o que domina o batidão escrita por Kaline Bogard


Capítulo 2
Parte 02 de 02


Notas iniciais do capítulo

Terminamos mais uma!

Boa leitura!



No sábado de manhã, pela segunda vez, Aburame Shino foi bater na porta do vizinho, antes mesmo de preparar o café da manhã. Precisou bater um bom tempo e esperar longos minutos antes que o garoto viesse atender.

E lá estava Inuzuka Kiba de cueca samba-canção, dessa vez com estampas de girassóis. Girassóis. Shino nunca tinha visto cuecas com aquela estampa. Mas não era nenhum expert, pois só usava boxers pretas ou cinza escuro.

— Bom dia — Kiba bocejou longamente, esfregando os olhos inchados de tanto dormir — Ah, ganhei a aposta.

— Aposta? — Shino não entendeu.

— Nada! Besteira minha — tratou de cortar o assunto. Falou sem pensar. Tinha feito uma aposta com o melhor amigo, quando contou-lhe o caso e revelou sobre o vizinho que veio reclamar sábado de manhã com óculos escuro! E ali estava ele de novo… com óculos escuro e tudo o mais. Uma figura bem exótica.

— Você prometeu baixar o som — Shino acusou. Se aquele moleque estava usando seu sossego em algum tipo de aposta ou joguinho, ele realmente perderia a paciência!

— Mas eu baixei! — Kiba soou surpreso — Deixei quase pela metade da potência!

— Metade? Pois precisa baixar mais. Não consegui ouvir nem meus pensamentos...

— Então pensa mais alto, ué — o vizinho deu a sugestão como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Shino perdeu alguns segundos tentando entender se estava sendo zombado ou se seu vizinho sofria de falta de noção crônica. Não precisou pensar muito para concluir que era a segunda opção. Suspirou.

— Não dá pra pensar mais alto do que a sua música.  E que raios significa “creu”?

Kiba riu.

— Isso porque você nem me viu dançar o creu — se gabou — Dai que você não ia dormir mesmo!

O outro ergueu uma sobrancelha. Aquele cara só podia estar brincando.

— Por favor. Apenas abaixe o volume das suas músicas. É desagradável ter que ouvir um estilo musical que não aprecio.

— Caralho, Shino! Quem não gosta de funk?! — Kiba perguntou inconformado.

Shino só apontou para o próprio rosto, uma expressão muito séria dominando a parte que o óculos não escondia.

— Tudo bem — o garoto fez o sinal de vitória com os dedos — Vou ver o que posso fazer. Paz?

Sem alternativa, Shino concordou.

— Paz — colocou tudo em pratos limpos. Ficou satisfeito por chegarem a bom termo.

Pois a satisfação sumiu por completo e foi substituída pela sensação de ser feito de trouxa quando a terceira sexta-feira veio e as músicas exóticas continuaram exatamente na mesma altura insuportável.

Seu vizinho estava fazendo um jogo no qual não tinha paciência ou vontade alguma de participar.

Depois de uma sequencia irritante de noites insones, com músicas tenebrosas sobre alguém que ia sentar em determinado lugar e quicar, sobre rabas e rabiolas e tiros… ele desistiu de tentar resolver amistosamente e foi procurar o síndico do prédio.

Para azar de Shino, o homem explicou que não existia mesmo nenhuma cláusula restritiva de volume no contrato de aluguel, haja vista os donos do prédio sempre acreditaram no bom senso e empatia do povo japonês. Ele explicou que, por outro lado, Shino podia organizar um abaixo assinado com os outros moradores que se sentissem incomodados. Também havia a opção de procurar um advogado e verificar os meios legais para resolver o problema. Ele, na posição de síndico, estava com as mãos amarradas. Porém, o senhor foi extremamente enfático ao afirmar que envolver processos legais nunca era a melhor opção e que um homem da posição de Shino devia ser paciente e mostrar com exemplo a forma menos problemática de resolver problemas com vizinhos.

Shino sentiu-se péssimo porque o homem lhe jogava o abacaxi nas mãos. Era óbvio que o sindico deveria reunir a tal lista de assinaturas. Pelo jeito, queria fazer papel de bonzinho. Ele morava no primeiro andar, o som não chegava lá tão alto. Além disso, havia um tom indulgente na voz do homem... quase como se ele estivesse do lado do universitário! Que afronta!

Era a primeira vez que Shino se via envolvido em um conflito assim desagradável. A possibilidade de ter que recorrer às autoridades para resolver aquilo o agoniou.

Acabou decidindo que sacrificar uma única noite por semana não algo impossível. Seu vizinho só passava dos limites na sexta-feira. Ora, qualquer adulto podia passar por uma madrugada insone. E ele tinha  sábado para se recuperar. Mostraria com exemplos como um “homem da sua posição” resolvia o conflito.

Ao invés de intensificar a briga, Shino decidiu pela política do síndico: manter a paz a qualquer custo.

E o mês de junho acabou de um jeito bem amargo para Shino, as sextas-feiras estavam arruinadas por músicas de gosto duvidoso e letras indecentes. Mas tudo bem. Que homem nunca precisou abrir mão de certa paz, pagando o preço por viver em sociedade? Não seria o primeiro nem o último a sobreviver a tal guerra. Já teve vizinhos ruins antes. Eles nunca duravam muito tempo.

Perder a sexta-feira era um preço pequeno que estava disposto a pagar.

Exceto, claro, que Inuzuka Kiba resolveu fazer bailes também na noite de sábado. Aí não teve paciência ou boa vontade que resistisse.

Muito menos com a letra da canção que vibrava as paredes.

Hoje vai chamar no probleminha, vai
Hoje a gata vai perder a linha, vai
Hoje vai curtir com as amiguinhas, vai
Vai rebolar em frente o paredão

 

Mexe a raba
Mexe a rabiola
Mexe a raba
Mexe a rabiola
Rebola gostoso até o chão

Um baile.

No sentido denotativo da palavra.

Sem o uso de figuras de linguagem que sugerissem algum tipo de exagero.

A porta do apartamento do vizinho estava aberta, o que ajudava o som alto a se propagar ainda mais. E havia um tráfego de pessoas que não deveria existir por ali, desconhecidos parados no hall, entrando e saindo da casa de Inuzuka Kiba. Todos aparentando ter a mesma faixa etária do garoto.

Shino perdeu alguns segundos estarrecido a admirar a cena, em dúvida se era algum tipo de sonho -ou pesadelo- muito vívido.

Vívido demais.

Pois o tremor das paredes deu-lhe a certeza de que estava bem acordado. E, se não fosse o caso de um terremoto acima dos cinco pontos na escala, era um indicativo de que a música no apartamento alheio estava muito mais alta do que deveria estar.

Vencendo o momento de puro embotamento, Shino dirigiu-se ao apartamento e entrou sem pedir licença. Notou que realmente era uma festa, com os jovens bebendo em abundância, uns três ou quatro dançando no espaço liberado ao empurrar os sofás. Petiscos circulavam em bandejas com visual apetitoso.

Uma festa…

Buscou o vizinho com os olhos, mas não localizou o rapaz em lugar algum.

Em seguida notou o aparelho de som acomodado em uma estante colocada na parede em frente à entrada.

E foi direto para lá, cortando os desconhecidos que nem se incomodaram com sua presença. Alcançou o aparelho em poucas passadas e diminuiu o som sem hesitar um segundo.

Tão logo o volume da canção atingiu o aceitável, os garotos começaram a reclamar.

— Oe! Por que fez isso?

— Cadê a musica?

— Eu que tinha pedido essa!!

Shino ajeitou os óculos no rosto e olhou ao redor, sem um pingo de remorso.

— A festa acabou — a frase não foi nem um pouco engraçada, mesmo dita por alguém de óculos escuro e roupão felpudo preto. Pois a imagem seria hilária em qualquer outra pessoa do mundo, mas naquele homem sombrio, quase esquisito, teve qualquer efeito contrário ao humor.

— Mas… a gente acabou de chegar — uma garota reclamou.

— Esperei muito por isso! — o rapaz ao lado dela parecia bem contrariado.

O próximo ato de Shino foi tirar o telefone do gancho, grato pelo aparelho estar na estante ao seu alcance, e discar três números rapidamente.

— Polícia? — perguntou sabendo-se alvo de todos os olhares — Quero denunciar uma festa com som alto, bebidas e menores de idade…

A frase coringa teve o efeito tão eficiente quanto espirrar inseticida em reunião de baratas. A debandada foi geral.

Kiba, que veio da porta de ligação à cozinha querendo saber o que aconteceu com o som, deixou o queixo cair. Tinha acabado de escutar as palavras de Shino. Segurava uma bandeja com mini sanduíches de atum, maionese e berinjela.

— Você acabou com a minha festa! — exclamou ao ver o último convidado sumir fugido pela porta aberta — E chamou a polícia! Que porra!

— Você acabou com a minha noite de sábado — Shino explicou ao se convencer de que era seguro e não havia o risco de nenhum convidado voltar atrás de farra — Devolvi o favor, apenas. E não chamei a polícia de verdade, liguei pra central do tempo.

— Ah — Kiba sentou-se no sofá, olhando o que sobrou de sua festa.

— Você precisa ter um pouco mais de respeito pelos seus vizinhos. Essas músicas são horríveis… as letras são medonhas.

Pararam um segundo para ouvir o que tocava, agora num volume baixo.

Essas malandra, assanhadinha
Que só quer vrau
Só quer vrau
Só quer vrau
Vrau, vrau

 

Então vem sentando aqui
Senta aqui
Senta aqui
Vai, vai, vai

Apesar dos pesares, Kiba não se deu por perdido.

— Gosto musical é tipo cu. Cada um tem o seu. Só porque você acha horrível não quer dizer que seja. As letras representam culturas.

Mal terminou de falar e outra canção emendou em sequencia, com um timming de fazer inveja a qualquer editor de trilha sonora.

Ô tu tá tão, tão
Linda com esse rabetão
Tô xonadão, dão, dão
Nesse bundão

— Claro. E a cultura que você está ouvindo tem qualidade questionável.

— Porra cara, em cultura não se mede subjetividade.

Vai rabetão, tão
No chão
Vai rabetão, tão
No chão

— Se você diz — Shino não insistiu na discussão.

— Isso é funk. Foi meu amigo Naruto que me apresentou — não revelou que aquele era o único amigo que tinha. Então aprender coisas novas com ele dava a impressão de diminuir a solidão.

Shino desistiu de dar lição de moral ao ver seu vizinho tão amuado. Não fez aquilo por satisfação ou para ver o outro triste. Queria só ter a intimidade preservada, e o som alto invadia seu espaço pessoal e destruía sua paz.

— Desculpa — ouviu o garoto revelar quando estava a um passo de sair do apartamento.

— O quê? — pensou ter ouvido errado.

Kiba olhou em sua direção e sorriu largo, mas cheio de culpa.

— O som alto. Fiz de propósito.

— Por quê? — a revelação surpreendeu o outro.

— Quer? — estendeu a bandeja com aperitivos na direção de Shino — Eu te explico tudo. Mas é meio constrangedor.

Shino declinou da oferta, mais interessado em ouvir as explicações do vizinho do que em comer sanduíches.

Kiba desviou os olhos, sem parar de sorrir. Suas bochechas coraram, fazendo Shino se lembrar de um dia em que chegou ao apartamento quando o vizinho saia, eles se encontraram no hall comunitário e o garoto tinha o rosto decorado com grandes triângulos vermelhos que, estranhamente, combinavam muito com ele.

— Eu só queria te ver de novo.

Shino saiu de suas divagações espantado com o que ouviu.

— Você disse que…?

Kiba pegou um dos sanduíches e enfiou inteiro na boca.

— Na primeira vez eu fui só cuzão mesmo. Pensei que não ia incomodar com o som, por isso eu liguei bem alto. Dai você veio reclamar no outro dia e… — limpou a garganta — Acho que o foi crush instantâneo.

— Ah — Shino não fazia ideia do que “crush” queria dizer. Mas não entendia metade das gírias usadas nas músicas que seu vizinho ouvia, então não fez muito caso.

— O síndico veio pedir pra eu baixar o som, daí eu expliquei a situação. Ele até me disse um “ganbatte” e prometeu que ia tentar acalmar os outros moradores...

As sobrancelhas de Shino se ergueram por trás dos óculos. O complô era mais elaborado do que esperava! Só diante de tal revelação a atitude conivente do sindico fez sentido!

Sufocando com o silêncio um tanto incômodo, Kiba alcançou uma das latinhas fechadas sobre a mesinha de centro, uma marca de cerveja popular, e estendeu na direção de Shino.

— Brinda comigo — pediu — Hoje é meu aniversário.

Alguma coisa acertou direto no peito de Shino, trespassando-o e atingindo seu coração. Em um futuro não tão distante, Kiba brincaria dizendo que foi o instante em que o cupido o acertou e Shino ganhou um crush.

Mas, naquele momento, comovido com o pedido quase pueril, ele aceitou sentar-se ao lado do garoto e pegar a latinha que ele lhe estendia.

— Quantos anos? — perguntou com interesse sincero, assistindo Kiba pegar uma latinha para si e abri-la.

— Dezenove — ergueu a latinha e estava a um passo de levá-la aos lábios para bem merecido e longo gole, quando Shino moveu-se feito um ninja e a tirou de suas mãos — Que caralho?!

— Álcool só a partir do ano que vem.

— Você é da porra da polícia, cara?

— Não. Parabéns pelo seu aniversário — não se comoveu com o drama. E apesar de não gostar de cerveja, deu uma generosa golada na latinha.

— Obrigado — Kiba agradeceu com um bico.

— Ano que vem você compensa.

— Pode apostar! — garantiu um tanto arrogante, antes de recostar-se no sofá e atacar os aperitivos.

Shino assistiu com certa diversão. Mal se lembrava da raiva inicial que o levou até ali. As palavras do garoto roubando sua atenção mais do que tudo. “Eu só queria te ver de novo.”

Observou o rosto jovial, que devorava sanduíches com uma fúria nunca vista antes. Kiba era um garoto bonito, de olhos selvagens, cabelos castanhos curtos, charmosamente bagunçados. Irradiava vivacidade e energia.

— Não precisa ouvir o som em alturas exorbitantes para me ver — Shino foi falando sem que pudesse evitar. A bem da verdade, não queria evitar — Pode ir na minha casa como um vizinho normal e conversar como uma pessoa normal.

— Posso? — perguntou incerto. Teriam as mesmas intenções? Tentou sondar a expressão de Shino, mas a indiferença era contundente e não dava pistas sobre o que ele sentia.

— Claro. É o que vizinhos fazem — apesar da afirmativa, Shino não podia se lembrar de uma vez sequer que convidou algum dos vizinhos anteriores para ir ao seu apartamento, desde que seu pai se mudou.

— Obrigado, Shino! Eu to adorando morar em Tokyo, mas às vezes é uma cidade bem solitária.

— Você não é daqui?

— Não. Vim do interior pra fazer faculdade. To me adaptando. É um desafio maior do que pensava — a afirmação final veio em um tom meio surpreso, meio revelador, como se só naquele instante Kiba percebesse aquilo.

— E o que está achando de Tokyo?

— É meio solitário, mas incrível. Incrível! — aquele incentivo foi como o de jogar migalhas de pão para uma carpa faminta. O vizinho mordeu a isca e deu início ao monólogo mais animado e detalhado que Shino já ouviu na vida.

A música que soava ao fundo, ele percebeu, agora era outra. Um arranjo menos agressivo, que de alguma forma espantosa, parecia mais uma indireta do que qualquer outra coisa.

Só jogo o meu jogo
E se você quer de novo
É só dizer que tá afim
Se der sorte essa noite eu passo aí
Meu jeito é malicioso
Faço gostoso
É melhor você tomar cuidado

E a noite estressante que Shino temeu ter, acabou de modo bem adverso, com ele bebendo três latinhas de cerveja cujo gosto não apreciava, enquanto ouvia seu vizinho narrar as desventuras de morar em uma cidade tão grande. E devorava sozinho os deliciosos sanduíches de sardinha, maionese e berinjela, mal se dando conta do passar das horas que passaram e trouxeram um novo dia.

—--

Na manhã seguinte, Shino saiu do apartamento do vizinho e foi direto pra cama, recuperar o sono perdido. Dormiu fácil, embalado pelas latinhas de cerveja meio quente que desceram suave durante o diálogo quase unilateral.

Então usou o que restou do seu domingo para pesquisar na internet algo que surpreenderia seu vizinho.

E surpreendeu, três dias depois quando a encomenda chegou e Shino foi bater na porta da frente, dessa vez não para reclamar de algo.

Kiba veio atender do jeito rotineiro: apenas de cueca samba-canção (as estampas de cobrinhas eram de gosto bem duvidoso. E duplo sentido evidente), rosto amassado cheio de sono. Os cabelos bagunçados davam vontade de afagar.

— Bom dia — cumprimentou antes de bocejar longamente.

— Parabéns atrasado — Shino estendeu o pacote, não demonstrando no rosto a ansiedade que sentiu.

Aquilo chutou o sono de Kiba para longe.

Ele pegou o pacote com os olhos brilhando. Os lábios sorriram largo, exibindo as presinhas afiadas.

— Posso abrir?

— Sim, claro.

E Kiba não pode acreditar. Tinha acabado de ganhar um headset de ultima geração, um aparelho preto com detalhes em cinza e vermelho exuberante.

— Caralho, Shino! Acabaram de lançar esse modelo — como todo lançamento de qualidade custava uma pequena fortuna. Se Kiba não vivesse com a corda no pescoço, gastando com aluguel, faculdade e sustento próprio, se daria ao luxo de comprar um mimo assim. Todavia, nas atuais configurações monetárias, a exuberância estava fora de cogitação.

— Agora pode ouvir suas músicas no volume de estourar os tímpanos sem incomodar ninguém — Shino explicou. Kiba chegou a entreabrir os lábios para agradecer, porém o outro continuou falando — Música é uma excelente distração, mas gostaria que viesse conversar comigo quando se sentir solitário.

Kiba piscou duas vezes, antes de ter certeza que entendeu o que achou que entendeu. Por fim sorriu tanto e pareceu tão feliz, que Shino teve a impressão abobada de um pequeno sol nascia naquele hall comunitário.

— Hn! Mas não vá se arrepender depois! Meus amigos dizem que meu jeito é muito exclusivo.

— Não sou homem de me arrepender das decisões que tomo — afirmou com toda certeza do mundo, dando a Kiba uma mirada tão profunda por trás dos óculos que fez o garoto corar sem jeito.

— Obrigado — conformou-se em agradecer com sinceridade.

Shino aceitou a gratidão e tudo o que veio com ela.

A convivência provou que ele estava certo. Não se arrependeu de trazer o vizinho barulhento para sua vida, pelo contrário. Até aprendeu a gostar de algumas daquelas músicas que Kiba passou a ouvir em seu apartamento (em um volume socialmente aceitável, que fique claro).

E Kiba aprendeu a gostar de música clássica, libertando-se do preconceito bobo de achar que instrumental era coisa de gente velha e enfadonha.

Foi Mozart, inclusive, quem serviu de trilha para o primeiro beijo trocado. Porém foi um tal “senta e quica” que os acompanhou na primeira noite de sexo.

A cultura musical nunca fez tanto sentido para ambos. Cada canção tinha sua ocasião e momento certos. E a partir desse entendimento, a relação que começou conturbada, entrou nos eixos, sempre acompanhada de uma trilha sonora digna dos filmes.

Os sons da felicidade.

 



Notas finais do capítulo

Aaaa espero que tenham gostado de ler tanto quanto eu gostei de escrever. Coitado do Shino, está virando tiozão nas minhas fics.

Sábado devo postar uma oneshot especial. Recomendo que leiam "O rei do pop" para entrar no clima. Ops...

Até o próximo, pessoal!

—--

MC Kevinho - Rabiola (KondZilla)

MC MM feat DJ RD - Só Quer Vrau (KondZilla)

MC Lan - Rabetão (KondZilla)

Dani Russo - Jeito Malicioso (KondZilla)



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