Entre o Céu e o Inferno. escrita por Sami


Capítulo 25
Capítulo XXIV


Notas iniciais do capítulo

Oie oie!!!!! NÃO LEIAM AS NOTAS FINAIS PORQUE VAI TER SPOILER LÁ!!!!

Confesso que não via a hora de postar logo esse capítulo por motivos que vocês vão ver quando ler, ele ficou meio longo e acreditem, eu tentei de tudo cortar ele ou diminuir, mas não deu certo. Espero que entendam.

Capítulo de hoje tem uma das tantas perguntas respondidas sobre Eva e está repleto de interação entre nosso anjinho Kam e Alana e claro, com um momento muito maravilhoso entre eles!
Boa Leitura!!



Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/789063/chapter/25

CAPÍTULO XXIV 

Aquele era o primeiro dia em Las Vegas e as horas pareciam simplesmente não passar como deveriam, o dia parecia mais longo do que realmente era e isso o irritava de uma maneira estranha e indesejada. Apesar de estar indo contra sua vontade, Kambriel concordou em participar do tour pela cidade a mando de Eva, que, de acordo com ela isso faria bem para que ele pudesse se distrair um pouco e também relaxar. Contudo ele não queria nada disso.  

Seu foco era acabar com os ataques em Grória e sua ausência na cidade poderia estar acarretando mais ataques e talvez algo ainda pior. Era de sua natureza original se preocupar como estava naquele momento, não conseguia afastar de sua mente os tantos pensamentos do que poderia estar acontecendo na cidade; não que sua presença estivesse fazendo diferença no lugar, durante os meses que se passaram perdera muitas vidas inocentes e ele nada fizera contra para acabar com aqueles ataques e bem, mesmo que houvesse uma grande relutância em simplesmente aceitar se divertir e esquecer do real problema — o qual fora o motivo para ter vindo a terra — ele sabia que mesmo que estivesse em Grória nada seria diferente do que já estivesse acontecendo. Só sofreria ainda mais por sentir cada morte acontecer mais de perto. 

Kambriel aceitara aquele tipo de diversão — mesmo que fosse algo do qual jamais faria quando estivesse em missão — e conforme caminhava pelas ruas agitadas e movimentadas, percebia como a cidade luminosa era completamente diferente de Grória. Existia uma concentração maior de pessoas a transitar pelas ruas tornando-a assim mais movimentada e agitada. Além da clara presença de luzes fortes e letreiros chamativos que, de alguma maneira conseguia atrair a atenção de muitas pessoas, o arcanjo percebera que era exatamente isso o que parecia manter a cidade; a movimentação causada por aqueles que vinham de fora e até mesmo daqueles que já residiam a cidade. Tudo era muito diferente do que estava acostumado a presenciar em Grória, mais movimento, mais cheio da presença de pessoas — e demônios —, de certa forma lá era um pouco sufocante demais para ele.  

Sua presença parecia não fazer muita diferença nos demônios que viviam por lá, alguns o encaravam levemente agitados, mas nada faziam além de desviar sua atenção e voltar para sua rotina anterior. O mesmo acontecia com ele, Kambriel parecia indiferente à presença de tantos demônios, sentia seu cheiro já conhecido, mas isso não causava nele uma reação de ataque ou hostilidade. Ele apenas os ignorava.  

Mais à frente ele avistou um casal que estaria celebrando alguma coisa entre eles, o celular estava nas mãos do rapaz e focava apenas a jovem com quem ele claramente tinha um relacionamento, ela estava ao lado de uma estátua humana, fazendo uma pose engraçada enquanto se deixava ser fotografada. Os dois voltaram a se abraçar e Kambriel percebera um carinho diferente em cada ação que conseguiu captar dos jovens, a troca rápida de olhares e os sorrisos contagiantes que compartilhavam era algo um tanto diferente para ele, mas não inédito. Imóvel em seu lugar ele continuou a observar o casal feliz, sentindo-se com certa inveja deles; era um arcanjo, sua missão se resumia em cuidar do problema de uma cidade e depois disso voltaria para seu verdadeiro lar. Jamais viveria aquilo com alguém. Aquele sim foi um sentimento inédito para ele, seu corpo parecia acostumado, mas sua mente lhe mandava um tipo estranho de alerta.  

Por qual motivo sentiria inveja do casal humano? Era superior a eles, em sua real natureza, é claro. Um arcanjo, guerreiro do Senhor. Quem deveria sentir inveja ali era aquele casal de desconhecidos, não ele. Aquilo foi estranho, incomum.  

— Pra você. — A voz de Alana o tirou de seu momento estranho e pouco reflexivo, o rapaz piscou algumas vezes voltando ao seu desconforto atual com o clima da cidade e então a viu parada na sua frente, tinha em mãos um par de óculos de sol e parecia estar entregando o mesmo para ele.  

Kambriel franziu o cenho ao olhá-lo. 

— E para que isso? — Perguntou sem entender, reparando que ela já usava um. Sua armação era de uma cor neutra, ele não soube diferenciar direito a cor que via por causa do forte sol daquela tarde; mas tirou uma conclusão ao vê-la usá-lo, ela ficou bem com o objeto.  

— Para proteger seus olhos, ora. — Respondeu dando com os ombros, sacudindo a mão para que ele pegasse logo os óculos. — O sol está quente e forte demais, é melhor usá-lo.  

O arcanjo concordou e segurou o objeto, olhando-o com leve estranheza, ainda não estava totalmente acostumado com os acessórios que os humanos inventavam de usar em seus rostos e corpos e não foi diferente naquele momento. Achando o par de óculos um tanto estranho, ele o colocou; notando como sentiu sua visão ficar mais agradável com as lentes escuras. Aquilo sim era uma novidade e tanto, a lente escura facilitava e muito para que ele conseguisse visualizar melhor o lugar aonde estava e até olhar para o céu tornou-se mais fácil.  

Seus olhos se voltaram outra vez para a humana e ela logo mostrou um frasco branco desconhecido.  

— E o que seria isso? — Ele perguntou quando ela balançou o objeto em sua direção.  

— Protetor solar, — Respondeu. — Sol quente, pele exposta, pode ser um arcanjo, mas o seu corpo é humano e ficar assim tão exposto nesse sol não faz bem.  

Sua explicação não pareceu saciar dele sua curiosidade o que de certa forma apenas o deixou mais curioso do que antes, o rapaz assentiu e então a viu abrir o frasco, jogar um pouco do conteúdo branco e mole em seus dedos e foi surpreendido quando ela começou a passar aquele mesmo conteúdo estranho em seu rosto. Os dedos de Alana correram por suas bochechas, nariz, testa e queixo, percorrendo um caminho por sua face que o fez sentir-se mais estranho. O ato era inédito para ele, causou em si uma reação que seu corpo tentou esconder tarde demais, um arrepio prolongado que fez todos os pelos existentes em seu corpo se levantarem. Ele ficou tenso e ao mesmo tempo muito ansioso.  

Ele notou que a humana estava calada naquele dia, Kambriel nada dissera a respeito de como a viu agir durante o café da manhã e o mesmo podia-se dizer sobre Eva, mas ele bem sabia que o aborrecimento da mulher era apenas por causa do demônio, já o de West... Bem, ele não fazia a mínima ideia do que aconteceu a deixou tão silenciosa durante a manhã. Mas agradeceu quando isso mostrou-se algo passageiro, a moça já estava mais falante, não como antes, quando o enchia com perguntas sobre seu mundo ou sua real natureza, mas em comparação com a humana de cedo, aquela lá era bem mais agradável.  

A mudança em seu humor era algo que ele não entendia muito bem, apesar de tê-lo acompanhado com calma durante as poucas horas passadas, conforme caminhavam pelas calçadas largas da movimentada Las Vegas, ele notou que vez e outra, algum pensamento inoportuno invadia sua mente, a deixando quieta novamente. Acontecera o mesmo enquanto ela passou o protetor solar nele e se prolongou quando eles voltaram a andar.  

— Está tudo bem? — Ele perguntou após pararem em frente a uma fonte, era um espaço grande, mas não tão fundo como um mar. Ele conseguiu ver alguns poucos peixes a nadar ali, enquanto da enorme estátua de gesso saía um fluxo constante de água que respingava ao redor. 

A morena o olhou, através dos óculos que ela usava foi quase impossível de perceber a expressão que seu rosto ganhou e ele precisou se esforçar para decifrá-la com maestria.  

— Sim, por que? — Sua resposta veio com outra pergunta e antes que ele conseguisse decifrar a expressão de seu rosto, Alana já o tinha direcionado para outra direção.  

— Estou achando você muito quieta ultimamente... Na verdade, nesses últimos dias, desde a visita de Zarael. — Admitiu. Enfiando as duas mãos no bolso de sua calça, seus olhos estavam fixos na fonte e na estátua.  

O silêncio que se formou entre eles já era algo comum e mesmo com todo o barulho do ambiente a cercá-los, a resposta silenciosa de Alana foi como receber uma confirmação de que realmente tinha algo de errado. Kambriel estava já bem mais familiarizado com o jeitos e falas da moça, aos poucos começara a entender como ela agia e reagia e não foi diferente naquele momento, sua pergunta tocou em um ponto importante para ela e mesmo com os óculos cobrindo seus olhos e parte de sua face, ele conseguia ter uma breve visualização de como seu rosto estava no momento. A humana engoliu seco, sua mão agitou-se e em uma atitude rápida para disfarçar o incômodo, ela sentou-se na beirada da fonte, fixando seus olhos cobertos em um ponto qualquer que se perdia na multidão adiante.  

Kambriel por sua vez, manteve-se em seu lugar. Apenas fingindo naturalidade enquanto obviamente teriam uma conversa séria em poucos segundos.  

— Eu estive pensando sobre o que me disse no dia em que Zarael apareceu em casa. — Sua resposta veio num sussurro baixo, como se todo o falatório ao redor não fosse o suficiente para esconder sua fala. Kambriel se sentou ao seu lado no mesmo segundo. 

Como pôde ser tão estúpido? Era óbvio que sua fala de dias atrás a tinha assustado e também a preocupado, como pudera deixar isso passar e simplesmente achar que contar uma ameaça a ela não a deixaria daquela maneira?  

— Alana... 

— E hoje cedo, enquanto estava buscando nosso café da manhã, eu tive uma conversa bem interessante com Eva sobre isso. — Ela o interrompeu para prosseguir com sua fala. Dessa vez existia um leve humor em sua voz e ele não entendeu o motivo, o que Eva poderia ter dito a ela? — Pode parecer estranho, mas o que ela disse me fez pensar um pouco em algumas coisas. Sim, estou preocupada com isso, bem mais do que estava quando decidi ir ao inferno falar com Eligus — Ela sussurrou ainda mais baixo essa última frase. — Mas percebi que de nada vai adiantar ficar me lamentando, me envolvi nisso no momento em que nos conhecemos e bem, — Ela deu com os ombros. — Mesmo que seja algo bem incomum para uma humana, isso faz parte do que estamos fazendo.  

O arcanjo se arriscou ao olhá-la, Alana também virou o rosto e ambos se encaram com seus olhos cobertos, ela fez menção de mover os lábios e então um sorriso muito discreto brotou em seus lábios. Algo mais leve e pouco divertido. Kambriel não admitia para si mesmo ou talvez não quisesse, mas ele gostava daquele tipo de sorriso que Alana mostrava sempre quando tinham alguma conversa mais séria; era como um sinal que ele precisava receber para algo. Ele apenas não sabia o que seria esse algo.  

— Eu não deveria ter contado a você sobre isso, a assustei sem necessidade — Ele confessou. Procurando em sua mente o motivo que o levou a contar sobre a ameaça, para protegê-la? Ele já não o faria mesmo que ela não estivesse ciente disso?  

— Mas por um lado foi bom que tenha me contado. — Ela responde, mantendo o tom mais sereno de sua voz. Ainda que estivesse baixa para que os demais ao redor não os escutassem. —  Saber disso me situou melhor no tipo de “coisa” — Ela fez aspas com as mãos. — Em que estou me metendo, me faz ter certeza de que nada disso é brincadeira e da veracidade de quem você e Eva realmente são.  

O cenho de Kambriel se franziu em dúvida.  

— Como assim?  

— Confesso que até dias atrás ainda existia uma parte de mim que tinha fortes dúvidas sobre vocês dois, céu e inferno e acho que agora, eu finalmente entendi o que é tudo isso — Disse, fazendo um gesto em direção ao rapaz. — Que anjos e demônios existem e que eles estão por aí, fazendo ameaças, acordos, muitas coisas — A moça fez outro gesto, dessa vez para as pessoas que passavam por perto. — É um mundo perigoso no qual me envolvi? Sim, mas entendi que não tem como fugir disso; meu pai não fugiu então acho que é certo não fugir também.   

Kambriel não soube o que responder, apenas sorriu e assentiu muito lentamente. Repetindo as palavras de Alana em sua mente, percebendo que ela estava realmente sendo totalmente franca com ele naquele momento. A admirou, por sua coragem e força; se perguntando se puxara isso de seu pai ou se era apenas algo que já fazia parte de quem ela era como pessoa.  

— Mas isso é assunto para outro momento — Ela disse sorrindo, levantando-se de uma só vez, o assustando com sua ação inesperada. — No momento, precisamos encontrar Eva.  

O nome da mulher pareceu ligá-lo novamente e em um único movimento, o rapaz já estava de pé também, imitando a ação da humana que olhava ao redor em busca da figura inconfundível da demônio a vagar em meio aos outros humanos. Em sua mente ele se perguntava enquanto voltaram a caminhar como havia simplesmente se esquecido da mulher assim tão fácil? A resposta da sua pergunta era muito óbvia para ele e, mesmo que custasse a admitir isso em voz alta, preferia deixar que sua mente lutasse sozinha em tentar desvendar como se esquecera de Eva; mesmo que já soubesse a razão para tal.  

Eles não seguiram por muito tempo, foram parados por um senhor que se colocou diante de seu caminho segurando uma folha de papel. O sorriso em seu rosto mesmo que escondido pela barba grisalha era gentil e ao mesmo tempo carregado de uma expectativa desconhecida, Alana segurou a folha de papel que lhe foi entregue e logo mostrou para o Kambriel. Por debaixo dos óculos escuros, era impossível de ver, mas os olhos do rapaz se arregalaram numa surpresa avassaladora. Ele conseguira lidar com os mais diversos casos em sua existência como arcanjo, demônios... Destruições, mas o desenho que foi entregue naquele momento o desestabilizou de uma maneira nunca vista antes.  

O senhor de nome desconhecido mostrou uma habilidade surreal ao desenhá-los sentados à fonte; algo simples, mas que continha uma perfeição notável. No desenho ele conseguiu se reconhecer sentado ao lado de Alana, o detalhe dos dois estarem de óculos foi apagado e o senhor os desenhou encarando o outro; como se fossem um casal. A imagem o fez recordar do casal jovem que viu antes, ambos sorrindo para o outro em uma troca significativa de olhares e sorrisos, não era diferente naquele momento.  

O arcanjo encontrava-se sem palavras, olhava para o desenho e logo em seguida para o senhor sem saber como reagir, sem saber o que dizer. Agradeceria? Negaria que ele e Alana não eram um casal como fora retratado no desenho? O que faria?  

— É maravilhoso! Obrigada. — Alana pareceu pensar mais rápido ali, quando Kambriel se deu conta, ele a viu entregar uma nota alta para o senhor que, saiu alegre e contente com o recebido. Deixando-os sozinhos novamente. — Gostou do desenho? 

Ele ouviu sua pergunta, mas ainda não sabia como responder; era como se as palavras tivessem sumido de sua mente. Se encontrou em uma situação inusitada ali, onde um desenho tão simples fizera com que todo seu corpo entrasse em um tipo de estranho de colapso e toda e qualquer palavra que pudesse dizer simplesmente sumiram. O rapaz demorou para voltar ao normal, ainda se encontrava meio fragilizado com o desenho que receberam. 

— Sim. — Foi tudo o que saiu de sua boca, talvez a surpresa do que vira o tivesse deixando sem fala, mas não era apenas isso. Parte da culpa vinha da imagem desenhada, sim, mas a outra parte vinha do que sua conversa com Alana pareceu para o olhar alheio de um mero desconhecido que os viu juntos. Isso sim o deixou sem palavras e sem uma reação apropriada.  

Logo, ele reparou que ela o olhava, curiosa.

— Quer ficar com o desenho? — Perguntou divertida, talvez percebendo como ele passou a reagir diante de um simples desenho.  

O arcanjo demorou bem mais do que o esperado para respondê-la, porque sua mente o recordou de algo importante. Estava em uma missão, quando a terminasse voltaria para seu lar e ela continuaria na terra e seguiria com sua vida como se nada tivesse acontecido durante aqueles meses, levar o desenho seria guardar uma lembrança de seu tempo na terra; uma evidência de que deixou uma humana se aproximar demais dele. Não podia, mesmo que quisesse guardá-lo.

— Acho que ele ficaria mais seguro com você. — Respondeu mais calmo, entregando a ela o desenho com cuidado. Memorizando uma última vez a imagem que fora feita e guardando em seus pensamentos como reagiu ao vê-lo; sabendo que tinha um significado, mas o negando fortemente; ainda que fosse impossível.

Era fim da tarde e eles finalmente pareceram aceitar que tinham se perdido de Eva, ou a mulher simplesmente decidira por conta própria deixá-los sozinhos para vagar pela cidade; qualquer que fosse a opção, eles enfim aceitaram que não a encontrariam assim tão facilmente. A procuraram por boa parte dos comércios e alternaram para os cassinos, se antes Kambriel já se via completamente perdido e talvez até um pouco enlouquecido com o mundo dos homens, entrar em seu sétimo cassino naquele dia pareceu apenas piorar tudo. O som, as vozes, a música estranha que tocava mesmo com todo o barulho existente no lugar e claro, as cores, o confundiam e o irritavam um pouco. Tudo era confuso demais e de certa forma atrativo demais, sentiu-se como um verdadeiro humano, tentado a fazer partes dos tantos jogos que viu acontecer ao redor.  

Em certo momento, eles decidiram parar. Estavam agora sentados em uma mesa mais afastada de um bar, mais adiante era possível ver os jogos acontecer, centenas de pessoas gritando felizes e eufóricas por estarem ganhando. Do outro lado, acontecia um show que Alana lhe dissera de ser covers, todos estavam vestidos de um mesmo cantor de nome desconhecido e faziam apresentações estranhas com músicas variadas.  

— Okay, confesso que não consigo mais pensar aonde Eva pode ter se metido para sumir assim. — A moça comentou, alternando seu olhar entre o palco do outro lado do enorme salão e entre Kambriel, retirando os óculos escuros, pois estavam bem longe do sol quente da cidade. — Não a encontramos em nenhum dos lugares que entramos, perdemos metade do nosso dia. 

Por mais incrível que sua atitude poderia parecer, ele concordou com sua fala. Balançou a cabeça num sinal positivo e relaxou o corpo na cadeira aonde estava sentado, observando o lugar que escolheram parar e percebendo que o fluxo de pessoas ali dentro parecia ainda maior do que nas ruas. O que ele achou surpreendentemente assustador.  

— Bem, já que procurar por uma mulher apenas nos custou um longo dia de caminhada debaixo de um sol escaldante, o que quer fazer agora? — Perguntou, sua resposta também surpreendeu a moça que, arqueou ambas as sobrancelhas.  

Alana pareceu pensar brevemente em sua resposta, olhou novamente para o palco, onde um novo fantasiado se preparava para se apresentar e em seguida olhou para ele. 

— Por mais que eu esteja curiosa sobre tudo isso — Ela gesticulou para o ambiente. — Confesso que estou quase me rendendo à tentação de gastar um dinheiro que não temos com apostas.  

Ela parecia rir de sua ideia. Kambriel ficou segundos em silêncio, sua mente sugerindo outra atividade que poderiam fazer, como assistir ao show que se desenrolava mais adiante, mas então percebeu que não queria passar o restante do tempo que tinha na cidade com Alana assistindo um monte de gente desafinar uma canção e fazer apresentações que mais pareciam uma sátira de algo original.  

— Vamos apostar então. — Respondeu, exibindo um sorriso largo com os lábios perfeitos, levantando-se da cadeira e puxando a humana pela mão.  

 ●●●

— Eu ainda não acredito que conseguimos mesmo ganhar quinhentos dólares em uma única aposta! — Alana comentou de repente, mostrando-se animada; bem diferente de horas atrás. Cortou o momento longo em que o silêncio entre eles se tornou algo obrigatório, já que, estavam ocupados demais apreciando o céu estrelado da sacada do enorme quarto.  

Fazia um pouco mais de duas horas que haviam retornado para o hotel, estavam cansados devido ao longo dia de caminhada que fizeram a contragosto e também da divertida e única partida que fizeram em um dos cassinos. Eva não havia retornado ainda o que eles não estranharam, pois, a mulher simplesmente desaparecera desde mais cedo. Estavam cansados o suficiente para dar por aquele dia encerrado, mas não hesitaram em relaxar juntos na grande sacada do quarto, estavam os dois sentados em poltronas estofadas e confortáveis, descansando um pouco os pés depois do dia de caminhada.  

Kambriel riu com o comentário da humana, ele mesmo não conseguia acreditar no feito e tão pouco que realmente havia concordado em entrar em uma aposta. Se misturou por entre um bando de humanos desconhecidos, alguns embriagados demais para se lembrarem do que acontecia no cassino, outros animados demais em ganhar dinheiro que pareciam não se importar em fazer apostas altas, os demais estavam simplesmente seguindo algum fluxo. Seu lado arcanjo o relembrou que não deveria ter desperdiçado seu dia com algo tão simplório e humano quanto fazer apostas, porém, o seu eu humano — que parecia dominá-lo nas últimas horas — trouxe à tona que passaria um longo tempo com a humana e isso bastou para que a decisão de ir a um cassino se tornasse fácil de ser tomada.  

— O que vai fazer com esse dinheiro? — Perguntou, virando parte de seu corpo para olhá-la. Alana estava bem mais relaxada na poltrona, o corpo estirado de maneira que suas pernas ficassem apoiadas na grade da varanda; que mantinha a linha de limite do lugar. O cabelo na altura de seus ombros estava solto agora, e o óculos de sol que ela usara antes, deixados de lado na mesinha ao lado.  

— Honestamente, eu não faço a mínima ideia. — Ela respondeu, virando o rosto para olhá-lo também brevemente. Ele notou que ela parecia pensar sobre o que faria com o dinheiro, Alana tinha sugerido antes que eles dividissem o dinheiro entre eles, mas o que Kambriel faria com o valor? Ele não era da terra, não guardaria bens já que, muito em breve estaria voltando para seu lar.  

Na falta de uma nova resposta, ambos retornaram ao seu silêncio anterior, os olhos outra vez direcionados para o céu escuro da noite quente de Las Vegas. Em certo momento, movido por uma curiosidade desconhecida por ele, Kambriel virou novamente o rosto na direção da moça, percebendo que ela mantinha-se calada, mas que obviamente parecia pensar em algo. Era possível perceber sua mente trabalhar mesmo que ela sequer estivesse se movendo.  

— Quando vamos falar com Baltazar? — Ela perguntou de repente, ficando muito séria ao falar.  

Ele suspirou, ficando tenso ao ouvir o nome do demônio.  

— Ao que tudo indica, amanhã.  

— E há algo que eu precise saber sobre Baltazar? — Ao soltar a pergunta ela não o olhou tão de imediato, seus lábios se torceram levemente quando um novo pensamento veio em sua mente e só então ela o olhou também. Não se mostrando muito surpresa ao perceber que ele já tinha os olhos fixos nela. — Sei que estou estragando esse “dia de folga”, mas estive pensando sobre isso nas últimas horas em que viemos de volta para o hotel.  

O arcanjo concordou com a cabeça, sim existia muito para situá-la sobre o demônio. Existia muito para contar, não apenas sobre quem era Baltazar, mas também sobre o tipo de coisa que ele poderia fazer. Era uma verdade que Kambriel não confiava em demônios, abrira essa exceção apenas para Eva porque a conhece de tempos, mas ela era sua única amizade fora do Céu. A inimizade com os de baixo era um costume mantido de ambos os lados, aqueles que são do Céu não se envolvem com os do Inferno, e aqueles do Inferno não se envolvem com aqueles que são do Céu. Simples.  

— Baltazar é... Nada confiável. — Começou a falar, tomando cuidado com a quantidade de informações que passaria para Alana, pois não queria assustá-la nem nada disso. — Ele não é agradável como Eligus ou Eva.  

Uma sobrancelha de Alana se arqueou. 

— Devo me preocupar com ele? — Perguntou novamente, olhando mais séria agora para o arcanjo.  

Kambriel pensou em sua resposta, poderia dizer que não. Afinal, ela não estaria conversando com o demônio sozinha e ele jamais deixaria que ele tentasse fazer alguma coisa com ela, mas não poderia mentir.  

— Sim. — Diz olhando-a também. — É mais fácil lidar com ele sendo hostil, firme e evitar ao máximo dar brechas para ele.  

— Brechas?  

— Baltazar é do tipo manipulador de situações, pense em uma versão mais perigosa de Zarael, enquanto um está sempre orquestrando brigas, confusões, o outro manipula qualquer tipo de situação e faz com que você... — Ele não conseguiu terminar a frase sem recordar do que houve tempos atrás. Seu corpo se tencionou e ele sabia que isso não passou despercebido pelo olhar atento de Alana. — Perca o controle de si mesma, ele sabe como usar qualquer tipo de situação de sua vida e jogá-la contra você. Ele estraga tudo, destrói vidas, lembranças... Relacionamentos.

A última palavra pesou em seu tom de voz, porque junto a ela, um turbilhão de lembranças e sentimentos vieram à tona e ele soube que Alana West reparou nessa simples mudança.

— É por isso que Eva nem consegue ouvir o nome dele sem se irritar tanto, não é? Ele fez algo assim com ela uma vez, não foi? — Perguntou de repente, um tanto preocupada.  

Ele suspirou.

— Baltazar é a razão de Eva ser um dos caídos. — Contou, seus olhos se desviaram da moça durante um tempo e, sentindo-se desconfortável ele colocou-se de pé. Caminhou para perto da grade que mantinha o limite da sacada e apoiou os braços sobre ela; respirando fundo. Tenso. — Antes de ela cair, Eva pertencia à ordem dos originais ou como você já conhece, a alta hierarquia. Eva caiu junto com ele e ela estava sempre na terra, Eva preferia ficar aqui do que no inferno para agir como um demônio, perturbar sonhos, fazer pactos... Coisas desse tipo. Então ela conheceu Jane, uma humana estudante de botânica e bem... Elas acabaram se apaixonando.   

A expressão no rosto de Alana mudou por completo, seus olhos se abriram em uma surpresa que ela tentou tarde demais disfarçar.  

— É contra as regras que qualquer um de nós, seja do Céu ou Inferno se envolva com humanos e Baltazar usou isso contra ela. — Ele fez uma pausa, observando o momento em que Alana também se colocou de pé e se aproximou dele. Completamente calada enquanto o ouvia. — Baltazar não era da alta hierarquia antes ou como preferir chamar, os originais de Lúcifer e Eva sim, então ele criou uma situação da qual a deixasse sem escolha... — Seus olhos se fecharam com a lembrança, seu corpo pareceu pesar; era a mesma sensação que sentiu antes. — Eva escolheu cair, escolheu perder sua essência original e tudo o que tinha no inferno para proteger Jane e impedir que Baltazar fizesse alguma coisa com ela. Isso não bastou para ele, Baltazar usou um humano e o fez matar Jane anos depois.  

Os lábios da humana se apertaram em uma linha tensa, seu olhar tornou-se triste assim que ela pareceu entender o que realmente aconteceu. Mesmo que o arcanjo não tivesse falado com todas as palavras o que houve, as poucas pistas pareceram ser o bastante para que Alana compreendesse sua fala. 

— Por isso ela odeia os humanos?  

— Por parte sim — Ele suspirou antes de respondê-la. — Eva sabe que não foi um humano são que matou Jane, ela sabe que foi Baltazar quem o usou, mas seu ódio pelos humanos é por ela estar aqui na terra e ter que viver como um deles sem a pessoa que ela amou.  

— Mas, como ele pôde fazer isso com ela? Não seria mais simples se eles fizessem um acordo ou qualquer outra coisa? Ela não precisaria perder tudo por causa disso. — Questionou, seu tom de voz parecia aflito por descobrir a situação que Eva tanto lutava em manter em segredo. 

— Baltazar joga sujo até mesmo para um demônio — Respondeu ele. — Mas, você não faria o mesmo? Sacrificaria tudo para que a pessoa que ame fique em segurança?

Houve um momento longo de silêncio, Kambriel observou o cenário adiante prestando atenção nas tantas luzes e prédios que tomavam conta da cidade, mas sua real atenção estava em Alana. A humana calada sem responder a pergunta feita. 

— Eu sempre me perguntei como ela conseguiu fazer isso, a dor de perder suas asas e tudo o que sempre definiu quem ela sempre foi..., Mas, então me dei conta de que eu não entendia como é isso, você se importar o suficiente com alguém ao ponto de abandonar tudo o que sempre prezou e amou em sua existência apenas para protegê-la. — Ele voltou a falar, nesse momento, Kambriel virou-se por completo na direção da moça, olhando-a com extrema atenção enquanto suas palavras simplesmente fluíam por seus lábios como um tipo de explicação da qual precisava dar a ela. — Demorei para perceber que não era entender isso e sim sentir o que ela sentiu. Deixar ser dominado pelo estranho sentimento que faz com que você sequer pense ou hesite em dar tudo de si para proteger alguém ao ponto de ao quebrar essa regra e muitas outras sem se importar com as consequências que virão. Você simplesmente faz isso, como se estivesse em uma missão.  

Kambriel percebeu tarde demais que suas palavras passavam longe de ser apenas uma explicação de um contexto e ele piscou ao dar-se conta de como sentiu-se ao dizê-las em voz alta. Alana não esboçou uma reação imediata, seus olhos castanhos e sempre tão curiosos permaneceram fixos na face do arcanjo, a expressão tão rígida que ele achou estar encarando uma fotografia dela ou algo assim. Até vê-la piscar, os lábios se entreabrirem brevemente e se fechar tão rápido ele então percebeu o que seu olhar significava; ternura.   

— Fui alertado sobre isso antes de descer e eu estava tão certo de minha própria força e controle que, pensar em deixar algo assim acontecer seria a mesma coisa de ser expulso e carregava esse sentimento comigo, foi fácil nos primeiros dias, procurar pistas e demônios, mas então tudo mudou... — Ele suspirou outra vez, seu coração passou a bater mais rápido. — Imaginei que seria algo do corpo humano no qual estou transfigurado, sensações humanas que vieram à tona por estar mais exposto dessa vez, mas aos poucos fui compreendendo que não era nada disso. Era apenas eu.  

O cenho de Alana estava levemente franzido, mas ele não sabia dizer se era por dúvida.  

— Imaginava que a necessidade que passei a sentir de protegê-la era algo de mim, de quem eu sou e então deixei que isso fluísse em mim, mas então você me contou sobre seus pesadelos constantes, foi para o inferno... Acho que só me dei conta do que estava acontecendo quando Zarael a ameaçou e em qual foi minha reação. — Uma pausa. — Então eu senti e consegui finalmente entender o que Eva sentiu com Jane, me dei conta do que eu estaria disposto a fazer para te manter segura.  

O arcanjo parou de falar e se limitou em apenas piscar, calando-se quando compreendeu suas próprias palavras e do que elas passaram a significar para ele, uma verdade que tentou negar durante todo esse tempo; mas que em apenas minutos o fizera mudar completamente. Ele entendeu o que Eva fez, pois sentiu esse mesmo estranho sentimento ao ouvir Zarael ameaçar Alana e sua reação foi a mesma tomada pela mulher antes; protegê-la. 

O corpo estremeceu muito levemente ao perceber que avançou em direção a ela, o corpo menor da jovem pareceu diminuir ainda mais com aquela aproximação. Alana ergueu a face, os olhos fixos sobre ele e seu coração humano bateu mais forte ainda, um nervosismo o dominou e ele não soube explicar o que passou a sentir. Mas que era algo bom.  

Novamente ela abriu os lábios como se estivesse pronta para perguntar alguma coisa ou apenas soltar um comentário, mas como acontecera antes, eles se fecharam e o pensamento que pairou em sua mente se perdeu. Kambriel notou quando ela prendeu a respiração e abaixou a face, ao soltar o ar ele entendeu que ela ficou tensa muito rápido, ansiosa por alguma coisa. Ele também estava, porém conseguia esconder isso, mas não no modo como sua respiração tornou-se acelerada e pesada.  

— Kambriel... — Alana levou a palma da mão para seu peito, o parando com tanta leveza. Seu rosto ainda abaixado, evitando olhá-lo. Aquele toque o fez estremecer dos pés à cabeça. — Não quero que quebre as regras.  

Sua fala o assusta. Ele realmente estava quebrando as regras, muitas delas, a lista havia crescido e se tornou longa demais para que fosse listada com calma; seus irmãos muito provavelmente estavam recitando cada uma das regras quebradas em algum concelho para definir o que aconteceria com ele. Isso era uma certeza. Uma ruga se formou em sua testa, ele pensou a respeito de sua estranha trajetória até aquele momento, do que sentiu quando Zarael a ameaçou, do que sentiu quando receberam o desenho do senhor desconhecido mais cedo... De tudo o que aconteceu desde que a conhecera.  

Ele então estendeu as mãos e segurou o rosto dela com delicadeza, erguendo-o um pouco para que Alana encarasse seus olhos, não sabia exatamente o que o levou a agir daquela maneira, mas ele o fez. Surpreendendo-se por tomar uma iniciativa da qual jamais tomaria antes.   

— Eu já quebrei, Alana. — E, com essa fala, ele colou seus lábios aos dela. 

Por um momento ele esqueceu-se de todas as regras que estava quebrando, das consequências que teria com suas ações. Naquele momento, nada disso pareceu ter tanta relevância assim; nem mesmo que estava indo contra tudo o que sempre prezou em sua existência. Talvez estivesse agindo de forma irresponsável? Sim. Era uma das certezas que tinha. Mas nada disso importou, nada disso parecia fazer tanto sentido para ele como aquela atitude tomada.  

Foi estranho como ele sentiu-se tão vivo naquele momento, como se fosse completado de alguma forma.  

Os lábios dela eram quentes e macios, carinhosos em uma carícia tímida e lenta. Alana logo se aproximou dele, levando as mãos para seus ombros e com essa aproximação ele pôde sentir seu coração bater mais acelerado contra seu peito. Quase tão forte quanto o dele. Kambriel pressionou seu corpo contra o dela num gesto firme, porém gentil, acariciando o rosto feminino com ternura, tirando algumas das mechas de seu cabelo de seu rosto, sentindo-o quente contra a palma de sua mão. O beijo permaneceu lento e tímido de ambos os lados, apesar de estar claro que era Alana quem parecia estar mais familiarizada com a ação. Suas mãos subiram pelo pescoço de Kambriel e ela agarrou um pouco de seu cabelo ao sentir as mãos do rapaz apertar-lhe a cintura.  

Seu corpo esquentou muito rápido, o toque suave tanto dos lábios da humana quanto de suas mãos faziam com que uma corrente elétrica de um calor incomum corresse por seu corpo; ele nunca se sentiu tão humano como naquele momento. Todas as suas defesas caíram por terra, ele estava vulnerável, sem qualquer tipo de proteção e isso não tinha importância alguma; nada pareceu tão certo como aquele momento.  

Houve relutância por ambos os lados quando aos poucos decidiram afastar-se, os olhos se encontraram novamente a mesma ternura com a qual ela o encarara antes fazia-se presente em seu olhar naquele instante. Alana piscou, o rosto tão próximo do seu fez ser possível que ele sentisse e reparasse em sua respiração ofegante. 

Por muito tempo, Kambriel manteve um certo tipo de julgamento pela decisão de Eva, sua escolha em perder tudo por causa de Jane, ele não entendia e tão pouco compreendia o motivo até o momento em que passou pela mesma situação. Se importava com Alana, talvez bem mais do que imaginou que se importaria, desde o momento em que Zarael a ameaçou, houve em si uma mudança perceptível, ela não sabia que ele estava a cuidar dela durante seu sono e tão pouco sabia que, desde que recebera a ameaça, deixou-se de se importar.  

Ele entendia agora.  


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!


Notas finais do capítulo

~Calma que mais pra frente eu vou explicar melhor essa história da Eva e sim, é triste mesmo.

SPOILER LOGO ABAIXO
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
PRIMEIRO BEIJO ENTRE KAM E ALANA FINALMENTE??????!!!!??!??!?!!!!!!?!?!!!?!?!?!? Sério, eu já estava ficando louca por ter esse capítulo pronto e não poder postar ele logo, mas finalmente aconteceu e com uma declaração e tanto hein!! O que acharam?????



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Entre o Céu e o Inferno." morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.