New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 123
O caminho para Star Hill


Notas iniciais do capítulo

Leandro de Escultor convence o grande mestre Shion a deixa-lo ir com ele até Star Hill para consultar os documentos mais importantes do Santuário a fim de sanar suas dúvidas sobre seu papel naquela guerra e para com o futuro do Santuário.
Shaka de Virgem e Paulo de Órion começam a descobrir que possuem algumas coisas em comum.
Matt de Fênix se depara com o último dos Generais Marinas, e se surpreende com o tamanho de seu poder.
Thiago consegue destruir o Pilar do Oceano Ártico, e segue rumo ao Pilar Principal, com as dúvidas latejantes que surgiram após a conversa com Isaak perturbando seus pensamentos. Enquanto isso, tanto Isabella de Taça, no fundo do mar, quanto Milo de Escorpião, no Santuário, sentem uma perturbação estranha com o cosmo de Rina.



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            Nesse meio tempo, Shaka de Virgem apartou-se momentaneamente de seus companheiros, que esperavam impacientemente pelo retorno do mestre Shion, e se dirigiu para sua antiga Casa de Virgem para meditar. Encontrou a casa em perfeito estado; certamente seus sucessores, Fudou e Shun, tinham administrado a casa de maneira exemplar nos anos decorridos desde sua vida anterior.

            Ele se sentou no centro da casa, onde costumava ficar no passado, próximo da escultura de flor de lótus sobre a qual costumava meditar. Olhando em volta, ele notou um televisor, que Shun devia ter instalado recentemente na casa. Shaka teve então uma excelente ideia para passar o tempo.

            Utilizando sua força mental, Shaka colocou a TV para funcionar. Encontrou uma frequência de sinal perfeita e direcionou-a para a Casa de Virgem; então ajustou os canais e pôs-se a assistir a reprise da novela Caminho das Índias.

            Apesar de ser uma produção brasileira e não seguir fielmente as representações da cultura indiana por completo, Shaka se divertia com a novela e gostava de apreciar a abordagem de outros povos sobre seu país. Ele sentia falta de sua terra natal, e aquela novela permitia-lhe reduzir um pouco aquela sensação. No momento atual do Santuário em pés de guerra, uma visita à Índia estava fora de cogitação. Shaka sentia que ele e os demais Cavaleiros de Ouro seriam necessários em breve, dependendo ou não do retorno do mestre Shion e de suas instruções para eles de acordo com as previsões que teria em Star Hill.

            Sem que o homem mais próximo dos deuses percebesse, alguém veio lhe fazer companhia enquanto assistia à novela. O jovem Paulo de Órion, amigo de Rina, Marília e dos demais cavaleiros de Bronze, entrou sorrateiramente na Casa de Virgem e ficou espreitando a novela por detrás de uma coluna. Tendo morado na Índia em sua infância (ele nasceu em Natal), o garoto gostava de se recordar de sua segunda pátria, aproveitando a visão da novela para rever os locais onde havia morado. Ele também gostava do ambiente da Casa de Virgem e da aura que emanava daquela casa e de Shaka. Sentia que havia muito a aprender com ele, tal qual havia sido com o Cavaleiro de Virgem atual, Shun, que havia sido seu mestre; contudo, Paulo percebia que Shaka era completamente diferente de Shun, visto que, além da fama de ser o “homem mais próximo de Deus”, era também conhecido por todos no Santuário como o Cavaleiro de Virgem mais poderoso que já existiu. Se conseguisse conversar com Shaka e conhecê-lo melhor, Paulo acreditava que poderia se tornar um grande cavaleiro também. Talvez Shun não o enxergasse como sucessor, visto que ele havia priorizado o treinamento de Rina e deixado Paulo aos cuidados de June; mas talvez, só talvez, Shaka pudesse enxergar nele o potencial que Shun não havia enxergado ainda.

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            O mestre Shion começou a subir pela escadaria que levava até Star Hill, nos confins do Santuário. Em seu íntimo, estava ansioso para que encontrasse logo respostas adequadas na leitura das estrelas para a situação atual do Santuário. A guerra santa em curso já estava ultrapassando todas as expectativas para ele, e Shion torcia para que as estrelas fossem claras em suas instruções (embora isso fosse incomum); afinal, tanto os Cavaleiros de Bronze quanto os Cavaleiros de Ouro dependiam das orientações do Grande Mestre. Shion já havia vivenciado algumas guerras santas, mas aquela em particular estava ficando cada vez mais estranha, superando todos os limites que a imaginação do antigo Cavaleiro de Áries poderia alcançar. No fundo, ele sentia que estava deixando algo passar despercebido em meio àquela guerra, algum detalhe que ele ainda não havia compreendido. Com sorte, as estrelas o ajudariam a resolver também aquela questão. O problema é que a sorte de Shion, bem como a do Santuário, não andava muito boa.

            A batalha no templo submarino estava chegando ao seu ápice, com os Cavaleiros de Bronze tendo apenas mais três pilares para destruir antes de resgatar o hospedeiro de Poseidon, e estavam se saindo bem, apesar da juventude, da inexperiência e dos obstáculos enfrentados.

            Os Cavaleiros de Ouro da geração atual estavam lutando em várias partes do mundo para deter os avanços das criaturas das trevas que estavam escapando do mundo inferior, suscitadas pelo cosmo de Hades, enquanto os Cavaleiros de Ouro do passado ansiavam para sair e combater ao lado de seus sucessores, apesar do risco sabido e iminente em deixar o Santuário desprotegido.

            Com todos esses pensamentos lhe perturbando em seu íntimo, Shion se apressou e apertou o passo para chegar logo a Star Hill e quem sabe vislumbrar uma solução para aquela crise.

            Enquanto se apressava, uma voz o tirou de seus pensamentos, interrompendo sua caminhada rumo ao monte.

— Grande Mestre!

            Era Leandro de Escultor. Ele usava trajes informais: uma camiseta havaiana de botões e uma bermuda cáqui, com o acréscimo de tênis de corrida. Segurava uma maleta de médio porte, como se fosse um empresário disfarçado de corredor de praia, e sua Cloth Stone de cor marrom, pontilhada com sinais representando as estrelas da Constelação de Escultor, estava pendurada no pescoço. Ele caminhava tranquilamente em direção ao degrau onde Shion estava parado, como se fosse um frequentador habitual daquela escadaria.

— Leandro. O que faz aqui a essa hora? – indagou Shion. – Não imaginei que ainda estivesse no Santuário. Você sempre foi tão...

— Nômade? Eu sei... – Leandro exibiu seu habitual sorriso largo. – É que no momento, sinto que o Santuário é o melhor lugar para eu me assentar e ser útil para a comunidade de cavaleiros. Mas o fato pelo qual estou aqui é que o senhor Gomes me avisou de que você estaria indo para Star Hill, quando fui procurar pelo senhor em sua sala, instantes atrás.

— E porque exatamente você estava à minha procura? – questionou Shion.

— Grande Mestre, creio que o senhor deve se recordar da conversa que tivemos na noite em que retornei ao Santuário, logo após a minha luta com o senhor Saga.

— Sim, eu me recordo – admitiu Shion.

— Pois bem, então, o senhor vai se recordar também de que o tema recorrente da nossa conversa era meu pedido formal para visitar Star Hill, a fim de encontrar respostas para certos questionamentos que tive nos últimos anos... Creio que não há lugar melhor no mundo aonde eu possa refletir melhor sobre estes pensamentos revoltos – divagou Leandro.

— Leandro, eu estou mesmo me dirigindo para Star Hill neste momento, mas não creio que seja o momento mais apropriado para as suas...

— Grande Mestre. – Leandro sorriu soturnamente, para prender a atenção de Shion. – Não tenho a intenção de atrapalhar sua contemplação enquanto busca uma solução para esta crise que se abate sobre nós. Não creio que precisarei de muito tempo para utilizar o local para minhas meditações. Além disso, estarei acompanhando Vossa Eminência no local, portanto ninguém poderá desconfiar da minha presença no templo reservado aos Grandes Mestres do Santuário. Minhas intenções são as melhores possíveis... eu lhe asseguro.

            Shion ponderou sobre tudo aquilo que ouvira, e concluiu que não faria mal em ter o Cavaleiro de Escultor por perto enquanto estivesse em Star Hill. Se Leandro precisava mesmo meditar para se certificar de que seria realmente útil e de grande ajuda ao Santuário naquela guerra que se intensificava, Shion poderia tirar vantagem da presença dele no Santuário após o professor de teatro se consultar com os documentos de leitura das estrelas. Quanto menos soldados estivessem com dúvidas sobre servir ou não naquela batalha, melhor.

— Está certo, Leandro – anunciou por fim o Grande Mestre. – Vou aceitar que venha comigo até Star Hill, para consultar o que precisar para sanar suas divagações, mas com uma condição.

            Leandro se empertigou e assumiu um tom sério.

— Sim, o que deseja de mim, mestre Shion?

— Você terá a obrigação de me proteger contra eventuais invasores e ameaças enquanto estivermos no topo da montanha. Assim, mesmo estando num local reservado ao Grande Mestre, sua presença não levantará suspeitas, uma vez que eu o terei nomeado como meu guarda-costas provisório enquanto busco por orientações com as estrelas.

— Hm... O senhor está certíssimo, tenho que dizer, Grande Mestre – assentiu Leandro. – Eu aceito suas condições, contudo... O senhor acha que há mesmo necessidade disso? Nós nos conhecemos há tanto tempo, Vossa Eminência sabe muito sobre a minha pessoa, e não vejo motivos para que o senhor tema pela sua segurança enquanto estiver...

— Não seja ingênuo, Leandro – interpelou Shion. – Por mais que eu conheça a sua índole muito bem, tenho que ser extremamente rigoroso com quem se submete às consequências de acompanhar o Grande Mestre até Star Hill. Além disso, creio que não preciso lembrá-lo de o que ocorreu da última vez em que alguém ficou sozinho com o Grande Mestre em Star Hill.

            De repente, Leandro sentiu um calafrio na espinha. Começou a suar frio. Havia sido indelicado com o Grande Mestre. Precisava reparar essa falta rapidamente, se quisesse manter a confiança de Shion e a chance de ir para Star Hill, a fim de encontrar as respostas que tanto desejava. Tinha sido muita falta de tato esquecer-se do triste evento envolvendo Shion e Saga quatro décadas antes.

— Perdoe-me, Grande Mestre, não tive a intenção de ofendê-lo ou de insultar suas memórias. Peço que ignore meu comentário leviano, e eu reforço meu compromisso de protegê-lo de qualquer perigo enquanto estivermos em Star Hill. Se é que ainda terei permissão para acompanhá-lo.

            Leandro parecia ter se transformado em um aluno do jardim de infância suplicando para não ser castigado pelos supervisores devido a sua mais recente traquinagem, salvo pelo fato de que parecia genuinamente arrependido. Por dentro, Shion contentou-se ao constatar aquilo, observando que Leandro havia passado em seu pequeno teste-surpresa não-programado e se certificando, satisfeito, de que havia ainda alguma humanidade no professor de artes, e que este não direcionava todos os seus pensamentos apenas para seus próprios desejos. Pelo menos, só a maioria deles.

— Isso é suficiente, Leandro – decidiu Shion. – Vou mantê-lo como meu guarda-costas nesta pequena empreitada conforme combinado. E não se engane: as forças das trevas que Hades está suscitando podem se aproveitar da minha presença aqui em Star Hill para efetuar um atentado contra minha vida. A última coisa de que precisamos no momento é de uma tentativa bem-sucedida de assassinato contra o Grande Mestre. Por isso, devemos estar com atenção redobrada e, para isso, estou designando-lhe como meu protetor enquanto estivermos lá em cima. E lembre-se, qualquer perturbação no cosmo que você sinta, interrompa o que estiver fazendo e venha me alertar. Mesmo e principalmente se julgar que eu não terei percebido tal perturbação.

— Claro, mestre.

— Pois bem, então é melhor nos apressarmos. – Shion fez sinal para que Leandro seguisse em frente. – Não temos o dia todo, Leandro. Há muitas questões pendentes do Santuário e da segurança do mesmo a ser resolvidas.

            O ex-cavaleiro de Áries e o veterano cavaleiro de Bronze seguiram escadaria acima em silêncio por vários minutos. Enquanto subiam para a colina, em determinado momento da subida, Shion fitou com interesse a maleta que Leandro trazia.

— Se me permite, Leandro... Como exatamente você pretende consultar os astros para responder suas inquietações quando estiver em Star Hill? – inquiriu Shion. – Até onde sei, mesmo você não é versado nas técnicas de leitura das estrelas, apesar da sua experiência.

            Leandro se limitou a esmiuçar um sorriso travesso ao se virar para o Mestre do Santuário.

— O Mestre sabe que eu viajei bastante nos últimos anos... – entoou o professor de artes, em tom nostálgico. – Percorri diversos locais do mundo, tive contato com outras culturas e conhecimentos... E usei alguns desses conhecimentos a meu favor. Posso dizer que retornei com uma “bagagem cultural” relativamente grande e invejável.

— E esta maleta em sua mão se inclui nisso, eu presumo?

— Ah, essa velha amiga? – Leandro deu um tapinha de leve na lateral da maleta. – É apenas uma antiga herança de família. Mas o conteúdo dela, sim, Grande Mestre, se encaixa nas minhas recordações de viagem. Contudo – ele acrescentou rapidamente, ao ver Shion erguer a sobrancelha enquanto olhava fixamente para a maleta -, fique tranquilo, Grande Mestre, não é nada de ilegal, para as normas do Santuário, que há nesta maleta. Só que prefiro manter sigilo por enquanto... Meus pertences podem causar estranhamento à comunidade do Santuário que não conta com a mesma bagagem de viagens que eu, principalmente os leigos e os novatos. O Mestre há de saber na hora certa do que se trata, e muito provavelmente há de aprovar meus métodos. Mas será de grande ajuda quando eu consultar os documentos antigos do templo, para sanar minhas divagações. Aliás, mestre, sobre os documentos...

— Sim, Leandro, eu te darei acesso aos documentos – declaro Shion, antecipando a pergunta de Leandro e dispensando-a com um gesto. – Mas não posso permitir que adentre na câmara dos manuscritos dos Grandes Mestres. Os documentos contidos lá são restritamente exclusivos para consulta dos Mestres, devido ao seu conteúdo sacro,  antiquíssimo e, por que não, poderoso.

— Entendido, Grande Mestre.

— Quanto aos outros documentos, pode consultá-los à vontade, desde que não cause nenhum distúrbio na organização do local nem perturbe minha concentração enquanto estiver lá – avisou Shion. – Apenas atente para devolver tudo às suas devidas prateleiras depois de suas... consultas.

— Entendido, Grande Mestre.

— Acho que já podemos prosseguir, a menos que haja mais dúvidas pendentes.

— Não, está tudo entendido, Grande Mestre.

            Leandro seguiu em frente pela escadaria, e Shion foi logo atrás, ainda lançando olhares ocasionais para a maleta de Leandro, perguntando-se o que haveria dentro dela. Em seu íntimo, o Grande Mestre começava a se perguntar se não fizera um julgamento demasiadamente ingênuo e precipitado da dimensão da humanidade de Leandro ao autorizá-lo a lhe fazer companhia em Star Hill. Com o andar da carruagem e o relógio não estando favorável à causa dos cavaleiros, Shion continuou seu rumo até a colina em silêncio, logo atrás de Leandro, percebendo de que teria que descobrir as intenções reais do Cavaleiro de Escultor por si só.

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            Thiago olhou mais uma vez para o imponente pilar que se erguia à sua frente, e em seguida esquadrinhou a área em torno dele. Felizmente, ele logo encontrou quem estava procurando.

— Meninas! – gritou ele, vendo Isabella e Fernanda à distância. – Aqui, por favor!

            As duas foram até ele. Isabella desceu a urna da armadura de Libra para o solo. Ela pôs a mão sobre a caixa, e a urna se abriu, revelando a armadura dourada.

— Thiago, é com você.

            O irmão de Betinho assentiu, e estendeu a mão para a armadura. No mesmo instante, a armadura começou a brilhar, e as armas estremeceram. Uma delas se soltou e voou em direção à mão de Thiago.

— Esse é o tonfá – explicou Isabella, ao ver o olhar confuso de Thiago ao admirar a arma dourada.

            O tonfá é um bastão de tamanho médio extensível, que ficava guardado nas pernas da armadura de Libra, próximo ao joelho, quando a armadura estava em uso. Ele possui um pequeno cabo com duas pontas, uma na horizontal e uma na vertical; o usuário deve segurar o objeto com a ponta da horizontal e apoiar o braço na arma com a ponta da vertical para usar o tonfá em combate, fosse para golpear o oponente de perto, fosse para lançá-lo contra o adversário.

— Fico imaginando como os Cavaleiros de Libra têm que usar esse negócio – comentou Thiago, segurando o tonfá ainda inseguro, apesar de o objeto ter se fixado bem em sua mão. – Não os invejo por conta dessas armas exóticas.

— Preste atenção, Thiago – alertou Isabella. – O tonfá vai guiá-lo contra o pilar, não precisa se preocupar em como segurá-lo. Concentre-se no cosmo da armadura de Libra presente na arma para que consiga golpear o pilar com ela.

— Certo... – Thiago se forçou a desviar o olhar do tonfá, e tomou distância, se afastando do pilar. Então ele desatou a correr em direção ao pilar do Oceano Ártico e saltou, brandindo a arma dourada. – Ao ataque, Tonfá de Ouro!!

            Ele lançou o objeto contra o pilar como se fosse um míssil teleguiado. O tonfá se chocou contra o pilar na mesma hora em que Thiago voltou ao solo. No mesmo instante, uma tênue e longa rachadura começou a se formar no centro do pilar, e a estrutura começou a ruir.

            Enquanto a edificação caía à sua frente, Thiago lançou um último olhar ao corpo estendido de Isaak, e se voltou para as meninas.

— Vocês sabem que direção devo tomar para chegar ao Grande Suporte Principal? – indagou ele.

            Isabella e Fernanda trocaram olhares de surpresa.

— Thiago, eu, ahn... Eu acho que seja aquela trilha ali, que vai para o sul, mas... Você está pretendendo ir para lá agora? E sozinho? Nós ainda temos que levar a armadura de Libra para o Matt e para a Rina, eles foram para os últimos pilares e...

— Exato, eles estão nos últimos pilares, e são eles que devem destruí-los. – O tonfá voltou voando para a mão de Thiago, e o garoto o lançou em direção à armadura de ouro; o objeto flutuou de volta até seu local de repouso. – Um cavaleiro não interfere na missão do outro, a menos que ele chame por reforços. Eu tenho confiança de que Rina e Matt serão capazes de derrubar os próximos pilares. Enquanto isso, para não perdermos tempo, eu irei até o Suporte Principal e tentarei começar a destruí-lo enquanto os outros não me alcançam. Tenho a sensação de que todos seremos necessários para derrubá-lo, mas não custa nada causar algum estrago ao pilar antes de me reunir aos meus amigos. Sem falar que provavelmente ainda há soldados vagando pelas trilhas, tentando nos impedir, e que cairão sobre mim ao me verem sozinho. E mesmo assim, talvez eu não seja o único que esteja me dirigindo para lá. A essa altura, Gustavo já deve ter se recuperado e deve ter ido para lá também, e pode até chegar antes de mim. E Betinho? Como ele estava?

— Quando ele acordou, uma horda de soldados apareceu no pilar do Oceano Antártico e ele se dispôs a combate-los – contou Isabella. – Nós nos oferecemos para ajudar, mas ele disse que podia lidar com eles sozinho e falou que nós não podíamos nos atrasar em levar a armadura de Libra até vocês.

— Isso é típico dele – comentou Thiago. – Ele já se recuperou por completo?

— Quando o deixamos lá, ele parecia bem, sob um aspecto geral – admitiu Fernanda.

— Havia muitos soldados quando vocês saíram? Ou poucos? – perguntou Thiago, fingindo preocupação.

— Ah, eram muitos – assegurou Fernanda. – Vai ver ele não...

— Então Betinho já deve ter dado conta deles – disse Thiago, sorrindo confiante para o horizonte. Fernanda ergueu uma sobrancelha. – Ora, eu confio na capacidade do meu irmão – acrescentou ele, ao notar a aparente descrença da amazona de aço. – Assim como acredito na capacidade de Rina, de Matt e de Gustavo. E mesmo na sua.

            Fernanda piscou duas vezes, como se um mosquito tivesse passado rente a seus olhos.

— O que você quer dizer com...

— Enfim, acho que já podemos prosseguir. Para que lado fica o Suporte mesmo, Isabella? – indagou Thiago, fitando o horizonte e caminhando em direção às trilhas.

— Para o sul, mas isso você já sabe – respondeu ela, fechando novamente a urna da armadura de Libra e colocando-a nos ombros, enquanto observava Thiago se dirigir para a trilha meridional.

            Thiago avistou de relance o corpo de Isaak, e se lembrou das palavras do general caído. Ele parou a poucos metros da trilha que conduzia ao Suporte Principal e ao Templo de Poseidon, e olhou para o horizonte, na direção do sudoeste, para a trilha que levaria ao Pilar do Atlântico Norte, se o senso geográfico de Thiago não estivesse enganado. Ele ficou martelando sobre a pessoa do general daquele pilar, sobre o qual Isaak havia alertado que seria mais poderoso e perigoso do que ele. Pelo que se lembrava, era Matt quem tinha decidido tomar aquela direção. Por outro lado, ele também estava curioso para esclarecer sobre a parte mais chocante do discurso final de Isaak, sobre haver outro ser, escondido nas trevas, manipulando Hades e Poseidon contra Atena e desejando a aniquilação dos três deuses. Ele acreditava que estaria mais perto da resposta se fosse até o Suporte Principal e começasse a tentar libertar o hospedeiro de Poseidon de lá. Quem sabe o deus dos mares não poderia sanar pessoalmente sua dúvida, depois de liberto?

— Thiago? – chamou Isabella, indo ao encontro do Cisne com Fernanda em seus calcanhares. – O que houve? Está tudo bem? Aconteceu algo?

            Thiago saiu repentinamente de seu torpor. Ele passou a mão pela testa, como se sentisse uma enxaqueca.

— Ah... Meninas, o que...

— Você estacou aí de repente – disse Fernanda. – Achamos por um momento que você talvez tivesse sido paralisado por alguém ou...

— Ah, não foi nada... Eu só estava pensando em... algo pessoal – disse ele para disfarçar, esboçando um sorriso para as duas garotas e, em seguida, voltou a contemplar a trilha em que deveria seguir. – Estava com a cabeça longe, mas já estou melhor. Bom, se tudo der certo, vejo vocês lá no fim da trilha. Se virem Betinho ou Gustavo por aí, avisem-nos de que estou esperando por eles lá no Suporte Principal. Mas, com sorte, eu os encontrarei antes de chegar lá. Cuidem para que Rina e Matt estejam inteiros quando receberem a armadura de Libra. Até logo!

            Ele partiu em disparada pela trilha.

— Tchau – disse Isabella, acenando rapidamente enquanto ele sumia de vista.

            Quando o Cavaleiro de Cisne dobrou uma curva na trilha e desapareceu do campo de visão delas, Fernanda cutucou a outra garota com o cotovelo.

— Sério, Branca de Neve, você está começando a me assustar. De onde você tira tanta informação sobre as armas de Libra?

            Isabella a fitou.

— Sabe, Fernanda, mesmo alguém tão obtusa quanto você deveria ser capaz de consultar os livros da biblioteca de Palaestra ao menos uma vez na vida, presumindo que você saiba que eles existem.

            Fernanda piscou.

— Livros da biblioteca de Palaestra?

— Foi o que pensei que você fosse responder. – Isabella deu as costas à rival estupefata e avistou as duas trilhas que levavam aos outros pilares, a do sudoeste e a do norte. – Venha, temos que nos apressar.

— M-Mas espera, Branca de Neve! A gente nem sabe para onde ir! – ralhou Fernanda. – A gente nem sabe quem está precisando mais da armadura de Libra nesse momento!

            Isabella avistou uma placa escondida em meio às algas, perto das trilhas, e foi até ela. Afastando a sujeira, ela reconheceu as letras em grego.

— Aqui diz que a trilha do sudoeste leva para o Oceano Atlântico Norte. Matt disse que ia para lá. E a trilha setentrional leva para o Atlântico Sul, que é para onde a Rina disse que...

            Ela sentiu uma perturbação no cosmo vindo da trilha do norte, como se uma energia cósmica familiar se expandisse rapidamente e depois se extinguisse.

— R-Rina... – balbuciou a amazona de Taça. – Ela está em perigo.

— Mesmo? Que ótimo, achei que eu estivesse ficando paranoica ao sentir essa tensão cósmica vindo dali – debochou Fernanda.

— Mais um pio, e eu faço você engolir essas algas – retrucou Isabella, pisando duro no chão enquanto se dirigia para a trilha do norte. – Vamos, temos que ajudar a Rina. E nada de piadinhas no caminho, se não eu te transformo em poeira estelar antes que você se dê conta.

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            Depois que Shaka se retirou, os outros Cavaleiros de Ouro da década de 1980 continuaram contemplando o Mar Mediterrâneo e as agitações no céu e nas águas, que refletiam o progresso da batalha corrente no Templo Submarino. Estavam em frente à Sala do Mestre, num grande pátio que ficava após as 12 Casas e que conduzia também ao Templo de Atena, onde Saori estava se concentrando para manter a barreira que impedia que o Santuário fosse coberto pelas chuvas e enchentes que assolavam o mundo. Eles também aguardavam pelo retorno do mestre Shion, que prometera voltar de Star Hill com orientações sobre como os Cavaleiros de Ouro do passado deveriam proceder para ajudar as forças de Atena naquela guerra. Gomes também estava ausente, pois havia ido para Palaestra supervisionar os cavaleiros jovens e a chegada dos novos recrutas, enviados por Seiya e os outros Cavaleiros de Ouro atuais.

            Num determinado momento, os Cavaleiros de Ouro do passado notaram que as chuvas e enchentes cessaram para os lados o Oceano Ártico, que banhava as regiões setentrionais da Europa, da Ásia e da América do Norte. Isso significava que os Cavaleiros de Bronze haviam conseguido derrubar mais um pilar, depois da demora que haviam tido no Pilar Antártico, eles haviam retomado a velocidade inicial da batalha nos domínios de Poseidon.

            Camus de Aquário olhou profundamente para o Mar Mediterrâneo, sentindo o cosmo do jovem que destruíra aquele mais recente pilar se distanciando, a quilômetros dali.

— Muito bom, Thiago, muito bom – comentou Milo de Escorpião, se postando ao lado de seu antigo melhor amigo. – Mais uma vez, ele supera as expectativas.

— Sim... Ele conseguiu se sobrepor ao Isaak de maneira sublime – admitiu Camus, com os olhos marejados. – Hyoga deve estar orgulhoso. Se esses meninos continuarem assim... Eu é que não vou conseguir ficar parado aqui, enquanto eles dão sangue, suor e lágrimas para proteger a todos nós.

— Nem eu – admitiu Milo. – Mas, Camus, você não acha estranho o fato de estarmos conseguido sentir e discernir os cosmos deles tão nitidamente, como se estivessem aqui no Santuário conosco, mesmo à distância?

— É estranho, sim, mas deve ter algo a ver com o que Shaka disse antes de ir para sua casa... Que, a medida que os pilares vão caindo, as barreiras do Templo de Poseidon vão se enfraquecendo, e teremos a chance de acompanhar o desempenho deles praticamente em tempo real. Sem contar que Atena também pode estar facilitando isso, por meio dessa barreira que ergueu com seu cosmo, para facilitar o direcionamento de nossos pensamentos para eles. Pelo jeito, agora só faltam dois pilares, sem contar o principal, onde está Poseidon.

— Sim, são as duas bandas do Atlântico – observou Milo. – Sim, eu consigo senti-los vividamente agora, quase como se pudesse enxergá-los... O Fênix, que te deu uma bela surra, está se dirigindo ao Atlântico Norte nesse momento. Não está muito claro se o pilar está vazio ou protegido, mas falta pouco para ele chegar lá. Enquanto isso, a Rina está...

            Milo ofegou de repente. Foi um gesto quase silencioso, que passou despercebido dos Cavaleiros de Ouro, mas Camus estava perto o bastante para ouvir.

— Milo? O que houve? Você está bem? Viu algo que...?

— A Rina – soluçou ele, tentando se recompor, enquanto Camus passava a mão pelas suas costas. – O cosmo dela... Eu acabo de sentir... Ela desapareceu.

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            Matt de Fênix finalmente parou de correr. Havia estacado em frente ao Pilar do Atlântico Norte. Mesmo sem saber como seus amigos estavam se saindo nos outros pilares, ele sentia, pela distância que havia percorrido e pela movimentação dos cosmos de seus amigos à distância, que aquele era o último pilar dentre os sete que sustentavam o Grande Suporte Principal a ser alcançado pelos Cavaleiros de Bronze. Depois dali, só restaria o Suporte Principal, onde o hospedeiro de Poseidon estava aprisionado. Não haveria mais pilares para destruir.

            Enquanto contemplava o pilar, ele sentiu a presença de um cosmo hostil se aproximando. Então, uma forte torrente marítima o atacou, irrompendo em direção a ele como se tivesse sido materializada do ar. Matt foi derrubado e rolou pelos degraus que conduziam ao pilar.

— Urgh... – gemeu ele, tentando se reerguer e olhando em volta, procurando por quem o atingira.

            Um Marina apareceu aos pés do pilar. Surgiu tão bruscamente ali que poderia ter se materializado do chão. Era alto, de pele branca e com um porte semelhante ao dos habitantes de Asgard, como um membro de alguma realeza nórdica. Seu cabelo era grisalho, mas tinha um aspecto jovem em seu rosto. Seu elmo e algumas mechas do cabelo ocultavam seus olhos, os quais Matt só conseguia perscrutar as divisas sob o elmo daquela distância. Talvez ele tivesse golpeado Matt apenas para que o garoto se distanciasse e não pudesse enxergar seus olhos. O mais estranho de tudo em sua aparência, contudo, era a sua Escama.

            A armadura alaranjada típica dos Generais Marinas que aquele guerreiro utilizava era semelhante em vários aspectos às Escamas dos generais que os Cavaleiros de Bronze haviam enfrentado antes, exceto por um detalhe. Enquanto todos os Marinas anteriores apresentavam manchas negras em suas armaduras, que eram sinais da influência de Hades em seus corpos, aquele homem sem expressão diante do pilar não tinha nenhuma mancha em sua armadura. Sua Escama estava intocada, justamente como a de Sorento, que não havia sido corrompido por Hades por ser o único sobrevivente dentre os generais da guerra santa anterior entre Atena e Poseidon. Isso não fazia sentido algum. Sorento havia declarado que todos os outros generais haviam sido trazidos de volta à vida por Hades, apesar de ter comentado também que o posto de um deles estava vago desde a última guerra, por que Kanon havia se feito passar por um dos generais... o general do Atlântico Norte. Que agora se encontrava ali, de pé, inexpressivo, entre Matt e o pilar.

            O estranho guerreiro também possuía uma longa capa branca nas costas de sua escama, a exemplo de alguns dos generais anteriores e dos Cavaleiros de Ouro, e que continha um emblema estranho semelhante a um brasão real em sua parte interna.

            Ainda tentando compreender aquela situação, Matt se levantou e encarou o sujeito. Ele notou que o Marina movia pequenas correntes de ar com os dedos, semelhantes à torrente que ele havia materializado para golpear Matt momentos antes. O homem já estava pronto para o combate, e não demonstrava receio.

— Afaste-se do pilar, Cavaleiro de Bronze, ou sofrerá as consequências de sua petulância – alertou ele, ao ver que Matt havia se levantado.

— E quem é você? – bradou Matt, tentando mostrar determinação em sua fala.

— Eu sou o Dragão Marinho – respondeu ele, sem alterar a expressão. – O caminho de vocês se encerra aqui, Cavaleiros de Atena. Tenho o dever de liquidar todos vocês, e garantir que nunca mais infestem o Templo Submarino com suas passadas.

— Isso é o que veremos – retrucou Matt com firmeza. – Para chegar aos meus amigos terá que passar por mim, e eu não sou do tipo que se rende fácil. Eu vim para destruir o pilar, e não sairei daqui enquanto não conseguir.

— Faça-me o favor – debochou o tal Dragão Marinho. – Você mal aguentou meu golpe mais básico agora há pouco. Isso não será um combate, será um extermínio. É óbvio que há uma diferença abissal de poderes entre nós.

— Você fala demais – disse Matt, incrédulo e sem paciência. – Vejamos se você não está só contando vantagem além da conta... Mostre-me se essa diferença de poder é tão grande assim!

— Você pediu, cavaleiro esnobe. – A expressão do homem se endureceu, se alterando pela primeira vez desde que Matt chegara, e deixando seus olhos visíveis por uma fração de segundo: eram de um tom azul cristalino. O cosmo dele se expandiu agressivamente, e Matt ficou paralisado ao encará-lo, como se estivesse diante de um tsunami. O General Marina ergueu o braço, conduzindo as correntes de ar que manipulava. – Adeus, Cavaleiro de Atena... Redemoinho do Dragão Marinho!!

            Matt foi erguido do chão e se viu sugado pela enorme tempestade que surgiu acima dele e do general, emanando do braço erguido do Dragão Marinho. O redemoinho fez ele se debater e ter espasmos violentos pelo tronco e pelos membros por alguns instantes; ele começou a sentir suas moléculas se desintegrando e separando-se umas das outras, até que subitamente não sentiu mais nada em torno de si.


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Notas finais do capítulo

Expectativa, tensão... o que nos aguarda nos próximos capítulos? O que terá acontecido com Rina?: O que terá acontecido com Matt? Prezados leitores, expressem suas opiniões sobre os próximos passos de nossa aventura... Estarei aguardando voces! Desde já anunciou que comecei a trabalhar no próximo capítulo! e para os colegas autores e leitores de outros fandoms: aguardem por novidades nas demais histórias! Logo teremos atualizações! uhuuuuuuuuuu



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