Feiticeira Escarlate encontra The Boys escrita por MarcosFLuder


Capítulo 14
Inverno nuclear


Notas iniciais do capítulo

Estamos nos aproximando do fim da fanfic. Já está claro para mim que serão 17 capítulos, sendo que devo começar a escrever esse último hoje. Por conta disso, quero já deixar claro algumas questões sobre a série The Boys que abordei nessa fanfic. Como já foi dito, a história se passa alguns poucos meses depois do fim da terceira temporada da série. A quarta temporada já está vindo aí, e meu primeiro aviso é que nada do que vier a acontecer nessa fanfic deve servir de parâmetro para o que for mostrado na nova temporada da série, no que se refere ao desfecho da história dos personagens. Nessa história eu pretendo dar um efetivo fim a trajetória de Bruto e companhia, e igualmente do Capitão Pátria, Vought e do Ryan. Em verdade vocês já tiveram uma pequena amostra disso, com o destino da filha de Victoria Neuman, que na série poderá ser completamente diferente. Neste capítulo, portanto, teremos referências de várias situações que vimos na série, principalmente através de Bruto, Hughie, da Malory e do Leitinho e sua família. No caso de Wanda e América, também teremos algumas vagas referências ao final de Dr. Estranho no Multiverso da Loucura. Para terminar, já peço desculpas a quem me honra acompanhando essa história, pela ausência da postagem no domingo passado. Eu tentei avisar nas três páginas de facebook onde divulgo a fanfic que meu notebook tinha dado pau na sexta-feira passada, mas não sei se a informação chegou a todos. Eu ainda sou da primeira geração que teve acesso a interne, lá na época da internet discada, quando ainda era tudo mato. A ideia de postar um capítulo pelo celular é simplesmente impensável para essa relíquia digital que sou. Enfim, tudo regularizado, agora voltamos a programação normal. Aproveitem o capítulo.



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Eles estão em grande altura agora. A superfície do deserto onde estavam era apenas um ponto distante, mesmo para a visão além do normal que ambos possuíam. Ryan ainda estava tomado de pensamentos conflitantes sobre o que havia ajudado o seu pai a fazer. Os segundos que se passam parecendo uma eternidade para ele. O menino olha para o homem por quem tem sentimentos mistos e conflitantes. O sorriso no rosto permanecia lá, mas tudo o que gerava era uma grande estranheza em Ryan. O menino podia ver que não havia qualquer alegria genuína nele. O que o brilho no olhar do Capitão Pátria mostrava era uma expectativa de morte e agonia, um prévio regozijo com o desespero alheio.  

         Foi então que a explosão veio. Ryan lembrou do documentário sobre as cidades japonesas que viu com sua mãe uma vez. O grande cogumelo nuclear subindo. A posição onde ele e o pai estavam permitia uma visão privilegiada do evento. Era possível ver, não só a fumaça nuclear subindo, mas seus efeitos no entorno. A onda de energia se espalhando pelo ar, o efeito nos ventos, a temperatura subindo a níveis terríveis. A visão de Ryan lhe permite ver como a dupla explosão ia reverberando para bem longe do seu ponto central. Sua super audição captava os sons da vida morrendo de forma agonizante ao longo de milhas. Havia vida naquele deserto, vida que não tinha notado antes, mas que agora se mostrava a ele, no seu derradeiro momento de horrenda agonia. Ryan tapa os ouvidos, mas é um gesto inútil.

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          Já tem um bom tempo que a vida de Bruto é uma simples espera da morte. Ele recebeu o diagnóstico sobre o seu uso continuado do V-24 com serenidade, um certo conformismo, algo que chegava perto até de um tranquilo alívio. O tempo das lutas chegaria ao fim, e ele teria o descanso do esquecimento. Mas, enquanto esse dia não chegasse, Bruto seguiria na luta. O desejo de ver o Capitão Pátria derrotado e destruído era muito forte, com o descanso da morte sendo uma recompensa pelo seu sucesso no bom combate. Tais pensamentos, no entanto, não estavam em sua cabeça naquele momento. Foi só durante alguns breves segundos, talvez tenha sido apenas por um segundo, isso se não foi apenas uma sensação ilusória. A verdade é que ele sentiu a vida obliterar-se diante dele, não no doce esquecimento, mas numa agonia infernal, que parecia infinita.

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          Annie teve a reação imediata de usar seus poderes. Ela nem tinha a ilusão de que o uso dos mesmos fosse capaz de alguma coisa contra a explosão, foi apenas uma reação automática. Essa reação durou um breve segundo, ou foi apenas a sensação de ter se passado esse tempo. Tudo o que vinha no seu pensamento era em como poderia proteger as pessoas à sua volta, como garantir que Hughie permanecesse vivo, pois não acreditava que poderia suportar a ideia de tê-lo morto em seus braços. Ela também pensa na mãe, nos momentos difíceis juntas. Naquele momento, as brigas, desacordos e rancores perderam qualquer importância, agora que sente a morte tão próxima. O estranho para ela é ver que a morte não é um mergulho na escuridão, envolvendo-a como uma mortalha escura. Em vez disso, a morte se apresenta a ela como uma luz branca cegante em volta de si. Mais do que a sensação de morte, no entanto, estava também o desespero de não saber o que aconteceu com todos os outros, principalmente Hughie.

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          Maria Alvarado cresceu para se tornar uma pessoa cética por natureza. O ceticismo se tornou parte dela, mesmo tendo sido criada numa cultura católica, cercada de superstições, de crenças em curas e milagres. Mesmo tendo crescido com a ideia de um plano muito acima da compreensão humana, ela nunca foi uma crente de fato. Seus pais até garantiram que ela cumprisse todas as obrigações e compromissos de uma boa católica, mas sua crença em deus nunca foi além do utilitário. Maria se afastou muito disso ao longo dos anos, embora mantivesse o senso moral com que foi criada. Por isso mesmo, ela tem consciência de que o seu desejo de ajudar ao próximo, sua ética de solidariedade, bem como seu senso de justiça, certamente tem muito dessa cultura católica latina que ela herdou dos pais.  

          Seu ceticismo, no entanto, tem sido muito testado nas últimas semanas. O fato de ter presenciado acontecimentos que julgaria absurdos até então está diretamente ligado a isso. Ver tudo o que Wanda fez, lidar com alguém que tem o poder de uma divindade, caminhando a seu lado, tudo isso a fez refletir sobre muito do que aprendeu, com a fé herdada de seus pais. E nesse momento, quando experimenta uma sensação de morte eminente, é justamente essa mesma fé que surge em sua mente. Ela não tem ideia de quanto tempo se passou, mas a sua prece tem sido longa, não só em seu favor, mas em favor de todos os que estão nessa situação com ela.

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          Nos últimos tempos Hughie tem pensado muito em seu pai. O namorado de Annie tem pensado no homem que seu pai sempre foi, no exemplo que sempre deu, em como nunca deixou de estar presente para ele, toda vez que isso se fez necessário. Nesse momento, quando a morte parece inevitável, ele lamenta profundamente por todo o tempo em que foi incapaz de dar um verdadeiro valor ao homem que o criou. Só muito recentemente ele se deu conta de que esse é o tipo de homem que quer ser; para todas as pessoas que conheceu, para seus amigos, e principalmente para Annie.

          A sua preocupação é com todos, mas é o rosto de Annie que ele busca, em meio ao ambiente de luz cegante que se formou em torno dele. Tudo o que ele deseja agora é saber se a namorada está bem. Hughie está tomado por uma sensação de completo desamparo.  Ele não sabe se está gritando o nome dela, pois não é capaz de ouvir nada, em meio à cacofonia de sons que se formou em seu entorno. Hughie não sabe como tem se dado a passagem do tempo, desde que a explosão os atingiu. A verdade é que nem mesmo tem certeza se está vivo ou morto. Essa última ideia, por sinal, o deixa apavorado, não exatamente por si, mas pelo que pode ter acontecido com Annie.

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          A agente Malory aprendeu que a melhor forma de fazer o seu trabalho é suprimir suas emoções. Não é o caso de eliminá-las, mas de as manter guardadas num canto escondido, bem protegidas. Para ela, emoções devem ser liberadas apenas em momentos específicos, quando não corressem o perigo de se tornar algo vazio, insípido ou deturpado. Suas emoções eram guardadas para a filha, a única coisa boa que resultou de um breve e desastroso casamento, e mais tarde, para os netos que esta filha lhe deu. Ela sempre fez de tudo para proteger sua família do seu trabalho, mas não foi o suficiente para salvar seus netos de uma terrível morte. Ao longo dos anos, Malory continuou fazendo o seu trabalho, pois este se tornou tudo o que lhe restou, à medida em que sua filha, dela se afastou também. A possibilidade de morrer sempre fez parte da equação. O que não esperava era ser obliterada da existência num ataque nuclear. Seus pensamentos eram apenas para a filha e para os netos, mais ninguém.

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          América Chaves soube imediatamente o que estava acontecendo, quando sentiu o poder envolvendo-a. A luz cegante, os sons que formavam uma cacofonia ensurdecedora, a desorientação que tomava conta dela, nada disso a impediu de perceber o que realmente aconteceu. Ela sabia que só não tinha sido eliminada da existência, pulverizada até se tornar uma mancha escura no chão, por conta do poder de Wanda Maximoff. América sentia-se flutuando. A jovem de traços latinos estava ciente de estar envolvida numa bolha que rompia o branco cegante da luz, ganhando um tom escarlate à sua volta. Ela apurou seus sentidos, tratou de se concentrar. Era inútil tentar outra forma de contato além daquela que lhe permitiu descobrir que Wanda estava viva.

OUTRO PLANO DA EXISTÊNCIA

— Wanda, Wanda, acorde Wanda, por favor – a forma astral de América tentava estabelecer contato com a forma astral de Wanda. Os olhos estavam fechados e América via a face da mulher mais velha exibindo uma expressão de grande angústia. Os olhos de Wanda se abriram, e a mesma expressão podia ser vista neles – graças a Deus, como você está?

— Estou tentando manter todos nós vivos, mas está difícil, América – a forma astral de Wanda falava com grande dificuldade – você precisa usar seus poderes e nos tirar daqui.

— Eu nunca fiz algo assim antes – a jovem de traços latinos diz – não sei se consigo transportar tantas pessoas de uma vez.

— Você precisa, e rápido – a forma astral de Wanda começa a sumir – não vou conseguir manter todos nós à salvo por muito tempo – a forma astral de Wanda some, e América entende de imediato o que precisa ser feito.

          Retornar ao seu corpo físico foi a parte mais fácil. A verdadeira dificuldade começaria agora. Ela nem mesmo sabia quantas eram o total de pessoas que Wanda estava mantendo vivas com o seu poder. Ainda assim, América tratou de se concentrar. Todo o treinamento que teve no Kamar Taj até agora teria que se mostrar muito útil. América Chaves não era mais uma jovem diletante, viajando pelos diversos universos de forma inconsequente, sem ter a menor ideia da extensão de seus poderes, bem como suas possibilidades. Seu tempo no Kamar Taj lhe permitiu entender melhor a si mesma, suas habilidades, talentos, e tudo o que era capaz de fazer. Ainda assim, havia muito a aprender, ela tinha consciência disso. O esforço dela em descobrir como utilizar o máximo de seu potencial estava ligado ao desejo de reencontrar suas mães. A jovem só não imaginava enfrentar tão cedo, um desafio tão imenso e inesperado pela frente, como o que surgira agora.

          América podia sentir a presença de Wanda em sua mente. Ambas procurando unir seus pensamentos num mesmo objetivo, estabelecer o máximo possível de contato. Era uma ligação muito importante, pois era através da Feiticeira Escarlate que ela estabelecia um forte vínculo com todos em volta. Só assim poderia levar todos consigo. A jovem fechou seus olhos e se concentrou ao máximo, sentindo também a concentração de Wanda, ambas unidas num mesmo propósito. Em meio ao caos nuclear do entorno, América podia sentir o seu poder agindo. Ela sabia que não podia falhar, por mais difícil que fosse o desafio à sua frente.

LOCAL DESCONHECIDO

— O senhor tem certeza de que deu tudo certo, Capitão – o general Bradely perguntou.

— Sem chance de ter sobrado alguém vivo depois daquela explosão, general – um sorridente Capitão Pátria respondeu – agora prepare uma transmissão para ser feita daqui mesmo. Eu quero me dirigir a todo o país. Chegou a hora de tomarmos o poder.

CIDADE DE NOVA YORK

SEDE DOS THE BOYS

“A todos os bons cidadãos desse país, grandes patriotas que estão angustiados com os rumos que temos seguido nos últimos anos. Eu me solidarizo com vocês, compartilho com vocês essa angústia. Mesmo com todo o meu poder, fui impedido por muito tempo de agir, mesmo vendo tudo de errado que estava acontecendo na América. Esse tempo acabou. O último obstáculo que me impedia de agir foi removido. A mulher que chamavam de Feiticeira Escarlate, e que estava a serviço dos que queriam manter esse país no caminho da sua ruína, foi eliminada, junto com vários de seus cúmplices. Estou tomando uma posição, estou me oferecendo para estar na frente de batalha pela sobrevivência da nossa adorada América, de nosso modo de vida. Conclamo todos os patriotas a se juntarem a mim, e a todos que já estão do meu lado. Estou me dirigindo a Washington para assumir as rédeas desse país, impedir que ele continue nas mãos de péssimos americanos. Lutarei até o fim e espero que todos os bons cidadãos desse país lutem comigo”.

           A imagem do Capitão Pátria estava em todos os canais. O sorriso no rosto dele, o brilho nos olhos, tudo combinado com o discurso, deixava claro que o dia de sua explosão tinha chegado. O dia que todos ali temiam. Leitinho, Kimiko e Francês ainda tentavam desesperadamente entrar em contato com alguns de seus colegas, mas nada conseguiam. Do lado de fora já era possível ouvir os primeiros sinais do tumulto que já devia estar se espalhando por todo o país. Kimiko gesticulava de maneira que pareceria alguém desesperada, se pudesse falar. Ao seu lado, Francês tentava passar-lhe uma segurança que também não sentia. Foi Leitinho quem tomou a iniciativa de falar.

— Ouçam vocês dois – ele se dirigiu ao casal – já tínhamos previsto que algo assim iria acontecer, temos um plano de contingência preparado, lembram?

— E quanto aos outros? – Francês perguntou.

— Nesse momento, o melhor que podemos fazer é focar no plano de contingência que preparamos – Leitinho pega o seu celular, ainda voltado para os dois – Kimiko, mande uma mensagem para a mãe da Annie. Passe para ela o contato que a Malory nos deixou e diga para ir até ele. Francês você liga para o pai do Hughie e mande o endereço da minha... da casa da mãe da minha filha. Nós vamos pegar as duas e o encontramos lá – todos os três começaram a ligar seus celulares.

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— Tudo bem Marvin, eu espero você chegar – Monique falava no celular, ao mesmo tempo em que via a TV transmitindo os tumultos que já se formavam pelo país todo – ela está aqui, estaremos esperando por você – Melissa entrou na sala no mesmo instante que sua mãe desligou o celular.

— O que está havendo mamãe? – a menina pergunta. Monique se abaixa para ficar próxima em altura com a filha.

— Está tudo bem, querida. Seu pai acabou de ligar e está vindo nos buscar – ela fala isso para logo depois se assustar com a visão de Michael. Monique se levanta rápido, colocando a filha atrás dela.

— Do que você está falando, Monique? – Michael parecia tranquilo para um olhar desatento, mas Monique sabia que algo nele estava muito errado.

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          O portal em forma de estrela se abriu, mas ela sabia que precisava ser maior, por conta do número de pessoas a serem transportadas. América concentrou-se ao máximo, tirando todo o proveito das lições aprendidas no Kamar Taj. A ligação com Wanda também sendo muito útil. Os poderes de ambas atuando em conjunto. Um breve suspiro antecedeu a ação final. América, Wanda e todos os demais foram transportados. A sensação para quem nunca vivera tal experiência era uma mistura de pavor e deslumbramento, à medida que viajavam por diversos mundos diferentes.

          A noção de tempo meio que foi perdida por todos, podiam ter se passado segundos ou horas, até que finalmente pousaram todos, num lugar desconhecido. Foi só ao chegar que ela viu a quantidade de pessoas que havia transportado, ficando impressionada consigo mesmo por ter conseguido levar tanta gente. América já estava bem acostumada com as viagens pelo multiverso, mas quase todos ali vomitaram tudo o que podiam.  Wanda ainda conseguiu se manter digna, embora mesmo ela tenha sentido, ainda que levemente, os efeitos da viagem. Ela olhou o entorno, vendo o estado das outras pessoas, ao mesmo tempo em que tenta se localizar.

— Lá se vão todas as minhas refeições dos últimos dias – mesmo limpando o vômito da boca, Bruto ainda mantinha o seu típico cinismo.

— Melhor isso que ser vaporizada numa explosão nuclear – é Maria quem responde, para logo depois vomitar de novo – pensando bem, talvez ser vaporizada não seja uma má ideia.

— Onde estamos? – Annie pergunta assim que consegue se recompor.

— Esse é o universo 838 – América responde – pelo menos é assim que a contraparte da doutora Christine nesse mundo o classifica.

— Por que você não nos levou direto para o meu mundo, América? – é uma Wanda de expressão bem irritada que pergunta.

— Eu precisava de um lugar para onde já tivesse ido e que fosse o mais perto possível – América responde – eu nunca transportei tanta gente assim.

— Nós precisamos voltar – é Annie quem diz, se dirigindo tanto a América quanto a Wanda.

— Precisamos mesmo – é a agente Malory quem reafirma isso – ter usado uma arma nuclear certamente alertou o governo. Não há mais razão para o Capitão Pátria esconder seus objetivos.

— Eu não conheço o mundo de vocês – América se dirige a Annie e depois para a doutora Christine – qual a distância segura daquela explosão nuclear? – a cientista reflete rapidamente, além de consultar outros de seus colegas; só então informa a distância para América.

— Creio que essas coordenadas são o mais seguro para todos – a doutora Christine informa América.

— Tudo bem, só se juntem todos, vai facilitar o meu trabalho – ela rapidamente abre um novo portal, só que agora para bem longe do local onde estavam originalmente.

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          Enquanto voava, ele podia ver e ouvir todo o caos abaixo dele. O Capitão Pátria fez questão de se deslocar pelo ar, pairando acima das cidades, desde que saiu da base militar secreta onde gravara a sua mensagem. Ele via o caos se formando em cada lugar com um sorriso de satisfação no rosto. Era a realização de um sonho longamente acalentado. Logo poderia fazer o que quisesse, sem precisar dar satisfações a ninguém. Queria ver a adoração no rosto de alguns, mas o que iria apreciar muito mais era o terror no olhar dos inimigos, de qualquer um na verdade. A reverência temerosa, a raiva impotente, o medo paralisante. Tudo isso ele quer ver a partir de agora.

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— Vocês são os amigos do Hughie? – o homem que saiu do táxi se apresentou para o grupo que tinha acabado de chegar – o que está acontecendo? Onde está o meu filho?

— Ainda não sabemos senhor Campbell, mas ele vai ficar mais tranquilo sabendo que o senhor está conosco – é Leitinho quem responde. Ele se volta para Francês e Kimiko – fiquem aqui com o pai do Hughie, eu vou buscas as duas.

          Marvin Milk tem muita dificuldade em conter o nervosismo, enquanto caminha até a casa de sua ex-mulher. Ele espera não encontrar o namorado dela junto, pois isso tornaria tudo mais difícil. A última vez, quando ele cometeu o erro terrível de agredi-lo na frente de sua filha, ainda está fresca em sua memória. Ele quer apenas pegar Monique e Melissa, deixá-las num lugar seguro até tudo ser resolvido, de um jeito ou de outro. Ele ainda amava Monique, mas aceitava o fato de que ela tinha seguido em frente. O problema maior era Michael. Não que fizesse grande diferença para ele, mas bem que ela podia pelo menos ter arrumado um namorado que não fosse fã do Capitão Pátria.  Marvin deixa essa linha de pensamento de lado e se prepara para bater na porta quando ouve um primeiro grito, que ele logo reconheceu como da sua filha.

— O que está acontecendo? – Leitinho arromba a porta sem nem pensar direito. A visão de sua filha nas mãos do namorado da ex-mulher, e desta tentando tirá-la dele, é o suficiente para deixá-lo enfurecido – tire as mãos da minha filha – ele grita.

— Vocês dois estão levando-a para um caminho errado – havia um ar de meia loucura na expressão de Michael – eu só quero protegê-la.

— Levando-a para os comícios daquele psicopata? – Leitinho tenta ao máximo se acalmar. Tudo o que ele quer é tirar Melissa dessa situação – solte-a Mike. Eu não vou cometer contigo o mesmo erro da outra vez, mas trate de soltar a minha filha – a menina aproveita a distração do namorado da mãe e dá uma mordida na mão dele, que acaba soltando-a. Ela corre para os braços de Monique, que por sua vez, se coloca atrás de Leitinho.

— Então é isso? – ele olha para Monique e Melissa – suas ingratas. Fiquem com ele então, mas depois não voltem arrependidas – ele trata de ir embora.

— Vocês duas estão bem? – ele abraça Monique e a filha, que correspondem – venham comigo. Tenho um lugar onde vocês ficarão seguras.

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— Você ainda não conseguiu falar com eles? – é o senhor Campbell quem pergunta. Francês já ia responder quando ele, Kimiko e o pai de Hughie veem um Michael furioso saindo da casa. É Kimiko quem chama a atenção para a porta da casa arrombada.

— Estávamos tão distraídos tentando falar com o pessoal que nem reparamos – Francês já ia fazendo menção de entrar quando viu Leitinho saindo da casa com a ex-mulher e a filha. Ao mesmo tempo Michael entra num carro e sai em disparada.

— O que aconteceu Mon ami?

— Tivemos um pequeno problema, mas já está tudo resolvido – Leitinho acomoda a ex-esposa e filha no carro, junto com o pai de Hugie – conseguiram algum contato?

— Até agora nada – ao ouvir a resposta de Francês ele liga o seu celular. O alívio que sente ao ouvir a voz de Bruto é enorme.

— Onde diabos vocês estavam? – ele coloca o celular no viva-voz.

— Nem queira saber – a voz de Bruto é ouvida por todos no viva-voz. O senhor Campbell pergunta por Hughie – seu filho está bem – é a resposta de Bruto – todos nós estamos bem, na medida do possível.

— O que quer dizer com isso, Bruto? – Leitinho já conhece o colega a tempo suficiente para saber que algo estava errado.

— Preste atenção, Leitinho – a voz de Bruto soa bem firme no viva-voz – a Malory vai te mandar as coordenadas do local onde vamos pegar vocês, mas antes eu preciso que você passe na nossa sede e pegue algo que tenho guardado no cofre.

— Do que você está falando?

— Estou falando de várias cápsulas de V-24 que estão lá – Bruto responde – pegue tudo o que tiver e traga junto.

— Você não pode estar falando sério, Bruto – Leitinho tenta argumentar – nós temos a feiticeira, ela é...

— Nesse momento nós não temos ninguém, Leitinho – por quase um minuto se ouve o que parece uma discussão do outro lado da linha – escute Leitinho, não temos garantia nenhuma de que a bruxa vai nos ajudar. Nesse momento a chance maior é que ela tenha voltado para o mundo dela e nos deixado na mão. Pegue o V-24. Não podemos deixar de lado nenhuma possibilidade.


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Notas finais do capítulo

Capítulo postado como prometido. Devo aproveitar esse domingo para fazer mais uma revisão nos capítulos 15 e 16, e quem sabe, já começar a escrever o último capítulo ainda hoje. No próximo domingo tem o capítulo 15. Aguardem.



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