Aracnídeo: Sangue perdido escrita por Gabriel Souza, WSUniverse


Capítulo 1
Prólogo


Notas iniciais do capítulo

Após quase dois anos, venho aqui finalmente postar o segundo capítulo da história deste herói que tenho muito apresso. Espero que gostem!



As aulas mal recomeçaram e o garoto conhecido como Jonas Ferreira já não aguentava a rotina diária, de acordar cedo e ir para o colégio em seis dos sete dias da semana, somente no domingo ele ficava isento de assistir aula. O que salvava seu dia-a-dia era sair como Aracnídeo todas as noites, os treinos de basquete com a equipe de seu colégio e as conversas com seus dois melhores amigos, Rafael e Bia. É claro que tinha outros amigos e colegas, mas esses dois eram os principais, seus únicos confidentes.

— Ainda pensando no Rio de Janeiro? — Bia questionou enquanto terminava de responder uma questão de física, ela, Jonas e Rafael estavam reunidos em sua casa para responder as 41 questões da última lista de exercícios que o professor passara para eles.

— Ele só pensa no Rio — Rafael comentou enquanto dava uma espiada no caderno de Beatriz — Rio de Janeiro e Andressa Neves, as duas coisas que não saem da cabeça de nosso amigo.

— Cala a boca Rafa — Jonas sorriu para o amigo, voltou a olhar para a lista e desistiu de tentar responder a questão 17, era muito difícil — Na verdade estava pensando no que fazer da minha vida. Digo, esse é nosso último ano no colégio e eu ainda não sei o que fazer da minha vida depois do ENEM, na verdade, nem sei qual curso eu vou escolher quando fizer a prova.

Beatriz terminou outra questão, eletrostática era um assunto com a qual ela detinha certa facilidade.

— Te entendo, eu não sabia o que queria fazer até pouco tempo atrás também.

— O que você vai fazer? — Rafael questionou enquanto copiava em seu caderno.

— Vou estudar cinema, quero ser uma grande diretora de filmes, quem sabe roteirizar e dirigir um filme sobre uma grande heroína.

Rafael riu e levou um soco fraco de Beatriz, os dois começaram a discutir e Jonas apenas assistiu seus dois amigos discutirem por alguns segundos antes de falar.

— Isso parece legal, quero um filme sobre mim.

Bia sorriu.

— Claro, vou colocar na lista de espera, tem muito filme mais importante primeiro — Fez pose de socialite, o que fez com que os três amigos começassem a gargalhar por alguns segundos.

 

 

 

***

 

A vida dos corrompidos em Recife nunca fora muito boa, eles sempre ficaram escondidos da sociedade, aqueles que sabiam de sua existência os repudiavam, o medo do diferente sempre foi presente na humanidade. Andressa sabia disso muito bem, sua vida sempre fora difícil, praticamente cresceu nas ruas, passou fome, sofreu fisicamente e mentalmente durante anos, até conhecer um amigo que logo se tornaria seu irmão. Ele não lhe dera tudo, mas com ele, ela aprendeu o mais importante, amor e carinho, dois sentimentos que quase esqueceu que existiam.

A garota de cabelos negros conhecida como Andressa caminhava pelas ruas da comunidade mais esquecida de Recife, lar desses corrompidos abandonados pela sociedade, Andressa morava ali há poucos meses porém sentia que ali sempre fora seu lar, as pessoas eram boas, e sua casa mesmo que simples, era uma casa e isso bastava. Um lar, um local onde podia olhar pela janela e ver crianças correndo sem parar diariamente numa frenesi de sentimentos puros que ela havia sido privada de experimentar muito cedo. Essas crianças que corriam sorridentes de um lado para o outro todos os dias, eram a sua esperança de um futuro melhor para seu povo.

— Bom dia senhorita Neves — Alfredo, o vendedor de pão a cumprimentava, Andressa sorriu e lhe respondeu, seu Alfredo era um dos poucos que traziam algum alimento para a região e vendia por um preço abaixo do mercado. Ela sabia que ele deveria estar tendo prejuízo todos os dias por conta disso, mas ele continuava a fazer por aquelas pessoas que devido à marginalização da sociedade não encontravam meios de conseguir comprar alimento, pagar as contas e se equilibrar. A atitude de seu Alfredo era o que ele podia fazer para ajudar.

— Os rumores são verdadeiros? — Ele a questionou — Você conhece mesmo o Aracnídeo? — Um sorriso bobo se formava em sua boca meio desdentada — Ele é mesmo um corrompido como todos os outros?

Andressa se lembrara de Jonas Ferreira, popularmente conhecido como Aracnídeo, um que se chama de super-herói, eles se conheceram pouco tempo antes, quando ela estava presa pelos homens de John Soares, o maior perseguidor de corrompidos que ela conheceu em sua vida, um homem implacável na busca pela extinção de pessoas especiais. Para sua sorte um garoto e um homem salvaram ela, outras mulheres e crianças corrompidas. Como uma forma de agradecimento, e também por sentir uma ligação imediata com aquele cujo ela chama de idiota fofinho, ela explicou a Jonas o que significava ser um corrompido, os dois acabaram se aproximando e se tornando cada vez mais íntimos. Pelo jeito esse relacionamento havia se espalhado pela comunidade.

— É verdade — Ela pegou um pão e pagou a Seu Alfredo — Para ambas as perguntas.

Andressa se despediu e seguiu seu caminho lentamente, mais um dia e ele chegaria, seu irmão, não de sangue, mas de coração, seria a salvação de seu povo, tiraria cada um deles da escravidão contemporânea e os guiaria para a salvação, era nisso que Andressa e todas as pessoas em sua comunidade acreditavam.

Ela se aproximava de sua casa a passos lentos, a calmaria da comunidade era até estranha, normalmente as crianças estariam correndo pelas ruas, infelizmente algumas pessoas estavam sendo encontradas mortas na região, a maioria corrompida. Isso tornava o local menos acessado pelas pessoas comuns, e menos movimentado pelos corrompidos que viviam na comunidade, se eles já tinham medo e se escondiam por conta de suas condições, com as recentes mortes o medo aumentou exponencialmente.

Quase chegando em casa Andressa ouviu um grito feminino, correu na direção do grito, virou uma esquina e deu de cara com uma mulher caída aos prantos no chão. Ela não sabia seu nome, mas já havia a visto passeando com seu filho alguns vezes pela vizinhança, este que estava nas mãos de um homem encapuzado, uma faca estava em sua outra mão.

Percebendo o que estava prestes a acontecer Andressa tentou correr para impedir o que seria o assassinato de uma criança, focou suas forças em criar energia cinética e assim se deslocar mais rapidamente, porém em vão. Em meio segundo a criança jazia morta e seu sangue escorria no chão, a mulher que antes gritava estava em choque, paralisada após assistir o assassinato nas mãos do homem misterioso.

A corrompida com poderes sobre todo tipo de energia criou uma camada de gelo em volta do homem ao diminuir a energia cinética das moléculas de água que estavam no ar em torno dele, assim as moléculas passaram a vibrar menos e a temperatura diminuiu, um simples fenômeno físico.

— Seu filho da... — Andressa acertou um soco no rosto do homem que voou alguns metros, uma das vantagens de poder alterar a energia potencial de seu soco enquanto corre e liberar tudo de uma vez no momento do golpe — O que você acab... — Andressa caiu no chão, uma armadilha a esperava, um mina terrestre que quase arrancaria sua perna se não tivesse percebido, logo antes de ser amputada e diminuir a força do impacto.

A dor em sua perna esquerda naquele momento era grande, não a maior que ela já tivera na vida, mas o suficiente para atrapalha-la bastante. O homem encapuzado que já estava de pé então acertou um soco em seu rosto, o gosto metálico de sua luva era horrível. Tentou revidar com um chute com a perna direita, porém o homem segurou o golpe e aplicou uma cotovelada em seu joelho, girou sua perna e acertou outra cotovelada, dessa vez na perna esquerda da corrompida que gritou de dor.

Andressa se arrastou para trás tentando ignorar a dor, rolou para a esquerda e disparou rajadas elétricas de suas mãos que acertaram seu adversário no braço e na coxa esquerda, se levantou, manteve as mãos elevadas enquanto se aproximava de seu adversário. A dor era forte e com isso ela não conseguia raciocinar direito, antes que pudesse dar um golpe que lhe desse a vitória do combate levou uma cabeçada entre os peitos e recuando alguns passos devido ao impacto.

O homem encapuzado aproveitou para sacar a faca, deu então três investidas com a arma branca, acertando duas vezes o braço esquerdo de Andressa e uma vez a lateral de seu abdômen, na quarta tentativa acabou sendo atingido por um chute na barriga executado por Andressa que lutando para manter-se de pé acertou-lhe um soco no rosto e pôde sentir o molhar do sangue de seu inimigo em suas mãos. Sorriu e tentou aplicar um chute no joelho do homem que instintivamente tirou sua perna da frente fazendo a garota tropeçar e cair no chão.

Andressa então se viu puxada e elevada do chão pelos seus cabelos, a dor no couro cabeludo neste momento era só mais uma dentre várias em seu corpo, juntou então o máximo de sua energia restante para criar uma corrente elétrica potente em volta de seu corpo o que fez o seu pretendente à assassino voar para longe, um choque maior do que 300 volts sem quase nenhuma resistência além do próprio corpo dele.

 Andressa caíra no chão exausta e ferida, o maior problema de criar uma corrente como aquela é que seu próprio corpo não tem resistência contra o ataque, sendo assim a exaustão e os ferimentos quase a venciam. Com esforço ela olhou para o lado e viu a mãe da criança desmaiada, o choque fora muito grande. Com dificuldade se levantou, apoiou a mulher numa parede e tomou um rumo diferente de sua casa.

 

 

 

***

 

O treino de basquete daquele dia havia sido mais pesado do que o usual, o professor estava irritado, os atletas da equipe não compareceram à um evento escolar, que tinha como objetivo arrecadar dinheiro para ajudar à financiar a viagem da equipe de basquete para o brasileiro sub-17. Ele descontou tudo na equipe. 

Um Jonas quebrado abriu a porta de sua casa, pela primeira vez ele se arrependia de ter agido como Aracnídeo antes de ir para o treino de basquete, o cansaço era acumulativo e as duas coisas estavam matando. Ele seguiu seu caminho atravessando a sala e subindo as escadas para o primeiro andar, sua mãe dera um boa noite, porém devido ao cansaço o filho adolescente nem ouvira, abriu a porta do seu quarto e se deparou com uma garota praticamente semi-nua em sua cama, seria um paraíso se ela não estivesse sangrando.

— Andressa?

 





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