New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 125
A impressionante força do Dragão Marinho


Notas iniciais do capítulo

Matt retorna ao pilar do Atlântico Norte, e se defronta com o Dragão Marinho. Mas o oponente é cheio de ardis, e conta com um vasto arsenal de golpes, controlando as ferozes tempestades oceânicas.
Enquanto isso, no Santuário, Aiolos de Sagitário e Saga de Gêmeos estão orientando os demais cavaleiros na ausência do mestre Shion, para manter a harmonia entre os habitantes do local, até que surge uma nova ameaça diante dos defensores de Atena.



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            O Dragão Marinho andava de um lado para o outro, em frente a seu pilar, esperando que algum dos outros Cavaleiros de Bronze chegasse até ele. Já não precisava mais esperar por eles escondido nas sombras. Sua certeza sobre isso provinha da constatação de que, se eles tentassem se dirigir primeiro ao Grande Suporte Principal tencionando destruí-lo, eles notariam que não eram capazes de produzir nenhum dano ao pilar, visto que ainda restava um pilar de pé entre os sustentáculos dos sete mares. Com Sorento auxiliando seus inimigos, era provável que o Pilar do Atlântico Sul ruísse em breve, mas o Pilar do Atlântico Norte estava com a proteção garantida. Os cavaleiros de Bronze teriam, então, que voltar atrás e tentar destruir o pilar restante, porém sucumbiriam diante do poder do Dragão Marinho, como havia acontecido com o cavaleiro de Bronze de Fênix que havia tentado enfrenta-lo há pouco. Assim, o Grande Suporte Principal ficaria intacto, as enchentes continuariam a assolar o mundo e Poseidon teria seu cosmo encerrado por éons, enquanto Hades subjugava Atena e reinava sobre o novo mundo.

            O general não sabia como os Cavaleiros de Bronze haviam conseguido destruir os pilares anteriores, e nem Hades havia se comunicado com ele para avisar de qual possível tática os seguidores de Atena estariam usando para derrubar os pilares dos sete mares. Mas pouco importava. Era certo de que, quando chegassem àquele pilar, estariam cercados pela intensidade de seu poder.

            Ele sentiu um cosmo à distância. Seria um dos outros Cavaleiros de Bronze se aproximando do pilar? Ele parou de se mover, e ficou espreitando, à espera de algum movimento ou barulho que pudesse denunciar a aproximação de algum inimigo.

            Minutos se passaram em silêncio, e o marina acabou desistindo. Talvez tivesse imaginado ao sentir um cosmo à distância. Apenas isso. É, talvez fosse isso...

            Ele desviou o olhar da trilha que conduzia ao pilar, e estava prestes a dar as costas para a mesma quando sentiu novamente.

            Não havia dúvida, havia um cosmo se aproximando. O Dragão Marinho se empertigou, novamente procurando pela origem daquela energia cósmica. Ele não divisava nenhum movimento ao redor do pilar, e não escutava o som de ninguém se aproximando. Contudo, aquele cosmo era levemente familiar. Era um cosmo agressivo e hostil, que estava se esforçando para chegar àquele local. Um cosmo intenso, que queria alcançar o Dragão Marinho e confrontá-lo o mais rápido possível.

            Enquanto analisava as intenções do cosmo que se aproximava, o General do Atlântico Norte ponderou. Por que aquele cosmo lhe era familiar? De quem poderia ser? Quem poderia estar disposto a ameaça-lo daquele jeito, apenas por meio de um cosmo intenso e agressivo...?

            O Dragão Marinho se distraiu em suas ponderações. Quando notou que o cosmo agressivo havia ficado mais próximo, uma centelha de fogo avançou sobre ele.

            O general foi atirado contra a base de seu próprio pilar, caindo aos pés do mesmo. Na confusão, o elmo que escondia parte de seu rosto caiu e rolou para longe dele.

            Ele olhou atentamente para frente, buscando a origem daquele fogo. Logo em seguida, uma coluna de fogo se formou defronte ao pilar, e essa coluna tomou a forma de uma pessoa.

            Enquanto a coluna mudava de forma, mais rajadas de fogo irrompiam na direção do general. Após o susto inicial, o Dragão Marinho usou de sua agilidade, se levantou e desviou das rajadas, usando inclusive sua capa, magicamente protegida pelo cosmo de Hades, para se proteger das chamas.

            O fogo cessou de se agitar contra o general. No lugar da coluna de fogo, estava de pé o Cavaleiro de Bronze de Fênix, sorrindo levemente, como se nunca tivesse sido tragado pelo Redemoinho do Dragão Marinho momentos atrás.

— Você!! – exclamou o Dragão Marinho, sem acreditar.

— Sim, eu – retrucou Matt de Fênix. – Espero que tenha gostado do meu retorno triunfal. Parece que você andou faltando algumas aulas na escola, e não conhece o mito da fênix. Mas não se preocupe, creio que terei tempo de sobra para ensiná-lo.

— Isso é impossível! – esbravejou o marina. – Meu golpe estraçalhou você até a última de suas moléculas. E Hades me avisou que o atual cavaleiro de Fênix não possuía mais a habilidade de levantar-se dos mortos após ser morto em combate! Você deveria estar morto!

            Ainda com ar de riso, Matt estreitou os olhos, observando o rosto do general marina. O Dragão Marinho franziu a testa, perguntando-se o que o cavaleiro de Fênix estaria tencionando ao observar seu rosto.

— Devo admitir, para um cara com um rosto tão delicado, até que você bate com força – comentou o garoto.

            O Dragão Marinho se deu conta de que estava sem seu elmo. Olhando para os lados, localizou a alguns passos da base do pilar. Ele ergueu a mão, e o elmo voou em direção a ele. Mas Matt já havia registrado os detalhes do rosto do oponente que não havia conseguido enxergar antes: ele tinha olhos azuis penetrantes e seu cabelo grisalho tinha tons amarelos nas extremidades, como se tivesse sido loiro em algum momento do passado.

— Não há necessidade de você conhecer meu rosto – disse o Dragão Marinho, enquanto recolocava o elmo em sua cabeça, mas agora Matt conseguia divisar bem os detalhes da face dele mesmo sob o elmo. – Você será morto de qualquer maneira, antes que possa se recordar dos detalhes da minha aparência.

— Que seja – retrucou Matt, com um gesto de desprezo. – Mas, antes, vou matar sua curiosidade, Dragão Marinho. Pelo jeito, as notícias do Santuário não chegaram ainda ao conhecimento de seu senhor Hades. Eu realmente morri devido ao impacto do seu golpe. Não sentia mais nada do meu corpo, tinha apenas a minha consciência.

— Então, você deve ter recorrido a algum tipo de bruxaria. É o único jeito de estar de volta dos mortos em tão pouco tempo – arriscou o general. – Ou vai ver é apenas uma manifestação de seu cosmo enfraquecido.

— Uma manifestação não conseguiria atingir chamas intensas contra você. Mas ainda não terminei. Anteriormente, a armadura de Fênix contava com uma maldição, que conferia uma força descomunal e a habilidade de retornar dos mortos ao cavaleiro que a trajava. Mas eu fui curado da Maldição de Fênix por uma... amiga, alguns meses atrás, após lutar contra um cavaleiro rebelde. Acontece que a cura dela acabou reagindo com o cosmo de minha armadura. A Maldição de Fênix havia sumido, mas o poder de ressureição dos Cavaleiros de Fênix ainda estava lá. Eu descobri isso na luta contra os Guerreiros Deuses de Asgard. Um deles me forçou ao extremo durante o combate, e meu cosmo se esgotou ao enfrenta-lo. Acabamos os dois morrendo, mas eu, devido à cura que recebi, consegui voltar à vida. Sem falar no poder de regeneração da armadura de Fênix. Não importa quantas vezes seja destruída, ela sempre retorna à sua forma original, tal qual a fênix dos mitos. Ou seja, Dragão Marinho... Você não pode me vencer. Mesmo que me mate várias vezes, eu voltarei para assombrá-lo. E receio que seu golpe não vá funcionar de novo contra mim, pois, de acordo com a grande máxima do exército de Atena, um golpe não funciona duas vezes contra um cavaleiro.

— Oh, quanto a isso, não se preocupe. Tenho vários golpes especiais para usar contra você – advertiu o Dragão Marinho. – E não se sinta confiante demais, Cavaleiro de Fênix. Mesmo que possa retornar dos mortos, farei o seu cosmo se esgotar com o excesso de viagens ao Meikai que terá de fazer ao me enfrentar.

— É o que veremos! – bradou Matt. – Venha, Dragão Marinho! Sinta a força de Matt de Fênix!

            E os dois se puseram em posição de combate.

Punho da Fênix!!

            Matt foi mais ágil e se lançou novamente contra o marina, disparando uma rajada de fogo de seu punho. O general foi atingido em cheio, mas conseguiu se cobrir a tempo com sua capa, que aguentou o impacto do golpe, embora o general tenha sido forçado para trás, quase indo novamente de encontro à parede do pilar.

— Um início formidável! – reconheceu o marina. – Mas agora chega de brincadeiras infantis. Você testemunhará o poder de um general marina!

            O general acenou levemente com a mão. Nesse momento, alguns corais se arrastaram em direção a Matt e o prenderam pelas pernas.

— O que é isso...?!? – exclamou, aturdido, o garoto brasileiro, ao ver os corais subindo rumo à parte superior de seu corpo. – Esses corais ganharam vida própria??

— Este é o poder do Oricalco, o mineral que compõe este coral que rodeia o Pilar do Atlântico Norte – entoou o Dragão Marinho. – Observe, cavaleiro de Fênix, enquanto os corais envolvem você até te sufocar. Enquanto isso, não terás como se defender de meus ataques!

            O general acenou com a outra mão. Instantaneamente, algumas rochas se ergueram em meio às algas em volta do pilar, e voaram em direção ao cavaleiro de Fênix.

            Tomando cuidado para manter os braços fora do alcance dos corais que subiam pelas suas pernas, Matt desferiu rajadas flamejantes contra as rochas, quebrando-as antes que o atingissem. Ele percebeu que a técnica do Dragão Marinho iria vencê-lo pelo cansaço.

            Enquanto desferia os socos contra as rochas lançadas pelo inimigo, Matt notou uma coisa. Toda vez que evocava seu fogo para destruir as rochas, o coral de Oricalco se retraía e deixava de subir suas pernas por um instante. Pelo visto, o coral não era resistente a temperaturas muito altas. Matt conseguiu vislumbrar uma maneira de sair daquela situação.

— Ótima tentativa, Dragão Marinho! – berrou Matt para o general, tentando distraí-lo. – Mas, infelizmente, há uma enorme falha no seu plano de fazer seus corais me imobilizarem por completo!

— O que?? – indagou o marina, aturdido.

            Matt lançou suas rajadas contra outras duas rochas lançadas pelo marina, e, ao mesmo tempo, se concentrou na parte inferior de sua armadura. Suas pernas se aqueceram e elevaram a temperatura das pernas de sua armadura. Os corais que estavam subindo por seus membros inferiores se retraíram cada vez mais, até que derreteram por completo e Matt se viu livre.

            O general do Atlântico Norte se espantou ao ver seu coral ser reduzido a pó, e por isso não viu o movimento seguinte do cavaleiro de Fênix. Matt havia se lançado no ar e descia em direção ao próprio general.

Voo da Fênix!!

            Matt disparou uma rajada de fogo mais intensa do que a do Punho de Fênix, e atingiu o embasbacado Dragão Marinho em cheio, que não teve tempo de se proteger atrás da capa e foi jogado com força contra a parede do pilar.

            Satisfeito com o resultado de suas técnicas, Matt aterrissou e deu um salto para trás, mantendo uma distância segura em relação ao Dragão Marinho.

— Dragão Marinho... tsc, tsc – murmurou Matt. – Agora que ficou claro que minhas técnicas podem detê-lo, já passou da hora de você me dizer seu nome. Vamos lá, um cara com toda essa tua pose tem que ter um nome.

            Mas a paciência do Dragão Marinho havia se esgotado. Levantando-se com um sobressalto e ignorando a dor afligida pelo golpe de Fênix, ele agitou as mãos e convocou fortes ventos para a área do pilar.

— Meu nome não é da sua conta, cavaleiro de Bronze – retrucou o Dragão Marinho com ferocidade. – Este joguete já está me dando nos nervos. Vou exterminá-lo de uma vez com meu próximo golpe, para que você nunca mais se levante dos mortos para desonrar a força do General do Atlântico Norte. Você nunca mais se lembrará de ousar perguntar o meu nome.

            Os ventos foram ficando mais intensos, e Matt começou a ter dificuldade para se manter no mesmo lugar, pois as correntes de ar o forçavam para trás, afastando-o do general. Ele colocou os braços em frente ao rosto quando começou a sentir areia e pedrinhas indo em direção a seus olhos.

— Sinta a fúria das tempestades que assolam o Oceano Atlântico! – bradou o Dragão Marinho, erguendo as mãos para o alto. – Furacão do Dragão Marinho!!

            A ventania se concentrou em torno dos braços do general e tomou a forma de um tufão, que avançou em direção a Matt, erguendo-o do ar e fazendo-o se debater. O cavaleiro de Bronze foi lançado longe, indo parar na trilha, ainda visível para o Dragão Marinho, mas já a uma distância considerável do pilar.

            Ele tentou se levantar, mas sentiu fortes dores no tórax e abdômen. Contudo, notou algo naquele golpe que poderia ajuda-lo na luta, e percebeu que não estava tão ferido a ponto de não conseguir se erguer. Ele fingiu estar fraco demais para se levantar para dar ao oponente a sensação de triunfo. Quase em seguida, ele ouviu os passos do Dragão Marinho se aproximando.

— Pelo jeito, meu golpe não estraçalhou você do jeito que o anterior fez, mas o deixou severamente avariado – comentou o general. – Talvez eu o deixe agonizando aí, Fênix, para que morra aos poucos, ou mesmo para que fuja como um cachorrinho assustado. Assim, seus colegas de Bronze verão que você não teve chance contra mim, e que é uma vergonha para as tropas de Atena. Sem falar que isso também os fará hesitar ante a perspectiva de me enfrentar quando passarem por aqui. Ou talvez você prefira uma morte rápida e indolor...? Assim, quem sabe, eu o livro desse sofrimento e o faço considerar uma permanência mais longa no mundo inferior dessa vez em consideração à minha misericórdia. Então, podemos fazer assim? Usarei meu golpe novamente para que você seja estraçalhado de maneira mais apropriada do que da última vez. Aí você terá um desfecho menos infeliz e não irá mais sujar o chão do Templo Submarino com seu suor e sangue...

            Percebendo que o Dragão Marinho já estava próximo o suficiente, Matt se ergueu de supetão, ainda que continuasse sentindo intensamente as dores no abdômen.

— Não cante vitória antes da hora – avisou Matt, levando a mão à bacia, e encarando com determinação o Dragão Marinho, que estava surpreso por vê-lo ainda resistir a sua técnica. – Seu golpe é poderoso, mas era muito semelhante ao primeiro que usou em mim. Já era de se esperar que não fosse o suficiente para me aniquilar, pois o golpe não funcionaria com a mesma intensidade que o primeiro, por ser tão parecido. E então, meu caro? Pelo visto chegamos a um impasse. Seus golpes de ventania, se seguirem sempre esse padrão, não poderão me afetar. Já o meu fogo... Você ainda não viu todas as formas que ele pode assumir para atacar. Vamos continuar a tentar nos destruir, então?

            O Dragão Marinho reconheceu a perspicácia do Cavaleiro de Bronze, mas ele ainda tinha trunfos a exibir.

— Muito sagaz, cavaleiro de Fênix, ao conseguir captar a essência de minhas técnicas – admitiu o general, fingindo estar impressionado. – Contudo, tenho outras formas de acabar com sua existência. Os golpes de ventania não são minha única carta na manga.

            Tão logo disse isso, o Dragão Marinho ergueu a mão para o alto. A princípio, não aconteceu nada, mas então um vórtice se abriu no ar acima deles alguns segundos depois. O vórtice parecia conter inúmeras tempestades dentro dele, pois irrompiam ventos fortíssimos de dentro dele.

            Matt se virou para observar o vórtice, enquanto o Dragão Marinho se afastava discretamente.

— Mais correntezas de ar? – debochou Matt. – Pelo visto você não entendeu o cerne de nosso último diálogo, a respeito de seus ventos não estarem mais me afe...

— Oh, não, cavaleiro de Fênix, é você quem não está entendendo. – O general do Atlântico Norte sorriu soturnamente. – Não são os ventos que irão arrastá-lo para dentro do vórtice.

— Arrastar...?

            Matt se deu conta tarde demais do que estava para acontecer. Tendo se afastado, o general ergueu o outro braço, e o vórtice se expandiu. Dessa vez, não exibia mais tornados e furacões, mas um espaço interdimensional extenso em seu interior.

            No mesmo momento, o garoto brasileiro foi tragado para cima, em direção ao vórtice. Ele conhecia bem aquela sensação: estava sendo arrastado para outra dimensão. Porém, diferente dos golpes de Kanon e Saga, aquele vórtice dimensional tinha a força das tempestades que o Dragão Marinho havia exibido anteriormente.

— Você disse que me daria uma aula sobre a mitologia da armadura de Fênix. Pois bem! – bradou o general do Atlântico Norte. – Agora sou eu quem darei a aula. Uma breve explanação de geografia! No Atlântico Norte, existe a região do Triângulo das Bermudas. Tudo o que é tragado para dentro dessa região, desaparece deste mundo! Sendo parte do Atlântico Norte, o Triângulo das Bermudas está sob minha esfera de influência.

            Matt foi sendo arrastado para dentro do vórtice, sem conseguir falar ou gritar devido à pressão dos ventos sobre ele. Ele parou inexplicavelmente à entrada do vórtice, provavelmente pela força do cosmo do Dragão Marinho, que continuou sua explanação.

— Este vórtice o levará diretamente para o Triângulo das Bermudas, de onde você será lançado para uma dimensão longínqua e nunca mais poderá retornar a esta. No entanto, para ter um pouco de originalidade, uma vez que certo cavaleiro de Ouro usurpou esta minha escama no passado e deturpou a relação entre ela e o Triângulo das Bermudas, usando-se de uma de suas técnicas imundas para manipulá-lo, eu decidi homenagear um outro ponto dos sete mares com o nome deste golpe. Um ponto onde também ocorrem desaparecimentos inexplicáveis incompreendidos pelos humanos, onde navios e aviões sumiram sem deixar rastros e onde inúmeras pessoas desapareceram deste mundo para sempre. Um lugar que, convenientemente, também é o antípoda de Bermudas, isto é, o exato local oposto do Triângulo das Bermudas se atravessarmos o centro da Terra em linha reta, e que se localiza ao sul do arquipélago japonês, no oceano Pacífico Norte. Contemple, cavaleiro de Fênix, o seu fim através do... Triângulo do Dragão!!

            O vórtice puxou Matt com mais força, e tomou a forma de um triângulo, bem como o espaço dimensional que o cavaleiro de Bronze enxergava à sua frente. A risada do Dragão Marinho foi ficando cada vez mais distante à medida que Matt era arrastado pelo espaço dimensional, e sua consciência também foi sumindo aos poucos enquanto ele se distanciava do seu mundo.

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            Aiolos de Sagitário e Saga de Gêmeos continuavam de pé, em frente ao salão do Grande Mestre, acompanhados dos demais Cavaleiros de Ouro da década de 1980 (exceto Shaka), observando o Mar Mediterrâneo, banhando o litoral do Santuário, assustadoramente calmo em contraste com as enchentes que assolavam as cidades costeiras de diversos países do mundo. Como a batalha no Templo Submarino havia chegado aos pilares do Oceano Atlântico, era esse oceano que estava mais revolto no momento, e o Atlântico era justamente o oceano que alimentava as águas do Mar Mediterrâneo. Por isso, as zonas costeiras desse mar também sofriam com a violência das tempestades marítimas. A única região a salvo era a zona metropolitana de Atenas, que estava envolta pelo cosmo de Atena, que tentava se expandir para alcançar as demais cidades gregas banhadas por aquele mar.

            Os dois cavaleiros de Ouro seniores da geração passada haviam assumido a incumbência de conduzir e administrar o Santuário na ausência do mestre Shion e do professor Gomes. Nesse momento, Saga, que havia voltado de uma rápida inspeção pelas demais áreas do Santuário, reportava para Aiolos a situação dos demais cavaleiros.

— Como pode ver, Aiolos, todos os cavaleiros jovens estão muito tensos – ia dizendo o irmão de Kanon. – Todos eles estão nervosos e agitados devido ao confronto com as tropas de Poseidon. A maioria deles ouviu as lendas sobre as guerras entre Atena, Poseidon e Hades e achava que pertenciam ao passado, e que o Santuário não vivenciaria algo assim pelas próximas décadas. Sem falar que a maioria deles são novatos, e estão no Santuário há poucos meses.

— Eu me recordo de ouvir o senhor Gomes mencionando que alguns novos cavaleiros estavam começando a chegar, incentivados pelos Cavaleiros de Ouro atuais que estão espalhados pelo mundo em busca de novos recrutas para nossa causa – admitiu Aiolos. – Por isso ele não pode sair da Palaestra no momento, por que precisa supervisionar a chegada e a recepção desses novos cavaleiros. E também ouvi que este ano devia ser especial para Atena e o Santuário. Ela sabia que uma grande leva de novos cavaleiros de Bronze e de Aço ia se estabelecer no Santuário. Só não esperava que eles fossem se deparar com um cenário de guerra logo em seus primeiros meses de estadia no Santuário. Isso realmente pode ser uma causa de choque para os cavaleiros mais jovens. É por isso que nós, Cavaleiros de Ouro, temos que ser firmes e fortes, para que quando os jovens olharem para nós, sintam segurança e confiança nesses tempos difíceis.

— Quanto a isso, não precisa se preocupar, meu amigo – garantiu Saga. – Eu instruí os Cavaleiros de Prata veteranos para acalmarem os ânimos dos cavaleiros mais jovens durante esta crise. Com sorte, eles conseguirão segurar as rédeas com os jovens enquanto os cinco Cavaleiros de Bronze lutam no Templo de Poseidon.

— Foi uma ótima atitude, Saga. Ah, esses cinco... – suspirou Aiolos. – Que a força de Atena esteja com eles. É muito nobre da parte deles terem assumido o risco ao enfrentar os guerreiros de Poseidon. Eu ainda acho que foi um exagero manda-los. Se Seiya e os outros estavam fora, nós mesmos poderíamos ter sido mandados para o Templo Submarino. Mas Atena e o Grande Mestre sabem o que fazem, sempre tomam as melhores decisões para o Santuário. Então não temos o que questionar. Só nos resta confiar... e aguardar.

            Saga assentiu, e os dois voltaram a contemplar a vasta massa de água defronte a eles. Embora Aiolos tivesse sido escolhido como Mestre interino e Saga como seu assistente, os dois agiam como se tivessem a mesma posição e a mesma responsabilidade nos afazeres da gestão do Santuário, sem que Aiolos se dirigisse diretamente a Saga como um assistente, e sim como um colega que compartilhava suas funções.

— Saga – disse Aiolos após alguns momentos em silêncio. – Agora que já discutimos sobre a situação atual dos habitantes do Santuário, temos outro assunto para discutir... Creio que você já saiba do que se trata...

— Sim – afirmou Saga. – Sei o que vai perguntar.

— Alguma notícia a respeito do Mestre Shion? – perguntou o antigo Cavaleiro de Sagitário. – Sobre quando ele irá retornar? Se ele decidirá nos dar permissão para lutar ao lado dos Cavaleiros de Ouro atuais?

— Infelizmente, não há nenhuma notícia sobre o mestre Shion ainda, Aiolos – informou Saga em tom sóbrio. – Já faz horas desde que ele foi para Star Hill, e ninguém tem permissão para ir lá e perguntar algo a ele. Sem falar nos incidentes do passado.

            Saga fitou o chão, lembrando-se de sua própria traição de quatro décadas antes.

— Não se incomode com isso, Saga – aconselhou Aiolos. – Mas tudo bem, eu já esperava ouvir isso. Certamente o mestre Shion irá tomar todo o tempo necessário para se certificar se devemos mesmo ir ajudar nossos sucessores ou se devemos permanecer no Santuário. Confio no julgamento dele para trazer a melhor decisão para todos.

— Também confio na sabedoria de julgamento do Grande Mestre, mas eu ouvi algo, Aiolos, que me deixou um tanto estarrecido, a respeito da ida do mestre para Star Hill – comentou Saga, voltando a encarar Aiolos.

— E o que seria isso, Saga?

— Há um boato correndo entre os Cavaleiros de Prata seniores, inclusive o próprio senhor Gomes os censurou por ficarem comentando isso em público... Mas o caso é que, aparentemente, o mestre Shion não se dirigiu a Star Hill sozinho.

— Como assim? – indagou Aiolos, surpreso. – Tudo bem que o mestre pode levar auxiliares para Star Hill quando julgar necessário e quando Atena autorizar, mas a pessoa mais indicada para essa função seria o professor Gomes, que neste momento está ocupado com as funções de Palaestra. Quem então estaria acompanhando o Grande Mestre até Star Hill??

— O boato é que... Estão dizendo que foi aquele Cavaleiro de Bronze veterano. Aquele que surgiu quando eu e os demais cavaleiros de Ouro corrompidos estávamos enfrentando os Cavaleiros de Bronze. – Saga fez uma careta e fitou os próprios pés. – Aquele que me venceu.

            Aiolos olhou aturdido para o Cavaleiro de Gêmeos, em seguida olhou para o alto, tentando enxergar, à distância, o monte onde ficava Star Hill.

— O Escultor? Aquele que vivia como nômade e agora se estabeleceu no Santuário? – Aiolos balançou a cabeça, sem conseguir compreender o sentido daquelas palavras. – Aquele sobre quem os cavaleiros veteranos vivem mencionando os feitos incríveis que realizou durante o período de paz que o Santuário vivia há alguns anos?

— Sim, esse mesmo – confirmou Saga em tom azedo. – O nome dele é Leandro.

— Isso não faz o menor sentido. – Aiolos levou as mãos à cabeça. – Por que o mestre Shion levaria esse cara para Star Hill? A menos que ele tenha conhecimento de leitura das estrelas, não há razão para levar alguém que não seja o assistente direto do Grande Mestre para o monte sagrado, onde ficam os documentos mais importantes do Santuário.

— Hmpf. Com todo o respeito, Aiolos, mas o mestre Shion já viveu muito. Pode ser que a idade esteja afetando o juízo dele – sugeriu Saga.

— Não diga bobagens, Saga – rebateu Aiolos. – O mestre Shion voltou à vida muito tempo antes de nós, com a permissão dos deuses do Olimpo, ao contrário de nós que quebramos o selo da Torre dos Deuses. Os deuses não teriam permitido que o Grande Mestre do Santuário fosse reconduzido a seu posto sem que estivesse em seu juízo perfeito. É por isso que temos que confiar nas decisões do Mestre do Santuário, por mais controversas que elas possam parecer. Quando se trata de um cavaleiro, idade não influencia na sua capacidade de tomar decisões sensatas.

            Saga abriu a boca para responder, mas Aiolos ergueu a mão pedindo silêncio.

— Está decidido – prosseguiu o irmão de Aiolia. – Na condição de Grande Mestre interino, eu darei apoio a qualquer decisão tomada pelo mestre Shion. Sei que ele deve ter tido seus motivos para levar esse sujeito consigo para o monte sagrado, e ele não teria feito isso sem consultar Atena acerca da presença desse homem. Se ele está acompanhando o Grande Mestre, Atena deve saber disso e deve ter autorizado. Como eu disse antes, Saga, eu confio plenamente no julgamento do mestre Shion e...

— Não era disso que eu ia falar – interpôs Saga. – Aiolos, olhe para onde estou apontando.

            O irmão de Kanon apontou para o mar. Num ponto bem abaixo de onde eles se encontravam, o mar estava um tanto revolto e já estava batendo intensamente contra as pedras localizadas na encosta do Santuário defronte ao local onde ficavam as 12 Casas e o salão do Mestre. Aiolos observou a encosta, como se tivesse notado algo estranho.

— Aquele ponto do litoral...

— Você notou, não foi? – comentou Saga. – Aquele trecho do nosso litoral, há poucos minutos, continha uma pequena praia. Enquanto conversávamos, a praia desapareceu. O mar avançou até as pedras da encosta.

— Isso é peculiar. Você acha que significa algo?

— O sumiço da praia não sei, mas aquilo ali deve significar algo, sem dúvida – disse Saga, apontando para outro ponto do litoral.

            Aiolos observou na direção em que Saga estava apontando. O mar que cercava o Santuário começou a se agitar, envolvido por tribulações e soltando ondas enormes contra os penhascos na encosta do Santuário.

— Isso é impossível – ofegou Aiolos, tomado de preocupação. – A barreira do cosmo de Atena deveria proteger o Santuário e as cidades vizinhas contra as agitações marítimas que os cosmos de Poseidon e Hades estão causando ao redor do mundo! Como então que o mar está desse...

            Ele se calou. Em vários pontos do mar, próximo à encosta do Santuário e das cidades próximas, várias bolhas surgiram e estouraram na superfície. Saindo dessas bolhas, surgiram várias criaturas das trevas que habitavam nas profundezas do oceano, que deviam estar sendo liberadas pelo cosmo de Hades.

— Aiolos! O cosmo de Atena está nos protegendo na terra! – exclamou Saga. – O mar é território de Poseidon, e Hades está subjugando-o nesse momento! Ele deve estar usando seu cosmo apenas no fundo do mar para enganar a proteção do cosmo de Atena, que é forte apenas em terra firme! Por isso essas criaturas estão surgindo... E estão se dirigindo para vários pontos do litoral do Santuário!

            Aiolos se deu conta de que Saga estava certo. Ainda aturdido, ele notou que alguns daqueles monstros estavam se dirigindo para as cidades costeiras, provavelmente para aterrorizar a população local e atrair a atenção dos Cavaleiros e força-los a ir enfrenta-los, para deixar o Santuário desprotegido. Maldito seja o deus do submundo, pensou Aiolos com amargura.

— Vamos, Aiolos – disse Saga, tirando o cavaleiro de Sagitário de seus devaneios. – Você é o Grande Mestre interino. Nós precisamos de ordens suas para agir, inclusive os Cavaleiros de Ouro. Há alguns Cavaleiros de Prata veteranos aguardando ali, na escadaria que leva para Palaestra, que podem avisar aos demais cavaleiros sobre suas ordens.

            Aiolos se deu conta de sua responsabilidade, e se empertigou, voltando-se para falar aos demais Cavaleiros presentes.

— Ouçam-me, Cavaleiros de Atena! – bradou ele. – O Santuário está sendo atacado pelas forças das trevas conduzidas pelo regente do submundo. Peço que vocês, Cavaleiros de Prata, de Bronze e de Aço, defendam as fronteiras do Santuário com afinco! E quero que um destacamento de Cavaleiros de Prata veteranos se dirija à Vila de Rodorio e às cidades vizinhas para protegê-las contra os ataques dos monstros marinhos! Por Atena!

            Os Cavaleiros de Prata gritaram efusivamente “Por Atena!” e se apressaram em acionar os demais cavaleiros para cumprir as ordens expostas.

— Mas e os Cavaleiros de Ouro? – perguntou Saga. Atrás dele, os demais Cavaleiros de Ouro do passado também olhavam ansiosamente para Aiolos, questionando em seus íntimos por que seu colega não havia lhes dado uma missão.

— Os Cavaleiros de Ouro não podem sair do Santuário, Saga! – avisou Aiolos. – Foi o aviso mais insistente do mestre Shion! Temos que esperar...

— Mas eles não precisam sair do Santuário para ajudar – retrucou Saga. – Eles podem dar combate aos monstros que estão tentando invadir o Santuário. O mar em torno do litoral ainda é considerado território do Santuário, não é? Assim, eles não estarão violando a ordem do mestre Shion, e poderão dar um suporte maior aos Cavaleiros de Prata. Alguns dos monstros marinhos são mais fortes que os outros.

— Ah, é mesmo! Tem razão! – Aiolos estava aliviado. Poderia dar a seus amigos o que eles tanto ansiavam: a chance de combater e de ser úteis para o Santuário. Ele abriu um sorriso e se voltou apenas para os Cavaleiros de Ouro: - Cavaleiros de Ouro da era passada! Temos que ajudar nossos irmãos de armadura. Peço que protejam as fronteiras do Santuário e destruam todos os monstros invasores com seu esforço máximo! Avante, Cavaleiros do Zodíaco!

— Por Atena!!! – gritaram efusivamente os nove Cavaleiros de Ouro, e se lançaram em direção aos diversos pontos do litoral do Santuário, felizes por finalmente poderem combater ao lado da geração atual de cavaleiros.

            Apesar da ameaça de invasão, Aiolos estava com o coração mais leve ao poder ver seus amigos entusiasmados por entrar em combate. Estava ponderando em ir com Saga ajuda-los, quando sentiu uma nova perturbação vinda da água.

— Aiolos! Veja! – exclamou Saga na mesma hora.

            Ele apontava para a praia que havia sumido devido ao avanço das ondas. No local onde ela ficava, duas figuras humanoides surgiram da água e estavam avançando em direção às pedras da encosta, como se tencionassem escalá-las.

            À medida que a água ia escorrendo de seus corpos, as duas figuras entraram no campo de visão de Aiolos. Eram seres com mais de três metros de altura, com a pele roxa, usando armaduras de combate de aspecto escamoso. Ambos possuíam apenas um olho na face, cabelo ralo, e eram vigorosamente musculosos. Os dois carregavam consigo uma clava cada um, e possuíam outras armas de empunhar guardadas em seus cinturões.

            Ao verem Aiolos observando sua aproximação, as duas criaturas estenderam suas clavas em direção ao Cavaleiro de Sagitário e grunhiram para ele. Aiolos percebeu que ambos queriam alcançar o ponto onde ele se encontrava.

— Ciclopes – murmurou Aiolos para Saga. – Eu já vi muitas coisas nessa vida, mas não esperava ver esse tipo de criatura aqui, no Santuário. Pelo visto, Hades arquitetou bem o plano de invadir o Santuário sem precisar se incomodar com a barreira de Atena. Devem estar envolvidos pelo cosmo dele, caso contrário não conseguiriam se mover para...

— Aiolos, eles estão vindo para cá – avisou Saga. – Dê logo suas ordens para que alguém extermine essas coisas. Se quiser, eu mesmo vou.

— Não, Saga, guarde sua energia – retrucou Aiolos. – Ainda há Cavaleiros de Prata por aqui?

— Ali – indicou Saga. Alguns Cavaleiros de Prata haviam permanecido na área comum em frente ao salão do Mestre, se preparando para vigiar justamente a área da praia que havia desaparecido, quase em frente às Doze Casas. Alguns deles já haviam voltado após avisar os cavaleiros de Aço e de Bronze da invasão, e esperavam por novas ordens. – Tem um grupo esperando por novas ordens.

— Eles as terão agora. – Aiolos se voltou para os Cavaleiros de Prata restantes. – Atenção, Cavaleiros! Preciso que dois de vocês se voluntariem para dar cabo dos dois ciclopes que estão tentando subir a encosta do Santuário que leva ao salão do Mestre! Preciso que avancem agora mesm...

            Antes que ele pudesse concluir a fala, dois vultos saltaram detrás do grupo dos Cavaleiros de Prata, em direção à encosta.

— Não se preocupa, mestre Aiolos! – disse uma voz feminina.

            Os dois vultos aterrissaram no topo da encosta, um pouco abaixo de onde Aiolos e Saga estavam: eram Marília de Grou e Diandra de Caçadora.

— Pode deixar conosco! – exclamou Marília, voltando-se para o irmão de Aiolia. – Nós damos conta desses dois feiosos!

— Vocês duas, VOLTEM AQUI imediatamente! – ralhou Saga. – O Grande Mestre interino deu ordens expressas aos Cavaleiros de Prata veteranos para assumir esta...

— Não tem problema, Saga – interrompeu Aiolos. – Deixe elas duas lutarem. Quero ver do que são capazes.

— Finalmente vamos ver um pouco de ação! – exclamou Diandra, entusiasmada, enquanto Saga fazia uma careta ante a animação das duas amazonas. Desde que ela havia entrado em Palaestra, a garota estoniana não havia tomado parte de nenhum confronto sério com seus colegas de Bronze e de Prata.

— Apenas observe, senhor Aiolos! – disse Marília, olhando para baixo para encarar os ciclopes. – A gente dá conta. Somos mais do que suficientes contra esses monstrengos.

            Nesse meio tempo, os ciclopes haviam iniciado a escalada do morro e já se encontravam quase na metade do caminho. Mesmo com seu tamanho descomunal, eram relativamente rápidos.

            Marília e Diandra foram descendo a encosta, saltando de pedra em pedra sem perder o equilíbrio, até chegar perto de onde estavam os ciclopes.

Impulso da Luz da Noite!!

            Diandra saltou e estendeu o braço na direção do ciclope da direita. Seu cosmo fez jorrar uma enorme rajada de luz lunar do braço dela, que voou em direção ao ciclope. O golpe encobriu a criatura e causou queimaduras de terceiro grau no peito e nos membros superiores. O monstro ficou cego com o contato com a luminosidade intensa, perdeu o equilíbrio e rolou até chegar ao pé da encosta, e foi soterrado por várias pedras, que haviam deslizado durante sua queda. Alguns de seus membros ficaram visíveis, saindo pelas pedras, mas não se mexiam mais.

            Ao mesmo tempo, Marília saltou de encontro ao ciclope da esquerda, com a perna estendida.

Chute Reluzente!!

            Marília acertou o ciclope bem no olho, e a criatura ficou sem enxergar e começou a perder o equilíbrio. No entanto, usando o sentido do olfato, ele ainda conseguia sentir a presença de Marília. O ciclope estendeu as mãos para tentar agarrar a garota lemuriana, enquanto lutava para manter-se equilibrado nas pedras sem conseguir enxergar.

— Você não me pega, feioso! – exclamou Marília. – Toma isso!

            Ela tirou o cachecol que usava no pescoço e ele se alargou; a garota lançou o adereço em direção às pernas do monstro, prendendo-o e levantando-o no ar.

— Volta pro mar, oferenda!

            Com esse grito espirituoso, Marília usou o cachecol para girar o ciclope no ar algumas vezes, deixando-o tonto e confuso. Então, ela o lançou com força em direção ao mar, e ele bateu a cabeça numa pedra próxima aos pés da encosta, para depois sair quicando diversas vezes na água até sumir da vista de todos. Com sorte, ele teria ido parar na costa africana.

— Yay!! – Marília e Diandra deram um high-five entre si para celebrar a vitória, e subiram a encosta de volta, para junto de Aiolos e Saga.

— Vocês duas tem noção da gravidade dos seus atos?? – esbravejou Saga quando as duas retornaram, sorridentes e confiantes, para onde os dois Cavaleiros de Ouro estavam. – Vocês desafiaram e desobedeceram uma ordem expressa do Grande Mestre interino e, ainda por cima, arriscaram a própria vida enfrentando criaturas das trevas que há éons não tentavam invadir o Santuário! Espero que estejam preparadas para cumprir uma boa detenção quando eu reportar isso ao professor Gomes de Altar! As duas malandrinhas tem algo a dizer em sua defesa?

— Sim, temos – respondeu Marília. – O senhor Aiolos aprova nossa conduta.

— Mas o quê?? – bradou Saga, estupefato. – Como ousam...

— Acalme-se, Saga – disse Aiolos. – Sinto muito, mas hei de concordar com as duas garotas. Elas duas saíram-se espetacularmente bem em combate, surpreendendo até a mim. No meu lugar, creio que o mestre Shion tomaria a mesma decisão. Elas não merecem punição, merecem a chance de defender o Santuário da mesma forma que os demais cavaleiros mais experientes.

            Marília e Diandra sorriram em agradecimento, e se curvaram para Aiolos para mostrar respeito. Saga, porém, ainda não parecia satisfeito.

— Mas, Aiolos... Vamos pelo menos discutir a questão...

— Por favor, Saga, relaxe. Não há questão a discutir. Essas duas não cometeram nenhum crime. Creio que será proveitoso e útil tê-las por perto nesse momento de crise. E pelo visto...

            Aiolos olhou para a beira da encosta, para o ponto onde antes havia a pequena praia. O mar estava recuando e a praia começou a reaparecer, mas outras bolhas estavam surgindo das águas, liberando novas criaturas.

— Pelo visto, as duas ainda terão bastante trabalho protegendo este ponto da fronteira – completou Aiolos.

— Este ponto da fronteira – repetiu Saga. – O ponto central de nossa fronteira. O ponto diretamente abaixo do Salão do Mestre e das 12 Casas. Você quer confiar a proteção desse ponto a duas amazonas de Bronze que...

— Com licença, senhor Saga? – falou Marília. – Eu sou de Prata, não de Bronze.

— Sim, Saga, creio que elas serão mais do que suficientes para me ajudar a defender este local contra os invasores – respondeu Aiolos.

— Ajudar você? – disse Saga. – Está me dizendo que...

— Eu ficarei aqui para lutar pela proteção de nosso Santuário – afirmou Aiolos. – Por mais digno que seja o posto de Mestre interino, sou um guerreiro. Minha primeira natureza é o combate. Você com toda a certeza entende o que digo.

            Saga fitou seu colega. Ele percebeu que Aiolos, em sua nova vida, estava bem mais maduro do que costumava ser. Ele estava agindo como um verdadeiro Grande Mestre, e Saga sentiu culpa por ter privado o Santuário de ter tido o Cavaleiro de Sagitário como Mestre efetivo no passado.

— Sim, entendo, Aiolos. Está tomando decisões sábias... Quase igual ao mestre Shion. Eu acato suas decisões – afirmou o cavaleiro de Gêmeos.

— Muito obrigado, meu amigo – respondeu Aiolos.

— Bom, se me dá licença, tenho que ir ao encontro dos demais Cavaleiros de Ouro – falou Saga.

— Saga? Mas eu achei que você ficaria conosco para ajudar e...

— Não me entenda mal, Aiolos! Estou gostando de ser seu assistente e tudo o mais, mas assim como você, também sou um guerreiro. Eu anseio pelo combate. Quero ser útil e proteger o Santuário, assim como nossos amigos. Você sendo Cavaleiro de Ouro e Mestre interino, será mais do que suficiente para liderar essas meninas na proteção do centro de nossa fronteira. Quanto a mim, irei ajudar os outros Cavaleiros de Ouro a repelir esses invasores. – Ele se virou em direção à escadaria, pelo caminho que os outros nove Cavaleiros de Ouro haviam tomado, mas voltou-se para Aiolos uma última vez. – A menos que você tenha alguma objeção, Grande Mestre.

            O irmão de Aiolia sorriu, tranquilizado.

— Nenhuma, meu caro. Antes de ir, apenas peço que consiga alguém para chamar o Shaka. Sinto que precisaremos da força dele também.

— Ah, sim, pode deixar – disse Saga, saindo em direção à escadaria. – Hora de relembrar ao Shaka que temos um dever para com o Santuário.

            Ele foi até onde estava o grupo de Cavaleiros de Prata restantes e se dirigiu a todos eles.

— Atenção, Cavaleiros de Prata! – exclamou o cavaleiro de Gêmeos. – O Grande Mestre interino ordena que enviem um mensageiro para a casa de Virgem para avisar ao cavaleiro Shaka que o recreio terminou! Temos uma invasão para conter, e a presença dele é requisitada na linha de frente!

            Os Cavaleiros de Prata assentiram, e um deles saiu correndo em direção às 12 Casas para entregar a mensagem a Shaka.

— Os demais! Quero que auxiliem o Mestre interino na defesa da fronteira central do Santuário! Entendido? – exclamou Saga.

— Sim, senhor Saga! Por Atena! – disseram os Cavaleiros de Prata e foram se postar próximo a Aiolos e as duas amazonas.

— Boa sorte, Aiolos! – gritou Saga para o colega, e partiu em direção ao ponto da fronteira onde estavam os outros Cavaleiros de Ouro.

— Boa sorte, Saga – respondeu Aiolos ao ver o cavaleiro de Gêmeos se afastar. Em seguida, ele fitou o mar, e viu que as criaturas marinhas haviam começado a escalar o morro. Ele se voltou para as duas amazonas. – Minhas jovens, já que iremos trabalhar juntos... Quais os seus nomes?

— Marília de Grou, senhor!

— Diandra de Caçadora, às suas ordens.

— Pois bem, Marília, Diandra... Vocês têm amigos que possam nos ajudar? – indagou Aiolos.

— Sim, senhor – respondeu Marília.

— Poderiam chama-los até aqui?

— Mas é claro! Me dê apenas alguns segundos, que eu me comunicarei com eles por telecinesia agora mesmo, e eles logo estarão aqui – respondeu Marília.

            Aiolos, Diandra e os Cavaleiros de Prata foram para as pedras, preparando-se para conter os monstros que tentassem escalar o morro até o Santuário. Atrás deles, usando seus poderes lemurianos, Marília levou as mãos à cabeça e começou a chamar pelos cosmos de seus amigos, convocando-os para combater junto dela.

            Inácia... Marcolino... Pedro... Beatriz... Jadiel... Mello... Bianca... Karinne... Fael... Gabriella... Elias... John... Cícero... Lauro... Jonathan... Paulo...

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Notas finais do capítulo

Olá! Agora que retornei, dá gosto poder escrever num ritmo mais ou menos rápido.
Aproveite o espaço para colocar sua review, com suas opiniões e ideias sobre o capítulo.
Até o próximo!



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