Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 13
Capítulo 13 - O bilhetinho


Notas iniciais do capítulo

Juro que tentei fazer isso mais rápido, mas foi impossível... Bom, vou deixar as justificativas pro final, vamos ao que realmente interessa rsrs



Aquela semana foi tão entediante quanto todas as outras e, para completar, George ainda não falava comigo. Acho que a vez em que ele me impediu de brigar com os garotos mais velhos e ainda por cima me chamou de doida não contava. Richard sempre tentava puxar algum assunto que fizesse com que nós dois falássemos algo, mas continuávamos ignorando a existência um do outro, o que se tornava cada vez mais fácil conforme o tempo ia passando como se aquilo fosse um esporte que aprimorava nossas habilidades a cada treino.

O que não era nada fácil era ignorar o fato de que eu adoraria que tudo voltasse a ser como antes e foi por isso que, um dia quando o Richard se levantou impaciente para beber água no meio da aula de inglês, me vi obrigada a fazer alguma coisa, porque era impossível parecer indiferente sem alguém entre nós e prestar atenção naquela aula chata não era uma das melhores opções.

Olhei para o lado e ele estava lá, totalmente desligado de tudo à sua volta rabiscando algo em seu caderno. No início eu achava que ele era muito inteligente e concentrado, por ficar a aula toda anotando coisas, até que descobri que na verdade ele passava todo o tempo desenhando guitarras.

Voltei a encarar meu caderno, desistindo de tentar falar qualquer coisa com ele, até que tive uma ideia. Por mais que fosse difícil fazer aquilo, era bem mais fácil que falar, então rasguei o pedaço de uma folha e tentei escrever qualquer besteira realmente sincera e da qual eu tinha certeza que me arrependeria depois.

Desculpe ter gritado daquele jeito... Eu gosto de você e quero continuar sendo sua amiga!

Quando joguei o papel dobrado em cima da mesa, ele fez uma careta, como se reprovasse a interrupção do seu momento sagrado de desenhar e abriu o bilhetinho, fazendo outra careta diferente ao ler aquilo e rabiscando alguma coisa ali.

Continuar? Achei que que nunca tinha chegado a ser seu amigo.

Ao receber o papel, foi a minha vez de fazer uma careta de desaprovação e escrevi de volta:

Viu? Por isso que eu digo que te aturo só por causa do Richard!

Quando abriu o papel, mais amassado que dobrado, ele deu uma risada

Brincadeira, só queria ver você irritada mais uma vez... Eu também gosto (nessa parte havia alguma coisa riscada, que era impossível reconhecer o que tinha sido) de você!

Queria acabar logo com aquilo, então fui direto ao que interessava.

Chato! E então, vai voltar a falar comigo ou tenho que tentar bater em mais alguém bem maior do que eu pra isso?

Ele riu e estava escrevendo alguma coisa, quando Richard voltou e sentou entre nós, reclamando:

— Essa aula não acaba nunca? Nem dando uma volta pela escola o tempo passa!

— Parece que demora mais só porque é a mais chata e justamente a última da sexta... — Respondi com um profundo suspiro ao ser trazida de volta àquela dura realidade.

Vi que George fez uma bolinha de papel com o que tinha acabado de escrever, ao invés de me devolver, mas não tive outra escolha a não ser continuar prestando atenção naquela aula chata e ficar conversando na maior parte dela. Pelo visto George não estava mais chateado comigo, mas o único progresso foi que ele voltava a me olhar quando eu falava alguma coisa, sem me dirigir palavras, no entanto.

Quando finalmente tocou o sinal da saída, todos saíram correndo como era de costume nas sexta-feiras e nós, do fundo da sala, sempre ficávamos para trás porque tinha uma multidão para sair da sala e tentar entrar no corredor onde outra multidão impedia a passagem. Fui a primeira a guardar o material, seguida por George, que estava em pé ao meu lado, jogando uma bolinha de papel para o alto e a segurando enquanto Richard acabava de guardar seu material, porque tinha sido o único a ficar copiando tudo que a professora falava até o fim da aula.

Ao sair da sala, só restamos os três e as minhas novas amigas, que além de não ter guardado o material, sempre continuavam na sala se arrumando com seus espelhinhos antes de sair. George estava na frente e tentou arremessar a bolinha de papel na lixeira, mas errou por pouco. Richard disse qualquer coisa zombando da falta de pontaria dele e eu me abaixei imediatamente e sussurrei no ouvido da Polly, que estava ao meu lado naquele momento.

— Assim que a gente sair, pega aquele papel!

Ela me olhou com uma cara estranha e eu devolvi meu melhor olhar de súplica, ao que ela revirou os olhos e respondeu:

— Tá beeem... Só espero que seja mesmo importante!

— Obrigada! — Respondi em voz alta mesmo, já que era impossível que eles soubessem do que se tratava e continuei a seguí-los.

Durante a tarde eu tinha combinado de ir fazer compras com as meninas e nem preciso mencionar a felicidade da minha mãe ao saber que eu queria vestidos novos e sairia com amigas, como toda menina normal da minha idade. Esse não era meu programa preferido, mas era melhor fazer com elas do que ir com minha mãe, que costumava dar palpite em cada roupa que eu escolhia. De noite meus vestidos já estavam escolhidos e, por um milagre, fui a única a comprar alguma coisa, talvez porque era justamente a única delas a não ter vestidos nem sapatos apropriados para variados tipos de festas.

Paramos para tomar um sorvete e eu já estava na metade do meu sundae quando Polly falou de repente:

— Ah, Megan, já ia me esquecendo! Olha aqui seu papelzinho...

Ela me entregou um papel cuidadosamente dobrado ao invés da bolinha que George tinha feito e, a julgar pelos sorrisinhos que as meninas me lançavam, elas já tinham lido aquilo e sequer se preocupavam em esconder isso.

— Mas vocês hein... Podiam pelo menos disfarçar! — Respondi rindo e desdobrei o papel, que continha a resposta de George.

"Acho que tenho que voltar a falar né? Não quero correr o risco de ter que enfrentar os valentões de novo... Você quer ir comigo na festa domingo? É que eu não conheço ninguém e" do fim da letra "e" saía um rabisco que cobria toda a frase anterior e deve ter sido depois disso que ele desistiu de me devolver e amassou o bilhete.

Assim que acabei de ler e desviei os olhos do papel, percebi que todas me encaravam e não tive tempo de chegar a conclusão alguma.

— Que foi?

— Isso foi tão lindo! — Rita disse num tom de voz sonhador.

— Lindo ele ter riscado, amassado e jogado fora o que tinha escrito? — Perguntei, piscando os olhos confusa.

— Eu falei que ela não ia entender nada! — Polly disse convencida.

— Ai Meggie, como você não consegue ver? — Lily perguntava como se tivesse muita coisa explicada naquele bilhetinho.

— Ver o quê? — Eu perguntei já irritada e elas começaram a rir.

— Nada! Deixa pra lá, vamos embora porque amanhã temos que acordar cedo... — Dessa vez Lily que parecia irritada pela minha ignorância, ou talvez fosse apenas cansaço mesmo, afinal a gente tinha passado a tarde toda rodando pelas lojas.

— Mas...

— Meggie, Meggie, já vi que você e o Harrison não entendem como funcionam as coisas, não é? Por isso ainda não estão aí juntos... — Polly disse dando tapinhas amigáveis no meu ombro enquanto saíamos da sorveteria.

— Juntos? Vocês ficaram doidas!

— Doidos estão vocês dois um pelo outro! — Lily contestou rindo e até eu ri, não porque estivesse achando graça mas por alguma alegria, ou talvez esperança, repentina e estranha que tinha tomado conta de mim.

 



Notas finais do capítulo

Eu ia mandar esse capítulo junto com a outra parte amanhã, mas achei que ficou grande demais então dividi em dois... (E agora deve ter ficado pequeno demais, mas finalmente venci a indecisão e postei assim mesmo e.e) Por favor não me matem pela demora, a outra parte já está pronta e logo, logo, eu posto rsrs Só faltam alguns ajustes, mas nada que vá demorar mais de um dia...