Série Paradise - Dakota escrita por moni


Capítulo 33
Capítulo 32


Notas iniciais do capítulo

Boa noite!
Penúltimo capítulo, amanhã. último capítulo. OBRIGADA!!!



   Dakota

   Minhas garotas Paradise passam quase o tempo todo livre comigo, quando entramos no último mês de gravidez, não estive sozinha nenhum dia.

   Savannah se senta ao meu lado depois de limpar a bagunça que Sean fez com Dayse. Sua mão segue direto para minha barriga, sempre fomos unidas, mas depois da gravidez, somos como siamesas. Não tem um dia que não nos vemos, ela sempre dá um jeito de estar comigo e embora me faça bem, também me preocupa.

   — Irmã, não é melhor você ir para casa? – Ela nega. – O Carl está chegando cedo todos os dias, a Serena vai dar uma passadinha aqui com o Theodor e a Dominique também disse que vinha trazer um presentinho, mais um. Esse bebê tem mais do que vai usar em anos.

   —Não tem problema, pode doar tudo. Vai ajudar muitas mães. – Ela me diz com os olhos lindos de irmã protetora.

   —O blog me apresentou tantas mulheres e tantas ONGs, não falta para quem doar. – Conto a ela.

   —Tia, a Dayse vai dormir na minha casa? – Sean me pergunta e balanço a cabeça negando. – Ah tia, deixa um dia só.

   — Um dia você vem dormir aqui. O que acha? – Ele afirma animado.

   —Hoje que eu durmo aqui, mãe?

   —Nem pensar, rapazinho, só quando o Nathan nascer. Agora a tia Dakota está muito atarefada, não dá para cuidar de um garotinho lindo como você.

   Ele não fica bravo, mas faz aquela linda carinha de triste que me faria apertar suas bochechas e enche-lo de beijos se ele não estivesse tão longe e eu tão acomodada.

   — Acha que ele tem total compreensão? – Pergunto a Savannah.

   —Ele não fala em outra coisa, acho que sim, talvez não compreenda que é um recém-nascido, ele espera que ele deixe sua barriga já pronto para brincar, talvez seja uma decepção.

   Trocamos um sorriso, eu me ajeito no sofá sentindo as costas doerem, o bebê parece pressionar todos os órgãos e também a coluna vertebral, não falo sobre isso, para todos, digo que tudo está bem, mas dói e esgota. É a última noite com ela. Se tudo correr bem, amanhã, a essa hora, meu bebê vai estar em meus braços.

   — Me ajuda com essa almofada maior? – Eu peço e Savannah corre para me atender.

   — Ansiosa? – Ela me pergunta quando já mais acomodada, eu procuro sua mão.

   —Muito. Como foi com o Sean?

   —Nada impossível, dói sim, mas é algo aceitável para alguém forte como você. Quando olhar o rostinho do seu filho, a dor e o medo, tudo que passou para tê-lo em seus braços perde a importância e só ele importa. Principalmente a garota mais forte que existe. – Sorrimos as duas ao mesmo tempo, pensando o mesmo. – Sim, é forte agora. Mais do que qualquer Paradise.

   —Eu sei disso. – Admito erguendo o queixo em um sorriso vitorioso. – Venci o passado. – Ela concorda. – Graças a você.

   — Dakota, não tenho nada com isso, venceu porque venceu.

   —As vezes, ainda me lembro de quando eu era inconsequente, feito uma menininha mimada. Disse coisas... me desculpou pela menina boba que eu era?

   — Me desculpou pela irmã irresponsável que já fui? – Faço careta, ela ri. – Erramos, sozinhas não tinha como ser diferente, fomos muito bem se quer saber, muito bem.

   —Acho que sim. – Melhor não pensar mais nisso, ficou no passado. —Ethan vem te buscar?

   — Vem. Ele ficou descansando, trabalhou a noite toda. Sean estava manhoso e acabei ficando com ele. Hoje não abre então, ele ficou dormindo.

   — Vocês são tão felizes, não é? Ele é tão incrível. A família dele também.

   —Sim, os avós amam o Sean, quando vamos visita-los é difícil vir embora.

   —  Meu bebê também vai ter muito amor. – Digo acariciando a barriga. – Carl vai ficar duas semanas inteiras em casa.

   —Você tem um sogro muito generoso, eles vêm ficar aqui para cuidar da empresa, ficam em um hotel para deixar vocês dois mais livres, ajudam sem se intrometer isso é bem importante.

   A dor nas costas parece se espalhar um pouco, eu me mexo mais uma vez no sofá.

   — Por que não vai se deitar, Dakota?

   — Por que quero ver todo mundo que vem hoje aqui, depois eu e o Carl vamos para o hospital e então eu descanso lá.

   — Theodor fez bem em insistir que passasse a noite no hospital, amanhã, quando for a hora do parto, vai estar bem descansada e monitorada.

   —Insistir? Ele não descansou. – Theodor me dá toda a segurança que meu pai deveria me oferecer nesse momento, ele faz isso com sua irreverencia e torna tudo fácil.

   — Sorte ter o Theo ao seu lado, ter seu apoio e carinho. – Savannah ajeita meus cabelos, balanço a cabeça concordando. Me sinto segura e protegida, como me sentia na infância, quando meu pai estava por perto. Parece que nada pode dar errado.

  Carl abre a porta e meu coração dispara, como pode ainda disparar? Como meus olhos podem ainda brilhar, meu sorriso escapar mesmo que não queira sorrir? Os olhos dele, o modo como cobrem meu corpo cheio de seu amor assim que abre a porta.

   —Cheguei amor. – Ele diz se curvando para me beijar os lábios, o sabor dos seus lábios ainda me deixa zonza, ainda aquece meu coração. Sua mão corre por meu ventre, os olhos dele azuis feito céu, me observam de modo diferente. – Você está bem?

   —Estou.

   — A barriga parece tensa. Savannah, o que acha?

   —Estou bem, só com um incomodo nas costas. – Aviso enquanto ele e minha irmã tentam avaliar minha barriga.

   —Já falei para ela ir deitar, sua esposa é teimosa. – Savannah reclama.

   — Quero receber todo mundo, depois vou me deitar lá na cama do hospital. – Digo me mexendo para arrumar posição.

   — Amo você. – Carl diz me beijando mais uma vez, então me deixa com Savannah para ir se preparar. Tem se desdobrado, sabia que ele seria companheiro, mas Carl deu um exemplo de bom pai e marido.

   Os outros vão chegando aos poucos, primeiro Ethan, ele é sempre muito parceiro de Savannah e isso inclui deixa-la livre para estar comigo, de certo modo, Ethan foi muito importante para que eu pudesse ter minha irmã comigo por todos esses meses.

   Dominique chega com Aron, Yves ficou em casa estudando, aos quatorze anos, ele já pode ficar sozinho em casa. Dominique está ansiosa, talvez até um pouco angustiada, sei de sua preocupação comigo, sei de sua torcida, esse mundo de gravidez e recém-nascidos não a encanta, não para si, mas ela demonstra toda sua alegria por mim.

   — Vamos recapitular? – Ela me questiona cinco minutos depois de chegar. — Dorme no hospital, amanhã, ao longo do dia, o bebê nasce em um parto programado. É isso?

   — Sim. – Meu médico achou mais seguro para mim, talvez ele me ache jovem demais, talvez eu tenha me sentido insegura para simplesmente ficar em casa e esperar que o bebê pedisse para vir ao mundo, tantas histórias de bebês nascendo a caminho do hospital, eu quis ser precavida e isso não diminui a emoção de receber meu filho. – Quando nascer o Carl avisa vocês.

   —Por que acha que vamos estar em casa? Não vai ter a quem avisar, vamos estar lá, então não traga esse bebê ao mundo antes das onze, não atrapalhe meu brinde.

   — Brindar o que? – Theodor pergunta entrando sem bater junto com Serena. – Não tem muita gente aqui? – Ele nunca soube ser sutil, não começaria agora.

   —Acha que só você pode se despedir? Sou uma Paradise. – Dominique avisa.

   —Eu sou marido de uma Paradise, alias, marido com o melhor codinome. – Aron não deixa de brincar nunca com isso. – Esquilo.

   —Ei, não esqueçam, eu sou o Bond. – Ethan devolve.

   —Se me dão licença, eu preciso lembra-los que sou o Senhor Perfeito?

   —Não, você não precisa lembrar ninguém. – Theo reclama vindo até mim. – Como está?

   —Bem. – Digo recebendo seu beijo na testa.

   — Já está pronta para ir à maternidade?

   —Temos que chegar às oito. – Conto a ele que toca minha barriga.

   — Então está chegando finalmente Nathan? Já está deixando todos ansiosos. Serena senhorita, lembra como parecia demorar uma vida? – Serena concorda com um olhar apaixonado pelas memórias. – O último mês pareceu andar para trás, agora estou sentindo o mesmo.

   —Também estou achando. – Carl procura minha mão. – Uma boa definição.

   —Onde deixam as crianças? – Pergunto ao casal.

   —Com os avós, decidimos acompanhar vocês ao hospital. – Serena diz sorrindo querendo deixar claro que “decidimos” significa que o Theo não lhe deu escolhas.

   — Eu quero dar uma palavrinha com a direção, acho que é sempre bom, eu sei que vai parecer arrogante e eu sou mesmo arrogante, então vai parecer o que realmente é. Um Fitzalan sempre faz diferença, vão ter o dobro de cuidado.

   —Pareceu arrogante, esquilão! – Aron diz rindo. – Mas ninguém liga, você é arrogante.

   — E você não sabe escolher um terno. – Olhamos todos para Theodor. Eles descem em níveis baixos, é como assistir a uma briga no jardim de infância.

   — Felizmente eu casei com a Dominique e ela escolhe para mim. – Aron se defende. – Dakota, Nathan já tem um terno? O vovô CEO vai mandar fazer um Armani.

   —O Andy tem um. – Theodor faz parecer que realmente não tem nada demais em dar um terno a um garotinho. – Claro que eu nunca consegui convence-lo a entrar dentro dele, mas o que importa é o closet completo.

   —É o que eu sempre digo! – Dominique a irmã gêmea separada ao nascer concorda me fazendo rir e então lá está a dor a se espalhar por meu corpo. Carl aperta minha mão, ele parece ter a capacidade de enxergar minha alma. – Champanhe para brindarmos e partirmos! – Dominique assim como as outras Paradise, também parecem perceber minha angustia.

   — Pego as taças. – Savannah se apressa, Dominique surge com um champanhe e então taças são cheias, ela brinda tudo, qualquer momento é razão para um brinde.

   —Ao Nathan! – Ethan ergue sua taça. – Meu sobrinho tão esperado.

   —A mamãe Dakota e papai Carl, que tudo seja lindo e fácil. – Aron oferece o brinde e tocamos taças.

   Eu não consigo dar nem mesmo um gole, apenas finjo levar a taça aos lábios, acho que o que preciso mesmo é me deitar.

   Me esforço para ficar firme enquanto as pessoas vão se despedindo e me desejando sorte.

   —Pessoal, não apertem ela. Dakota está cansada, pálida, deixem isso para quando ela chegar. Carl, faça alguma coisa, vamos logo com isso. – Theodor pede percebendo que todas as minhas energias se esgotaram.

   —O esquilo está se achando o pai da noiva. – Aron provoca rindo. Sim, ele faz parecer e é como me sinto.

   — Um pai perfeito. – Eu digo para um silêncio sepulcral se formar. Da para ver que o emocionei, da para ver que todos perceberam. – Perfeito! – Repito olhando diretamente para ele.

   — Todo mundo ouviu? – Theodor questiona. – Quer dizer, temos o Senhor Bond, o Jardineiro romântico, temos até o senhor perfeito, mas nada se compara ao topo da lista, o codinome digno de um CEO. Pequena Paradise, pode repetir isso antes de ter um bebê nessa sala, está bem pálida. – Ninguém esperava mesmo que ele fosse dizer algo sério, ele nos faz rir é claro. É o Theodor. Ele não consegue ser diferente.

   —Um pai perfeito. – Repito me apoiando em Carl enquanto seguro as costas.

   — Uma pequena e muito corajosa Paradise. – Ele diz beijando minha testa. – Estou aqui, pequena. Você sabe disso.

   Meus olhos marejam, os de minha irmã e Serena também, o resto faz alguma piada para tornar tudo mais leve, então é hora de irmos para o hospital ou meu bebê vai mesmo nascer na sala. Estou esgotada.

   Carl me ajuda a descer, Dominique leva minha bolsa, Serena a do bebê e Savannah segura minha mão enquanto Carl me apoia. É um momento divertido e emocionante.

   Eu encaro a porta do prédio antes de entrar no carro, consigo me ver retornando com meu bebê nos braços, andando lentamente, apresentando a ele seu lar.

   Me sento no banco ao lado do motorista, Carl me beija os lábios antes de dar a volta e se acomodar ao volante.

   — Sua médica tinha toda razão, não consigo me imaginar fazendo isso com você em trabalho de parto.

   —Meu amor, amo você, mas eu não sei se não estou em trabalho de parto, porque estou com dor, estou esgotada e estou... nervosa.

   — Meu amor, definitivamente, esse não é um bom momento para dizer algo assim.

   Posso ver seu rosto se transformar em tenção. Ele aperta o volante enquanto tenta sorrir.

   —Só dirige. – Peço tentando me arrumar ao seu lado e Carl coloca o carro em movimento, ele vai o mais rápido que pode sem infringir regras, o carro de Theodor está logo atrás, sabia que ele não deixaria de nos acompanhar, mas fico com a sensação de que não terá muito tempo para falar com a direção do hospital.

   Quando chegamos, uma maca me aguarda e ao seu lado, dois médicos e dois enfermeiros. Olho para Carl que dá de ombros. Marcamos de me internar as oito, mas não pensei que teria tudo isso a minha espera, achei que caminharia até a recepção e preencheria uma ficha e todo o resto.

   —Theodor! – Dizemos juntos. Eu tentando não rir porque rir não é nada bom, sinto que o bebê pode simplesmente escapar em meio a uma risada.

   Carl me ajuda a descer, antes que de dois passos, uma cadeira de rodas chega e sou colocada nela, levada até a maca, Serena e Theodor nos acompanhando de perto. O médico me estende a mão.

   —Boa noite, sou o doutor Hill, seja bem-vinda. – Aperto a mão, em seguida a mão é estendida a Carl que também aperta sem entender. – Senhor Fitzalan, já está tudo pronto como pediu.

   — Ótimo, a médica dela deve chegar em breve.

   —Já ligamos, ela está a caminho. – Um enfermeiro avisa. – Senhora, posso ajuda-la a se deitar na maca? Vai direto para a sala de exames.

   —Amor. – Olho para Carl, sinto medo, um medo que não pensei que sentiria. Um tipo de ansiedade, como se tudo pudesse dar errado, meus olhos embaçam por conta das lágrimas, ele se abaixa, segura minha mão, me beija os lábios.

   — Minha mão está aqui, meu amor, presa a sua, como sempre. Não solto nem por um segundo. Tudo está bem. – Sua voz soa firme, o homem tenso que dirigia inseguro foi embora, aqui está Carl, o cara forte que me puxou da escuridão, que fez luz, o meu Carl. – Eu coloco você na maca, pode ser?

   —Pode. – Ele me ergue cuidadoso.

   —Cuidado, Carl, não deixe a cair. – Theodor dá seu recado. Ainda os vejo sorrindo levemente tensos quando a maca se afasta com Carl segurando minha mão. Então somos só nós dois.

   Carl tem os olhos tão cheios de seu amor, eles transbordam amor, eles confortam, me aquecem, amparam. São os expressivos olhos azuis a me deixarem forte em horas de medo.

   Faço exames, tudo parece bem, não vai nascer exatamente agora, eu nem sei se comemoro, acho que queria apressar as coisas. Quero ter meu bebê em meus braços logo.

   A doutora Abby chega perto das nove, agora parece que a dor que sentia nas costas passou para o corpo todo, as vezes uma contração me toma, aperto a mão do meu marido a cada nova dor.

   —Parece que o Nathan não está interessado no nosso plano, Dakota. Acho que ele não vai esperar o dia amanhecer. Que bom que veio cedo. – A doutora sorri depois do exame. – Continue assim, está começando e é bom não precisar induzir nada. Em breve a dor vai ficar mais constante, por enquanto só tente relaxar. Volto em meia hora.

   A doutora Abby volta a cada hora, a uma da manhã a dor simplesmente não vai mais embora. Meu corpo parece parar de aceitar comando, ele simplesmente toma as rédeas, esmago os dedos de Carl que seca minha testa enquanto as coisas tomam seu caminho.

   Sou levada a sala de cirurgia. Carl veste as roupas próprias, sou colocada na mesa de cirurgia da obstetrícia. Abby entra acompanhada de sua equipe, escuto palavras de conforto, só quero os olhos azuis sobre mim, só quero sua força, sua segurança.

   —Está na hora, Carl. Ele... ai.... ele quer vir.

   —Estamos esperando por ele, não é? Vai fazer isso, sei que consegue. – Balanço a cabeça negando, sinto tanto medo, um medo que há muito não sentia, medo de uma onda de erros, medo de não ser capaz de fazer isso.

   — Carl, estou com medo. – Admito deixando as lágrimas correrem. A dor me tomando, a vontade de fazer força para empurra-lo é quase impossível de conter.

    —Estamos prontos. – A doutora me avisa. – Agora é como combinamos e treinamos tantas vezes. Quando a dor vier você empurra, será no seu tempo, estamos aqui monitorando tudo, está segura, seu filho está seguro. Só deixe seu corpo mandar. Ele sabe como fazer isso.

   Essas pessoas em torno parecem tão confiantes. Meu coração bate tão descompassado, é tudo tão intenso, tantas emoções misturadas que a dor vem, me consome e não sou forte como devia. Não sou nada forte. Choro em meio ao medo de machucar meu bebê.

   —Dakota, você está indo bem. – Abby garante enquanto nego cheia de medo e dor.

   — Amor. – Carl me chama atenção. Se curva o bastante para ficar com os olhos em mim, seu nariz quase encostado no meu. – Dakota Jones, a garota que venceu tanta coisa não vai desistir agora. Eu te amo. Amo. Eu sei que pode fazer isso. O que vai dizer em seu blog? Como vai ensina-las a continuar lutando? – Aperto sua mão. É a mão que está sempre segurando a minha. Carl é forte por nós dois, mas é minha vez de ser forte, minha vez de deixa-lo orgulhoso e seguro. Seus olhos azuis estão marejados. Toco seu rosto. Ele me beija os lábios.

   Dor, eu conheço a dor física, eu tive muito dela, mas essa não é aquela dor. Ela não é vergonha e humilhação, essa dor é amor, futuro, essa dor é minha vida se dividindo em duas. Essa dor é todo amor que não cabe em mim e transborda em uma nova vida. Mais forte, mais importante e maior que eu, que meus medos, que a minha insegurança.

   Nathan, meu filho quer a luz. Quer a mão que seu pai um dia me estendeu.

   A dor me toma, é tão intensa, tão completa, é ele, corajoso feito o pai, decidido, irredutível, ele quer ver o mundo e nada pode impedi-lo e isso é tão bonito, tão complexo e emocionante.

   Eu me preparo para ajuda-lo. Mãe é o que sou agora, antes de tudo, mães não se acovardam jamais.

   — Grand Canyon! – Digo a ele enquanto esmago a mão que aperta a minha. Uma força descomunal me toma e jogo toda ela no esforço de trazer meu filho ao mundo.

   —Ele está chegando! – Carl chora comigo. Sua mão presa a minha. – Nosso filho! – A dor vai simplesmente indo embora enquanto eu sei que ele está deixando meu corpo. Até que tudo passa por um segundo e seu choro toma toda sala e nos leva a soluços de emoção. Meu rosto e o de Carl colados um no outro, as mãos dadas, as lágrimas se misturando em um minuto de amor sublime.

   —Nathan! – Carl diz olhando para nosso filho. Nossa melhor parte.

   —Carl... ele... meu filho. – Meu anjo é perfeito, seu choro é forte, destemido, exigente. – Ele é lindo. – sinto seu calor quando ele é gentilmente colocado junto ao meu corpo, consigo beija-lo, sentir sua pele.

   Carl toca nosso filho, acaricia, beija o topo da cabecinha, depois meus lábios.

   Não sabemos o que dizer, não sabemos como dizer. Só sentimos nosso filho, só deixamos que se acalme. Trocamos olhares, ele me ama, esse pequeno ser, dependente e frágil como eu um dia já fui me ama.

   — Nosso filho! – Nos beijamos, ganho o toque suave dos dedos de Carl acariciando meu rosto. – Eu te amo.

   —Grand Canyon! – Ele diz e não há qualquer outra palavra que descreva a magia poderosa de ter meu filho em meus braços, com os olhos azuis de céu do pai.



Notas finais do capítulo

BEIJOS!!!!!!!



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Série Paradise - Dakota" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.