A Outra Face escrita por Yue Chan


Capítulo 53
53- Decisões


Notas iniciais do capítulo

Não disse que estaria de volta na quinta-feira?
Quero agradecer a todos que me ajudaram mandando suas opiniões de como resolver o bolo da Hinata com o Naruto. Graças a vocês agora eu sei o que devo fazer.

Obrigada a todos acompanham a fic!



No início o senhor Toshiro não se importou muito com as ligações que pareciam inofensivas, afinal era um homem influente, dono de um dos jornais mais importantes do país, porque deveria temer uma intimação ou outra, ou mesmo advogados furiosos?Ora, para cada advogado medíocre que perdia seu tempo tentando conversar ou esclarecer a situação ele tinha dez renomados.Não havia maneira de obrigá-lo a fazer algo que não quisesse.

Pelo menos era o que acreditava até agora.

No dia anterior, quando a notícia chegou ao seu conhecimento, Toshiro não teve dúvidas. Seria uma oportunidade única e não podia desperdiça-la. Depois de ler e se deliciar ao imaginar o lucro que teria ao vender aquela notícia mando que as prensas fossem acionadas e que a reportagem recebesse destaque na manchete. Os lucros realmente fora gordos.

Isso até poucos minutos atrás.

Ele sabia que seria processado pelos Uzumaki, e até chegou a cogitar que tivesse problemas com os Hyuuga, mas não imaginou que ele fosse se tornar tão monstruoso. Seus advogados experientes foram recontratados pelo senhor Uzumaki Naruto por uma quantia astronômica e os Hyuuga ameaçaram cortar os gordos descontos que ofereciam ao governo japonês no preço do barril de petróleo caso não fosse aberto um julgamento imediato contra o jornal e seu presidente. Até mesmo ameaças de mafiosos pairaram sobre sua cabeça.

Em poucos minutos a situação passou de tranquila para desesperadora. E ele recebeu intimações de seus próprios advogados. O governo pressionou com mão de ferro e o tribunal começava a dar seus primeiros passos que em poucos minutos se transformou em um julgamento com data marcada bem próxima. Era como se o mundo todo tivesse unido forças para derrotá-lo.

Dentro de uma semana ele estaria sentado no mesmo banco em que criminosos e vigaristas haviam se sentado, tudo por causa de uma notícia.

No fim da tarde ele estava detonado. Assim que via sua tranquilidade se esvair, foi-se também sua paciência. A cada telefonema sua personalidade passava por uma etapa. Ele ironizou, riu, ficou sério, conversou, gritou e por último se humilhou pedindo mais tempo para se aprontar para o tribunal. Os outros funcionários se assustavam ao ver a sua situação. O chefe era um homem poderoso, não perdia a linha, não se irritava com ninguém, quase como se fosse uma espécie de vida impossível de maltratar, entretanto estava passeando de um lado para o outro do escritório, arremessando objetos e vociferando ora com as paredes, ora com o telefone que tocava insistentemente.

Toshiro sentou-se. O coração estava disparado, a testa coberta de suor frio, os dedos tremiam ao segurar o copo de uísque. Ele que sempre fizera isso com naturalidade, que tinha etiqueta na arte de beber, não conseguia manter o copo parado. Os olhos saltados e a pele avermelhada davam a impressão de que o homem iria enfartar a qualquer instante, e lembrar das conversas que teve com os três principais carrascos de sua sentença de morte só fazia sua mente embaralhar ainda mais.

O presidente da empresa Uzumaki.

—Eu vou arrancar cada centavo que você tiver. Vou destruir o seu império e fechar o seu jornal para sempre. Depois que eu acabar, nem vender a sua alma vai ser o suficiente para me pagar.

O pai da desafortunada, senhor Hyuuga.

— Pensa que pode jogar o nome Hyuuga na lama e cotinuar com a boa vida? Você acaba de assinar seu atestado de óbito.

E um anônimo cuja voz calma e grave não transmitia nenhuma amistosidade, e deixava claro que não fazia promessas em vão.

Mais um pio, apenas mais uma conversa envolvendo o nome de Hinata e eu vou arrancar a sua língua, fritá-la e dar para você comer. Vou varrer a sua existência da Terra de modo que nem os mais experientes detetives vão conseguir encontrar seu corpo.

Pelo visto Hyuuga Hinata não fazia ideia de quanto era amada. E ele não tinha ideia de como estava sendo odiado. Seria osso resolver aquele assunto.

Pela primeira vez, Toshiro não teve certeza de vitória.

—___________

O acionista levantou-se furioso. Aquilo não podia ser verdade, não mesmo.

—Como disse?

Naruto olhou-o por cima. Tinha aguardado a chegada de Sasuke, mas não foi preciso a ajuda do amigo para que ele largasse a garrafa de bebida. Naruto já havia tomado essa decisão sozinho, estava apenas aguardando a chegada de seu braço direito, ao qual inclusive, não informou nada além de que todos os acionistas deveriam ser convocados imediatamente, sem excessão.

Sasuke saiu aturdido da sala. Desde que soubera da notícia não tinha visto o amigo pessoalmente, mas imaginava que seu humor não deveria estar dos melhores. Surpreendentemente, para sua surpresa, encontrou uma reação inesperada e inusitada. Não se lembrava de tê-lo visto tão cheio de ódio e amargura como agora, nem mesmo quando ele descobriu que Kenzo era seu filho. Felizmente, ele mantinha o semblante de quem está com tudo sobre controle, e se não estava, conseguia disfarçar muito bem.

Antes de sair da sala, Naruto tomou um banho e se arrumou como deveria. Queria que os acionistas o vissem como deveria ser: o patrão, e não faria feio, anda mais com a situação do jeito que estava.

Sakura não pode conter a surpresa ao ver a reação de Kenzo quando Naruto saiu da sala. Ela já estava de volta a sua mesa e junto com Sasuke convocava os acionistas para a reunião por meio do telefone. Ia pedir desculpas por chegar tão tarde, mas não conseguiu formular a frase ao ver Kenzo levantar da mesa onde estava pintando e se atirar nos braços do loiro chamando-o de pai. Seu queixo liteiramente caiu ao perceber algo que eestava na sua cara o tempo todo.

Sasuke que tinha acabado de desligar o celular, mas que tinha os olhos atentos a tudo a sua volta, deixou um sorriso de muxoxo escapara de seus lábios ao ver a cara espantada da rosada.

—Ele é mesmo filho do Naruto?— perguntou ainda áerea.

O que você acha?—Sasuke disse brincando e quase levou um beliscão.- Estou brincando. Mas acho que não precisa de nenhum exame de DNA para perceber algo assim, não é?!

—Que idiota.- Sakura sussurrou ao olhar de novo para os dois.

—Isso não é nenhuma novidade. Naruto é idiota de nascença.

—Não—disse surpresa ao perceber que ele a tinha escutado e voltou sua atenção para o moreno que ainda mantinha o mesmo sorriso enquanto procurava outro número nos arquivos- Eu não estava falando do Naruto, e sim de mim mesma.

—Porque?Entre você e o Naruto é obvio quem merece esse título.

—Para de ser chato. Desde que coloquei os olhos nesse garoto eu o achei parecido com alguém, mas não sabia dizer quem. Agora não consigo acreditar que fui tão estúpida.

—Não deveria estar surpresa,Naruto sempre foi um galinha. Encontrar um filho perdido não seria difícil.

—Assim como você.

—Admito que já treinei muito, mas hoje não tenho porque pensar em outras mulheres se tenho uma tão bonita ao meu lado.

Mesmo sentindo-se agradada com o comentário, Sakura não deixou transparecer.

—Acho melhor voltar ao trabalho. Temos uma lista inteira para dar conta.

Naruto preparou-se o melhor possível para aquele momento. Não era preciso a intervenção de Sasuke, dessa vez seria ele a liderar a conversa, ou melhor, comunicar a decisão.

Os acionistas chegaram aos poucos, cada um sendo recepcionado e direcionado a sala de reuniões. Nenhuma palavra foi trocada por Naruto enquanto eles sentavam e aguardavam, nem mesmo um olhar de boas-vindas. Aos poucos que se aproximavam com um falso sorriso e um fraco aperto de mão ele retribuía como se estivesse tocando em algo pútrido. O olhar dele, duro e seco estava incomodando e trazendo um clima pesado a sala. Foi um alívio quando o último dos acionistas tomou sua cadeira e as portas foram fechadas. Sem delongas, ou recepção, Naruto afastou-se da mesa e voltou com uma pasta na mão. Todos aguardavam com certa apreensão, enquanto ele voltava com a pasta a mantinha-se em pé, na cabeceira da grande mesa de carvalho ricamente decorada e detalhada.

O silêncio permaneceu por alguns instantes, e quando um dos acionistas, tenso pela demora tentou indagar o motivo daquele comportamento, Naruto o cortou com um gesto simples. A sala estava bem iluminada e os olhos azuis percorriam cada centímetro, vistoriavam cada olhar, como um caçador olha nos olhos da fera em busca do temor que ela esconde com uma carranca selvagem.

Ao seu lado, sentado para variar, Sasuke observava seu comportamento. Nem mesmo ele sabia o que Naruto pretendia com aquele momento de silêncio, ou mesmo conseguia imaginar o teor e emoção da conversa que ele estava prestes a iniciar.

Depois de analisar por mais um minuto, Naruto atirou a pasta na mesa, deixando seu parco conteúdo esparramar-se. A intimidação parecia ter dado frutos, já que nenhum dos presentes ousou se pronunciar até que ele o fizesse.

O que significa isso?—disse com a voz austera olhando para todos.

Um dos acionistas, depois de muito pensar, resolveu se pronunciar.

Do que exatamente estamos falando?

—Não se façam de desentendidos. Vocês sabem que o que está escrito nesse documento foi decidido hoje de manhã, em uma reunião secreta a portas fechadas, a qual eu, o presidente da empresa, não fui convocado , nem estive presente.

—Essa decisão foi tomada pelo bem do grupo.

—Pelo bem do grupo?!- Naruto perguntou olhando nos olhos negros do homem- Ah, sim. O grupo. – disse pausadamente- Posso perguntar se esse grupo estava completo?

—Infelizmente não. Mas não é a primeira vez que fazemos uma reunião sem a presença de um de nós. O senhor Uchiha está de prova que em muitas situações começamos reuniões com um pouco mais da metade.

—Por acaso isso é errado?—perguntou outro.

—Não, não pode estar errado. Sempre aconteceu, essa foi mais um episódio de uma novela antiga.— uma mulher concordou.

Sasuke se viu pronto para responder, mas foi impedido pelo amigo.

—Eu conduzo dessa vez— ele tinha dito antes de entrar na sala- Não interrompa.

—Sim, meus caros, poucas foram as reuniões que tivessem todo o grupo presente.

—Vê?Até mesmo você sabe disso.— outro acionista disse.

Com certeza. Muitas foram feitas com acionistas faltando, mas nunca sem o presidente.

—Mas o senhor não estava presente e...

—Algum acionista já perdeu uma reunião por não ter sido avisado anteriormente?—esperou resposta- Não. Todos que faltavam estavam cientes de que a reunião ocorreria com ou sem a presença dele. Não se fazem reuniões sem o presidente, não se tomam decisões sem o PRESIDENTE!Eu sou o dono dessa empresa e nenhuma, repito, nenhuma ordem, vai ser dada sem o meu consentimento.

—Nós acionistas temos o nosso papel e porcentagem de poder. Somos tão importantes para essa empresa quanto você e não podemos deixar que uma burrada sua prejudique a imagem da Black Angel.

—A culpa foi sua ao se envolver com qualquer mulher. Se agisse com cautela e responsabilidade não precisaríamos tomar essa decisão.

—A minha vida pessoal não esta na pauta, senhorita. – disse olhando-a severamente nos olhos- E se fóssemos analisar cada safadeza que um acionistas ou pessoa ligada a essa empresa já fez teríamos um mar de calúnias. Eu pessoalmente tive que cobrir vários e se é para apontar o dedo e ser hipócrita eu posso fazer uma lista de sacanagens das pessoas aqui presentes e posso afirmar, daria um livro!

—Infelizmente a decisão já foi tomada, senhor presidente, não há mais nada que possamos fazer. Por que nos convocar? Para jogar nosso tempo fora?

—Não. Na verdade eu os convoquei para entregar dois recados. O primeiro é que a decisão que vocês tomaram em uma reunião secreta foi revogada.

—Não pode fazer isso!

—Não só posso como já o fiz. Bom, a segunda é que estão todos destituídos dos seus cargos de acionistas. Receberão o que merecem e nunca mais pisarão nessa sala novamente. As ações voltarão para o mercado e serão oferecidas a novos compradores. Obviamente vocês não poderão comprá-las novamente.

O acionista levantou-se furioso. Aquilo não podia ser verdade, não mesmo.

—Como disse?

—O que vocês ouviram. Não são mais acionistas da Black Angel e nunca mais o serão.

—Não pode demitir acionistas!Isso é absurdo, não somos como simples funcionários que você pode se desfazer, temos direitos.

—Sim, eu connheço a burocracia. Infelizmente vocês quebraram o contrato ao realizarem uma reunião a portas fechadas, sem o aviso, consentimento ou conhecimento do presidente que sou eu. Sem o meu aval emitiram uma carta de demissão, passando por cima de mim, e isso meus caros, é quebra de contrato. Ao quebrarem o contrato sem saber vocês me deram autorização para retomar as ações, que tenho certeza, não serão dificéis de vender. Agora se me dão licença, tenho mais o que fazer do que perder meu tempo com ex-acionistas.

—Isso não vai ficar assim, eu vou ligar para o meu advogado.

—Façam como bem entender senhores e senhoras. Nas tetas da minha empresa bezerro ingrato não mama mais.

Sasuke estava de boca aberta com o desfecho da reunião. Esperou que todos saíssem para se aproximar do amigo.

—Cara, estou surpreso com a maneira como destruiu esses ingratos.

—Esses cretinos fuderam a minha vida, eu tinha que retribuir. A maioria vai morrer de fome com a perda desse contrato.

—Vai mesmo.— Sasuke observou o loiro sentar-se e acariciar a têmpora como se estivesse com dor de cabeça- Como você está se sentindo.

—Como um idiota. Não faço ideia de como falar com a Hinata novamente, e ela está puta da vida comigo, pensa que fui eu quem mandei demiti-la, tudo por causa desses imbecis.

—Você está com o Kenzo, quem sabe isso não ajuda.

—Eu não vou usar o meu filho, isso seria...

—Estúpido?

—Também, mas eu ia dizer insensível. Talvez seja melhor dar um tempo, sei lá.

—Pode ser uma boa ideia. Só não sei se paciência combina com você.

—Isso que me preocupa também. De qualquer forma eu tenho que ir, tenho coisas a fazer e não posso deixar o meu filho aqui o tempo todo, seria motivo de mais falatório.

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Hinata estava nervosa demais para pensar, pensar ou raciocinar. Pela primeira vez na vida fez algo sem se importar com as consequências a curto prazo.

Sentou-se na mesa de um bar e virou o primeiro copo de cerveja. Não era a bebida mais gostosa do mundo, mas depois do terceiro copo não estava se importando muito com isso. Virou mais um copo e antes que se desse conta estava na segunda garrafa. Era uma péssima ácoolatra e já estava vendo o mundo girar. Sentiu-se bem, como se flutuasse, como se os problemas pertencessem a outra pessoa que não ela.

Infelizmente, ao virar mais copos na esperança de se sentir mais leve, percebeu que o que estava acontecendo era o efeito contrário. O peso ficou insuportável e as lágrimas desceram enquanto sua língua pastosa embolava-se com as palavras mais simples.

Levantou-se irritada com tudo, tropeçando e deixando quase seis garrafas vazias sobre a mesa. Caminhou, chorou, vomitou e resmungou por algumas quadras. Não se lembrava de onde havia deixado o maldito carro. Quando caiu pela enésima vez resolveu ficar onde estava, mas teve que se levantar ao perceber que havia caído em cima de um cão de rua.

As pessoas pareciam caricaturas e bailavam, seus rostos tortos e estranhos. Não se lembrava de conhecer ninguém, tampouco se importava com o fato, queria apenas chorar suas lágrimas e o fazia com gritos e resmungos esganiçados. De repente sentiu a visão turva e desmaiou.

Felizmente foi amparada antes de cair no chão.



Notas finais do capítulo

E então, quem vocês acham que amparou a Hinata? Lancem seus palpites!

Estou muito feliz com a repercussão que a fic está ganhando graças as recomendações. Se você ainda não fez a sua que tal ajudar no nosso trabalho de divulgação? Faça uma autora feliz e será retribuído.

Um abraço!Yue Chan.

EDIT: Queridos, eu resolvi dividir a fic em livros porque está muito grande e preciso reformular o plot. Houve também um fato muito chato acerca de uma leitora em quem confiei e que me ferrou, então, peço para que não me odeiem, please, a fic continuará, mas em outro livro.