Morte e Vida de Julieta escrita por Afrodite


Capítulo 10
Brilho da Esperança


Notas iniciais do capítulo

MEU DEUS, NÃO CREIO QUE VOLTEI
Quase morri de saudade, sério!
E esse capítulo eu já tinha iniciado antes mesmo do hiatos começar, mas não consegui terminar, o que foi até bom porque tive mais ideias pra ele e pra história.
Mudei o título e mudei a sinopse, espero que vocês tenham aprovado, anjinhos, afinal, essa história também é de vocês
Obrigada a quem não abandonou a Julieta e soube esperar, amo vocês!!! Espero que gostem dessa nova fase da fic, faço tudo com amor exacerbado ❤❤❤❤



Pouco tempo depois, Clara chegou em casa e se deparou com a filha naquele estado deprimente:

—Bi, o que foi?

—Fui ver o Pedro... Me despedir.

Clara fez uma expressão triste e perguntou apontado para as flores:

—Ele te deu?

—Deu sim, o nome dessa flor é não-me-esqueças.

—Que lindo... Queria tê-lo conhecido. Que pena que não deu certo, vocês iam acabar namorando, sabia?

Bia fechou os olhos e voltou a chorar. A mãe passou a mão na cabeça da menina e se sentou ao lado dela (sim, em cima de mim), o que me fez dar um pulo da cadeira. 

—Bia, tá tudo bem, essas coisas acontecem, pode sofrer por enquanto, mas daqui a um tempo você vai ter que tomar um rumo, viu?

Minha vítima limpou as lágrimas e encarou a mãe:

—Por que isso tudo tá acontecendo? A faculdade... O Pedro... Meu Deus!

—A vida é que nem o mar, filha... Você não pode controlar as ondas, mas você pode surfar nelas.

—Então eu levei um caldo...

Conclui que iria passar uma terceira temporada na terra. Eu precisava estar presente para lançar as flechas, além de também estar preocupada com o estado da Bia, decidi que iria cuidar dela. Ela disse algo sobre faculdade, então o Pedro não era o único motivo daquele humor péssimo. Eu tinha coisas a fazer!

Voltei para o céu, misturando meus pensamentos sobre a Bia e a minha missão, eu estava chegando perto, aquele sonho era realmente relevante, mas eu não podia estudá-lo por enquanto, minha garotinha precisava de mim na terra e, naquele momento, ela, com certeza, era minha prioridade.

Cheguei no meu quarto e escrevi no meu caderno o sonho que tivera, depois iria estudá-lo com atenção. Peguei minha mochila, minha aljava e meu arco, essa temporada provavelmente ia demorar. Dei uma lida nas fichas e descobri que a Bia por muito pouco não tinha passado na universidade que ela queria, a UFC, e que o Pedro estava voltando para o Rio, pois tinha passado na UFRJ e ia morar com o pai "engraçado... Lembro do Eduardo ter falado sobre essa UFRJ alguma vez" pensei.

Quando pus o pé pra fora do quarto, lá estavam minhas amigas:

—Seu amigo Isaque veio nos contar o que aconteceu, parabéns! Lindo, lindo, lindo! — Lola falou com entusiasmo.

—Tem certeza que tá falando comigo e... Sobre a Bia?

—Sobre quem mais seria, bobinha? 

—Mas você tá agindo como se fosse uma coisa boa. Ela... Ela tá sofrendo.

—Ah, ela não sabe... — Sarinha observou. 

—Não sei de quê?

—É o amor dela, Ju. Esse Pedro provavelmente é o amor da Bia — Bela tomou a palavra — seu amigo Isaque veio nos contar o que aconteceu, sobre esse menino Pedro, que ele foi embora, e você sentiu que devia continuar a lançar flechas pra ele, é o seu sentido de cupido falando, não é da sua cabeça.

—É que eles se separarem e sofrerem vai fazer parte da história deles, é algo bom — Lola disse.

—Os melhores casais têm que sofrer — comentou Sarah — se tem uma coisa que e aprendi sendo cupido, é que os casais mais bonitos precisam ter história. Não é só se conhecer, passar pelas fases coloridas e ficar junto, esses são os casais simples, fáceis... Tipo a Luísa e o Rafa, não é amor, meu colar não ficou vermelho — Ela mostrou o colar com luz cor de rosa — Só pode virar amor se eles passarem anos e anos juntos, e mesmo nessas circunstâncias pode não acontecer, vale salientar. 

—Os cupidos antigos sempre dizem que os melhores casais são os que se conhecem desde criança, ou os que, de início se odeiam, os que são melhores amigos e se apaixonam, os não planejados, e... Que rufem os tambores... Os que juntam, e separam, e juntam... — Lola disse sorridente, mexendo as mãos e a cabeça.

—Pera... A Bia e o Pedro não só tiveram que se separar, mas também não planejavam nada, a Bia até dizia que jamais ia querer algo sério, então eles...

—Certeza nós não temos de nada, pode ser coincidência, a gente pode estar se iludindo, mas só por você ter sentido que precisava seguir com as flechas, já faz a esperança brilhar — Bela disse. 

—É aquilo que o Isaque falou: "eles não combinam assim de graça" — lembrei-me entusiasmada.

Lola deu um pulo, me abraçou e disse:

—Isso! Ele pode ser o amor da vida dela, sabia? Ele pode ser o grande personagem da história de amor que ela tem pra contar.

Com mais esperança que nunca, despedi-me das minhas amigas e me dirigi à terra novamente. Era impressionante como aquelas três e o Isaque sempre melhoravam tudo pra mim, eles eram importantes.

Cheguei na terra e olhei meu relógio de bolso: uma semana tinha se passado desde a despedida entre Bia e Pedro. Entrei no quarto da Bia, ela estava sentada na cama assistindo alguma coisa no notebook, as janelas e cortinas estavam fechadas, era um breu que não combinava com a Bia que eu conhecia.

Minha vítima fechou o notebook e jogou a cabeça pra trás, chocando-a contra a parede:

—Ai! Eu não mereço ser feliz — Bia gemeu. 

—Merece sim, Bia! — protestei inutilmente.

Era péssimo vê-la naquele estado, não parecia a minha Bia, era uma versão tão estranha dela. Peguei minhas fichas e li que ela tinha passado todos aqueles 7 dias no quarto escuro "a Bia sem sol? Sem praia?" pensei, absorta. 

Clara começou a abrir a porta do quarto, fazendo um fresta de luz surgir. 

—Luz não! — Bia reclamou.

A porta se abriu por completo e a mãe disse:

—Eu criei uma menina, não foi um vampiro não. Tem visita pra você, Bi. 

—Bia? — Eduardo apareceu. 

—Pai! 

Ele correu e foi abraçá-la:

—Girassóis precisam de sol sabia? 

—Quê?

—É uma metáfora. Você é o girassol — Clara explicou. 

—Tá vendo como eu sou burra? — Bia choramingou.

—Não diga isso! Você é muito inteligente, Bia — o pai protestou.

—Se eu fosse inteligente eu teria passado na UFC. 

—Isso não tem a ver com inteligência, tem a ver com preparação. 

—Mas eu estudei.

—Mas não  pro Enem, tinha o colégio também. Filha, eu vou pedir agora que você veja as coisas de outro jeito. Lembra que você queria estudar na UFRJ e morar no Rio desde que a gente foi pra lá quando você tinha 7 anos?

—Claro que lembro, pai, mas é impossível! Se eu não passo nem na UFC...

—Calma. Você não passou por muito pouco, Bia, muito pouco mesmo. Poderia ter passado... Não aconteceu porque não era isso que você queria de verdade, o universo sabe das coisas. Por que esse ano você não tenta entrar na faculdade que você sempre quis?

—Isso não faz o menor sentido. 

—Seu pai tem razão — Clara interveio olhando para Eduardo, e naquele momento eu vi: os olhos dos dois brilhavam! — ele tá querendo dizer que aquilo deu errado porque você merecia algo melhor. Sem falar que o Pedro foi estudar na UFRJ, coincidência não é. 

—Eu sempre vi como eu não merecendo merda nenhuma.

—Você merece toda merda do mundo, Bia — Eduardo falou e todos rimos (sim, eu ri também). Eduardo abriu as cortinas e as janelas do quarto, fazendo a filha resmungar — Bia, você é uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço, passa até em Harvard se quiser, se estudar. Tente olhar as coisas por outro ângulo, você consegue, e vamo sair dease quarto, vamo pegar um sol, já tá é ficando branca, olha aí.

— Seu skate tá com saudade de você, olha a carinha dele — Clara brincou. 

Bia conseguiu levantar e os três foram à mesma praia de sempre (acompanhei, obviamente) aos poucos percebi a Bia se reanimando pelo menos um pouco. Mais tarde Eduardo foi embora e as duas mulheres ficaram juntas, pediram uma pizza e viram um filme. Era uma família linda, eu não entendia por que a Clara e o Eduardo não estavam juntos.

—Me matricula no cursinho, mãe — a garota disse, de manhã, quando apareceu para tomar café. 

—Você vai tentar UFRJ?

—Vou. 

Clara deu um abraço na filha. 

—Eduardo e praia são uma dupla infalível... Vou te dar um conselho, Bia, não conte a ninguém suas metas, não fale que você quer ir pra UFRJ, não dê informações muito detalhadas, nem fique postando em rede social... Só quem precisa saber são seus melhores amigos: a Lu e o Caio.

—Por quê?

—Quanto mais pessoas sabem, mais problemático é. Tem muita gente ruim nesse mundo. 

—Tudo bem, mommy — Bia consentiu abraçando a mãe.

 Enquanto estava nas férias, aos poucos Bia foi melhorando o humor. Ela falava regularmente com o Pedro pelo celular, a relação deles parecia não ter mudado muito, mas ambos sentiam bastante saudade. Ela falou um dia para a Luísa que, agora que ele tinha ido embora, percebera que o amava e que ele era o amor de sua vida:

—E tu que nem acreditava nisso, né? — Luísa ironizou. 

—Eu não acredito em alma gêmea ou sei lá o que, que tá escrito nas estrelas, que um nasceu pro outro e aquelas historinhas de abestado*... Mas acho que ele fez uma diferença muito grande pra ser só mais um, era tudo diferente com ele, tu sabe... E, mano, dói, dói muito. 

—Pois tá aí, um dia vocês se casam — Luísa sempre anos à frente.

—Eu só não sei se ele sente igual... 

—Sabe o que o Rafa fala? Que nunca viu o Pedro gostar de uma menina como ele gostava de ti, que ele podia ficar meses com uma menina mas seguia sem sentir nada, e contigo não, ele me disse que nunca viu o Pedro falar que tava com saudade de uma mina antes dele ficar contigo. Mulher, não tem outra não, eu tenho certeza que ele te ama.

Bia sorriu tristemente.

—Independe disso... — ela não terminou a frase.

Luísa a abraçou:

—Vocês são lindos e eu tenho fé.

Então era aquilo, ela o amava e nunca dissera pra ele, mas era tão real, eu acredito que mesmo sem palavras expressando, ele devia saber só em sentir.  

Com o início das aulas Pedro e Bia foram se afastando cada vez mais. Bia estava sempre estudando, assim como Luísa, que tinha passado na UFC, mas queria porque queria entrar numa tal de USP. O Caio fora para a faculdade, mas às vezes os três ainda se encontravam, continuavam fazendo parte de um trio de amigos. 

Até Abril a Bia ainda sofria bastante pelo Pedro, e talvez tenha até piorado quando deixaram de se falar com frequência, ela imaginava que ele a tinha esquecido, mas Rafa (que estava fazendo cursinho novamente) sempre repetia pra ela "é melhor assim, quanto mais vocês se falarem, mais vocês vão sentir falta um do outro", e com o tempo ele foi convencendo a garota, até ela se acostumar com aquilo "a dor não diminuiu, eu só aprendi a lidar com ela" Bia dizia. 

No aniversário da Bia ele mandou mensagem, por exemplo, até disse que ela tinha um lugar especial no coração dele, e era meio assim o contato deles, um "de vez em quando", algumas migalhas, pelo jeito tava dando pra sobreviver.

—Como vai sua estadia? — ouvi uma voz familiar no meio de uma noite de Maio.

—Sarinha?! — nos abraçamos e ela sentou ao meu lado no chão do quarto da Bia — o que você faz aqui?

—Tava com a Luísa ainda agora, aí pensei em vir te ver, sinto saudade. 

—Eu também sinto, ficar na terra é tão chato, parece que faz 300 anos que tô aqui, mas a Bia fez 18 há uma semana só. 

Sarah riu:

—O tempo cronológico é esquisito mesmo... Você lançou flechas nela e tudo o mais? Como ela está? Como está tudo?

—Eu lanço toda vez que ela fala com ele, mas com a mão mesmo, sem o arco, pra ser menos nocivo, e eles nem se falam tanto, acho que ele se afastou por não saber lidar com a dor. E a Bia tá bem, na medida do possível, tá estudando bastante...

—Igual à Lu.

—Sim, eu vejo. A Bia tá sendo muito forte, sabe? No início ela desmoronava por qualquer coisa, todo dia chorava. Mas agora ela simplesmente afasta os pensamentos sobre ele, eu a admiro. Ela ficou com uns meninos, mas nunca mais de uma vez porque reclama que eles não são o Pedro e todo dia eu sei que ela pensa nele... Entretanto, ela não desistiu de viver. 

—Eu no lugar dela já tinha morrido.

Rimos e eu continuei a conversa:

—E no céu, como vai tudo? 

—O mesmo de sempre. No céu nunca tem muito problema, uma paz que às vezes assusta... 

—Por quê? Você prefere o caos da terra por um acaso?

—Não é isso — ela riu — é que acredito que aqui, quando o bem e o mal se encontram, há uma espécie de equilíbrio.

—Pra mim esse lugar é horrendo, eu sinto muito mais mal do que bem, e ainda dizem que não existe inferno... 

—Talvez a terra seja o inferno do céu — Sarinha falou, reflexiva. 

Seguimos conversando naquele ritmo até o nascer do sol, quando minha amiga se foi entre as nuvens. 

Depois de bastante tempo na terra, acabei me acostumando àquela contagem bizarra, comecei até a achar que estava passando rápido. Junho, o mês em que Bia e Pedro ficavam usando a copa como pretexto pra conversarem; seguido por Julho, o mês que teve férias; e depois Agosto, o mês em que a Bia começou a ficar com um garoto que durou mais de uma semana. O Bruno, que, pra mim, era uma versão genérica do Pedro. 

O Bruno estudava à noite mas mudou de turno no segundo semestre e foi parar na turma da Bia. Ele era muito parecido com o Pedro, só um pouco mais forte e não tinha olhos verdes. A Bia foi logo dizendo pra Luísa que tinha "crushado" ele, e esta só disse: 

—Mulher, ele é uma versão genérica do Pedro, na moral, vai estudar.

Mas a Bia, movida por sei lá o que, se aproximou do menino e deu uma semana os dois ficaram. Ele era legal, e era bonito, e a conversa fluía bem (se bem que a Bia conversava com qualquer pessoa), mas eu só conseguia ver aquilo como desespero da Bia.

—Você é um anjo? — escutei, certo dia enquanto reprovava a Bia com o Bruno durante o intevalo. 

Virei e me deparei com uma menina de cabelos loiros cacheados, olhos castanhos e com uma roupa toda branca (óbvio), um top de renda, uma minissaia jeans e chinelos, logo percebi que era um anjo.

—Sou! Você também, né? Meu nome é Julieta, mais conhecida como Ju.

—Prazer, sou Mariana, mas pode me chamar de Mari. E tu é cupido também, né? Tu é cupido dela? — Mari perguntou, apontando pra Bia. 

—Eu mesma.

—Só me diz uma coisa, essa flecha aí por um acaso é pro Bruno? 

—Não, não... Ei, como você sabe que ela foi flechada? 

—Ai, que droga! Ah, como eu sei? Ue, eu vi.

—Como?! Os olhos só brilham quando um tá olhando pro outro.

—Mas tem outro jeito...Você não sabe? Achei que todo mundo soubesse. 

—Sinceramente, acho que ninguém sabe. 

—Irado! Então vou te mostrar. 

Ela me chamou pra perto da Bia e pôs a mão sobre o peito esquerdo dela, então uma luz vermelha começou a brilhar. 

—Não só tá apaixonada como também tá amando. Realmente, não faria sentido a flecha ser pro Bruno, eu sou muito burra, viado! — a cupido falou. 

—AH MEU DEUS, ELES SE AMAM!!! — Gritei com lágrimas nos olhos e dei um abraço na garota — Como tu descobriu que dá pra fazer isso? 

—Não sei, acho que intuição de cupido.

Passei o maior tempão conversando com a Mari, ela disse que, no impulso, fez o Bruno se apaixonar pela Bia e já fizera o mesmo outras quatro vezes, no entando sempre flechava o menino manualmente, porque ainda hesitava, então ele passava uma semana e pouco apaixonado pelas meninas e depois  o efeito findava. Ela me contou cada uma das histórias e se defendeu dizendo ser muito principiante ainda e que, pelo menos, o menino não sofria tanto assim. 

Depois ela me fez contar a histórias das flechas que lancei na Bia, ficou apaixonada pela história dela com o Pedro, e prontamente começou a torcer pra que ficassem juntos em algum momento.

—Eu ouço histórias de amores da vida que não ficam juntos, sabe? Imagina o tanto que deve doer? — ela falou tristemente. 

Na hora vieram Clara e Eduardo à minha mente. 

Depois de conhecer a Mari ficou ainda mais fácil aguentar os dias, sempre nos encontrávamos na escola, e mesmo depois do Bruno e da Bia deixarem de ficar (durou 15 dias) e virarem apenas amigos, continuamos nos vendo e desfrutando do maldito tempo cronológico juntas, fazendo valer a pena. 





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