O Bom Menino escrita por Pedro Haas


Capítulo 2
Parte 2


Notas iniciais do capítulo

Oi



A chuva ardia no rosto de Saleh quando ia de encontro a sua face. Ele estava voando rápido, muito rápido. 100 metros atrás, Tamika o acompanhava, um pouco desorientada por causa da chuva, mas algo dentro de si a forçava a continuar. Ela tinha que voltar, tinha que avisar seu pai, mas não conseguia parar de seguir Saleh, não naquele momento.

O garoto estava com fúria nos olhos. Furioso com o destino, furioso com sua maldição, e preocupado com o que estava acontecendo com Zaki. Algo lhe dizia que coisas muito ruins aconteceriam, e ele queria calar a boca desta voz de todo jeito.

Ele voava cada vez mais baixo, e Tamika finalmente pôde alcança-lo. A chuva ficava cada vez mais forte, as nuvens literalmente saíram do nada, assim como ele havia previsto.

Saleh observou o céu e por um momento pensou ter visto uma silhueta humana pairando entre as nuvens.

— Tamika? – ele pensou alto, e quase como se a tivesse invocado, ela apareceu ao seu lado.

— Saleh! Nunca mais! Nunca mais faça isso! Tem noção do quanto me deixou preocupada? – ela o socava com seus punhos infantis, estava ofegante, deve ter feito bastante esforço.

Ele olhou de novo e a silhueta havia sumido, ótimo, já estava ficando maluco. Segurou a mão de Tamika e se apressou.

——

Ela nunca havia voado naquela velocidade, estava completamente aturdida. Saleh aterrissou um pouco atrapalhado, quase caindo de costas.

— Eu vou te matar! – Tamika estava rosnando é muito nervosa, voar com o impulso de Saleh foi muito exaustivo – Pelo menos me explica o que está acontecendo!

Saleh colocou o dedo sobre os lábios, pedindo que ela fizesse silêncio. Alguns carros estavam parados alí, na entrada principal do orfanato, mais carros do que deveria, muito mais.

— É aqui que você mora? – Tamika perguntou, já esquecendo o porquê de estar brava.

— Sim, só que... Esses carros... – ele fechou os olhos, deixando a chuva o molhar por alguns instantes – São de pessoas más, são dos Leões!

Tamika imediatamente imaginou leões dirigindo um carro, soltou uma risadinha, mas logo parou quando viu a cara de desaprovação de Saleh.

— São os mesmos que invadiram sua casa aquele dia? – o garoto assentiu com a cabeça.

Tamika apenas arregalou os olhos, não sabia muito bem qual reação ter. Queria afundar esses caras na lama e rir deles, mas já era grande o suficiente pra saber que o ódio que Saleh sentia deles — e de si mesmo — era maior do que ela já sentira a vida inteira. Talvez fosse melhor ir pra casa, mas ela não queria deixar Saleh sozinho nessa.

— O que você vai fazer? – ela perguntou, com medo da resposta.

Mas ele não respondeu, apenas se esgueirou entre os carros e se esforçou para ouvir o que acontecia.

Nada.

— Tamika! – ele a chamou, um pouco afobado – Flutue sobre o orfanato, veja se consegue ver alguma coisa, por favor!

— Eu não sei se...

— Por favor! – ele segurou a mão dela e olhou no fundo de seus olhos, deixando ela um pouco constrangida.

— Tá! Tá! Depois não vá me pedir mais nada!

Ele sorriu e ela revirou os olhos. Ao som de um trovão, ela flutuou.

——

Estava chovendo forte, e ela nunca havia voado nessas condições. O casarão do orfanato não era muito grande porém, não deu muito trabalho de subir e se apoiar no telhado para que a chuva não a levasse embora. Tamika tinha que admitir que esta estava sendo sua maior aventura desde que ela soubera dos seus poderes. Ela estava se sentindo importante, de alguma forma útil.

Saleh era um menino bom, bom demais para tudo isso que aconteceu com ele. Tamika nunca pensava muito sobre todos os problemas do lugar em que ela morava, ela sempre viveu debaixo das asas do seu pai adotivo, que era um homem muito bom. Mesmo não sendo perfeito, era bom, e a tratava bem melhor do que qualquer outro. Ela agradecia muito a ele.

E então veio os poderes, e sua curiosidade infinita e...

Um raio invadiu seus pensamentos, quase como se ele estivesse a lembrando para se manter focada. Ela se esgueirou para olhar para o quintal, uma pequena quadra de futebol, agora suja de lama. Uma pequena trave enferrujada para o gol, e várias crianças reunidas em roda no meio do campo, ajoelhadas, abraçadas umas nas outras e chorando.

Uma freira a frente delas, encarando homens armados. Um garoto mais velho ao lado dela.

— Droga – ela murmurou, e, ao mesmo tempo, um dos homens armados olhou diretamente para ela – Droga, droga...

Ela se escondeu do melhor jeito que pôde, esperando que a chuva servisse como uma boa camuflagem, mas logo conseguiu ouvir murmúrios e gritos mais altos lá embaixo. Ela tinha que descer, tinha que avisar Saleh sobre o que estava acontecendo.

Ela desceu, esperando vê-lo no lugar em que havia o deixado. Mas ele não estava lá. Ela ficou ofegante, o ar estava saindo de seus pulmões de uma maneira que ela nunca havia sentido. Não era a hora certa para um ataque de ansiedade!

Ela se apoiou em um dos carros parados e se concentrou. "Saleh deve ter ouvido os gritos e entrado, ele já pode até estar lá, ele é forte, não preciso me preocupar". Mas era mais forte do que ela.

Ela entrou devagar na casa, esperando encontrar o garoto. Passou pelas pequenas salas onde as crianças recebiam lições, onde outrora poderia ser um lugar agradável, mas agora estava morbidamente vazio. Um trovão forte iluminou o lugar, e seu barulho forte assustou Tamika o suficiente para que ela desse um gritinho. Um segundo depois, uma mão bem forte a agarrou e a puxou para o lado do pátio.

— Ora, onde você estava garotinha? – um homem com a voz mais aguda do que o normal falou de forma agressiva, ele era branco como os amigos do pai de Tamika – Você deve vir comigo, por bem ou por mal.

Tamika mal esperou ele terminar a frase e mordeu sua mão bem forte e pisou no pé dele numa bela investida. O homem se desequilibrou e gemeu de dor, dando a garotinha a pequena janela para que ela escapasse. Ela voou rapidamente em direção à porta, mas o homem alto agarrou seu pé, puxando ela com violência para baixo. Tamika gritou novamente.

— Saleh!

——

Saleh queria esperar Tamika voltar, queria mesmo, mas a inquietude estava lhe comendo vivo. Quando ouviu os gritos, então, se apressou. Deu a volta pela casa e se escondeu pelo mato seco envolta do orfanato até ver onde todo mundo estava. Ele olhou para a cruz no topo do casarão e, por mais que ele não fosse realmente católico, rezou para que o que quer que escute, lhe dê forças agora.

E no meio de sua breve meditação, o grito de Tamika ecoou por seus ouvidos, e seu coração pulou do peito. Ela havia sido pega. Ele olhou para os lados, querendo a ajuda de alguém, alguém para acabar com toda aquela situação. Porém, a memória daquele dia lhe acertou em cheio. O campo de energia pura, desintegrando tudo o que estava a sua volta. Ele não pode pedir para que tudo acabe, ele tem que ser forte.

— Eu tenho... – sussurrou para si mesmo, com os olhos fechados, esperando o momento certo para aparecer, mas...

— Saleh! – Tamika gritou, e segundos depois, ela apareceu na quadra sendo imobilizada por um dos leões. A menina estava visivelmente machucada, o que tirou o garoto do sério.

Saleh urrou de raiva, estendeu os braços para frente e avançou. A pressão exercida por ele era grande, os adultos estavam caindo, se debatendo pela dor de cabeça intensa, algumas crianças também. Saleh andou até o meio, tentando direcionar seu poder para os leões, que eram resistentes, mas não conseguia evitar que sua maldição afetasse também os que ele queria proteger.

— Saleh! Pare! – Irmã Sarah gritou, de uma forma que o garoto não sabia que ela conseguia.

Zaki a abraçou, impedindo que ela caísse. Ele também estava atordoado pelo poder de Saleh, mas conseguia suportar.

O garoto abaixou os braços e todos ao seu redor caíram exaustos. A chuva acertava seu rosto, o deixando quase dormente. Saleh olhou para todos ao seu redor, as crianças, as que ainda não desmaiaram, o olhava com desprezo. Até mesmo Zaki desviara o olhar quando encarou Saleh. Naquele momento, o garoto queria morrer.

— Foi você... – um dos leões balbuciou – Você é a fúria.

— Ele que vocês querem? Saleh? – uma das freiras perguntou horrorizada – Ele é só uma criança.

— Uma criança que exterminou tudo o que viu pela frente, matando 3 dos nossos, até mesmo seus pais – um outro leão disse, um mais velho.

Saleh abaixou a cabeça ao ouvir aquilo, não era algo de se orgulhar.

— Agora... – ele sacou uma pistola e atirou para cima, depois, apontou para cada uma das crianças reunidas, até chegar em Saleh – Venha conosco, senão o orfanato inteiro vai morrer.

O homem se aproximou de Saleh e passou o braço por seus ombros.

— Faça algo comigo, e vamos fuzilar todos eles, entendeu?

— Para onde vão me levar? – ele perguntou, agora sem medo.

— Viemos tão longe, com tantos soldados, só por você. Alguém tem interesse em você, por isso ainda está vivo. Agora, pode ficar tranquilo, enquanto você vir com a gente, enquanto nos obedecer, seus amiguinhos ficarão a salvo.

Saleh olhou a sua volta. Todos dependiam dele, e ele odiava isso. Ele era apenas uma criança, apenas isso, queria brincar de bola, estudar. Mas sua maldição tirou tudo dele, e agora não seria diferente.

Nunca seria diferente.

O garoto olhou pela última vez para Sarah, Zaki e as crianças. Eles estavam com medo, medo da morte, medo do que Saleh poderia fazer de errado e que eles pagariam. Olhou para Tamika, que estava em prantos, ela não queria que ele fosse.

Saleh sorriu para ela e se virou, estava pronto.

——

Mesmo com a chuva forte, Saleh estava acompanhado por outros dois leões na traseira de uma picape que corria feito louca. Saleh estava sentado encostado na cabine, com cada leão de um lado. Tivera uma triste visão do orfanato se afastando, se afastando, até que já não estivesse mais visível. Depois disso, seu rosto fechou para qualquer outra expressão, o ódio que estava sentindo era grande, mas se ele quisesse manter os outros a salvo, deveria resistir.

— Como uma criança consegue fazer tudo aquilo? – um perguntou ao outro, curioso.

— Não sei, mas seria bom se pudesse fazer também! – o Leão estendeu a mão para frente, imitando Saleh, como se tivesse agarrando o pescoço do outro.

Os dois caíram na risada. Saleh apenas assistia. A sua frente, apenas a paisagem e a chuva... E fios de cabelo loiro.

Bem a sua frente, fios loiros pairavam pelo ar, como se alguém estivesse com os cabelos ao vento, mas você conseguiria perceber apenas se prestasse bastante atenção. Saleh piscou o olho, pensando estar vendo coisas. Mas não era coisa da sua cabeça. O garoto pensou ter vislumbrado um breve sorriso.

Numa fração de segundos, o Leão a esquerda de Saleh caiu da picape com um chute bem encaixado em seu queixo. Era como se a pessoa tivesse tirado um manto de invisibilidade em uma fração de segundos e já tivesse emendado em um ataque certeiro. O outro Leão não entendeu o que havia acontecido.

Em um segundo, estava brincando de enforcar seu amigo com o poder da mente, no outro, uma mulher loira de sobretudo negro aparece e o derruba. Sem tempo de reação, com chutes certeiros.

Ela era linda.

Saleh a encarou de boca aberta, estava tão surpreso quanto os leões.

— Com licença – ela disse, e Saleh se afastou na hora.

Mesmo com a chuva batendo em seu rosto, ela era precisa. Chutou a cabine, mesmo com o carro em movimento, quebrando o vidro. Agarrou o motorista com uma só mão e fechou os olhos, segundos depois, o carro saiu da estrada e pelo chão desnivelado, capotou.

Saleh mal notou quando a mulher o agarrou e pulou do carro. Ela estava ofegante, seu cabelo loiro molhado, um pouco cacheado, estava sobre seu rosto.

— Você está bem? – ela perguntou, genuinamente preocupada.

Sua voz era doce, Saleh percebeu.

— Quem... Quem é você? – ele perguntou, seu rosto pegando fogo.

— Eu sou Aman---

Pam! Um tiro! Vindo de um dos leões machucados pelo acidente, atingiu o ombro de Saleh, o jogando para trás com o impacto. Saleh sentiu como se tivesse sido um soco, não havia doído nem um pouco. Ele se levantou segundos depois, tão confuso quanto o Leão que havia atirado.

A bala estava cravada em seu ombro. Sem sangue, sem inchaço. Apenas a dorzinha, a ardência de ter algo cravado na pele. O leão encarou aquilo com uma expressão de horror, ele sabia que iria morrer ali agora. Olhou em volta, procurando seus amigos, procurando reforços, mas eles não apareceriam. Ele iria morrer ali, na chuva.

De repente, um vulto passou por cima deles. Saleh reconheceu na hora, era a silhueta que havia visto mais cedo. Um homem de cabelos brancos e olhos brilhantes, e por onde passava, deixava um rastro de vento, como um furacão ambulante. Saleh não sabia explicar o que era, apenas observar. O homem estendeu a mão em direção ao leão, que correu imediatamente; mas não por muito tempo, pois logo um raio o atingiu, num estrondo imenso.

Saleh estava boquiaberto, olhava para os dois a alguns metros dele, logo depois que o homem pousou, estavam conversando e rindo. Eles não eram leões, com certeza.

Eles eram humanos.

——

O homem, que se chamava Octávio, dirigia um dos carros dos leões. Ele era a pessoa mais branca que Saleh já conhecera, seus cabelos também eram brancos, e seus olhos eram prateados como os dele. Ele tinha um ar de seriedade sempre presente, mas, Saleh não tinha certeza, ele parecia estar tentando conter a euforia.

Saleh estava no banco de trás, a chuva havia parado, e ele pôde perceber que os outros carros, que estavam cheio de leões, estavam destruídos. Octávio era realmente muito forte.

Ao seu lado estava a mulher, Amanda, nomes estrangeiros. Os dois trajavam sobretudos pretos, de um jeito que não os impedissem de se mexer como grandes lutadores, mas que também fossem uniformes marcantes e destacados. Um grande H no peito, em cada sobretudo.

A mulher era loira, seu rosto arredondado e olhos azuis penetrantes, como uma princesa. Seus traços delicados e seu corpo atlético a tornava uma linda mulher, Saleh estava constrangido de estar ao seu lado.

Quando olhou para ela, ela estava olhando diretamente para ele. Ela tocou seu rosto e fechou os olhos, Saleh engoliu seco.

— E então – Octávio disse do banco da frente – O que conseguiu?

— Nada – ela abriu os olhos e Saleh viu por um momento eles tão prateados, ainda mais prateados do que os dele. Então, ela piscou novamente e eles voltaram ao azul normal.

— Estranho...

Saleh não estava entendendo nada.

— O que? O que houve?

— Não se preocupe, Saleh – ela pronunciou seu nome com uma voz doce – Sua mente é forte – ela apontou para sua cabeça – Você é um garoto muito forte, quantos anos você tem?

— Vou fazer 10 em Janeiro!

— Que demais! – ela respondeu na mesma intensidade – Eu faço em março.

— Quantos anos você tem? – ele perguntou, entusiasmado.

— Vinte e Um, imagino... 2015... É...

— Sim, Vinte e Um – Octávio falou, entrando no assunto – Eu acabei de completar Trinta e Cinco, nem parece, não é?

E não parecia, para Saleh, ele era tão velho quanto os fazendeiros que visitavam o orfanato.

— Escuta, Saleh – ele disse – Vamos deixar que você se despeça dos seus amigos no orfanato, mas você vai ter que vir conosco.

— Não posso! Quando perceberem que todos aqueles Leões sumiram, eles vão vir e atacar a gente, não posso deixar! – Saleh não tinha pensado tão longe, mas, falando agora, parecia claro para ele que era exatamente isso que ia acontecer.

Amanda o abraçou de leve, e ele pôde sentir toda a agitação fluir para longe dele.

— Não se preocupe – ela falou – Nós cuidamos de tudo.

O garoto olhou para ela tão relaxado que pensou que iria cair no sono.

— Vamos cuidar de você. Temos um lugar com muitas pessoas como você, especiais – Amanda sorriu – Você vai se sentir em casa, finalmente!

——

Quando Saleh reapareceu no orfanato já era de noite. As poucas lâmpadas incandescentes estavam acesas na sala, simbolizando que as crianças estavam lá jantando como sempre. Saleh não ouviu muita conversa, geralmente era barulhento, mas, depois do que acontecera mais cedo, elas deveriam estar com medo.

Saleh pensou muito sobre o que ele iria fazer, chegar lá no meio e simplesmente se despedir de todo mundo? Chamar Zaki e a irmã Sarah de algum jeito e se despedir deles? Ele não sabia bem o que fazer, mas não precisou tomar uma decisão, porque alguém já estava o chamando.

Na janela de um dos quartos, Tamika estava quase gritando pelo seu nome.

— Saleh! – ela estava com mais da metade do corpo pra fora, se fosse uma criança normal Saleh se preocuparia.

Ele flutuou até a frente da janela, Tamika se jogou para frente e o abraçou com força, ele retribuiu o abraço também de forma calorosa.

— Pensei que nunca mais ia te ver – ele disse sem nem perceber, ele a conhecia a menos de um dia, mas já sentia como se ela fosse a sua melhor amiga.

— O que aconteceu? Como você saiu? Você tá bem? Te machucaram? Tá cansado?

Ele riu.

— Calma! Uma pergunta de cada vez! – ela se soltou dele e respirou fundo.

— Desculpe, eu sou um pouco ansiosa...

Ele puxou de leve o cabelo dela e subiu, observando a paisagem em volta por uma última vez. Ele sentia que as coisas estavam para mudar, mas agora, de uma forma boa. Olhou para baixo e viu Amanda e Octávio olhando para ele, esperando há alguma distância do orfanato.

Logo, Tamika subiu na mesma altura que ele.

— Não puxa meu cabelo! – ela olhou para ele com os olhos lacrimejando, mas Saleh estava olhando para cima.

— Eu estou indo embora...

— Pra onde? – ela fez um bico de decepção – Pensei que você iria ficar, tenho tanta coisa pra te mostrar...

— Eu encontrei mais pessoas como a gente – ele continuou – Um homem que controla os raios, e uma mulher que luta e fica invisível!

Tamika o encarou com surpresa.

— Onde eles estão? – Saleh apontou para eles, que estavam parados ainda no mesmo lugar – Que demais!

— Eu apresentaria vocês, mas eu não tenho muito tempo, tenho que ir com eles – Tamika assentiu – Eles tem uma escola para pessoas como nós, uma escola cheia de gente especial. Eles vão me levar pra lá, Tamika!

Ele estava muito, muito animado. Tamika riu.

— Você tá bem melhor agora do que hoje mais cedo – ela fez uma careta imitando o rosto triste dele. Ele retrucou mostrando a língua.

— Acho que vou descer e falar com Zaki...

— Eu acho... Acho que é melhor não.

— Por quê?

E então ela lhe contou o que acontecera assim que Saleh saiu. Zaki calou Tamika, que estava doida para ir atrás de Saleh. Disse que seria melhor, que se o garoto tivesse qualquer apreço por ele, nunca mais voltaria. A irmã Sarah lhe ofereceu passar a noite no orfanato e ela acabou aceitando, mas não conversou com nenhuma das outras crianças por causa dessa "Traição".

— Sinto muito, Saleh, eu tô contando a verdade, juro pra você.

O garoto estava de cabeça baixa.

— Obrigado por isso, Tamika. Se eu tivesse entrado antes de te ver, talvez eu... Eu não sei o que teria feito. Muito obrigado.

— Você é forte – ele assentiu e se virou, dizendo um breve tchau – Espera, sabe o que eu descobri?

— O que?

— Saleh, seu nome, é muito bonito. Significa "Homem Bom" – ela sorriu – Combina com você! Boa sorte, Saleh.

Graças a isso, ele voltou para o carro com um sorriso no rosto.



Notas finais do capítulo

Acabou



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "O Bom Menino" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.