Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 14
14. Alicerce


Notas iniciais do capítulo

Vim correndo postar esse capítulo novo porque tô atrasadérrima pra aula, hahahaha.
Espero que gostem! ♥




CAPÍTULO 14

E embora esta onda esteja nos amarrando, apenas saiba que você não está sozinho. Porque eu vou fazer deste lugar o seu lar.

Phillip Phillips – Home

 

   Os dias seguiram normalmente. Quero dizer, em partes.

   O resultado da biópsia de Vanessa ainda iria sair daqui a quatro dias, então ainda estávamos todos bem apreensivos. Eu dormi na casa de Eve para fazer companhia a elas em quase todos os dias dessa semana, pois percebia o quanto ela estava preocupada e tentava disfarçar.

   Eu e Daniel continuamos próximos, já que eu precisava ir às aulas particulares com ele. A propósito, ele era um ótimo professor de matemática. Nesses dias em que estive estudando com ele eu aprendi mais do que nunca, e me sentia mais tranqüila para fazer as próximas avaliações.

   Porém, havia um pequeno problema.

— Acho que... – comecei a falar receosa, enquanto Daniel bebia um gole de seu refrigerante. – Vou levar bomba em física também.

O quê?— ele me olhou com uma sobrancelha arqueada. – Está brincando?

   Apenas balancei a cabeça negativamente, abaixando os olhos e bebendo meu suco pelo canudinho do copo. Daniel suspirou, passando as mãos no rosto enquanto encostava-se no banco acolchoado da lanchonete.

— Você é inacreditável, garota. – ele murmurou. – Estamos conseguindo nos livrar de matemática agora e...

— Eu sei, mas física também já era um problema há um bom tempo. Ontem o professor me chamou e avisou que eu preciso estudar mais.

— Há mais alguma matéria? – ele revirou os olhos. – Assim eu me preparo de uma vez.

— Não, são apenas essas. – sorri levemente. – Eu também sou um pouco ruinzinha em química, mas nessa eu consigo passar.

— Passa bem ou passa na média?

— Passo por um fio...

   Daniel riu, e pela sua expressão eu vi que ele me daria aulas de química também. Um ótimo pacote: matemática, química e física. Se eu conseguisse fazer mais alguma coisa na minha vida além de estudar seria um milagre.

   Continuamos conversando amenidades enquanto lanchávamos. Já estava ficando um pouco tarde, então eu teria que ir para a casa de Eve. Peguei a sacola com lanche para viagem que comprei para minha melhor amiga e saímos juntos da lanchonete. A noite estava bem fria, então me encolhi dentro do casaco assim que colocamos os pés na rua.

    Senti uma mão de Daniel percorrer as minhas costas levemente e em seguida repousar sobre o meu ombro, aproximando meu corpo do seu. Sorri levemente, desviando o olhar para a baía do Píer. Eu ainda não estava muito acostumada a toda essa proximidade. Quero dizer, ele já me beijava e constrangia antes, mas era sempre com ironia. Dessa vez é praticamente “oficial”. Ainda sinto um arrepio sempre que ele toca em mim, e isso é engraçado.

   Assim que entramos em seu carro ele ligou o aquecedor. Eu me senti mais confortável instantaneamente. Liguei o rádio e começou a tocar uma música qualquer de rock, e Daniel cantarolava baixinho enquanto batucava os dedos levemente sobre o volante, prestando atenção na estrada.

   Vez ou outra a luz dos outros carros refletia em seu rosto e seus olhos pareciam ainda mais claros que de costume. E ele usava uma blusa branca. Meu Deus, como ele é bonito...

   Controle-se, Allison.

— Está entregue. – ele disse, puxando o freio de mão.

   Saí do meu devaneio e desviei o olhar do rosto dele rapidamente, tentando disfarçar. Peguei minha bolsa e senti suas mãos levantando o meu rosto. Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, seus lábios cobriram os meus. Suspirei, passeando com minhas mãos em seus ombros e repousando-as em sua nuca, enquanto aprofundava o beijo.

   Eu não lembrava de ter sentido algo tão bom antes.

(...)

— Nossa, você está tão apaixonada. – Eve fez careta, enquanto dava uma mordida em seu hambúrguer.

— Não enche, Eve.

— Eu não te vejo com essa cara de bobona desde que o Benjamin te disse “oi” pela primeira vez.

   Lancei um olhar cortante para ela, fazendo-a rir alto. Ignorei suas insinuações e voltei a passar os canais da TV, procurando por um filme que prestasse. Por fim, deixei em “Orgulho e Preconceito”. Eu já havia perdido as contas de quantas vezes havia assistido esse filme, mas nunca cansava. Eve, por outro lado, lamuriou por cinco minutos até finalmente aceitar que o veríamos de novo.

— Mas falando sério agora... – ela começou, deitando melhor na cama e me olhando com um sorrisinho. – Você está diferente, Ally.

— Eu continuo a mesma, Eveline. – revirei os olhos. – Não tem nada demais acontecendo, eu e Dan estamos apenas trocando saliva um com o outro, ok?

— Mas você é tão sensível que só de trocar saliva você se apega, amiga. – ela me cutucou de leve com o cotovelo. – Você sabe que é verdade.

   Era verdade. Mas dessa vez, não seria.

— Eu não sei... – murmurei, suspirando. – Eu gosto muito do Dan, mas amo o Benjamin, você sa...

— Argh, para! – Eve gemeu, sacudindo as pernas em agonia. – “Amor”, Allison? Essa palavra é muito forte, você sabe disso! A última coisa que você sente pelo O’Neil é amor.

— Por que todo mundo, de repente, se acha com razão para dizer o que eu sinto ou deixo de sentir? – perguntei levemente irritada. – Eu sei o que eu sinto, Eve. Não duraria tanto tempo se não fosse isso.

— Você se agarrou tanto a essa idéia que...

— Que o quê?

   Eve suspirou, em silêncio. Balançou a cabeça negativamente e nos calamos, ambas com o olhar perdido na tela da TV a nossa frente. Eu me remexi debaixo do edredom, levemente incomodada com tudo aquilo.

   Eu sabia o que sentia por Benjamin. Não me sentiria tão atraída por ele, por tanto tempo, se não fosse amor. E tudo bem, eu e ele mal nos falávamos e tampouco éramos próximos, mas eu o amava... Eu acho.

— Ok, vamos esquecer esse ponto. – Eve voltou a falar, fazendo-me revirar os olhos. – Vamos supor que você ame aquele garoto, sim. Mas... Daniel Sullivan aparece para te ajudar e de repente vocês estão trocando saliva loucamente. E começam a ficar cada vez mais próximos. Você sabe como isso termina.

— Vai terminar com cada um indo para uma universidade diferente e nunca mais nos veremos. – falei confiante. – Então, Yui e Jane acharão que nos separamos por causa da distância e, com sorte, eu nunca mais as verei também.

— E após cinco anos, você e Daniel se reencontram! – Eve falou sorridente, dando continuidade à historinha. – Vocês acidentalmente se esbarram em uma esquina de Nova York, ambos recém-formados e vivendo na mesma cidade. Então, vocês marcam de tomar um café e dois anos depois se casam.

   Semicerrei os olhos para Eve e sua criatividade, enquanto ela mantinha um sorriso de orelha em orelha no rosto.

— Depois eu é que sou a louca das comédias-românticas. – resmunguei, cruzando os braços e voltando a olhar para a TV.

— Você sabe como isso vai terminar, querida. – ela deu de ombros, se sentindo a dona da razão. – De um jeito ou de outro.

   Revirei os olhos, enquanto ela voltava a deitar confortavelmente para assistir o filme. Mordi o lábio inferior, pensando em tudo o que ela disse. Não em toda aquela história pós-faculdade – acho isso totalmente impossível de acontecer -, mas em como termina... Eu não poderia me apaixonar por Daniel. Eu gosto muito dele, muito mesmo. Mas ele seria uma pessoal ideal para mim? Combinávamos em muitos aspectos, mas em outros éramos bem diferentes e eu percebia o atrito que isso causava. Daniel é uma pessoa boa, gosta de ajudar e é atencioso. Mas, por outro lado, é meio impaciente, irônico, sarcástico e explosivo.

   Balancei a cabeça, tentando parar de pensar nisso. Voltei a prestar atenção no filme e em meu amado Mr. Darcy. Ele sabia o que queria, afinal, apesar de ter sido um pouco idiota. E se declarou em um lugar lindo, debaixo da chuva e com aqueles olhos maravilhosos. E mesmo sendo rejeitado, ele fez tudo que pôde para ajudar sua amada e depois apareceu sob o amanhecer com aqueles olhos brilhantes dizendo que ainda amava a Elizabeth.

   Eu duvido muito que Daniel faça isso um dia.

   Meu Deus, Allison, pare de pensar nisso.

(...)

   Segunda-feira.

   A última semana passou sem grandes acontecimentos, além de alguns momentos de tensão devido à ansiedade. E, finalmente, o dia do resultado chegou.

   Eve decidiu faltar às aulas para ir com Vanessa ao médico. Eu também queria ir, mas teria uma prova de matemática. Fui para o colégio com o coração na mão, - tanto por Vanessa quanto por mim. Passei as mãos no rosto e dei uma olhada na minha aparência no espelhinho que havia na porta do armário, suspirando. Eu estava um caco. Tentei passar uma base no rosto para disfarçar umas olheiras que haviam aparecido pela falta de sono na última noite, mas não adiantou muito.

   Senti um par de mãos sobre os meus ombros e pulei levemente de susto, mas senti que era Daniel. Ao olhar para trás, a teoria foi confirmada. Ele plantou um beijo leve em meus lábios, espontaneamente, e se apoiou no armário ao meu lado.

— É hoje, né? – ele perguntou.

   Apenas assenti, preocupada. Pude perceber que ele também estava. Em algumas noites da última semana, ao me deixar na casa de Eve, ele entrou comigo e ficamos todos na sala conversando, - eu, ele, Eve e Vanessa. Ela havia gostado bastante dele e já o paparicava. Sentíamos mais confortadas quando ele ficava conosco, de certa forma. Só então conseguíamos sair daquela bolha de preocupação e ansiedade.

   Separei o material da primeira aula em silêncio, enquanto Daniel me observava em silêncio. Quando terminei e fechei o armário, ele pegou em minha mão. Olhei para cima, cruzando meu olhar com o dele. Senti-me tranqüila instantaneamente e ele me abraçou, beijando o topo da minha cabeça levemente.

— Fica tranqüila. – ele sussurrou. – Vai dar tudo certo.

   Tentei abstrair dos pensamentos ruins e foquei na prova de matemática. Com sorte, consegui me distrair o suficiente para lembrar tudo que havia aprendido com Daniel. Resolvi as questões com facilidade pela primeira vez, e isso era incrível. Peguei-o olhando para mim algumas vezes, do outro lado da sala, preocupado. Sorri levemente para tranquiliza-lo. Era bonitinho vê-lo assim.

   Ele saiu da sala antes de mim, como sempre. Então, assim que terminei a prova, entreguei-a ao Sr. Kyle e saí da sala como um foguete, ansiosa. Dei de cara com Dan no corredor, encostado na parede ao lado da porta, à minha espera. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, o abracei apertado, sorridente.

— Eu consegui! – falei, afundando o rosto em seu pescoço. – Você é maravilhoso, Sullivan!

— Eu sei. – ele sorriu convencido.

   Saí de seus braços e belisquei sua barriga, fazendo-o rir. Ele me olhava com os olhos brilhando estranhamente, enquanto esfregava minha cabeça como se eu fosse um cachorrinho.

   Mas seu sorriso desmanchou um pouco quando seu olhar foi parar no outro lado do corredor. Olhei para onde ele olhava e avistei Benjamin vindo em nossa direção com uma sobrancelha arqueada e um sorriso.

— Ei, casal. – ele nos cumprimentou animadamente, jogando um braço sobre os ombros de Daniel, que parecia totalmente desconfortável. – Como estão?

— Bem. – falei, me sentindo um pouco incomodada com a situação.

   Ver o modo como Daniel parecia reagir a Benjamin me deixou curiosa. Eles eram primos; por que Daniel estava sempre mal-humorado perto dele?

— Minha mãe te chamou para jantar hoje. – Benjamin falou, olhando fundo em meus olhos. – Você poderia ficar, também.

— Não vai dar, temos compromisso. – Daniel resmungou, desvencilhando-se dele. – Avise à minha tia que talvez eu não durma em casa hoje.

   Benjamin pareceu surpreso e ficou olhando para nós dois, confuso, até que um sorrisinho se formou em seu rosto. Ah, céus. Isso foi totalmente...

— Ah... Entendi. – ele disse, rindo um pouco em seguida. – Certo, eu avisarei. Deixa para outro dia, Ally.

   Ele piscou um olho para mim e repentinamente deu um beijo em minha bochecha, se afastando de nós em seguida. Fiquei estática onde estava, com os olhos arregalados. Daniel bufou alto, totalmente irritado, e voou até mim esfregando a manga de seu casaco em meu rosto. Saí do meu transe e o olhei confusa, mas não pude evitar rir.

— Qual é o seu problema? – perguntei. – Calma, a baba dele não é contagiosa.

— Qual é o seu problema. – ele resmungou. – Com essa cara de idiota perto dele, você nem sabe disfarçar.

— Desculpa. – levantei as mãos, me rendendo, ainda controlando a vontade de rir. – Isso foi totalmente confuso. Quer me explicar?

— Explicar o que? – ele começou a andar em direção aos armários e eu o segui.

— Vamos começar com aquela história de você não dormir em casa hoje? – falei como se fosse óbvio.

— Ah, sim. – ele murmurou. – Posso dormir na sua casa hoje?

— Por quê?

— Depois eu explico.

   Eu o olhei, desconfiada, mas concordei. O que ele estava querendo com isso, afinal?

— Tudo bem. – dei de ombros. – Agora, por que você fica tão incomodado com a presença de Benjamin?

— Porque ele é um babaca. – falou prontamente. – Pensei que isso fosse óbvio.

— Mas ele não fez nada demais.

   Daniel me olhou como se eu tivesse dito algo absurdamente idiota, então eu preferi ficar quieta. Mas insistiria para saber qual era o problema depois. Enquanto Daniel pegava seu livro para a aula de Literatura, chequei meu celular para ver se havia alguma mensagem de Eve.

   Nada.

   Suspirei, desejando fortemente que tudo ficasse bem.

(...)

   Passei todas as aulas roendo as unhas e olhando o lado de fora pela janela, totalmente alheia a tudo. Quando o sinal indicando o fim das aulas soou, eu prontamente peguei minhas coisas e joguei dentro da minha bolsa de qualquer jeito, saindo da sala como uma fugitiva. Dei de cara com Daniel me esperando no corredor. Ele também parecia ansioso.

      Eve não deu notícias o dia inteiro e eu estava a ponto de explodir. Eu e Daniel nos enfiamos em nossos carros, - cada um no seu – e fomos para a casa dela. Estacionamos juntos e antes mesmo de chegarmos à porta, Eve a abriu e nos recebeu com um sorrisão.

   Senti um alívio passar por todo o meu corpo, e eu juro que poderia cair ali mesmo onde estava. Ela se jogou sobre mim, me abraçando fortemente. Ficamos um tempo assim, apenas suspirando no ombro uma da outra. Quando nos separamos, ela pegou na minha mão e na mão de Daniel e nos puxou para dentro. A primeira coisa que vimos foi Vanessa na cozinha, cantarolando e sorridente.

   Depois de abraçá-la, elas se desculparam por não mandar notícias e explicaram tudo o que havia acontecido. O exame havia dado negativo, graças a Deus. Era apenas um cisto benigno, e Vanessa já começaria a tomar alguns remédios para ele desaparecer. Vê-la tão animada novamente na cozinha, falando rapidamente sobre as receitas que ela queria preparar para nós e sobre a sua série preferida, me fez sentir uma felicidade absurda.

   Eu não tinha idéia do peso da preocupação que carregava nas costas durante aquela semana, até aquele momento.

   Para nos divertir ainda mais, Vanessa puxou Daniel para o seu lado e o intimou a ajudá-la a cozinhar, enquanto eu e Eve assistíamos aos risos. Ele se divertia, enquanto tentava cortar alguns legumes como Vanessa ensinava, mas quase perdia os dedos durante as tentativas.

   Em um momento, enquanto ele finalmente conseguia manter a concentração para cortar o tomate em rodelas bem finas, nossos olhares se encontraram. Mordi o lábio inferior, sorrindo levemente. Seu olhar se aqueceu, mas logo em seguida ele soltou um palavrão, enquanto corria até a pia para lavar o dedo cortado. Estiquei o pescoço para tentar ver se havia sido um corte fundo, mas Vanessa já o ajudava.

   Ouvi uma risadinha ao meu lado. Suspirei, olhando para Eve. Ela me olhava com uma expressão insinuante. Revirei os olhos.

— Assim você mata o garoto. – ela cochichou risonha.

   Tão engraçadinha.

— Não enche, Eveline.

   Ela sorriu ainda mais, - parecendo realmente feliz após uma semana tensa – e me abraçou de lado. Correspondi ao abraço e ambas tentávamos não cair das cadeiras altas enquanto ríamos de Daniel segurando seu dedo e lamuriando como uma criança, e Vanessa tratando-o como tal enquanto vinha com uma caixa de primeiros-socorros.

   Eu os amava tanto.

(...)

   Quando deu 20:00 da noite, Eve e Vanessa já estavam exaustas.

   Peguei as minhas coisas que estavam lá, já que eu havia passado a semana inteira dormindo na casa delas, e me despedi. Eu já nem tinha roupas para ficar mais dias lá, realmente tinha que ir para casa.

   Joguei minha bolsa de viagem no banco de trás do carro e me acomodei atrás do volante, suspirando de cansaço. Estava louca para chegar em casa e me jogar na cama.

— Ei. – Daniel apareceu na minha janela, dando duas batidinhas no vidro. – Tudo bem se eu for?

   Desci mais o vidro, olhando-o confusa.

— Se for para onde? – perguntei.

   Ele revirou os olhos.

— Para a sua casa. – ele resmungou. – Você disse que eu poderia dormir lá.

   Ah, céus. Ainda tinha isso. Fechei os olhos, respirando fundo. Ia perguntar novamente o motivo disso, mas sabia que ele só iria responder quando estivesse lá. Apenas concordei e ele sorriu levemente enquanto apertava minha bochecha e ia para o seu carro.

   Dirigi todo o caminho até meu prédio olhando para o carro de Daniel atrás do meu pelo espelho retrovisor, me seguindo pelas ruas. Por que ele queria dormir na minha casa? Ele não parecia ter problema algum com seus tios, muito pelo contrário. A sensação que eu tinha era de que ele se dava melhor com Tanya e Antony do que Benjamin, que era filho deles. Será que o problema era Benjamin?

    Nós nos encontramos novamente no elevador. Ele parecia tranqüilo e despreocupado, enquanto eu o olhava com os olhos semicerrados. Quando chegamos na porta do apartamento e eu coloquei a chave na fechadura, eu me virei para ele rapidamente.

— Se você tentar qualquer coisa, eu te mato, entendeu? – falei.

   Ele arqueou as sobrancelhas e jogou a cabeça para trás, rindo. Revirei os olhos e destranquei a porta, irritada, enquanto ele entrava no apartamento atrás de mim ainda rindo como um idiota.

— Você é tão inesperada, Ally. – ele disse risonho. – Acha que estou aqui com más intenções?

— Óbvio. – revirei os olhos.

— Que tipo de cara você pensa que eu sou? – ele fingiu uma expressão triste, e eu cruzei os braços, olhando-o com tédio.

— Um cara. – respondi.

   Ele pareceu pensar por alguns instantes e, por fim, deu de ombros, concordando. Deixei minhas bolsas sobre o sofá e ele fez o mesmo, enquanto se jogava na poltrona e pegava o controle da TV. Já agia como se estivesse em casa. Folgado.

— Você trouxe roupas, pelo o menos? – perguntei, enquanto ia até a cozinha ver se tinha algo para comermos.

— Não, hoje você terá o privilégio de me ver de cueca. – ele respondeu quase gritando e eu fechei os olhos com força, com a cara quase enfiada dentro da geladeira, torcendo mentalmente para que os vizinhos não tivessem escutado aquele absurdo.

   Depois de analisar a geladeira e os armários, eu cheguei à triste conclusão de que não havia comida. Como sempre. Meu Deus, eu tinha que colocar lembretes em toda a casa para lembrar de comprar comida. Minha mãe me mandava dinheiro suficiente todo mês para pagar todas as contas e fazer compras, mas do jeito que eu ando desleixada, deve ter uma fortuna acumulada. Eu sempre acabo comprando coisas para lanchar que acabam rápido, e depois a geladeira fica criando teias.

— Não vai achando que está em um SPA. – falei, voltando para a sala. – Se vai ficar aqui, vai ter que trabalhar. Levanta e vai ao mercado.

   Daniel sorriu, parecendo achar graça de mim, e assentiu. Enquanto ele calçava seus sapatos novamente, eu fazia uma lista do que ele devia comprar.

— Só isso? – ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— Sim, depois eu vou fazer compras direito. – falei. – Para hoje não precisamos de tanta coisa.

   Ele assentiu e pegou seu casaco, saindo em seguida.

   Suspirei, passando as mãos no rosto. Uma noite com Daniel Sullivan em meu apartamento. Eu não sabia o que esperar.



Notas finais do capítulo

AIAIAIAIAIAI, o que vocês esperam? HAHAHA. O capítulo 15 já está pronto, só digo isso. Fico tão ansiosa para postar logo tudo, hahahah.
O que acharam do capítulo? Aliviadas pela Vanessa estar bem? Eu estou. ♥
Comentem o que acharam! Logo postarei o próximo capítulo! :D



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