O Colecionador escrita por Kaline Bogard


Capítulo 10
O alimento preferido


Notas iniciais do capítulo

E aqui se acaba o mistério...

Boa leitura!



— Caralho! O Sasuke vem aí e a gente nem avisou o Kiba! Oe, Kiba? KIBA!

O garoto ouviu a voz de Naruto ecoando muito de leve, cada vez mais distante e longínqua, até desaparecer, como se ele se afastasse de perto de Kiba. Tudo o que restou foi aquele embotamento sobrenatural, inexplicável e maravilhoso.

De repente foi como se tudo se esvanecesse: os sons, o cenário, até as pessoas que estavam por perto sumiram da mente de Kiba. Ele tinha consciência apenas da sensação de maravilhamento estonteante que o envolvia. Quis mais daquilo, muito mais, como alguém que descobre um vício novo.

Teve leve noção de que as mãos tremiam, quando as esticou na direção de onde irradiava o efeito místico. Ficou sem ar e tonto, mal se dando conta de que seu sistema respiratório parou de funcionar e isso ocasionou não apenas a falta de fôlego, mas a tontura e o consequente desmaio.

—--

O gemidinho dolorido escapou antes que percebesse o que acontecia. Seguido de mais dois ou três, gêmeos em sofrimento.

— Ele está bem — era a voz de Naruto vencendo a névoa que confundia sua mente. Lutou para abrir os olhos, sem conseguir. A garganta parecia inchada, sendo difícil respirar.

— Kiba? — Hinata soou bem preocupada. Nem isso lhe deu forças para fazer qualquer coisa.

Precisou de mais alguns longos minutos, em que apenas ofegou pela dificuldade em respirar, antes que conseguisse erguer as pálpebras e mirar ao redor, tentando vencer aquele tom esbranquiçado que tirava um pouco das cores do lugar.

Estava deitado numa cama. Na cama da sua própria casa naquela realidade paralela, cercado pelos rostos familiares de Naruto, Shikamaru e Hinata. Até o rapaz que era meio esfinge parecia preocupado, coçando a nuca enquanto o observava analiticamente.

— Eu... — tentou. A voz falhou.

— Calma, Kiba. Não tenha pressa — a jovem mulher o tranquilizou.

— O Sasuke te pegou pra valer, hein?! — Naruto brincou um tanto aliviado. Já tinha visto outros caírem no truque, porém não de um jeito tão profundo. Foi assustador assistir o garoto recém-chegado sofrendo os efeitos naturais da raça de Sasuke.

Mais por instinto do que por qualquer outra coisa, Kiba olhou na direção da porta do quarto. Notou o rapaz ali parado. Um homem que parecia pouca coisa mais velho, de cabelos pretos curtos repicados e expressão séria (talvez azeda fosse a palavra mais adequada), que olhava de volta com os olhos estreitados. Só podia ser o tal Sasuke.

— Sasuke é metade humano e metade Veela — Shikamaru explicou em um tom de voz monótono — Veelas usam uma toxina para paralisar a presa e poder se alimentar.

De algum jeito aquelas palavras limparam a mente de Kiba. Seus instintos de lobo falaram mais alto e ele sentou-se na cama apesar do corpo dolorido que parecia ter levado uma surra. Nem seu fator de cura sobrenatural acelerou amainar aquilo.

Tentou lembrar o que sabia de Veelas e nem era pouca coisa. Pois essas criaturinhas eram verdadeiras pragas vivendo entre humanos e outros seres. Parasitavam usando o charme para se alimentar de sangue, sua principal refeição. Algo bem similar ao que os vampiros faziam. Com a diferença de que Veelas não eram consideradas demônios que voltaram do inferno. Também não eram nem um pouco raras. Na verdade, Kiba podia se lembrar fácil de duas dúzias de atrizes estrangeiras com certa dose de sangue Veela (provavelmente nem elas sabiam da herança), famosas pelas interpretações e beleza acima da média.

Também se lembrou que eram criaturas basicamente ocidentais. Seria a ascendência japonesa que tornava aquele rapaz “raro”? Porque o sangue humano que não era...

Todas as dúvidas ficaram óbvias na expressão confusa de Kiba.

— Nossa teoria é o gênero — Naruto explicou. O meio youkai era um tagarela nato que adorava ajudar as pessoas, mesmo que isso significasse dar uma aula — Elas são, em maioria esmagadora, femininas. Um Veela macho e meio-sangue é raro. Raríssimo.

— Ah — a explicação fez todo sentido. Kiba conhecia várias Veelas, uma delas chegou a fazer treinamento em Konoha por um tempo e fez sucesso: uma menina linda como um sonho. Sua mãe também tinha uma amiga Veela a quem visitava de vez em quando. E, se não estivesse muito enganado, sua madrinha Kurenai era um quarto Veela por parte de mãe.

O gene estava ligado à feminilidade em 100% dos casos. O que fazia do tal Sasuke uma anormalidade digna de estar ali com eles.

Só não explicava a agressividade com que se aproximou do grupinho!

— Por que me atacou? — Kiba soou ofendido — Não te fiz nada!

— Não foi de propósito — Sasuke respondeu com enfado — Não é como se eu quisesse beber o seu sangue, não parece saboroso.

— É a abstinência — Naruto voltou a se intrometer.

— Abstinência? — Kiba inclinou a cabeça de leve para o lado — Faz tempo que ele não bebe sangue aí deu vontade?

Shikamaru sorriu de leve, e Kiba se deu conta de que era a primeira vez que o via oferecer tal gesto. Ficou tão absorvido na expressão misteriosa do rapaz, que perdeu o sorrisão maldoso de Naruto.

— Veelas gostam de sangue. Mas o fator que mais atrai uma Veela é sangue virgem — Shikamaru informou.

Dois segundos. Demorou dois segundos para Kiba entender a frase e sentir o rosto esquentar, dando um show aos demais enquanto o sangue subia por seu pescoço cobria as faces e atingia as orelhas até a ponta. Hinata juntou as mãos a frente da face, corando de leve com a cena fofa e a consequente situação constrangedora.

— E-eu não tenho culpa — Kiba esbravejou tentando disfarçar — Nasci assim e nem deu tempo de mudar o status antes de vir parar aqui!

Por mais furioso que soou, o rosto tão vermelho que os triangulo quase sumiram desmentia qualquer intenção agressiva.

— Tsc — Sasuke cruzou os braços, aborrecido. Também não era culpa dele se a natureza Veela fosse tão forte. Estava preso naquela realidade a tempo demais. Mal se lembrava da ultima vez que provou seu alimento favorito.

Ainda que pudesse comer outras coisas e acabasse ganhando todo o sangue quando matavam algum animal selvagem, não era a mesma coisa de poder degustar o líquido quente e pulsante, pueril de um humano que ainda não foi maculado. Quando seu olfato captou o cheiro daquele garoto, sua parte animal reagiu por puro instinto. Tentar caçá-lo e prová-lo foi primordial, não pode se controlar.

Até ali, parado perto da porta, sua boca salivava só pela possibilidade poder provar um pouquinho do alimento que pensou que jamais estaria ao seu alcance outra vez. Algumas pessoas amam carne. Outras preferem frutas. Já Veelas, apreciam sangue puro em essência. Quem podia julgar?

— Sasuke vai precisar de muito foco — Shikamaru coçou o queixo. Sua alimentação era basicamente feita de frutas. Não podia imaginar o que era enfrentar aqueles instintos ligados a sobrevivência, pois alimentar-se era premissa básica de qualquer espécie.

— Foco? — Kiba moveu-se desconfortável.

— Foco — Shikamaru continuou com a didática — Veelas usam uma toxina camuflada com o charme para atrair as vítimas. Essa toxina pode causar paralisia corporal e embotamento dos sentidos, o que facilita a alimentação. Acho que o cheiro é um gatilho, estou certo?

A pergunta foi lançada para Sasuke, que desviou os olhos.

— É — respondeu de má vontade.

— Precisa se controlar — Shikamaru suspirou — Talvez se acostume com o cheiro de Kiba e a influência se torne mais fraca com o tempo.

Sasuke balançou a cabeça. Sabia que dependia dele manter a mente limpa. Já se recriminava demais por perder o controle daquele jeito. Não queria que acontecesse de novo.

— E eu posso treinar para não ser afetado por essa toxina, não? — Kiba soou esperançoso. Era forte, teve certeza que daria conta do recado. Além disso, não pretendia ficar por ali tempo o suficiente para cair no truque uma segunda vez.

— É mais complicado do que isso, Kiba — Hinata falou com suavidade — É uma resposta natural, como espirrar por causa de um cheiro que causa alergia. A gente não controla.

— Vocês não são afetados?

— Não tanto — Hinata desviou os olhos, corando novamente.

— Caralho!! — Kiba era lerdo, mas não era burro. Entendeu fácil o que aquilo significava.

— Essa é outra solução — Naruto sorriu tão cheio de dentes que parecia um tubarão — Pode fazer sexo, assim seu cheiro muda e o Sasuke não tenta te comer! Ou beber, né? Acho que “beber” encaixa melhor.

A frase soou tão errada, de tantas formas diferentes, que os outros perderam a reação por alguns segundos constrangedores.

— Oe, maldito. Cale essa boca — Sasuke resmungou irritado, ofendido.

— Fa-fazer...? — Kiba olhou em volta. Nas atuais circunstâncias, fazer sexo precisaria envolver algum daqueles quatro. Bem, ele era um shifter lobo. E lobos são criaturas livres que não se prendem a barreiras como gênero.

Graças a imaginação fértil, Kiba teve a mente inundada por imagens nada castas. Nada, nada castas. E sua expressão entregou tudo, porque ele voltou a corar de forma violenta, quando o coração bateu forte bombeando o sangue todo para as bochechas. Sangue que correu veloz nas veias, e alcançou o olfato apurado de Sasuke, agindo como gatilho pela segunda vez.

Sem que pudesse evitar, o Veela propagou suas toxinas pelo quarto, querendo alimentar-se pela principal fonte de sustância que lhe foi negada. Kiba gemeu, preso pelo charme e encantamento que camuflavam o veneno paralisante.

Naruto apressou-se para tirar Sasuke do aposento, enquanto Hinata ia socorrer Kiba.

Shikamaru assistiu a cena, terminando por coçar a nuca e suspirar. A convivência entre aqueles dois seria muito mais do que problemática!



Notas finais do capítulo

Huahsuahsaushasu olhem essa saga paralela. Será que o Sasuke consegue comer o Kiba ( ͡° ͜ʖ ͡°) ou o status muda antes e ele se salva?

Até o próximo!



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "O Colecionador" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.