Você pode seguir sozinho? escrita por Marianna Santos


Capítulo 1
No caso de um reencontro...


Notas iniciais do capítulo

Oii! Essa é a minha primeira fanfic de Clarêncio, eu devo admitir que não tenho muita experiência com este tipo de categoria, porém, o importante é tentar não é? Eu espero que gostem!



Por quanto tempo mais eu precisaria esperar para ver todos eles outra vez? Não aguento mais estas intermináveis férias, eu quero tanto ver os meus melhores amigos outra vez.

— Clarêncio, você já arrumou o seu quarto?  – a minha mãe perguntou, revirando a comida na geladeira. 

— Ahh... Já.  – resmunguei. Ela me olhou incrédula por segundos, até remexer nos utensílios da cozinha. Faz meses que não vejo Jeff ou Sumo, ambos viajaram com a família, e eu fiquei por aqui em Aberdale longe deles. Comecei a lembrar das enrascadas que nos metíamos quando crianças, por alguma razão não me arrependo de nada. 

— Animado, Clarêncio? Seus amigos voltam hoje de viagem, não é?  – minha mãe tentou me animar. Abri um sorriso forçado e levantei do sofá.

— Só o Jeff. Bom, acho que vou até a casa dele esperar. 

— Não chegue muito tarde.

Peguei meu casaco sobre a cabeceira do sofá e saí. Vai ser bom matar a saudade, pelo menos de um dos meus amigos por enquanto. Eu não vejo a hora de chegar segunda-feira, e assim irmos todos juntos ao primeiro dia de aula depois das férias, como nos velhos tempos. Chutando as pedrinhas no meio do caminho, penso sobre a vida. Sobre como está tudo tão diferente.
Me sentei num banco do ponto de ônibus, e fiquei parado ali por algumas horas. Com profundas e demoradas encaradas ao relógio de pulso, eu vou me cansando de esperar.

— Olha quem está aqui. O bom e velho Clarêncio.  – murmurou ao meu lado a voz cadenciada de uma pessoa agitada. 

— Oi, Chelsea.

— O quê faz aqui? Ah, me deixe adivinhar. Está esperando um dos seus amiguinhos, né?  – ela questionou, estando até certa na adivinhação. Convencida de sua resposta, ela joga pra trás o cabelo cacheado e larga um sorriso enorme, de orelha a orelha. 

— Quem você está esperando, otimista?

— Jeff.

Ela suspira demonstrando frustração. Ela queria muito ver o Sumo, eu acho.

— Sinto muito por vocês.  – eu disse em voz baixa. Ela olhou pra mim de forma desconfiada.

— O quê?

— O seu namoro com o Sumo. Vocês não terminaram?

Chelsea balançava suas pernas de um lado para o outro, com a mão no queixo.

— Ah, sim.  – ela sussurrou. Eu não queria ter tocado nesse assunto, até porque faz pouco tempo que isso aconteceu.

— Vai ficar tudo bem.  – reconfortei-a. Chelsea abaixou a cabeça num demorado suspiro, e se recompôs mais rápido do que eu esperava.

— Que horas o Jeff vai chegar? Posso ficar esperando com você, Clarêncio.

— Obrigado, Chelsea, mas não precisa se não quiser.

Ela se sentou do meu lado e começou a mexer no telefone. Não sei, ela ainda parece não se conformar. Ela amava, quero dizer, ela ama muito o Sumo. O motivo de eles terem terminado ainda me é desconhecido. 

— Aquele ali vindo não é o Jeff?  – ela apontou para a esquina, de onde ele realmente estava vindo. Me levantei do banco, em emoção.

— Jeff!!  – gritei balançando os braços. Ele não parece muito feliz. Ele ficou a centímetros do meu corpo, arfando em cansaço, segurando uma mochila pesada. 

— Você está bem? – perguntei. Chelsea se levantou do banco do ponto, com os braços cruzados e cara de desgosto. Afinal, o que tá acontecendo aqui?

— Clarêncio, o que ela tá fazendo aqui? – Jeff resmungou com a cabeça baixa e os punhos cerrados.

— Eu tenho que ir agora. – Chelsea se afastou. Jeffrey parece um pouco irritado, e eu ainda estou sem entender absolutamente nada.

— Quer que eu te leve até sua casa?

— Tá.. Você que sabe. – ele falou em baixo tom. Jeff não é assim. Alguma coisa errada está ocorrendo, e diante dos palpites, é algo a ver com Chelsea. Mas o quê poderia ser? Não creio que possa ser por causa do Sumo.

    Jeff falava de tudo o que aconteceu durante a viagem, e estava tão empolgado que chegou a me mostrar várias fotos que tirou na Califórnia. 

— Jeff, você falou com o Sumo esses dias? – perguntei, e ele emudeceu de repente. Seu rosto pálido começou a adquirir rubor rapidamente, enquanto ele abaixava sua cabeça e se virava para o lado, disfarçando.

— Eu disse alguma coisa errada?

— N-Não. Clarêncio, não vamos falar do Sumo agora, tá? – ele elevou o tom, revirando os olhos. 

— Então tá. Desculpa, Jeff.

Ele seguiu o caminho me ultrapassando, sem dizer uma palavra. Acho que essa viagem nas férias mexeram muito com a cabeça dele. Bem, mas o fato é que desde muito tempo eles dois não se entendem muito. Então não é surpresa. 

— O que é isso? — perguntei apontando para um bloco de notas na mão de Jeff.

— Nada. É bobagem, não ligue pra nada disso. 

— Como quiser. 


Jeff abriu a porta de entrada da sua casa. Limpou os pés no tapete de bem-vindos e tirou os sapatos ao entrar. O mesmo Jeff fresco de sempre.

— Clarêncio, tire os sapatos também. Não quero sujar a casa, tá?

Subimos até seu quarto. Ele apertou a almofada da cama e a posicionou perfeitamente no lugar. Pendurou a mochila num cabideiro, pôs os sapatos no canto e se deitou na cama. Me sentei do seu lado, sacudindo minhas pernas.

— Têm feito algo divertido, otimista? — ele riu. 

— Pra falar a verdade, nada de interessante aconteceu. Só fui perseguido por gansos outra vez. — eu resmunguei. Jeff se levantou e arrumou onde havia amassado o lençol, e apoiou o braço no meu ombro.

— Clarêncio. Você falou com o Sumo?

— Não consegui. Mas acho bom que ele venha amanhã da viagem.

— Hum... Eu vou falar com mamãe, não faça bagunça no meu quarto por favor.

Ele saiu e fechou a porta do quarto. O Jeff nunca abandonou essa personalidade asseada e tão cautelosa. Aqueles antigos brinquedos da nossa infância ainda estão a brilhar nas prateleiras. Me fascina ver que estão tão limpos depois de tanto tempo que passou fora. Livros, livros e mais livros. Arrumados em ordem alfabética. Discos, CD's... Toda essa organização me deixa tonto. Tem umas fotos de nós três sobre a mesinha de canto, e isso me traz umas boas recordações do passado. Entretanto, em algumas delas, parece que Sumo foi cortado da foto. Por quê?

 





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