My Dear Nerd escrita por Monaliza


Capítulo 38
Talvez


Notas iniciais do capítulo

Olá galerinha linda ♥ Demorei? Acho que não né? mas enfim... Ainda é dia 25, por isso queria desejar um Feliz Natal - ou um feliz resto de natal - a todos, e esse capítulo é o meu presente para vocês *-* Especialmente para Duda, que cobrou pra ontem, mas meu Word não tava funcionando, então não pude terminar. Mas ok. O que importa é que agora já tá pronto *u*

E um enorme obrigado para a Pequena Eaton que me deixou uma recomendação lindíssima! Amei mesmo ♥

Enfim, boa leitura :3



P.O.V Logan

Minha cabeça estava latejando. Era como se tivessem me batido diversas vezes ali com um bastão de baseball ou então distribuído vários socos e chutes sem parar. Eu sabia que isso tudo era por causa da ressaca que estava sentindo. E a culpa disso tudo era totalmente da Mellany.

Eu não queria abrir os olhos. Na minha boca eu sentia um gosto amargo e minha cabeça continuava doendo. No meu corpo eu sentia um peso, e na hora de tentar mudar de posição, eu não cheguei nem perto de conseguir. Tentei novamente, mas só serviu para eu ser mais apertado ainda e ouvir um resmungo. E então eu abri os olhos assustado. Não era apenas um peso, era o corpo de alguém. E eu não tive tanta sorte de ser o corpo de alguém morto.

Sabe-se lá o que foi que eu aprontei ontem à noite pra vir parar numa cama com alguém abraçado a mim. Direcionei o meu olhar para baixo e vi uma enorme cabeleira loira acompanhada de um belo corpo, coberto apenas por peças intimas.

“Pelo menos ela é gostosa.” Foi a primeira coisa que pensei, ao ver que tinha 90% de chance de eu ter ido pra cama com aquela garota.

Eu estava com a leve impressão de que conhecia o perfume feminino que estava impregnado em meu corpo e tinha quase certeza de que já tinha visitado aquele quarto, mas ainda estava cedo – pelo menos cedo o bastante pra alguém que deve ter passado a noite enchendo a cara e também fazendo outros tipos de coisas – e eu estava com uma ressaca desgraçada, portanto não me preocupei em tentar adivinhar nada disso. Seja lá o que tenha acontecido, já estava feito mesmo e me preocupar não ia mudar nada disso. Eu não ia me desesperar.

Porém, essa ideia me pareceu muito distante depois que eu enxerguei um porta-retratos não muito longe da cama e nele continha uma foto de quem eu menos esperava.

Eu não podia acreditar no tamanho da burrada que eu tinha feito. A simples ideia da possibilidade – muito alto por sinal – de nós termos passado a noite juntos me enchia de pânico. Nada contra a Mellany. Nada contra mesmo, mas se tivesse que acontecer, não era pra ser do jeito que eu acho que foi. Eu estava inconsciente e ela não devia estar tão diferente de mim, e eu sequer me lembro de nada!

Passei a chacoalhar seu corpo desesperadamente na tentativa de acordá-la, e assim que ela abriu os olhos, eu praticamente vomitei as palavras.

– Mellany me diz que a gente não transou. – minha voz estava suplicante.

Ela me olhou com a boca aberta, como se eu tivesse a ofendido profundamente. Bom, talvez eu tenha feito isso mesmo.

– Bom dia pra você também! – ela elevou a voz e aquilo me fez contorcer o rosto em uma expressão de dor. Minha cabeça parecia que ia explodir. – E se a gente transou? Qual o problema?

– Nenhum, mas é que...

– Mas é que eu não sirvo pra você né? – ela deu uma risada amarga. – Com a sua priminha nojenta você pode dormir, mas com a Mellany não, porque a Mellany não presta!

– Para com isso! Não foi o que eu disse. – tentei me explicar. – Mas eu estava bêbado e...

– Isso! Põe a culpa na bebida! – ela me interrompeu. – Afinal, você não faria nada comigo se estivesse em perfeito estado, não é mesmo? Mas tudo bem. Se te tranquiliza, a gente não fez nada.

– Como assim não? Você fez toda essa confusão pra no final me dizer que a gente não fez nada?

– É isso aí! Você estava tão alterado que dormiu no meio das nossas preliminares.

– Eu dormi? – isso era tão inusitado que eu me senti na obrigação de rir.

– Do que você tá rindo seu cretino? Não foi nada engraçado! – ela falou num tom bravo.

– Ah, eu te deixei na vontade foi? Por isso você tá bravinha? – a provoquei.

– Isso não tem graça! – ela se emburrou de vez e veio em minha direção já pronta pra me bater.

Eu já nem me surpreendia mais, afinal, tudo a Mellany queria resolver na pancada e não me restava mais nada a não ser tentar me defender. Vez ou outra eu cobria meu rosto com os braços e na maior parte do tempo eu tentava segurá-la, para impedi-la de continuar me batendo. Numa dessas minhas tentativas, a gente acabou se desequilibrando e caindo com tudo na cama. Agradeci mentalmente por ter sido num lugar macio, se não eu estaria mais ferrado do que já estou. Se é que isso era possível.

– Eu deveria encher a sua cara de tapas, seu idiota! – ela rosnou ofegante.

Ali, sentada na minha barriga, usando apenas suas roupas íntimas e respirando aceleradamente, ela ficava tão sexy que eu nem me dei conta quando a puxei na minha direção e beijei sua boca. Ela correspondeu e aprofundamos ainda mais o beijo. Suas mãos bagunçavam meu cabelo e as minhas percorriam todo o seu corpo. Cheguei a cogitar a hipótese de terminarmos o que começamos ontem, mas pensei nas consequências que aquilo poderia trazer, então parei.

– O que foi? – ela perguntou visivelmente confusa.

– Nada, é só que... – tentei regular minha respiração. – Eu não sei se eu conseguiria me controlar.

– E qual a necessidade de se controlar? – eu via claramente em sua voz o tamanho da sua irritação.

Ri sonoramente e passei a lhe encarar.

– Olha Mel, somos amigos agora, e eu não quero estragar isso só pra satisfazer meus desejos.

– E quem disse que a gente precisa estragar pra satisfazer nossos desejos? – ela sorriu largamente e eu não entendi mais nada. – Nunca ouviu falar em amizade colorida?

– Sério isso?

– Mais que sério. – ela disse. – Veja só, a gente poderia se pegar sem medo de ficar aquele clima estranho entre a gente, porque não precisaríamos sumir da vida do outro como acontece com os ficantes em geral; não iriamos assumir nenhum compromisso sério, mas teríamos algo estabelecido entre a gente, entende? Quando alguém perguntar o que somos, por exemplo, não ficaria aquela duvida de sempre e diríamos que somos amigos coloridos.

– Eu fico impressionado com a sua capacidade de apresentar os pontos positivos de qualquer situação quando você quer. – expus meu pensamento, a fazendo rir.

– Mas eu falo sério! Seria perfeito pra gente, a não ser que você queira me pedir em namoro. – ela deu de ombros.

Voltei a rir.

– Você me quer tanto assim?

– Cala essa boca e para de ser tão convencido! – ela fingiu estar brava, mas segundos depois riu também. – Aceita ou vai amarelar?

– Por que você sempre envolve esse tom de desafio quando quer convencer as pessoas a fazer algo?

– Porque eu sei que ninguém resiste a um bom desafio. – ela deu um sorriso vitorioso.

– Talvez você esteja certa. E talvez eu deva mesmo aceitar isso. – dei de ombros, não querendo lhe dar completamente a certeza.

– Vou considerar isso como um sim. – ela disse voltando a sentar em cima de mim.

– Você não desiste, não é?

– Quando o assunto é você? Não mesmo! – e então voltamos a nos beijar.

Eu não tinha noção do quanto era bom beijá-la sem ter que carregar quilos de culpa. Talvez tenha sido mesmo bom aceitar essa amizade colorida. Ou talvez eu ainda esteja agindo sob o efeito do álcool. É a única explicação lógica para os meus atos.

Nos separamos em busca de fôlego, e eu passei a encarar seu rosto com mais atenção. Ela era linda e naquele momento eu percebi que tinha uma baita sorte por poder estar ao lado dela. Isso soou muito gay, mas de uns dias pra cá eu venho sendo tão estranho, como se eu não fosse o mesmo de sempre, que nem me importei. Se a algum tempo atrás alguém me dissesse que eu estaria numa amizade colorida com a Mellany, eu provavelmente daria uma sonora gargalhada e indicaria algum psiquiatra amigo dos meus pais. Mas do jeito que as coisas estão, quem precisa procurar um psiquiatra sou eu, sem dúvida.

– Mas que fique claro que eu ainda prefiro o GTA. – lhe provoquei, lembrando de uma das nossas discussões.

– Cretino! – ela me bateu e eu ri, apesar de já estar com os braços doloridos por tomar tantos tapas.

– Eu preciso ir pra casa. – disse depois de algum tempo.

– Ah, mas já? – ela fez um biquinho muito fofo e eu senti vontade de apertar.

– Já passam das onze horas, eu estou sem comer, sem tomar banho, com bafo de bebida e provavelmente com a cara toda amassada. Além de estar com dor de cabeça. Acho que mereço ir pra casa.

– Vou com você então. – ela sorriu. – Eu só preciso me arrumar e ligar para Dolores e pedir pra ela vir limpar isso aqui, porque o resto da casa deve estar um chiqueiro.

– Só não demora! – ordenei e levantei para procurar minhas roupas.

Assim que fiquei de pé, senti meu corpo totalmente dolorido. Lembrar de nunca mais beber. Ou então passar a beber bastante até me acostumar com o álcool no organismo. Mas enfim... Me vesti e fui até a frente do espelho, pra tentar dar um jeito no meu cabelo e na minha cara que com certeza, devia estar horrorosa. Não me surpreendi nem um pouco com meu aspecto semi-morto, até porque eu já esperava isso. Eu tinha olheiras e meu rosto estava completamente marcado pelo travesseiro. Eu estava me sentindo um zumbi, e sabia que nada que fizesse iria adiantar, por isso voltei a me jogar na cama.

Eu nem queria, mas a Mellany demorou tanto no banho, que eu nem me dei conta do momento em que voltei a pegar no sono.

P.O.V Mellany

Eu estava muito feliz. A situação era tão surreal que parecia ser mais um dos meus sonhos. E o melhor de tudo isso é que eu nem precisei de muito pra fazê-lo aceitar. Quer dizer, eu praticamente discursei o quanto era bom ter uma amizade colorida, mas tipo, eu esperava ter que insistir mais. Eu nem sequer precisei ajoelhar! O que me leva a crer que foi uma tarefa fácil.

Talvez ele gostasse mesmo de mim, e sentisse tanto desejo quanto eu. Talvez ele quisesse ficar comigo, mas não queria nada muito concreto. Ou talvez isso tudo era coisa da minha cabeças mesmo. Eu estava levemente insegura em relação a tudo isso. Tinha medo de sair do banho e dar de cara com um Logan muito arrependido e querendo voltar atrás. Talvez ele só estivesse um pouco atordoado com tudo o que tinha acontecido nas últimas horas ou ainda não tivesse recuperado 100% a consciência e ainda houvesse algum resquício de álcool no seu organismo.

Mas tudo bem, eu não vou pirar. Eu não tenho mais cinco anos e não vou agir feito uma garotinha medrosa. Se ele quiser voltar atrás, ok. Tudo o que eu posso fazer é aceitar. Não se pode obrigar ninguém a gostar de você. Minha mãe sempre me dizia: se não é de boa vontade, não vale a pena ter. Mas o pior é que eu queria ter, nem que fosse um pouquinho de nada. Vindo dele, mesmo que não seja completo ou seja pouco, eu gostaria de ter. E eu não faço ideia do que foi que esse garoto fez comigo pra eu ficar desse jeito.

Talvez eu estivesse gostando dele. Mas tipo, só talvez. Eu arriscaria dizer que 20% de mim estivesse gostando dele. Porém, não era pra isso acontecer. O plano era conquistar ele e chutá-lo a sangue frio, mas quem disse que eu me importo mais com isso? Eu nunca fui uma pessoa muita focada, e acho que acabei me perdendo no meio dos meus objetivos. Talvez a Tiffany estivesse certa em dizer que algo poderia dar errado. Talvez esse algo fosse o fato de eu me apaixonar por ele, uma coisa que não foi nem um pouco planejada. Na verdade essa ideia nunca me passou pela cabeça. Até agora. Talvez eu devesse me afastar e desistir disso tudo – não que eu ainda estivesse me empenhando nisso -. Mas só de pensar na hipótese de ter que ficar longe dele, meu coração apertava. É. Talvez eu estivesse mesmo me apaixonando. Talvez eu tivesse envolvido sentimentos onde não deveria. Talvez eu estivesse indo longe demais com tudo isso. A verdade era que eu não tinha mais certeza de nada.

Mas afinal, o que é a vida sem um pouco de adrenalina? Vai ver eu devia mesmo arriscar. E daí que eu poderia me dar mal? Eu não estava me importando mesmo. E por isso mesmo resolvi parar de me preocupar. Vai ver eu só estava nervosa e estava criando problemas que ainda nem existiam.

Continuei debaixo do chuveiro, tentando relaxar. Quando achei que estava melhor, saí de lá e me sequei. Quando estava indo até o closet escolher algo pra vestir, vi o Logan jogado na minha cama e dormindo feito um bebê. Aquela era a cena mais fofa que eu já tive o prazer de ver. Provavelmente eu demorei de mais, e então ele resolveu dormir pra passar o tempo. Ri ao constatar que foi aquilo mesmo que aconteceu.

Pra não demorar mais ainda, fui rápida na troca de roupa e nem me maquiei. Passei apenas um perfume e passei apenas as mãos no cabelo e um pouco de fixador para conter alguns fios rebeldes. Liguei para a Dolores e avisei que precisava dos serviços dela. Quinze minutos depois a campainha já estava tocando e eu fui atendê-la. Nem precisei dizer muita coisa. A sujeira da casa já falava por si só. Deixei o pagamento dela em cima da bancada da cozinha e depois de avisá-la, voltei até o meu quarto.

Entrei e o Logan continuava do mesmo jeito que foi deixado. Fui até a cama e sentei na ponta. Ele estava tão fofo dormindo que eu senti pena de acordá-lo. Não contive a vontade e comecei a passar a mão por seus cabelos. Eram tão macios que eu senti uma pontinha de inveja.

– Ei. – chamei delicadamente. Ele nem ousou se mexer. – Logan. – falei um pouco mais alto e o chacoalhei, mas não obtive resultado. – Logan! – dessa vez eu gritei mesmo.

Ele levantou assustado e quando se situou me olhou com uma cara nada amigável.

– O que é? – perguntou mal humorado.

– Terminei. – sorri como se nada tivesse acontecido.

– Até que enfim. – ele revirou os olhos e se levantou.

Só pude rir e o acompanhar até a garagem. Entramos no carro e instantes depois eu já estava dirigindo até sua casa. O caminho foi silencioso, provavelmente porque o Logan ainda estava com sono ou simplesmente sem vontade de conversar. Assim que chegamos, saltamos no carro e quando entramos em sua casa, estava tudo no mais completo silêncio. E não seria estranho, se não fosse pelo fato de já beirar às duas da tarde. Trocamos um olhar cúmplice e curioso.

– Provavelmente deve estar na casa de uma qualquer. – ele falou se referindo ao Brian e eu assenti, porque era o mesmo que eu achava.

Nos jogamos no sofá e ele deitou no meu colo.

– Eu ainda estou com sono e a culpa é sua. – ele disse.

– Não. A culpa é da sua fraqueza pra beber.

– E quem foi mesmo que me embebedou? – perguntou como se estivesse pensando na resposta.

Eu ri.

– Eu só te dei os primeiros copos. – levantei as mãos em sinal de defesa.

– Os primeiros trinta copos, você quis dizer. – ele foi sarcástico.

Voltei a rir.

– Tudo bem. Talvez a culpa tenha sido minha. Mas eu não tinha segundas intenções, que fique claro.

– Ah não. Imagina! – a ironia reinava em sua voz. – Só queria se aproveitar da minha pessoa.

– Eu não precisaria te deixar bêbado pra fazer isso.

– Que convencida! – ele riu.

– Você acha que vai dar certo? – perguntei depois de um tempo.

– O que?

– Nós dois.

– Ah, se não der certo, pelo menos a gente tentou. – eu ri diante de sua resposta e me curvei para beijá-lo.

Era tão bom poder me aproveitar de sua boca sem culpa. Sem o receio de não ser correspondida. Sem o medo do clima estranho que poderia ficar entre nós. Agora tudo acontecia naturalmente e eu poderia me ajoelhar e agradecer por isso.

Estávamos nos pegando loucamente, e a temperatura já começava a subir. Nossa, se eu soubesse que o Logan era tão bom assim, eu não tinha perdido meu tempo odiando ele. Sinceramente, aquele garoto estava me levando à loucura, e eu realmente não sabia se iria conseguir me controlar por muito tempo. Estava indo tudo bem, bastante bem se é que me entendem, porém, fomos obrigados a nos separar assim que ouvimos um grito estridente e contínuo vindo do andar de cima. Trocamos olhares assustados e eu engoli em seco.

– Ai. Meu. Deus. – tenho certeza que a essa altura do campeonato eu já estava mais branca que papel.

Eu não era medrosa. Quer dizer, não muito. Mas o grito que ouvimos, bem quando juramos que estávamos sozinhos, foi algo que me assustou pra caramba. E pra melhorar, mais um grito como o último se fez ouvir. E outro. E mais outro. E mais outros. Ok, agora eu não estava mais com medo. Eu estava em pânico.

Só saí do meu estado de desespero quando vi o Logan subir as escadas correndo. Eu sabia que a atitude mais indicada era sair da casa e ligar para a policia, mas parecia até que minhas pernas haviam criado vida própria, e no instante seguinte, eu estava seguindo o Logan escadas à cima.

Dava pra perceber nitidamente que os gritos vinham do quarto do Brian e em menos de dois tempos, Logan já estava com o pé na porta. Quando ela se abriu, meu queixo foi ao chão.

Não. Não foi ninguém levando tiros ou facadas. Nem sendo queimado vivo ou coisa do tipo. Foi a Tiffany coberta apenas por um lençol gritando enlouquecidamente e o Brian só de cueca, tão assustado quanto nós.

É. Eu podia estar muito errada a respeito daquela cena, mas pra mim, só podia significar uma coisa. E era por isso que eu entendia a expressão de pânico da minha amiga.



Notas finais do capítulo

Desculpem por qualquer erro e me digam o que acharam do capítulo nos reviews *-*

Até o próximo õ/