O Inverno Sem Fim escrita por ThayLOliveira


Capítulo 16
Coachella pt. 1




21 de janeiro de 2018

 

Passaram-se alguns dias e quase nada havia mudado. Samantha começara a sair cada vez mais com Thomas. Rias e Phelipe continuavam na amizade e em momento algum conversaram sobre o que acontecera na noite de ano novo, e a briga que aconteceu na casa do mesmo.

Morgan, Charlie, Dahan, Phelipe, e Samantha resolveram se reunir na casa de Morgan para discutirem sobre o que deveriam fazer para comemorar o aniversário de Rias.

— A gente já fez uma reunião parecida quando a Kath ganhou alta do hospital. – Morgan começou seu pequeno discurso, andando de um lado para o outro, na frente dos amigos. – E a de hoje é sobre o aniversário dela, que está chegando. – parou de frente para eles. – Não podemos fazer outra festa surpresa.

— Temos basicamente um mês para planejar algo bacana. – Charlie concluiu, ajeitando-se na cama.

— Daqui a um mês vai ter um festival de música que vai durar três dias. – sugeriu Dahan, enquanto se levantava do sofá, lendo algo em seu celular, ficando de frente dos amigos e ao lado de Morgan. – Podíamos ir em grupo. – sugeriu, olhando para os amigos.

— Achei uma boa – Samantha se ajeitou no sofá. – Já tem os grupos confirmados?

— Tá saindo aos poucos. – Dahan voltou o seu olhar para a tela de celular, rolando a página que dizia as informações sobre o festival. – Mas o line-up já tá bastante atraente. Poderíamos começar a juntar dinheiro pra comprar os ingressos.

Os amigos de Rias encostaram-se em algum canto, pensando na melhor forma de fazer com que todos pudessem ir ao festival. E na melhor formar de conseguir convencer a Rias de ir, sem desconfiar que é um presente de aniversário para ela.

 

 

 

Kath, me escuta, por favor...— implorava Thomas, no outro lado da linha.

Rias escutava as súplicas do ex, depois de ter ignorado mais de 20 ligações somente naquele início de tarde. Estava andando em seu quarto de um lado para o outro, pressionando o telefone contra sua orelha e fazia algumas caretas, revirando os olhos como se a qualquer momento fosse pegar seu celular e tacar na parede.

— Thomas, eu não me importo mais! – quase gritou. Ficou parada no meio do quarto e começou a coçar a nuca, ficando cada vez mais impaciente. – Não sei onde estava com a cabeça ao achar que daria certo ter algo contigo de novo. – Rias não conseguia acreditar totalmente que Thomas estava mudando, ou algo assim. Já estava aceitando que ele e Samantha estavam ficando, mas não conseguia perdoar a humilhação que passou no ano novo. Ela havia confiado nele. E havia mudado muita coisa em si, a partir dele.

Por favor... Eu posso provar. Me deixe fazer isso, antes que...— sentiu-se incapaz de concluir a frase, ao se lembrar da notícia que recebera no dia anterior.

— Antes que o quê? – perguntou estranhando o modo que Thomas falava, e começando a perder a perceber que faltava muito menos que um passo para explodir.

Nada. Apenas me deixe te provar que será diferente.— ficaram em silêncio por um breve momento, até Rias suspirar, derrotada.

— Certo. – fechou os olhos, pensativa. Começou a massagear as têmporas com uma só mão, tentando se acalmar. – O que você pretende fazer?

Me encontre daqui meia hora no café de sempre.— Thomas finalizou a ligação assim que terminou de falar. Não esperou nenhuma afirmação ou objeção da parte de Rias. O que a fez ficar revoltada e em estado de choque pela ousadia do mesmo. Pensou em não ir, e deixa-lo plantado esperando por ela, mas abriu seu guarda-roupa, separou as primeiras que viu e começou a se arrumar. Vestiu uma blusa preta com três luas estampadas na frente, uma calça jeans preta com rasgos nos joelhos, um par de coturnos sem salto, da cor preta nos pés, pegou um sobretudo da cor verde musgo e vestiu, deixando-o aberto.

Quando o encontrasse, iria encher a cara do Thomas de porrada. Como se eu conseguisse fazer algo do tipo, pensou, revirando os olhos ao mesmo tempo. Sabia que eram apenas pensamentos que surgiam em momentos de raiva. Respirou fundo, tentando se acalmar e saiu de casa, fechando a porta com força atrás de si. Começou a andar em direção ao café que costumava ir com ele, pegou o primeiro cigarro do maço que carregava dentro do bolso de seu casaco e acendeu. Ao fazer seu primeiro trago, sentiu-se um pouco mais calma. Aproveitou o breve momento sozinha, permitindo-se pensar um pouco em si.

 

 

 

 

20 de janeiro de 2018

 

Sentia-se exausto. Quase como se estivesse numa rotina intensa de ensaios da banda. Ou talvez pior. Pegou o celular e deu um pulo na cama ao ver as dezenas de mensagens e ligações perdidas de Elizabeth – a baixista do grupo –, ou Liz como costumava chama-la. Leu as mensagens rapidamente e viu que estava mais uma vez atrasado para uma reunião da banda. Respirou fundo, passou as mãos sobre a cabeça, esfregou os olhos e saiu totalmente da cama. Pegou a calça jeans preta que estava jogada pelo chão do quarto e a vestiu. Abriu o guarda-roupa e vestiu a primeira blusa que viu. Pegou o jaqueta de couro e saiu do quarto, vestindo-a no caminho. Saiu de sua casa apressado e andou a passos firmes em direção ao local que os demais integrantes estavam o esperando. Como ficava um pouco perto de sua casa, resolveu ir andando. Pegou um cigarro e o acendeu. Dobrou algumas esquinas e parou em frente à casa de Elizabeth, batendo no portão em seguida. Deu uma última tragada no cigarro e o jogou fora assim que ela apareceu na porta de entrada.

— Atrasado como sempre. – disse em tom sarcástico enquanto abria o portão. Estava trajando sua calça jeans cinza rasgada de sempre e uma blusa preta larga com os dizeres "art never comes from happiness".

— É o meu charme, o que posso fazer? – deu de ombros, sorrindo. Entrou na casa da amiga e juntos andaram até uma sala que Elizabeth chamava de escritório. – Porque essa urgência toda? – perguntou enquanto se jogava no pequeno sofá que lá tinha.

— Já que estão todos aqui, finalmente. – olhou seriamente para Thomas. – Posso enfim dizer que nosso empresário me comunicou que fomos convidados para abrir o show do The Drums no Coachella Festival! – todos ficaram em silêncio por um momento, enquanto processavam a informação aos poucos.

— Você só pode estar brincando. – Nicholas disse num tom baixo, não acreditando no que acabara de ouvir de Elizabeth.

— Então precisamos começar a ensaiar o quanto antes. – Elliot disse num tom sério.

— Tem uma coisa a mais que precisa ser dita. – Elizabeth ficou séria.

— Pare de enrolar, então. Apenas diga. – Thomas se ajeitou no sofá.

— C-certo... – embolou-se um pouco com o jeito que Thomas falou. – Vamos ficar com o terceiro palco: Mojave Tent. E se conseguirmos atrair um bom público durante a apresentação, a probabilidade de dispararmos em sucesso é de 100%. Ou seja: gravações de músicas em estúdios melhores e mais shows agendados. – enquanto falava, observava um sorriso aumentando nos rostos dos integrantes cada vez mais. – Só que...

— Geralmente nesse momento coisas não tão boas são ditas. Medo. – confessou Nicholas. Elizabeth apenas respirou fundo.

— Vamos ter que sair da cidade várias vezes, e ficar dias fora para cumprir a agenda de shows, que serão em locais distantes um do outro. Quase como se fosse uma turnê. – encostou-se na parede, ainda em pé. Cruzou os braços, como se esperasse alguém levantar e dizer que estava fora. Alguém como Thomas. Mas não aconteceu.

— Se for só isso, sem problema. Não assusta a gente desse jeito, Liz. – Thomas respirou aliviado, enquanto passava a mão sobre a cabeça, ajeitando levemente o cabelo. Todos começaram a rir. Mas no fundo, Thomas sentia-se angustiado e confuso. A banda era tudo para ele, mas a ideia de deixar Samantha de lado, o deixava triste. Precisaria conciliar as coisas.

 

 

 

 

21 de janeiro de 2018

 

— Quem você pensa que é pra dizer o que eu devo fazer, naquele tom de voz?! – falou com a voz um pouco alterada assim que entrou no café e encontrou Thomas sentado em uma das mesas que ficava na parte interna, sozinho.

— Calma, Kath. Não queremos ser expulso daqui, certo? – abriu um pequeno sorriso, demonstrando seu nervosismo. Gesticulou com as mãos para que ela sentasse. Rias assim o fez. Assim que sentou, o encarou de forma séria e cruzou os braços.

— Me dê um bom motivo para eu não socar sua cara nesse exato momento. – ameaçou, quase rosnando.

— Nunca te vi tão irritada desse jeito. – encostou-se na cadeira, soltando uma risada. Rias sentiu seu corpo esquentar, odiando-o cada vez mais. Cravou as unhas na palma da mão, cedendo lentamente ao desejo de despejar um soco no rosto dele. – Calma lá... – falou de forma tranquila ao ver que ela estava começando a se exaltar.

— Você sabe muito bem que pedir pra que eu fique calma não vai adiantar nada. – virou o rosto e começou a olhar para a paisagem que a janela de vidro do café proporcionava: nada mais que uma simples vista do movimento da rua. O vai e vem de pessoas nas calçadas e alguns carros no asfalto. Balançou o pé num ritmo descompassado, mostrando a inquietude que estava sentindo.

— Já fizeram seus pedidos? – aproximou-se um garçom com o pequeno bloco de notas em mãos.

— Ainda não. – olhou rapidamente para Rias e entendeu que ela nada ia falar ao ver que ela continuaria a olhar para janela de vidro como se fosse a coisa mais atrativa do mundo. – Eu vou querer um café expresso e ela vai querer um cappuccino. – observou o garçom anotar o pedido rapidamente no pequeno bloco de notas.

— Certo. Já trago tudo. – sorriu e se retirou, fazendo uma pequena reverência.

— Eu sei que foi horrível de minha parte ter falado daquele jeito, na casa do Phelipe, com você. – Rias virou o rosto, voltando a encará-lo. Como se tivesse começando a prestar atenção nas palavras dele. – Fui levado pelo momento. E jamais usaria a Sam daquele modo. Não teria coragem. – fechou os olhos, se arrependendo de como as coisas foram no ano novo. – Eu gosto dela, de verdade. – abriu os olhos, encarando Rias de forma sincera. A mesma olhou nos olhos dele e sentiu a sinceridade transbordar dali. Nunca sentira algo assim vindo dele antes. Então talvez fosse verdadeiro aquilo que ele estaria tentando ter com Samantha. Sentiu a raiva diminuir, e seu corpo esfriar aos poucos.

— Está certo. – suspirou. – Aparentemente você está sendo sincero. Mas continuarei de olho em você. – inclinou seu corpo para frente, apoiando os braços sobre a mesa, encarando o rosto de Thomas um pouco mais perto. Ele apenas engoliu em seco.

 

 

 

 

10 de fevereiro de 2018

 

— Então vai ficar desse jeito: Samantha, Charlie e Phelipe. – Morgan olhou para os três amigos. – Preciso que vocês visitem a Rias juntos. Samantha comenta sobre o festival, o Phelipe da ideia de todos irem ao festival e Charlie reforça dizendo que todos iriam gostar. E deem a entender que esqueceram do aniversário dela. Só comentem sobre o festival. E que gostariam de que a galera fosse junto, sem motivo aparente. Apenas para curtir os shows.

 

O trio já se encontrava na casa de Rias, exatamente como planejaram dias atrás na casa de Morgan. Rias e Samantha estavam jogadas na cama de Rias. Phelipe e Charlie estavam sentados no chão, com as costas encostadas na beira da cama.

— Ei, Kath. Daqui duas semanas vai ter um festival de música e o line-up tá muito bom. Olha só. – Samantha mostrou a tela de seu celular para Rias. A mesma pegou o celular e começou a ler a lista de bandas confirmadas.

The Neighbourhood, Borns, Nothing But Thieves, Black Coffee, The Drums... – leu o restante em silêncio, acenando a cabeça, gostando do line-up. – AH! Vanilla Púrpura!

Vanilla Púrpura? – perguntou Charlie.

— É! A banda do Thomas. – complementou Samantha. Olhou para Rias e puxou o celular da mão dela procurando pelo nome da banda. – Eles vão estar lá? Thomas nem me falou! – Rias soltou uma risada, revirando os olhos.

— A gente deveria ir nesse festival, sabe? – sugeriu Phelipe, trocando olhares com Charlie, instigando a prosseguir com o plano. – A galera toda.

— Verdade. Acho que o pessoal ia curtir. – virou para Rias. – O que acha?

— Pode ser... – sentou na cama, olhando desconfiada para os amigos. – Vocês acham que o pessoal iria concordar em ir? – observou o trio se entreolharem.

— Claro. – responderam juntos.

 

— E depois que vocês conseguirem a convencer, me mandem uma mensagem para executar a segunda parte do plano: marcar de todo mundo comprar os ingressos juntos e planejar a ida e a volta do evento. E aí vai ser mais tranquilo.

 

Charlie pegou o celular e começou a digitar uma mensagem para Morgan, contando tudo o que aconteceu. Iriam começar a segunda parte, e por dentro, tentavam segurar a risada, com a reação de Rias com o modo de agir deles ao "esquecerem" de seu aniversário. Mas não era somente isso. Estava incomodada com sua relação com Phelipe que ainda não havia sido resolvida. Ele percebera que ela estava incomodada com algo. Mas não conseguia decifrar o motivo que estava deixando-a daquele jeito. Enquanto Samantha e Charlie conversavam sobre o festival, Phelipe observava Rias, que estava bastante quieta, com o olhar perdido em algum ponto do quarto e o pensamento longe do tópico da conversa daquele cômodo. Ele se levantou e sentou ao lado dela, na beira da cama.

— Tá tudo bem? – levantou a mão em sinal de tocá-la, mas se deteve.

— O que? – como se voltasse a si, olhou para ele e viu a preocupação em seu rosto. – Tá tudo bem sim. – respondeu com um tom triste.

— Não parece estar tudo bem. – a observou abaixar o olhar. Ele a conhecia o suficiente para ter certeza se ela estava bem ou não. – Algo está te incomodando. O que aconteceu?

— Acho que devíamos conversar sério. – voltou a encará-lo de forma intensa. – Sobre nós.

— Tá... – pensou um pouco, imaginando sobre o que seria. – Sobre o que exatamente? – mexeu-se na cama, um pouco desconfortável. Rias soltou um suspiro pesado.

— Sam, Charlie... – olhou para os amigos, que ficaram em silêncio no mesmo momento. – Preciso conversar a sós com Phelipe. Tudo bem vocês saírem do quarto rapidinho? – mostrou um sorriso amarelado.

— Claro, Kath. Sem problemas. – respondeu Samantha entendendo o que viria a seguir. Charlie olhou para Phelipe como se perguntasse "o que tá acontecendo?" e o mesmo respondeu apenas dando de ombros e começando a encarar o chão. Charlie suspirou e saiu do quarto junto com Samantha. Assim que ouviu a porta do quarto ser fechada, Rias olhou para Phelipe e tentou segurar as lágrimas, sentindo a insegurança começar a tomar conta de si.

— Não comentamos mais nada sobre o que aconteceu com a gente na noite de ano novo. Parece que nada aconteceu, nada mudou. E isso me deixa aflita. – confessou, ficando nervosa.

— Kath, eu só não sabia como falar sobre...

— Mas precisava agir como se nada tivesse acontecido? – disse num sussurro.

— Me desculpa, Kath... Não queria dar a entender isso. – aproximou-se e segurou o rosto dela com as duas mãos, fazendo com que ela olhasse nos olhos dele. – Eu gosto de você. Eu. Te. Amo. – observou cada pedaço do rosto da amada, analisando de perto a expressão de alívio que começara a tomar conta. – E aquela noite foi mais que especial pra mim. – ficaram em silêncio por um segundo, e sem aguentar esperar por alguma resposta dela, ele a beijou de forma calma e gentil. Rias segurou a blusa dele e o puxou para mais perto, aprofundando o beijo. O nervosismo e a insegurança foram embora, dando lugar ao alívio e felicidade. Interromperam o beijo, encostaram suas testas uma na outra, e abriram um largo sorriso.

— Eu te amo também.

 

 

 

 

23 de fevereiro de 2018

 

Os dias passaram-se de uma maneira extremamente rápida, de uma forma que Rias não desejava. Acabou parando de contar os dias e eventualmente esquecera de seu aniversário. Negou aos amigos a ida ao festival de música, dizendo que não tinha dinheiro suficiente para comprar o ingresso. Mas o que ela não sabia era que seus amigos já haviam comprado os ingressos, juntamente o dela, como presente de seus 21 anos.

— KATH!! – gritou Samantha, escancarando a porta do quarto da amiga, acordando a mesma no susto. – Espero que você seja o tipo de pessoa que tem uma malinha pronta de viagem de emergência, POR QUE ESSA É UMA EMERGÊNCIA!

— Do que tu tá falando, Sam? – perguntou enquanto se levantava da cama, coçando os olhos e bocejando. – E por que essa animação toda tão cedo?

— Ué, achei que Phelipe tivesse contado. Fala sério. – revirou os olhos. – Estamos indo agora viajar em grupo. Só falta você.

— A-agora?

— AGORA! Anda, vamos começar a separar algumas coisas. – disse apressadamente, abrindo o guarda-roupa da amiga. – Vamos hoje e voltaremos domingo. Isso mesmo, minha querida. – virou-se para Rias, segurando algumas blusas. – Um fim de semana inteiro de muita diversão. – Rias estava parada no meio do quarto e pegou as blusas que estavam na mão de Samantha num reflexo. Ficou calada, de boca aberta, tentando processar a informação. – Tá parada aí por que? Bora!!

— Tá, tá!! ENTENDI. – pegou rapidamente uma mochila e enfiou as roupas dentro da mesma. Correu para o banheiro e pegou itens de maquiagem que certamente iria usar. Como não tinha tempo de se arrumar, apenas penteou o cabelo, colocou um vestido preto, solto, de mangas curtas com estampa de pequenas folhas. Colocou uma gargantilha e um cordão comprido, e algumas pulseiras no braço direito. Calçou o par de coturnos, colocou um óculos escuro no rosto para disfarçar a falta de maquiagem e as pequenas olheiras, fechou a mochila, colocou sobre o ombro e saiu do quarto logo atrás de Samantha. Ao sair de casa, se deparou com uma van pequena e seus amigos esperando por ela e Samantha ao redor do veículo. – Mas o que...

— Demoraram. Muito. – provocou Dahan.

— Estamos esperando o quê, então? Vamos logo! – exclamou Charlie animado.

Entraram na van, ficando na frente apenas Morgan e Dahan. Rias sentou em um dos bancos e jogou a mochila no canto próximo ao seu pé. Se recostou e começou a fechar os olhos, levantando-se em seguida num pulo.

— Espera um momento! – exclamou, colocando o óculos sobre a cabeça, esquecendo o que queria esconder. Todos pararam o que estavam fazendo, exceto Morgan que continuou a dirigir. – Samantha entra aos gritos no meu quarto, me acordando no susto, dizendo que preciso arrumar uma mochila com roupas por que vamos passar o fim de semana fora, mas não diz o local exato. Eu vejo todos vocês na porta da minha casa, com uma van, esperando por mim, ninguém me explica nada e eu tenho que achar isso algo como totalmente normal?!

— Calma, meu bem. Você vai gostar no fim. – Phelipe abriu um sorriso que para ela foi suspeito.

 

 

Após três horas dentro daquela van, depois de muitas músicas cantadas em viagens em estradas longas, e outras músicas, e piadas contadas, chegaram ao seu destino final: Índio, Califórnia.

— Coachella Festival, claro! – disse Rias, revirando os olhos. – Como não suspeitei antes? Gente, eu já tinha dito que não tinha como eu comprar o ingresso, pois não tinha dinheiro.

— Fica tranquila. – disse Morgan girando a chave da van no dedo. – Considere como um presente de aniversário.

— Aniversário? Espera um pouco... – estendeu a mão aberta na frente de Morgan, como se pedisse para ele ficar parado, enquanto pensava por um momento. – Que dia é hoje?

— 23, Kath. – respondeu Dahan.

— PUTA QUE PARIU!! – Rias gritou.

— O quê? – Charlie ficou confuso.

— Eu esqueci meu próprio aniversário!!! – ela exclamou não conseguindo acreditar. Seus amigos começaram a rir.

— Ok, ok. Agora vamos entrar. Temos um longo dia regado a música pela frente. – apressou Samantha.

Entraram na área do festival e ficaram impressionados com o tamanho do local. Tantas pessoas, tantos palcos, e uma programação muito atraente. Buscaram o line-up do festival e foram assistir a apresentação de The Neighbourhood.

 A banda começou a tocar uma das músicas que é muito apreciada por diversas pessoas. E na primeira nota das guitarras, o público reconheceu e começaram a gritar, começando a ficar extasiados.

R.I.P to my youth,— começaram a cantar – and you could call this the funeral. I'm just telling the truth and you can play this at my funeral. Wrap me up in Chanel inside my coffin, might go to hell and there ain't no stopping. Might be a sinner and I might be a saint. I'd like to be proud, but somehow I'm ashamed. Sweet little baby in a world full of pain. I gotta be honest, I don't know if I could take it. Everybody's talking, but what's anybody saying?

Phelipe aproximou-se de Rias, a puxou pela cintura e a beijou intensamente. O primeiro beijo que davam na frente de seus amigos. Samantha olhou a cena, e se sentiu feliz pela amiga. Morgan e Dahan se olharam e pensaram juntos "já estava na hora". E Charlie sentiu uma pontada de ciúmes. Voltou a olhar em direção onde a banda estava tocando, como se não tivesse visto coisa alguma. O coração de Rias batia descompassado. Sentia-se feliz de um modo como nunca se sentiu.

I was naive and hopeful and lost. Now I'm aware and trapped in my thoughts, oh. What do I do? What do I do? I  don't believe it if I don't keep proof. I don't believe it if I don't know you. I don't believe it if it's on the news oro n the internet. I need a cigarette.

Mas já dizia a famosa frase: tudo que é bom, dura pouco.

Rias não imaginava que alguém voltaria para, talvez, acabar com sua pequena felicidade. Alguém que ela chegara a reconhecer como uma pessoa que daria a vida. Alguém que estava naquele mesmo festival.





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