A Garota Dos Defeitos escrita por Tamires Rodrigues


Capítulo 34
Eu não consigo respirar


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura gentee



Em algum momento eu dormi, pois acordei com o rangido da porta do quarto abrindo.

A luz acesa no corredor iluminou a silhueta de Gabriel.

Liguei meu abajur e a luz se derramou pelo meu quarto inteiro.

— Oi- murmurou.

— Oi - repeti me sentando. Esfreguei meus olhos, enquanto ele caminhava até mim, se sentando na beirada da cama.

O silencio pairou desconfortavelmente, enquanto nós apenas nos fitávamos. Eu fui a primeira a quebrá-lo.

— Você vai dormir comigo esta noite?-finalmente falei

Ele me observou ainda de perto, e eu desviei os olhos dos seus.

— É o que você quer?

Balancei minha cabeça em concordância. Eu não precisei dizer uma palavra para ele ver a fragilidade do meu corpo e mente. Gabriel sabia, e naquele momento eu não me importei que ele me visse.

Deitei na cama, e me encolhi um pouco, dando espaço para ele deitar ao meu lado, depois de um segundo de hesitação ele deitou ao meu lado. Eu estava grata por ele estar ao meu lado. Grata por não estar sozinha.

De frente um para o outro eu podia ver claramente os pontinhos dourados da sua Iris. A intensidade dos seus olhos esmeraldas.

A preocupação transbordando deles.

Desviei o olhar do dele.

— Você acha que eu sou egoísta?

— Por que acharia isso?- sua voz pareceu genuinamente surpresa.

— Eu os deixei lá – gaguejei uma explicação confusa._ Minha mãe você viu como ela estava?...Eu odeio vê-la chorar... Deveria ter feito algo. Meu pai, kat e até mesmo Phil eu os deixei lá naquele hospital, e vim para casa. Eu deveria ter ficado não é? Por que ninguém mais voltou para casa mesmo sabendo que a vovó... Mesmo sabendo que ela... Você acha que eu sou egoísta?

— Ei,- Gabriel ergueu meu queixo - eu nunca acharia isso de você. Ninguém vai achar isso, Suzanne.

Chacoalhei minha cabeça lutando contra as lágrimas.

— Eu não paro de pensar no que eu disse a ela. Todas aquelas coisas- levantei da cama e comecei a andar pelo quarto. -  Todas aquelas coisas que eu disse á ela. Eu fui cruel, quando tudo que eu deveria ter feito era acreditar que tudo ficaria bem.

— Suzanne- ele chamou, e eu ignorei.

Ela estava com medo, sei que estava e tudo que eu fiz foi piorar tudo. Que tipo de neta eu era?

Minha visão foi ficando mais e mais borrada pelas lágrimas que não cessavam, mas eu soube quando ele ficou diante de mim.

Eu parei de andar e apenas me forcei a encará-lo. Foi quando eu senti a familiar falta de ar. _Eu. Não. Consigo. Respirar. -ofeguei. - Não consigo...

Tudo estava espalhado ao meu redor. Meus pensamentos, minha emoções. Tudo.

Gabriel me puxou para seu peito, e eu enterrei meu rosto ali. As lágrimas umedeciam sua camisa, mas ele não pareceu notar ou simplesmente não se importou.

Por que dói tanto?Faça isso parar, por favor – implorei. - Faça isso parar, Gabriel.

Um dos seus braços passou ao redor da minha cintura, enquanto uma das suas mãos acariciava meus cabelos devagar.

— Eu estou aqui, ok?Vou cuidar de você, Formiguinha. Juro que vou.

Cravei meus dedos fortemente contra suas costas puxando-o contra mim. Agarrando-me a ele, como se de alguma forma, ele pudesse ser minha tabua da salvação.

Mesmo depois da chuva e do banho ele ainda tinha o mesmo perfume amadeirado a qual eu estava acostumada. Aspirei seu cheiro, tentando me manter sob controle.

Cada soluço que escapava de mim fazia meu corpo tremer. Ele me segurava ainda mais apertado contra sim toda vez. Quando percebeu que eu enfim estava mole e quieta em seus braços, se afastou o suficiente para poder me olhar.

— Eu vou por você na cama, tudo bem?

Balancei minha cabeça sem querer soltá-lo. Afastamo-nos por completo, e ele segurou minha mão me levando de volta para cama.

— Está com frio?

Limpei minha garganta antes de confirmar com um sim.

Ele habilidosamente me cobriu com cada camada de cobertor que eu tinha cama, para então deitar ao meu lado. Minha cama nunca pareceu tão pequena como no momento. O estranho é que eu me sentia menor ainda, como uma boneca demais para sua enorme casa da Barbie.

Fiquei de frente para ele, observando-o se ajeitar entre as cobertas.

— Amanhã vai ser melhor?- eu indaguei baixinho.

Gabriel desviou os olhos de mim e pareceu ponderar sua resposta.

— Nós precisamos dormir, - disse ao invés. Seu tom lento e calmo me fez pensar que ele estava lidando com um animal encurralado novamente.

Não seria melhor.

Ele não disse as palavras, mas eu sabia agora. Não iria.

—Nós precisamos- concordei.

Eu rezei baixinho para não pensar em mais nada, mas era impossível já que a minha mente tinha outros planos.

Seus braços circularam ao meu redor fazendo com que o nó antes atado firmemente no meu peito, perdesse um pouco da sua força.

— Durma- ele disse baixinho. Seus lábios roçaram suavemente minha testa em um beijo._ Eu não sei se isso ajuda, mas eu vou estar bem aqui quando você acordar.

Fechei os olhos com força me aconchegando na gaiola dos seus braços.

Eu vou estar bem aqui quando você acordar- foram as últimas coisas que eu pensei que eu pensei antes de pegar no sono.

 

 





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