We Go Back And We Go Foward escrita por Mila Marconi


Capítulo 1
Capítulo 1


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura



             - Mas, Rose, seu lugar é comigo, com a gente.

            Emmett tentava persuadi-la, mas Rosalie apenas balançava a cabeça em negação. Emmett colocou suas mãos grandes sobre os ombros finos de Rosalie e a olhou no fundo dos olhos:

            - Eu preciso de você, Rose. Por favor, me escuta, você vai cometer um erro.

            - Emmett. – Rosalie falava bem devagar, como se assim Emmett fosse entender. Ela deu um sorriso fraco. – Eu preciso fazer isso...

            - Não, Rose...

            - Me escuta. Eu preciso disso, eu já tomei minha decisão. Você vai achar alguém que te ame e vai amá-la também.

            - Não, eu só amo você...

            -... Alguém que te mereça.

            Rosalie beijou o canto da boca de Emmett de forma carinhosa e saiu do quarto, deixando Emmett sozinho com os seus soluços.

—--*---*---

                - Você está pronta, filha?

            Rosalie olhou para Carlisle e assentiu. Voltou a olhar para a luz que pendia sobre a sua cabeça. Daqui a algumas horas ela seria humana novamente, poderia recomeçar, ter uma família, filhos e netos. Acharia alguém que amasse. Não que ela não amasse Emmett, na verdade, sempre havia uma dúvida sobre isso. Esme se aproximou dela e afagou seus cabelos. Rosalie a fitou e sorriu.

            - Você vai ser sempre minha filha. Se não quiser ficar aqui, eu vou entender, mas se quiser voltar, as portas estarão sempre abertas.

            Rosalie sorriu e tocou a mão de sua mãe adotiva.

            - Obrigada, Esme.

            Ela não voltaria muito provavelmente, mas não queria que Esme ficasse triste. Carlisle pediu que Esme saísse.

            Estava na hora.

            O líquido que parecia prata derretida estava dentro da seringa da agulha especialmente feita para furar pele de vampiro. O vampiro médico se preparou e colocou a agulha no peito de Rosalie, sobre o seu coração congelado, mas não a perfurou.

            - Ainda há tempo de desistir.

            Rosalie negou e fechou os olhos. Sentiu a agulha perfurando sua pele com dificuldade até chegar no seu coração inanimado e sentiu quando Carlisle depositou o líquido ali. Não ardia como o veneno, mas era quente. Um quente bom. Entretanto, apenas isso aconteceu. Rosalie começou a ficar preocupada e, sem saber por que, prendeu a respiração.

            Carlisle não entendia o que estava acontecendo. Por que não deu certo?

            E então, de repente, houve um barulho

            Tum.

            Um pulsar. Depois de uns segundos, outro, e depois outro, cada vez mais rápidos e com menos espaços entre eles.

            Rosalie Hale estava viva novamente.

            Rose sorriu. Ela começou a sentir a falta de ar e respirou. O ar em seus pulmões parecia queimar e doeu, ela sentiu-se como um bebê recém-nascido que acaba de absolver sua primeira lufada de ar. Ela sentia aquele calor bom percorrer seu corpo. Diferente de quando ela se transformou em vampira, seus sentidos iam ficando fracos. Ela não sentia mais os cheiros ao seu redor, não ouvia as pessoas conversando no andar de baixo, mas para ela, isso era um alívio.

            Enquanto o calor ia se espalhando, Rosalie sentia como se estivesse recuperando a sensibilidade, como se tivesse passado anos dormente e agora sentia novamente. Carlisle tocou seu braço e Rosalie tremeu, ela não se lembrava de ter tocado em um vampiro quando humana, a pele era gelada e dura.

            Carlisle observava a face de Rosalie ficando rosada novamente. Esme entrou e parou ao lado do marido, também observando Rosalie.

            - Acabou? – Ela perguntou.

            - Acho que sim. Quanto tempo demorou?

            - 1h e 17m. Foi bem... Rápido.

            Carlisle assentiu. Tocou no braço de Rosalie novamente e disse:

            - Rose, acabou. Pode levantar.

            Rosalie abriu os olhos devagar para se acostumar com a luz. Esme sorriu ao ver os belos olhos azuis-violeta de Rose. Ela olhou para Carlisle e para Esme.

            - Acabou? – Ela se assustou um pouco com a voz, estava meio diferente.

            Esme assentiu e a ajudou a se sentar na maca. Carlisle trouxe um espelho para que ela pudesse se ver. Rose pegou o espelho com as duas mãos e olhou tudo. Suas bochechas coradas, os lábios naturalmente rosados e por último, os olhos. Como ela sentira falta de seus olhos azuis-violeta. Ela não tinha mais a beleza sobrenatural dos vampiros, mais ainda era belíssima, ela sempre fora. Rose colocou a mão sobre o peito e sentiu seu coração pulsando fervorosamente. Ela sentiu algo quente atravessando seu rosto e se olhou novamente no espelho.

            Era uma lágrima.

            Uma lágrima de felicidade. Ela riu e passou a mão sobre o rastro da lágrima e depois levou até língua, provando o sabor salgado. Rosalie riu lembrando-se das vezes que se machucava quando era criança. Ela chorava até sentir o gosto das lágrimas e então parava.

            Ela adorou tudo no seu novo antigo corpo, mas adorou principalmente que o ardor na garganta havia cessado.

—--*---*---

            Já era o terceiro prato de rosbife que Rosalie comia. Era tão bom sentir o gosto da comida sem sentir repulsa. Ela comeu a última garfada e empurrou o prato, já estava satisfeita. Esme sorriu e pegou o prato, levando-o para a lavadora.

            - Estava bom? – Ela perguntou.

            - Estava delicioso, Esme. – Rosalie respondeu sorridente.

            Rose se levantou e se dirigiu para a sala. Emmett não estava lá como de costume, ele havia se trancado no quarto desde que ela voltara a ser humana. Alice caminhou até ela, sorrindo de forma triste e disse:

            - Vou sentir sua falta, Rose.

            Rosalie suspirou.

            - Eu também, nanica. Mas você entende que eu preciso disso, não é?

            Alice deu de ombros.

            - Na verdade não. Mas eu aceito. Afinal, nós ainda vamos nos ver um dia.

            Rosalie abraçou Alice antes que começasse a chorar. A outra afagou as costas da amiga.

            - Eu já arrumei sua mala. – Disse Alice.

            - Obrigada, Allie.

            Depois que Rosalie e Alice se soltaram, Rose viu uma Renesmee aos prantos no sofá. Ela se dirigiu até a sobrinha e se sentou no sofá ao seu lado. Rosalie puxou Nessie para si e encostou a cabeça dela contra seu peito. Afagando os cabelos cor de cobre de Renesmee, ela disse:

            - Não chore, Ness. Não chore, querida.

            Renesmee abraçou ainda mais a tia.

            - Eu não quero que você vá. E se alguém me chamar de monstro e tentar me matar de novo, quem vai me defender?

            Rosalie riu.

            - A sua mãe consegue te defender melhor do eu agora. E você também tem o Jacob, é muita gente para te defender. – Rosalie levantou o rosto perfeito de Renesmee e beijou sua face. – Não se esqueça de mim. Por que enquanto o meu coração bater, eu não vou me esquecer de você, está bem?

            Renesmee assentiu. Rosalie deu um beijo em sua testa, se levantou e viu Edward. Ele sorriu torto e encolheu os ombros, Rosalie riu e fez o mesmo. Caminhou até ele e o abraçou.

            - Adeus, Edward.

            - Adeus, Rose.

            Bella estava ao lado. Ela e Rosalie ainda não eram boas amigas, mas seu relacionamento havia melhorado e muito.

            - Rosalie, obrigada por tudo o que você fez por mim.

            Rose deu de ombros.

            - Você faria o mesmo por mim.

            Depois ela se despediu do seu “irmão gêmeo”, e até de Jacob, que, durante aquele período tinha parado com as piadas de loira. Ele até sentiria falta de Rosalie.

            Quando chegou a vez dos seus pais, Esme já estava soluçando. Rose a abraçou e falou palavras de consolo que não adiantaram muito. Depois ela abraçou Carlisle. Com certeza seria dele que ela sentiria mais falta.

            - Obrigada, Carlisle, por ter me salvado. Duas vezes.

            Carslisle sorriu.

            Alice apareceu ao seu lado com sua mala, mas Rosalie pediu que ela esperasse, ainda precisava se despedir de Emmett. Ela subiu as escadas e foi até o seu quarto. Ela olhou para porta, levantou a mão em punho para chamá-lo, mas desistiu, seria inútil. Rosalie colocou a mão sobre a porta e disse:

            - Adeus, Emm.