Sweet Lie escrita por Nina Oliveira


Capítulo 25
Need you Now (Isso de nós dois)


Notas iniciais do capítulo

Postei rapidinho, né? Espero que gostem!!!!!



Need You Now (Isso de nós dois)

Tenho azar no amor, azar no jogo, azar na vida... Tenho azar em tudo que você pode imaginar.Tenho até mesmo azar no azar!!

Pov Thalia.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7... Esse com certeza era o dia mais entediante da minha vida. Havia pouco mais de duas horas desde que voltei para casa, mas para minha surpresa, nem a Silena,nem a Annie estavam aqui.  E nem sair eu podia, porque no exato momento caía o maior toró, ou seja, trancada dentro de casa e, ainda por cima, sozinha. Pode piorar? Oh, tenha certeza que pode.

Como todo castigo se não fosse bastante a forte chuva ainda causou um blackout; sozinha, entediada e no escuro.  O que fiz para merecer isso?

Suspirei fundo e fui até meu quarto. Peguei o violão e comecei a dedilhar uma canção qualquer. Sem que eu nem percebesse, a melodia de Talking to the moon começou a surgir lentamente. Tinha mesmo que ser essa música?

Conversando com a lua... Há dois meses atrás acharia milhões de defeitos na letra, apontaria inúmeras inverdades escritas pelo compositor, e riria de todas licenças poéticas que ele utilizou, criticando o fato das músicas de amor serem melosas e ilusionistas, remetendo as garotas a ideia de que o cara perfeito existe. Hoje, pegava-me pensando se como o carinha da música, um certo alguém olhava para lua pensando em mim. Um certo alguém? Meu Deus, a que nível patético eu cheguei...

Nico Di Angelo era com certeza o grande culpado de tudo isso. O culpado de eu olhar para lua como uma idiota, de eu chorar eu filmes tristes, e querer assistir comédias românticas. O culpado por eu procurar olhos negros em todos os rostos que vejo, de eu querer me vestir melhor e me sentir desejada. Ele era totalmente, completamente e exclusivamente culpado... Ele era o grande culpado por eu agir como uma boba... Uma boba apaixonada.  

Joguei o violão na cama de qualquer jeito e sufoquei um grito enterrando a cabeça no travesseiro.

Eu o conhecia a mais ou menos dois meses, mas algo nele realmente tinha me feito cair feio.  Não sei se eram os olhos negros que transbordavam deboche e malicia, mas que raras vezes, também passavam calma e confiança;  não sei se era sua boca, que parecia ter sido esculpida por anjos; não sei se eram seus lábios macios e frios, ou seu beijo quente e viciante; não sei se era sua pose confiante  de dono da verdade ou sua paciência de Jo. Não sei... Mas cada pequeno pedacinho dele me fazia perder o fôlego, me levava para paraíso e para o inferno ao mesmo tempo. Ele era como uma droga. Viciante, deliciosamente perigoso, mas completamente errado... Fazia-me esquecer os problemas e ser mais confiante. Era incrível como eu precisava dele, como eu procurava ele.

Toc Toc!!!

O som estridente de batidas me fez acordar dos meus pensamentos. Levantei resignada e fui até a sala atender a porta. Abri sem nem ao menos olhar, o que, considerando quem eu encontrei parado na soleira encarando o chão, foi um grande erro.

- O que você está fazendo aqui? – perguntei encarando-o.

- Não está feliz em me ver, cara Thalia? – rebateu.

- Nem um pouco... O que quer, Di Angelo?

Ele respirou fundo e se aproximou um pouco mais, quase colando nossos corpos.

- Tava querendo falar com você... – sussurrou e meu ouvido – Posso entrar, ou você vai fugir de novo?

Pensei... Será que era realmente tão errado assim me entregar? Seria tão ruim assim dar o braço a torcer?

Sim seria, conclui. Era ir contra todos os meus princípios, minha leis, minhas regras. Mas quando eu estava com ele, sempre esquecia tudo... Nossa, por um momento tive pena de mim mesmo, porque que confusão viu?!

Encarei-o com uma negativa na ponta da língua, mas travei.

- Vai fugir de novo, não é? – perguntou encarando o chão novamente com um sorriso triste nos lábios.

- Chega de fugir.

Se meus lábios não tivessem se mexido, não diria em hipótese nenhuma que eu havia proferido tais palavras. Mas era tarde... Eu tinha dito, e pior, não me arrependia...

E me arrependi muito menos quando senti seus lábios contra os meus, num singelo e inocente beijo... Pera, singelo e inocente? Ah claro, e papai Noel existe...

A bem da verdade é que o beijo que nos trocávamos era intenso e profundo, cheio de segundas e terceiras intenções... Acho que ambos  sabíamos que havia poucas chances disso de nós dois dar certo, mas por um momento, foi como se já tivesse dado.

Thalia e Nico... Ela e ele... A punk e o emo... Ou simplesmente nós.

Apenas nós, e ninguém mais...

Pov Silena

Oh shit, lá vamos nós de novo...

Tomei um pequeno gole de vinho tentando recuperar-me de um ataque de riso anterior. Nossa, desde que cheguei aqui, a coisa que mais fiz foi rir. Harry era muito educado e engraçado também, mas não levava muito jeito com as mulheres e era bastante atrapalhado, ou seja, era muito fofo.

Chegamos no restaurante e todos pareciam conhecê-lo, pelo menos dois garçons o cumprimentaram e olharam com estranheza para mim. Quando o perguntei o motivo de tudo aquilo, ele respondeu que sempre vinha aqui, mas que nunca trouxe ninguém com ele. Ainda mais uma garota como eu.

- Como assim, “uma garota com eu”? – perguntei quando sentamos a mesa.

Ele ficou meio encabulado e corou, enquanto gaguejava algumas palavras.

- A você sabe... Uma garota... Hum... Uma garota bonita como você. – terminou passando a mão pelos cabelos e nuca.

- Agradeço o elogio. – disse um pouco envergonhada.

E depois desse momento constrangedor, a conversa fluiu normalmente, como se fossemos velhos amigos que voltavam a se encontrar depois de um longo tempo separados e colocavam a conversa em dia.  Era fácil e simples conversar com ele, era bom...

Pedi lasanha ao molho branco e uma taça de vinho suave, enquanto ele pediu frango a moda da casa com macarrão a carbonara e uma taça de vinho tinto. Nossos pedidos chegaram rapidamente e a comida estava divina, tinha que me lembrar de perguntar ao Harry o nome daquele restaurante...

Falamos sobre música, TV, culinária, literatura, teatro, as últimas notícias do mundo,  sobre nós mesmos... Enfim, sobre tudo, mas assunto foi algo que não falou.

Há muito tempo não me senti tão quanto agora. Desde... Bom, desde Charles.

-Está tudo bem, Silena? – perguntou se aproximando. – Você pareceu ficar triste de repente...

- Estou bem sim, é só que... Lembrei-me de algumas coisas ruins, que no momento eu prefiro esquecer. – dei de ombros. Por mais que ele me fizesse bem, não sairia cotando minha vida pessoal fácil assim, afinal, mal o conhecia.

- Sem problemas... Ei, sabe, vai ficar tudo bem no final, não se preocupe... – falou meio sem jeito pondo suas mãos em cima das minhas que estavam sobre a mesa.

Por reflexo puxei minhas mãos com suavidade tirando-as debaixo das dele.

- Hum! – pigarreou meio envergonhado encolhendo-se na cadeira.

Burra, burra, burra... Mil vezes burra! Agora ele pensava que eu tinha algo contra ele...

- Me desculpe Harry! – pedi olhando para baixo. – Não é nada com você, sou eu mesmo...

- Essa frase é bem utilizada para terminar relacionamentos, “não é você, sou eu”... – brincou levantando os olhos com a sombra de um sorriso nos lábios.

Permiti-me ri, realmente, eu poderia ter escolhido palavras melhores...

- É que, no momento, estou fechada para qualquer relacionamento que passe de amizade... Sabe, quero um momento só pra mim... – desconversei ainda sem encara-lo.

- O cara que te magoou era um imbecil. – falou me surpreendendo. Olhei-o sem entender. – E você, com certeza, vai achar alguém que te mereça e lhe trate como uma verdadeira princesa, porque é o que você é. Silena, você é incrível. Nesse trinta minutos que conversei com você, foram nos quais eu mais me senti feliz desde... – ele pareceu hesitar por um momento, mas suspirou fundo e continuou. – Desde que minha família se foi...

Acho que meu olhar denunciou minha confusão, pois ele logo continuou.

- Perdi minha esposa e meu filho há exatos 11 meses num acidente de carro... – agora ele não me olhava. – Era meu aniversário, eles iam me encontrar num restaurante pra comemorar, foi o dia que ela escolheu para me contar que estava grávida do nosso segundo filho... – seus olhos começaram a marejar e senti que os meus também – Eu vi tudo. Já tinha estacionado o carro, estava na porta do restaurante os esperando. Eles estavam perto, muito perto, quando... Quando um caminhão apareceu... na... na contra mão. Não tinha como desviar, os pegou bem em cheio. Meu menino morreu na hora... E... E fizeram de tudo para salvá-la. Tentaram de tudo... Mas... Mas antes que o dia amanhecesse, ela se foi. E com eles também se foi um pedaço de mim. Não pude... não consegui... eu nem me despedi... Não disse adeus... Agora para todo lugar que olhos, vejo a maldita cena. Sonho com ela, mas nunca consigo impedir. Fico parado vendo minha família morrer e nunca posso evitar. Eu apenas queria ter dito o quanto eles eram importantes. Eu apenas queria ter tido mais um dia...

Quando ele terminou, grossas lágrimas caiam pelos seus olhos.  Eu podia sentir seu pesar, sua tristeza.

Levantei do meu lugar e fui até ele, levantei-o da cadeira e o abracei. Não me importei com todos os olhares direcionados para nós, ou como isso podia ser uma traição a Charles, o que, certamente, não era... Apenas me importei em fazê-lo ficar bem, em que ele parasse de chorar. E sem nem me dar conta, comecei chorar também...

A vida era tão injusta, pensei. O que alguém como o Harry fez para merecer tal coisa?

Segurei seu rosto entre minhas mãos e o fiz olhar para mim. Seus olhos estavam vermelhos e úmidos, carregados de dor. Fiquei na posta dos pés e beijei sua testa.

-Acredite, eu sou a última pessoa que está a procura de um novo amor... – falou baixinho.

- Então somos dois, Harry. Então somos dois...



Notas finais do capítulo

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