Consequências - Fred E Hermione escrita por penelope_bloom


Capítulo 23
In Vrede – Esteja em Paz


Notas iniciais do capítulo

'Lumus'
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HOLA CHICAS CALIENTES, Chosers do meu coração, aqui está o outro capítulo prometido, e com um pouco de Fremione que a Pen deixou colocar xD
Aproveitem que agora a Fanfic está em reta final D:

Para quem quiser a música que imaginamos para a segunda parte do capítulo foi essa: Yellow - Coldplay > http://www.youtube.com/watch?v=1MwjX4dG72s




VINTE E TRÊS:

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In vrede, saudação de uma antiga tribo guerreira de magos, significa "esteja em paz". Usada entre inimigos no inicio de batalhas, em despedidas entre amigos ou amantes que desejavam sorte, proteção e honravam o qual estava indo para batalha ou viagem. Última despedida, última benção para guardar a alma dos grandes guerreiros, dos grandes homens ou mulheres. A paz eterna, a liberdade plena, e a felicidade e honra que acompanhariam aquela alma pela eternidade. 

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Acordei com o som alto, o velho CD de Red Hot Chilli Peppers ressoava pela casa. Snow.

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But I need more than myself this time (Mas eu preciso de mais do que eu mesmo desta vez)

Step from the road to the sea to the sky (Caminhe na estrada que leva do mar até o céu)

And I do believe what we rely on (E eu acredito que confiamos)

When I lay it on come get to play it on (Quando eu colocá-la, venha jogar)

All my life to sacrifice (Toda minha vida ao sacrifício)

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Desci as escadas e lá estava meu ruivo, correndo de um lado para o outro com o rodo limpando o chão de madeira enquanto uma mesa de café da manha esplendida me esperava.

- Noivo! – eu gritei do pé da escada quase matando o ruivo de susto.

Ele se apoiou no rodo e sorriu.

- Bom dia princesa... Vem sempre aqui?

- Por favor não comece, eu sou comprometida.

- Mas esse cara é um sortudo... Não quer aliviar esse pobre coitado que vos fala? Será rápido, seu noivo nunca vai saber...

Eu ri.

- Ai Fred, credo.

O ruivo ria-se. Fui até ele, ele me levantou nos braços e me girou pela sala.

- Fiz panquecas.

- Yummy.

- Com calda de morango.

- Bonito, inteligente, e faz panquecas... Casa comigo?

Ele riu.

- Caso... Mas tem que pagar o dote para os meus pais sabe, sou um partido e tanto.

Beijei-o uma vez. Duas. Três. Ele me beijou. Aprofundei o beijo, cruzei minhas pernas ao seu redor, ele amassava meus cabelos com uma mão e com a outra sustentava meu peso. Encostou-me na parede quase violentamente e beijou meu pescoço com gana.

Ding-Dong!

- Eu vou matar – Fred disse encostando as testa na minha assim que descruzei minhas pernas de sua cintura.

Eu ri.

- Terminamos isso depois. – eu ri, e me desvencilhei do ruivo indo rumo a porta.

Ele deu um tapa na minha bunda, ri e atendi a porta.

Um ser bem mais alto que eu então praticamente pulou na minha direção, meu sorriso sumiu. Por puro reflexo agarrei o braço do cara e torci-o de um modo que ele ficou curvado, enquanto eu pressionava seu cotovelo com a palma da mão. Quase quebrei o braço dele.

- Hermione! – era Draco.

- Você bem que merecia um braço quebrado, Doninha – Fred disse cruzando os braços.

- Draco! – eu soltei o loiro e me dependurei no seu pescoço.

- O que eu fiz? – ele disse confuso. – bom, Hermione, Jorge falou comigo, eu fiquei sabendo... Sinto muito. – ele me abraçou.

- Está tudo bem agora. – eu o soltei.

Ele foi até Fred e trocou um abraço com o ruivo.

- E você cara? Como anda esse coração de cenoura?

- Tranquilo... Como Hermione disse, está tudo bem agora. – Fred sorriu.

- Acabo de vir da Casa dos Weasley – ele disse me encarando – eles disseram que querem partir para a ofensiva é verdade?

- Sim Draco... Temos treinado para isso.

Ele colocou a mão no bolso e estralou o pescoço.

- Certo... Vamos invadir a Mansão Malfoy... Tudo bem, eu já estava sentindo falta de casa. – o loiro sorriu e arqueou a sobrancelha. – vamos reunir o pessoal dos velhos tempos.

*

Bella tinha falhado. Eu estaria furioso, mas hoje teria meu corpo novamente.

Aquilo era apenas um contratempo, assim que estivesse no meu corpo eu mesmo iria buscar a minha General.

- MiLorde? – Bella chamou.

- Sim Bella.

- Me perdoe. Eu falhei...

- Você errou Bellatrix Lestrange, mas você tem sido uma serva fiel e leal. Apenas dessa vez, farei vista grossa. Vamos tomar minha Horcrux novamente ao final da Noite. Nosso império estará completo.

- Os deuses sorriem para o Lorde das Trevas.  – ela sorria sonhadora.

Apenas revirei os olhos. Eu ia além de Deuses. Eu era maior que os Deuses.

- MiLorde. – Ícaro, silencioso como sempre, surpreendeu-me.

- Sim?

- Os aurores foram descartados. A senhorita Feline pediu que avisasse.

- Certo. Pode se retirar.

O mouro saiu, tão silencioso quanto entrara.

- Bellatrix.

- Milorde?

- Não confio no Mouro. Livre-se dele.

- Certo.

- Não... Melhor, peça que Cameron o faça.

Bellatrix sorriu. Eu gosta disse em Bella, ela tinha os mesmos pensamentos que eu, e se divertia com as mesmas coisas.

- Sim Milorde.

*

Me sentia enojado perto desses comensais. Estava no jardim dos Malfoy, cuidava das plantas, em especial daqueles girassóis enormes que alegravam aquele lugar. Ficava perto dos limites da propriedade, um fosso realmente grande rodeava os fundos do jardim, uma queda e tanto.

- Ícaro. – Cameron apareceu.

Senti meu peito se contorcer. Eu estava condenado aquele relacionamento de mão único. Eu tinha sacrificado tudo por ela. Eu jurei que a protegeria, mas estava seriamente pensando em Hermione ultimamente. No seu filho. Talvez fosse hora de fazer o que era certo.

- Senhorita Feline. – eu disse indiferente, ajeitando o vaso com o imenso girassol.

Mas então notei que ela estava chorando, um soluço profundo e magoado.

- Cameron? O que houve? – eu fiquei de pé e dei um passo em direção a ela, me contive há meio passo de distancia, no entanto.

- Eu não tenho volta. O que eu fiz com a minha vida Ícaro? – ela disse chorando.

- Sempre me pergunto isso Cameron. – eu murmurei.

Ela me empurou, e gritava coisas sem sentido, e cada vez mais, aquele penhasco ficava perigosamente mais próximo.

- Seu grande idiota, por que você estou tudo?!

- Eu estraguei? O que eu fiz?

- Eu amava Fred, sempre amei, sempre quis ele para mim. Eu sabia quem eu era, o que queria! E por mais que eu te machuque, por que você continua aqui?!

 - Pelos girassóis. – limitei-me a isso.

- Pelos girassóis? Por essas plantas estúpidas, que um dia também vão envelhecer, murchar e morrer!

- Todos vamos morrer um dia. – eu disse simplesmente.

- Por que você não foi embora?! Eu vou ter que... – ela voltou a chorar.

- Cameron, olhe esses girassóis. – eu indiquei os vasos que tinham ficado para trás. – são tão lindos, e delicados. Mas não é isso que os torna tão fascinantes. Essas plantas tão belas, estão morrendo, a cada segundo que passa. Imperfeições aparecem, e toda a bela delas se revela efêmera. Elas murcham e morrem. E passam cada segundo da vida delas obcecadas pela luz. Quantas não são enganadas por luzes artificiais e passam à vida voltadas para uma mentira. E de qualquer modo, artificial ou não, que triste uma vida condicionada a passar cada momento voltada sempre para o mesmo lugar, perseguindo o sol, sempre perseguindo a luz.

- Quem liga para esses girassóis idiotas?!

- Quem liga para você Cameron? O Que te diferencia deles, minha princesa? Sempre voltada para os lugares errado, obcecada por coisas triviais.

- Meu amor por Fred não era trivial!

- Como não? Você continua morrendo, independente dele. Mesmo a montanha mais sólida, com o tempo, acaba convertendo-se em areia.

- Seus provérbios idiotas... Por que você estragou tudo? E-eu te amei... – ela disse baixo, perdendo o fôlego de tanto chorar.

- Tudo que eu fiz foi fazer você ver que não precisa ficar voltada para um homem seja Fred, seu irmão ou eu, como se seu mundo girasse ao redor dele. Você podia ter sido um girassol livre, minha princesa.

- Quem se importa?

- Eu.

- Isso não faz diferença agora! – ela chorou mais. – você deve morrer.

Apenas suspirei.

- Acho que no final você não nasceu para ser livre. – eu sorri e dei um passo em sua direção.

E pela última vez tomei seus lábios, salgados pelas lágrimas. Limpei suas lágrimas e vi que não podia ajudá-la. Eu tentei com todas as minhas forças ajudá-la, mas ela não queria ser ajudada.

Afastei-me dando passos em direção ao penhasco enquanto ela erguia sua varinha em minha direção.

- Adeus, minha princesa. In vrede.

- Adeus meu príncipe, In Vrede – ela me saudou e me lançou um sorriso triste. – Diffindo!

E eu senti minha garganta sendo atravessada. Deixei meu corpo pender para o precipício e o ar desajeito me acolher. Respirei fundo, eu tinha que fazer mais uma coisa antes de morrer. Fui puxado para dentro de mim mesmo uma última vez.

***

Eu estava acabando de tomar meu café, Draco tomava um café, quando um baque surdo se fez no quintal. Saquei minha varinha. Fred e Draco fizeram o mesmo, saímos para ver o que era.

Quase desmaiei ao ver Ícaro ali caído. Corri para ele.

- Hermione! – Fred gritou ainda com a varinha em punhos.

- Pelo amor de Merlin, me ajude Fred!

- Hermione, não podemos confiar...

- Não seja ridículo, eu disse irritada. Draco vá buscar um pano!

Deitei a cabeça de Ícaro no meu colo. Seu pescoço estava profundamente cortado, ele tantava falar, mas se afogava no próprio sangue.

Draco trouxe o pano, Fred murmurava feitiços para tentar fechar seu pescoço. Coloquei o pano sobre o corte e pressionei, o homem de cabelos negros e músculos perfeitos e rijos se contorceu.

- Her-Hermione – sua voz saiu terrivelmente rouca e desfigurada, mas ele tinha um pequeno sorriso nos lábios. Aproximei-me para que ele não precisasse falar não alto. – Eles vem hoje, aqui... querem seu filho... N-não – ele se engasgou em sangue – Não deixe, me prometa.

- Ícaro, por favor, seja forte...

- A-a vida é a noiva da morte, tudo morre... um dia. M-meu dia é hoje.

Ele fez com que eu chegasse ainda mais perto dele, estava voltando a se afogar em sangue, dessa vez apenas eu ouvi.

“Irmã, Não declares que as estrelas estão mortas só por que o céu está nublado. E lembra que por maior que seja, todo deserto acaba.”

- Eu contarei sua história. – eu sorri rapidamente e beijei sua testa – Irmão. In Vrede.

Ele sorriu e levou minha mão ao seu peito, e então sua respiração ficou fluida e clara, por algumas batidas de coração. E com a maior paz nos olhos, o último guerreiro de uma grande tribo de magos descansou. No meu colo, seu singelo sorriso de libertação, do meu amigo que ia se juntar as estrelas.

Ícaro estava morto.

***

Levamos Ícaro até a colina mais alta perto de casa e a ali o enterramos. Fizemos uma cerimônia rápida, apenas eu Draco e Fed. Chorei. Aquilo mexeu comigo e trouxe a tona tudo que eu achei que tinha conseguido superar.

O meu céu estava nublado, e eu não conseguia ver as estrelas, e há tanto tempo sem vê-las, elas de fato pareciam não estarem mais lá.

Draco foi até Toca, avisar a todos, e com urgência bolaríamos algo. Fred me levou para casa e me deu alguns momentos para que eu me recomposse.

- Vou tomar um banho. – ele disse. – vem comigo?

- Tenho que organizar umas coisas antes. – eu disse sorrindo meio forçadamente, finalmente parando de chorar.

Ele apenas suspirou e deu as costas. Não deixei que ele saísse assim, puxei-o pelo braço e dei-lhe um beijo.

 Ele sorriu tristemente.

- É só que, as vezes parece que está tudo bem sabe, mas então...

- Desculpe ser tão... Assim. – eu disse suspirando. – eu vou melhorar.

Ele apenas sorriu e beijou o alto da minha cabeça.

Assim que ele sumiu entre as escadas eu fui até o quarto dele.

Tudo continuava lá, quebrado, destruído.  Assim como eu.

Aquilo era o que nublava o meu céu.

Sem chorar, respirei fundo e comecei a arrumar aquilo tudo. Demorou uma eternidade, uma breve eternidade do que me pareceu menos de meia hora. Fred acabou seu banho e apareceu por lá, sua calça moletom azul e o peito desnudo.

- O que está fazendo?

Eu estava levantando o berço dele, assim que acabei de fazê-lo olhei para a figura ruiva em minha frente.

- É só que, está tudo tão bagunçado, quebrado. Está tudo destruído... Eu achei que... Que... Não quero mais estar quebrada, Fred. Eu quero olhar para o céu e ver estrelas de novo,como costumava ser.

- Você perdeu seus pais e seu filho. É normal quebrar. Desculpe-me ter sido impaciente ontem.  – ele disse se aproximando de mim. – você não precisa fazer isso hoje.

- Eu quero. Naoki merecia mais do que isso. Uma mãe e um quarto quebrados. Meus pais... Eu tenho que seguir em frente, não tenho?

- Eu daria a você. – Fred disse se apoiando na janela.

- O que? – eu disse momentaneamente confusa.

- As estrelas. Não é uma promessa vazia, eu realmente daria elas à você, e ainda seria pouco, você me deu muito mais. E você nem se dá em conta. É por isso que eu te amo Hermione Granger.

- Me ama por causa das estrelas? – disse novamente confusa.

- Você é uma fênix Granger. Ressurge do pó. Quando qualquer mãe simplesmente estaria louca e desistiria de tudo, você arruma forças para ajeitar o que quebrou. E é sempre tão gentil. Você as merece.

- As fênix? – eu definitivamente estava perdida em seu raciocínio.

- Não Granger. – ele riu e beijou a ponta do meu nariz – as estrelas.

Aquilo pairou pela minha cabeça. Fênix. Aqueles pássaros magníficos que renascem das cinzas. Mas por que fazem isso? Não sei se alguém já se perguntou isso, mas por qual motivo elas renascem?

- Hey pequena, me passe o abajur. – Fred pediu.

Eu lhe passei o abajur de hipogrifo que estava estatelado no chão.

Por que eu voltava do pó?

 Só saímos daquele quarto depois de arrumar tudo e encaixotar todas as suas coisinhas. Apenas deixamos para trás uma foto minha e de Fred, no dia em que compramos o berço e tiramos uma foto no quarto de Naoki. Já passava da hora do almoço, eu estava exausta, tinha começado a chorar, e as lágrimas se misturavam ao sangue de Ícaro. Fred apenas sorria e dizia que estava tudo bem, e pela primeira vez em muito tempo, acreditei.

Era como se eu finalmente estivesse dando pontos em uma ferida que estava aberta. Estivesse fervendo, me queimando, me renovando. Acreditando que as estrelas ainda estavam lá, que aquele cinza, não duraria para sempre. Que por maior que fosse, aquele deserto também acabaria.

- Está tudo bem? – Fred me perguntou assim que voltei do banho e me aninhei ao seu lado do sofá.

- Acho que sim. Tudo vai ficar bem. – eu sorri enquanto algumas lágrimas silenciosas escorriam devagar. – obrigada por me ajudar a consertar tudo.

“Obrigada por me consertar” pensei.

- Não foi nada. Obrigada por me deixar te ajudar.

- Não foi nada.

...

...

- Fred?

- Hm?

- Eu te amo.

- Também te amo, minha pequena.

...

...

- Hermione?

- Hm?

- O que Ícaro falou.

Eu sorri e abracei-o com força, senti-o ali do meu lado e agradeci por tê-lo comigo.

- Disse que tudo ficaria bem.



Notas finais do capítulo

ENTÃÃÃÃO THAT'S IT CHICAS DE MI CORAZÓN!

Vou indo, mas em breve tem mais capítulos xD
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'Nox'