. E quando eu digo indiscutivelmente é porque realmente não há maneiras e argumentos que modifiquem isso. Não há par de olhos e sorrisos sedutores que me façam mudar o meu amor imperfectível por Naruto.

“E não vou dançar.” Completei, colocando um ponto final na conversa. Fui educada o suficiente para não ser obrigada a desferir-lhe um tapa na face, e me virei para trás.

Caminhei em direção à saída e as pessoas me empurravam de leve. Pensei em olhar para trás para contemplar seus olhos mais uma vez, mas decidi que só estaria sendo injusta com ele e comigo mesma. Procurei Ino e Tenten pela última vez, antes de realmente decidir ir embora. Caminhei para a porta e alcancei meu celular para mandar-lhes uma SMS.

“Espere” Sua voz surgiu mais uma vez, e suas mãos frias encostaram no meu ombro. “Posso saber seu nome, no mínimo?”

Suspirei. Não teria problema em lhe falar o nome, teria? Quero dizer, nunca mais o veria na vida. “Sakura.” Respondi.

“Sasuke.” Ele sorriu infantil e me estendeu a mão em um comprimento.

Saí da 'festa' e caminhei até o ponto de taxi mais perto. Meu cabelo cheirava ao seu perfume, e pedia por outro banho. Vi uma SMS da Tenten em resposta, eu não a respondi.

E também não respondi as ligações de ambas as meninas durante o domingo, dia seguinte.

Fui trabalhar sem Naruto. Apesar de ambos sermos médicos, trabalhávamos em lugares diferentes. Imaginei-me se aquela seria minha vida desde o início, se ele não morasse ali comigo. Se eu não estivesse cegamente apaixonada naqueles seis anos de faculdade.

Bom dia.” Cumprimentei com um sorriso meu secretário. Gaara era um cara diferente. Magrelo e alto, dos cabelos ruivos e curtos. Poderia dizer que era um sujeito engraçado, se não fosse totalmente desprovido de senso de humor. Lembro-me do dia em que ele veio ao meu consultório logo nos seus primeiros meses, pedindo um emprego – precisava pagar a faculdade de direito. Suas blusas xadrez molduravam grandes quadrados coloridos e parecidos, e eu até poderia dizer que ele era alguém esforçado. E como todos os dias, ele não retornou o bom dia. Sorriu fraco como olá.

“O que temos hoje?” Perguntei, vendo que cheguei um pouco antes do horário.

“Cinco consultas antes do almoço.” Respondeu. Não lembrava estar nos meus planos almoçar uma da tarde. Porém o tempo passou voando, e faltava apenas mais uma consulta para acabar o dia corrido antes do almoço.

Sentei-me em minha cadeira confortável. Olhei para meu escritório, nervosa. Faltava uma consulta ainda para o almoço, e a fome subia pela minha garganta seca. Era a última consulta da manhã e os ponteiros teimavam em marcar meio dia. Estiquei meus braços para trás, e por alguns minutos deixei a falta de animo preencher meu peito. Suspirei antes de chamar a última paciente.

Ouvi a porta abrir cuidadosamente, como Gaara sempre fazia, e o ruivo deu o recado:

“Sakura, a senhorita Ino está ent-”

Não ouvi o resto da frase de Gaara e vi a porta abrir exagerada. Olhei meio assustada. Ino empurrou o pobre secretário, que nada tinha haver com seus motivos para raiva, e adentrou o meu escritório exaltada. Seus olhos azuis reluziram sua falta de paciência, e sua boca desdenhou um sorriso perverso.

“Já pode ir.” Ela disse para Gaara, e ele olhou torto. De alguma forma, aqueles dois nunca davam certo. Ele fechou a porta, e ela caminhou em minha direção. Sentou-se na minha frente e derramou as palavras: “Vim aqui saber até onde sua filha da putagem vai”

“Ino, olha o vocabulário.” Eu a repreendi. Ela olhou nervosa, e eu não pude me conter uma risada ou duas. Respirei. “O que houve?”

“O que houve? O QUE houve?” Ela parecia indignada, e eu sabia o porquê. Mas, melhor que falar tudo de uma vez, é esperar ela perguntar exatamente o que ela quer saber. “Por que não nos esperou? Eu poderia ter te deixado em casa, e fiquei até nervosa no domingo por causa disso. Agora, hoje, estou puta por que você não respondeu meus telefonemas ontem. Então EU lhe pergunto, o que houve?”

Suspirei pela milésima vez no dia. Ino era minha melhor amiga, e eu sabia que não deveria ter deixado-a sem notícias dessa maneira.

“Me desculpe. É que tinha um.. Um garoto lá que estava me enchendo o ..”

“O que?” Ela me pareceu surpresa. Bati minha mão na testa, reprovando a mim mesma; acabei falando demais novamente.

“Nada, não é nada.” Terminei o assunto, levantei da cadeira e me direcionei para a porta.

“Sabia, sabia! Tinha certeza que iria acabar aproveitando da fugidinha do Naruto para pegar uns caras.” Ela gargalhou gostosamente. Olhei de canto para seus dentes à mostra, e fechei meus olhos em busca de paciência. Céus, só uma um pouco de paciência até Ino ir embora.

“Eu não aproveitei nada.” Sentenciei. “E não era um cara, era um garoto. Se tivesse 19 anos, seria muito.” Comentei. Abri a porta e sorri. “Passe lá em casa hoje à noite e eu te explico, sim?”

Ela desistiu, cansada, e saiu do escritório. Eu sorri vitoriosa por alguns segundos, até a ver abrir a porta correndo e cochichar: “O próximo atendente é um gatinho.” Referiu-se ao pai do próximo paciente. E eu só queria almoçar.

Chamei a próxima criança, que veio de cabelos saltitantes. Debrucei meus olhos em seu sorriso, e me perguntei se estaria mesmo doente.

“Olá!” Abaixei para ficar da mesma altura que a pequena. “Você é a Hanabi, certo?” Assentiu sem pronunciar nenhuma palavra. Calculei que ela teria uns seis ou sete anos, no máximo. Ainda na porta, olhei para seu responsável. Levantei-me, e fui fechar a porta atrás do jovem que lhe trazia. Olhei para as calças justas, a blusa preta, o cabelo escorrido, os olhos escuros.

Sasuke. Meu coração acelerou por alguns segundos, antes de pensar em parar. Senti a fome passar por alguns segundos, e eu não soube direito o que senti. Não consegui sorrir para ele.

Contorci meu rosto de desaprovação. Apesar de tudo, sou uma pessoa bem chata – totalmente conservadora. Não era fã do modo como os jovens vivem hoje ou na minha época. E eu sei, tenho apenas vinte e oito anos e poderia aproveitar muita coisa, já que ainda tenho muito tempo pela frente. E ao ver aquela pessoa de aparência tão jovem na porta do meu consultório, pensei se não teria engravidado a namorada cedo e esquecido de casar ou qualquer coisa parecida. Sasuke já não havia me passado uma boa primeira impressão sábado na boate, e apesar de ter quase certeza de que não o veria novamente, aparecer pela segunda vez com uma filha não foi sua melhor ideia.

Suspirei.

“Haruno Sakura” Estendi minha mão para o garoto pálido, e esperei que ele me respondesse seu nome.

Não o fez.

“Hanabi estava tendo febre alta nessas últimas duas noites” Sua voz alastrou a sala. “Aí me indicaram você para descobrir o que ela tem, acho que foi isso mesmo.”

Olhei para seu rosto por breves instantes.

Então vamos ver o que a pequena Hanabi tem.” Coloquei meu estetoscópio em seu peito, e escutei suas batidas cardíacas – até aí nada diferente. Examinei com cuidado sua garganta, ouvidos. Deixei o termômetro medindo sua febre, e fui falar com o garoto. “Você deve ser o sr. Uchiha, certo?” Tentei confirmar. Sabia seu primeiro nome, mas precisava confirmar se era mesmo o pai da menina, e talvez um pouco de mim, quisesse saber seu sobrenome.

“Quase isso.” Sorriu bobo. “Onde vai almoçar hoje?”

Pisquei uma ou duas vezes antes de realmente entender o que ele estava querendo dizer. Continuei sem prestar atenção.

“Deve ser apenas uma amigdalite. Sua garganta inflamou, em alguns dias ela estará melhor se tomar esse antibióticos a cada oito horas” Continuei, lhe entregando um papel com a receita. Guardei meu termômetro no lugar, e levantei encaminhando a porta.

“Ainda não me respondeu onde vai almoçar hoje.” Sentenciou quase calado.

“Qual é seu nome mesmo?” Perguntei cansada, fingindo esquecer. Haviam passado cinco minutos do horário do meu almoço.

“ Sasuke.” Respondeu dando ombros. “Eu conheço um lugar legal aqui por perto.” Céus, eu não poderia estar ouvindo aquilo numa segunda-feira antes do almoço.

“Quantos anos você tem, 18? E sua filha está passando mal, acho melhor ir direto para casa.” Eu respondi nervosa, queria sair logo dali. Observei fundo os olhos escuros de Sasuke, e seus cabelos caindo na frente de seu rosto claro. Seu rosto se contorceu fremente, e seu sorriso pervertido montou-se plano.

“Tenho vinte e quatro anos” Pareceu emburrado. “Já pode sair comigo agora?”

E Sasuke era lindo. Lindo o suficiente para me fazer esquecer de Naruto por alguns segundos.

“Está atrasando meu almoço.” Comentei antes de sair da sala. “Melhoras para você, Hanabi.”



Notas finais do capítulo

Reviiiiews? (: