A Luz E A Escuridão escrita por Madame Baggio


Capítulo 6
Capítulo 6




Sim, ela tinha razão. A água estava congelante. Ela sentiu como se mil agulhas entrassem em seu corpo de uma só vez. Ela tentou prender a respiração, mas o ar parecia sair sozinho dos seus pulmões. Seu corpo começou a afundar e ela ainda presa pelo feitiço não podia fazer nada. Ela já não conseguia mais prender o ar. Ela já não conseguia mais lutar. Ela só via as coisas se tornando mais e mais confusas e escuras.

***

James viu os Comensais se aproximando de Lily, viu eles a pegarem no colo e viu ela ser jogada na água negra sem poder fazer nada. Ele ainda tentava se livrar de três Comensais da Morte, mas um desespero cresceu nele ao saber que Lily estava sem poder fazer nada. Ela morreria e ele falharia mais uma vez. Ele não podia aceitar isso. Jurara nunca mais falhar. Ele não podia deixar nada acontecer a ela.

Uma força veio ele não soube de onde e o fez rechaçar os três Comensais com violência. Ele conseguiu tempo o suficiente para correr para a borda do barco.

-James! –Sirius gritou, mas não teve tempo de ir na direção do amigo.

James mergulhou na água gelada sem hesitar, mas a escuridão da noite tornava impossível ver qualquer coisa. Ele sentiu a água congelante em contato com a sua pele e sentia que era difícil até prender a respiração, mas ele não podia desistir. Mergulhou mais uma vez, dessa vez com uma forte luz saindo da sua varinha. Ele não podia ver a grande distancia, mas ai ele viu. Afundando não muito longe dele um lampejo de vermelho.

Ele nadou com todas as suas forças, mas a água gelada fazia parecer que o esforço era muito grande. Mas ali estava realmente Lily. Afundando vagarosamente, branca como um... Não, não um cadáver.

Ele pegou-a pela mão e nadou para a superfície com todas as suas forças. Ele quase não tinha mais forças e tinha medo do que poderia ter acontecido a Lily. Não, não medo. Ele não sentia mais essas coisas. Era apenas receio.

Ele sabia que aparatar faria com que o Ministério soubesse da localização dele, mas no momento foi a única solução que lhe pareceu viável.

Ele aparatou na baía da cidade em que a balsa deveria chegar. Ele mal sabia por onde começar, mas ele sabia que ela primeiro precisaria de forças para respirar normalmente. Então pegou a varinha e apontou para ela primeiro.

-Finite Incantatem!

O estado de Lily não pareceu melhorar muito, mas ele já sabia que não seria o suficiente. Debruçou-se sobre ela e cobriu os lábios dela com os seus, forçando ar para os pulmões da ruiva.

-Vamos, Evans. Por favor... Me mostra um pouco dessa sua teimosia agora... –ele pediu preocupado, enquanto fazia massagem cardíaca nela.

Ele já começava a ficar realmente preocupado quando ao fazer mais uma vez respiração boca a boca nela, viu ela tremer e então começar a tossir, água vertendo de sua boca.

Ela voltou a respirar, mas também tremia compulsivamente de frio. James fez um feitiço que secou aos dois imediatamente, mas o corpo dela permanecia frio como gelo.

James sabia que não existia nenhum feitiço eficiente o bastante para aquecer um corpo, ou pelo menos seguro o bastante, mas ele sabia um método. O que eles ensinavam na Academia de Aurores para o caso de uma emergência. Bom, aquela era uma emergência.

Ele pegou Lily no colo e olhou em volta. A parte do cais onde eles estavam era onde haviam pequenos galpões disponíveis para serem alugados. Ele usou sua varinha para abrir a porta de um deles e entrou ali com Lily.

James encontrou o interruptor e acendeu a luz iluminando o local. Havia várias caixas empilhadas ali, mas o lugar parecia limpo o bastante. Ele fechou a porta atrás de si, deixando o ar frio da noite lá fora. Ele conjurou dois pesados cobertores e estendeu um no chão deitando Lily sobre ele. Ela não se mexia, sua pele ainda estava congelante e sua respiração parecia bem pesada, mas ela pelo menos respirava.

Ele olhou a ruiva deitada no chão. Ele tinha certeza que ela ia surtar por causa disso mais tarde, mas pelo menos ela estaria viva e seria uma preocupação a menos para ele.

Ele tirou o cachecol que ela usava e então livrou-a do casaco pesado. Tirou as botas que ela usava e as meias. Respirou fundo enquanto tentava pensar em uma forma melhor de esquentá-la, mas ele sabia que usar o calor de um corpo é o melhor jeito de aquecer outro corpo. E era o que ele faria, usaria seu corpo para aquecer Lily.

Sentiu um estranho nervosismo ao tirar a blusa de Lily. Não era como se ele nunca tivesse tirado a roupa de uma mulher antes, mas esse negócio de inconsciência fazia parecer um abuso da parte dele.

A pele dela era porcelana pura por baixo da roupa. A única coisa que a maculava era aquela marca criminosa que o Ministério havia feito nela. Ele puxou as calças dela. Tinha a sensação de que Sirius nunca o deixaria em paz por isso. Talvez fosse melhor não contar essa ao amigo.

Ele jogou o cobertor sobre ela, antes de tirar os próprios sapatos e o casaco. Permaneceu com a calça que usava, mas tirou a camisa e decidiu que assim seria o bastante. Ou pelo menos teria que ser.

Ele enfiou-se debaixo do cobertor junto com ela. Ele deitou seu corpo com cuidado sobre o dela. Ela parecia tão pequena que ele não acreditava ser difícil ele esmaga-la com seu peso.

-Vamos, Lily! –ele implorou, enquanto esfregava as mãos nos braços dela, nos ombros, tentando fazer com que o corpo dela se esquentasse mais uma vez.

Ele passava as mãos pelo corpo de Lily, enquanto chamava o nome dela repetidas vezes. Lentamente a cor começou a voltar ao rosto dela e a pele dela começou a esquentar.

James soltou um suspiro aliviado. Ela ia ficar bem. Ela não ia morrer. Ele não ia falhar de novo. Não, nunca mais ele ia falhar.

De repente Lily começou a se mexer sob ele no que parecia um ataque nervoso. Ela gritava e se debatia, tentando soltar-se dele.

-Senhorita Evans, pare! –James pediu tentando segurar as mãos dela –Sou eu, James Potter. Acalme-se.

-Me solta! –ela gritava, em meio ao que parecia ser um delírio –Me deixa em paz!

-Lily, se acalme! Sou eu, o Potter. O idiota do trem! –ele insistiu.

Lily ainda se debateu mais uma vez, antes de parar e aparentemente cair no sono.

-Claro. –James falou irônico –É só falar que eu sou um idiota que ela se lembra de quem eu sou.

Ele soltou um suspiro, antes de olhar a ruiva adormecida sob ele. Sem perceber ele levou a mão ao rosto dela para tirar uma mecha de cabelo ruivo que caia sobre a face dela.

O alivio também fez o cansaço desabar sobre ele. E antes que ele pudesse perceber ele já havia caído no sono, abraçado a Lily.



Notas finais do capítulo

Curtinho, mas ta valendo!



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