Dépendance escrita por KarenAC


Capítulo 28
Capítulo 28 - Traição




O ódio dos fracos não é tão perigoso como a sua amizade.

Luc de Clapiers Vauvernagues

 

 

"Eu acho que a Miraculous tá envolvida com a Papillon."

 

Adrien ergueu-se rapidamente, distribuindo passos de um lado para outro como um animal enjaulado que tinha algo em seu encalço a lhe perseguir, a lhe assombrar. Marinette o acompanhou com os olhos em silêncio, vendo a expressão dele mudar milhões de vezes. Ele parecia avaliar o que falar, o que responder, escolhendo palavras dentro de sua cabeça que não achava.

"Adrien." Marinette chamou em um murmúrio, mas ele não atendeu.

Dezenas de coisas passavam pela cabeça de Adrien. Centenas. Milhares. Milhões. Meses. Anos. Sangue. Culpa. A necessidade urgente de sair de onde estava surgiu; não conseguiria terminar aquela conversa com Marinette, as memórias eram pesadas demais para ele aguentar. Ergueu as mãos para a cabeça e esfregou-as nas mechas loiras, bagunçando ainda mais os cabelos úmidos da chuva. Sentiu a cabeça latejar e um gosto amargo subir-lhe pela boca.

"Adrien." Marinette chamou de novo, a voz um pouco mais alta, percebendo que a respiração dele começava a ficar mais acelerada. Ela já vira aquilo acontecer antes, o olhar que mudou sob a máscara de Chat Noir aquela noite na garagem, o olhar que esqueceu até mesmo de quem ela era.

"Adrien!" ela gritou mais uma vez, fazendo-o parar sobre os calcanhares.

"De onde você tirou isso?" Adrien paralisou e jogou um olhar fulminante para Marinette "De onde você tirou isso!?" a pergunta repetida virou um grito e o brado ecoando pelas paredes altas fez a garota encolher-se.

"Eu não sou a inimiga aqui, Adrien." o corpo dela ainda estava contraído, mas o olhar era firme e corajoso.

"Como eu posso ter certeza?"

Estava feito. A frase deslizou pelo meios dos lábios de Adrien como uma cobra sorrateira, pronta para dar o bote em quem quer que fosse que estivesse à frente dele. Todavia, naquele momento, a vítima escolhida era a pessoa que ele menos queria machucar. E agora era tarde demais. A desconfiança natural dele começava a aflorar novamente, mais uma vez levando-o ao passado, onde fora traído tantas vezes e descobrira tantas conspirações por baixo dos sorrisos de quem lhe cercava que cicatrizes mais profundas do que seus próprios traumas foram esculpidas na sua mente.

As mãos dele estavam fechadas em punhos cerrados sobre as pernas ajoelhadas. Levou muitos minutos até ter coragem de erguer os olhos e encarar Marinette novamente depois do que havia falado e do silêncio aterrador que preencheu cada canto da garagem que antes Adrien considerava um santuário. Quando seu par de olhos verdes encontrou as íris azuis de Marinette, o garoto de cabelos loiros arregalou os olhos em surpresa ao ver a expressão no rosto dela.

"Eu não sei qual o problema com você. Eu tô aqui tentando te contar o que aconteceu e você tá aí cheio de defesas erguidas." Marinette estava sentada sobre o colchão, os dedos pressionando o lado das costelas que beliscava como uma agulhada a cada palavra proferida em voz alta, mas o rosto transparecia certeza e seriedade. Ela não estava abalada. Não estava triste. Estava confrontando-o de igual para igual. Suspirou profundamente e acrescentou "Você precisa seriamente aprender a confiar nas pessoas, Adrien."

Adrien demorou um tempo para entender o que estava presenciando. Depois de tantos anos longe de Marinette não imaginava que ela havia mudado tanto, não acreditava que poderia ser possível. Mas ali, à frente dele, estava mais uma grande prova que aquela garota não era mais a menina que ele havia deixado para trás. Ela havia se tornado uma mulher decidida e forte. Ela era realmente a Ladybug. O olhar dos dois não se largou por vários segundos até que Adrien abaixou a cabeça e a sacudiu negativamente.

"E você precisa seriamente aprender a não falar sempre as coisas certas." ele a olhou por baixo das sobrancelhas curvadas com o canto de um dos lábios erguidos "Desculpa por ser do jeito que eu sou."

Adrien não baixou a cabeça ao se desculpar. Aquele era um pedido sincero, e precisava que ela não duvidasse. Ele sabia dos próprios problemas e sabia da dificuldade que tinha em confiar nas pessoas, mas não queria que aquilo deturpasse sua imagem aos olhos de Marinette. Aquele era o Adrien Agreste do passado. Não queria voltar àquilo. Por conta disso, respirou fundo e acrescentou:

"Me conta o que aconteceu. Eu prometo que vou ouvir." Adrien ergueu o queixo, encorajando –a a falar.

Marinette não conseguiu conter o sorriso ao ouvi-lo. Eles podiam se entender. As coisas iam dar certo. Era só ela ser forte. Era só eles seguirem em frente. Então, como se nada tivesse acontecido, ela começou a contar o que passara.

"Quando eu saí ontem da Miraculous, a Papillon me ligou falando que tinham capturado a Alya. Foi uma ameça pra que eu tomasse uma decisão rápida, então eu liguei de volta dizendo que estava pronta para entrar na Papillon se em troca liberassem a Alya, e aí eles me deram o endereço da base onde ela estava para nos encontrarmos."

Marinette começou enquanto olhava para o teto da garagem, lembrando do que havia ocorrido mais cedo. Não queria ver a expressão de Adrien enquanto falava. Desconfiava que os dois voltariam a discutir por ela ter agido por impulso, então preferiu continuar sem manter contato visual.

"Quando cheguei lá, o lugar estava menos guardado do que eu imaginava. Entrei pela porta da frente, me receberam como se eu fosse uma convidada de honra. Disseram que me mandariam os detalhes dos trabalhos assim que precisassem de mim. Disseram que eu não precisava sair da Miraculous, que eles preferiam que eu continuasse os meus afazeres naturalmente, para que ninguém suspeitasse de nada."

"A Papillon costuma fazer isso com os seus empregados novos. Eu sei bem disso." Marinette ouviu Adrien complementar, mas ainda não queria olhar na direção dele, então esfregou os dedos das mãos cruzadas sobre o abdome uns nos outros para se distrair.

"Eu entrei, peguei a Alya pela mão e estava prestes a sair quando ouvi uma conversa atrás de uma porta em um dos corredores." Marinette fez uma careta de dor "Eu devia ter saído, devia ter feito de conta que não ouvi, mas acabei parando."

"O que você ouviu?" Adrien aproximou-se em expectativa.

"Eram duas pessoas conversando. Dois homens. Um deles dizia que estava feliz que eu finalmente havia decidido me juntar à organização. Que a Papillon cresceria se eu estivesse do lado deles. Então o outro falou que era natural que uma hora isso acontecesse, já que eles já tinham controle de quase toda a Miraculous, e que era só uma questão de tempo até que o último dos quatro da Miraculous francesa passasse pelas mãos deles."

Adrien levantou-se rapidamente, os olhos arregalados na direção de Marinette.

"O último dos quatro?" ele murmurou e Marinette sacudiu a cabeça positivamente.

"Pelo que eu fiz as contas seria você, eu e-"

"Ou o Plagg ou a Tikki." Adrien completou devagar, como a última frase de uma maldição.

"Eu entrei em pânico quando ouvi isso, perdi o controle. Queria saber quem era, precisava saber. Queria respostas, mas devia saber que eles não as dariam de graça." Marinette colocou as mãos sobre o rosto, arrependendo-se de sua decisão "Eu devia ter sido mais diplomática, devia ter tido mais cuidado. Chamaram reforços, obviamente, pra me controlar." ela gemeu entre as mãos que pressionavam a testa dolorida "Por pouco não fiz a Alya se machucar no meio de tudo, por pouco eu não-" ela puxou o ar e sentiu uma dor aguda do lado direito do peito, sem conseguir terminar o que estava falando.

"Você quebrou uma costela. Talvez duas." Adrien cruzou os braços na frente do peito enquanto ajeitava-se sobre os joelhos ao lado do colchão "Não foi esperto, Marinette. Não foi nada esperto."

"Eu sei que não. Não precisa me dizer isso, seu idiota." Adrien teve que se segurar para não rir com o xingamento. Conhecia Marinette o suficiente para saber que ela perdia a calma sempre que perdia a razão.

"Marinette, você sabe por que a Papillon te ligou ontem?" ele perguntou calmamente.

"Acho que não queriam mais esperar a minha demora em dar uma resposta, sei lá." Marinette deu de ombros e observou enquanto Adrien sacudia a cabeça negativamente.

"Isso não é típico da Papillon. Eles construíram o império deles lentamente, com muito cuidado. Essa impaciência não é comum da parte deles."

"Mas então-"

"Tenta lembrar, Mari." Adrien inclinou-se para frente, a expressão ansiosa "O que aconteceu ontem antes de te ligarem?"

Marinette franziu a testa e levou a mão à boca, mordendo a unha do polegar, pensativa, rebobinando os eventos da noite anterior. As memórias ainda eram um tanto confusas por causa da forte dor de cabeça que crescia em suas têmporas.

"Eles me ligaram quando eu estava em casa" ela estreitou a visão, como se tentasse enxergar algo ao longe "Antes disso... Eu tinha ido na Miraculous."

"E o que aconteceu lá?" ele incentivou que ela continuasse.

"Se você sabe por que não me fala logo? Minha cabeça tá doendo, poxa!" ela fez uma careta, indignada.

"Porque eu não quero que você ache que eu tô colocando coisas na sua cabeça. Não quero que você ache que eu tô condicionando as suas ideias. Quero que você pense e perceba por si mesma." Adrien olhou-a com intensidade, esperando o raciocínio dela.

"Nós discutimos. Eu, você e a Tikki." Marinette murmurou desconfortável.

"E por quê?" Adrien inclinou-se ainda mais na direção dela, os olhos verdes tentando transmitir as lembranças, os braços ainda cruzados com força.

"Porque você disse que eu não deveria me meter com a Papillon, mas o Plagg e a Tikki disseram que..." a voz de Marinette foi baixando de volume até desaparecer, antes mesmo de terminar a frase. Ela levou as duas mãos à boca e tapou-as, tentando impedir as palavras que ainda continuaram escorrendo pelo meio de seus lábios "...eu era capaz de me infiltrar, que você estava exagerando."

Adrien respirou fundo e descruzou os braços, fechando os olhos enquanto acenava positivamente com a cabeça e se inclinava para trás.

"Eles te colocaram de propósito contra mim. Você acha que eles armaram-"

"Não os dois." Adrien contestou "Mas acho que sim, um deles armou, e o outro foi concordando por costume e confiança." ele franziu a testa, sentindo uma angústia se alojar no fundo de seu estômago.

"Mas qual deles?" Marinette arregalou os olhos "Qual deles começou? Eu não lembro!" ela tentou pôr-se de pé, esquecendo sua condição física, e uma dor intensa percorreu seus músculos, fazendo-a retorcer o rosto em agonia.

"Eu não sei." Adrien colocou uma mão no tórax de Marinette e a outra em suas costas, fazendo-a se deitar novamente. Ela não conseguiu retrucar. Ele soava tão calmo que chegava a ser assustador, e ela pensou em quantas vezes ele já havia se deparado com aquele tipo de situação enquanto trabalhava na Farfalle "Não sei o que aconteceu até hoje, mas daqui pra frente, precisamos medir nossos passos."

"E o que nós vamos fazer agora? Se isso é mesmo verdade, não sabemos em quem podemos confiar." Marinette falava enquanto se deitava, começando a pensar que Adrien não estava totalmente errado em duvidar de tudo à sua volta.

"Eu não sei. Não sei mesmo. Mas vamos pensar em algo. Pelo menos você pensou em vir aqui antes de ir lá peitar os dois." ele sorriu em alívio.

"Eu não podia pedir ajuda na Miraculous, e não podia arriscar que você fosse pra lá antes que eu te achasse." Marinette suspirou devagar para não sentir mais uma vez a mesma dor nas costelas "Não sei o que vai acontecer agora, Adrien. Não dá pra acreditar que isso tá acontecendo. E se for tudo um engano? Se for um mal-entendido?"

Adrien fechou os olhos e baixou a cabeça, flexionando ainda mais os braços já cruzados. Considerava Plagg e Tikki pessoas que haviam lhe ajudado muito, principalmente quando estava envolvido na Farfalle, mas tudo o que havia acontecido ao longo dos anos lhe ensinara a não entregar sua confiança totalmente a ninguém.

"Esses homens que estavam conversando, eles sabem que você ouviu eles?" Adrien perguntou enquanto fitava a garota deitada.

"Não, acho que não. A confusão foi muito grande pra que eles tenham prestado atenção nisso." Marinette voltou o olhar na direção de Adrien e viu que a expressão dele relaxou com a resposta.

"Então não vamos fazer nada precipitado. Vamos seguir com o planejado." Adrien ergueu a manga do moletom que usava e baixou os olhos para o relógio de pulso.

"Que planejado?" ela virou o rosto na direção dele.

"Nós vamos quebrar a Papillon." Adrien puxou o canto dos lábios em um sorriso malicioso e Marinette enxergou Chat Noir sem a máscara.

"Mas você disse que não era pra eu me meter com eles, que você faria tudo sozinho. Deu um chilique quando o Plagg e a Tikki sugeriram que eu me infiltrasse lá." Marinette ergueu uma sobrancelha, não entendendo a sugestão de Adrien.

"Acho que a gente precisa um do outro mais do que nunca agora. Já te subestimei demais. Além do mais, você não vai sozinha." Adrien apoiou as mãos nas coxas e levantou-se do chão.

"O quê?" Marinette arregalou os olhos na direção do rapaz.

"Nós vamos juntos. Eu vou voltar com você para a Papillon."

"Adrien-"

"Não, não é negociável, Mari. Se você for, eu vou junto. Se a gente quer ir a fundo nessa história, o único jeito é quebrando eles de dentro pra fora, como eu fiz com a Farfalle." Adrien olhou para Marinette fixamente.

"O que aconteceu?" Marinette enrugou a testa, indecisa se queria mesmo saber a resposta.

"Eu destruí. Destruí tudo." a voz dele era baixa, as palavras carregadas de rancor "Me infiltrei lá dentro e pulverizei aquele inferno, bem debaixo dos narizes deles." Adrien puxou o canto de um dos lábios em um sorriso e Marinette trancou a respiração em choque ao notar o vislumbre de loucura que atravessou os olhos de Adrien.

Um trovão irrompeu do lado de fora, distante e grave, uma última nota de despedida da tempestade que agora terminava, chacoalhando a grande janela do cômodo onde eles estavam e fazendo algumas peças de metal tilintarem no andar de baixo. Alguns minutos depois, tudo ainda era silêncio. Marinette fitava Adrien, mas o olhar dele desviava para algum ponto do lado de fora da janela, onde a luz da lua começava a entrar pelos grandes vidros da garagem.

"Você acha que eles vão te aceitar?" o murmuro de Marinette quebrou o silêncio.

"O Adrien? Não." um ar de deboche cruzou o rosto do rapaz "Mas o Chat Noir, é outra história."

"Eles vão querer saber quem você é. Vão acabar descobrindo, Adrien."

"Isso não é sobre mim, Marinette." A voz dele ficou rouca, quase em tom de repreensão "É sobre você, sobre colocar a sua vida de volta nos eixos. E sobre a Miraculous, sobre descobrir o que estão escondendo da gente." Adrien baixou a cabeça e olhou para o relógio de pulso mais uma vez, com um sorriso triste cruzando os lábios "A minha vida já tá perdida demais pra eu tentar recuperar qualquer coisa."

A última frase foi quase inaudível, mas Marinette ouvia bem o suficiente para entender com clareza o que ele havia dito. Uma ponta de dor cruzou o peito da garota, mas aquela sensação nada tinha a ver com as costelas quebradas. Sabendo que discutir seria inútil, ela respirou o mais fundo que a dor permitia e fechou os olhos. No meio do silêncio, um bipe musical ecoou, chamando os dois de volta à realidade.

"O que foi isso?" Marinette perguntou, olhando para Adrien que puxava o celular do bolso.

"É o Nino. Ele acabou de chegar no aeroporto." ele batia os dedos no teclado virtual na tela do aparelho, digitando algo.

"Nino?" ela franziu a testa, tentando lembrar do nome.

"Você vai conhecer ele hoje. É um amigo, uma das únicas pessoas em quem eu posso confiar."

Ao ouvir falar em confiança e amizade, Marinette pensou em Alya. Havia feito a amiga passar por tanta coisa e as duas sequer haviam conversado depois de tudo. Confiava na amiga mais do que em qualquer pessoa, talvez até mais do que em Adrien, mas tinha medo de envolvê-la mais ainda naquela situação, se é que era possível. A incerteza de como agir a fez suspirar.

"Mari, quanto você confia na Alya?" Adrien perguntou sem tirar os olhos do celular, fazendo Marinette sobressaltar-se com a pergunta.

"Você lê pensamentos agora?" ela o olhou de canto, desconfiada, mas Adrien riu tão descontraidamente que Marinette relaxou.

"Não que eu saiba, mas considerando a situação em que estamos, seria uma boa habilidade pro momento." Adrien terminou de digitar e ergueu os olhos para ela, aguardando uma resposta.

"Eu confio demais na Alya. Ela é minha melhor amiga desde que éramos crianças. Foi quem sempre esteve do meu lado quando eu mais precisei." Marinette não pôde deixar de sorrir ao perceber o quanto aquilo era verdade.

"Então tá decidido." Adrien pressionou a tela do celular que ainda tinha na mão, levando-o ao ouvido a seguir.

"O que você tá fazendo?Marinette acompanhou com os olhos, sem entender direito o que estava acontecendo.

"Praticando minha confiança."Adrien inclinou a cabeça na direção dela, o semblante calmo pedindo paciência "Alya? É o Adrien." Marinette arregalou os olhos e entreabriu os lábios para protestar, mas era tarde demais "Ela tá bem sim. Quer dizer, na medida do possível. Quero que você venha nos ajudar, e também temos umas coisas pra conversar." ele fez uma pausa.

"É, sobre isso também. Mas primeiro preciso de um favor seu. Tem um amigo meu chegando em Paris e ele tá no aeroporto esperando que eu vá buscar ele, mas não quero deixar a Marinette sozinha aqui, será que você pode encontrar ele e irem juntos pro endereço que eu vou mandar por mensagem?" Adrien fez outra pausa "Sim, o nome dele é Nino. Vou dizer pra ele esperar em frente à banca de revistas do aeroporto, e estou enviando junto o número do celular dele pra você ligar quando chegar lá."

"Diz pra ela passar lá em casa e trazer umas mudas de roupa pra mim." Marinette falou alto, esperando que Alya ouvisse, e Adrien gargalhou, tapando o microfone do celular para responder.

"Ela disse que não é tua empregada." Adrien ainda ria quando Marinette fez um beiço e virou o rosto em uma careta indignada "Ela tá brincando, disse que traz sim. Que vai usar a chave extra que você esconde embaixo do tapete da porta de entrada." ela franziu a testa, um misto de dúvida e indignação por não ter descoberto antes que ela guardava uma chave bem ao alcance dele, mas seguiu conversando com Alya "Tá bem, a gente se vê daqui a pouco."

"Você podia ter pedido pra ela vir ficar aqui comigo e você mesmo buscar o Nino." Marinette sugeriu enquanto ele guardava o celular de volta no bolso.

"Podia, mas nós não vamos ficar aqui." Adrien ergueu-se do chão, bateu a mãos nas calças sujas de poeira e juntou aos pés do colchão uma calça e um moletom escuros e estendeu para Marinette "Se veste, nós vamos pra outro lugar."

"Pra onde? Pra Miraculous?" Marinette levantou-se vagarosamente e Adrien estendeu a mão para ela ajudando-a a erguer-se.

"Não. Nós vamos para um lugar onde não piso há anos. O lugar que vai ser nosso novo quartel-general daqui pra frente até que as coisas estabilizem."

Quando ele terminou de falar, Marinette soube exatamente a que lugar ele se referia. Ela ficou em silêncio, pois qualquer palavra naquele momento tornaria as coisas ainda mais pesadas do que estavam sendo.

As sobrancelhas de Adrien estavam curvadas sobre os olhos e da testa brotavam pequenas gostas de suor. Ele parecia estar com dor, mas Marinette sabia que aquele sofrimento não era físico. Era muito mais profundo e muito mais antigo, e sabia o quão seria doloroso para ele depois de todos aqueles anos retornar àquele lugar cheio de memórias e dores do passado.

Ela sabia mais do que ninguém como seria difícil para Adrien retornar à mansão Agreste.



Notas finais do capítulo

Espero que gostem, muita coisa vai acontecer agora nos últimos capítulos que vão costurar o resto da história.

Vocês já tem suas teorias? Me contem, quero saber ♥



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