O Canto da Fénix Negra escrita por Morgana Bauer


Capítulo 2
Depois da Tempestade Vem a Sempre a Bonança


Notas iniciais do capítulo

Aqui fica o segundo capítulo. Espero que gostem...



Capitulo II

Depois da Tempestade Vem Sempre a Bonança

As semanas seguintes ao reencontro com os pais passaram lentas para Harry. Os tios apanhavam-no frequentemente a encarar o vazio com algo bem seguro nas mãos. Esse comportamento manteve-se até que, numa tarde particularmente quente, a notícia da chegada da tia Marge o apanhou de surpresa. Os acontecimentos das férias alguns anos antes haviam sido apagados da mente dela, no entanto, na de Harry, ainda estavam presentes.

Ela chegou trazendo consigo um dos seus cães, o que era um hábito; dizia sempre que o pobre cachorrito não sobreviveria à separação!

O primeiro dia dela no número 4 de Privet Drive decorreu sem problemas. Para além dos habituais elogios a Dudley e críticas a Harry, ela não disse nada de mais. No segundo dia nem sequer dirigiu a palavra ao moreno. Ao fim de uma semana deste comportamento ele pensou que ela, depois de tantos anos a criticá-lo sempre que lhe punha a vista em cima, se havia cansado dele. Mas tudo isso não passou de uma doce ilusão: na segunda semana que ela passou naquela casa as implicações para com Harry voltaram com toda a força. Ele tentou controlar-se, não reagir às provocações e fingir que não ouvia, mas numa manhã isso foi impossível.

Ele havia atingido o seu limite e respondera-lhe à letra. Infelizmente para ele, o tio Vernon estava por perto. Este dera-lhe um estalo bem forte e mandara-o para o quarto de castigo.

Passara lá o dia inteiro e apenas à noite é que aparecera lá a tia Petúnia com um jantar medíocre. Os dias seguintes passaram-se da mesma forma: era-lhe dada autorização para ir à casa de banho uma vez da parte da manhã e outra ao anoitecer, e a tia aparecia lá com uma refeição a meio do dia e ao cair da noite.

Ao fim de oito dias nesta situação, Harry começou a desesperar. Pensou na medalha que o pai lhe dera. Oh! Seria tão bom chamá-los, tê-los ali de novo! Mas isso seria muito perigoso. Não era a primeira vez que os tios lhe davam um castigo daqueles e não valia a pena pôr os seus pais em risco por isso.

O tempo continuou a passar, as horas continuaram a arrastar-se umas atrás das outras.

O último dia do mês de Julho chegou por fim, mas isso não traria alterações à sua rotina, pensou Harry com amargura. Felizmente para ele, estava enganado.

Nessa tarde, um tio Vernon muito assustado foi buscá-lo ao quarto. A primeira coisa que viu quando chegou à sala foi a tia Petúnia desmaiada no sofá. Dudley estava abraçado a Marge e estavam ambos mortalmente pálidos.

A mente de Harry começou a trabalhar furiosamente: Seria um ataque? Não! Se fosse isso, a casa estaria destruída e todos mortos. Mas, se não era um ataque, então o que…

- Mãe? Pai? – Harry estava incrédulo. O que estavam eles ali a fazer?

- Harry! – A voz de Lily Potter suou aliviada. Quando ela estava prestes a abraçá-lo Remus Lupin fez notar a sua presença na sala:

- Tem calma Lily!

- Deixa-a Remus! – Disse Albus Dumbledore com um sorriso no rosto. – Ambos precisam disto.

A mulher de longos cabelos ruivos não se fez rogada e abraçou longamente o filho. E logo James Potter também se juntou à mulher num abraço de família.

- Mas… O que é que vocês estão aqui a fazer?

- Meu caro, penso que o Remus te tenha dito que não irias ficar aqui durante todo o tempo de férias.

- Bem, sim… É verdade! – Para ser sincero, Harry não havia acreditado muito no antigo professor de DCAT.

Naquele momento começaram a ouvir-se uns murmúrios vindos do sofá. Petúnia Dursley mantinha os olhos fechados mas murmurava algo que se assemelhava a “Fantasma”, “Impossível”, “Perseguir” e “Assombrada”.

Vernon aproximou-se da mulher e ajudou-a a sentar-se. Ela foi encarando um por um cada um dos ocupantes da sua sala de estar. Ao chegar à mulher ruiva parou. Abanou a cabeça e começou a dizer como se pretendesse convencer-se a si própria:

- Não é possível! Não! É um sonho! É isso, só pode ser um sonho! É… é…

- Senhora Dursley, eu posso assegurar-lhe que isto não é um sonho. É um milagre, mas é bem real.

- Mas… Mas… É impossível. Co… Como é que…

- Nem nós sabemos! Mas a verdade é que é real. Agora Harry, talvez seja melhor ires arrumar as coisas, dentro em breve temos de partir.

Harry assentiu, se aquilo fosse um sonho, bem que poderia continuar a sonhar!

Subiu as escadas que davam acesso ao piso superior da casa e entrou no seu quarto sendo seguido de perto por James.

Viu o pai olhar em redor quando chegou à divisão; Harry também olhou em volta:

A cama estava desfeita, roupas e livros estavam espalhados pelo chão e no baú da escola aberto aos pés da cama, um sem fim de coisas inidentificáveis estavam atiradas de qualquer maneira.

- Bem... Ahn… Está um pouquinho…

- Desarrumado? – James sorriu. – Não te preocupes, pelo menos comigo, mas é melhor que a tua mãe não veja esta confusão.

- Certo! Eu vou arrumar isto.

- Eu dou-te uma ajuda.

Juntos arrumaram as coisas e guardaram-nas em malas conjuradas por James. Remus esperava-os perto da escada.

No andar inferior corria uma acesa troca de palavras entre Lily e Petúnia. A mais nova das irmãs Evans havia-se exaltado ao tomar conhecimento do “carinho” com o qual a irmã tratara o seu filho. Quando Harry chegou à sala acompanhado por Remus e James a discussão parou de repente.

- Bem, está na hora de partirmos. – Dumbledore conservava ainda um sorrisinho no canto dos lábios. – Harry, creio que seja melhor despedires-te dos teus tios, talvez leve algum tempo até que os voltes a ver!

O adolescente olhou para os tios sentados no sofá. Durante todos aqueles anos eles haviam-no tratado como uma aberração, um problema, e agora, finalmente, ia deixá-los. Foi por isso que se dirigiu aos tios com um sorriso a aflorar-lhe no rosto:

-Adeus! – Uma palavra! Uma palavra bastava para expressar tudo aquilo que sentia. Nem um ”até breve” ou um “espero voltar a ver-vos em breve” - isso seria hipocrisia.

No pequeno jardim bem arranjado em frente ao número 4 de Privet Drive, todos os cinco se reuniram e prepararam-se para partir. Como só Dumbledore e Lupin conheciam a localização exacta do local para onde se dirigiam, a aparatação teve de ser acompanhada. Assim, enquanto Harry e Lily foram com Dumbledore, James foi com Remus.

Ao chegarem ao local pretendido Harry teve uma surpresa: era a Toca. Olhou com curiosidade para o velho director mas este limitou-se a fazer um gesto em direcção à casa, incentivando-o a avançar.

A casa do amigo estava estranhamente vazia e silenciosa. Ao entrar pela porta que dava entrada para a cozinha viu que tudo estava escuro. Estava prestes a virar-se para dizer qualquer coisa a Dumbledore quando, de repente, as luzes se acenderam e um grupo de pessoas gritou bem alto:

-Parabéns, Harry!

Harry abriu a boca espantado. Ali estavam Hermione, Ron e todos os Weasleys, assim como Tonks, Hagrid e até a professora McGonagall.

Ron, Hermione, Ginny e os gémeos atiraram-se para cima dele num abraço que só foi interrompido quando a voz de Molly Weasley se fez ouvir por cima de toda aquela confusão:

-AAHHHHH!!! – Ela estava branca como a cal e olhava para a porta de entrada com os olhos muito abertos.

Todos se voltaram para o sítio para o qual ela estava a olhar e muitos retiraram as suas varinhas. Apenas a professora de Transfiguração se manteve impávida e serena e caminhou até à entrada da porta.

Ron olhou incrédulo para Harry e Hermione encarou-o emocionada quando um homem que parecia uma versão mais velha do amigo deu um forte abraço à professora.

Arthur e Molly estavam de boca aberta assim como todos os outros presentes.

-Boa noite a todos! Creio que já se devem ter apercebido que temos visitas. – Dumbledore não resistiu a dizer uma gracinha ao ver a expressão que todos tinham.

-Mas! Por Merlin! Eles estão vivos… Quero dizer eles estão mortos, eles… eles… - Hagrid não se conteve e largou-se num pranto.

-Hagrid! – James avançou até ao meio gigante que soluçava sem parar. – Somos nós. Estamos aqui… vivos, e… -Não conseguiu terminar aquilo que estava prestes a dizer pois o grande homem se atirou a ele dando-lhe um abraço capaz de quebrar uma costela a alguém mais fraco.

-Hey, Hagrid , é melhor acalmares-te . O James não vai aguentar tanta felicidade.

Nesse ponto, James Potter tinha de concordar plenamente.

-Acho, Albus, que este é o momento indicado para fazer uns esclarecimentos a todos os presentes. – Com um gesto, Minerva McGonagall indicou os presentes que, ainda um pouco espantados abraçavam aquelas duas pessoas que acreditavam que nunca mais veriam ou, nalguns casos conheceriam.

A altura das explicações chegou por fim. Foi Dumbledore quem relatou todos os acontecimentos desde o fatídico dia da batalha. Contou como Lily e James tinham aparecido em Hogwarts, surpreendendo todos, contou como tinham decidido não contar nada a ninguém pelo menos até que Harry estivesse seguro e contou também como tinham levado a notícia ao jovem.

Por fim, encerrou o seu discurso dizendo:

-Mas agora estamos aqui para comemorar. Afinal não é todos os dias que se comemora o 17º aniversário!

Todos concordaram com ele. Harry foi conduzido até às traseiras da casa onde uma grande mesa estava posta. Todo o jardim estava enfeitado e podiam ver-se alguns lampiões apagados, pendurados nalgumas árvores. Tendo em conta os visitantes inesperados, Molly convocou mais pratos e talheres da cozinha que vieram a voar.

O lanche que se seguiu, animado pelos gémeos que ao entardecer deliciaram todos com um incrível fogo-de-artifício, prolongou-se pela noite dentro.

Já era bastante tarde quando os convidados partiram. James e Lily foram convidados a passar a noite e todo o tempo que quisessem n’A Toca. Embora de início tivessem pensado em recusar, Molly desarmou-os completamente quando disse que já era habitual Harry passar ali os finais das férias.

O dia seguinte amanheceu calmo, mas todos acordaram tarde. Todos excepto o casal Potter. Juntos, eles caminharam até ao fundo do jardim onde havia uma árvore frondosa. Daquele local, eles podiam ver toda a vila que se situava no fundo do vale.

James sentou-se encostado à grande árvore e Lily encostou-se a ele. Permaneceram ali em silêncio durante algum tempo até que Lily falou:

-Naquele noite eu… eu realmente acreditei que nunca mais te veria… Quando estavas ali caído… e depois quando ele foi atrás de mim e do Harry… eu… - À medida que ela falava os seus olhos marejavam-se.

James guardou silêncio, mas abraçou a mulher. Sabia que ela precisava de falar, de desabafar tudo o que sentia.

-E depois voltámos. Mas está tudo tão… tão diferente. O meu bebé cresceu e hoje já tem 17 anos! Já é maior de idade e… e viveu toda a sua infância com a minha irmã que só… só o fez sofrer. E Voldemort ainda está vivo! E o Harry, o Harry… - Ela não conseguiu dizer mais nada pois o choro tomou conta dela.

-Lily, minha ruivinha! – Ao ouvir o apelido ela não resistiu a lançar-lhe um pequeno sorriso. – Nós temos de ter confiança no futuro. Temos de acreditar que tudo vai acabar bem, que o Harry vai ficar bem, que nós vamos ficar bem. Esta guerra já se prolonga há tempo demais, ela já fez demasiadas vítimas! – Os olhos de James escureceram. – Vamos lutar para que ela acabe! Para que todos possam viver em paz!

Lily passou-lhe a mão pelo rosto.

-Queres falar sobre o Sirius? Ele era o teu melhor amigo, não deve ser fácil para ti saber que ele morreu depois de ter passado 12 anos em Azkaban acusado de nos entregar.

-Tens razão! Ele era o meu melhor amigo, aquele que estava lá para mim em todos os momentos, quer nos bons, quer nos maus, e … 12 anos Lily! Ele passou 12 anos naquela maldita prisão acusado de ser um traidor e um assassino… e… vai ser tudo tão diferente agora. Ele não vai mais estar aqui com as piadas dele e…

-E tu vais sentir a falta dele! Tal como o Remus está a sentir a falta dele e como ele sentiu a nossa e, tenho a certeza, em especial a tua durante todos estes anos. Lembras-te daquilo que o Dumbledore nos contou acerca do regresso do Sirius? Que ele só se manteve lúcido em Azkaban devido à certeza da sua inocência? Tu não te podes deixar ir abaixo tal como ele não deixou!

-Eu sei! Eu sei disso! – James tornou a suspirar. – Mas vai ser difícil!

Voltaram a encarar a vila em silêncio. Estavam ali, juntos e em paz. O seu filho estava a poucos metros deles e por aquilo que tinham visto na festa, não era alguém amargurado, apesar de todas as “partidas” que a vida lhe pregara. Naquele momento, tudo parecia perfeito; no entanto, mal eles sabiam que antes de Setembro chegar, outra notícia os iria surpreender. Uma notícia bastante boa por sinal.

Era caso para dizer, sem dúvida alguma, que depois da tempestade vem sempre a bonança.



Notas finais do capítulo

2º capítulo postado =)
Espero que gostem e que deixem a vossa opinião. Acreditem, é muito importante para mim, e é o que me permite evoluir como ficwritter



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