Jennifer escrita por Camélia Bardon


Capítulo 1
Prólogo: Sr. Otimista


Notas iniciais do capítulo

Oioi pessoas lindas do meu coração ♥ tudo bem com vocês?
Essa é a primeira história desse gênero que eu escrevo. Confesso que estou apreensiva com o resultado, mas abracei o desafio com todo o ânimo, espero que vocês também gostem!
O capítulo de hoje é baseado em Mr. Brightside. Para quem quiser ouvir enquanto lê: https://www.youtube.com/watch?v=gGdGFtwCNBE



Perdi a conta de há quanto tempo estou em minha jaula. Jaula – poético, não? Parei de chamá-la de prisão por volta do ano três. No ano cinco, cessei o “cárcere”. Masmorra me pareceu agradável e devidamente dramático entre os anos seis e oito. Xadrez e xilindró alternaram-se nos anos dez a doze; já jaula assumiu seu posto quando parei de contar, a partir disso.

Afinal, contar era a minha penitência. Sozinho, destinado a contar. O destino está me chamando, mas esse é apenas o preço que eu pago. Nada mais justo: assassine alguém e ganhe uma jaula. Isso e um psiquiatra.

No começo, relutei pelas consultas. Mas, afinal, quem leva em consideração as vontades de um preso? Até para mim, parece insano. No entanto, o dr. Martinez mostrou-se muito atencioso para comigo. Era seu trabalho, é claro. Mesmo assim, eu tinha essa impressão.

Hoje eu estava liberto. E é minha última consulta como preso.

Caminho acompanhado de dois carcereiros e algemado. Pela última vez, eu vestiria o uniforme laranja fluorescente e limparia privadas. Pela última vez. Contudo, isso sempre ficaria marcado em meu âmago. Christopher Woolf, assassino. Nunca mais eu seria Kit Woolf, o Sr. Otimista. Tudo que eu poderia fazer era abrir meus olhos ávidos e pagar o preço.

Ao entrar no consultório, o dr. Martinez abre seu costumeiro meio-sorriso. Indica o divã com um gesto amplo, e eu obedeço a seu pedido. Os guardas deixam-nos a sós, e inicia-se a última sessão.

— Olá, sr. Woolf — cumprimenta-me ele. — Como está se sentindo hoje?

— Como todos os últimos anos, dr. Estou divagando.

Novamente, ele sorri.

— Eu gostaria de, como nossa última sessão, ao menos enquanto você ainda está em cárcere, fazer algo diferente do que fizemos nos anos prévios — começa a dizer. — Hoje, sr. Woolf, você irá fechar os olhos e responder algumas perguntas que eu fizer. Tudo bem para você?

— Ahn, eu acho que sim.

Recosto-me sob o divã e fecho os olhos, respirando fundo.

— Pode começar.

Imagino que o dr. Martinez tenha assentido com a cabeça e se ajeitado na cadeira, descruzado as pernas e chegado para frente. Ele sempre faz isso.

— Como tudo começou, Kit? Entre você e Jennifer?

Jennifer. Automaticamente, sua imagem formou-se em minha cabeça. Seus cabelos loiros cacheados dançavam em frente de meus olhos. A boca, átona, erguendo um sorriso esquivo para mim.

— Foi apenas um beijo — murmuro. — Como foi terminar assim?

Pouco a pouco a imagem foi formando-se em minha frente. Sempre tive a imaginação fértil, e nunca soube dizer se isto era uma dádiva ou uma maldição. Neste caso, especialmente.

Alcanço seus lábios e deposito neles um beijo delicado. Em pouco tempo, adormeço e ouço-a em minha cabeça chamando um táxi enquanto me observa com um olhar triste. Tudo isso está em minha cabeça, mas posso ver claramente o táxi levando-a ao outro lado da cidade, e os dois dividindo um cigarro.

E então ele a toma nos braços e a despe. Os mesmos movimentos que eu havia exercido, agora tinham o rosto dele. Posso vê-los indo para a cama, e Jennifer tocando seu peito. Antes que eu invada a cena, forço-me a parar.

Abro os olhos de supetão e ofego. Lanço um olhar de desespero para o dr. Martinez.

— E-eu não posso, dr. Eu não posso olhar, isso está me matando e tomando o controle. Isso... não vai dar certo.

O dr. Martinez assentiu com a cabeça e anotou algo em sua prancheta. Percebo que os guardas me esperam do lado de fora. O psiquiatra termina suas anotações com um suspiro, retira os óculos e o coloca sobre a mesinha de centro.

— O ciúme joga muitos marinheiros ao mar de doentes canções de ninar — sentencia ele, com seu tom filosófico de praxe. — Não quero que se afogue, Kit. Podemos tentar de outro jeito, com os olhos abertos. O que acha?

E então eu mantenho abertos os meus olhos ávidos. Porque eu sou o Sr. Otimista.



Notas finais do capítulo

Digam aqui o que acharam, amo saber a opinião e conversar ♥ E até o próximo!