Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 17
Ninguém está pronto para: Admitir alguma coisa


Notas iniciais do capítulo

As vezes o peso de algumas palavras são mais dolorosas que um tapa.
(Capa: Drew)

Ps.: Os acontecimentos deste capítulo ocorrem no mesmo dia do capítulo passado.



Nico entregou para Drew um copo com água e açúcar. Ela estava nervosa, sua pressão subiu e se continuasse assim, poderia ter um piripaque. Mas aos poucos ela se acalmou, até que finalmente tranquilizou-se. Estava sentada na escadaria da enfermaria, não havia nenhum campista por perto.

— Estão em uma competição. — Nico esclareceu, sentando-se ao lado dela. — O Senhor D. está oferecendo uma recompensa para quem capturar o sino de bronze.

— Fantástico. — Drew respondeu irônica.

— Posso perguntar uma coisa?

Nico não era a pessoa mais social do acampamento, ele não conseguia ficar a vontade na companhia de muitas pessoas. A filha de Afrodite era uma das poucas que ele sentia que poderia falar o que quisesse, sem ser recriminado por ser quem era ou agir como agia. Ela era dura e neurótica na maioria das vezes. Mas jamais o tratara mal.

— O que é? — Ela ainda olhava para o além, com o pensamento longe, tão longe que devia bater na porta do Chalé de Ares.

— Como é que isso tudo começou? Você e o Dante? — Nico recebeu como resposta as costas de Drew. — Desculpe a curiosidade. Mas eu não consigo entender. Vocês se gostam, está na cara, mas não querem dar o braço a torcer.

— Quem disse que eu gosto dele? — ela o fuzilou com seus lindos olhos asiáticos.

— Você está vestindo a camisa dele nesse momento. — Nico olhou para a camisa de flanela anos 90, havia um corte na coxa de Drew, mas ele não falou nada.

— Só porque o meu vestido rasgou. — Ela respondeu aborrecida. Depois soltou os ombros, desanimada e virou novamente. — Não é tão simples quanto parece, filho de Hades.

— Aconteceu algo grave entre vocês? É a disputa entre os chalés?

— Não, eu não ligo para essa disputa ridícula.

— E então?

Drew o olhou irritada, mas depois pareceu cansada de fugir.

— Quando eu cheguei no acampamento, alguns anos atrás, foi Dante que me recepcionou. Ele me mostrou todos os lugares e me contou várias histórias. Viramos amigos imediatamente. Eu não sei como explicar isso, apenas nos dávamos bem. Gostava de quando fugíamos de noite até o mar para nadar e ver as ninfas dançarem na água. Costumávamos fazer isso escondido, sempre houve uma rixa entre nossos chalés, eu sei, por isso era escondido.

— Você chegou aqui com onze. Não foi?

— Sim. E ele já estava aqui desde os cinco anos de idade. — Ela concordou e continuou a história. — No final do verão, eu sempre voltava para o Japão, mas com o passar dos anos, estava cada vez mais perigoso para viajar de lá pra cá. Então minha família se mudou para Nova Iorque. No meu terceiro verão, nós deixamos de olhar as ninfas para treinar seriamente. Dante recebeu uma missão e precisava escolher seu grupo. Eu achei que ele fosse me chamar, porque ele sabia mais do que ninguém que eu queria mostrar a todos que o chalé de Afrodite era mais forte do que muitos pensam, mas decidiu levar Clarisse e Tom. Fiquei tão furiosa por ele achar que eu não dava conta daquela missão.

— Mas, ele disse isso?

— Ele não teve a decência de falar na minha cara que eu não era boa o bastante para seu time.

— Por que você falou que devia ter deixado ele morrer quando teve chance?

Drew se levantou, estava sem sapatos, caminhou sobre a grama descalça.

— Na guerra contra Cronos, logo após a morte de minha irmã Silena, todos estavam lutando, inclusive o chalé de Ares. E eles são os melhores no campo de batalha, ninguém pode duvidar disso. Eu encontrei Dante ferido, ele salvou alguns de meus irmãos presos em uma loja com alguns monstros. Eu já havia perdido Silena, e não suportei a ideia de perdê-lo também. Ele lutava contra uma Quimera, quando foi arremessado contra a vitrine da Tiffany. Eu não pensei, apenas peguei minhas adagas e avancei contra a Quimera.

— Você foi corajosa.

— Eu fui louca. — Drew abriu alguns botões da camisa, deixando Nico desconcertado, ela mostrou a terrível cicatriz no seio direito. — Eu quase morri.

— Para salvá-lo. — Ele completou.

Drew abotoou a camisa e deu de ombros.

— Enfim. Eu matei aquela Quimera maldita e consegui entrar na Tiffany quase me arrastando. Nunca pensei que fosse entrar naquela loja em péssimas condições. Não é um sonho de garota.

Nico não pode deixar de rir, pois ela também sorriu no fim das contas.

— Então vocês não fizeram as pazes depois de tanto sofrimento?

— Paz? A morte de Silena me mostrou que não existe paz. Eu tive medo de sofrer, então eu fiz o que uma filha de Afrodite faz melhor. Quebrei seu coração. Criei uma poção e bebemos juntos. Era para esquecermos um do outro. Só que ficamos presos entre o amor e ódio. Em um sonho, mamãe me falou que nós dois possuíamos a chave para quebrar a poção. Um dia o amor vence o ódio, ou vice versa.

Drew não falava com orgulho aquelas palavras, pelo contrário, ela sorria, um sorriso sofrido. Nico não compreendia seus motivos, ele a questionou sobre estarem sofrendo do mesmo jeito.

— Isso não faz sentido.

— Querido, nem sempre existe uma resposta certa para o amor. As vezes cometemos loucuras por quem amamos, mas devemos temer esse sentimento, principalmente quando não temos controle sobre ele. — Ela esticou as mãos para o alto, se espreguiçando. — Vou para meu chalé, tomar um banho. Obrigada pela companhia, filho de Hades.

Nico acenou para Drew, enquanto ela se afastava. Ele ouviu um estrondo vindo da arena e então viu BlackJack voando no céu com Percy montado em suas costas. Decidiu então ver o que estava acontecendo.

Ao chegar na arena, encontrou o acampamento em peso eufórico pela disputa do sino de bronze. Os melhores do acampamento estavam na disputa, cada um poderia levar apenas uma arma, ou caso preferisse, um animal.

— Desclassificado. — Anunciou Dionísio no alto falante, mandando Percy para fora da arena. — Eu disse, uma arma ou um animal.

— Isso aqui é uma caneta esferográfica. — Gritou Percy.

— Caí fora daí Pedro. — Dionísio mandou que todos continuassem, ignorando Percy.

BlackJack aterrissou ao lado de Nico, então Percy desmontou-o, mandando ele ir descansar, fazendo um carinho em sua cabeça.

— Que injusto, ele esta descontando suas frustrações em nós. — Percy reclamou e Nico riu, na verdade Dionísio estava certo, mas preferiu não falar nada. — Como está a Dedee?

— Melhor do que qualquer um nessa arena.

— Menos mal. — Percy aplaudiu a queda de Miguel, do acampamento de Ares. — Quer um beijo no machucado aí grandão? — Ele gargalhou quando Miguel se levantou e apontou o dedo do meio em sua direção.

— Pare com isso. — Nico ordenou, mas Percy era impossível. Então ele achou melhor levá-lo para longe dali. Até que Percy gostou da ideia e o abraçou pela cintura, beijando-o, conforme andavam. — Nem pense nisso, eu não quero passar o resto dos dias nesse lugar de castigo.

— Não é engraçado?

— O que? — Nico o olhou curioso.

— Você, o príncipe do mundo inferior, de castigo em um acampamento. — Percy gargalhou.

Eles caminharam pelo acampamento, procurando por Rachel, enquanto isso, Nico contou para Percy sobre a conversa que tivera com Drew.

— Isso não faz sentido. Dante pode ter lá seus problemas, mas ele não subjugaria um

semideus dessa maneira, talvez algo deve ter acontecido.

— Mas lembre-se, não é da nossa conta. — Nico lembrou-o.

— Então porque está me contando? — Percy parou de andar, tirando os braços dos ombros do namorado.

— Não sei. É melhor esquecer. — eles encontraram Alex conversando com Rachel, próximos da gruta. Os dois pararam de falar assim que se aproximaram. — Onde está Leo?

— Ele e Jason estão resolvendo um assunto particular em algum canto escuro desse acampamento. — Alex fez o comentário cheio de acidez nas palavras, levando um cutucão de Rachel.

— Vocês não tem nada mais para fazer do que cuidar da vida dos outros?

— Não é como se os outros não falassem também da minha vida. Direitos iguais. Mas eu vim aqui saber se por acaso sonhou com alguma coisa estranha esses dias.

— Talvez. Porque? — Rachel o olhou desconfiada, ela sabia que Percy precisava de algum motivo para aprontar. — Sonhei que era a madrasta da Branca de Neve, mas até onde sei, isso é ridículo.

— Quem sabe. — Ele deu um sorriso animado para Alex, batendo nos ombros dele. — Então você anda com ciúmes?

— Eu não quero falar sobre isso. — Alex bufou fazendo Percy ficar com aquela vontade de se intrometer em assuntos que não lhe diz respeito.

— Sabe... eles são meus amigos, eu quero que se deem bem. Mas se não der certo, dou todo o meu apoio para você. — Percy sorriu e Alex girou os olhos, levantando-se.

Nico lançou um olhar irritado para Percy, observando Alex afastar-se com Rachel.

— Você tem mesmo que sempre fazer isso? — Nico cruzou os braços.

— O que foi? Eu só estava dando meu apoio. — Percy segurou as mãos de Nico, descruzando seus braços. — Ok! Ok! Prometo que não vou mais me intrometer... isso se você fizer uma coisa por mim. — Ele sussurrou ao pé do ouvido.

Nico poderia afastá-lo, mas já que ninguém estava olhando....



Notas finais do capítulo

Oi, como vão? Espero que bem.
Não tenham medo de comentar e falar o que estão achando, eu não vou morder ninguém hehe


Semana passada eu descobri que alguém estava postando minha história no site Social Spirit. Olha, eu já tive muitas (MUITAS) histórias copiadas, geralmente as pessoas pegam o enredo e reescrevem, não ligo que façam isso, até porque uma ideia não patenteada não é exclusiva, ainda mais fanfic, não existe nenhuma lei que me proteja (Não existe nenhuma lei que proteja qualquer fanfic). Só que é desagradável ter seu texto copiado.

Se gostou da história e quer que outras pessoas leiam também, é mais fácil mandar o link da original ao invés de copiar o que não é seu. É uma coisa de caráter e respeito, sabe.
Seja aquele que divulga e não o que copia.

Acho que vai dar para publicar o próximo capítulo no feriado, o que acham? Tomara que dê hehe

Beijos.