Segunda Chance escrita por Sophie Valdez


Capítulo 17
"And I will try, to fix you"


Notas iniciais do capítulo

Olá!

Bom, vamos aos recados:

1) Eu não postei na semana passada porque meu computador deu um piti, apagou todos os programas, todos os arquivos e inclusive alguns capitulos das minhas fics que eu ia postar. Portanto eu tive que esperar o conserto e reescrever o capitulo. Espero que entendam.

2) Se você acompanha minhas fics a algum tempo sabe que eu costumava responder todos os comentários, e não estou mais fazendo isso. O motivo é que eu estou sem tempo! :(
Tenho muitos trabalhos para fazer, livros para ler, provas para estudar. Minhas vida tá corrida. Mas.. eu leio todos os comentários e tento responder quando tem alguma pergunta ou dúvida.

3) O título do capítulo é uma frase da música "Fix You" do Coldplay. É linda, e eu estava ouvido ela enquanto escrevia, por isso é o título.

Me desculpem, mas espero que entendam e tenham uma boa leitura.



A manhã seguinte foi um verdadeiro caos. Lily acordou com os gritos de alguém que parecia ser Molly e constatou que o outro lado da cama estava vazio. Ela não sabia se James sequer tinha entrado no quarto depois que ela dormiu.

Era sempre assim quando eles brigavam, os dois podiam ficar sem se falar por meses e então James a procurava. Não que ela fosse uma chata, quando ela era a errada na situação ela o procurava, mas o fato é que James era sempre o idiota que causava as brigas.

Lily se trocou rapidamente e desceu as escadas, topando com Gina caída sentada aos pés da mesma enquanto Molly gritava com os gêmeos.

_ O QUE QUERIAM? MATAR SUA IRMÃ?

_O que houve? – Lily indaga para Gina, que observava a briga da família com uma cara de sono.

_ Fred e Jorge enfeitiçaram as malas para descerem e elas me derrubaram da escada. – Gina responde calmamente.

_ Merlin! E você está bem? – Lily pergunta preocupada e Gina lhe lança um sorriso preguiçoso.

_ Sim... Estou com muito sono para sentir algo, então... – a ruiva mais nova cortou a frase com um bocejo no momento que Hermione apareceu comendo uma torrada apressadamente.

_ Bom dia Sra. Potter. – ela cumprimenta ofegante. – Os meninos já desceram?

_ Quem? – Lily indaga confusa.

_ Ainda estão lá encima, provavelmente nem acordaram ainda. – Gina responde para Hermione, que revira os olhos e sobe correndo as escadas.

_ Eu gosto dela. – Lily comenta olhando Hermione. – Ela lembra-me eu tendo que lidar com os Marotos.

_ Aposto que lidar com os Marotos era mais divertido do que lidar com Rony e Harry. – Gina diz se levantando da escada.

_ Porque acha isso?

_ Palpite. – ela dá de ombros e seguem pelo corredor até chegarem na cozinha. Sirius, Remo, Ninfadora e James estavam lá tomando café e as cumprimentam.

James tinha dormido no sofá de uma das salas. Ele sabia que era melhor se desculpar com Lily quando os dois tivessem esfriado a cabeça e dormido um pouco. Mas assim que a viu entrar na cozinha sem lhe dirigir um olhar sequer ele contestou sua teoria.

Lily sempre fazia isso, testava cada teoria que James pudesse criar e ele tinha que se esforçar para entendê-la, mesmo depois de casados. Por um lado isso era incrível, esse jeito confuso e um tanto misterioso que era a personalidade de Lily encantava James, mas ele admitia que lidar com sua mulher era uma prova de fogo.

_ É melhor você se entender com ela. – Sirius murmura para ele. – Eu não passei toda minha vida adolescente assistindo a sua novela mexicana para você fazer uma burrada agora!

_ Eu sei, mas acha que é fácil lidar com Lily? – James rebate no mesmo tom. – Eu preciso me desculpar da maneira certa...

_ Não tem maneira certa! Você vai lá e se desculpa! Ela é sua esposa! – Sirius exclama irritado. – Você e Remo só me dão dor de cabeça. Olha aquele lá... – ela diz apontando para Remo que conversava de uma maneira desajeitada com Ninfadora. – Um homem adulto e mesmo assim paquera minha prima como se ainda fosse um adolescente cheiro de hormônios conflituosos.

James apenas concordou com a cabeça e voltou a comer observando Lily. Eles precisavam conversar, e rápido.

Logo todos os estudantes de Hogwarts estavam prontos com suas devidas malas feitas e empilhadas em um canto do corredor. O plano para transporta-los com segurança até a estação estava acertado com todos os integrantes, tirando três.

_ Porque não posso ir? – Sirius indaga cruzando os braços. – Eles vão!

_ Nós somos os pais de Harry, nunca o vimos pegar o trem, e além do mais não somos fugitivos de Askaban. – Lily exclama em resposta.

_ É, mas deviam estar mortos! – Sirius rebate sem real maldade. James só assistia a discussão calado, afinal sua esposa e seu melhor amigo não estavam com o melhor dos humores naquela manhã.

_ Nenhum de vocês vai. – Moody diz entrando no meio dos dois e mancando até a porta.

_ O que? – James indaga surpreso.

_ Nós temos que fazer uma viagem segura, e os três comprometeriam a missão. – Moody responde fixando seu olho mágico em cada um deles.

_ Eu não vou deixar de ir Alastor. – James diz firme. – Se não quiser nos deixar ir junto contigo, tudo bem, mas saiba que eu vou estar lá de qualquer maneira.

_ Isso ter haver com sua segurança Potter, e com a segurança de seu filho! – Moody retruca encarando James com os dois olhos.

_ Por favor Moody, nós podemos ir disfarçados, ninguém vai notar! – Lily diz em um tom gentil. – Nós estamos mortos para toda a sociedade afinal! Não tem nem cabimento alguém desconfiar que estamos ali!

_ Estamos atrasados. – Remo diz aparecendo na porta da casa e Moody bufa.

_ Muito bem, todos vão! Mas se algo der errado...

_ Nada vai dar errado Olho-Tonto, confie. – Sirius diz sorrindo antes de se transformar em um enorme cão negro e sair correndo pela porta da frente.

_ Sempre que Sirius diz que nada vai dar errado... –Lily comenta.

_ Algo sempre dá errado. – James completa balançando a cabeça e então se vira para a ruiva ao seu lado. – Lily...

_ Consegue criar um bom disfarce sozinho ou precisa de ajuda? – Lily pergunta secamente, empunhando a varinha e encarando James inexpressiva.

_ Depende... como seria essa “ajuda”? – James indaga abrindo um sorriso malicioso e Lily o responde o fuzilando com os olhos verdes. – Ok, eu faço sozinho.

_ Criança... –Lily murmura se afastando e indo até um espelho na parede. Ela nunca foi boa em transfiguração, mas conseguia o básico, deixando os cabelos curtos e loiros, os olhos azuis e sua estatura mais esguia.

Já James, que sempre teve um talento nato para transfiguração, deixou seus cabelos castanhos claros e compridos, o rosto coberto por uma barba espessa, os olhos mais escuros e uma barriga protuberante.

_ Conseguiria me reconhecer? – James indaga se virando para sua esposa, agora loira.

_ Seria uma tola se não conseguisse. – Lily responde e se aproxima tirando os óculos de armação redonda do rosto de James. Com um feitiço ela os fez ficarem quadrados e marrons. – Pronto, agora sim está irreconhecível.

*

Chegar a estação não foi tão difícil. Apesar do grupo grande, o mecanismo de Moody facilitou todo o trajeto e não demorou para todos estarem reunidos em um dos cantos da plataforma 9¾.

_ Impressionante! Anos se passaram e nada mudou. – James comenta observando o movimento dos alunos e familiares. –Espera, aquele careca ali é Barner Fitz?

_ Isso não é um encontro de ex-alunos James, se controle! – Lily ralha revirando os olhos. – E pelo amor de Merlin Sirius, aja como um cachorro normal!

O grande cão negro revirou os olhos e voltou a correr entre as pernas dos Weasleys e a tentar derrubar Remo encima de Tonks, que tentava não rir.

_ Bem... – disse Lupin chutando sutilmente Sirius. – Cuidem-se. – recomenda apertando as mãos dos adolescentes . Ele chegou a Harry por último e deu um tapinha no ombro. – Você também Harry. Tenha cuidado.

_ É, mantenha sua cabeça baixa e seus olhos abertos. – disse Moddy, apertando a mão de Harry também. – E não se esqueçam, todos vocês. Cuidado com o que escrevem. Se houver dúvida, não ponham nada numa carta.

_ Foi ótimo conhecer todos vocês. – disse Tonks, abraçando Hermione e Gina. – Espero que nos vejamos em breve.

Um apito soou; os alunos que ainda estavam na plataforma começaram a correr para o trem.

_ Se eu não soubesse o quanto a escola é importante, eu acharia injusto você ter que ir. – Lily diz abraçando Harry. – Tivemos tão pouco tempo!

_ Vou conversar com Dumbledore para ir te visitar em um fim de semana qualquer. – James diz assistindo o abraço entre sua família. – Nós podemos explorar mais o Mapa do Maroto, aposto que tem muita coisa que ainda não sabe.

_ Não fique falando essas coisas para o menino James! – Lily exclama lançando um olhar feio para o marido. – Harry vai para Hogwarts para estudar!

_ Claro! Mas porque não matar uns basiliscos nas horas vagas? – James rebate dando de ombros e logo em seguida abraçando o filho. Harry tinha quase a mesma altura que ele. – Se cuide Harry, é sério. Nós estamos em tempos complicados, e apesar de Hogwarts ser um lugar seguro... é sempre bom se manter atento.

_ E não se descontrole. – Lily acrescenta cautelosa. – Não fique falando muito sobre Voldemort e sobre a guerra eminente. Em tempos como esse é comum as pessoas repudiarem esses assuntos, como um mecanismo de defesa para não se desesperarem.

_ Mas é para se desesperarem. É melhor as pessoas saberem o que está acontecendo. – Harry diz erguendo as sobrancelhas.

_ Tudo a seu tempo Harry. – Lily murmura dando mais um abraço no filho. – Vá, ou vai perder o trem.

_ Arrase no Quadribol Harry! – James diz sorridente. – Eu vou estar lá para ver um dos jogos, pode ter certeza.

Mais um apito soou pela plataforma e um último chamado foi feito.

_ Corre, tome cuidado, estude, se divirta. – Lily diz apressada vendo Harry se afastar. Sirius em sua forma de cão se levanta apoiando as patas dianteiras nos ombros de Harry e encosta a cabeça no ombro do menino. – Por Deus! Cachorro... seja um cachorro...!

Por fim, Harry entrou no trem no momento que as portas estavam se fechando. Lily pode ver ele e os outros pelas janelas e acenou sorridente, pensando que por mais que não pudesse ter feito aquilo anos atrás, ela ainda podia fazer agora. Não devia ficar pensando nos anos que perdeu com Harry, e sim no agora. E o agora estava mesmo precisando de muita atenção.

_ Nós não dissemos para ele escrever. – Lily murmura mordendo o lábio, vendo o trem fazer a curva e sumir de vista.

_ Ele vai escrever. – James afirma olhando para a mesma direção. – E se esquecer, tenho certeza que Hermione vai lembrá-lo.

_ Ela parece ser o cérebro do grupo, hm? – Lily comenta sorrindo minimamente e suspira, se afastando no momento que James iria apoiar seu braço nos ombros dela. – Vamos?

Sirius saiu correndo na frente do grupo passando por entre as pernas das poucas famílias que estavam ali. Lily foi andando ao lado de Molly e Tonks enquanto James ficou para trás.

*

_ Estou lhe dizendo Sirius, Lúcio Malfoy sabe que era você lá. – Molly dizia quando chegaram ao Largo Grimmauld.

_ Ora, e qual é o problema daquele imbecil me reconhecer? – Sirius pergunta mal-humorado.

_ O problema? – Molly repete esganiçada. – Você não consegue entender a gravidade de nenhuma situação Sirius?

_ Só não acho que seja bom ocupar minha mente com preocupações bestas Molly! Já temos preocupações demais...

Lily passou reto pela discussão subindo as escadas, querendo descansar. Ela estava sentindo um cansaço realmente forte naquela manhã e não via a hora de se deitar novamente. Infelizmente, assim que se sentou na cama alguém bateu na porta, fazendo-a grunhir de frustração.

_ Lily? Querida? Podemos conversar? – James disse cauteloso assim que ela abre a porta e Lily quase riu. Era incrível como ele e Harry eram parecidos em momentos como esse.

_ Pelo seu tom, deve ter vindo implorar por meu perdão. – Lily diz se virando pro marido e cruzando os braços. James entrou no quarto e eles ficaram um na frente do outro. Ela sabia que bastava ele fazer um bico e ela logo amolecia, mas tentaria ser forte dessa vez. A situação era séria, a prioridade dos dois era Harry e James não podia agir como um adolescente descontrolado toda vez que surtasse.

_ Eu sei que fui imbecil com você. Eu estava com a cabeça quente e confuso...

_ Já reparou que sempre que brigamos você estava com “ a cabeça quente, confuso, desorientado”? Toda vez James! – Lily exclama mantendo uma expressão fechada. – Nós estamos lidando com uma situação bem complicada aqui, uma guerra está acontecendo, nosso filho precisa de nós. EU preciso de você. Mas não posso contar contigo pelo fato de que sempre que algo grande acontece você simplesmente perde a cabeça. Você é um adulto agora James, não um adolescente mimado!

_ Eu sei Lily, eu sei! – James rebate com a voz alterada, ele concordava com cada palavra da esposa, mas também precisava mostrar seu lado. – Mas entenda... Eu sempre me achei inteligente, bom, um ótimo bruxo, e quando Harry nasceu eu coloquei na cabeça que seria o melhor pai do mundo. Mas e agora? Como eu posso ser o melhor do mundo se eu só o conheço há... sei lá! Eu não sei o que fazer, como agir. E ao mesmo tempo e vejo você, sendo uma ótima mãe, preocupada, competente, sempre pensando no seu filho. Você é uma ótima mãe, mas eu não sei se posso ser um ótimo pai para ele. E se eu ajo dessa maneira, como um adolescente mimado, é apenas um jeito de esconder que na verdade eu me sinto um inútil! Harry está com problemas mas não sei como resolver. Dumbledore não fala conosco e não sei porque. Nós devíamos estar mortos, mas não sei como voltamos a vida. Eu não sei de nada!

_ A questão não é saber de nada James. – Lily diz calmamente. – E sim ter consciência de que não podemos ter conhecimento de tudo, e apenas fazer o melhor com o que sabemos.

_ Mas o que sabemos Lily? – James indaga em um tom um tanto quanto desesperado, surpreendendo a esposa. – Que Harry tem uma conexão com Voldemort? Que você viu aquele monstro nos olhos do nosso filho?

_ Nós sabemos que Harry é nosso filho, e que ele é um bom menino. – Lily diz pausadamente, um pouco mais calma. – E o que quer que esteja acontecendo com ele, nós vamos descobrir e ajudá-lo.

_ Às vezes eu penso que talvez fosse melhor não termos voltado dessa maneira tão estranha. – James murmura se sentando e escondendo o rosto entre as mãos. – Nós devíamos estar mortos, mas não estamos por conta de alguma... coisa que não sabemos.

_ James, o q...

_ E se isso tiver uma relação Lily? – James indaga voltando a olhar para a esposa. – E se nós termos voltado à vida tiver algo haver com isso que acontece com Harry? E se nossa presença prejudicar ele ao invés de ajudar?

_ Como pode dizer isso James? – Lily pergunta com a voz tremula por um riso nervoso. – Nossa presença nunca prejudicaria nosso filho! Ao contrario, nossa presença o ajuda! Somos uma família!

_ Uma família de estranhos. – James resmunga. – Não me entenda mal, eu amo nosso filho, realmente amo. Mas... Nós convivemos com ele por um ano. Ano que ele nem sequer se lembra. Então nós ficamos separados por outros 14 anos e agora convivemos por algumas semanas... Nós somos uma família Lily, mas mesmo com toda a conversa que tivemos e com todo o amor, ainda assim, nós somos quase estranhos para nosso filho.

_Nós vamos consertar isso. – Lily diz firmemente. – Nós vamos dar um jeito. Em tudo.

_ Eu queria ter a mesma determinação que você. – James diz com um riso seco.

Lily não respondeu ficou em silencio. Ela conseguia entender a confusão de James, afinal, vamos os fatos... eles tinham tecnicamente 21 anos! E seu filho já tinha 15. Toda aquela situação era difícil demais, mas eles tinham que aguentar, e tinham que aguentar juntos.

_ Eu sei que tudo isso é muito para se lidar James. – Lily diz lentamente, sentindo um desconforto no estomago. – Mas eu preciso que você consiga lidar. Harry é nosso filho, e nada vai mudar isso. Não importa se ele tem um, nove ou quinze anos, ele ainda é nosso Harry... e ele precisa de nós. E não podemos nos dar o luxo de ter cris...

_ Eu sei, eu sei... – James diz abraçando os ombros de Lily, achando estranho sua voz ter falhado. – Me desculpe por ontem.

Lily ficou calada, e James estranhou.

_ Lils? – James chama apertando mais a esposa entre os braços e Lily solta um gemido. – O que foi?

_ Eu... – Lily murmura levantando a cabeça meio zonza e encarando o marido. – Preciso de um banheiro.

James piscou duas vezes e Lily correu para o banheiro mais próximo vomitando todo o seu café-da-manhã, com James ao seu encalço, totalmente confuso.

_ Então... isso é um não as minhas desculpas?



Notas finais do capítulo

Vocês já pararam para pensar que Lily e James tinham só 21 anos quando morreram? Isso é terrível, eles eram muito novos!
Mas, graças a mim, estão vivos de novo!

Espero que tenham gostado. Sei que vocês são muito espertos, mas se tiver alguém aí meio boiando eu vou dar uma dica: Esse finalzinho é importante...! ;)

Beijos e até mais!