Sparkly Angel. escrita por Katherine Marshall


Capítulo 1
Acidente




Acordo com a cabeça latejando e com as pálpebras doendo, e, apesar do esforço não consigo abrir os olhos. Tento lembrar aonde estou, mas não me vem em mente nada... Nada. Não sei o que acontecera na noite passada. Não sei o que aconteceu no mês passado. Não sei o que aconteceu em boa parte da minha vida. E nem se quer sei onde estou.

Ouço vozes e abro os olhos lentamente, pela metade por não conseguir mais do que isso, e enxergo duas... duas... coisas brancas.

Faço um esforço ainda maior e com muita dor, abro um pouco mais os olhos, e noto que são duas pessoas ali. Dois médicos. Tento reconhecer o lugar ao meu redor, mas eu nunca estive aqui. Se as pessoas aparentam ser médicos, deve ser um hospital.

– Ela acordou.

Vejo os médicos se aproximando, mas antes que pudesse reagir ou fazer uma pergunta, apago novamente.

Abro os olhos novamente, dessa vez com pouca dor, realmente pouca, o que me surpreende. Olho ao meu redor e estou no mesmo quarto. Ou pelo menos é o que eu acho, não consegui enxergar direito na noite passada. Não, espera. Isso não deve ter sido na noite passada, se fosse, meus olhos ainda estariam doendo tanto quanto, ou quase. Tento me levantar, mas minhas costas doem de uma forma insuportável, e a dor no olho que eu senti quando... Não sei quando, podia ser comparado com um machucadinho no joelho perto disso. Dessa vez não tem ninguém no quarto, e eu estou com fome, muita fome. Tento me lembrar de alguma coisa que me ocorreu, mas não consigo. Lembro de Brandon, de Kate, do meu pai, da minha mãe indo embora... Mas nada que me leve a algum motivo para estar aqui.

Acordei e dessa vez não parecia ter passado muito tempo, fiquei horas tentando lembrar o que me acontecera para que eu estivesse ali, e no tédio, sem poder me mover nem nada. Até que quando estava quase sendo vencida pelo cansaço, alguém abre a porta.

– Senhorita Claire! Disse uma voz fraca de um senhor que aparentava ter uns cinquenta e poucos anos. Que prazer em vê-la! Como ansiei por essa visita. Permaneci em silêncio, apenas escutando o que ele falava. Sou Dr. Harry, mas pode me chamar só de Harry ou de você. Eu sou seu psicólogo. Pode falar de qualquer coisa comigo, prometo ser atencioso, bom amigo e conselheiro. E, acima de tudo, sei guardar segredo. Como está se sentindo?

– Bem... Respondi simplesmente.

– Só bem? Não tem algo se passando pela sua cabecinha? Nada?

– Estou talvez um pouco... Confusa. Que lugar é esse, Dr. Harry? Por que não me lembro de ter chegado aqui? Eu estou ficando louca? O que são essas dores que eu estou sentindo, alguém me bateu?

– Mantenha a calma, senhorita. Vou lhe explicar tudo que estiver ao meu alcance e tentar ajudar de alguma maneira. Peço que não faça nenhuma pergunta por enquanto, e depois que eu terminar de falar, pode perguntar o que quiser Apenas assenti, curiosa Bom, primeiro de tudo, a senhorita sofreu um acidente, essa é a causa das dores. Um garoto, que imagino ser seu namorado, te trouxe até aqui. Ele vem te visitar todos os dias desde então. Caso esteja se perguntando quantos dias, bom, exatamente, a senhorita está aqui a oito meses e duas semanas. No acidente tinha um homem com você, e vocês estavam perto da Califórnia, o garoto te encontrou e te trouxe até aqui. Desde então ele vem pagando pelos seus tratamentos, duas semanas atrás a senhorita acordou e imagino ter visto o Dr. Henri e seu enfermeiro no seu quarto, mas como você ainda estava muito fraca eles te aplicaram um sedativo e você adormeceu novamente, acordando apenas ontem.

O que? Um acidente? Com um homem? Meu namorado? O que Brandon estava fazendo perto da Califórnia? Oito meses?

Sem conseguir digerir toda informação na hora, tento exercitar minha mente... Pense, Claire. Pense. Claro, depois de oito meses dormindo a realidade se mistura com os sonhos, mas... Quando é que eu fui viajar com um homem? Espera! Eu passo todas as férias de verão na Califórnia... Com meu pai e minha mãe, quer dizer, com meu pai, já que minha mãe me abandonou quando eu tinha sete anos. Meu pai sofreu acidente comigo?

– Dr... Henri... Harry. Dr. Harry, o homem que estava no carro comigo, aonde ele está?

– Você se lembra quem era ele, senhorita?

– Acredito que... – Respiro fundo por um momento, e completo – Eu acho que... Bom, talvez seja meu pai. Mas não, não pode ser. – Minhas pernas tremem, e eu entro em desespero.

– Ah, ele era seu pai... ouve uma longa pausa, ele parecia estar pensando muito no que ia falar, o que me deixava aflita. Eu sinto muito, senhorita Cla...

– Sente muito? – O interrompi, nervosa Por que? O que aconteceu? Aonde está meu pai, Dr. Harry? Ele está bem? Em que quarto ele está?

– O rapaz não chegou a tempo...

– O que? – Pergunto já transbordando em lágrimas.

– Ele só pôde salvar você.

– Não, não pode ser... Ele está em outro hospital, é isso?

– Seu pai morreu no acidente, Claire. Agora, por favor, acalme-se.






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