Ex-tresse. escrita por Arizinha


Capítulo 1
Capítulo 1 - EXtressada.


Notas iniciais do capítulo

Gente, estresse se escreve com 's'. E eu sei, é um trocadilho, só pra constar. Outra coisa, lindas: não tem sexo, não tem drogas, nem rock'n'roll. É uma história de comédia, essencialmente, e ela já está terminada. Posto com comentário e recomendações. Sou uma chantagista profissional, já aviso. Vale a pena ler, quem já leu alguma coisa minha, é importante para mim. Minha primeira original.
Beijos, meus amores, até as notas finais!



Ex nunca é uma coisa boa. Sério, ex é um bichinho ruim, uma maldição. Quando se começa um namoro, ela é quase as letrinhas miúdas que se tem em contratos, aquela coisa que tem tudo a ver com os ‘contras’ de uma relação. Ex-namorada é a pior praga existente no mundo inteiro, falo eu, por experiência própria.  Sempre tive a ideia de que ex boa, é ex morta... Quer dizer, eu tinha essa ideia estúpida até ser obrigada a conviver com o encosto da ex-namorada do meu namorado. É, eu sou assombrada pela ex-namorada do meu atual namorado. Quer sorte maior?

Mas não foi sempre assim, eu costumava a ver como uma pessoa boa, gentil, doce... Morna. É, morna. Ela não era do tipo que incomodava, eles conversavam às vezes, nada de mais. Sentia muito desconforto no começo, me sentia verdadeiramente ameaçada. Mas com o tempo eu fui me sentindo mais segura de mim, dos sentimentos dele por mim, enfim eu fui ficando mais segura de nós.  A dita cuja, que se chamava Lara, pareceu ver isso também. E mesmo que nunca tenha pedido pra voltar ou dado a entender que sentia vontade, se afastou.  Era por isso que eu a achava tão morna e sem graça. Ela parecia viver no automático, ser conformista demais.  A personalidade dela era totalmente oposta a minha.  Ela era sem graça demais por ser perfeitamente agradável, perfeitamente boa, perfeitamente insossa. Já eu, era perfeitamente imperfeita.

Ela se afastou por alguns meses e, certo dia, meu namorado me liga em choque: ela havia falecido.

Aliás, ela tinha morrido em um acidente de carro totalmente alcoolizada. Ok, isso foi certamente um choque. A família dela não imaginava o porquê, os amigos estavam simplesmente horrorizados demais e meu namorado, para meu profundo desgosto, chorou feito um idiota por meia hora usando o argumento de eles terem convivido três anos e, agora, ainda serem amigos. Ok, eu podia ser compreensiva, mas eu acabei chorando durante três horas consecutivas louca de ciúmes da morta.  E ainda pensei, de idiota que sou “Ah, coitada. Tá dando mais trabalho agora que morreu, como eu sou egoísta por ficar com ciúmes.”

Burra, ingênua, boboca! Eu fui uma completa imbecil! Eu tinha era que ter me benzido.

A peste resolveu me assombrar. Sim, parece estranho e que eu sou é louca, mas não. Não é. A primeira vez foi quando eu estava no meu quarto. Minha mãe e minha irmã dormiam tranquilamente ao quarto ao lado e eu estava de vigília no facebook de meu namorado. Eu tinha entrado pouco antes no meu e ele havia sugerido que talvez eu conhecesse a Lara e quisesse adicioná-la aos meus amigos. Achei que aquilo fosse um sinal divino e entrei no profile do querido, ficando de tocaia.

Meu quarto estava uma bagunça gigante e eu acabei me distraindo quando Julieta – a gatinha siamesa da minha irmã – pulou na minha cama e começou a brincar com o fio da bateria de meu notebook.  Ela era adorável com seus três meses de vida e sua energia infinita.  Ela correu a patinha pelo fio por alguns minutos e, depois de supostamente derrota-lo, veio pra perto de mim.

Acariciei suavemente seu pescoço até ela ronronar altamente e enfiar a cabeça entre meu colo e o notebook e dormir.  Eu sorri pra ela, eu gostava mais dela assim. Quieta. Dirigi meus olhos novamente pro computador e uma janela estranha apitava na conta de meu namorado.

“Lara lhe enviou uma mensagem”

Lara? Mas ela estava morta. Curiosa, fui obrigada a ver o que era aquilo. E lá estava a foto da menina morta.  Enruguei meu cenho e li o seu singelo oi. Respondi direto.

Isso não tem graça. Quem é? Sabia que falsidade ideológica dá cadeia, seu pervertido?

Demorou alguns segundos com “Lara está digitando uma mensagem” até ela vir e me deixar, no mínimo dos mínimos, chateada.

eu sou a lara

Assim mesmo. Sem ponto, sem letras maiúsculas.

Vou achar seu IP e denunciar, não estou brincando.

Digitei, eu só queria assustar, não sei achar o IP de ninguém, porém achei que aquilo bastaria.  Fora que estava no perfil do meu namorado, a figura masculina certamente poria mais medo no engraçadinho do que a minha.

vai me achar no além, hahahaha

Nossa e eu me achei insensível. Sério, isso é perda de tempo.

Babaca

Xinguei. E eu quase morri de susto quando veio a resposta.

É você, Lilith.

Meu coração saltou no meu peito. Ok, isso definitivamente não teve a menor graça. Furiosa, liguei pra meu namorado. Quem ele pensa que é pra invadir o facebook da ex?

“Onde você está?” fui direta.

“Na aula.” Ele respondeu. “Por quê?”

“Tem certeza?”

“Amor, é segunda-feira. Eu tenho aula de sistemática, e você está atrapalhando.” Ele riu. “Vou contar para minha mãe que você é uma má influencia.” Ele retomou o assunto da noite passada.

Eu ri, mandei beijos e desliguei. Tá, agora eu estava com medo.

Hahahaha

O troço enviou de novo.

ñ creio que vc ligou para ele

Ah, fala sério! Isso só pode ser algum tipo de pegadinha! Ela abreviou o você e colocou um til em um n! Isso é o cúmulo.

Tá, para agora mesmo com isso, perdeu a graça. Digitei. Tchau!

E saí, óbvio. Eu fiquei com medo daquilo, claro, entretanto algum ponto racional do meu cérebro não tinha duvidas de que era alguma pegadinha do meu namorado – que, por sinal, morreria.

Perdida numa divagação sem fim, quase morri de susto quando a gata, que dormia tranquilamente do meu lado, saltou e soltou um miado furioso, ficando toda eriçada.

“Ah, sua praga!” reclamei, colocando minha mão em meu coração frenético.  Nunca entendi porque as pessoas fazem isso, quer dizer, ele não vai parar de bater só porque você colocou a mão ali, né? Fala sério! “isso não se faz!”

Ela seguiu olhando para um ponto perto do espelho do meu quarto e chiando baixinho. Eu suspirei profundamente para me acalmar e dei uma espiada para o lugar. Não tinha absolutamente nada.

“Chega de você.” Resmunguei, pegando a gata no colo. “Vou te pôr pra fora.”

Também nunca entendi porque explicamos o que vamos fazer com os animais. Eles definitivamente não nos entendem, principalmente os gatos. Dizem que eles são maus e egoístas – também dizem que eles veem espíritos. Não acredito.

Passei pelo espelho para colocar a gata para fora. Julieta ficou resmungando em meu colo o tempo inteiro e quando eu abri a porta ela escapou dos meus braços e arranhou meu ombro, enquanto fugia em direção a cozinha.

“Ok, ela jamais vai entrar aqui de novo.” Rosnei indo me espiar no espelho.

Uma marca vermelha e enrugada subia paralela a outras duas iguais no meu ombro.  Que bom! Não, quer dizer, que perfeito! Aquela gata filha de uma –. Fui obrigada a me distrair quando uma pequena luminescência apareceu atrás de mim. Atraiu minha atenção de cara. Primeiro deduzi que fosse a luz que entrava da janela, mas quando se intensificou e a pequena luminosidade se transformou em um clarão com mãos, braços, pés, pernas e cabeça eu me apavorei.

“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!” gritei, apavorada.

Quer dizer, eu não gritei, eu berrei. Berrei mesmo, não tenho vergonha de admitir. Tinha uma criatura luminosa brilhante atrás de mim no meu quarto! Eu não consegui ver seu rosto de primeira, meu único reflexo além de gritar foi tentar sair correndo. Porém a porta não queria se destrancar de jeito nenhum!

“Ah, meu deus, meu deus, meu deus, meus deu, me deus, demau, ahhhh!” eu comecei a embrulhar tudo e finalmente consegui destrancar a porta.

Eu voei para o outro lado caindo em cima de minha mãe e da minha irmã que me olhavam apavoradas.

“O que houve?”

“Tem um fantasma no meu quarto!” eu gritei em pânico.

Minha mãe me deu uma olhada.

“Um fantasma?” minha irmã repetiu, cautelosa.

“Sim! Um fantasma! Mãe, é sério, eu vi, eu vi, ela apareceu atrás de mim no espelho!!! Mãe é sério, é sério!”

Minha mãe suspirou fundo e reabriu a porta do meu quarto, eu estava morta de medo.

“Filha, não tem nada aqui.” Ela deixou a porta aberta. Eu pude ver meu roupeiro, minha cama, o meu cabideiro cheio de tralhas, minha TV, e quando eu espiei para minha escrivaninha eu vi a mesma coisa ruim sentada tranquilamente na minha cadeira.

Eu tranquei a respiração. Minha mãe iria me chamar de louca e iria me internar em algum hospício se eu desse algum outro chilique. Ok, respira. Respira. Espíritos são seres de luz que não encontraram um caminho, só isso. Eles não podem te fazer mal, seja racional, ra-ci-o-nal. Ou vai pra um hospício.

Minha mãe me olhava esperando alguma resposta.  Eu não dei nenhuma, entrei no meu quarto e fechei a porta com chave.

Eu estava sendo muito corajosa, meu deus.

Eu encarei então a coisa desencarnada na minha frente. Seus cabelos eram pretos e compridos, seus olhos castanhos claros e sua pele branca demais. Eu não sabia dizer se era branca mesmo, ou se era por causa da luz contínua e intensa que emanava dela. Seus lábios eram finos, assim como seu nariz, e sorriam ameaçadoramente pra mim. Seu corpo magro que parecia ter sido enfiado em alguma roupa totalmente colante nude se mexeu delicadamente e ela se pôs de pé.

“Fica aí!” avisei. Ah é, avisei mesmo. Como assim um morto levanta e se aproxima? Não no meu quarto!

Ela levantou e sorriu para mim de verdade. Um sorriso de verdadeiro escárnio, pelo menos.  “E por que eu obedeceria você?” provocou.

Eu estava morrendo de medo agora. Será que aquela psicologia de cachorros se aplica a espíritos?

“Por que sim!” ok, que resposta mais idiota.

Ela arqueou uma sobrancelha.

“Filha, você está bem?” minha mãe gritou batendo na porta. “Com quem você está falando?”

“Ah...” gaguejei. “É a TV!”

“TV, né ?” ela perguntou, achando graça. “Dá pra ser mais clichê?”

“Ah tá, e aparecer atrás de alguém num espelho é o que? Muito criativo de sua parte?” rebati.

Ela riu. Riu de verdade, e deu de ombros. Ok, isso é ridículo. Estou confraternizando com o fantasma.

“Ok, vá embora agora.”

“Você acha que vai ser fácil assim? Sério?” arqueou uma sobrancelha.

“Sim.”

Ela rolou os olhos. “Você é mais chata do que eu imaginei.”

“Olha, eu estou tentando ser legal com você.” Eu disse. “eu quero você caia fora”

“Nossa! Você é realmente muito legal.” Precisa ser irônica não, tá?

Suspirei profundamente. “Você me cansa. Diz logo o que você quer.”

Ela me analisou por alguns segundos. Quero dizer, ela realmente me analisou. Mediu meus olhos, olhou pra minha boca, observou meus nariz e meu peito. Ela parecia estar medindo minhas reações.

“Você realmente não sabe quem eu sou, não é?” perguntou. Não estava debochando.

Eu lhe olhei então. Os cabelos escuros, os olhos escuros, a boca fina demais, o nariz proporcional... Não, eu não tinha a menor ideia de quem ela era.

“Não.”

“Eu sou a Lara.”

“Ah... Hahahahaaaaaa-“ e eu desmaiei.



Notas finais do capítulo

Oi, sentiram saudade? Eu senti! Por isso postei. A história tem três capítulo só, querida, e deu. Ela é bem curtinha mesmo, mas ela é muito bonitinha. Duvido que ninguém aqui tenha desejado a morta da ex-amorada do seu namorado, sério, boa parte da história (na realidade, vocês nem imaginam o quantoooooooo) é baseado em fatos reais.
E vou fazer um jogo, mas não vale pesquisar no google! haha, quem souber da onde eu tirei inspiração para nomear a personagem principal de Lilith, ganha beijos e o próximo capítulo dedicado! haha
Beijos, beijos, beijos! Eu estava MESMO com saudade! ♥



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