Percy e Luke-Guerra entre Deuses e Semideuses escrita por LanaX


Capítulo 6
Percy e Luke. -The Fury of the Dragon... e a outra equipe.


Notas iniciais do capítulo

Oiiii : D = )
Como vocês estão?
Ansiosos pelo capitulo? = >

Então aproveitem, desculpemos erros e até as Notas Finais = D

Ps: A imagem da capa é uma referência a uma parte do capitulo ; D



Percy:

  Viajar no lombo de bronze de um dragão não é muito confortável, principalmente quando se tem todos os ossos do corpo fraturados!

  Naquele mesmo dia, logo depois do meu... banho (Annabeth e Piper ainda vão pagar), consegui convencê-los de que já estava bom o suficiente para seguirmos viagem, claro que precisei usar toda a minha capacidade de persuasão para fazê-los acreditar em minhas palavras. Por mais que demonstrasse não estar com nenhum pingo de dor, meus músculos protestavam só de pensar que teríamos uma longa viagem em Festus, eu não culpo o dragão, ele é ótimo em absolutamente tudo, porém não entendo como Leo é capaz de anexar mil coisas em Festus, mas ainda não instalou almofadas mais confortáveis!

  Já devem ter imaginado o grande alivio que senti quando Annabeth comunicou que depois de muita discussão, chegaram à conclusão de que viajar pelo ar ou mar estava fora de questão, pois apesar de todos os ocorridos daqueles dias, a terra ainda era a mais segura (isso é bem irônico comparado a nossa situação a mais de um ano atrás quando fazíamos o possível para evita-la).

  E graças a um dos upgrades de Leo, Festus se tornou uma confortável minivan preta com o desenho de uma assustadora cabeça de dragão de bronze com olhos vermelhos; por sorte não fomos atacados nenhuma vez sequer durante todo o caminho de volta, nossa única preocupação era com o fato da polícia querer nos parar achando que éramos algum tipo de gangue.

 -Ta legal então que tal Bronze demigods? –Leo falou outro nome para nós.

 -Semideuses de Bronze! Sério mesmo Leo? –Piper revirou os olhos indignada com os apelidos que o garoto insistia em encontrar.

 -A qual é? –Ele levantou os braços exasperado. –Precisamos de um nome para a nossa gangue!

 -Pare de falar assim. –Jason o repreendeu. –Se alguém escutar podem achar que realmente somos uma gangue e aí vamos ter problemas. –Ele abriu a porta da minivan para que entrássemos.

  Leo olhou de um lado para o outro no estacionamento vazio da lanchonete de estrada a qual havíamos parado para “esticar” as pernas (menos eu, já que estava com elas enfaixadas).

 -Não acho que alguém vai me ouvir... –Então ele parou e encarou Nico com uma cara espantada. –Desculpe Nico não queria desrespeitar seus servos fantasmas... –Leo voltou seu olhar para Jason e assumiu um tom provocador. –Parece que o super-man loiro tem razão... não queremos que os outros mortos saibam que planejamos virar uma gague...

  Nos esforçamos para permanecermos sérios, mas infelizmente a cara vermelha de raiva de Jason e Nico para Leo não estava ajudando. O loiro parecia prestes a invocar um raio e o outro não estava muito diferente, mas provavelmente invocaria esqueletos.

 -Valdez é melhor você correr!

  Jason deu um passo à frente, fazendo Leo dar um para trás, mas Piper segurou seu braço ainda tentando esconder o riso.

 -Que tal esperarmos até estarmos em casa? –Ela sugeriu com um pequeno toque de persuasão. –Acho que já temos feridos o suficiente por uma viagem só.

 -É isso aí. –Chamei a atenção deles fingindo estar sério. –Parem de tentar roubar meu posto.

  Tentei sorrir de um modo sarcástico, mas imediatamente me arrependi, pois acabei soltando do apoio das muletas (Leo fez para mim) e só não ganhei um novo hematoma porque Annabeth e Calipso estavam do meu lado e conseguiram me segurar antes que eu estatelasse no chão.

  Por um momento, o silêncio e a tensão reinou sob todos que mantinham suas mãos estendidas e os olhos pregados em mim como se assim pudessem me impedir de cair. Controlei minha respiração e ignorei a dor lancinante que subiu por todo o meu corpo, me deixando zonzo por alguns segundos.

 -Obrigado. –Gemi ainda tentando me recompor. –Essa foi por pouco...

  Sorri para eles mostrando que estava bem, mas minha cara deve ter se contorcido com o esforço, os fazendo ficarem ainda mais preocupados. Praguejei baixinho por estar os deixando daquele jeito. Então resolvi usar outra tática.

 -Hey! O que acham de Seven demigods and a Dragon?

  Eles franziram as sobrancelhas parecendo confusos, porém a compreensão começou a passar de face em face e todos caíram em uma risada curta e aliviada.

 -Até você? –Jason falou. –Sério isso?

 -Sete semideuses e um dragão! –Piper revirou os olhos rindo. –É melhor você parar de andar com o Leo!

 -Vou ignorar a ofensa da Pipes porque essa foi muito boa. –Leo levantou a mão para um “toca aqui”, mas parou no meio do caminho. –A foi mal, esqueci que estava ocupado.

  O fulminei com o olhar sabendo que ele se referia ao fato de eu estar com o braço enfaixado e segurando as muletas. –Hahaha! Engraçadinho. Sabia que não preciso das mãos para afogar alguém né?

  Leo engoliu em seco e tentou se desculpar. –Não vamos exagerar, já basta as ameaças do quatro olhos e do senhor trevoso ali. –Ele apontou para Jason e Nico. –Não preciso do caco ambulante para completar o grupo das pessoas que querem matar o Leo!

  Nós três o fulminamos com o olhar, mas antes que pudéssemos dizer qualquer coisa, Calipso interrompeu.

 -É isso aí! –A garota começou. –Além do mais vocês tem que entrar na fila... e eu sou a primeira.

  Todos rimos da cara de ofendido que Leo fez. –Poxa, assim magoa meus sentimentos.

 -Estranho... –Annabeth levou a mão ao queixo pensativa. –Não sabia que os duendes do papai Noel eram tão emotivos assim...

  Explodimos em gargalhadas, o que também não foi muito inteligente da minha parte, pois acabei me curvando com a dor e o que antes eram risos acabou se tornando uma tosse seca.

  Annabeth me segurou novamente enquanto me contorcia e tapava a boca para abafar o grotesco som. Meus pulmões começaram a arder com a força e sentia o ar acabando enquanto o forçava a sair. Senti uma das mãos de Annabeth dando leves tapas na minha costa enfaixada para ajudar a me estabilizar.

 -Percy... –A mão de Piper apareceu em meu campo de visão enquanto ela me entregava um cubo de ambrosia. –Coma!

  Imediatamente parei de tossir, mas minhas mãos estavam trêmulas demais para movê-las e Annabeth teve que levar até meus lábios semiabertos. De início, a comida dos deuses possuía um amargo gosto de sangue, mas conforme se diluía em minha boca, uma breve sensação de alivio passou pelo meu corpo.

 -Obrigado... –Minha voz estava rouca e não tinha certeza se alguém ouvira, mas fui capaz de me endireitar e olhar a preocupação estampada no rosto de cada um ali presente.

 -Cara! –Leo falou. –Se quisesse batom vermelho deveria ter falado com a Piper.

  Sorri (pelo menos tentei) agradecido por ele estar tirando um pouco da tensão. –Vou me lembrar disso da próxima vez... –Parei para tossir novamente, mas dessa vez fui muito mais rápido e não deixei que ninguém se aproximasse. –Tenho certeza que o dela deve ter um gosto muito melhor do que ferrugem!

 -Pode apostar. –O garoto continuou. –Eu usei e aprovo. –Ele piscou arrancando um pouco de risada dos outros e outro sorriso vermelho meu.

 -Muito bem. –Calipso começou. –Chega de aventuras pra você por hoje. –Ela pegou um lenço branco de sua mochila e entregou a Annabeth.

 -Concordo plenamente. –A loira ficou de frente para mim e passou o pano delicadamente pelos meus lábios. –Na verdade pelo resto da semana.

 -Se não chegarmos antes dos outros, minha semana vai ter só começado! –A encarei com um mini sorriso.

 -Então vamos fazer com que isso não aconteça. –Nico saiu da minivan, onde alguns deles já estavam, e abriu a porta dos fundos.

 -É assim que se fala. –Leo colocou a cabeça para fora e piscou.

 -Eu não acredito que realmente seja meu namorado.

  Calipso resmungou revirando os olhos enquanto ajudava Annabeth a me levar para o fundo (já que não confiava nos meninos para fazer isso).

 -Hoje virou o dia do “Vamos ofender o Leo!” –Ele colocou a cabeça para fora novamente e falou carrancudo.

 -E existe dia para isso? –Jason gritou do banco do motorista.

  Leo bufou, mas antes que tivesse a chance de falar qualquer coisa, a voz de Piper ecoou o mandando sentar. Sorri com o canto dos lábios tentando disfarçar a dor quando as meninas me ajeitaram nos três bancos de trás; por mais cuidadosas que fossem, quando finalmente me deitei, senti uma imensa tontura por alguns segundos...

 -Beba um pouco.

  Calipso apareceu sentada ao lado de Annabeth no banco da frente; devo ter perdido a consciência por breves segundos, pois para mim elas ainda estavam do lado de fora, mas Jason já começara a dirigir.

  Annabeth me ajudou a levantar a cabeça enquanto a outra levava o canudo com um estranho liquido verde até minha boca, apesar da aparência, tinha gosto de hortelã.

 -É uma bebida feita com hortelã, coco e algumas plantas de Ogigia. –Ela respondeu ao ver minha expressão. –O hortelã disfarça o gosto das outras plantas.

 -Obrigado... –Resmunguei derrotado por não conseguir falar mais alto que isso. –Realmente funciona.

  Ela sorriu dando de ombros, então Annabeth me deu um selinho e ajeitou minha cabeça no banco novamente.

 -Descanse cabeça de alga... chegaremos logo, logo.

  Sorri com o canto dos lábios com um novo pensamento que me veio à mente. –The Fury of the Dragon! -Ambas me olharam sem entender. –Nosso nome... –Respirei com dificuldade antes de continuar. -The Fury of the Dragon... A fúria...

 -Do dragão –Elas falaram ao mesmo tempo, então sorriram uma para a outra.

 -Não é tão ruim quanto os outros... –Calipso admitiu.

 -Mas temos que concordar que chega de andar junto com o Leo por um tempo. –Annabeth ressaltou. –Na verdade isso serve para ambos. –Ela olhou para a garota depois para mim.

 -As orelhas do duende de papai Noel conseguem ouvir muito bem. –Leo resmungou no outro banco nos fazendo rir.

 -Não sabia que estávamos cochichando... –Calipso falou... –Achei que a intensão era essa.

 -E era. –Annabeth concordou. –Só ele que não sabia.

  Fiquei as observando revendo os últimos três meses desde a chegada de Leo e Calipso... tantas coisas aconteceram em tão pouco tempo...

  Acredito que os primeiros trinta dias tenham sido os mais difíceis e até um pouco constrangedores... tanto entre mim e Calipso quanto com as duas garotas, e as vezes até mesmo comigo e Leo... claro que estávamos felizes pela volta do garoto, principalmente em companhia da menina a qual nos custou meses de procura antes dos deuses se revoltarem, mas sabia que havia falhado com ela ao acreditar que os seres divinos iriam realmente se importar com suas promessas e mesmo que Calipso não jogasse isso na minha cara, toda vez em que nossos olhares se encontravam ou acabávamos por nos esbarrar (o que acontecia com frequência apesar do tamanho do acampamento), era como se levasse um soco no estômago por tê-la abandonado.

  A situação não estava diferente com Leo, que também não parecia guardar ressentimentos, mas seu longo olhar pensativo (o que já era estranho o suficiente vindo dele) mostrava outra coisa.

  Annabeth era a mais calma de todos, as vezes ela acabava por se irritar sem motivo aparente (para os outros), mas conseguia se recompor com facilidade.

  Graças as missões de buscas e alguns outros fatores, o segundo mês pareceu muito mais produtivo, pelo menos entre nós quatro; já éramos capazes de ficar em uma mesma sala por cerca de duas horas (o tempo que geralmente durava as reuniões) sem nenhum constrangimento. Infelizmente ainda era difícil trocar mais de meia dúzia de palavras com Calipso sem que ela arrumasse uma desculpa para sair de perto.

  Não tenho provas, mas acredito que só conquistamos o nível de amizade que temos hoje por causa de Piper e Hazel; ambas as garotas ficaram muito próximas de Calipso e muitas vezes podia sentir seu olhar e de Leo sobre mim enquanto conversavam com as meninas.

    Depois disso, não sei dizer em que momento ou ocasião, mas simplesmente já não nos evitávamos mais, e a amizade surgiu como em um passe de mágica....

  Por falar em mágica seria muito bom se minha dor parasse assim também.... O néctar e a ambrosia deveriam ter mais magia, a próxima vez em que me encontrar com Hécate vou sugerir isso... um modo de cura mais rápido, além do mais se não fosse por ela ter enfeitiçado os deuses eu jamais estaria assim.... É engraçado como o mundo dá voltas não é mesmo?

  A quem estou querendo enganar é óbvio que vocês não vão me responder!

  Além do mais com que eu estou falando?

  E do que eu estava falando?

  Acho que essa bebida deve ter me deixado mais confuso do que já sou.... Tinha um gosto meio amargo, mas a hortelã...

  Leo xingou baixinho por alguma coisa que elas falaram, me tirando dos meus delírios; as duas riram e trocaram um “toca aqui”, então Calipso se virou para “acalmar” um pouco seu namorado, mas antes de ir, voltou-se para nós.

 -Se precisarem de mais bebida me avisem.

 -Obrigado... –Estava prestes a falar sobre o que pensava antes delas aparecerem... apesar de já estarem lá... mas então um pouco do raciocínio voltou e achei melhor apenas agradecer... além do mais ela já tinha ido!

 -Hey... –Annabeth levou uma de suas mãos até a minha, enquanto a outra passeava pelos meus cabelos; depois de ver minha falha tentativa de mover as minhas próprias.

  Ficamos em um silêncio confortável enquanto encarávamos um ao outro, seus intensos olhos cinzas brilhavam, sua face omitia qualquer tipo de cansaço e seus incríveis cachos loiros caiam como uma cascata levemente bagunçada enquanto se inclinava pelo banco para me beijar.

  Cada fibra do meu corpo pareceu ganhar uma nova energia e aos poucos sentia toda a dor se esvaindo de dentro de mim; mas infelizmente, assim que nossos lábios se separaram, tudo voltou com uma intensidade ainda maior.

 -Eu te amo cabeça de alga... –Ela sussurrou me fazendo abrir o maior sorriso que era capaz.

 -Também te amo minha sabidinha linda!

  Nossos lábios se selaram novamente e pelo tempo que durou, pude esquecer todos os nossos problemas!

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Luke:

 -Eu sinto muito, mas estava tão perto que...

 -Sabíamos que você não cumpriria a missão em um dia, já havíamos comemorado antes.

 -Eu sei... é só que você queria muito aquela cor e não achei que Hades fosse se importar caso pegasse uma planta...

 -Estamos falando dos deuses, mesmo antes da Grande Profecia, na maioria das vezes, eles são egoístas e só olham para o próprio nariz.

 -Tudo bem, mas...

 -Achou que com papai seria diferente só porque ele estava do nosso lado no início e nos ajudou a pegar as aguas dos rios da primeira vez? [(PJNP Cap.44)]

 -Certo. Não agi da forma mais racional quando tomei aquela decisão e por causa disso Percy...

 -Tudo bem, você não fez por mal, foi para mim e sou realmente muito grata, não sabia que poderia chegar a esse ponto.

 -Espere! Eu realmente não agi racionalmente!

 -Aonde quer chegar? Já falamos que não foi culpa sua... acidentes acontecem, até mesmo Annabeth concorda.

 -Não é disso que estou falando! –O garoto continuou antes que ela pudesse perguntar. -Não era eu quando desafiei Hades e corri para o jardim para pegar a planta!

 -Você disse que fez isso pelo meu aniversário, o que não foi certo, mesmo assim...

 -Claro que fiz! E faria tudo de novo se fosse necessário. Só que usando o plano que havia feito para ele não notar, então Percy ainda estaria...

 -Não é do seu feitio fazer escândalos para conseguir algo... –A garota o cortou pensativa.

 -Exatamente!

  Ambos os irmãos trocaram olhares significativos conforme a compreensão se tornava nítida em suas faces. Os olhos do garoto brilharam de forma intensa ao notar algo que poderia ter sido a diferença entre vitória ou derrota de sua equipe.

  Hazel Levesque e Nico di Ângelo caminharam lado a lado como se não tivesse acontecido absolutamente nada enquanto se dirigiam a sala dos pretores onde revelariam uma grande e talvez mortal descoberta...

  Uma a qual havíamos compreendido tarde demais e graças a isso perdemos Bianca Ariévilo!

  Abri os olhos ainda atordoado pelo sonho que tive... as imagens um tanto quanto confusas da batalha que a outra equipe enfrentou piscavam na minha cabeça...

  Thalia se ajeitou em meu peito ainda em um sono profundo; ela, Reyna e eu, ficamos acordados a noite inteira de vigia e ambas praticamente desmaiaram quando enfim puderam descansar; tenho certeza que ainda estaria dormindo se não fosse pelo sonho...

  Outro pensamento me ocorreu e enrijeci no banco ao notar que ela realmente estava aninhada em meus braços. Apesar do grande avanço que fizemos nesses últimos meses, algumas vezes sentia que a garota me evitava e o fato de estar com ela tão próxima, mesmo que desacordada, fazia com que meu coração acelerasse de um jeito inexplicável.

  Passamos por uma lombada e fiquei receoso de que ela acordasse, mas a virada de noite a deixou muito cansada e tudo que Thalia fez foi se ajeitar um pouco no sofá.

  Olhei para Tainara que mantinha os olhos fixos na estrada; Júlio estava ao seu lado e ambos conversavam baixinho.

  Depois de um dia inteiro caminhando para chegarmos até a cidade vizinha de Nova Orleans, embarcamos em um ônibus que nos levaria direto para San Francisco; infelizmente os deuses ainda não haviam terminado conosco e prepararam outra surpresa para nós no caminho... que tinha a ver com muitos corvos empoleirados em todo lugar com uma enorme fome por carne humana...

  Felizmente, conseguimos salvar os passageiros quase tão intactos quanto nós; infelizmente não foi possível seguir viagem.

  Graças a isso, levamos mais dois dias até que conseguíssemos despistar as aves que continuaram a nos seguir. Era 9:00 da manhã do dia 20 de dezembro quando chegamos na cidade de Tulsa, cerca de 1.732 milhas de San Francisco.

  Pegamos um carro “emprestado” de um homem muito gentil que já havia pego esse veículo de outra pessoa e seguimos nosso caminho sem muitas outras complicações; claro que Reyna e Júlio ficaram um pouco receosos de agir dessa forma, mesmo o garoto que já estava acostumado com nossos métodos depois de mais de um ano de convivência, não concordou muito; então fomos obrigados a lembra-los de um ditado a qual os filhos de Hermes em especial adoram, “ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão”, isso não os convenceu, por isso tivemos que prometer que devolveríamos ao verdadeiro dono assim que o utilizássemos.

  Infelizmente a família que perdera o carro residia na cidade vizinha em Albuquerque; felizmente eles eram consideravelmente ricos e ofereceram uma pequena quantia como agradecimento por termos levado a BMW i8 para eles com apenas alguns arranhões (o outro homem havia feito mais do que só arranhar o veículo, mas Júlio não permitiu que o carro ficasse quebrado).

  Com o dinheiro que conseguimos pagamos passagens de trens (já que ônibus estava fora de questão) para Salt Lake; o problema era que a viagem levava cerca de 20 horas e teríamos que trocar de trem em Denver, mas era nossa melhor opção, pois assim não teria como os corvos nos seguirem (sim eles voltaram).

  Levando em conta o tempo que gastamos em Tulsa, mais nove horas de carro a outra cidade, e a viagem de trem; era por volta das 11:00 da manhã do dia 22 de Dezembro quando finalmente desembarcamos em Salt Lake, porem faltavam ainda cerca 736 milhas para chegarmos a San Francisco, isso se fossemos de carro.

  Como o trem ainda estava relativamente seguro, concordamos em seguir caminho por ele, infelizmente fomos obrigados a esperar até as 23:00 da noite para que outro partisse com o mesmo destino que o nosso; aproveitamos esse tempo para lutar contra as aves que atacaram a lanchonete onde estávamos; graças a nós nenhuma pessoa se feriu e ainda conseguimos mandar todos aqueles monstros de volta para o Tártaro; usamos esse tempo também para enviar uma mensagem aos dois acampamentos sobre nossa volta, achamos melhor ocultar o fato de termos falhado na missão, já que não estávamos voltando de mãos vazia, e sobre o desaparecimento de Bianca.  

  As cinco primeiras horas de viagem foram tranquilas, mas em nossa primeira parada, justo o trem em que estávamos teve seu túnel completamente soterrado por um pequeno, porém assustador e misterioso terremoto que foi capaz de interditar boa parte do trajeto e ainda soterrar muitos trabalhadores; passamos o resto da noite tentando ajudar, da melhor maneira possível, com o acidente, infelizmente não era permitido crianças nos locais e tivemos que agir as escondidas, o que não adiantou muito.

  Acampamos em uma área verde da pequena cidade onde estávamos e prosseguimos a pé durante toda a manhã do dia 23... devem ter imaginado o alivio que sentimos ao encontrarmos uma concessionária de trailers quase tão bem protegida quanto um mercadinho de esquina.

  Com os constantes ataques que recebíamos de pequenos monstros, juntamente com nosso cansaço pela longa viagem enfrentada até aqui, mais o fato de Júlio ter ficado muito pior com seu ferimento da barriga recém-aberto pelos corvos... ninguém protestou quando passei despercebido pelos seguranças e fiz ligação direta em um dos trailers mais próximos a saída.

  Desde então começamos a nos dividir em turnos, não só para dirigir como também para vigiar durante o trajeto.

 -Parece que alguém pulou da cama hoje! –Júlio olhou para trás com um sorriso brincalhão. –Não quer desfrutar mais da sua garota antes que ela acorde e te dê um golpe de Karatê por terem dormido juntos?

 -Shiu! –Cochichei olhando com o canto dos olhos para Thalia. –Sorte sua que não posso me mover...

 -Claro que não! –Um sorriso sarcástico passou pelos seus lábios. –Não queremos acordar a punk assassina justo agora que estão abraçados!

  O fulminei com o olhar desejando poder arrancar a língua dele fora, mas Tainara fez algo parecido por mim ao dar um soco em seu braço.

 -Deixe-o em Paz Júlio. –Ela o advertiu. –Não se esqueça que Reyna está a apenas alguns metros de distância e ela pode acabar acordando também...

 -Isso não vai acontecer! –Ele bufou diminuindo o tom de voz.

 -Será mesmo? –Ela provocou. –Acho que Thalia não vai ser o maior dos problemas.

 -Hahaha engraçadinha. –Júlio estava cada vez mais inaudível por conta da considerável distância. –Já entendi o recado não há necessidade de prolongar mais o assunto.

  Ambos sorrimos cumplices enquanto víamos a expressão do terceiro se transformar em uma carranca e ele virar para a janela.

  Olhei par Thalia que continuava em um sono aconchegante e calmo; sorri ao ver o quão linda ela estava com as sardas levemente rosadas, seu cabelo preto trançado de lado e a mexa azul (que Thalia pintou novamente pouco antes da missão) caindo sob seus olhos.

  Resisti a imensa vontade de beijá-la e me contentei em apenas tirar sua franja da face macia e calma.

  Infelizmente o garoto tinha razão em relação a reação de Thalia caso despertasse daquela forma, por isso, usando a vantagem de ter “mãos leves”, me esgueirei para fora do sofá e a acomodei da melhor forma possível; por sorte, a falta de sono dos últimos dias a fez entrar em um coma profundo e ela não sentiu quando depositei um caloroso beijo em sua bochecha.

  Fui até a geladeira e sorri ao encontrar uma lata de coca na porta; encobri a bebida com a camisa para então abri-la, abafando o som do gás.

 -Se quiser podemos parar e trocar. –Falei para Tainara ao me aproximar de ambos.

 -Não há necessidade disso. –Ela respondeu abrindo um enorme sorriso. –Já chegamos!

  Imediatamente olhei para a estrada, me deparando com a entrada do túnel Caldecott que se tornara tão conhecida durante esses últimos meses.

 -É tão bom estar de volta!

  Reyna apareceu do meu lado já com sua roupa de pretora, a típica expressão neutra (apesar de ver o fim de um sorriso no rosto) e uma xicara de chocolate-quente a qual ela entregou para Júlio (depois de tomar boa parte do liquido) assim que adentramos completamente no túnel.

 -Nem me fale. –Thalia se posicionou do outro lado, completamente desperta. –Estava com muita saudade dos chuveiros de Nova Roma. –Ela tomou a coca da minha mão e sorveu um longo gole.

  Um suspiro mutuo de concordância e alivio passou por todos nós ao vermos que finalmente havíamos chegado... por um momento fui capaz de esquecer do sonho que tive com a outra equipe e com o acidente de Percy... sabia que se realmente fosse verdade, eles já estariam de volta... só esperava que assim como nós, não tenham cometido o mesmo erro e acabado por deixar alguém para trás... 



Notas finais do capítulo

Eu queria ter editado uma imagem mais legal, só que infelizmente não tive tempo, mas caso consiga troco ainda essa semana
Não sei se vocês sabem, mas dia 17 de Dezembro é niver da Hazel por isso Nico tentou pegar uma das frutas do jardim de Perséfone para que a garota pudesse fazer tintas, já que ela gosta de desenhar...

Então o que acharam?
O querem que aconteça?
O que acham que vai acontecer?

Obrigada por todos os acompanhamentos que me motivam a continuar ❤❤❤

★♡★



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