Whispered escrita por lubsfoot


Capítulo 3
About James Potter


Notas iniciais do capítulo

Hoje o amor da minha existência celebraria mais um ano em todo seu esplendor se assim o destino quisesse, mas sua vida se foi deixando a lição mais incrível que todos nós pudemos aprender sobre: o tamanho, a força, e o poder do amor.

Não deixem de ver as notas finais e boa leitura!

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Para percymaroto;
parabatai, você é a parte mais bonita e segura que habita em mim. mesmo que o destino ouse te levar pra longe, você ainda assim permaneceria intocável pelas marcas do seu amor, sua irmandade, e sua lealdade em meu ser. mas como james para o sirius, não há uma vida que eu escolheria viver sem você. love you, prongs ♥



Família é o conceito mais distorcido que tive a honra de redefinir, mas é claro que não sozinho.

Por algum merecimento que eu ainda desconheço, a vida me deu um irmão para que eu pudesse viver junto, e eu falo de você, James Potter, quando me refiro ao assunto.

Eu estava entrando em pânico por finalmente ir à Hogwarts quando o Expresso começou a dar partida. E não era só porque iria conhecer o castelo sobre o qual fui ensinado a vida inteira, mas principalmente porque eu não queria dar o prazer de ser como eles. Minha família, tradicional e com sua mania de sangue puro me transtornava, e eu estava determinado, de alguma forma, a me livrar desse legado.

Sentado, inquieto e olhando pela janela com as mãos suando, fui interrompido do meu surto silencioso pela figura do garoto parado na porta, me perguntando se podia se juntar a mim no vagão vazio. Eu não saberia dizer se a minha maior surpresa foi perceber a bagunça que ele era – com cabelo espetado pra todos os lados, as roupas fora do lugar, e os óculos na ponta do nariz – ou o fato de que ele queria sentar comigo.

Veja bem, eu não era exatamente a pessoa com quem as pessoas gostariam de estar junto, afinal de contas eu era um Black; e embora esse nome tivesse muita influência na sociedade bruxa, nós não éramos bem vistos. Nunca. Então era no mínimo estranho que alguém quisesse se juntar a mim por livre e espontânea vontade, principalmente indo para Hogwarts. Mas obviamente você não se importou com isso.

Na verdade, você não se importou com nada do pouco que conhecemos um do outro no decorrer daquelas horas, e foi reconfortante saber que apesar de ambos estarmos inteirados sobre como a escola seria, o nervosismo e a expectativa foram igualmente compartilhados com naturalidade. E fala sério, éramos dois pirralhos mortos de ansiedade pra descobrir para qual casa seríamos designados: você determinado a ir para a Gryffindor como o seu pai; e eu disposto a aceitar qualquer uma que não fosse a Slytherin.

Eu jamais imaginaria que ir para a Gryffindor instantes antes de você mudaria nossas vidas para sempre. Nós não nos tornamos apenas colegas de quarto. Você com todas as suas ideias meio incríveis, meio idiotas me fizeram ficar animado pra colocá-las em prática, e consequentemente nos tornarmos meio incríveis, meio idiotas também. E foi em algum momento em que estávamos rindo depois de pregar a primeira peça no Sr. Filch que eu entendi que você era o melhor amigo que eu nunca imaginei ter.

E é claro que isso só cresceu. Não muito tempo depois nós nos aproximamos do Remus naquela situação fodida com os visgos, e também do Pettigrew após aquela confusão bizarra em que nos metemos com uns sonserinos. Mas o que importava era que a partir dali, estávamos os quatro juntos, e todas as coisas que fizemos nos levaram a ser uma família – embora uma muito arruaceira, diga-se de passagem.

Os anos passaram e coisas sinistras continuavam a acontecer, ao passo que procurávamos por elas.  Nós descobrimos sobre a licantropia do Remus, entramos os dois para o quadribol – você antes de mim; começamos a criar o mapa do maroto e então nos dedicamos ao máximo em estudar animagia para não deixar o Moony lidar sozinho com suas transformações. Nós éramos invencíveis, e nada poderia nos derrubar.

 

E então aconteceu, não só a coisa mais absurda do universo; como também a mais surpreendente e, depois viemos a descobrir, mais interessante que poderíamos esperar. Você se apaixonou pela Lily. E cara, eu juro que quando você começou com os comentários sobre ela no final do terceiro ano sobre “como a Evans está diferente”, não imaginava no que iria se transformar.

Mas é claro que, como todos nós, você era um idiota, e parecia ficar ainda mais idiota na presença dela. Eu sinceramente não conseguia compreender como você via sentido em levar seja lá o que fosse adiante porque a Lily era simplesmente insuportável conosco, o que me fez odiar ela por um tempo.  E então eu percebi que o problema não era ela, era você. Você estava apaixonado pela garota mais complicada de Hogwarts inteira e não sabia lidar com isso, então eu fui quase obrigado a te odiar por isso, e pelas vergonhas que nós passamos em consequência.

Ainda bem que o tempo interveio por nós. Todos amadurecemos, compreendemos melhor as coisas que estavam acontecendo, lidamos com os ataques, e finalmente com nossas vidas emocionais. A guerra estava prestes a eclodir e ainda havia nossas próprias batalhas internas para enfrentar, mas nós lutamos. Lutamos com todas as forças que poderíamos ter e permanecemos juntos. A essa altura, nossa aliança com as pessoas certas se tornou tão profunda que nossas crenças, objetivos e ideias nos levaram à lutar ainda mais fervorosamente pela Ordem assim que nos formamos. Nós nunca desistimos Prongs, mas você menos ainda.

Você jamais desistiu do que acreditava. Como por exemplo, entrar para o time de quadribol com apenas doze anos, ou de ajudar o Moony com seu probleminha peludo, ou da ideia de animagia que foi... insana, mas por fim bem sucedida. Você jamais desistiu de mim, ou do Peter, ou de qualquer um desde que você tivesse um bom motivo pra isso. E foi assim que você jamais desistiu da Lily.

Você lutou por ela como ninguém jamais veria você lutar por alguém; e não só isso. Você também lutou por você mesmo, para mudar, evoluir, e amadurecer. E então você teve seu reconhecimento. Ela percebeu que você era alguém incrível além do talento e apesar das bolas foras, e isso só mostrava a sua imensa evolução. Mesmo com a guerra em seu ápice você não desistiu da ideia de se casar, e foi provavelmente a segunda coisa mais inesperada que vocês fizeram naquele ano. E isso foi, sem dúvidas, um ponto de luz para tantos dias de escuridão.

Mas ainda havia a primeira, porque a surpresa maior foi a chegada do seu filho para nos alegrar. Se ter sido seu padrinho de casamento já havia significado o mundo para mim, ser padrinho do Harry foi meu maior presente particular. Nossa família – agora poderíamos chamar assim – se solidificou e permanecemos juntos, invencíveis como poderíamos ser, e apesar de tanto vocês terem ouvido que era loucura ter uma criança em tempos como aquele, ao menos nós compreendíamos que não havia tempo certo para ser feliz.

James, nós perdemos muito como bruxos, como amigos e como pessoas naquela época, mas foi no momento de maior necessidade em que você enfim desistiu de algo – da sua vida – para poder salvar a sua família, foi que eu senti o desejo da morte gritando para que me arrastasse para fora desse mundo, e assim me juntar a vocês.

Eu não podia acreditar que você tinha partido, não aceitava, não queria. Não você, com todas as suas piadas e besteiras ditas tantas vezes fora de hora. Que não via tempo ruim para por em prática qualquer ideia que fosse, boa ou não. Que mesmo sem saber o que dizer estava sempre disposto a estar ali, ao lado de quem precisava para confortar ou distrair.

Que nos momentos mais angustiantes da minha vida me acolheu em sua casa como um irmão, ou então permitiu que eu chorasse pela morte de quem há muito eu já não sabia mais. Porque é isso que você sempre foi pra mim Prongs: meu irmão, a base de toda a família verdadeira que eu pude ter.

A sua morte causou um dano muito maior e mais irreparável do que qualquer sentença poderia me aplicar, porque não há uma vida sem a sua que eu veja sentido para viver.

Há poucas certezas que as celas não conseguiram arrancar de mim.

A primeira, é de que sou inocente; de que jamais teria traído você. Eu preferiria morrer antes de pensar em tal possibilidade.

A segunda, é que eu vou sair daqui, e quando acontecer, vou vingar a sua memória e a da Lily. Harry saberá a verdade, e oferecerei o que eu puder para que ele tenha ao menos parte da família que lhe foi tirada quando apenas era um bebê.

E a terceira, é que não importa quanto tempo passe, você sempre vai estar vivo em minha memória, tanto quanto deveria estar de verdade.

Você foi o melhor amigo, companheiro de aventuras, e até monitor chefe que alguém poderia ser. Tanto quanto foi um ótimo marido e teria continuado a ser o melhor pai do mundo para meu afilhado se seu tempo não tivesse sido tão pouco. Mas tudo isso, a sua morte não pode apagar.

Porque pessoas como James Potter não morrem, se eternizam.

E você será eterno, mesmo quando depois dessa vida nos reencontrarmos.

Sinto sua falta, irmão. Espero que esteja em paz.



Notas finais do capítulo

Falar sobre James Potter é falar do meu coração. Depois de tantos anos me rendendo de amor e admiração por esse homem, eu já descobri que nenhum personagem em sua evolução e história pode me conquistar da forma que ele fez, e faz.

Meu incomparável Prongs hoje estaria completando mais um ano, e eu desejaria que sua vida literária pudesse ser tão longa quanto o tempo que ainda passaremos relembrando seu dia, seu nome, sua honra e o valor de seu sacrifício.

Ao melhor pai, amigo e esposo de todos os tempos nada além de respeito e adoração pelo dia de seu nome! (27/03).

Espero que tenham gostado, e comentem se sofreram lendo tanto quando eu sofri escrevendo! rs

Me chamem no twitter (@lubsfoot)! Até breve, e beijos com amor! xx



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