Feiticeira Escarlate encontra The Boys escrita por MarcosFLuder


Capítulo 15
Confronto final


Notas iniciais do capítulo

Esse é um capítulo que pede um esclarecimento no que diz respeito ao cânone da série The Boys. Os acontecimentos com os personagens de The Boys que serão mostrados neste capítulo darão um ar de encerramento que certamente não teremos na quarta temporada da série, que deve estrear em breve. Portanto, não levem em conta o que for lido aqui no que se refere aos acontecimentos do final da terceira temporada. É sempre bom lembrar que embora essa fanfic seja um crossover, a história é toda centrada na figura de Wanda Maximoff, a nossa Feiticeira Escarlate. Esclarecido isso, boa leitura.



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LOCAL DESCONHECIDO

WANDA MAXIMOFF NO MUNDO DE THE BOYS

DIA 36

— Uma aeronave está vindo nos buscar – a agente Malory desliga o celular e se dirige a todos ali, mas com o seu olhar voltado mesmo para Wanda.

— E quanto a doutora Christine e o pessoal da base científica que veio conosco? – Hughie pergunta.

— Vamos deixá-los num local onde eles podem conseguir um transporte – Malory responde – de lá eles decidem para onde vão – mal termina de responder, tanto Malory quanto os demais são atraídos para uma discussão entre Wanda e América.

— Estou cansada de tudo isso, América – é uma Wanda exasperada quem fala – tudo o que eu quero é voltar para o meu mundo.

— Você não pode abandonar essas pessoas, Wanda – há um ar de súplica no olhar da jovem – elas precisam de você. Esse mundo inteiro precisa.

— Você acha o quê? Que isso vai compensar tudo o que fiz? – Wanda se dirige a América – e o que te faz pensar que eu quero compensar alguma coisa?

— Stephen me contou a sua história, Wanda – América ignora a atenção das pessoas no seu entorno, enquanto se dirige à mulher mais velha – ele me contou sobre tudo o que você sofreu, sobre o que perdeu. Você fez coisas horríveis Wanda, mas Stephen me disse que não existe verdadeira maldade em você. As coisas que você fez nesse mundo parecem comprovar o que ele disse.

          Wanda abaixa a cabeça por um instante, para logo depois olhar em volta, para as pessoas que observavam a sua discussão com América. Era possível ver a ansiedade no olhar de todos, embora houvesse diferença entre esses olhares. Tirando a doutora Christine, por motivos que não diziam respeito exatamente a ela própria, as pessoas naquele laboratório que ela e América salvaram, não significavam nada para a ex-Vingadora. No entanto, o olhar de Maria a abalou, a amizade que se construiu entre as duas afetando seus sentimentos. Olhar para o casal Annie e Hughie, o amor tão visível entre os dois, a faz recordar dos seus momentos de felicidade com Visão. Tudo isso era demais para Wanda, e num impulso, o que ela fez foi levantar vôo com incrível rapidez, levando uma chocada América Chaves junto com ela. Evitando olhar para baixo, ela não viu os olhares, entre chocados, decepcionados e desesperançados, dos que olhavam para cima, vendo-a desaparecer.

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“O mundo está a beira de uma guerra” – a voz e a imagem do locutor aparecem na tela do celular de Kimiko. Ela e os demais estavam num carro, que seguia por uma estrada secundária, na região de Nova Jersey – “os governos da Europa, bem como Rússia e China, colocaram suas forças armadas de prontidão, assim que o comunicado divulgado pelo Capitão Pátria foi retransmitido pelo mundo todo. Os arsenais nucleares de Rússia e China, bem como os de diversos outros países, se encontram prontos para ser usados, pelo menos é o que se deduz das declarações de porta-vozes de vários países”.

— Você acha que o Capitão Pátria irá atacar outros países, Mon Ami? – a pergunta de Francês é dirigida a Leitinho.

— Do jeito que aquele psicopata se acha confiante de que é capaz de tudo... – pelo retrovisor, Leitinho olha para uma Melissa bem assustada – está tudo bem querida. Vamos dar um jeito de parar esse cara.

          O GPS indica que já estão chegando ao local indicado pelas coordenadas enviadas por Malory. Todos logo percebem que é uma espécie de pista clandestina de pouso. Um breve momento se passa e um barulho vindo do alto chama a atenção de todos, com o pai de Hughie, e também Francês, colocando suas cabeças para fora do carro. O que ambos vislumbram é um avião pousando na pista. Leitinho conduz o veiculo direto para onde a aeronave está pousando. Todos saem do carro, com a tensão em seus rostos diminuindo bastante, ao ver as pessoas desembarcando. Hughie fica muito feliz ao ver o pai e corre para abraçá-lo, sendo logo correspondido. Bruto se dirige de imediato para Leitinho, com este já sabendo logo o que ele irá perguntar.

— Está contigo?

— Eu ainda acho tudo isso uma loucura, mas eu trouxe sim – ele vai até o porta-malas e o abre. Tem uma sacola dentro que é aberta, mostrando uma caixa com diversos frascos dentro – o que aconteceu com a feiticeira?

— Não sabemos se será possível contar com ela, Leitinho – é Annie quem responde – eu não perdi totalmente a esperança. Tem uma pessoa que conhecemos através da Wanda. Eu acredito nela, mas se não houver outra solução, vamos ter que usar o V-24 mesmo – a feição de Leitinho é de enorme angústia. Ele olha de Annie para Bruto, e deles para Monique e a filha. A visão delas é suficiente para ele tomar sua decisão.

— Tudo bem então. Se não houver outro jeito, vamos com essa porcaria mesmo.

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          Ela pousou numa colina, próxima de uma cidade. Wanda sentia sua respiração acelerada pelo vôo longo e sem uma direção definida. Enquanto estava no ar ela evitou olhar para América, mal ouvindo seus gritos, pois a cacofonia no ar era igualmente intensa. Ao pousar ela ainda evitava o olhar da jovem. Esta, por sua vez, se mantinha em silêncio agora. As duas mulheres pareciam apenas aproveitar a paisagem, respirar o ar puro, sentir o vento frio soprando levemente. Foi de repente que o grito de América fez com que Wanda olhasse para ela novamente. A jovem de traços latinos encarando a mulher mais velha, vindo resoluta em sua direção.

— Qual o seu problema? – América grita a sua pergunta.

— Eu só quero voltar para casa – é num fiapo de voz que Wanda responde.

— E todo o resto que se dane, não é mesmo? – os olhos de América lacrimejavam agora – tudo o que importa é Wanda Maximoff conseguir o que quer, não importa quanto pessoas sofram, quantas morram.

— O que você espera de mim, América? – Wanda começa a gritar também – redenção? Arrependimento? Dedicar cada segundo da minha vida a compensar pelo mal que fiz, pelas pessoas que matei?

— Você acha que é esperar muito não virar as costas para quem precisa da sua ajuda, Wanda? – a voz de América ganha um tom normal agora – você acha que é esperar muito que tendo condições de evitar que um grande mal aconteça, você deixe isso de lado por puro egoísmo? Você acha que tudo irá se resolver magicamente na sua vida se você simplesmente voltar?

— Alguém me disse que o meu destino é me afastar da humanidade – lágrimas descem agora pelo rosto de Wanda – quem disse isso provavelmente está certo. Talvez eu deva começar a fazer isso agora. Por favor, América. Me deixe ir para casa.

— É isso que você quer, Wanda? – lágrimas também descem pelo rosto de América – dar as costas de vez para a humanidade? – a jovem de traços latinos suspira em meio às lágrimas. Com um grito ela abre um portal, indicando o caminho para a mulher diante dela – pode ir. Se essa é a sua escolha, vá então.

          O portal aberto diante dela oferece o retorno que tanto deseja. Wanda chega a dar alguns passos adiante, mas para. A ex-Vingadora sente seu coração batendo forte, sua respiração irregular. As imagens das pessoas que conheceu nas últimas semanas não saem de seus pensamentos. As gargalhadas que Maria foi capaz de provocar nela, os ótimos momentos íntimos com Tyler, a boa sensação ao olhar o casal Annie e Hughie. Wanda sabe que a conta sempre estará no vermelho, não importa o que venha a fazer, quantas pessoas sejam salvas por qualquer ação sua. Ela se lembra de tudo o que Chthon lhe disse, sobre o destino que a aguardaria. A ex-Vingadora se vira e olha para América, vendo no olhar dela toda aquela expectativa, tanta esperança. Esperança nela? A ex-Vingadora suspira brevemente, com apenas o olhar já sendo o suficiente para fazer América sorrir. Ainda que contra a sua vontade, Wanda acaba sorrindo também.

WASHINGTON D.C.

WANDA MAXIMOFF NO MUNDO DE THE BOYS

 DIA 37

          Uma fumaça muito alta cobre a área onde as três figuras caíram. Um grande número de pessoas se aproxima do local, apesar de um pequeno grupo de policiais fazer de tudo para detê-las. Bruto, Leitinho, Annie e os demais se juntam a esses policiais, mas é muito difícil conter a multidão. Admiradores e desafetos do Capitão Pátria estão misturados no meio de tudo aquilo. A fumaça aos poucos se dissipa, com as três figuras emergindo delas. Bruto olha de imediato para seus companheiros, a mochila que carrega sendo aberta. Há um diálogo silencioso entre todos. Bruto pega uma das cápsulas de V-24, a intenção bem evidente em seus olhos. Leitinho e Annie imploram, apenas com o olhar, que ele não faça isso, com ambos se colocando do lado de Wanda; os três de frente para o Capitão Pátria e de Ryan. Maria, Hughie, Kimiko, Francês, até a agente Malory, fazem o mesmo. Após um momento de hesitação, Bruto se perfila ao lado dos companheiros, e de Wanda, guardando o frasco de V-24, dessa vez no bolso de seu casaco.

— Olhe só para eles, Ryan – o sorriso maníaco do Capitão Pátria se mantém firme – acreditam mesmo que podem juntar forças contra nós – ele leva sua mão até uma das orelhas, onde se encontra um comunicador – é hora de aparecerem pessoal.

          O som de jatos é logo percebido, são quatro, na verdade. As aeronaves pairam acima de    todos, como que esperando uma ordem. A tensão é sentida no ar. Mantendo o ar sorridente, o Capitão Pátria está tão entretido em sua certeza de que tem aquela que representa a maior ameaça a seus planos presa numa armadilha, que mal repara na criança a seu lado, todo o seu pensamento voltado para Wanda. Em sua mente, não há lugar para entender quem não está incondicionalmente ao seu lado. Tudo o que ele deseja é obediência cega, submissão total aos seus desejos. Mesmo em relação a Ryan, para o Capitão Pátria, tudo o que importa é o que ele deseja, mais nada.

          Nesse mesmo tempo, o olhar de Ryan segue por todas as direções, desde a multidão que se aglomera próxima a eles, para as pessoas ao lado de Wanda. O menino para no olhar de Bruto, no desespero que nota nele. A mágoa ainda está presente em seus pensamentos, mas ele também se lembra da sua mãe, das conversas onde ela evocava o seu passado. Muito do que ele não entendia na época está bem claro agora, principalmente as referências da mãe a certa pessoa. Seu olhar também se volta para cima, vendo os quatro jatos parados no ar. Seu último olhar é para o pai, o sorriso dele indicando para Ryan o que está preste a acontecer.

— Atirem à vontade, rapazes – a voz do Capitão Pátria é ouvida por todos, gerando um pânico em massa, à medida que os jatos começam a disparar tiros a esmo contra a multidão.

          A reação de Wanda foi imediata. As razões que levaram a essa reação era o que menos importava agora. Tudo estava muito confuso em volta, ela não sabia dizer onde cada um se encontrava, quem poderia ser atingido pelos tiros, quem estava em condições de se proteger. O pensamento de Wanda estava voltado para América, a ideia dela ser atingida por um dos tiros, de se perder a sua única chance de voltar para seu mundo, sendo intolerável. Independente desse pensamento, não era uma situação onde fosse possível escolher a quem proteger. A ex-Vingadora mais uma vez se lembrou do que Steve nunca deixava de dizer, antes das poucas missões de que participou como Vingadora. “Nunca escolha a quem proteger, proteja todos que precisarem, não importa quem”. Foi o que ela fez, garantindo que nenhum dos tiros, disparados pelos jatos, acertassem alguém, incluindo os que estavam ali para apoiar o Capitão Pátria. Ela sabia o que iria acontecer em seguida, se preparando para resistir ao ataque duplo de pai e filho, mas não foi exatamente isso que aconteceu.

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          Bruto ficou impressionado com o que viu. A mulher que ele basicamente só chamava de “bruxa” usando seu poder para defender a todos que eram alvos dos tiros. Ao mesmo tempo ela enfrentava um Capitão Pátria que voltava a atacá-la. Ele via todos em volta, assustados por ver os tiros que lhes eram dirigidos serem repelidos pelo escudo escarlate em volta de seus corpos. Bruto não tinha dúvida que passava pela cabeça deles o mesmo que atravessava os seus pensamentos, pois ninguém sabia o quanto a Feiticeira Escarlate poderia manter essa proteção enquanto enfrentava o poder do Capitão Pátria. Ao contrário das outras pessoas, no entanto, Bruto tinha algo consigo. Era pouco provável que ele resistisse a mais essa dose, mas em nenhum momento houve hesitação de sua parte em tirar a cápsula de V-24 que estava no bolso do seu casaco. Ele não perdeu tempo de aplicar em si mesmo uma dose.

          Os efeitos do composto foram bem piores dessa vez. Ele sentia como se estivesse pegando fogo por dentro, como se seus órgãos internos estivessem derretendo. Bruto dobrou os joelhos, a dor intensa refletida num grito agonizante. Isso não o impediu, entretanto, de notar uma luz brilhante ao lado. A dor foi meio esquecida quando viu uma figura se erguer bem acima do chão. Não era a heroína criada pela Vought, não Starlight, mas uma jovem Annie  January usando o poder que dispunha, não para servir aos lucros de uma grande corporação, mas para salvar vidas, mesmo ao risco da sua. Ele viu Annie disparar um jato de luz intenso contra um dos aviões que estavam atirando a esmo contra a multidão. A aeronave ficou totalmente descontrolada, caindo logo adiante e explodindo. O corpo de Annie desabou logo depois. Bruto não sabia se o esforço tinha sido fatal para ela, mas deixou esse pensamento de lado. Tudo esquecido, inclusive a dor, ele se levanta e dispara um raio de seus olhos, atingindo outra aeronave, despedaçando-a totalmente.

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          Wanda sentiu de imediato que agora também precisaria proteger as pessoas dos destroços das aeronaves explodindo. O som e a fumaça das explosões, o fogo surgido dos destroços, tudo isso fez com que ela e o Capitão Pátria suspendessem a luta. As duas aeronaves que sobraram também parando de disparar. A ex-Vingadora sentia em si, os efeitos do uso de seu poder. Mais uma vez a inexistência da magia naquele mundo cobrando um preço dela. Seu olhar estava todo voltado para o Capitão Pátria, atenta a qualquer movimento dele. Ela o viu sorrindo novamente, aquele sorriso maníaco e sem qualquer traço de alegria. De repente algo que parecia uma garrafa o atinge em cheio. Ele se vira, pronto a reagir, mas fica paralisado ao notar que quem atirou era uma pessoa vestindo uma roupa onde a sua figura estava estampada.

— Assassino! – grita o antes apoiador – você nos enganou – outras pessoas começam a gritar, muitas delas seus antigos apoiadores. Outras aproveitam que os tiros cessaram e fogem rapidamente.

— Insetos inúteis – o grito do Capitão Pátria é seguido por um raio saindo de seus olhos, indo direto para a multidão. Todos ali se encolhem, mas nada sofrem, pois mais uma vez Wanda impede que sejam atingidos. Ele olha para sua inimiga – olha só como ela é boazinha, salvando todos do vilão – ele diz, um tom de sarcasmo evidente na voz.

— Não faço isso por bondade – Wanda retruca – eu faço isso porque posso fazer.

— Vejamos o que você pode fazer – ele volta a se comunicar com as aeronaves restantes –.voltem a atirar rapazes.

— Não – o grito de Wanda é acompanhado de uma violenta rajada que destrói as aeronaves, com ela ainda usando o seu poder para fazê-las cair em cima do Capitão Pátria. Pouco mais de um minuto se passa até a fumaça e o fogo se dissolverem, justamente pela ação do pai de Ryan.

— Acha mesmo que pode me destruir com isso, bruxa – ele se volta para o filho – vamos acabar com ela, Ryan – ele volta a atacar Wanda, que se defende, mas Ryan nada faz – o que está esperando, Ryan? – ele se volta para o filho – nós já poderíamos ter acabado com essa vadia quando ela estava ocupada segurando o ataque das aeronaves. Eu preciso de você, amigão – a expressão de Ryan é uma mistura de medo e indecisão – qual é o seu problema moleque, faça o que o seu pai manda.

— Você não é o pai dele! – é a voz de Bruto que se ouve. Ele se volta para Ryan, seu corpo ainda sentindo os efeitos do uso do V-24 – me ouça Ryan. Você não tem que fazer nada disso. Não foi para isso que a sua mãe te criou.

— Não dê ouvidos a ele, Ryan – o Capitão Pátria pega o garoto pelo braço – ele não é da nossa espécie, nenhum deles é, nem a sua mãe. Ela foi só um veículo para você vir a esse mundo. Somos só nós dois amigão, somos muito melhores que esses insetos.

— Eu sinto muito Ryan – Bruto chega mais perto do garoto, ignorando o Capitão Pátria – eu sinto muito por ter falhado com você... e com a sua mãe. Ela te amou até o fim. Mesmo na hora da morte, era com você que ela estava preocupada. Ela me fez prometer que ia cuidar de você, mas eu falhei com essa promessa. Eu sinto muito mesmo.

— Você não é nada dele – o grito do Capitão Pátria contém um ódio que mesmo ele nunca tinha experimentado antes – nem você e nem a vadia que o pariu. Ela foi só um veículo, mais nada.

— Venha comigo, Ryan – Bruto estende a mão, ignorando o Capitão Pátria – venha comi...

          Wanda ainda estava sob os efeitos do uso de seu poder. Ela sentia um cansaço enorme, como nunca sentira antes. Definitivamente esse mundo não era para ela. Ainda assim, a ex-Vingadora sabia que não deveria ter baixado a guarda. Foi por menos de um minuto que o fez, vendo a atitude de Bruto, a atenção do Capitão Pátria voltada para manter o menino sob sua influência. Tudo o que desejava era um momento para recuperar o fôlego. Em menos de um minuto, no entanto, tudo aconteceu. Ela viu a mão estendida de Bruto, a tentativa desesperada deste em trazer o menino para o seu lado. Foi uma atitude temerária, diante da figura que ainda segurava Ryan pelo braço. Dessa vez não foi possível para Wanda reagir a tempo, proteger Bruto como tinha protegido a todos antes. A rajada do Capitão Pátria o atingiu em cheio, seu corpo derretendo de imediato, até virar um pedaço carbonizado no chão.

— Não! – o grito de Ryan foi ouvido por todos. Ele consegue se soltar do pai e corre até o corpo carbonizado do homem que amou sua mãe – por que você fez isso? – Ryan se volta para o Capitão Pátria.

— É assim que tem de ser, Ryan – o Capitão Pátria ainda tenta trazer o menino de volta para o seu lado – você precisa entender. Eles são todos insetos diante de nós.

— É verdade, Ryan – a voz de Wanda atraindo a atenção de pai e filho, bem como de todos no local – é assim que deuses vêem as pessoas abaixo deles. Insetos sob seus pés. Creio eu que mesmo aqueles deuses mais benevolentes não conseguem evitar essa certeza – ela se volta para o Capitão Pátria – seu pai pensa que é um deles, mas não é, nunca foi, nunca será.

— Cala a boca, bruxa – o grito do Capitão Pátria tem um ar de loucura em seu tom – o que você sabe sobre deuses?

 - Eu posso dizer que estive na presença de um – Wanda ainda mantém o olhar voltado para o Capitão Pátria, nenhum dos dois percebendo quando Hughie e Annie se aproximam do corpo carbonizado de Bruto, ambos ao lado de Ryan agora – Chthon é o nome dele. Foi quem me mandou para esse mundo, com um objetivo que só ele conhece.

— Se esse deus de que você fala te mandou para cá, com certeza foi para me testar – o sorriso dele tinha um ar ainda mais maníaco do que o habitual.

— Disso eu duvido – Wanda também sorri – ele não precisa testar você. Ele sabe muito bem o que você é, assim como eu também sei.

— E o que eu seria para você e esse seu deus, bruxa?

— Ele não é o “meu deus”, ele é o deus sei lá de quem – Wanda retruca – mas você, você é só o fruto mais pobre, vindo de sementes que já eram ruins desde o início.

— Cale a boca, bruxa. Cale a sua boca – ele grita.

          Todo esse tempo falando, esse precioso tempo em que poupou suas forças, era tudo o que ela precisava. Dessa vez Wanda estava pronta. Mal os olhos do Capitão Pátria começaram a brilhar, pronto para lançar mais uma rajada de raios, Wanda tratou de envolver o corpo dele numa bolha de cor escarlate. Todos ali presentes viram, em diferentes graus de espanto, quando o corpo do Capitão Pátria levitou até mais de dois metros de altura. Não havia mais um sorriso maníaco naquelas feições. O rosto dele agora se contorcia em dor, mas os gritos eram abafados pela bolha escarlate que o envolvia por completo.

          De repente, um líquido de cor esverdeada começou a sair por todos os poros e orifícios do corpo dele. O líquido esverdeado passava pela bolha escarlate e ganhava o ar, se dissolvendo de imediato. Foi um espetáculo grotesco, que durou pouco mais de um minuto, até que não havia mais líquido nenhum saindo do corpo do Capitão Pátria. Logo depois, foi a vez da bolha escarlate se dissolver, com o corpo daquele até então conhecido como o maior super-herói do mundo, desabando no chão. Uma Wanda visivelmente exausta também dobrou seus joelhos.

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          A dor que sentiu foi algo que jamais experimentara em sua vida. Erguido no ar como um pedaço de carne no açougue, ele se sentiu indefeso, como nunca tinha se sentido antes. Era como se seus órgão internos estivessem derretendo, como se estivesse sendo sufocado de dentro para fora. Ele podia sentir o líquido escorrendo de si próprio. Mal conseguia ver algo, pois esse mesmo líquido também saia de seus olhos. Tudo parecia embaçado para ele. O Capitão Pátria gritou como nunca fizera antes. Por mais que se esforçasse, por mais que forçasse seus poderes, não conseguia sair daquela situação. Não sabia quanto tempo se passara, mas eventualmente tudo acabou. Desabou no chão, levando um bom tempo para se recuperar. Ainda estava se levantando quando viu a mulher que fora responsável pela sua agonia igualmente caída, aparentemente esgotada. Ele sorriu, sentindo finalmente que seria vitorioso. Levantou-se cheio do seu orgulho habitual.

— Dessa vez eu vou acabar com você, bruxa maldita – ele pretendia atingi-la com a rajada de raios mais forte que já despejara em alguém. Qual não foi a sua surpresa ao ver que nada aconteceu – o que está acontecendo?

— Acabou para você – uma Wanda ainda exausta disse. Mal conseguindo se levantar, ele se acomoda sentada mesmo – pensei em te matar, mas isso seria tão pouco para você. Resolvi fazer algo muito pior, lhe dar um destino muito mais cruel. Tirei todo o Composto-V do seu corpo. Sem poderes para você a partir de agora.

— Isso não é verdade – havia um desespero no grito dele que fez Wanda sorrir – sua bruxa maldita – ele avança até a mulher ainda sentada, mas é detido por um Leitinho que lhe dá um soco, fazendo com que caísse no chão. Aquele outrora conhecido como Capitão Pátria fica sem reação, ainda mais depois de sentir o sangue escorrendo de seus lábios – não pode ser. Não pode ser.

— Ei policial – Leitinho grita para um dos policiais que estava perto, junto com outros que seguravam o restante da multidão que ainda estava lá – traga uma algema até aqui.

          Aquele que era considerado o ser mais poderoso da terra foi algemado facilmente por um policial jovem. Um novato que jamais imaginaria fazer algo parecido quando viu o seu nome na escala de trabalho para esse dia. O espanto maior foi do próprio Capitão Pátria. A multidão em volta, por sua vez, ficara ainda mais descontrolada. Mesmo aqueles que tinham vindo inicialmente para demonstrar apoio ao homem agora algemado, se juntavam no coro dos que queriam linchar o outrora temido e reverenciado Capitão Pátria. Wanda já se erguera, ainda que não totalmente recuperada.

— Matem ele, matem esse desgraçado – o primeiro grito foi ouvido no meio da multidão.

— Matem, matem – e novos gritos começaram a ser ouvidos. Algumas dessas pessoas que gritavam, portando camisas de apoio ao Capitão Pátria – matem os “supers”. Matem todos os “supers”.


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Notas finais do capítulo

Capítulo 15 postado como prometido. Já posso dizer que no próximo domingo teremos o penúltimo capítulo da fanfic, pois já estou com o último capítulo bem adiantado, com sorte eu termino a primeira versão dele ainda hoje. Até domingo que vem.



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