águas que Inundam a Escuridão escrita por Akahime


Capítulo 2
Segunda Parte - A Força de um Amor


Notas iniciais do capítulo

Presentinho de Natal...



O sol ainda não havia nascido quando a kunoichi despertou. Abriu os olhos preguiçosamente, tentando enxergar melhor. Devagar, as imagens foram se focando e ela percebeu onde estava ao ver a parede feita de toras a poucos metros de seus olhos. Tentou se mexer, mas sentiu algo agarrado em sua cintura. Virou-se lentamente, encontrando o moreno ao seu lado, abraçando-a por detrás de modo possessivo. Sorriu. Mesmo na penumbra ele continuava lindo, os cabelos espetados espalhados em meio à palha seca, os olhos fechados, e, incrível, os lábios contraídos num leve sorriso, como se estivesse no meio de um sonho bom. Com cuidado, tirou os braços dele que a prendiam, colocando um travesseiro no lugar. Ele resmungou, e ela segurou a respiração, não queria acordá-lo.

 

Ainda.

 

Assentou-se na cama improvisada e ficou olhando-o demoradamente, apreciando a visão do jovem Uchiha adormecido, coberto apenas com aquela simples colcha que ela preparara, há muito tempo, enquanto aguardava o retorno deste. Suspirou, olhando maliciosamente para o peito rijo e firme do nukenin, iluminado apenas pela luz de algumas velas, já quase totalmente derretidas, acesas na noite anterior. A pele branca e macia dele era realçada naquela penumbra, que escondia as cicatrizes e os ferimentos de batalha espalhados pelo corpo jovem.

 

Fechou os olhos, lembrando daqueles momentos que passara com o Uchiha caçula, ainda sentindo os toques lascivos das mãos do shinobi em sua pele, os dedos dele fazendo carícias de fogo em seu corpo, o hálito quente dele em seu pescoço, o aroma que exalava da pele dele embriagando seus sentidos...

 

“Ah...”

 

Ela exclamou no seu deleite, viajando ainda nas lembranças. O som de mais um resmungo do vingador a fez sair do transe, fazendo-a calar-se, já que desejava que ele continuasse curtindo o sono, que ela sabia que há muito tempo ele não conseguia ter.

 

Levantou devagar, e na ponta dos pés caminhou pelo quarto, procurando suas roupas, já que estava apenas com as peças íntimas. “Que bagunça!”, pensou, ao vê-las espalhadas pelo piso de madeira de modo desordenado. Riu baixinho, ao pensar que ele acordaria sem tê-la em seus braços, e na cara de frustração que ele provavelmente faria ao não senti-la ao seu lado. Seria divertido ver o “todo poderoso” vingador frustrado, sem toda aquela pose de conquistador que ele sempre demonstrou.

 

Passou os dedos pelas madeixas desarrumadas, de modo nenhum queria que ele a visse com o cabelo desgrenhado, ela tinha seu orgulho de mulher para manter, e não seria hoje o dia que a veriam com os olhos inchados de sono ou com o cabelo de qualquer jeito.

 

O som do riacho lhe deu uma boa idéia, resolveu tomar um bom banho para refazer as energias, já que, mesmo tendo dormido ao lado do Uchiha, sua noite não tinha sido das melhores, fora repleto de pesadelos e flashs de um passado que não era seu. Pegou suas roupas, ajeitando-as em um dos braços. Caminhou até a porta, abrindo-a com cuidado, para não deixar esta fazer nem um rangido.

 

Sentiu os primeiros raios do sol invadirem o quarto por um momento, iluminando parcialmente a choupana e cegando por um momento sua visão do exterior. Foi-se acostumando com a claridade, apreciando o calor do sol, que pareciam suaves carícias de um amante intenso e apaixonado em sua pele. Os passarinhos já cantavam sua canção matinal, sobrevoando o céu e alegremente perseguindo uns aos outros, um jogo de pega-pega sem fim em meio ao azul. Sorriu mais uma vez, era um belo dia para mudar uma vida por completo.

 

Virou-se pela última vez, apenas para apreciar mais um pouco a visão do moreno adormecido, tão tranqüilo e sereno que, quem o visse assim, não imaginaria pelo que ele já havia passado, não perceberia as marcas da dor e da vingança, tão nítidas em sua pele e em sua mente. Não conseguiu conter uma lágrima, ao pensar no sofrimento deste e nos traumas gravados no coração de seu amado. Enxugou-a rapidamente, ela teria que ser forte por ele, ajudá-lo a encontrar seu lado humano novamente, dar-lhe o apoio necessário para que ele pudesse se redimir dos erros e atos impensados que ele cometera.

 

Encostou a porta e foi em direção ao riacho, determinada a fazer diferença naquela alma tão perturbada e confusa, nem que para isso ela tivesse que gastar o último suor de seu rosto, o último fio de chacka, a última gota de sangue que corria pelo seu corpo.

 

Ela daria o último sopro de vida que houvesse em seus pulmões, se fosse para salvar Sasuke de si mesmo e para torná-lo feliz como ele nunca havia sido nesses anos todos.

 

E isso era uma promessa que ela não deixaria de cumprir.

 

X-X-X-X-X

 

 

O riacho murmurejava calmamente, enquanto refrescava o corpo da kunoichi, quase totalmente submerso em suas águas límpidas, deixando apenas a cabeça para fora. Encostada nas margens, ela tinha os olhos fechados em reverência, parecia descansar. Brincava com uma madeixa do cabelo com uma das mãos, enrolando-a com os dedos lentamente, curtindo a sensação da água fria sobre sua pele, mas com a cabeça muito longe, perdida em lembranças.

 

Ela estava relembrando todas as cenas de seus pesadelos da noite anterior. Ela não conseguira dormir bem, as imagens de morte e sangue ainda estavam bem vívidas em sua mente, ela conseguira sentir a dor da alma do pequeno Uchiha ao perder os pais, sua revolta contra o irmão mais velho, a lenta e gradual fome por vingança sendo cada vez mais alimentada até chegar ao seu ápice, a morte de Itachi, apenas para depois ele perceber que tudo fora em vão, que seus esforços foram direcionados para a pessoa errada.

 

O rosto dela se contorcia de angústia, o sofrimento dele era seu sofrimento, sua dor tornava-se sua dor, ela havia penetrado no íntimo dos sentimentos daquele que era conhecido como frio e insensível, mas que como todos os shinobis, também tinha um coração que teimava esconder.

 

Mergulhou, buscando apagar tais imagens aterradoras, que feriam seu íntimo como milhares de senbons [1] rasgando seu coração. As lágrimas que escorriam de seu rosto eram logo misturadas com as águas do riacho, que lavavam sua alma, bálsamo para as feridas causadas pelas lembranças que não lhe pertenciam, mas que ela sentia que agora também faziam parte de sua vida. Não havia alguém no mundo que o compreendesse tão bem quanto ela, nunca surgiria alguém que soubesse tão bem de seus pensamentos e emoções. Ela agora compartilhava das mesmas lembranças que ele, e isso os unia de uma forma que assustaria qualquer um, por mais forte que fosse.

 

Menos a ela.

 

Lembrou de um ditado muito conhecido em seu meio, que dizia: "Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitoria ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas..." [2] Naquela batalha para trazê-lo de volta a luz, ela não teria dificuldades, pois ela conhecia muito bem com o que estava lidando, sabia de suas dores e traumas, conhecia o que se passava em sua mente.

 

Também conhecia a fama de conquistador do Uchiha mais velho, mas não temia ser trocada ou descartada. Ela se conhecia bem. Não seria apenas mais uma na vida dele. Haveria de mostrar que entre ela e as outras havia um grande precipício de distância, e que estava ali não apenas para partilhar bons momentos de prazer numa tórrida noite de amor, mas para permanecer com ele até seus últimos momentos, nas dores e incertezas, nas humilhações e sofrimentos, até seu último suspiro.

 

Não seria daquelas que deixam seu coração sem tomar o outro em troca. Naquele jogo de amor não haveria nem perdedores nem vencedores, apenas os dois, um completando o outro. Ele não precisava de simples alento ou de cafunés que o consolassem. Ele precisava também de alguém que soubesse lidar com ele sem ser submissa e mansa demais, pois assim ele nunca haveria de se redimir, como era desejo da kunoichi. Ela sabia que “Atama kakushite, shiri kakusazu” [3], ou seja, resolver apenas parte do problema não o faria se emendar. Ela precisava mostrar que o compreendia e compartilhava sua dor, mas que não aceitava seu comportamento regado a violência e sangue.

 

Ela sabia quem ela era e do que era capaz, e não tinha medo do que poderia acontecer com ambos. Tinha plena convicção de suas habilidades e da força do amor que nutria por ele. Nada os separaria. Nada ficaria no caminho na luta para transformá-lo novamente naquele ser alegre e sorridente que ele deixara para trás na infância.

 

E mesmo que ele não a amasse de igual modo, se apenas ela conseguisse que ele voltasse a ter alegria nos lábios, ela não teria vivido em vão.

 

Subiu a superfície, renascida da águas, com um novo propósito para sua vida. Lentamente, foi saindo do riacho, novamente ajeitando os cabelos, de modo que este não atrapalhasse sua visão. Vestiu-se devagar, saboreando os raios de sol sobre sua pele, ainda úmida, até que faltasse apenas o hitaiyate de Konoha a ser ajeitado no corpo. Guardando suas armas ainda espalhadas pela grama verde, levantou-se e seguiu, não apenas em direção à choupana, mas buscando alcançar seu destino, sua vida, sua eterna promessa.

 

O amor de sua vida.

 

 

“Não se preocupe nunca mais em mostrar para as outras pessoas que você está sorrindo, pois o que importa de verdade é sorrir para si mesmo...

Afinal todos nós usamos máscaras de carne e sangue e atrás delas escondemos e enterramos nossos sentimentos...

Então me pergunto: o amor, ele realmente existe? Talvez...” [4]

 

Glossário:

 

[1] Senbons são finas agulhas utilizadas para medicina, ataque ou até defesa. Devido a sua expessura, um Senbon pode facilmente acertar os pontos de Acupuntura do corpo, podendo causar muita dor, paralisação ou até a morte. Estes pontos também podem ser usados para medicina, podendo livrar um usuário temporariamente da dor e coisas do tipo. Pode ser adquirido em todas as Vilas Ninja (Informação extraída do site Naruto Vip, http://narutovip.forumeiros.net/portal.htm)

 

[2] Provérbio Japonês (informação retirada da Wikipédia)

 

[3] Provérbio Japonês, literalmente: “Esconde a cabeça, mas não cobre a bunda”, significando que resolver os problemas parcialmente não é a melhor solução. (informação retirada da Wikipédia)

 

[4] Trecho extraído da fic “Memórias de Ninguém”, by Gusutabo-kun.

 



Notas finais do capítulo

Bom pessoal, continuo a campanha... 'Descubra a kunoichi misteriosa e ganhe um rewiew grandão'
Alguns já votaram... E vc? Quem você acha que é a personagem principal?
Beijos, ja ne, agradeço a companhia e não esqueçam de deixar seus rewiews, que eu tanto gosto.



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