Greens: porque as Cobras também Rugem escrita por Cecilia Black Malfoy


Capítulo 1
Prólogo




Prólogo

Aquele momento parecia ter ocorrido ontem. Rose e Alvo haviam acabado de se despedir dos pais e embarcado no trem. Era o começo de suas vidas em Hogwarts.

— Calma, Rose – pediu Alvo ao ver que a prima tremia dos pés à cabeça -, tudo vai dar certo.

— Eu sei Alvo. Só estou com um pouquinho de medo, nada demais – respondeu a ruiva tentando fazer a perna parar de tremer involuntariamente. O trem acabara de dar um solavanco e a revista que a menina segurava caiu no chão. Rose bufou enquanto Alvo ria, balançando negativamente a cabeça.

Pensara em se abaixar para pegar a revista, mas outra pessoa foi mais rápida e a tirou do chão.

— Aqui está – disse um rapaz loiro para Rose, sorrindo.

— Obrigada – Respondeu a garota, corando.

— Estão procurando uma cabine? – Perguntou e Rose fez que sim com a cabeça. – Venham para a minha, tem espaço. – E saiu na frente indicando a cabine.

Alvo foi atrás do garoto, mas Rose o parou:

— Al, aquele é o Malfoy! Papai não gosta muito dele.

— É sério isso? Rose, eu não estou nem aí para o conselho do titio. Lembra que a tia Mione disse para desconsiderar qualquer besteira que ele falasse? – Disse Alvo no momento em que a cabeça de Scorpius Malfoy apareceu na porta da cabine.

— Vocês vêm ou não?

Alvo se encaminhou para a cabine e Rose o seguiu, dando de ombros. Assim que entraram, viram mais duas pessoas sentadas confortavelmente. Uma menina olhava distraída pela janela, enquanto que o rapaz parecia um pouco carrancudo. Ambos tinham cabelos castanho e rostos idênticos.

— Mais gêmeos – brincou Rose rindo para Alvo.

— Podem sentar – disse o garoto que os chamara, indicando os bancos à sua frente – Ainda não me apresentei. Sou Scorpius Malfoy e esses são Anna e Daniel Zabine.

Os outros olharam para Rose e Alvo.

— Eu sou Rose Weasley e esse é meu primo, Alvo Potter.

Anna tentou esconder a surpresa, sorrindo simpaticamente para os dois. Daniel olhou carrancudo para Scorpius, mas se limitou a dar um sorriso amarelo e puxar um assunto com os recém-chegados.

Scorpius cruzou os braços, analisando a cena e parecendo achar graça da situação.

— Isso vai ser divertido – comentou alto, rindo. Os olhares se voltaram para ele. Alvo franziu o cenho.

— E muito estranho. – Completou, fazendo Scorpius gargalhar.

— Mais algum adjetivo? – Perguntou Scorpius.

— Engraçado? – Sugeriu Anne sorrindo.

— Surreal. – Falou Rose, pensativa.

— Inapropriado – Scorpius censurou Daniel com o olhar, pelo comentário.

— Perigoso. – Todos riram com o comentário de Alvo.

— Educativo – disse Rose sorrindo e todos a encararam, confusos -, quero dizer, para os nossos pais.

Todos agora riam abertamente dentro da cabine, quando uma menina apareceu na porta.

— Com licença – chamou e todos se viraram -, mas será que tem um lugar sobrando?

— Sempre cabe mais um – disse Alvo apontando o lugar ao lado de Scorpius.

— Qual é o seu nome? – Perguntou Scorpius quando a garota se sentou ao seu lado.

— Patrícia Melo, mas pode me chamar de Paty – falou, sorrindo envergonhada.

— Melo... – Daniel falou pensativo. – Nunca ouvi esse sobrenome.

— Bem – começou Patrícia ficando vermelha -, eu vim de família trouxa.

— É óbvio. – Disse Daniel olhando para fora e ganhando um olhar de censura da irmã.

— Algum problema nisso? – Perguntou Patrícia numa mistura de raiva e tristeza. Alvo e Rose trocaram olhares alertas, e já estavam prontos para deixar a garota melhor, quando outro alguém foi mais rápido.

— Não há nenhum problema nisso, você é tão bruxa quanto todos aqui. – Rose se espantou ao ver Scorpius abraçar a garota e dizer-lhe aquelas palavras. Aquele não podia ser um Malfoy.

— Eu sou Anna Zabine – disse Anna se apresentando -, e esse chato é o meu irmão, Daniel, esses são Alvo, Rose e Scorpius.

Paty sorriu respondendo aos cumprimentos.

Algumas horas depois todos pareciam relaxados e amigos.

— Em que casa vocês querem ficar? – Perguntou Anna e Daniel revirou os olhos.

— Não seria óbvio? Eles querem ficar na Grifinória, honrar os pais! Sem ofensas.

— Não ofendeu. – Disse Rose rindo.

— Eu não ligo pra casa – falou Scorpius e Daniel o olhou como se fosse louco.

— Se você parar na Grifinória, seu pai te mata ou pior... deserda.

— Como se eu morresse de medo dele – comentou Scorpius sarcástico.

— Eu também não ligo – falou Alvo -, o problema é dos velhos, não meu.

— Eu sempre achei que verde fosse minha cor – brincou Rose arrancando risadas de Anna.

— Vocês todos enlouqueceram – disse Daniel rindo -, tudo maluco! Todo mundo vai acabar na Lufa-Lufa.

Scorpius, Anna e Alvo riram.

— Olha a maldade! – Brigou Rose, enquanto Paty observava tudo sem entender.

— Qual é a diferença entre as casas? – Perguntou a garota.

— Bem, existem quatro. Grifinória, Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa. Mas a diretora explicará melhor.

— Eu quero ir para a mesma casa que vocês – falou a garota, sorrindo animada.

— Acho difícil irmos todos para a mesma casa – começou Daniel -, e acho difícil você conseguir entrar na minha Sonserina.

— Que eu saiba a Sonserina não é sua. E eu entro posso fazer parte da casa que eu quiser – respondeu Patrícia, com raiva.

— Não é isso, tem a ver com a família – disse Daniel rindo.

— Isso é tão passado, Dan! – Falou Anna chutando o irmão na canela. – Além do mais, se a Paty tiver o sangue sonserino, ela entra. Aposto que ela consegue decorar mais feitiços que você.

Daniel olhou aborrecido para a irmã enquanto Paty sorria vitoriosa. Scorpius e Rose trocaram olhares divertidos.

[...]

Algumas horas depois...

— Malfoy, Scorpius. – Chamou Minerva e Scorpius saiu da fila de alunos que aguardava a seleção. Encaminhou-se para o banquinho e sentou, colocando o chapéu.

"Hum... que mente confusa” ouviu uma voz em sua cabeça. “É corajoso, porém tem grandes traços característicos de um Malfoy. Que grande mistura, que personalidade...”.

"Decide logo" pensou Scorpius, inquieto.

"Nervosinho... então vai mesmo para a...".

— SONSERINA – Gritou o chapéu e Scorpius sorriu, vitorioso, caminhando para a mesa que aplaudia.

— Melo, Patrícia. – Chamou Minerva, e Patrícia saiu da fila aos tropeços. Tremia tanto que o chapéu em suas mãos tremeu junto.

"Muito bom... nascida trouxa é mais fácil. Grifinória com certeza a receberia de braços abertos, mas... Oh! Interessante... A senhorita tem uma sede razoável para mostrar do que é capaz. Uma escolha meio imprudente a minha, mas você não me deixa opção...”.

— SONSERINA! – Gritou mais uma vez o chapéu. Paty, em euforia, sentou-se ao lado de Scorpius que a aplaudia, freneticamente. Daniel olhou atônico.

— Potter, Alvo. – Minerva chamou e um silêncio se fez no salão.

Um Potter.

Alvo caminhou apressado até o banquinho e colocou o chapéu.

"Outro Potter... diferente do irmão, que me desculpe a expressão, é meio sem cérebro. Você já pensa grande e tem a mente cheia de conhecimentos... Com certeza ouviu muitas histórias do pai, mas... Ah! Você tem outros desejos, e um talento impressionante. Claro que você irá para...".

— SONSERINA.

Silêncio. Ninguém mais aplaudia. Alvo engoliu em seco e encaminhou-se para a Sonserina, passando pelo irmão. James o encarava como se visse um fantasma. Scorpius tentando aliviar a tensão começou a aplaudir o amigo, sendo seguido por Patrícia. No momento seguinte, todos os sonserinos aplaudiam num misto de surpresa e contentamento. Chegara a hora deles se sobressaírem com alguém famoso na casa.

— O herói agora é nosso – brincou um terceiranista apertando a mão de Alvo.

— Finalmente um Potter com bom gosto – disse outro sonserino.

— Um Potter que preste. – Falou uma sonserina do sexto ano avaliando o garoto, que corou.

Outros nomes foram sendo chamados, até chegar a vez de Rose.

— Weasley, Rose. – Rose olhou aflita para a mesa da Sonserina e, ao ver os amigos reunidos, decidiu que casa escolheria, se pudesse.

"Hum... uma mente muito madura para uma criança de onze anos. Você se parece com a sua mãe, mas tem alguns traços do pai. Entretanto, vejo uma personalidade própria, diria que diferente. Nossa, é a primeira Weasley que me pede para ser uma sonserina. Você tem certeza? É claro que não teria nenhum problema. Já pode se considerar uma...".

— SONSERINA.

— Ok, pelas barbas de Dumbledore! O que está acontecendo? – Perguntou o terceiranista que apertara a mão de Alvo.

Todos olharam boquiabertos, enquanto Rose passava quase saltitando. James parecia que teria um ataque do coração a qualquer minuto.

— Meu Merlin – disse Minerva sem conseguir segurar o comentário. Outros professores pareciam tão surpresos quanto Minerva.

— Zabine, Anna. – Anna se encaminhou decidida ao chapéu.

"É óbvio que você sabe onde quer estar e sem dúvida está totalmente certa, minha cara."

— SONSERINA.

Aplausos foram ouvidos e Daniel sorriu satisfeito.

— Zabine, Daniel.

Não demorou nem meio segundo para o chapéu decidir:

— SONSERINA.

Naquela noite, um grupo acabara de se formar.

[...]

Anos depois...

Rose ria enquanto lembravam-se daquele dia.

— Foi realmente hilário – falou sentada no colo de Alvo.

— E o Danny dizendo que eu não poderia ir para a Sonserina. – Disse Paty dando um soco no braço do amigo. Daniel ruborizou, mas deu uma careta para a amiga.

— As chances eram pequenas...

— Naquele dia, Danny aprendeu o que é morder a língua. – Anna alfinetava o irmão.

— Vocês realmente me amam.

Estavam todos na casa de Scorpius, jogados nos sofás da sala.

— Que bom que todos foram para a Sonserina – começou Scorpius fazendo cachinho no cabeço de Rose -, não imagino minha vida sem vocês.

— Que fofo – disse Rose agarrando Scorpius pelo pescoço.

— Meloso... – comentou Alvo batendo no ombro do amigo – Vê se cresce!

— Ouça o Alvo – disse um homem entrando na sala -, deve ser a primeira vez que ele diz algo que presta.

— Tio Draco, como o senhor é engraçado. Morro de rir com o senhor.

Rose bateu no ombro de Alvo.

— Olá, senhor Malfoy – disse Rose para Draco, que sorriu meio sem jeito. Ainda não se acostumara tanto com Rose. Era mais fácil com Alvo, o idiota do grupo.

— Olá, Rose. – Cumprimentou Draco – Anna, Daniel.

Todos responderam com saudações.

— Scorpius, eu e sua mãe iremos sair. Por favor, não destrua a casa.

— Sim, senhor.

Draco saiu e Alvo tacou mais uma almofada em Scorpius.

— Ei!

— Meu Merlin! Você são tão crianças – disse Rose -, nem parece que vocês vão para o quinto ano.

— Nossa! Quinto ano. Eu estou ficando velha – falou Anna, rindo.

— É Anna, tem até umas ruguinhas no seu rosto – Alvo apontou para o rosto da menina, que corou.

— O Alvo tem dormido com um palhaço.

Alvo sorriu abraçando Anna.

— Você sabe que eu te amo.

— Ama é? – Perguntou Anna sarcástica tentando tirar os braços do garoto de si.

— Amo. Amo tanto que seu irmão está roxo de ciúmes com esse abraço.

E não era mentira. Daniel estava com uma expressão assassina.

— Esse quinto ano será um longo ano. – Comentou Rose. Scorpius olhou com um semblante sério para Rose. A ruiva sorriu, envergonhada. Seria, de fato, um longo ano.



Notas finais do capítulo

Estou revisando toda a fanfic, mudando algumas coisas e melhorando outras. :)