New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 115
A inquietação de Shaka e o golpe final de Rina


Notas iniciais do capítulo

Rina faz seu cosmo explodir para causar o surgimento do brilho dourado em sua armadura e, por meio de sua técnica mais poderosa, superar o general Io de Scylla.
No Santuário, Shaka de Virgem confidencia para Saga de Gêmeos que está preocupado com o mistério que ronda a identidade de um dos Generais Marinas.
Betinho chega ao Pilar do Atlântico Norte, e é surpreendido pela chegada de alguém conhecido.
Enquanto isso, Matt de Fênix está frustrado por não conseguir sair da trilha do templo de Poseidon e alcançar seus amigos para ajudar a destruir os pilares e enfrentar os generais. Contudo, um pequeno contratempo poderá fazer com o rapaz reencontre seu espírito de luta.



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No Santuário, os Cavaleiros de Ouro da década de 1980 continuavam observando a batalha entre os Cavaleiros de Bronze e os Generais Marinas. O Grande Mestre encontrava-se ao lado de Atena, juntamente com seu assistente Gomes de Altar, assistindo-a para o caso da deusa necessitar de apoio e/ou proteção enquanto mantinha a barreira sobre o litoral da Grécia com seu cosmo.

Nesse momento, Saga de Gêmeos sentiu que alguém chamava sua atenção por meio do cosmo.

— Saga – disse a voz que ecoava em sua mente. – Ouça-me, Saga.

— Shaka? – indagou o geminiano, procurando o Cavaleiro de Virgem entre os presentes. O indiano estava um pouco afastado do grupo, sempre de olhos fechados, mas voltado para o lado onde estava o Cavaleiro de Gêmeos e antigo Grande Mestre. Apesar de Shaka não mover os lábios, Saga conseguia ouvi-lo com clareza, como se estivesse ao seu lado. – Por que está se comunicando com meu cosmo?

— Há uma questão me perturbando – refletiu Shaka. – Você, como antigo Mestre do Santuário e irmão do atual Cavaleiro de Gêmeos, é a melhor pessoa para esclarecer minhas dúvidas.

— E o que é?

— Sorento de Sirene disse que Hades reviveu todos os Generais Marinas que estavam mortos. Todos. Isso inclui o General de Dragão Marinho, responsável pelo Oceano Atlântico Norte. Ora, na última guerra entre Atena e Poseidon, Kanon se disfarçou de Dragão Marinho para liderar as tropas dos Marinas. E hoje, ele está do nosso lado, apesar de que as circunstâncias do renascimento dele ainda não estejam claras para mim, e está percorrendo o mundo para convocar nossos antigos aliados. Então, quem é o General de Dragão Marinho que Hades afirma ter trazido de volta? É o único guerreiro sobre o qual não temos informação nenhuma.

— E você está me dizendo tudo isso por quê...?

— Por que você, Saga, é a pessoa que melhor compreende seu irmão, apesar de suas diferenças. – Shaka fez uma pausa, e voltou-se para o mar. – Pergunto-me, será que Kanon sabe de algo sobre esse General em particular que nós estejamos ignorando? Afinal, ele é o único dos Cavaleiros de Ouro atuais que já fez parte das tropas de Poseidon.

— Shaka, nem mesmo eu compreendo totalmente os segredos que envolvem meu irmão, especialmente no que diz respeito ao fato de ele ter voltado dos mortos muito antes de nós. – Saga também passou a fitar o oceano, pesaroso e perdido em pensamentos conflitantes sobre o irmão. – No entanto, admito que Kanon seja muito sábio. É possível que ele saiba de algo que nós desconheçamos sobre a natureza desse General Marina. Eu mesmo o contataria sobre isso, mas ainda não estou 100% recuperado de minha luta com os Cavaleiros de Bronze. Além disso, nem faço ideia de onde ele esteja no momento.

— Quanto a isso, eu posso ter um pouco de sorte ao procura-lo – admitiu Shaka. – Você acha que Kanon atenderia ao meu chamado e esclareceria minhas dúvidas?

— Não posso afirmar com certeza, mas duvido que Kanon vá se recusar a ajudar um aliado com informações valiosas. Sim, eu te aconselho a procurar pelo cosmo dele, aonde quer que ele esteja.

— Obrigado, Saga – disse Shaka por meio de sua mente. – Farei isso imediatamente.

O Cavaleiro de Virgem se afastou mais do grupo e direcionou seu cosmo para rastrear a localização de Kanon de Gêmeos, encerrando a conversa. Saga continuou contemplando o oceano, torcendo silenciosamente para que seu irmão, mesmo à distância, pudesse ajuda-los.

...

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— A-Andrômeda...! – ofegou Io de Scylla. – A armadura de Bronze se tornou dourada...!

— Nossa, como você é perspicaz. – Rina sentia-se cheia de energia, à vontade até mesmo para ironizar a perplexidade do General Marina do Oceano Pacífico Sul. – Sim, a Armadura de Andrômeda foi reconstruída com o sangue dos Cavaleiros de Ouro. Meu poder, agora, se equipara ao deles. Eu sei, eu sei, você deve estar se tremendo de medo.

Ela sentiu sua inspiração crescendo, impulsionada pelo brilho dourado que se manifestava em sua armadura e pela torrente de ventania que a cercava. Aquela inspiração só podia significar uma coisa... Seu cosmo estava desenvolvendo uma nova habilidade. Uma nova técnica secreta. Ela se deixou conduzir pela nova força da armadura.

— Sugiro que esteja atento, general... Pode não ter como reagir a este próximo ataque.

— Veremos, sua garota insolente! – bradou Io de Scylla. – Tornado Violento!!

Rainha do Mar!!— exclamou Rina.

A amazona conseguiu evocar a água do mar que os cercava, por meio de suas correntezas de ar. A água tomou a forma de correntes, similares à Corrente de Andrômeda, que se condensaram num redemoinho e superaram a técnica de Io. Nesse meio tempo, o próprio Io se viu envolvido pela mistura de ar e água controlada pela garota, e foi engolido pelo redemoinho, sendo depois expelido contra o seu pilar.

Quando Io caiu de volta no chão, Rina observou o esforço dele para se levantar. Quando o general ficou de pé, ela disse:

— É inútil resistir, general marina. Meu poder aumentou consideravelmente. Não terei piedade alguma em meu próximo ataque.

— Rah... Você conta muita vantagem, menina! – rebateu Io, não se intimidando pela correnteza formada pelo ar em torno da menina, que respondia ao comandos dela. – Mas veremos qual de nós dois tem melhor domínio sobre o vento! Mesmo com o sangue dos Cavaleiros de Ouro em sua armadura, você ainda é uma amazona de Bronze, a menor patente entre os Cavaleiros, enfrentando um guerreiro de elite de um deus olimpiano. Vejamos qual de nós dois consegue evocar a mais poderosa tempestade neste templo!!

— Tempestade... – Rina saboreou a palavra enquanto a pronunciava. – Você não devia ter utilizado esse termo. Vai ter uma nova concepção do conceito de “tempestade”... E vai se arrepender de ter usado essa palavra tão levianamente.

— Prepare-se, Andrômeda!! – exclamou o General, ignorando o comentário da amazona. – Tornado Violento!!

Io se lançou para o alto novamente e liberou sua força de ventos. Nesse momento, Rina ordenou mentalmente que sua corrente de ar a envolvesse e a protegesse, fazendo o vento de Io desviar e não conseguir atingi-la. Então ela partiu para o ataque, dissipando sua barreira de ar e indo de encontro ao furacão de Io.

Tempestade Nebulosa!!!

A amazona de Andrômeda liberou seu próprio poder através do elemento Vento e o lançou contra o Tornado Violento; a técnica de Io foi desfeita e o General foi atingido pela força da nova Tempestade Nebulosa, amplificada pelo cosmo dos Cavaleiros de Ouro, presente na armadura de Andrômeda. Io foi lançado contra o Pilar que protegia e caiu com um baque no chão.

Rina sentiu o brilho dourado de sua armadura de bronze cessar enquanto se dirigia ao general caído. Sem forças, Io só teve tempo de suspirar um vez antes de exclamar suas últimas palavras, enquanto o cosmo de Hades se desprendia de seu corpo, bem como a nova vida concedida pelo imperador dos mortos.

— Você, Andrômeda, tem potencial para superar até mesmo o seu mestre. Escute bem o que digo... Você é forte. Seja mais forte, contudo, porque irá precisar no decorrer desta guerra santa. Seja forte, e proteja Atena com seus amigos... Eu imploro, salve Poseidon, para que minha segunda morte não seja em vão...

A cabeça dele tombou e os olhos dele se fecharam antes de ele expirar. Apesar do trabalho que havia tido para vencê-lo, Rina acabou por sentir pena do General: forçado a lutar por um deus que não era o dele, e a matar quem quer que estivesse em seu caminho.

Então, ela ouviu novamente o grito longínquo que irrompia da escama do general caído, quando a influência de Hades desapareceu por completo do corpo sem vida dele, e lembrou-se de que aquela guerra santa ainda exigiria muito dela. Ela se voltou para o Pilar do Pacífico Sul, que se erguia imponente à sua frente. Ela imaginou que, dada a proeza de sua corrente de apresentar inúmeras formas de combate para derrotar as bestas de Scylla, ela poderia ser útil e forte também contra aquele pilar, ainda mais estando impregnada com o sangue dos Cavaleiros de Ouro. Decidida, ela começou a correr em direção àquela enorme edificação.

Ela brandiu sua corrente e estava a ponto de lança-la contra o pilar, quando um vulto de prata surgiu na sua frente.

— Rina, pare! – Isabella de Taça estava com os braços abertos como que para bloquear o caminho da amazona de Bronze, fazendo-a parar de correr. – Assim você só vai danificar sua própria corrente.

— Isabella? O que faz aqui? – Rina abandonou sua postura de ataque e contemplou a amiga.

Nesse momento ela ouviu alguém aterrissar atrás dela. Virou-se e viu Fernanda de Fogo, agachada e acariciando a própria mão, como se fosse um felino.

— Nhé... Eu até teria gostado de vê-la se esborrachando contra o pilar – comentou ela, sarcasticamente. – Só estou te zoando, fofa!

— Fernanda? – disse Rina, surpresa, mas rapidamente concluiu a razão da chegada das duas. – O Santuário mandou vocês para cá, é isso?

— Na verdade, o Santuário me mandou – corrigiu Isabella. – Essa daí, a espaçosa, foi que resolveu me seguir, mas eu deixei que ela viesse; ela até agora está sendo útil.

— Útil? Se não fosse por minha causa, Princesa Elsa, você já teria batido as botas umas três vezes pelo caminho, e já estaria tocando harpa com o próprio Hades – zombou Fernanda, erguendo-se para encarar as outras duas amazonas. – Estou sendo bem mais do que útil.

Rina voltou-se para Isabella.

— É sério que você tem aguentado ela por esse caminho todo?

— Acredite, estou me esforçando para não perder a paciência.

— Então você está conseguindo ser bem contida... Sorte a sua. Eu já teria usado minha corrente para fechar a boca dela de um jeito nem um pouco bonito.

— Não há um momento desde que cheguei aqui que eu não me sinta tentada a fazer o mesmo – garantiu Isabella.

— Oi? As duas amiguxas querem que eu saia para poderem continuar a tricotar em paz? – indagou Fernanda, irônica. – Hello!! Você não tinha uma missão super-importante, Princesa Aurora? Deixe para trocar confidências com sua amiga depois!

— Por mais que me doa dizer isso, ela está certa. – Isabella tirou a urna da Armadura de Libra das costas e colocou-a de frente para Rina. – Para destruir os pilares, Rina, vocês vão precisar da Armadura de Libra. O grande Mestre me enviou para trazê-la até vocês.

— É claro! – Rina bateu na própria testa. – As Armas de Libra! Elas não podem ser usadas pelos Cavaleiros em combate...

— Mas podem ser utilizadas para destruir edificações. – Isabella contemplou o pilar, enquanto estendia sua mão para a urna e pronunciava o comando em grego que significava: “Revele-se, ó armadura!”. – Do mesmo jeito que o seu mestre, Shun, e os Cavaleiros de Bronze do passado destruíram os pilares do templo anterior de Poseidon.

A urna se abriu, revelando a Armadura de Libra. Ela brilhou intensamente, e uma de suas armas, o Nunchaku, se soltou dela e voou para a mão de Rina.

— É claro – disse Rina, passando as mãos pela arma. O Nunchaku, também chamado de “barra dupla”, era uma antiga arma utilizada pelos ninjas, que no Japão feudal era utilizada como instrumento de colheita. – São as armas mais poderosas das tropas do Santuário, que não podem utilizar armamentos, até por que são treinados para transformar seus próprios corpos em armas tão potentes que podem rasgar as estrelas com suas mãos e criar fendas no solo com seus pés. Apenas se Atena e o Cavaleiro de Libra permitirem, é que os Cavaleiros podem fazer uso das armas.

— Exato – concordou Isabella. – Você talvez não tenha sentido por meio de seu cosmo, mas, durante a sua luta, o Betinho utilizou o Escudo de Libra para destruir o Pilar do Pacífico Norte. Restam os outros seis pilares para serem derrubados. Agora, vá, Rina, e use sua força para lançar a arma contra o pilar. Estamos com pouco tempo, e precisamos levar a Armadura de Libra até os outros Cavaleiros de Bronze.

— Pode deixar – garantiu Rina. Ela se voltou para o pilar, e brandiu o Nunchaku; como estava habituada com suas correntes e a arma tinha um design parecido, ela não encontrou problemas em manipulá-la. – Aqui vou eu!

E ela correu na direção do pilar.

— Ao ataque, Nunchaku de Ouro!!

Rina arremessou o Nunchaku contra o pilar. A arma se fincou no centro da edificação e, no mesmo instante, o pilar começou a rachar; em poucos segundos, a estrutura cedeu por completo, com seus destroços deslizando até o solo do templo submarino. Rina se afastou de volta para onde Isabella e Fernanda estavam, para não ser atingida pelo deslizamento. O segundo dos sete pilares já não existia mais.

— Aleluia! – exclamou Fernanda. – Achei que ela fosse continuar com a aula de história pelo resto do dia.

— A sua presença é mesmo um alívio... – ironizou Isabella, revirando os olhos para a rival, que respondeu estirando a língua. – OK, Rina, mandou bem. Agora...

Ela ia dizer algo, mas foi interrompida pelo Nunchaku, que retornou voando para sua armadura de Ouro. Porém, o que chamou a atenção dela foi o choque entre dois cosmos, à distância.

Rina também havia sentido a colisão.

— Veio dali! – ela apontou para sudoeste. – Meu conhecimento geográfico sugere que ali deve ser o local do Pilar do Oceano Índico. E aquele parece ser o cosmo do Gustavo.

— Vocês não perdem tempo mesmo... – comentou Fernanda. – Foi só sairmos do outro pilar que sentimos o cosmo da “rosinha” aqui em batalha, e agora o garoto pseudo-chinês também se lançou em combate pra valer. Se eu não os conhecesse, diria que vocês têm desejo suicida...

— OK, já entendemos – cortou Isabella. Ela colocou a armadura de volta na urna e pendurou-a nas costas. – Nós vamos até lá. Rina, que outro pilar fica próximo daqui?

— Eu posso pegar aquele caminho – e ela apontou para sudeste. – Deve ser a trilha que leva ao Pilar do Atlântico Sul. É o pilar do Sorento, então não teremos resistência. Só vou precisar esperar por vocês.

— Tranquilo – concordou a amazona de Taça. – Vamos, Fernanda! E boa sorte nas próximas lutas, Rina... a gente se vê.

— Obrigada pela ajuda, Isabella! – disse Rina, quando as duas amazonas partiram correndo na direção que levava ao Oceano Índico. – O Matt vai gostar muito de ver que você veio ajudar! – acrescentou ela.

Isabella sorriu de volta e acenou para a amiga. Sabia que ela havia dito aquilo apenas para alegrá-la, mas mesmo assim ficou feliz com a importância que a amiga dava aos seus sentimentos. Fernanda fez uma careta para a mensagem de incentivo trocada pelas amazonas de Bronze e Prata, e continuou correndo atrás dela. Isabella percebeu a reação da rival e sentiu-se mais leve enquanto corria.

Enquanto as duas se distanciavam, Rina tomou fôlego e também começou a correr, indo pela direção oposta, em busca de outro pilar.

...

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Betinho chegou ao que acreditava ser o Pilar do Oceano Atlântico Norte, mas encontrou-o vazio; não havia sinal do General Marina que o protegia.

Então ele ouviu passos, vindos do outro lado do pilar. Preparou-se para a chegada do eventual inimigo e para o combate.

Porém, quem surgiu na sua frente foi seu irmão.

— Thiago? – indagou ele, surpreso, olhando para o Cavaleiro de Cisne. – Pensei que você tivesse pegado o caminho para o Pilar do Oceano Ártico!

— É, eu também achei isso. – Thiago parecia cansado; ofegava ao pronunciar as palavras e levava a mão ao peito. – Fiquei correndo como um louco pelo que me pareceram horas. Achei que nunca fosse chegar a algum dos pilares.

— Engraçado você mencionar isso... – Betinho olhou de esguelha pelo caminho por onde viera. – Eu também estava sentindo isso enquanto vinha para cá. Parecia que o caminho até o pilar se expandia infinitamente quando eu acreditava estar perto do fim da trilha. É como se alguém tivesse lançado uma ilusão nessa trilha... Algo semelhante ao labirinto da Casa de Gêmeos. E pelo visto, o caminho pelo qual você veio também foi afetado por isso.

— É, talvez – disse Thiago, parecendo desinteressado, ainda levando a mão ao peito. – Pode ser.

— Se for um general Marina que causou isso no caminho, ele é muito poderoso – concluiu Betinho. – Mas estranhamente não há nenhum general a vista. Melhor assim... Poderemos destruir o pilar sem sermos interrompidos, já que estamos nós dois aqui. Eu consegui destruir o pilar do Pacífico Norte com a ajuda da Armadura de Libra que a Isabella trouxe para cá, mas acho que podemos começar o serviço sem ela se juntarmos nossas forças, não é mesmo?

— É – disse Thiago, rispidamente.

Betinho estranhou o suposto desinteresse do irmão, mas atribuiu o cansaço que devia estar afetando o cavaleiro de Cisne devido ao caminho que ele havia percorrido como causador do mau humor do rapaz.

— Então vamos acabar com esse pilar logo, Thiago! Engole esse mau humor e vem me ajudar. – Betinho passou pelo irmão e ficou de frente para o pilar. – Com nossos golpes combinados, vai ser fácil!

— Sim – concordou Thiago, com uma voz rouca. – Vai ser bem fácil.

— Então, você quer dar o primeiro golpe ou eu posso tentar primeiro? – perguntou Betinho, dando as costas ao irmão e assumindo uma postura de combate, e encarando o pilar como se fosse um inimigo formidável.

Seu irmão não respondeu.

— Thiago? Você me escutou? Quer tentar primeiro ou...

Ele não conseguiu terminar a frase. Quando fez menção de se virar para olhar para Thiago, o cavaleiro de Pégaso sentiu um golpe forte rachar-lhe a parte de trás da cabeça, e caiu desacordado no chão.

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Matt de Fênix estava correndo pelo que lhe pareciam longos minutos. A cada passo que dava, ele sentia como se a trilha estivesse ficando maior. Não via nenhum dos pilares cujos contornos ele discernia à distância ficarem mais próximos. Estava ficando frustrado e bastante cansado. Pelas placas em grego que havia avistado pelo caminho, aquele caminho levava até o Pilar do Atlântico Norte, mas suas perspectivas de alcança-lo estavam se esgotando.

Ele parou de correr para tomar fôlego. Há pouco havia sentido os cosmos de Rina e de Betinho superando os cosmos dos Generais, e depois sentiu os cosmos de Andrômeda e Pégaso indo de encontro aos respectivos pilares que os Generais guardavam. Pelo que Matt se recordava, os dois tinham se dirigido para os pilares das duas zonas do Oceano Pacífico; logo, restavam mais cinco pilares para serem derrubados a fim de salvar o hospedeiro de Poseidon e impedir a inundação que ocorria na superfície.

Quando sentiu também o cosmo de Gustavo, ao longe, entrando em colisão contra mais um General Marina, Matt sentiu-se um inútil. Seus amigos estavam lutando e dando o máximo de si, enquanto ele simplesmente não conseguia superar uma longa trilha que, aparentemente, estava sendo ampliada por alguma ilusão existente no local; talvez fosse outro dos Generais Marinas tentando atrasá-lo, irritá-lo, ou mesmo deixa-lo enfraquecido para que fosse apanhado pelas tropas de Poseidon, corrompidas por Hades, ou para que, quando chegasse por fim a um dos pilares, não estivesse em condições de lutar, pelo cansaço da corrida. Ele apoiou as mãos nos joelhos e deu um berro de frustração pela situação na qual se encontrava.

Imediatamente ele se arrependeu de ter berrado. Ele ouviu passos em volta de onde estava, em grande escala, como se uma multidão se aproximasse.

Dito e feito: em poucos segundos ele estava cercado pelos soldados do templo submarino. Suas escamas eram idênticas às dos outros soldados que Sorento havia enfrentado quando eles chegaram ao fundo do mar: cobertas por manchas negras do cosmo de Hades, sombrias e sem vida.

— Um cavaleiro desgarrado! – exclamou um deles. – Ide, homens! Vamos apanhá-lo e eliminá-lo para depois enviar seu cadáver ao senhor Hades!!

— Morra, cavaleiro de Bronze...!! – disseram eles, ao se atirar sobre Matt.

Ao invés de se desesperar, o cavaleiro de Fênix riu da situação. Até que era um fim apropriado, levando em conta sua frustração de instantes atrás por não conseguir sair da trilha e alcançar os pilares. Só que aquele ataque repentino dos soldados Marinas teria o efeito contrário do que seus inimigos esperavam, porque Matt sempre se sentia renovado ao entrar em combate.

Ele deixou que o cercassem e se aproximassem, quase a ponto de sufoca-lo, até que houvesse soldados em demasia o pressionando. Não eram adversários dignos, pensou Matt, mas pelo menos o fariam se livrar da monotonia e da frustração que a estrada do Santuário Submarino estava lhe proporcionando. Seriam um aquecimento mais do que apropriado.

Punho de Fênix!!

Erguendo sua mão para o alto, ele afastou a massa de soldados que o cercava.

Penas de Fênix!!

Ele lançou suas penas, em forma de shuriken, para todos os lados, atingindo diversos soldados, arrancando-lhes dedos, olhos e até partes de suas armaduras.

Asas de Fênix!!

Matt segurou um dos soldados e o lançou no ar. Era o mesmo golpe que havia aplicado em Fernanda de Fogo durante a primeira luta entre eles, lá no Japão, meses atrás. Matt saltou para o alto, segurou os braços do marina com seus pés, e em seguida o lançou de volta contra o solo, com um baque estrondoso ao atingir o chão. Alguns dos outros soldados foram impulsionados para longe simplesmente por causa do impacto da queda de seu companheiro.

— Vocês não são adversários dignos. – Matt aterrissou de volta no solo, e encarou o pequeno exército que lhe fazia frente. – Sinto pena de vocês por terem se rebaixado a lacaios de Hades. Mas serei piedoso, e darei um fim em sua existência miserável de maneira rápida.

— Ora, seu cavaleiro de Bronze insolente...! – ralhou o mesmo soldado que havia dado a ordem de ataque no começo. – Ataquem, homens!

Os soldados avançaram, mas Matt não titubeou.

— São patéticos. Afinal... Basta apenas um bater de asas para massacrar vocês.

Ele inspirou profundamente, e queimou seu cosmo levemente.

Ave Fênix!!

A gigantesca onda de chamas evocada pelo cavaleiro de Bronze, em forma de ave, dizimou quase a totalidade da tropa de marinas. Alguns poucos que sobraram, por terem ficado mais atrás, bateram em retirada, assustados com o poder do jovem brasileiro. Porém, um deles tropeçou na fuga, e Matt viu ali uma chance de sair daquele marasmo em que a trilha enfeitiçada o havia feito cair.

Ele saltou sobre os soldados mortos e alcançou o trôpego, que soluçou ao ver a aproximação do cavaleiro.

— N-Não me mate...!

— Não o farei – garantiu Matt. – Mas você vai prestar um favor a mim. Golpe Fantasma de Fênix!!

O soldado ficou estático com o golpe mental, e foi erguido do chão pelo poder do cosmo de Matt. Em vez de destruir a mente dele com suas ilusões, Matt pediu informações, com seu dedo em riste apontado para a cabeça do homem, para manter o efeito do golpe.

— Como devo fazer para sair da ilusão presente nesta trilha?

— P-Pegue uma das armas dos soldados caídos... Uma bigorna, uma lança ou uma maça... Elas farão o cosmo do templo submarino, que rege estas ilusões, acreditar que você é um membro do exército marina. Você conseguirá chegar a-até o pilar no fim do caminho... Sem ter que atravessar as ilusões novamente...

— Excelente. – Matt apanhou uma das lanças de um soldado derrotado, e voltou a encarar o marina que interrogava. – Uma última coisa... Qual é o pilar localizado no fim desta trilha?

— O-Oceano Antártico – balbuciou o soldado, quase sem forças, enlouquecendo pelo controle mental do Golpe Fantasma.

— Ótimo... – Matt se afastou do soldado. – Descanse em paz.

Ele recolheu o dedo, e o soldado sentiu os efeitos do Golpe Fantasma em cheio: sua boca espumou, seu corpo tremeu violentamente como se tivesse sido eletrocutado, e suas artérias que corriam através do cérebro explodiram. O soldado caiu inerte no chão, enquanto Matt de Fênix se afastava, com a lança do outro soldado em punho para evitar cair novamente nas ilusões, retomando sua jornada.

Oceano Antártico?? Matt refletiu sobre as palavras do soldado. Isso não faz nenhum sentido! Além do mais, não havia chance de um reles soldado, cujo cosmo era inferior até ao dos Cavaleiros de Bronze mais fracos, conseguir mentir estando sob os efeitos do Golpe Fantasma. Todas as placas que ele havia visto no percurso indicavam que o Atlântico Norte era o pilar localizado ao fim da trilha. Será que aquilo também havia sido fruto das ilusões? Quem dentre as tropas de Poseidon teria tanto poder assim?

Ele apressou sua corrida, renovado pelo combate, sem sentir o cansaço de antes, e decidido a descobrir a chave para aquelas perguntas, que poderia estar ao fim daquela trilha assustadora.


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Notas finais do capítulo

Pessoal, contem-me o que acharam do capítulo e o que voces esperam dos próximos passos desta saga?



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