Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 13
Capítulo 12 - Attempts


Notas iniciais do capítulo

Segunda atualização no mesmo mês! Iupi!
Se eu não tivesse tido aquela longfic de amigo secreto no natal, eu também teria atualizado duas vezes em Dezembro.
Estou escrevendo outra fanfic, com um estilo mais animado que DM. É Jily, Blackinnon (vocês não superaram a morte da Marlene, hein? Vou contar uns segredinhos para vocês depois), Frankalice e Remadora. Nossa! Quantos casais! Ela é universo alternativo, e se chama "Precisamos Falar Sobre James". Quem estiver interessado, eu deixarei o link nas notas finais. Quem não estiver... Sigamos em frente!
Espero que gostem do capítulo, e nos vemos nas notas finais =)




Antes mesmo que Peter descesse as escadas, James já sabia que aquele plano era uma total perda de tempo.

— Eu tentei — Peter jurou, ao identificar o que o seu olhar significava.

— Você é um mentiroso — disse James.

Desde o ataque à Lily Evans, os integrantes da Ordem da Fênix resolveram deixá-lo um pouco em paz, e James não poderia estar mais satisfeito por isso, o seu tornozelo da perna direita estava apoiado no joelho da perna esquerda. Apesar de ainda ter os seus pulsos presos à cadeira, o feitiço do porão continuava, então ele não tinha ideia de onde era a saída. Recebia suas refeições por levitação, sem ter qualquer bruxo dando as caras para entregar. Apenas Peter insistia em visitá-lo, e James estava curioso para saber o que os outros pensavam sobre isso.

— O seu ataque à Evans não ajudou muito a sua situação — justificou Peter.

— Não me arrependo — James deu de ombros — Faria tudo de novo.

Peter parou um pouco para observá-lo, parecendo mais aliviado.

— Você parece... — “equilibrado” ele completou, mentalmente, mas resolveu não dizer isso — Melhor.

— Obrigado — disse James, friamente.

A verdade é que o exterior não revelava muito do que estava acontecendo no seu interior. Contudo, nos últimos dias, ele teve bastante tempo para enlouquecer. Quando ele pensava demais, era o que acontecia: ele enlouquecia. Então, resolveu, simplesmente, não pensar, como se estivesse aplicando a oclumência, o que não era tão difícil para ele, que já conhecia esse campo de proteção da mente. A diferença era que ninguém estava tentando invadir a sua mente, ele estava se protegendo dos próprios pensamentos.

— Os dias estiveram mais calmos — disse James, depois de um momento de silêncio por parte dos dois.

— Preparativos para o funeral — disse Peter — E outras coisas da Ordem.

— Coisas que, certamente, você contou a Voldemort.

— É claro que eu contei.

James olhou interessado por cima do ombro de Peter, antes de balançar a cabeça. Tentar enxergar uma parede por ali dava uma grande dor de cabeça nele, mas não o impedia de tentar.

— E o lobisomem? Remus Lupin? — ele perguntou, querendo manter-se a par dos acontecimentos, mas não querendo manter a conversa com Peter, que estava bem menos receptivo que na casa dos Malfoy.

— Greyback o retaliou depois da visita do milorde — disse Peter — Ele escapou por bem pouco.

— Os planos de Dumbledore foram destruídos, então? — James sorriu.

— Com os lobisomens, sim.

Peter não parecia compartilhar muito de sua felicidade, inclusive parecia preocupado.

— Diga logo! — exigiu James.

— Eles não vão te deixar em paz — Peter disse — Então, prepare-se.

— Se eu tiver que asfixiar todos eles, eu não me importo.

“Embora eu não tenha nada contra eles” pensou James, mas sem externar esse pensamento, pois eles eram da Ordem, seus inimigos declarados.

Depois de alertá-lo, Peter despediu-se.

— Eu preciso ir — ele disse.

Somente alguns momentos mais tarde, James sentiu a marca queimar em seu antebraço, e trincou os dentes, ao sentir a dor e a pinicação causados por isso. Fechou os olhos sem nem mesmo ser ciente deste ato e, quando os abriu novamente, desejava ser apenas uma miragem.

— Olá — disse Sirius Black, sorrindo sem o mínimo de pudor.

James não respondeu, olhando fixamente para ele.

Era o típico olhar que deixava as pessoas aterrorizadas por poderem receber as piores maldições que a magia negra podia criar, mas ele agia como se já estivesse acostumado com aqueles olhares e, lembrando-se de como Evans agia em Hogwarts, ele não estranhou tanto quanto deveria.

Black puxou uma cadeira, que James não tinha visto antes, sentando-se à sua frente.

— Certo, temos meia hora — ele disse, olhando para o relógio em seu pulso.

James observou como o bruxo sentava-se de maneira completamente casual, a cadeira virada para o lado contrário, as pernas em cada lado das costas da cadeira, e os braços apoiados à parte superior, junto com o seu queixo. Enquanto que James estava com as costas não inteiramente encostadas, mas consideravelmente reto e alinhado, ainda mais quando comparado ao outro.

— Então é isso? — perguntou James, dando uma risada sarcástica — Vão ficar alternando cada um, de meia em meia hora, me vigiando?

— Eu pensei que eu quem começaria essa conversa — disse Sirius, arregalando os olhos dramaticamente.

— O que vocês querem ganhar com isso?

Sabia que não seria respondido sinceramente. E, se fosse, não acreditaria na resposta, já que poderia ser uma artimanha, algum plano novo de Dumbledore para ele, que ele não cairia.

— Você nos conhecer — Sirius deu de ombros.

Com isso, James só pôde concluir que estava conversando com um maluco. Eles queriam enlouquecê-lo.

— Acho que os conheço o suficiente — disse James, friamente.

— Tudo bem, talvez eu esteja com uma... — Sirius coçou a barba rala de seu queixo — Falta de memória. Queria relembrar a época do colégio, entender onde que tudo começou a mudar...

— Você sabe muito bem onde que isso começou a mudar.

Apesar da firmeza, James ficou em dúvida. Ele foi claro quando afastou-se de Sirius e Remus? Eles nunca foram atrás dele, mas talvez pensassem que fosse uma fase temporal.

“Não pense” ele ordenou-se, voltando à prática da oclumência, ou sua mente estaria lotada de pensamentos e lembranças confusas novamente.

— Vocês ficaram do lado da Evans — disse James, resolvendo entrar no jogo deles.

— Claro! Porque aquela aposta era ridícula — disse Sirius, o cenho franzido.

— Que aposta? — as palavras voaram de sua boca.

Sirius sorriu, satisfeito.

— Você não se lembra da aposta? — ele perguntou, balançando a cabeça — Que absurdo! Aquela aposta foi a melhor que nós tivemos no sétimo ano...

James manteve-se em silêncio, tentando lembrar-se do que ele estava falando, sem entender o motivo daquela conversa, mas sem querer entrar muito em suas teorias, concentrando-se em manter a sua mente limpa de pensamentos. Mesmo assim, Sirius parecia satisfeito.

— Você fez um estrago no pescoço da “Evans” — Sirius frisou o sobrenome dela, parecendo divertido.

— E, mesmo assim, vocês não parecem ter medo que eu faça o mesmo com vocês — disse James.

— Uma apertada de pescoço aqui, um braço arrancado ali... É a guerra! Você deve ter visto bastante disso.

Sirius sabia que estava entrando em um campo de raciocínio que não era aplicado a ele, as mortes que James tinha presenciado nas batalhas. Quando saísse dali, Dorcas já cuidaria disso, e ele agradecia por não precisar participar disso. Só ela tinha sangue frio o suficiente.

— Nada contra os sangues ruins e lobisomens — James deu de ombros, e era como se eles ainda fossem amigos, na época de colégio — Exceto pelo fato de se fazerem de vítimas da sociedade, sendo que eles matam tanto quanto nós, Death Eaters.

Sirius não respondeu imediatamente, paralisado ainda pela palavra “sangues ruins” e ainda mais impactado por James considerar-se parte do grupo inimigo.

— Todos erram — ele disse, após recuperar-se — Sejam sangues puros ou... Não.

— Sabe o que, realmente, me enoja? — perguntou James, empurrando uma lembrança de seus pais para o fundo de sua mente — Quem não valoriza a família. Sangues ruins não valorizam a sua família, já que preferem entrar em um mundo que, evidentemente, não é lugar deles. Lobisomens destroem famílias. E traidores do sangue... São apenas uma mancha na árvore genealógica.

Sirius sabia, pelo brilho maníaco e diabólico nos olhos de James, que aquele era um ataque pessoal, mas ele não sentia-se ofendido por ser um traidor do sangue. Sentia-se ofendido pela menção indigna a Remus e, claramente, Lily. Ele tinha algo contra ela, e ele sentia que isso tinha mudado toda a sua personalidade. O James que não gostava de Lily não era o James que eles conheceram. E o James que odiava Lily era um ser humano cruel, vil, e assassino.

— E você valoriza bem os seus pais, não é mesmo? — Sirius disse, sentindo o sangue ferver, mas controlando-se o máximo que podia — Aurores. Tenho certeza de que eles não iam querer ter um filho assassino.

Esperava alguma revelação surpreendente, como que Voldemort tinha modificado as suas memórias a ponto de que Charlus e Dorea Potter fossem sangues puristas, pessoas completamente diferentes do que eram, na realidade, mas o que James disse o surpreendeu bem mais do que isso.

— É complicado você dizer o que seus pais queriam ou não, quando eles foram assassinados cruelmente por uma das pessoas que você mais confiava na sua vida.

Isso foi o suficiente para Sirius perder o controle, levantando-se da cadeira, deixando-a caída no chão.

— Acredito que eles deixaram bem claro o que pensavam sobre os Death Eaters — ele gritou — E você só ignorou os seus ensinamentos. Jogou pelo ralo toda uma infância!

— Você não sabe do que está falando! — James debateu-se na cadeira, sem sucesso — Eles estavam errados! Foram traídos pelo lado que mais acreditavam! Que mais lutavam! E eu vou vingá-los!

— Quando eu fui morar contigo?

James encarou-o ferozmente, sem conseguir entender o motivo de toda aquela pressão para cima dele, e ainda mais a mudança de assunto brusca.

— Do que você está falando? — ele perguntou, ainda gritando um pouco — Você nunca foi morar comigo! Nunca!

Sirius pareceu acalmar-se completamente neste instante. Era como se, só então, tivesse a confirmação de que aquele não era o seu melhor amigo, que aquele não era Prongs.

— Quanto tempo você acha que um traidor do sangue aguentou naquela casa cheia de apoiadores da causa de Voldemort? — ele pressionou — Quanto tempo? Acha mesmo que eu consegui ficar lá até atingir a maioridade bruxa? Não! Eu fugi de casa! Eu fui morar com a sua família! Dorea e Charlus Potter foram o meu exemplo de paternidade que eu nunca tive na Muy Nobre y Antiga Casa dos Black.

Naquele momento, um dos ponteiros girou-se no relógio de Sirius, e ele recuou, passando a mão pelo rosto suado. Pegou a cadeira, e colocou-a na posição em que estava antes de chegar.

— Parece que nosso tempo acabou... — disse Sirius, depois de respirar fundo, forçando um sorriso — Que pena!

James apenas observou-o se afastar, sem pronunciar uma palavra que fosse.

Sentia que, ao final daquele dia, seria impossível manter a sua mente livre de quaisquer pensamentos.

Os passos abafados e apressados de Sirius foram substituídos pelos passos calculados e sonoros de uma mulher, já que era fácil de identificar que vinham de um sapato de salto.

— James Charlus Potter.

Uma mulher de longos e ondulados cabelos loiros surgiu de um, aparentemente, corredor, mas poderia ser algum efeito da sala, já que ela tinha uma varinha bem firme em sua mão esquerda. James sabia muito bem quem ela era, Dorcas Meadowes era bem conhecida, junto de seu mentor, Alastor Moody.

— Ambidestra — Dorcas ergueu a mão onde estava a varinha, apontando-a para o teto — É útil para um auror.

— Não deveria dar esse tipo de informação para o inimigo — disse James, dando um sorriso arrogante.

— Mas você já sabe disso! — disse Dorcas, segura de si.

Aquela mulher preocupava a James muito mais que Sirius Black. Ela não podia ser atingida, ela já estava acostumada a ser torturada fisicamente e emocionalmente. Não duvidava nada que Moody fazia isso com ela para que ela já estivesse preparada, seria o tipo de coisa que ele faria, mas não com todos. Talvez com aqueles tão loucos quanto ele.

— Eu preciso te apresentar a isso? — Dorcas tirou algumas fotos do bolso de sua calça — Fotos? Acho que você está familiarizado com o termo...

James não respondeu à provocação, esperando pelo que ela diria.

— Não preciso falar de Ariella Oris, você já sabe o que aconteceu com ela — Dorcas ergueu a foto do rosto danificado da criança, e James desviou o olhar — É falta de educação você não olhar nos olhos de quem está falando.

Ela deu uma risada debochada, ao perceber que James não abria a boca perto dela, o que fez com que ela parecesse mais louca do que já era.

— Você deve ter visto como ficaram os McKinnon antes de sua captura — Dorcas jogou a foto de Ariella por cima do ombro, com descaso, antes de erguer a foto do casal McKinnon, e outra exclusiva com Marlene — É claro que viu.

— Se o que planeja é fazer com que eu me sinta culpado... — começou James, a voz controlada.

— Eu acho que não preciso disso — Dorcas deu um sorriso com a sua boca torta e fina — Você já está se sentindo culpado o suficiente. Culpado, confuso...

— Black veio para relembrar os tempos de colégio, você veio para dar uma de psicóloga... O que os próximos farão? — perguntou James, escutando os próprios batimentos cardíacos em seus ouvidos.

— Eu não vou dar uma de psicóloga. Você entendeu tudo errado. E Black não veio relembrar a época de colégio.

Que esse não era o objetivo de Sirius, era claro, James já tinha suposto aquilo sozinho, não era tão difícil ler o seu rosto, enquanto que o de Dorcas era impenetrável. Se lhe dissessem que ela era a filha bastarda de Moody, ele acreditaria sem hesitar.

— Ah! Aqui está! — disse Dorcas, e ela sorriu de um modo que quase fez parecê-la uma bruxa normal e feliz — Sabe quem são esses dois?

Depois de deixar a foto à sua frente, por alguns segundos, ela moveu-a para ela mesma observar.

— Eu sei, parecem ser a mesma pessoa — Dorcas deu de ombros — Os gêmeos Prewett. Fabian e Gideon Prewett. Eles tinham uma irmã casada, e com... Cinco sobrinhos! Impressionante como essa gente se reproduz no meio da guerra...

A última frase era sarcástica e um pouco depreciativa, mas isso não fez com que James relaxasse, só fez com que ficasse mais rígido na cadeira. Ela pareceu notar, dando um sorriso obscuro, antes de jogar mais essa foto por cima do ombro.

— Screw-Doe.

Dorcas paralisou. O seu rosto estava abaixado, olhando para o monte de fotos, que ficava cada vez menor. Ela levantou-o, olhando diretamente em seus olhos.

— Do que você me chamou? — as suas narinas inflaram-se ligeiramente.

— Você tem uns parafusos a menos — disse James, sem mudar a sua expressão, aquele apelido lhe surgiu do nada.

O seu rosto virou bruscamente com o tapa que Dorcas lhe deu.

— Eu sempre quis fazer isso — ela murmurou para si mesmo, agachando-se para pegar algumas fotos que caíram.

Assim que ergueu-se, novamente virou a foto para si, olhando-a, antes de colocá-la à frente de seu rosto, mais brusca que antes.

— A cabeça de Benjy Fenwick, encontrada jogada no rio Derwent — ela disse, e James sentiu uma vontade de vomitar, ao ver aquela cena, mas não melhorou com a mudança das fotos — Um dos braços dele, jogado no rio Trent. Isso aqui... Deve ser a perna, jogada no rio Ouse.

O tronco de James deu uma guinada brusca para frente, quase colidindo a sua cabeça com a de Dorcas.

— Está com vontade de vomitar? — ela perguntou, entrecerrando os olhos — Eu não te aconselharia, não tem comido tanto nos últimos dias.

Dorcas já tinha se livrado de todas as fotos que tinha reunido e mostrado a ele, pegando, finalmente, a cadeira, e sentando-se à sua frente. James perguntou-se o que a Ordem tinha contra sentar direito, já que ela preferiu sentar-se de lado.

— Mas você deve se lembrar de como eles morreram, você esteve lá! — exclamou Dorcas — No rio Ouse também.

— Você é louca! — disse James, enojado.

— Eu não atingi uma criança com um feitiço de ácido — ela deu de ombros.

— Mas não hesitaria em matar uma, caso estivesse escondendo um assassino.

Dorcas ergueu as sobrancelhas.

— Assassino? — ela repetiu — E quem seria o assassino? Vocês? Nós? O Ministério? Os trouxas?

James não respondeu, não confiando em sua garganta, naquele momento.

— Eu gostaria de saber o porquê de Fenwick não estar em seu lugar — aquela era a primeira vez que James via Dorcas falar com tanto sentimento — Ele era um cara legal. E um bom guerreiro, assim como os gêmeos Prewett. Eles eu ainda entendo, tinham uma irmã, seriam um estorvo, mas Fenwick era solteiro, e você não é.

Novamente, James manteve-se em silêncio, principalmente por não entender sobre o que ela estava dizendo, embora sentisse que a resposta estava bem próxima.

— Por que Pettigrew está tão interessado em tirá-lo daqui? — perguntou Dorcas, o seu rosto bem próximo do rosto de James.

— Ele acha que eu posso dizer quem é o traidor — disse James.

Os olhos de Dorcas arregalaram-se minimamente, antes de voltar ao normal. Se James não estivesse tão acostumado a reações minimalistas de sangues puros, não poderia ter identificado isso.

— Entendo — ela disse, apática — Acho que o nosso tempo acabou.

— Quem será o próximo? — perguntou James, fingindo animação, mas sendo ignorado.

— Você engolirá tanto as suas palavras. E eu estarei aqui para assistir isso, de camarote.

Ela sorriu vingativa, antes de sumir na neblina.

James abaixou a cabeça, e esperou. Esperou. Esperou.

Esperou muito, até que a marca ardeu novamente, acordando-o de um sono que ele nem sabia que tinha caído.

— Você a matou!

A voz de Voldemort soava irada e tempestuosa, contra aquela a quem ele nunca tinha sequer olhado atravessado. Bellatrix estava no foco da ira de seu mestre mais querido, e ela nunca esteve naquela posição.

— Milorde... — Bellatrix engoliu em seco.

Os seus cabelos grudavam em seu rosto suado, seus olhos estavam arregalados em sua expressão amedrontada, sob a mira da varinha de Voldemort.

— Você sabia que ela estava em meus planos! — ele disse, enfurecido — Marlene McKinnon não deveria ter sido morta!

— Mas, milorde, ela...

— Você a matou contra as minhas ordens! Você me desobedeceu!

— Não! Milorde! Por favor! Deixe-me explicar!

— Crucio!

O grito de Bellatrix acordou-o, e ele viu outra pessoa no cômodo.

Remus Lupin notou quando James acordou, mas manteve-se em silêncio, deixando o prato sobre a mesa, sem dizer uma palavra que fosse.

— A animagia te ajuda? — perguntou, depois de um tempo — O seu lorde sabe que é animago?

James respirou fundo, percebendo que não sabia a resposta para essa pergunta.

— Que pergunta! — Remus murmurou para si mesmo — É claro que ele sabe. Vocês contam tudo a ele.

Ele deveria humilhá-lo, mas não conseguia.

O seu ódio acontecia por terem apoiado a Evans, e não a ele, não por serem traidores do sangue ou lobisomens.

Como que Voldemort deixou um detalhe tão importante passar em branco?

Como que seu ódio aumentou ao ponto de assassinar outros nascidos trouxas, como forma de atacar Lily Evans?

A última pergunta logo foi descartada, mas a primeira ainda permanecia em sua mente.

Por que Marlene McKinnon era tão importante para Voldemort?

Como que Bellatrix foi capaz de ignorar uma ordem direta de seu lorde, movimentada por seu ódio?

Lembrou-se do que Dorcas disse, horas antes.

— Eu gostaria de saber o porquê de Fenwick não estar em seu lugar.

Ele poderia ter respondido facilmente, mas sentia que nenhuma resposta que desse estaria certa, ou faria sentido àquela reflexão.

Era Screw-Doe! Ele queria entendê-la?

— Peter virá logo — disse Remus — Fico feliz que consigam se entender.

Ele não parecia muito feliz por isso, mas James não comentou.

— Eu não tenho nada contra vocês — ele decidiu dizer, sem conseguir controlar-se.

— Acho que eu já sei por quem você tem algo contra — disse Remus, assentindo — Só me falta compreender o motivo.

Assim que Peter surgiu, Remus deixou-os sozinhos.

— O que ele queria? — perguntou o rato, nervoso.

— Só veio me trazer a comida — James olhou para o prato.

— E esqueceu de tirar suas amarras — disse Peter, dando uma risada seca, antes de ele mesmo fazer isso.

— Como foi a reunião? — perguntou James, decidido a manter a punição de Bellatrix, e todas as outras informações confusas que ele descobriu nesse tempo, consigo.

— Milorde tem um plano — foi apenas o que ele respondeu — Não se preocupe. Não ficará aqui por muito tempo!

— Não, Peter! Você precisa falar para ele! Eu quero ficar aqui.

O bruxo afastou-se, assustado, sem ter terminado de tirar as cordas de seus pulsos.

— Não desse jeito, seu idiota — disse James, sem conseguir controlar-se — Mas eu posso ser um espião também!

Eu já sou um espião! — disse Peter, na defensiva — Lorde das Trevas não precisa de outro!

— E se você for descoberto? Seja racional! — tentou convencê-lo — E milorde tem muitos espiões, em todos os lugares! Qual é o problema de eu ser apenas mais um?

— Milorde tem muitos espiões em qualquer lugar, mas não na Ordem.

James ficou em silêncio, observando como o amigo voltava à tarefa de retirar as suas amarras, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

— Você está com medo? — ele perguntou, sem conseguir deixar um tom debochado surgir em sua voz — Fala sério, Pete! Somos amigos! Poderemos compartilhar informações entre nós, filtrar o que é certo...

— Não me chame de Pete! — disse Peter, dando uma guinada brusca e, finalmente, soltando-o, enrolando a corda em um canto — Você é sempre o melhor em tudo. Já é o favorito do Lorde! O que você quer mais?

James observou como ele caminhava pelo espaço limitado, pegando a cadeira de um canto.

— Essa é a minha missão — Peter continuou a dizer, eufórico — Eu entrei no grupo dele por causa dessa missão! E eu não vou compartilhá-la ou abrir mão dela. Eu só não fui expulso de lá ainda por causa disso! Só tenho um pouquinho de respeito lá por causa disso!

Quando ele falou sobre ser expulso de lá, James entendeu bem o significado daquelas palavras.

Ninguém desistia de ser um Death Eater.

Ou você era morto, ou você era preso.

Não havia forma de cair fora, depois que entrasse.

Se Peter já estava por um fio lá, significava que ele não teria muita utilidade para a causa, caso não permanecesse como estava, ou melhorasse.

— Foi só uma ideia! — disse James, desviando o olhar — De qualquer forma, eu farei o que o Lorde das Trevas decidir.

Peter pareceu acalmar-se depois de sua resposta, aproximando a mesa à James, tentando não derrubar gota alguma de água que entornava o copo de vidro.

— Então, eu espero? — perguntou James.

— Sim, não faça nada — ele respondeu.

Nos próximos momentos, James concentrou-se apenas em se alimentar, como não fazia nos últimos dias, como Dorcas fez questão de frisar.

— Isso vai acabar — disse Peter, respirando rápido demais — Isso vai acabar. Muito em breve. Você voltará para nós.

— Está tudo bem contigo? — James atreveu-se a perguntar, observando de cima a baixo, o copo a poucos centímetros de sua boca — Parece...

— Estou! — ele respondeu — Eu só... Eu só estou esperando.

— Será essa noite? — o copo já jazia esquecido, de volta à mesa.

— Eu não consegui essa informação. O Lorde não confia em mim o suficiente.

Uma nota de reclamação era entendida nessa última oração, embora Peter jamais a deixaria escapar perto de outros Death Eaters. Novamente, era como se o outro assunto não tivesse terminado, como se estivesse bem longe disso.

— Quantos dias você ficou aqui? — Peter perguntou, de repente.

— Bem, eu acredito que... Uma semana? — a sua resposta parecia mais uma pergunta, que ele não confirmou, apenas assentiu, parecendo satisfeito com a estimativa.

— Certo, uma semana...

A atitude nervosa do colega já estava irritando a James, e ele resolveu que iria ignorá-lo, voltando a concentrar em sua refeição, aproveitando que não tinha outros membros da Ordem por perto para perturbarem a sua paz.

Alguns passos apressados no andar de cima fez James perder a sua convicção anterior, e perguntar:

— Está tendo uma reunião?

Peter não pareceu ter escutado, e ele bufou, descontente.

— A essa hora... — Peter murmurou para si mesmo.

Passos pesados e sem cuidado algum ao pisar no chão desceram as escadas para o porão. Alice surgiu em uma curva do corredor, mas Frank apareceu logo atrás dela, parecendo contrariado por sua descida.

— Reunião, agora! — trovejou Alice, mostrando que seu rosto angelical era apenas uma pequena parcela de sua real personalidade.

— O que houve? — perguntou Peter, agitado — Algum ataque?

Frank olhou desconfiado para ele, colocando uma mão em um dos cotovelos de sua esposa.

— Bem, o objetivo de uma reunião de emergência é justamente informar o que aconteceu, Pettigrew — ela disse, secamente — E não perder tempo, pois temos que agir rápido!

O casal caminhou apressado na mesma direção de onde vieram.

— Ah! — Alice parou no meio do caminho — E leve-o também. Ordens de Dumbledore.

James observou como eles sumiram, antes de virar-se para ele.

— O que está acontecendo? — ele perguntou.

Peter apontou a varinha para as cordas jogadas no chão, fazendo com que se amarrassem novamente aos pulsos de James.

— Eles não queriam deixar-me entrar! Como que mudaram de ideia do nada? — ele insistiu.

— Escutou o que ela disse, precisamos ir — foi apenas o que Peter disse, posicionando-se por trás dele, para manter as aparências — Vamos!

James seguiu cegamente pelo caminho, sendo guiado, às vezes, por puxões e empurrões de Peter. Assim que saíram do porão, ele precisou esforçar-se para manter os olhos abertos, já que a claridade era bem maior lá em cima do que no porão.

— Ótimo! — resmungou Dorcas, fechando a porta do corredor bruscamente, e James viu que se camuflava à parede da casa — Vamos!

Podia confiar em Peter para ficar por trás dele, mas não em Dorcas. De qualquer forma, Peter não discutiu, indo à frente, enquanto que Dorcas tomava o seu lugar, a varinha incomodando as costas de James.

— Fique de boca fechada — Dorcas aproximou-se de seu pescoço, sussurrando — Não olhe torto, não se atreva a xingar qualquer pessoa nessa sala.

James ficou em uma cadeira mais afastada dos outros, o que não era uma posição muito favorável para os restantes, mas Dorcas estava com a cadeira virada na direção contrária, a varinha bem firme em sua mão, e o olho mágico de Moody estava bem fixo nele, já invisível em sua órbita.

— Eu digo que deveríamos ter forçado um pouco mais a barra — Moody disse a Dumbledore, sem esforçar-se muito para ser discreto.

— Não é hora para falarmos sobre isso — disse Dumbledore.

Todos estavam esperando por alguém, e James acreditou ser Evans, já que não a via por lá, até que Sirius e Remus entraram na sala, sob os olhares de expectativa de todos.

— Nada — disse Remus, enquanto que Sirius engolia em seco.

— Sentem-se! Sentem-se! — Alice disse, bem mais amável do que foi com ele.

Ela tentou levantar-se, mas Frank parou-a no meio do caminho, conjurando duas cadeiras e, sob o olhar suplicante da esposa, dois copos de água para os bruxos.

— O que aconteceu? — perguntou Dumbledore.

— Ela recebeu uma carta de Mary Cattermole, uma amiga de colégio dela — Remus começou a explicar — Com toda essa guerra, Mary acabou se afastando por medo, foi morar na fazenda dos pais com seu esposo. Acho que ela está grávida também...

— Ela foi para lá! — disse Sirius, levemente histérico — Deixou um aviso para mim e para Remus, e foi!

— Ela é louca? — perguntou Dorcas, incrédula.

— Edgar foi com ela — Alice sussurrou, mas a sua voz foi audível para todos.

— E onde está Edgar? — ela, novamente, perguntou.

Ninguém respondeu.

— Ele não foi morto! — disse Dorcas, procurando a resposta em seus rostos mudos de preocupação.

— Não! — tranquilizou-a Caradoc — Ele está sob os cuidados de Arabella.

Isso foi o suficiente para terem uma noção do que ocorreu.

— O que eles querem? — perguntou Frank, ajeitando-se em sua cadeira.

Dumbledore ergueu o olhar para Frank, e todos olharam para James.

— Não temos escolha — disse Sirius.

— O quê? — perguntou Moody, incrédulo — Não temos escolha? Sempre há uma escolha, rapaz!

— Vocês não entendem — Alice negou com a cabeça.

Todos estavam pendentes de suas palavras.

— Ninguém precisou me contar, está bem? — Alice olhou para Remus e Sirius, suspirando triste — Lily está grávida.



Notas finais do capítulo

Sim.
Lily foi sequestrada.
Esse acontecimento ia demorar um pouquinho mais, mas eu não consegui tirar essa ideia da minha cabeça. James voltará para Voldemort tão cedo? Como que conseguirão recuperá-lo novamente? Descubramos nos próximos capítulos...

Sobre o lance da Marlene: sim, Voldemort queria usá-la para o mesmo propósito de James, mas Bellatrix a matou. Não era para ela ter feito isso, e ela está sendo castigada.
E, novamente, sobre Marlene: eu não ia colocá-la como melhor amiga de Lily nessa fanfic, no começo, mas eu decidi que não dá, cara. A Mary é uma nascida trouxa, e ela não estava na Ordem da Fênix, então eu coloquei-a aí mesmo, e dane-se haha
Eu não ia matá-la também, mas eu não encontrei outra forma de James ser capturado. Não sei se já lhes disse isso, mas o Remus iria aprontar uma com os lobisomens, e James iria ser mandado para resolver o problema, só que com a última visita de Voldemort, Remus foi retaliado, então não tinha mais como isso acontecer.
Essas notas estão muito longas, socorro!

Para finalizar, o link da minha outra fanfic: https://fanfiction.com.br/historia/720160/Precisamos_Falar_Sobre_James/

Nos vemos nos próximos capítulos!
Não esqueçam de conferir o Tumblr de DM (link nas notas da história). A última atualização teve em torno de 6 gifs editados, e acho que um deles será bem interessante para vocês.
Aceito teorias ♥