The Angels Take London escrita por SayakaHarume


Capítulo 1
Capítulo 1


Notas iniciais do capítulo

Atentos as datas que eu coloco, para se situarem na linha do tempo :D Qualquer dúvida, apenas me chamar e perguntar :)

Giu, dinda do meu core, a fanfic é sua, a casa é sua, fique a vontade!



Junho de 2013

John andava com uma das mãos no bolso e a outra segurando a alça da mochila que continha o notebook que acabara de pegar na assistência técnica. Ele esperava não ter que voltar a sair do apartamento por causa de algum pedido esquisito do colega de quarto, mas sabia que era em vão. Com certeza chegaria no apartamento e descobriria que Sherlock falara com ele enquanto esteve fora pedindo algum favor. John se perguntava por que apesar desse comportamento irritante, continuava a dizer ‘sim’, mais cedo ou mais tarde.

Seu celular vibrou no bolso no instante em que chegava a uma praça. As estátuas de anjos eram as únicas presentes no local, o que não era estranho aquela hora da noite. Atendeu após checar e não acreditar no nome que apareceu no identificador de chamadas.

― Sherlock? ― Atendeu, confuso. Era costume do seu colega de apartamento esperar a chegada dele para pedir qualquer coisa. ― O que foi?

Preciso de velas e de luvas de borracha. ― Sherlock sempre era direto.

― Nós temos velas e luvas de borracha. ― John suspirou, voltando a andar, passando por entre as estátuas. ― As luvas estão na gaveta, e as velas estão no armário de baixo, atrás dos olhos em conserva que eu já pedi milhares de vezes para você se livrar.

É um experimento importante! ― Foi a resposta exasperada. ― De qualquer forma, o quão avesso você é a cheiro de borracha queimada?

― O que está planejando fazer, Sherlock? ― Continuou falando em um tom cansado.

Enquanto ouvia as explicações do melhor amigo, John sentiu aquela familiar sensação de estar sendo observado. Virou-se, observando a praça vazia, e não encontrou motivo de suspeita. Se tivesse observado melhor antes, teria notado a diferença: um dos pedestais agora estava vazio.

― Estou quase na Baker Street, Sherlock. ― John falou distraidamente, andando enquanto olhava por cima do ombro. ― E nada de queimar nada antes que eu chegue, você vai acabar provocando um incêndio e- oh, meu Deus! ― Ele berrou assim que seu rosto se voltou para frente.

O que houve, John? ― Sherlock perguntava ao telefone. ― John?

― Nada. ― John agora olhava a estátua horripilante de um anjo com um rosto desfigurado pela raiva, as mãos em garras a centímetros de seu rosto. ― Acabei topando com uma estátua. ― Franziu as sobrancelhas. ― Ela parece estar fora do lugar. Está no meio do caminho e não tem um pedestal. Quem deixou ela aqui? ― E tornou a olhar para trás.

Ora, existem coisas mais importantes para se preocupar do que obras públicas. ― Era quase possível ver Sherlock revirando os olhos enquanto falava. ― Que tal comida chinesa para o jantar? ― Pausa, sem resposta. ― John? John, você está aí? ― Outra pausa. ― John?

A voz de Sherlock soava de um telefone caído no chão da praça.

-x-

Dezembro de 2025

― Então, quando e onde estamos agora, Doctor? ― Rose perguntou rodeando os controles da TARDIS.

― Ah, deixe-me ver... ― O Nono deu uma rápida olhada no monitor. ― Londres, 23 de dezembro de 2025. Oh, é quase natal, fantástico! Quer dar uma olhada na decoração futura da sua cidade?

― Vai acontecer alguma coisa de importante nesse natal? ― Rose já vestia seu casaco.

― Vamos descobrir!

Os dois andaram por todas as lojas próximas, e Rose aproveitou para comprar alguns presentes para sua mãe e Mickey. Já voltavam com os braços cheios de sacolas para a TARDIS quando se depararam com uma garota sentada escorada da espaçonave, muito confortável lendo um livro, não parecendo se importar com a neve fria.

― Ah, desculpe incomodá-la, mas... poderia nos dar licença? ― O alienígena pediu a jovem.

― Não. ― Ela nem chegou a levantar o olhar. ― Desculpe, mas não vejo como eu estar sentada encostada em uma cabine telefônica do século passado possa incomodar alguém, então... Feliz natal. ― Encarou o casal com um par de vibrantes olhos azuis e um sorriso forçado.

― Mas está tão frio aqui... ― Rose tentou.

― Eu estou esperando por alguém. ― A jovem retrucou.

― Acho que deveria dispensá-lo, querida. Alguém que te deixa esperando nesse frio definitivamente não vale a pena. ― Rose Tyler continuou.

― Não estou esperando por um garoto. Estou esperando por um doutor. ― E o sorriso dela naquele momento ocultava mil segredos.

― Que tipo de doutor? ― O rosto do Doctor tornou-se sério.

― Do tipo que não se encontra em hospitais, e nem em consultórios. ― Ela se levantou com graciosidade. ― Você é meu doutor?

― O que você quer?

― Eu preciso de ajuda. ― Foi direto ao ponto. ― Não vai ser seguro, e provavelmente vai gerar um paradoxo temporal, mas eu preciso fazer algo pelo meu pai.

― Desculpe, foi muito esperto da sua parte me rastrear, mas eu não mudo o passado. Tenha um feliz natal.

― Então presumo que você não se incomode em dizer um ‘olá’ para seus velhos amigos da UNIT antes de ir, não é? ­― A garota retirou o celular do bolso.

― Doctor, quem é UNIT? ― Rose estava confusa.

― Nada. ― Foi a simples resposta, antes de se virar para a estranha. ― Você não pode me ameaçar com isso, nem deve realmente saber como contatá-los.

― Ora, ora, Doctor. ― O sorriso ainda estava lá. ― Você vai aprender algo interessante hoje. Nunca subestime a família Holmes.

-x-

Outubro de 2013

Sherlock ainda não tinha desistido. Mais uma vez voltava àquela praça, onde já tinha estado tantas vezes antes. Tinha decorado cada detalhe, aprendido quem eram os frequentadores regulares, os horários de movimento, tudo. Já estivera ali tantas vezes no mesmo horário que John desaparecera e nada. Nenhuma pista.

Ele simplesmente tinha desaparecido no ar, deixando para trás apenas o celular e mais nada.

Estava ali sentado em um banco observando as estátuas dos anjos. Todas tinham seus rostos ocultados pelas mãos e braços, em eterna lamentação. Sherlock tentava fortemente não ver aquilo como metáfora. Porém, sua determinação em não demonstrar sentimentos, em não ter sentimentos, estava começando a ruir. Estava genuinamente preocupado com o sumiço de John e sentindo falta do amigo.

Porém, mesmo com tudo aquilo na sua cabeça, ele ainda era Sherlock e não precisou virar a cabeça para cumprimentar quem se aproximava.

― Lestrade. O que faz aqui? A Scotland Yard não arquivou o caso? ― Um pouco de rancor era perceptível.

― Não podemos continuar um caso sem evidências, Sherlock, você sabe disso. ― Greg também dispensou os cumprimentos habituais. ― Nem você encontrou uma pista, o que podemos fazer?

― Tem que ter alguma coisa, Lestrade! Pessoas simplesmente não somem no ar! ― Sherlock bateu o pé no chão, irado.

― Você disse que ele falou algo sobre as estátuas. ― Sherlock não podia negar que o inspetor pelo menos estava tentando, mesmo que por fora, ajudar a encontrar pistas. ― Que tinha uma estátua fora do lugar naquele dia.

― Eu vim aqui imediatamente depois de notar que ele não estava mais respondendo. Tudo estava no lugar, você chegou logo depois, você lembra disso!

― E aí começou nosso beco sem saída.

― Quando eu digo que não tinha nada fora do lugar, é por que não tinha nada fora do lugar. Não havia marcas perto do local onde encontrei o celular do John de ter tido uma estátua movida ou arrastada, mas as câmeras de segurança não mostram a chegada de nenhum maquinário que tenha vindo até aqui. ― Sherlock explicava pela milésima vez o que tinha visto e deduzido. ― Então alguém ridiculamente forte e rápido moveu a estátua. Se houvessem câmeras voltadas para a praça em si...

― Isso já foi corrigido depois do que aconteceu com o John, você sabe.

― A polícia só corrige seus erros depois que o pior acontece. Típico.

― Sherlock...

― Guarde suas justificativas, Lestrade. Mas ainda não me disse o que veio fazer aqui.

― Temos um novo caso. ― Greg se apressou. ― Mulher, entre os 35 e 38 anos, esquartejada, em um quarto do pânico. Você vem?

― Desculpe, eu já estou trabalhando em um caso mais importante. ― Sherlock se colocou de pé, levantando o colarinho de seu casaco.

― Eu entendo. ― E Greg realmente entendia.

Sherlock ainda não.

-x-

Dezembro de 2025.

― Holmes? ― Rose perguntou com o início de um sorriso. ― Como o detetive dos livros?

― Livros? Que livros? ― Doctor olhou confuso da sua companheira para a estranha.

― Os livros de Sherlock Holmes! ― Rose olhou-o surpresa. ― É o detetive mais famoso do mundo, Doctor! Bom, desse mundo.

― Exatamente. ― A garota guardou seu celular. ― Você já leu esses livros, não foi?

― Todo mundo já leu. ― Rose retrucou.

― Qual o seu nome?

― Rose, Rose Tyler.

― Prazer em conhece-la, Rose Tyler. ― A outra se aproximou retirando a luva da mão direita e a estendendo para um aperto. ― Eu sou Caleigh Joane Holmes. E eu sou filha de Sherlock Holmes.

― Seu pai tem o mesmo nome do personagem do livro?

― Não. ― Caleigh recolheu a mão e a colocou no bolso do sobretudo. ― Então, Doctor, será que eu tenho sua atenção?

― Você está me dizendo que seu pai e o personagem de um livro são a mesma pessoa? ― O alienígena perguntou pausadamente.

― Sim. ― Ela sorria.

― Me tire uma dúvida, antes de se sentar perto da minha caixa azul, você esteve aonde?

― Em casa. ― Caleigh abriu o livro distraidamente com sua mão livre. ― Mas meu tio Mycroft chegou e papai e ele começaram a discutir feito duas crianças. ― Revirou os olhos. ― Então eu vim. Ao invés de se perguntar se sou louca, Doctor, por que não se pergunta como eu sabia onde e quando esperar? ― Ela estendeu o livro. ― Cuidado. Está cheio de spoilers.

O Doctor pegou o livro e Rose se aproximou para juntos examinarem a capa.

“O Conto de Caleigh Holmes, por Arthur Conan Doyle, baseado nos diários de John Watson”, era o que estava escrito na capa, que trazia uma jovem com os olhos azuis cheios de tristeza e o rosto adornado por cabelos rubros. Quando a dupla voltou a olhar para Caleigh, ela levou os braços até a touca que escondia todo o seu cabelo e a retirou, deixando os fios vermelhos caírem sobre seus ombros.

― John Watson foi e é o melhor amigo que meu pai já teve. ― Caleigh guardou a touca no bolso do sobretudo escuro. ― Eu achei esse livro no quarto que era de John, e hoje é meu. Está tudo aí. Toda a minha vida na família Holmes. Desde o momento que fui adotada, até esse natal, quando um doutor chega e me encontra na frente de uma antiga cabine de polícia azul e me vê fazendo um pedido. ― Fez uma pausa. ― Por favor, ajude meu pai a reencontrar John e a derrotar os anjos.

― Anjos? Que anjos? ― O Doctor perguntou.

― Não sabia, Doctor? Os anjos tomaram Londres.

-x-

Outubro de 2013

Sherlock entrou no apartamento e se jogou em sua poltrona. A Sra. Hudson já havia deixado uma bandeja com chá e os biscoitos, e como sempre, ainda trazia a segunda xícara. Ele sabia que a boa senhora mantivera esse hábito por esperar que John reaparecesse, mas também, sabia que a esperança dela estava diminuindo. Antes, a porção de biscoitos sempre vinha para dois. Não mais. Talvez ela só ainda colocasse a segunda xícara para mostrar que ainda não entregara os pontos sobre obter respostas, mas não esperava realmente que John voltasse.

Fechou os olhos, entrando em seu palácio mental, voltando para a noite em que John desapareceu. O celular no chão, o concreto sem marcas de que algo tenha sido arrastado ou que ao menos algo estivera lá. Tinha pegadas de piche úmido, havia chovido a tarde e John devia ter deixado aquelas marcas por causa do trecho do asfalto que tinha acabado de atravessar. Porém, no local onde o celular jazia, as pegadas tinham fim. Não havia evidência do que tinha acontecido. Ele se virou e...

― Sherlock? ― A Sra. Hudson chamou sua atenção, batendo na porta. ― Chegou isto pra você. ― Ela mostrou um telegrama.

― Deixe em cima da minha mesa. ― Ele pediu em voz baixa. ― Depois eu...

― Oh, Sherlock, até quando você vai ficar assim? ― Ralhou, se aproximando. ― Eu sei que você não tem comido direito. John detestaria ver você assim.

― Sra. Hudson, eu estou bem. ― Sherlock fez um gesto de pouco caso.

― Você não é como o personagem do livro, é de carne e osso e tem que se cuidar.

― Que livro?

― Não sei por que ainda me surpreendo. ― A senhoria riu carinhosamente. ― O detetive mais famoso do mundo, com seu nome! E que trabalha com um médico do exército, o Dr. John Watson.

― Sim, Sra. Hudson, sei quem sou e quem o John é, embora não entenda a parte do famoso, aqueles jornalistas são apenas urubus.

― Ora quem pode culpa-los, diante da coincidência? Existem livros sobre isso, meu querido Sherlock, escritos antes mesmo de você nascer. Eu pessoalmente não tinha me interessado por eles até que você e John se mudaram, mas depois... ― A Sra. Hudson a essa altura tinha se levantado e vasculhava a estante de Sherlock. ― Acredito que eu tenha deixado uma cópia para John aqui, achei que ele gostaria, já que foi escrito todo no ponto de vista do Dr. Watson.

― Quando foi isso? ― Sherlock corrigiu sua postura, franzindo o cenho.

― No dia que John... sumiu. ― Um suspiro. ― Oh, aqui está. Um Estudo em Vermelho.

Sherlock se levantou, pegando o livro das mãos da senhora. O nome do autor não lhe dizia nada, mas assim que abriu e folheou o livro, estava lá: John Watson, Lestrade... e Sherlock Holmes. Não era possível. Ele não se lembrava de ter conhecido ninguém com seu nome, e de repente, existia uma série de livros antiga e famosa com um protagonista de nome idêntico?

― Eu estou indo ao mercado, querido, precisa de alguma coisa? ― Ela não recebeu resposta, mas os silêncios de Sherlock não eram tão estranhos e incomuns.

O detetive-consultor mergulhou no livro, encontrando diversas semelhanças com o primeiro caso que ele e John haviam trabalhado juntos. Mesmo o personagem do Dr. Watson e a forma como conheceu o personagem do detetive eram incrivelmente semelhantes. Tantos pequenos detalhes da convivência dos dois também estavam presentes.

― Isso não é possível. ― Sherlock jogou o livro na mesa, o que fez o telegrama flutuar para o chão, e só então lembrou-se da existência deste. Abaixou-se e o pegou nas mãos, abrindo-o de vez.

O conteúdo virou a certeza do que era ou não possível de ponta a cabeça. Sherlock, que sempre se orgulhara de pegar todos os mínimos detalhes a primeira vista, se viu relendo aquelas poucas palavras diversas vezes, incapaz de acreditar em seu conteúdo.

“Meu bom e velho amigo, gostaria de poder dizer que espero que tenha gostado dos livros que vivemos juntos, mas sei que vai odiá-los. Pelo menos, saberá que não esqueci você. J. W.”



Notas finais do capítulo

Que tal reviews para me incentivar e me deixar feliz? Natal tá aí gente, vamos distribuir amor em forma de reviews!
Até o próximo capítulo!